Livro: O Pequeno Príncipe; Publicado em: 1943; Autor: Antoine de Saint-Exupéry; Gênero: Romance; Ilustrador: Antoine de Saint-Exupéry; Idioma original: Língua francesa

Esse resumo tem como por objetivo analisar o livro O pequeno Principe sob a ótica da psicologia existencial. O livro O Pequeno Príncipe foi escrito pelo escritor francês, Antoine de Saint-Exupéry. Exupéry viajou por muitos locais, conheceu muitas pessoas e diversas culturas. Como forma de registrar suas viagens, Antoine escreveu o pequeno príncipe, onde ele pode falar das suas experiências e fazer com que as pessoas refletissem sobre suas vivências e principalmente sobre como se relacionavam com outras pessoas.

Podemos levar em consideração que o autor do livro seja o próprio narrador da historia. Segundo Benjamin apud Dutra (2002), a narrativa cria sentidos, implica na descrição de experiências, sendo que essa reconstrução da fala produz significados. Rodrigues (2006) alega que o discurso está na palavra, no silêncio, na escuta, na leitura, no sonho, ou seja, em todas as formas de expressão do ser-no-mundo. Segundo Heidegger apud Rodrigues (2006) “a compreensão é existencial (...), a compreensibilidade do ser-no-mundo, trabalhada por uma disposição, se pronuncia como discurso.” (p. 59)

A partir de uma análise crítica do livro sob o olhar da fenomenologia, uma das grandes abordagens da psicologia, as relações entre o pequeno príncipe e os personagens serão abordadas cronologicamente, sendo destacados conceitos importantes para a psicologia fenomenológica como a narrativa, cuidado, compreensão, tempo, ser-para-a-morte, abertura, disposição afetiva e angústia.

Logo de início ele desenha uma jibóia que engoliu um elefante e pergunta aos adultos o que viram em seu desenho, e eles responde: Um chapéu. Mas ele não entendia o pq não viam a jibóia, e ele refez o desenho e refez. Porque as pessoas grandes só valorizam coisas grandes? Porque não conseguem enxergar o pequeno? O Novo? Isso acontece porque diante da gama de experiências que elas possuem tudo que vêem remetem à algo que já conhecem, não tentam refletir sobre aquilo que é “novo” e não se abrem para as novas possibilidades. Inclusive, assim como a fenomenologia, a gestalt alega que a percepção é construída a partir da experiência.

Logo após o pequeno príncipe com pane em seu pequeno avião, porém como ele estava sozinho, teve que aprender a ser mecânico e consertar o motor do seu avião sozinho. Depois da primeira noite ele dormiu nas areias do deserto do Saara, quando de repente é acordado por uma criança, pedindo que desenhasse um carneiro.

Vemos também personagens como o rei, que pensava que todos eram seus súditos e não tinha nenhum amigo perto. O contador, que era muito sério e não tinha tempo para sonhos. O geógrafo, que se achava intelectual, mas a geografia do próprio pais não sabia. O bêbado, que bebia não queria beber, mas queria beber para esquecer a vergonha de beber. Logo depois encontrou a raposa, que lhe ensinou o sentido de amizade, a rosa que por si era bonita e muito vaidosa, mas quando ela mentiu sobre de onde veio, ai veio a decepção do pequeno príncipe. E encontrou também uma serpente.

 

O que mais admirava o pequeno príncipe em seu planeta era a possibilidade de constantemente estar vendo o pôr-do-sol e cuidar de sua rosa. Diante de coisas tão simples, o principezinho construía sua existência por estar aberto e se deixar afetar. A afetação está vinculada com existência autêntica, a partir da vivência dos fenômenos. Trazendo para a Psicologia, a afetação está relacionada tanto com o encontro entre cliente e psicólogo quanto com a compreensão e a realização de uma intervenção mais eficiente e eficaz. A relação que o pequeno príncipe tinha com sua rosa era ímpar, ele se deu conta disso em seu encontro com o geógrafo, quando descobriu que as flores são efêmeras.

O cuidado com a rosa, em regá-la, protegê-la, faz alusão a forma como o cuidado deve estar inserido na prática psicológica. Neste envolvimento deve haver a sensibilidade para a afetação, para a escuta clínica (ouvir com compreensão), o cuidado e o vínculo. O cuidado é uma prática que vai além da técnica, apesar da técnica ser importante, ela não é mais que a relação, através do encontro, onde se pode acolher esse outro (o cliente). O vínculo é importante para se estabelecer a confiança do cliente no psicólogo.

Na relação entre o pequeno príncipe e o rei e o príncipe e o vaidoso, pode-se perceber que eles priorizavam as grandes coisas, á estética, o sentido da existência não se dava na relação com o outro, o súdito e o admirador eram significantes apenas no momento em que valorizava a eles próprios, aquilo que se quantificava (relação superficial, de aparências). Algo que dentro da psicologia fenomenológica não é o principal, os números, eram reverenciados pelo contador. Ele dava demasiada importância ao ter, ao possuir as estrelas, simplesmente pelo fato de saber que tudo aquilo era dele, e não lhe era significante a beleza das estrelas, o ser não era valorizado. Os detalhes, para o pequeno príncipe, eram a coisa mais importante, ele chorava ao ver que para alguém, a possibilidade de um dia perder a sua tão querida flor seria algo sem importância.

O encontro com a raposa faz-se muito importante para a revelação do ser-aí, no momento em que a raposa diz ser responsabilidade do príncipe cativá-la. E essa é a mensagem que fica em relação à amizade, por exemplo, o cativar está relacionado com o cuidado, com o vínculo e com a afetação. Muitas vezes a linguagem pode não dar conta da capacidade de entendimento e compreensão dos fenômenos, é preciso estar atento a todas as expressões emitidas pelo sujeito numa tentativa de olhá-lo em sua completude. Para Heidegger no momento em que a raposa ao falar com o pequeno príncipe do seu “segredo”, a partir desse diálogo ele passa a fazer uso da repetição do que tinha sido dito pela raposa para não correr o risco de esquecer-se da lição dada pela amiga. Esse repetir para lembrar também é mencionado por Heidegger quando o mesmo diz que a linguagem é um modo de ser, a fala cria a existência e esta, através das palavras, tem acesso privilegiado ao ser. Assim, o ser cria seu momento de reflexão e repetição para manter a substância do que foi dito, preservada. Essa é um tipo de devolução que o psicólogo deve fazer ao seu cliente, repetir a pergunta devolvendo-a fará com o sujeito passe a refletir mais acerca do que foi dito, e pesar se realmente é isso que o afeta ou o angustia.

O Pequeno Príncipe vivia sozinho num planeta do tamanho de uma casa que tinha três vulcões. O orgulho da rosa, que também vivia no planeta do Pequeno Príncipe, arruinou a tranquilidade e o levou a uma viagem que o trouxe finalmente a Terra, onde encontrou a raposa que o levou a começar a descobrir o que é realmente importante na vida – o amor, a amizade e o companheirismo. Assim, cada personagem mostra o quanto às “pessoas grandes” se preocupam com coisas inúteis e não dão o devido valor às coisas. Isso tudo pode ser traduzido por uma frase da raposa, personagem que ensina ao menino de cabelos dourados o segredo da amizade:

 “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”.

É uma obra que nos mostra uma profunda mudança de valores, que ensina como nos equivocamos na avaliação das coisas e das pessoas que nos rodeiam e como esses julgamentos nos levam a solidão. Nós nos entregamos a nossas preocupações diárias e esquecemos a criança que fomos. Pelas mãos desse menino o leitor recupera a meninice, abrindo uma brecha no tempo. Voltamos a sentir o perfume de uma estrela e a ouvir a voz de uma flor... Com ele reconquistamos a tranquilidade e a liberdade, deixando alojar se pela beleza, apossar-se a pouco da sabedoria e do discernimento do que seja essencial. O Pequeno Príncipe é enigmático, profundo, escrito de uma forma metafórica.