Resumo: A fobia social é caracterizada por um medo acentuado e persistente de uma ou mais situações sociais. O indivíduo teme a agir a modo de demonstrar sintomas de ansiedade e que lhe sejam humilhantes. O transtorno vem sendo considerado um problema grave de saúde mental e altamente incapacitante diante das interações sociais, interferindo deste modo nas relações de trabalho, acadêmico, sociais, além de ser considerado um dos transtornos que mais acarreta prejuízos. O presente trabalho tem como proposta identificar a incidência da fobia social nos alunos do curso de Psicologia, além de averiguar a taxa da ansiedade nos alunos, comparar o índice de fobia social dos alunos do 1º e do 8º período e investigar a associação entre a fobia social e os dados sócios- demográficos. A pesquisa foi realizada no Centro Universitário de João Pessoa- UNIPÊ, que fica localizado na BR 230, em João Pessoa- PB. Foram convidados a participar do presente estudo 40 alunos, sendo 20 do 1º período e 20 alunos do 8º período. Para realização do estudo, foi utilizada a escala de Fobia Social (LSAS), desenvolvida por Liebowitz, contendo 24 itens, que consiste em marcar entre os números de 0 a 3 os quais correspondem à intensidade e a frequência em que ocorrem às situações citadas na escala. Através dos resultados obtidos foi possível verificar que há prevalência da ansiedade nos estudantes, além de constatar que o nível do transtorno é maior nos alunos do 1º período do que nos do 8º, o que sugere que estes indivíduos podem abandonar o curso por conta dos prejuízos acometidos pelo transtorno. Os dados foram analisados através do pacote estatístico Excel, em sua versão 2007, e foram respeitados todos os aspectos éticos para a pesquisa com seres humanos da resolução 196/96.

Palavras-chaves:Fobia Social, Estudantes Universitários, Transtorno.

1. Introdução

Os transtornos de ansiedade são considerados as enfermidades mentais mais prevalentes na população, dentre eles destaca-se a fobia social, com diversos sintomas e características incapacitantes. Podendo muitas vezes ser confundida com timidez, fazendo com que prejudique o indivíduo a busca de um diagnóstico, tratamento e ajuda capacitada. Além disso, Lamberg (1998) relata que por muito tempo os especialistas e pesquisadores da área não deram tamanha importância e descuidaram da fobia social, desta forma gerando consequências para que os indivíduos não procurassem o devido cuidado e tratamento.

Estima-se que o transtorno seja acometido tanto em homens e mulheres, com início na adolescência, mas em alguns casos podendo haver desde a infância, há índices de que pessoas diagnosticadas com fobia social têm alta comorbidade com outros transtornos psiquiátricos, como ansiedade generalizada, fobia específica depressão, transtorno evitativo de personalidade e dependência de substâncias psicoativas.

 Os sintomas presentes na fobia social segundo o DSM IV são caracterizados pelo medo acentuado e persistente de uma ou mais situações sociais, onde o indivíduo teme agir de um modo (ou mostrar sintomas de ansiedade) que lhe seja humilhante e vergonhoso, interferindo e consequentemente prejudicando significativamente na rotina, no funcionamento ocupacional (acadêmico), em atividades sociais ou relacionamentos e tende a reconhecer que o medo é excessivo e irracional.

A Fobia Social (FB) ou Transtorno de Ansiedade Social (TAS) tem sido considerada um dos transtornos fóbicos que mais traz prejuízo à população acometida.  Além de ser um transtorno bastante confundido com a timidez, só que ela vai além do que muitos pensam. É um transtorno mental grave que traz sofrimento e perdas de oportunidades para o indivíduo acometido (D'EL REY, 2001; LAMBERG, 1998). É considerado um transtorno ansioso de evolução crônica, além de ser reconhecida como passível de acarretar prejuízos graves em diferentes áreas da vida do indivíduo como trabalho, atividades sociais, escolaridade, relacionamento familiar, etc. (SCHNEIER; et al., 1994).

O medo de falar em público é umas das manifestações mais comuns da Fobia Social (DEL REY, 2005), sendo frequente na população universitária. Desta forma o estudante passara por situações que terá de falar em público se expondo para seus colegas e professores, além da necessidade de fazer parte de um grupo de amigos. Em situações como essas, a fobia social pode resultar em sofrimento excessivo e gerar graves limitações (BERNIK, 2005).

Tendo em vista que a fobia social acarreta prejuízo na população universitária, e que ao longo da vida acadêmica o estudante terá que lidar com exposições orais diante dos seminários e discussões em grupo, os alunos começam a se sentir pressionados para criarem uma boa impressão acadêmica e posteriormente preparar-se para uma boa atuação em sua área profissional. Para Escudero (1999), sugere que em relação ao atual mercado de trabalho brasileiro, as exigências são cada vez mais presentes e necessárias, tendo em vista que as empresas buscam por um perfil de liderança, postura, desenvolvimento para trabalhar em grupo, boa comunicação, capacidade de tomar decisões e ter iniciativa. Além disso, Escudeiro (1999) relata ainda que nem todas estas exigências estão presentes nos universitários e consequentemente estes não serão introduzidos pelo mercado.

 O presente trabalho tem como objetivo geral identificar o índice da fobia social em alunos universitários de psicologia do Centro Universitário de João Pessoa- UNIPÊ, tendo como objetivos específicos averiguar a taxa da ansiedade nos alunos, comparar o índice da fobia social dos alunos do primeiro e oitavo período, investigar a associação entre fobia social e os dados sócio-demográficos, além de realizar uma breve revisão bibliográfica abordando no primeiro capítulo temas como fobia social, relatando seus aspectos históricos, a ansiedade quando se torna patológica, a epidemiologia e etiologia do transtorno, os critérios diagnósticos e a comorbidade com outros transtornos. Já o terceiro capítulo, ilustrará com mais afinco a fobia social no âmbito acadêmico, relatando seus prejuízos e limitações nos estudantes universitários. 

O trabalho foi realizado na Universidade particular na cidade de João Pessoa- PB, no Centro Universitário de João Pessoa- UNIPÊ, que fica localizado na BR- 230, onde oferece os mais variados cursos, dentre eles o curso de Psicologia. A população deste estudo foi de vinte alunos do primeiro e vinte do oitavo período, totalizando a amostra em 40 alunos. Para averiguar os objetivos citados, a pesquisadora aplicou a escala de Fobia Social (Liebowitz Social AnxietyScale- LSAS) desenvolvida por Liebowitz, contendo vinte e quatro itens acerca da ansiedade da performance e ansiedade social sendo identificadas na escala por (P) e (S), onde os mesmos marcaram se há a presença do sintoma descrito na própria escala.

A pesquisa foi viável, pois a amostra foi de fácil acesso, baixo custo benefício, tendo em vista que a pesquisadora estuda na Instituição citada. Além disso, o referido trabalho poderá contribuir com novos dados para revisão de literatura. A coordenação foi devidamente informada e os estudantes foram informados sobre a importância da pesquisa, foram esclarecidos a respeito do Termo de Consentimento Livre e Esclarecidos (TCLE), além de viabilizar as informações necessárias para contato.

2. Fobia Social

A palavra fobia provém do grego phobia que por sua vez deriva-se da palavra grega phobos, nome de um deus grego, cujo qual provocava medo e terror em seus inimigos, pois sua face era terrivelmente assustadora. Segundo Holmes (1997) as fobias são caracterizadas por medos irracionais e persistentes diante de algumas situações e ou atividades, objetos e animais. As fobias são medos que por sua vez não têm justificativa na realidade. Um aspecto considerado importante do fóbico é que o mesmo tem consciência da irracionalidade do seu medo, mas apesar do conhecimento deste medo, não consegue simplesmente parar ou tentar controlar. Este conhecimento do medo é de extrema importância porque distingue um indivíduo com fobia de um com delírios. Porém, as fobias podem levar a comportamentos disruptivo de dois modos. Primeiro, se a situação ou objeto temido podem ser evitados com facilidade, porém esta evitação poderá resultar em sérias consequências. O segundo modo refere-se se o objeto ou situação temido, onde o indivíduo não consegue evitar facilmente, experimentando desta forma alto nível de medo e pânico, podendo assim experimentar embaraços, erupções emocionais, desmaios e tentativas de fuga. Provavelmente os transtornos fóbicos são mais comuns do que conseguimos perceber, isto acontece porque os indivíduos com fobias muitas vezes conseguem mascarar seus problemas com bastante eficácia.

Vale salientar que é importante entender a diferença entre medo e fobia, o que caracteriza a fobia são níveis intensos, logo patológicos, limitando de algum modo à vida do indivíduo, podendo estender a vários âmbitos. Esse medo patológico (fobia) se diferencia do medo normal pelas seguintes razões: não tem razão objetiva (sem sentido); Não é real; muitas vezes o indivíduo reconhece o absurdo que pensa; além de ser acompanhado de sintomas físicos como falta de ar, sudorese, elevação da pressão arterial, entre outros.

Ainda de acordo com Holmes (1997) os transtornos de ansiedade podem ser divididos em duas categorias principais: os transtornos fóbicos no qual está subdividida em três grupos são elas: agorafobia, fobia social e fobia específica e o segundo grupo os estados de ansiedade que esta subdividida em 5 grupos: Transtorno de Pânico (TP); Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG); Transtorno de Estresse Agudo (TEA); Transtorno de Estresse Pós- Traumático (TEPT) e Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

A fobia social era o transtorno menos pesquisado até a poucos anos, era também o transtorno de ansiedade mais esquecido (LIEBOWITZ, 1985), além de ter sido por muitos anos o menos compreendido e pesquisado (HERBERT; BELLACK; HOPE, 1991; JUDD, 1994; TURNER; BEIDEL, 1989). Segundo Picon (1999), até meados da década de 80, os episódios de fobia social eram até então descritos na área da psicologia como timidez patológica, ansiedade de encontro e até mesmo insegurança. Mas, em 1980, a fobia foi publicada no DSM- III e passou a ser considerada como uma categoria diagnóstica. Já em 1987 a fobia foi dividida em dois subtipos: fobia social circunscrita ou restrita, que corresponde ao medo de falar em público, comer na frente de outras pessoas, ou escrever na frente de outros e o segundo subtipo refere-se à fobia social generalizada, o qual aparece temor, ansiedade, evitação a passeios, falar com autoridades e professores e manter-se próximo a alguém desconhecido. O que diferencia estes dois subtipos é que o primeiro diz respeito ao desempenho social, enquanto no segundo refere-se à sintomatologia que se relaciona em sua maioria com as situações de interação verbal.

Já foi levantada uma série de fatores pelos quais demorou- se tanto tempo em reconhecer a fobia social como realmente um transtorno, um dos motivos da demora deste reconhecimento estão relacionados à falta de informações inadequadas sobre o tratamento, à resistência destes pacientes de se relacionarem com desconhecidos como o próprio terapeuta, a frequente comorbidade com outros transtornos psicológicos, os quais deixavam a fobia social como uma condição secundária, pela pouca atenção e credibilidade que os médicos davam ao transtorno ou até mesmo pelas próprias estratégias de enfretamento que os indivíduos se adaptavam seu estilo de vida ao seu transtorno (MONTGOMERY, 1995). Por sua vez a demora do diagnóstico da fobia social se dava pelo fato de ser confundida com timidez, pois, assim como a fobia social a timidez foi descrita como ansiedade, desconforto e inibição em situações sociais e medo da avaliação negativa pelos demais (HEISER; TURNER; BEIDEL, 2003).

Por isso tem sido difícil delimitar as fronteiras entre fobia social e timidez pelos os seguintes motivos: não há consenso sobre a definição de timidez; elas têm muitos aspectos comportamentais, cognitivos e fisiológicos comuns; elas se originam de diferentes tradições de pesquisa com a timidez sendo estudada por psicólogos sociais, da personalidade e do aconselhamento enquanto a fobia social é um tema de pesquisa na psicologia clínica e suas diferenças podem ser de natureza mais quantitativa do que qualitativa.(BRUCH; CHEEK, 1995; p.163-82)

Só que a timidez nada mais é do que um traço de personalidade normal que envolve algum grau de nervosismo, inibição e embaraço diante das situações sociais. No quadro 1, a seguir proposta por Turner, Beidel e Townsley (1990), mostra aspectos característicos da timidez e fobia social;

Quadro 1

Timidez Fobia Social

Traço de personalidade normal

Transtorno psiquiátrico

Primariamente inibição e discrição social

Presença de acentuada ansiedade, mesmo pânico, em situações de avaliação social

Pode se envolver socialmente quando necessário

Maior probabilidade de exibir desempenho social deficiente

Menor probabilidade de evitar situações sociais

Esquiva de situações sociais mais frequente e difusa

Altamente prevalente na população

Taxa de prevalência mais baixa

Curso mais transitório para muitos indivíduos

Duração mais longa, mais crônica e constante

Inicio mais precoce talvez nos anos pré-escolares

Início mais tardio, do inicio a metade da adolescência

Menor prejuízo na vida diária

Maior prejuízo social e ocupacional

Além disso, Hazen e Stein (1995) sugerem outro motivo pela qual a fobia social demorou tanto tempo para ser considerada importante, o qual motivo refere-se à própria ansiedade social. É comum sentirmos ansiedade em falar em público, dirigir-se a um superior para lhe pedir uma informação, entre outras situações que cotidianamente estamos propensos a passar. Só que o que caracteriza e diferencia a ansiedade social normal da fobia social é o temor da avaliação negativa pelos os outros. Stein (1995) acredita que o termo fobia social é inadequado para descrever o transtorno, o mesmo ressalta que os indivíduos acometidos não evitam as situações sociais e sim o que temem e o que caracteriza o transtorno é o medo de ser avaliado negativamente pelas pessoas. Mas, segundo Falcone e Walen (1985), sentir ansiedade e desconforto em algumas situações seja normal, esta ansiedade não impede que o indivíduo tenha prejuízos a ponto de interferir na sua vida sócio ocupacional. Portanto, o que realmente importa não é se a pessoa tem ansiedade social, mas a intensidade, a duração dos episódios, a frequência e qual o grau de evitação que o indivíduo apresenta.

Contudo para falar sobre fobia é essencial discutirmos o que a gera, a ansiedade. É necessário compreender que a ansiedade é comum a todos nós seres humanos, mas, devemos também entender quando se torna anormal, ou seja, quando passa a ser patológica.

2.1 Ansiedade Normal e Patológica

Desde antiguidade a ansiedade vem sendo objeto de estudo, porém estudos científicos acerca do tema só se tornaram frequentes a partir do século XIX (PELUSO; BLAU, 1994). Atualmente, continua despertando interesses e vem sendo estudada por inúmeros autores e suas diversas abordagens que por sua vez definem de acordo com sua intensidade e nível que vai do normal ao patológico (DUARTE; OLIVEIRA, 2004).

“É importante distinguir o medo da ansiedade, o medo ocorre como uma resposta adaptativa considerada saudável diante de uma ameaça ou um perigo percebido contra a própria segurança e integridade física” (BECK; GREENBERG, 1998; CRASKE, 2003). O medo pode se tornar mal adaptativo quando ocorre diante de uma situação não ameaçadora, que não representa perigo ou ameaça (BECK; CLARK 2012). A importância de distinguir o medo da ansiedade esta relacionada à confusão que os indivíduos se referem a cada um, como por exemplo, diante de um estímulo de ansiedade os sujeitos podem se retratar erroneamente como se sentissem medo, pavor, pânico, preocupação, entre outros (BARLOW, 2002), por isso a importância de serem claramente diferenciados.

Para Beck e Clark (2012), o medo é um estado neurofisiológico primitivo alarmante que envolve avaliação cognitiva de ameaça e perigo diante de uma situação que gere insegurança e que balance a integridade do indivíduo. Já a ansiedade, consiste em um sistema de resposta cognitiva, fisiológica, comportamental e afetiva (modo de ameaça) que é ativado diante de situações ou atividades antecipadas ou vivenciadas e são consideradas aversivas, porque estão sendo percebidas como eventos incontroláveis, imprevisíveis que podem ameaçar os interesses vitais do indivíduo.

A ansiedade é um fenômeno normal e comum a todos os seres humanos, podendo ser experimentando ao longo da vida e devido à frequência e intensidade de sua manifestação é que vem despertando o interesse de diversos autores e de várias áreas de conhecimento (ANDREATINI, 1999). Caracterizando assim a ansiedade como uma resposta interna, diante do estímulo que considera ameaçador a sua existência, podendo ser dividida em dois tipos: normal e patológica, diferenciando-se uma da outra pelo grau de intensidade e do tempo de duração. 

Os sintomas de ansiedade podem atingir quatro tipos de sintomas, tais quais: os sintomas de humor, neste caracterizando principalmente em ansiedade, tensão, pânico e apreensão. Podendo também acarretar humor depressivo e irritabilidade. Em segundo os sintomas cognitivos que refletem em apreensão e preocupação sobre determinada situação que o indivíduo antecipa, além de que a atenção destes indivíduos é concentrada apenas em desastres, fazendo com que não foque aos problemas reais próximos. Os sintomas somáticos da ansiedade podem ser divididos em dois grupos, os sintomas imediatos que são caracterizados por sudorese, boca seca, pulso rápido, dores na cabeça, falta de ar, tensão muscular, entre outros, estes sintomas representam o alto nível de estimulação do sistema nervoso autônomo, as quais são as mesmas respostas presentes no medo. Em segundo, se a ansiedade for prolongada podem gerar sintomas atrasados, como pressão alta, sofrimento intestinal, fraqueza muscular, entre outras. Porém nem todos os indivíduos que sofrem com ansiedade experimentam estes mesmos sintomas físicos. Os sintomas motores referem-se à inquietação, impaciência que os indivíduos apresentam diante das situações. Podendo observar desta forma os elevados níveis de sintomas motores que o indivíduo encontra para se proteger pelo estímulo ameaçador.

Segundo Holmes (1997), podemos sentir ansiedade em diversas situações como, por exemplo: apresentar um seminário, se relacionar afetivamente, entrevista de emprego, primeiro dia de trabalho e ou aula, antes de uma viagem, ir ao psicólogo ou médico pela primeira vez, problemas familiares, entres outros. Em determinadas circunstâncias é vantajoso responder com ansiedade em certas situações ameaçadoras, visto que ele estimula, impulsiona e encoraja o indivíduo. Existem três fatores que devem ser considerados ao fazer distinção entre ansiedade normal e patológica. A primeira característica a ser observada é o nível da intensidade. O segundo a considerar é a justificativa que se da diante das situações temidas, se realmente é realista ou não. E por último a ansiedade anormal gera prejuízo sócio ocupacional no âmbito de vida do sujeito.

Para Skinner (1953, 2000) sugere que a ansiedade é uma condição emocional complexa e aversiva que é condicionada como resultado de um emparelhamento de estímulos. Relata ainda que apenas um evento aversivo pode contribuir a uma condição de ansiedade a ficar sob o controle de estímulos incidentais. Diante disso, estes estímulos podem ser acionados ocasionalmente. Os estímulos aversivos são frequentemente antecedidos de estímulos típicos que podem torna-se causadores de ansiedade. Já para Andrade e Gorenstein (1998) e para Amorim e Sirgo, (1999), a ansiedade surge como uma resposta de adaptação do organismo impulsionadora de desempenho e com elementos psicológicos e fisiológicos.

Barlow (1988) e Zimbardo (2002) diferenciam a ansiedade normal e patológica, a qual é necessária considerar quanta ansiedade a pessoa experiencia em determinado estímulo, quanto tempo dura o caso, com que frequência ele ocorre e o número de comportamentos evitativos disfuncionais que são provocados pela ansiedade. Outro fator importante a ser acatado é a avaliação da própria pessoa que experiencia a ansiedade. A ansiedade passa a ser patológica quando a amplitude ou frequência da resposta não corresponde à circunstância que desencadeia, ou quando não existe um objeto característico ao qual se direcione. De acordo ainda com estes autores, essa classificação vai depender da ocasião, das características do indivíduo e da interpretação que se faz do acontecido.

De acordo com Kaplan (2003) “A ansiedade consiste numa sensação que se caracteriza por um sentimento duradouro, desagradável que envolve apreensão, agitação, inquietação, temor e medo. Podendo ser observando em dois níveis o normal e patológico”.

2.2 Comorbidades

De acordo com Turner e Beidel (1989) diferenciar a fobia social de outros transtornos de ansiedade pode ser difícil, isso porque a ansiedade social é uma característica comum em todos os transtornos de ansiedade e as taxas de comorbidades são evidencialmente altas. Rapee e colaboradores (1988) identificaram que 80% dos indivíduos com o transtorno de pânico, TAG ou fobia simples relataram ter sentido pelo menos um leve medo diante de situações sociais e mais de 50% descreveram sentir medo e esquiva moderados. Treviño e colaboradores (1999) relatam que a maioria dos fóbicos sociais buscam tratamentos por causa de outros transtornos ansiosos e também de transtornos do humor que se apresentam como comorbidades da fobia social, essas comorbidades mascaram o diagnóstico da fobia social, prejudicando que o indivíduo receba o tratamento ideal para seu transtorno. Vale ressaltar que os profissionais da saúde não recebem informações suficientes para diagnosticar e tratar a fobia social. Destaca Rangé (2001) que o transtorno torna-se desta forma infradiagnósticado e infratratado.

A fobia social pode apresentar comorbidades com uma variedade de transtornos, o que dificulta muito o diagnóstico. Deste modo é importante que sejam identificadas as principais comorbidades que acompanham o transtorno de ansiedade social, visto que tanto o tratamento psicológico como o farmacológico, dependem da configuração em que o quadro de sintomas se encontra (ANTUNES; SILZA, 2008, p.16).

Conforme Knapp (2004) é comum que a fobia social se apresente associado a outros transtornos mentais em até 80% dos casos. Falcone e Figueira (2001), sugerem que a maioria dos indivíduos com Fobia Social buscam tratamentos por conta de outros transtornos que apresentam em co-morbidade com a Fobia Social, fazendo com que mascare o principal sintoma e consequentemente o paciente receba o tratamento como por exemplo para depressão ou outros transtornos de ansiedade e não para a Fobia Social. Referem também que 39,6% dos pacientes com Fobia Social abusam de substâncias psicoativas. Entre outros diagnósticos co-morbidos mais frequentes são: fobia simples (59%), agorafobia (44,9%), alcoolismo (18,8%), depressão maior (16,6%) e abuso de drogas (13%). Já em amostras clínicas a comorbidade com depressão chega a 70% e com início antes dos 15 anos de idade. Em um estudo elaborado por Turner e colaboradores (1991) demonstrou que o transtorno de ansiedade generalizada é apontado como o transtorno do Eixo I mais concorrente da fobia social (33%). Segundo o estudo realizado por Rangé (2001), sugere que o transtorno do Eixo II que mais aparece como uma oposição à fobia social é transtorno de personalidade evitativo (22%), seguido pelo transtorno obsessivo compulsivo de personalidade (13%). Com relação ao transtorno evitativo, pode-se perceber uma grande semelhança nos sintomas presentes da fobia social, ambos são incapacitantes, comprometendo boa parte social do indivíduo, fazendo com que se retraiam, apresentam comportamentos de timidez e evitam situações e relacionamentos sociais.

Vale ressaltar que embora dos diversos efeitos negativos do transtorno, os fóbicos sociais apresentam as taxas mais baixas pela busca do tratamento, os mesmos em sua maioria não procuram o tratamento para seu transtorno (BECK; CLARK, 2012). Dados referentes ao estudo realizado por Wang; Lane et al., (2005) foi verificado que os indivíduos com fobia social consultam pelo menos uma vez um especialista de saúde mental em um período de 12 meses, neste mesmo estudo foi observado também a duração média da demora no primeiro contato de tratamento foi de 16 anos, constatando assim, uma demora bem maior do que para o transtorno de pânico, TAG, TEPT ou depressão maior. Além disso, a fobia social costuma não ser diagnosticada e tratada pelos médicos não psiquiatras, dificultando a busca pelo tratamento adequado para seu transtorno (BECK; CLARK, 2012).

2.3 Epidemiologia e Etiologia

Estudos sugerem que a fobia social é o mais comum dentre os transtornos de ansiedade e o terceiro mais prevalente entre todos os transtornos mentais, constataram que nos últimos 12 meses era de 7,9% e a prevalência durante a vida era de 13,3% (BECK; CLARK, 2012). Rapee e Spence (2004) sugerem que a fobia social pode aumentar ao longo do tempo. Segundo Beidel e Turner (1998) em seus estudos, revelaram que 10 a 15% das crianças têm histórias de irritação quando bebês e por conta disso se tornam inibidos comportamentalmente, ficando mais cuidadosos e quietos, além de introvertidos na fase escolar. Os mesmos ainda sugerem que o aumento da sensibilidade ao escrutínio e as críticas se transmitem de geração para geração, tornando desta forma o indivíduo predisponente ao transtorno. Além do mais, os familiares destas crianças inibidas têm altas taxas de fobia social (GREIST, 1995). Estudos de Bienvenu e colaboradores (2007) demonstraram que os níveis baixos de extroversão e altos de neuroticismo são indicadores de risco genético para fobia social. Além do mais, vários artigos relatam que os pais com a ansiedade social e os familiares com ansiedade contribuem para o desenvolvimento do transtorno. Estudos também revelam que pais de pacientes com transtorno evitativo demonstram serem mais recriminadores e intolerantes, além de serem superprotetores, abusivos, controladores, muito críticos, pouco encorajadores, entre outros (RANGÉ, 2011).

Sugere Furmark (2009), que a etiologia da fobia social é um quadro multifatorial, o que varia de indivíduo para indivíduo, ou seja, ainda não estão esclarecidos quais os principais fatores, apenas se sabe de fato que os fatores genéticos, ambientais, as experiências de vida, fatores neurobiológicos estão envolvidos neste processo.  Segundo o mesmo autor diversos métodos neurobiológicos têm sido considerados para explicar a etiologia do transtorno, dentre estes métodos estão sendo utilizados as imagens cerebrais. Em estudos feitos por Etkin e Wager (2007) que utilizaram a ressonância magnética, demonstrou hiperatividade da amígdala e da insulina entre os pacientes. Os estudos de neuroimagem demonstraram hiperresponsividade da amígdala a estímulos sociais e emocionais, como por exemplo, o medo de falar em público.

Para Barlow (2002), as mulheres são mais propensas a eventos estressantes na infância e adolescência, o que, associado à percepção que seus comportamentos causam pouco impacto no ambiente, causaria um sentimento de descontrole e o consequente desenvolvimento de padrões pessimistas desadaptativos de avaliação da realidade. Esses fatores associados à vulnerabilidade biológica geneticamente determinada de ser reativo biologicamente às mudanças ambientais explicariam a maior ocorrência desses transtornos em mulheres. Existem várias explicações para essas diferenças entre os gêneros nas prevalências dos transtornos de ansiedade. Além de fatores como maior aceitação cultural do medo e comportamento de esquiva em mulheres e diferentes padrões adaptativos, os homens tendem a usar substâncias, como a nicotina e o álcool como automedicação, o que poderia mascarar a sintomatologia primária.

Caracteristicamente a fobia social tem início na metade da adolescência, sendo tardio em comparação as fobias específicas e sendo mais precoce do que o transtorno de pânico (OST, 1987; RAPEE, 1995), mas os indivíduos fóbicos sociais descrevem em si uma luta da vida inteira, com 50 a 80% relatando o inicio do transtorno na infância (OTTO et al., 2001; STEMBERGER; TURNER; BEIDEL; CALHOUN, 1995). O início precoce do transtorno esta associado a um curso crônico e consequentemente mais grave (BEIDEL; TURNER, 2007).

Mas diferentemente dos outros transtornos de ansiedade, a fobia social não é totalmente inclinada para as mulheres, há uma razão de 3:2 (três mulheres para dois homens), a prevalência durante a vida para as mulheres é de 15% já nos homens foi de 11,1% (KESSLER et al., 1994). Também foi revelado que se apresenta com maior frequência em indivíduos com baixo poder aquisitivo, além das diferenças entre nações, as quais foram argumentadas no transtorno da fobia social, tanto do DSM-III quanto do DSM-IV. Nestes levantamentos epidemiológicos entre as nações, demonstrou que os países ocidentais de língua inglesa têm uma elevação de quatro vezes na fobia social comparado a países do leste asiático com Taiwan e Coreia do Sul (CHAPMAN; MANNUZZA; FYER, 1995), porém este dado não demonstra relevância, pois há condições análogas à fobia social que são específicas de certos países asiáticos, como por exemplo, no Japão que existe um medo persistente e irracional de causar ofensas, constrangimento aos demais, devido a alguma inadequação ou deficiência pessoal (CHAPMAN et al., 1995). Ou seja, a fobia social pode ser encontrada em qualquer país, porém, as apresentações dos sintomas podem variar entre as culturas, porém os critérios diagnósticos seguem igualmente independentemente das diferenças culturais e de gênero (HOFMANN; BARLOW, 2002; RAPEE; SPENCE, 2004).

2.4 Critérios Diagnósticos

Vale ressaltar que estes sentimentos ansiosos são comuns na maioria das pessoas quando estão diante a situações desconhecidas, mas os fóbicos sociais vivenciam constantemente este medo ou pavor. Esta ansiedade deriva do medo e da avaliação negativa pelos demais que levará a sentimentos de constrangimento, humilhação e vergonha (BECK et al., 1985). A ansiedade esta também associada à percepção das pessoas para com o fóbico, estes por sua vez temem que os outros percebam o seu nervosismo, que os demais se concentrem em algum aspecto, como por exemplo, falar desajeitado cometam erros ou ajam de forma humilhante, tendo como consequência para os fóbicos que sejam altamente inibidos e autocríticos na situação social temida, frequentemente expondo comportamentos inibitórios involuntários como parecer tenso e rígido ou ser verbalmente inarticulado, resultando em prejuízo do desempenho social e na atenção indesejada dos outros. (HECKELMAN; SCHNEIER, 1995).

Turner e Beidel (1989, p. 3-18) definem a fobia social como “um transtorno embasado no medoirracional que o indivíduo tem de apresentar de forma embaraçosa e consequentemente será avaliado negativamente pelos demais”.

No quadro 2 a seguir podemos identificar claramente dois tipos de situações temidas, as interpessoais e as de desempenho dos fóbicos sociais (ANTONY; SWINSON, 2000).

Quadro 2

Situações interpessoais

Situações de desempenho

Iniciar um namoro ou compromisso com alguém

Fazer um brinde ou discurso

Ser apresentado à pessoa desconhecida

Falar em reuniões

Comparecer a uma festa ou reunião social

Praticar esportes na frente de uma plateia

Jantar com um amigo

Participar de uma festa de casamento ou cerimônia pública

Iniciar uma conversa

Cantar/atuar para uma plateia

Falar ao telefone com pessoa conhecida

Comer/beber em um ambiente público

Falar ao telefone com pessoa desconhecida

Usar banheiros públicos

 Expressar sua opinião a terceiros

Escrever na frente dos outros

 Fazer uma entrevista de emprego

Cometer um erro em público (p. ex., pronunciar errado uma palavra).

Ser assertivo com outras pessoas

Caminhar/correr em lugar público movimentado

Devolver um artigo comprado

Apresenta-se para outras pessoas

Fazer contato visual

Fazer compras em uma loja movimentada

Expressar insatisfação com a comida de um restaurante

Caminhar na frente de um grande grupo de pessoas (p. ex., caminhar no corredor de igreja, teatro).

Falar com figuras de autoridade

 

Os critérios diagnósticos do DSM-IV-TR (APA, 2000, p.450) para a fobia social caracterizam em oito sintomas e/ou características. São elas:

A.   Medo acentuado e persistente de uma ou mais situações sociais ou de desempenho, nas quais o individuo é exposto a pessoas estranhas ou ao possível escrutínio por terceiros. O indivíduo teme agir de um modo (ou mostrar sintomas de ansiedade) que lhe seja humilhante e vergonhoso.

B.   A exposição à situação social temida quase que invariavelmente provoca ansiedade, que pode assumir a forma de um ataque de pânico ligado à situação ou predisposto pela situação.

C.   A pessoa reconhece que o medo é excessivo ou irracional.

D.   As situações sociais e de desempenho temidas são evitadas ou suportadas com intensa ansiedade ou sofrimento.

E.   A esquiva, a antecipação ansiosa ou o sofrimento na situação social ou de desempenho temida interferem significativamente na rotina, no funcionamento ocupacional (acadêmico), em atividades sociais ou relacionamentos do indivíduo ou existe sofrimento acentuado por ter fobia.

F.   Em indivíduos com menos de 18 anos, a duração é de no mínimo 6 meses.

G.   O temor ou esquiva não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância p. exemplo., droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral, nem é mais bem explicado por outro transtorno mental (p. ex., transtorno de pânico com ou sem agorafobia, transtorno de ansiedade de separação, transtorno dismórfico corporal, transtorno global do desenvolvimento ou transtorno da personalidade esquizóide).

H.   Em presença de uma condição médica geral ou outro transtorno mental, o medo no Critério A não tem relação com estes; por exemplo, o medo não diz respeito à tartamudez, tremor na doença de Parkinson ou manifestação de um comportamento alimentar anormal na anorexia nervosa ou bulimia nervosa.

O aspecto central da fobia social é o medo da avaliação negativa pelos demais, que não é apenas reconhecido pelos modelos cognitivos do transtorno, mas também é embasado pelo medo acentuado e persistente em situações de avaliação social descritas no critério A do DSM-IV-TR (BECK,et al., 1985; CLARK, 1997). Há consideráveis constatações clínica de que o principal aspecto da fobia social esta relacionado ao medo da avaliação negativa (BALL et al., 1995; HACKMANN et al., 1998; HIRSCH; CLARK, 2004; MANSELL; CLARK, 1999; VONCKEN, et al., 2003).  De acordo com Rachman (2004), o qual identificou que as situações mais temidas da fobia social são de frequentar festas e reuniões, apresentação oral e conversar com autoridades. O segundo critério do diagnóstico do DSM-IV-TR refere-se à exposição à situação social que causa medo provocando desta forma ansiedade, podendo envolver ataques de pânico, diante da situação ou até mesmo antecipando o acontecimento (KENDLER, et al., 1992).  O indivíduo com fobia social vivencia excitação fisiológica bastante aflitiva durante uma exposição a uma situação social diferentemente de um sujeito não fóbico (TURNER et al., 1986).

Ainda que o medo de ansiedade seja comum entre os transtornos de ansiedade, ele é particularmente pertinente à fobia social, porque qualquer exibição de ansiedade em situações sociais é percebida como aumentando a probabilidade de avaliação negativa pelos outros (CLARK; BECK, p. 338, 2012).

O critério C do DSM-IV-TR enfatiza que para ter o diagnóstico da fobia social é necessário que o indivíduo deva ter consciência da natureza excessiva ou irracional de seus medos sociais. Esse critério é bastante importante, pois através dele que podemos diferenciar a fobia social de outros transtornos, como por exemplo, do transtorno da personalidade paranóide no qual o indivíduo acredita fielmente que os outros estão tentando constrangê-lo ou humilhá-lo (BEIDEL; TURNER, 2007).

De acordo com o CID-10 (OMS, 1993) a fobia social (F.40.1) tem seu início na adolescência e seu principal sintoma gira em torno de um medo de se expor a outras pessoas, evitando desta forma situações sociais. Os fóbicos sociais têm sua vida limitada, como falar em público, comer, encontrar-se com o sexo oposto, ou seja, envolvendo qualquer situação social que não esteja acompanhado por familiares. Uma situação bastante estressante em algumas culturas é a confrontação olho a olho. As fobias sociais estão associadas à auto-estima baixa e a medo de críticas. Podendo se apresentar como uma queixa de rubor, tremores das mãos, náuseas, urgência miccional e o sujeito muitas vezes está convencido de que algumas destas manifestações secundárias da ansiedade é o problema primário. Os sintomas podem progredir para ataques de pânico. A hesitação social pode ser tão intensa que podem resultar em isolamento social. As diretrizes diagnósticas para a fobia social segundo o CID-10 são as seguintes:

Todos os critérios seguintes devem ser preenchidos para um diagnóstico definitivo:

  1. Os sintomas psicológicos, comportamentais ou autônomos devem ser primariamente manifestações de ansiedade e não secundárias a outros sintomas tais como delírios ou pensamentos obsessivos;
  2. A ansiedade deve ser restrita ou predominar em situações sociais;
  3. A evitação das situações fóbicas deve ser um aspecto proeminente.

Inclui: antropofobia neurose social

Diagnóstico diferencial: Agorafobia e transtornos depressivos são frequentemente proeminentes e podem ambos contribuir para que os pacientes se tornem “confinados ao lar”. Se a distinção entre fobia social e agorafobia é muito difícil, a precedência deve ser dada a agorafobia; um diagnóstico de depressão não deve ser feito a menos que uma síndrome depressiva plena possa ser claramente identificada (CID-10, p. 134,1993).

Portanto, a fobia social pode ser confundida e tratada como outros transtornos mentais, fazendo com que o indivíduo não busque o tratamento correto.

Diante dos dois critérios diagnósticos podemos observar que as características mais marcantes da fobia social esta diante do medo de falar em público e a da avaliação negativa, estas também por sua vez são as situações mais evitadas pelos fóbicos acadêmicos, tendo visto que no curso da graduação estão propensos a diversas atividades, como de se expor em forma de apresentações orais e debates em sala de aula, expondo ideias e opiniões. No tópico a seguir serão sugeridas formas de tratamento para diminuir os sintomas da fobia social.

2.5 Tratamento

O tratamento que mais vem apresentando eficácia é a terapia cognitiva comportamental- TCC, que foi desenvolvida por Aaron Beck com o objetivo de ser uma terapia breve e focada no presente para diminuir sintomas até que o paciente consiga eliminar de vez. O objetivo principal da TCC para a fobia social é reduzir a ansiedade e descartar sentimentos de vergonha ou constrangimento, além de melhorar o funcionamento pessoal. Esses objetivos são realizados através do uso de reestruturação cognitiva e intervenções comportamentais baseadas em exposição que visam o conteúdo de pensamento que por sua vez são interpretativos mal adaptativos (BECK; CLARK, 2012). Há sete metas fundamentais para o tratamento na terapia cognitiva para fobia social, proposta por Beck e Clark (2012):

  • Reduzir a ansiedade antecipatória corrigindo o viés de interpretação de ameaça social e evitando a esquiva de situações sociais provocadoras de ansiedade.
  • Contrapor constrangimento excessivo durante exposição social redirecionando o processamento de informação para sinais sociais externos positivos.
  • Eliminar estratégias de segurança empregadas para encobrir e reduzir a ansiedade.
  • Fortalecer a tolerância à ansiedade e uma perspectiva de enfrentamento mais adaptativa.
  • Reduzir a inibição, melhorar as habilidades sociais, encorajar um padrão de desempenho mais realista e desenvolver uma autoavaliação equilibrada do desempenho social.
  • Eliminar ruminação pós- evento e encorajar reavaliações mais adaptativas de desempenho social passado e seus efeitos.
  • Modificar crenças centrais sobre vulnerabilidade pessoal na interação social, a ameaça de avaliação negativa pelos outros e a percepção de si mesmo como um objeto social.

Além da utilização de técnicas como: conceitualização cognitiva; reestruturação cognitiva; análise dos erros de pensamentos; definição dos medos; entre outras. O tratamento farmacológico é de longo prazo e assim como a TCC mostra-se com grande efeito no transtorno da fobia social, apresentando taxas de resposta que variam de 50 a 70% (BECK; CLARK, 2012).

 Pode- se ressaltar também algumas possíveis intervenções como implantar no contexto universitário, atendimentos clínicos estudantis, com o objetivo de reduzir a ansiedade que é relacionada a exposições orais, criar grupos que incluam práticas de relaxamento muscular associada com treino de respiração diafragmática, treino de habilidades sociais principalmente direcionado a situação de se expor e falar em público. Outro fator também importante é a presença do psicólogo dando este apoio psicológico, sem custo ao universitário, oferecido também pela universidade aos alunos (DUARTE; OLIVEIRA, 2004).

No próximo capítulo, abordaremos o segundo tema importante deste estudo, a fobia social no âmbito acadêmico, relatando as dificuldades e obstáculos que os mesmos encontram no início da construção da carreira profissional.

3. Fobia Social no Âmbito Acadêmico

Destaca Skinner (1953, 2000), que em algumas escolas que utilizam reforços para quem se destaca, como premiações, medalhas, todos associados como aprovação, mérito e reconhecimento, não são métodos indicados. Os professores por sua vez podem reter a afeição aos demais alunos que não conseguem obter as premiações, sendo assim uma forma de punição, como também uma forma de controle aversivo. Estes reforçadores positivos fazem com que sejam usados como estimulação aversiva, sendo utilizado como uma forma de ameaça, gerando medo e ansiedade de se não conseguir o objetivo de ganhar o prêmio será um fracassado, será expulso, causando uma forte pressão.

Ressalta Sidman (1989, 2001) que tirar notas altas não significa exatamente um esforço positivo, mas uma esquiva de notas baixas. Acredita ainda que se o professor fizer o uso do controle aversivo, poderá coagir aos alunos conseguirem desempenhar seu papel de aluno, como expor suas opiniões, apresentar trabalhos, tirar dúvidas em sala de aula, realizar provas, podendo levar desta forma para o âmbito acadêmico. Nestas circunstâncias de esquiva e evitação podemos observar se o estudante começar a faltar às aulas com frequência, recusar a participar de atividades, prejudicando desta forma seu crescimento profissional, fazendo como que ele se desligue da universidade. (DUARTE; OLIVEIRA, 2004).

Alguns estudos apresentam o transtorno de ansiedade social como um dos menos presentes em pessoas com ensino superior (FUMARK, 2002). Isso porque o fóbico social não consegue terminar a faculdade por causa das limitações que o transtorno ocasiona, como o medo de falar em público, ansiedade diante de participar de novos grupos, entre outros. Porém, o transtorno de ansiedade é bastante comum nos estudantes universitários, visto que os cursos exigem preparações, responsabilidades, um bom nível de desempenho, além de uma boa postura interpessoal (LOURENÇO; PEREIRA, 2012).

Figueredo e Barbosa (2008) sugerem que é essencial e indispensável que o aluno universitário interaja com a turma e com seu grupo, participem de apresentações orais, discussões, atividade extracurriculares, entre outras. Os estudantes enfrentam estas e outras situações logo no início do curso, gerando no fóbico social extremo sofrimento, grandes limitações, isolamento social,fazendo com que não se interaja com os demais. Fazendo desta forma que estas circunstâncias contribuam para o abandono acadêmico (FUMARK, 2000; FIGUEREDO; BARBOSA, 2008). Figueredo e Barbosa (2008) relatam ainda sobre a importância de estudar a fobia social no âmbito acadêmico, pois estudar o transtorno nesta população é importante para elaborar formas de identificação mais rápidas dos transtornos, além de ser importante que as próprias faculdades deveriam criar núcleos de apoio que oferecessem suporte aos estudantes com ansiedade social, para que os mesmos tentem controlar esta ansiedade e consigam concluir seus cursos. 

Em um estudo produzido por Baptista (2006) o qual investigou o transtorno da ansiedade social (TAS) em estudantes universitários brasileiros das mais variadas áreas, como biológicas, humanas e exatas, observou-se que há 11,6% de prevalência do transtorno nos alunos universitários, considerado pelo autor como um índice elevado. Sendo esse distúrbio sendo mais elevado no sexo feminino (12,4%) do que o masculino sendo de (7,4%), mas, comparando estes dados referentes às áreas biológicas, exatas ou humanas não foi constatada diferença. Minervino, Fernandes e Pontes (2002) investigaram a fobia social em estudantes universitários de ambos os sexos do 7º ao 10º período do curso de direito no Centro Universitário de João Pessoa- UNIPÊ. Encontraram a taxa de 27,5% relacionado ao medo ou ansiedade, além de terem experiência de esquiva, desconforto social e também o medo da avaliação negativa.

Para Zimbardo (2002) destaca que nos dias atuais a competitividade e a realização individual esta cada vez mais valorizada, podendo surgir a partir disso a ansiedade social. Este medo origina-se pelo fato dos indivíduos não conseguirem serem aceitos, não consigam atingir a expectativa dos demais além de sentir medo, rejeição e desvalorização.

Os sujeitos fóbicos apresentam um esquema em ser melhor, desta forma fica fácil compreender de que maneira estas expectativas são tão elevadas. As crenças dos indivíduos com fobia social acreditam que só quem é amado e é brilhante conseguem ter um futuro brilhante (DUARTE; OLIVEIRA, 2004).

Esta ansiedade demasiada diante das situações e exposições sociais esta frente a um forte impacto de causar boas impressões nos outros. Com esta grande pressão de gerar boa impressão implica também de não saber como atingi-la, além de não conseguir se enquadrar nas preferências dos outros (FALCONE, 1995,pp. 133-49).

3.1 Obstáculos Frente ao Transtorno da Fobia Social

As reações experimentadas pelos fóbicos sociais diante das situações do medo da avaliação negativa e de falar em público são seguidas por sudorese, taquicardia, falhas na memória, vontade de fugir daquela situação, entre outras (DUARTE; OLIVEIRA, 2004).

Algumas reações emocionais e fisiológicas foram descritas por Antunes e Silza (2008), frente aos obstáculos apresentados no âmbito acadêmico, são elas:

  • Dinâmica familiar reforçadora, onde pai e mãe brigam frequentemente entre si e com ele utilizando termos como “burro”, “imbecíl”; irmãos se referem ao indivíduo, geralmente utilizando apelidos.
  • Paciente dependente financeiramente dos pais, não tem direito de escolher suas roupas, portanto se veste de acordo com o que sua mãe compra;
  • Dificuldade financeira da família impossibilita o paciente de situações sociais de lazer e dificulta tarefas comportamentais, como ir ao shopping;
  • Deficiência significativa nas habilidades sociais, isto é, repertório reduzido de comportamentos socialmente hábeis.

Diante destas reações emocionais, foram analisados também os obstáculosenfrentados pelos fóbicos frente à socialização e manejo dos comportamentos, como:

  1. Falar em público a um grupo de pessoas
  2. Ser o centro das atenções (ex: ser alvo de piada ou de comentários);
  3. Manifestar-se, discordar, ou entrar em conflito com pessoas;
  4. Fazer qualquer coisa sendo observado (escrever, falar ao telefone, comer, entre outras coisas);
  5. Interagir com o sexo oposto;
  6. Estar em lugares públicos, especialmente se estiver com muita gente (hospital, igreja, fila de banco, shopping, festas);
  7. Iniciar e manter uma conversa com desconhecidos;
  8. Iniciar e manter uma conversa com conhecidos;
  9. Pedir informações a um desconhecido;
  10. Fazer contato visual.

De acordo com Zimbardo (2002), a ansiedade provocada diante do público afeta a atuação do indivíduo, comprometendo a maneira como os outros poderão avaliar o mesmo ou que poderá afetar aquilo que o próprio sujeito pensa sobre si. Os estudantes com estes tipos de pensamentos têm dificuldades de participar de apresentações orais, não tiram dúvidas em sala de aula e não conseguem pedir ajuda para seus problemas. Gerando diversas consequências para si, como baixo desempenho acadêmico, reprovações, dúvidas quanto à escolha profissional e até mesmo a desistência do curso.

4. Objetivos

4.1 Objetivo Geral

  • Identificar a frequência da fobia social nos alunos do curso de psicologia.

4.2 Objetivos Específicos

  • Averiguar a taxa da ansiedade dos alunos de psicologia
  • Comparar o índice de fobia social dos alunos do 1º e do 8º período.
  • Investigar a associação entre a fobia social e os dados sócios- demográficos dos alunos de Psicologia.

5. Método

5.1 Caracterização da Pesquisa

A pesquisa de levantamento de dados (percepções, atitudes e comportamentos) foi de valor quantitativo e foi realizada com os estudantes universitário do primeiro e oitavo período do curso de psicologia do UNIPÊ (Centro Universitário de João Pessoa), maiores de dezoito anos, com o propósito de identificar a prevalência da fobia social nos mesmos.

5.2 Local do Estudo

O referido questionário foi aplicado no Centro Universitário de João Pessoa- UNIPÊ, pois, a pesquisa foi viável, de baixo custo beneficio além de oferecer o curso de psicologia, o qual os estudantes serão o foco do estudo.

5.3 População e Amostra do Estudo

Fizeram parte do presente estudo 40 (quarenta) alunos universitários do curso de psicologia do UNIPÊ, sendo vinte do 1º período e vinte do 8º período, todos maiores de dezoito anos e de ambos os sexos.

5.4 Instrumento de Coleta

Nesta pesquisa foi utilizada a escala para Ansiedade Social (Liebowitz Social AnxietyScale- LSAS), que foi desenvolvida por Liebowitz, onde consiste num questionário que tem como objetivo determinar as interações sociais e situações de desempenho que indivíduos com fobia social temem ou evitam. O questionário consitui de 24 itens, para cada item existem duas colunas, uma relacionada ao medo e ansiedade experimentada e a outra, referente ao comportamento de evitação que o indivíduo faz frente a essas situações. O indivíduo deverá classificar seu medo utilizando as opções (0= nenhum, 1= leve, 2= moderado e 3= intenso) e o seu comportamento de esquiva fazendo uso das opções (0= nunca, 1= ocasionalmente, 2= frequentemente e 3= geralmente). Além disso o participante responderá com base no que aconteceu recentemente, e caso a situação não tenha acontecido, deverá imaginar-se o que se teria passado na situação referida.Vale salientar que esse tipo de instrumento tem a vantagem de poder ser aplicado simultaneamente a um grande número de pessoas e garante uma maior privacidade do que a entrevista.

5.5 Coleta de Dados

Inicialmente a pesquisadora entrou em contato com a Instituição, informou a importância da presente pesquisa e forneceu contatos para possíveis dúvidas. E após a aprovação do presente projeto de pesquisa, pelo Comitê de Ética, a pesquisadora iniciou a coleta de dados que foi realizada no Centro Universitário de João Pessoa, no primeiro período e oitavo do curso de psicologia. Em seguida os participantes foram informados quanto aos objetivos do estudo, ao termo de consentimento livre e esclarecido e a pesquisadora colocou-se a disposição para esclarecimento de dúvidas caso estas surgissem.

5.6 Aspectos Éticos

Os  participantes foram informadas que o sigilo será mantido, através do Termo De Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), o qual foi anexado ao instrumento utilizado. Foram respeitado todos os princípos éticos estabelecidos no Conselho Nacional de Saúde (1996), na resolução 196/96, onde está assegurado o TCLE bem como a privacidade.

5.7 Análise dos Dados

Por meio da Escala de Ansiedade Social, foram obtidas as informações necessárias para a pesquisa. A escala foi aplicada no mês de agosto a setembro de 2012 com os estudantes do UNIPÊ. Depois dos estudantes classificarem cada situação em termos de ansiedade/medo e frequência do evitamento da situação, a pesquisadora somou o total dos pontos de cada coluna e em seguida o total das duas colunas, o total de pontos das duas colunas é considerado uma medida da intensidade da fobia social no momento presente e os resultados do somotário são definidos da seguinte forma: de 55 a 65 pontos é considerado: Fobia Social moderada; de 66 a 80: Fobia Social média; de 81 a 95: Fobia Social grave e maior que 95 é considerado fobia Social muito grave. Diante dos resultados, os dados coletados foram analisados através do programa estatístico Excel (versão 2007), onde utilizou-se a estatística descritiva, que possibilitou a descrição dos dados e posteriormente foram sistematizados em gráficos.

6. Análise e Discussão dos Resultados

Gráfico 1

Prevalência de Ansiedade

Como foi discutido no capítulo sobre fobia social, vimos que a ansiedade é normal e comum a todos nós seres humanos, além de ser considerada como positiva, estimulando o sujeito a realizar atividades, porém ela só se torna patológica quando começa a interferir significativamente no dia a dia dos indivíduos, prejudicando tanto na vida pessoal quanto social, como por exemplo, a presença de ansiedade social que ocorre quando há contato com outras pessoas, quando esta diante de situações que exigem, falar, escrever, conversar com o sexo oposto, falar com estranhos, comer, interagir, surge uma forte ansiedade e desejo de fugir do ambiente.

A pesquisa foi realizada com 40 estudantes, sendo 20 do 1º e 20 do 8º período. Diante dos resultados obtidos podemos analisar a prevalência da ansiedade dos alunos do 1º e 8º período, mostrando 60% de incidência nos estudantes que estão iniciando o curso de graduação, onde estãocomeçando a formar novos grupos (novas identificações), discutindo e dialogando suas ideias, apresentando seminários, entre outras atividades, jáos 40%, referem-se aqueles que já estão no fim do curso, próximos a se formarem e darem início em suas carreiras profissionais. Ou seja, podemos verificar desta forma que a ansiedade está mais presente nos alunos do 1º período do que no 8º período.

Gráfico 2

Fobia Social Moderada

A intensidade da fobia social é diferenciada em três níveis, o primeiro deles refere-se à fobia social do tipo moderada, ou seja, o tipo menos intenso do transtorno, seus escores são de 55 a 65 pontos, porém já tendo iterferências significativas na vida do indivíduo, como, a ansiedade de falar, a preocupação de se expor e medo da avaliação dos demais, mas, de certa forma consegue superar estas situações e acabam enfrentando estes obstáculos. Nos resultados obtidos podemos observar que 30% referem-se aos estudantes do 8º período e 25% são do 1º período.

No estudo realizado por Minervino, Fernandes e Pontes (2002), onde investigaram a fobia social em estudantes universitários de ambos os sexos do 7º ao 10º período do curso de direito no Centro Universitário de João Pessoa- UNIPÊ encontraram a taxa de 27,5% relacionada ao medo ou ansiedade, além de terem experiência de esquiva, desconforto social e também o medo da avaliação negativa. Diante disso podemos fazer a comparação destes dois dados, ou seja, este primeiro tipo de fobia social é comum nos estudantes universitários, apresentando ser presentee mais elevado nos alunos de períodos mais avançados e apresentando esta taxa, conseguem dar continuidade aos seus cursos de graduação.

Gráfico 3

Fobia Social Média

No gráfico acima, corresponde ao segundo nível do transtorno, a fobia social do tipo média, seu escore corresponde de 66 a 80 pontos. Este segundo tipo do transtorno acomete mais prejuízo do que o primeiro tipo, os indivíduos temem e evitam mais situações, onde devem se expor nas apresentações acadêmicas e também sociais. No gráfico 3, podemos observar que a fobia social do tipo média está mais presente nos alunos do 1º período  (apresentando 25%) do que 10% nos alunos do 8º período. Podendo desta forma, levar o indivíduo a ter mais prejuízos e consequentemente desistir do curso de graduação.

SegundoScarpato(2012) é comum que o indivíduotema antecipadamente a passar mal em certas situações sociais, fazendo desta forma que dispare uma ansiedade antecipatória. Essa ansiedade está relacionada ao medo de se sentir humilhado, inadequado e pelo medo de não se apresentar tão bem na situação, esses medos e inseguranças estão relacionados à ansiedade e uma das consequências presentes nos fóbicos sociais é que começam a evitar certas situações em que se imagina que poderá passar mal, restringindo assim sua vida.

Gráfico 4

Fobia Social Grave

No gráfico 4, esta relacionado a fobia social do tipo gave, a ultima classificação da fobia social, sua pontuação equivale de  81 a 95 pontos. Este tipo, acomete maior prejuízo, desfavorecendo a vida laboral do sujeito, pondendo até largar o curso, por causa das limitações que o transtorno traz. Diante disso, podemos observar que o  1º período obteve 25% desta classificação enquanto os alunos do 8º não apresentaram esta variavel. Podemos analisar que os alunos que estão prestes a terminarem o curso de psicologia não apresentam fobia social do tipo grave, ou seja, se o individuo apresentasse este tipo de fobia social talvez não conseguiria dar continuidade ao curso diante das inúmeras atividades acadêmicas que o curso de graduação exige de seus alunos.

Uma das fantasias comuns dos fóbicos sociais segundoScarpato(2012) é o medo do que os outros estão pensando ou até mesmo se estão identificando se o mesmo está passando mal, percebendo seus sintomas como suor, gagueira, alteração na voz, rubor na face e tremores. O indivíduo acredita tanto em seus pensamentos que cada vez mais fica mais nervoso, inseguro e ansioso que gradualmente vai aumentando seus sintomas, mesmo que ninguém esteja olhando ou avaliando a pessoa. Ou seja, acaba sofrendo com seus pensamentos distorcidos, de estar sendo avaliado o tempo todo, com medo de que estejam julgando e percebendo seus sintomas físicos.

Gráfico 5

Idades

No gráfico 5, nos mostra a prevalência do transtorno de acordo com as idades dos alunos, podemos observar que a idade que mais acomete o transtorno corresponde a idade de 18 anos, ou seja, os alunos nessa faixa etária estão iniciando a vida acadêmica, estão em seus primeiros cursos de graduação, não tem experiência acadêmica e desta forma, acabam sendo prejudicados nas suas atividades, deixando de participar de núcleos, extensões, monitorias, além de se limitarem, não conversando com os outros alunos, tendo prejuízo nas notas e nas apresentações orais, não tiram dúvidas e não conseguem falar com autoridades, tipo professores e coordenação.  As demais idades como 19 a 21 anos ainda estão presentes no 1º período, mostrando assim as idades de pico segundo o gráfico (que consiste de 18 a 21 anos), mas, vale salientar que a faixa etária de 21 anos está presente nos alunos do 8º período.

Gráfico 6

Incidência

Como podemos observar a incidência do transtorno referente ao 1º e 8º período está mais presente 95% nas mulheres do que nos homens (5%). Porém a fobia social diferentemente dos outros transtornos de ansiedade, não é totalmente inclinada para as mulheres, há uma razão de 3:2 (três mulheres para dois homens), a prevalência durante a vida para as mulheres é de 15% já nos homens foi de 11,1% (KESSLER et al., 1994). Diante do referencial e dos dados acima, podemos verificar que o transtorno não é apenas acometido nas mulheres, porém é mais acometido do que nos homens, mas, devemos levar em consideração que os alunos do 1º e 8º período a maioria são mulheres. Mas, não devemos esquecer que independente do sexo o transtorno acarretaprejuízos sócio ocupacional na vida destes indivíduos.

Gráfico 7

Estado Civil

No gráfico 7, pode-se analisar que o estado civil (solteiro (a) é o que prevalece entre os universitários, com a porcentual de 100%. Podendo fazer a comparação entre a tabela 2 do capitulo sobre fobia social, onde mostra que os fóbicos sociais evitam se relacionar com o sexo oposto, evitam situações sociais, podendo se isolar, prejudicando assim os relacionamentos interpessoais.

Gráfico 8

Escolaridade

Podemos observar no gráfico 8 que 95% dos estudantes estão em seu primeiro curso de graduação e apenas 5% já fizeram algum outro curso. Porém, correndo o risco de algum universitário abandonar o curso em algum momento.

Alguns estudos apresentam o transtorno de ansiedade social (TAS) como um dos menos presentes em pessoas com ensino superior (FUMARK, 2002). Isso porque o fóbico social não consegue terminar a faculdade por causa das limitações que o transtorno ocasiona, como o medo de falar em público, ansiedade diante de participar de novos grupos, entre outros. Porém, o transtorno de ansiedade é bastante comum nos estudantes universitários, visto que os cursos exigem preparações, responsabilidades, um bom nível de desempenho, além de uma boa postura interpessoal (LOURENÇO; PEREIRA, 2012).

7. Considerações Finais

A fobia social ou transtorno de ansiedade social (TAS), cada vez mais, vem sendo reconhecido pela literatura como um transtorno bastante incapacitante. Tendo sua principal característica o medo da avaliação negativa diante de situações sociais ou de desempenho. Quando os fóbicos sociais enfrentam este medo, pode ocorrer níveis intensos de ansiedade e consequentemente alguns sintomas físicos, como sudorese, falta de ar, taquicardia, podendo ocasionar a fuga destes indivíduos perante as situações, ou quando esse medo começa a ficar frequente podem começar a evitar e acabam se isolando e se afastando de suas atividades laborais.

A importância deste estudo foi esclarecer melhor sobre a fobia social nos estudantes universitários, que está cada vez mais presente nos cursos de graduação, que por sua vez exigem cada vez mais dos futuros profissionais, por conta das exigências do mercado de trabalho. Além disso, o (TAS) apresenta curso crônico, sendo assim um fator de risco para estes indivíduos.

Diante do que foi discutido no presente trabalho, pode-se observarque há incidência da fobia social nos estudantes, tendo sua maior prevalência nos alunos do 1º período, ou seja, naqueles que estão iniciando sua vida acadêmica, que tendem a ter maior ansiedade diante das novas situações (exposições orais, debates, novos grupos, entre outras), estão em seus primeiros cursos de graduação, o que supõe que o transtorno acaba interferindo negativamente na vida do indivíduo, incluindo o desempenho acadêmico impedindo o bom desenvolvimento do sujeito, além de interferir na qualidade de vida.

O objetivo principal não se deteve a focar no tratamento da fobia social, apenas mencionar a eficácia da terapia cognitivo comportamental no tratamento do transtorno, além da eficácia do tratamento por medicações associadas à terapia. O que vale ressaltar no estudo é sobre a importância que as próprias Universidades deverão criar grupos de ajuda a estes estudantes, com objetivo de amenizar a situação (referentes àqueles que são considerados tímidos ou que foram diagnosticados com fobia social moderada) para que a situação não se agrave. Além de oferecer psicólogos, sem nenhuma taxa para os mesmos, disponibilizar oficinas, como de oratória, realizar dinâmicas, entre outras atividades.

Diante disso, pode- se concluir que os objetivos do estudo foram alcançados, verificando que a taxa de ansiedade foi de 60% no 1º período e 40% no 8º, mostrando assim ter prevalência elevada nos acadêmicos, tendo como consequência gerar ou agravar ainda mais o transtorno, além de mostrar que os dados sociodemográficos podem intervir no transtorno, além de constatar que houve presença dos três tipos da fobia social nos acadêmicos, sendo esses três tipos de fobia com a mesma prevalência de 25% nos estudantes do 1º período, podendo isolar o indivíduo de seu cotidiano, abandonar o curso de graduação, além de interferir na qualidade de vida, evitando relacionamentos, contatos com o sexo oposto entre outras situações.

Sobre o Autor:

Bárbara Raquel Cardoso Nascimento - Psicóloga Clínica Cognitivo Comportamental. Formação acadêmica no Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ. 

Apêndice I - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLDE):

O transtorno de ansiedade vem crescendo muito nos últimos anos, dentre ele esta a fobia social uma das enfermidades mais acometida entre a população geral. Diante disso estou sendo convidado (a) a participar de um estudo denominado Fobia Social: A Incidência do Transtorno em Estudantes Universitários, cujo objetivo é de identificar a incidência do transtorno em universitários, tendo em vista que muitos estudantes se sentem ansiosos diante de exposições acadêmicas. A pesquisa será aplicada no Centro Universitário de João Pessoa- UNIPÊ, localizado no bairro de Água Fria na BR 230 sem número na cidade de João Pessoa- PB.Caso você aceite participar, estará colaborando para o desenvolvimento de um estudo cientifico, ajudando a identificar o transtorno em estudantes universitários, beneficiando no futuro outras pessoas. Vale salientar que os resultados positivos respondidos no instrumento não caracteriza a ansiedade social, tendo em vista que o mesmo possui uma margem de erro.

A sua participação consistirá em responder por escrito, em sala de aula, a um instrumento, no qual você estará avaliando seu comportamento em situações sociais e alguns sintomas físicos.Vale a pena salientar que sua participação não significa nenhum ônus ou risco para você ou para sua saúde. Caso no decorrer da atividade desista de participar poderá entregar os questionários sem, ou antes, de terminar de respondê-los, sem qualquer constrangimento. Em caso de publicação/divulgação fui informado que minha identificação será preservada. Além disso, a pesquisadora estará sendo orientada pelo professor Ms. Heydrich Lopes Virgulino de Medeiros. Qualquer duvida que você tenha, poderá entrar em contato conosco através dos seguintes telefones e e-mail.

Heydrich Lopes Virgulino de MedeirosBárbara Raquel Cardoso Nascimento

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            (XX) XXXX-XXXX                                                      (XX) XXXX-XXXX

Eu _______________________________________________________, tendo lido as informações acima, voluntariamente concordo em participar do referido projeto de pesquisa, estando ciente dos meus direitos e da possibilidade de desistência sem quaisquer ônus ou prejuízo.

 JOÃO PESSOA,  .......... de  .................... de 2012.

_________________________________

Assinatura do responsável

Anexo I - Escala de Fobia Social:

ANEXO I- ESCALA DE FOBIA SOCIAL – LIEBOWITZ SOCIAL ANXIETY SCALE (LIEBOWITZ, 1987)

Data: _______________; Nome: ______________________________ Idade: _____ 

Estado civil: ____________; Escolaridade:__________________ Profissão: ______

O questionário inclui 24 itens, cada item consiste uma determinada situação, que deve ser classificada de 0 a 3, em termos da ansiedade que provoca  e da frequência do seu evitamento. Deverá responder-se com base no que aconteceu recentemente, e caso a situação não tenha acontecido, deverá imaginar-se o que se teria passado na situação referida.

 

                      Situação

Medo ou Ansiedade

0= nenhum

1= leve

2= moderado

3= intenso

Evitação

0= nunca

1= ocasionalmente

2= frequentemente

3= geralmente

1

Telefonar em público. (P)

 

 

2

Participar de grupos pequenos . (P)

 

 

3

Comer em lugares públicos. (P)

 

 

4

Beber com outras pessoas em lugares públicos. (P)

 

 

5

Falar com autoridades. (S)

 

 

6

Representar ou discursar. (P)

 

 

7

Ir a uma festa (S)

 

 

8

Trabalhar com alguém o observando. (P)

 

 

9

Escrever com alguém o observando. (P)

 

 

10

Chamar alguém que você não conhece bem(S)

 

 

11

Falar com pessoas que você não conhece bem . (S)

 

 

12

Encontra-se com desconhecidos. (S)

 

 

13

Ir ao banheiro público. (P)

 

 

14

Entrar numa casa quando outras pessoas já estão sentadas. (P)

 

 

15

Ser o centro das atenções. (S)

 

 

16

Falar em reunião (P)

 

 

17

Submeter-se a algum tipo de exame. (P)

 

 

18

Expressar desacordo ou desaprovação em relação a outras

Pessoas que você não conhece bem. (S)

 

 

19

Encarar pessoas que você não conhece bem. (S)

 

 

20

Fazer um discurso. (P)

 

 

21

Tentar namorar/paquerar alguém. (P)

 

 

22

Devolver mercadorias a uma loja (S)

 

 

23

Dar uma festa. (S)

 

 

24

Resistir à pressão de um vendedor. (S)

 

 

Pontuação total: ______________________________________

Subescala de ansiedade de performance (P): _________________

Subescala de ansiedade social (S): _________________________

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