Livro: Antunes, C. (2006) Inteligências Múltiplas e seus jogos. Introdução, vol. 1.Petrópolis, RJ: Vozes.

O autor Celso Antunes, produziu sua obra Inteligências Múltiplas e seus jogos no ano de 2006, é professor de Ensino Fundamental e Médio, mestre em ciências humanas e especialista em inteligência e cognição, com diversos livros publicados. Ele baseou a presente obra na teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner, desenvolvida a partir de 1983 na Universidade de Harvard nos Estados Unidos da América.

Ele defende que a mente humana abriga diferentes inteligências e esta afirmação pode ser comprovada ao se observar casos de pessoas que tiveram lesão cerebral adquirida ou não, pois o indivíduo pode perder elementos específicos de uma ou mais inteligências, conservando intactos os demais. Assim conclui-se que o dano cerebral pode afetar certas habilidades e manter preservadas outras.

Ele cita que Einsten foi um gênio matemático, mas com problemas em suas relações interpessoais, Mozart teve grande habilidade com música, mas provavelmente não obteve o mesmo desempenho com escrita. Assim, define que possuímos inteligências diferentes, mas isso não significa que existam localidades no cérebro em que estão situadas separadamente cada uma delas.

A escola no Brasil, em sua maioria, ainda nos dias atuais compreende a inteligência como nos padrões estabelecidos por Alfred Binet há mais de 100 anos que valorizava expressão linguística e conhecimentos matemáticos. Portanto, nas escolas estes saberes ainda são mais exaltados que outros.

Celso Antunes detalha que trabalhar com as Inteligências Múltiplas significa pensar o ser humano de forma integral, olhar o aluno por suas admiráveis competências matemáticas e linguísticas, mas também pelo que pode realizar com outras inteligências, são elas: cinestésico-corporal, ecológica, especial, linguística, lógico-matemática, interpessoal e intrapessoal, e sonora.

Define a inteligência como faculdade de entender, compreender, conhecer, sendo também juízo, discernimento, capacidade de se adaptar e conviver. Constitui potencial biopsicológico não especificamente humano, mas que em seres humanos possui dimensão inefável. A inteligência faz com que cada ser humano seja único.

A teoria de Gardner influenciou os conceitos de escola e de aula, pois mostra que o sistema tradicional de avaliação necessita de renovação, valorizando o potencial de cada aluno com aula centrada em sua individualidade. A obra discorre sobre propostas de intervenção na escola propondo novas atividades, jogos e estratégias para ajudar a consolidar essa nova tendência educacional através de estímulos.

O potencial humano quanto às inteligências é diversificado e isto se deve a conjunção de fatores genéticos e estímulos ambientais desenvolvidos dentro e fora da escola. Uma pessoa sem distúrbios severos ou disfunções cerebrais, é dotada de todas as inteligências. Quando o aluno possui um distúrbio de aprendizagem que afeta alguma inteligência, isso não impede que ele possa desenvolver potencialmente as outras.

Finalmente, a palavra jogo pode dar a ideia de atividade utilizada apenas em educação infantil, no entanto, ele remete a estratégia, pois mesmo a educação infantil não é um espaço para brincadeiras e sim um centro de aprendizagens de conteúdos atitudinais, procedimentais e cognitivos, tão essenciais quanto as salas de aula do ensino fundamental e médio. Logo, os jogos e estratégias podem ser utilizados em qualquer nível de escolaridade para otimizar os saberes escolares e sua aprendizagem significativa.

Celso Antunes convida o leitor a fazer uma reflexão sobre listar uma relação de coisas comuns que não sabe fazer. O leitor verá que a lista é imensa. Em seguida solicita que reflita sobre o que sabe fazer e verá que a lista cresce ainda mais. Afirma que não se deve preocupar com o que não sabe fazer mas sim deve trocar aquilo que não é bom com outras pessoas. Assim há mais cooperação e valorização das habilidades de cada um. E ainda lança as perguntas: O que seria da solidariedade se todas as pessoas soubessem fazer todas as coisas? Se andassem pelo mundo cercadas pela solidão de nada a oferecer, nada a reivindicar? Se não fossem diferentes?

Sobre o Autor:

Taís Fontenelle Carneiro -  Psicóloga pela Universidade Federal do Piauí - UFPI. Especialista em Neuropsicologia pelo Centro Universitário de Araraquara - Uniara. Email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Referências:

Antunes, C.(2006) Inteligências Múltiplas e seus jogos. Introdução, vol. 1.Petrópolis, RJ: Vozes.