Resumo: Esse trabalho trata-se uma pesquisa quanti-qualitativa, explicativa de levantamento que objetivou constatar de que forma o gênero influencia na escolha da psicologia como profissão. De forma específica determinou-se a porcentagem da aceitabilidade entre os vestibulandos, interpretou-se a porcentagem de homens e mulheres para avaliar se há uma feminização da Psicologia em Teresina, diferenciou-se as preferências profissionais masculinas e femininas e discutiu-se como o gênero pode influenciar na escolha profissional. Foram entrevistadas oito estudantes de Psicologia e também foram entregues formulários a 31 vestibulandos, ambos aplicados na Universidade Estadual do Piauí. Para análise, os dados foram agrupados em duas etapas, sendo estas divididas em duas categorias que foram posteriormente divididas em quatro subcategorias.
Palavras-Chave: Psicologia; Diferenças de gênero; Escolha profissional.

Introdução 

Procuramos através de entrevistas e questionários estudar o fenômeno da diferença/influência de gênero na escolha profissional. Utilizamos o tema Psicologia: Diferenças de gênero na escolha da profissão para desenvolver este presente trabalho.

Pretendemos responder de forma satisfatória a questão “De que forma o gênero influencia na escolha da psicologia como profissão?” utilizando, como dito anteriormente, entrevistas e questionários, bem como referencial teórico de valor científico.

Temos por objetivo geral verificar a influencia do gênero na escolha da Psicologia como profissão e por objetivos específicos: verificar a porcentagem de aceitabilidade da Psicologia entre os vestibulandos; verificar a porcentagem de homens e mulheres para avaliar se há uma feminização da Psicologia em Teresina; verificar as preferências profissionais masculinas e femininas; verificar como o gênero pode influenciar na escolha profissional.

Nossa pesquisa é de grande importância, pois há poucos artigos publicados ou estudos desenvolvidos no sentido de descobrir porque há uma feminização da Psicologia. E em um período histórico em que as mulheres invadem o mercado masculino é chegado o momento de incentivarmos a invasão masculina na Psicologia. Pois sem essa divisão de gênero é provável que a nossa ciência passe a ser mais valorizada.

Segundo algumas pesquisas essa divisão de gênero pode ter sido ocasionada pela sociedade machista e pela supervalorização da maternidade. Um estudo feito no Rio Grande Norte mostra que, além de haver muito mais mulheres do que homens na nossa profissão, elas ganham menos e trabalham em áreas mais novas e menos valorizadas, enquanto eles trabalham mais, ganham mais e atuam em áreas tradicionais como a clínica e a Psicologia do trabalho.

Mesmo com poucas pesquisas encontradas a respeito da temática, nada foi encontrado a nível estadual no Piauí como um todo, nem na capital Teresina. Isso apenas ressalta a importância deste presente material e de nossa pesquisa como um todo.

 1. Referencial Teórico

 Um questionário a respeito da Psicologia como profissão feminina realizado por Castro e Yamamoto (1998) foi enviado a 448 profissionais no Rio Grande do Norte, dos quais apenas 43% responderam. 89% são mulheres e destas 92,6% residem na capital Natal.

Remuneração

Mulheres

Homens

Atividade não remunerada

3,00%

0,00%

1 a 6 salários mínimos

49,00%

20,00%

Acima de 13 salários mínimos

25,00%

60,00%

(CASTRO&YAMAMOTO)

Assim observamos que, apesar de serem minoria, os homens são melhor remunerados. Os realizadores dessa pesquisa apontaram como possíveis causas dessa melhor remuneração masculina, outros dados da mesma pesquisa. A maioria dos homens dedica-se a áreas mais tradicionais e reconhecidas – como a psicologia do trabalho e clínica –, enquanto as mulheres dedicam-se a áreas mais novas. Além disso, a maioria dos homens trabalha em tempo integral – e até mesmo em vários locais, combinando atividades integrais e meio período –, excedendo 40h semanais. Enquanto isso a maioria feminina não trabalha em tempo integral, provavelmente devido a jornada dupla e a maternidade.

“Constata-se que há diferenças significativas entre homens e mulheres no que diz respeito ao exercício profissional, ao regime de trabalho, à remuneração, às áreas de atuação, entre outros aspectos - ou seja, que as psicólogas norte-rio-grandenses, em que pese o fato de constituírem maioria, são submetidas à mesma situação de discriminação que caracteriza as profissões femininas.” (CASTRO & YAMAMOTO, 1998, p. 155)

Como visto a clínica é preferência masculina, porém Gil (s.d) afirma que a área clínica vem sendo a preferida pelos psicólogos(as), desde a regulamentação da profissão. Possivelmente pelo fato de ser a que mais possibilita a realização profissional, em termos de autonomia, ou ainda por evocar similaridade com a profissão do médico — símbolo de profissão liberal socialmente prestigiada. Embora possa trazer maior satisfação que outras áreas, a clínica não vem possibilitando nem os rendimentos nem a estabilidade desejada para o psicólogo que nela atua.

A área de aplicação da Psicologia que reúne o menor número de profissionais atuantes é a escolar. Isto em parte ocorre porque os cursos de formação de psicólogos oferecem poucos subsídios para a eficiente atuação nesta área.

Ainda segundo Gil a maioria dos psicólogos mostra-se de alguma forma satisfeita com a profissão, embora, em bem menor número, com os vencimentos.

Psicoterapia aparece nitidamente como a atividade preferida dos psicólogos. Mais de 40% indicam-na como uma das duas em que preferem atuar.

Abreu et al (2002) nos mostra a importância dessa satisfação, realização profissional, ao falar da síndrome de Burnout e do estresse ocupacional no exercício da Psicologia. Ele indica como fator de risco a possibilidade identificação com o cliente, além de algumas tentativas frustradas de curar pacientes crônicos ao invés de se colocar apenas como um auxiliador para uma melhora em sua qualidade de vida.

Podemos perceber que os fatores de risco são bem encaixados na categoria feminina de profissionais, pois querer ajudar, ou identificar-se no outro são características muito comuns às mulheres em geral.

Sousa (2009) afirma que observar, interagir, avaliar e envolver-se são características intrínsecas a natureza fisiológica-instintiva do sexo feminino. Características que ao encontrar um meio científico para sua apuração de maneira organizada, subjetiva e qualitativa, ganha espaço considerável em relação aos que não possuem tais características naturalmente mais aguçadas, no caso, o sexo masculino.

O mesmo estudo diz que a Psicologia é predominantemente feminina porque é uma ciência do gênero, estuda gêneros e com estes as variantes da vida em que a mulher como ser dotada de qualidades específicas mais apuradas que o homem tem nesta ciência um meio mais harmônico de expressar suas singularidades.

Ela classifica a Psicologia como uma ciência de gênero – que seria uma ciência que por seus próprios objetos de estudo e prática são mais bem absorvidos por um gênero, o que não significa sua particularização ao mesmo.

Ainda segundo Sousa (2009), a mulher Psicóloga fortifica suas virtudes e qualidades numa ciência que trata justamente do ser humano em suas funções emotivo-cognitivas, fazendo deste conhecimento e lida uma afirmação da identidade feminina em suas potencialidades relegadas a segundo plano nas academias de ciências majoritariamente masculinas.

Fúlvia Rosemberg (1983) em seu artigo Psicologia, profissão feminina aponta o – ainda existente – reforço de modelos sexuais tradicionais e a supervalorização da maternidade como fatores de feminização das profissões. Esses fatores acabam guiando as mulheres para “profissões femininas” e, a partir dessa divisão, os homens acabam se afastando destas profissões.

Ela afirma ainda que o principal problema dessa divisão é que as profissões consideradas femininas são pouco valorizadas e mal remuneradas. E ao contrário, as profissões masculinas são supervalorizadas.

A autora aponta alguns fatores para justificar o grande número de mulheres na psicologia:

a) Maior número de mulheres inscritas na universidade – não só no curso de psicologia;

b) Um rápido aumento de cursos particulares em detrimento dos cursos públicos – maior disponibilidade de cursos o que aumenta o número de pessoas que cursam o ensino superior;

c) Falta de recursos – causa um maior investimento em cursos humanísticos, o que fez com que cursos como Psicologia se popularizassem rapidamente;

Sendo assim, as mulheres seriam maioria no curso por também o serem em relação ao ensino superior em geral. Os outros fatores dizem respeito ao rápido crescimento da Psicologia em si.

2. Metodologia

Tipo de Pesquisa

2.1 Quanto a finalidade

Pesquisa Aplicada, pois objetiva gerar conhecimento quanto a atuação de homens e mulheres na Psicologia para tentar modificar a divisão de gênero instalada atualmente.

2.2 Quanto a natureza

Quanti-qualitativa porque analisa a escolha profissional levando em conta tanto as experiências subjetivas de cada entrevistado, como os dados numéricos obtidos através do uso de questionários.

2.3 Quanto aos objetivos

Explicativa, pois visa identificar e explicar os fatores que determinam ou contribuem para que haja uma feminização da Psicologia.

2.4 Quanto aos Procedimentos Técnicos

Levantamento, porque pretende levantar questionamentos sobre o motivo da escolha da profissão por cada gênero.

2.5 Quanto a amostra

Responderam ao questionário 31 (trinta e um) jovens que irão prestar  vestibular a Universidade Estadual do Piauí. E foram entrevistados 8 (oito)  alunos de diferentes blocos de Psicologia da mesma instituição.

2.6 Quanto aos instrumentos de coleta de dados

Questionários, entrevistas e levantamento bibliográfico.

2.7 Quanto ao local de coleta de dados

Centro de Ciências da Saúde – CCS – da Universidade Estadual do Piauí.

2.8 Quanto a análise de dados

Os dados obtidos foram analisados sobre a luz do referencial teórico proposto e divididos em duas etapas para melhor compreensão. Sendo que a primeira etapa foi dividida em duas categorias e cada uma delas contêm quatro subcategorias. A segunda etapa foi dividida em três categorias e se subdividem em respostas femininas e masculinas.

2.9 Quanto aos Recursos

Humanos: 39 jovens, 2 pesquisadoras e 1 orientadora.

Materiais: caneta, gravador, papel, impressora, computador.

3. Análise e Discussão dos Resultados

Os dados obtidos foram analisados sobre a luz do referencial teórico proposto e divididos em duas etapas para melhor compreensão. Sendo que a primeira etapa foi dividida em duas categorias e cada uma delas contêm quatro subcategorias. A segunda etapa foi dividida em três categorias que se subdividem em respostas femininas e masculinas.

3.1 Etapa 1 – Qualitativa

 A presente etapa se dirige a discutir os resultados obtidos nas entrevistas, sendo, portanto qualitativa. Dividiremos esta em duas categorias, Categoria A - feminino e Categoria B - masculino, e em quatro subcategorias iguais para as mesmas.

Foram entrevistados quatro homens e quatro mulheres obtendo tais resultados:

 3.1.1 Categoria A – Feminino

  • Motivo da escolha do curso de Psicologia

Podemos perceber que os motivos mais indicados foram a preparação para o  vestibular na área de saúde, independente do curso, e pesquisas preliminares sobre o curso de Psicologia. Assim pode-se observar a importância de se fazer pesquisas precedentes a escolha da profissão, bem como ressalta a Psicóloga Caioá Geraiges de Lemos neste trecho de uma entrevista concedida ao site Psicopedagogia Online (Educação e Vida):

“É muito importante que a escola não se limite apenas em oferecer material informativo ao adolescente, mas que possa criar espaços de reflexão que favoreçam ao jovem pensar em suas opções profissionais, promovendo o debate entre colegas.[...]”

  • ÁREA DE ATUAÇÃO

A metade das entrevistadas diz preferir a psicologia social. A  outra metade diz interessar-se pela psicologia clínica, no entanto elas apresentam mais de uma opção, oscilando entre a clínica, organizacional e  a social.

Como afirma Antônio Carlos Gil (s.d) a área clínica vem sendo a preferida pelos psicólogos, desde a regulamentação da profissão: possivelmente pelo fato de ser a que mais possibilita a realização profissional, em termos de autonomia, ou ainda por evocar similaridade com a profissão do médico — símbolo de profissão liberal socialmente prestigiada.

Porém aqui percebemos também uma divisão nas preferências, pois clínica e social foram igualmente bem votadas. Apareceram também opções como Psicologia Jurídica, entre outras, confirmando os dados de Castro e Yamamoto (1998) nos quais afirmam que as mulheres preferem áreas mais recentes e por isso menos valorizadas.

  • REALIZAÇÃO NO CURSO

A metade das entrevistadas diz que só poderá responder a este questionamento quando estiverem atuando no mercado de trabalhado. As outras se dizem realizadas, porém uma delas ressalta as dificuldades encontradas na instituição como empecilho para a total realização,  como podemos notar neste trecho da entrevista:

“Me sinto. Eu gosto  muito de ler sobre psicologia, embora aqui na faculdade a gente tenha essas limitações sobre os professores, sobre pouco projeto de extensão. A gente não tem assim trabalhos mais efetivos né? [...]” (V.B.G.S.)
  • PROFISSÃO FEMININA

A maior parte não considera a psicologia como uma profissão feminina apesar de as mulheres serem maioria neste segmento profissional.

Porém, Sousa (2009) classifica a Psicologia como uma ciência de gênero – que seria uma ciência que por seus próprios objetos de estudo e prática são mais bem absorvidos por um gênero, mas ela ressalta que isso não significa sua particularização ao mesmo.

3.1.2 Categoria B – Masculina

  • Motivo da escolha do curso de Psicologia

A maioria dos homens diz ter escolhido a profissão por já estarem estudando para prestar vestibular na área de saúde. Observamos que tem influenciado mais o status ou retorno financeiro da área de saúde do que o próprio curso em si.

Aqui podemos frisar o alerta da Psicóloga Caioá Geraiges de Lemos neste trecho de uma entrevista concedida ao site Psicopedagogia Online (Educação e Vida):

“[…] O que observo é que os adolescentes vêm sendo bombardeados por uma enorme oferta de modelos de identidade rápidos e descartáveis, que não oferecem um norte realmente claro. Isso acontece também na questão profissional onde muitas vezes eles acabam sendo “seduzidos” por profissões da moda ou mais exploradas pela mídia. [...]”
  • ÁREA DE ATUAÇÃO

A área de atuação mais apontada pelos homens foi a área social, diferentemente do contexto nacional em que a preferência masculina tem sido a clínica e organizacional.

            Castro e Yamamoto (1998) afirmam que é interessante observar que a maioria dos homens ocupa as áreas mais tradicionais – Clínica e Trabalho –  enquanto que as mulheres, embora numa porcentagem pequena, estão ocupando (exclusivamente) novas áreas, como é o caso de Hospitalar.

Assim em nossa pesquisa encontramos um perfil diferente do que havia sido descrito em nosso referencial teórico. Os próprios entrevistados atribuem essa preferência pela Psicologia Social à influencia da instituição, sua grade curricular e professores.

  • REALIZAÇÃO NO CURSO

Todos os entrevistados se dizem realizados quanto ao curso, no entanto um deles afirma que os problemas da instituição dificultam a realização plena, bem como  acontece com as mulheres.

Mais uma vez os problemas enfrentados pela Universidade Estadual do Piauí tiram, de certa forma, o brilho do curso. Sendo o único curso público de Psicologia na capital – Teresina – deveria a UESPI formar um profissional com padrão próximo ao das faculdades particulares, mas o que se pode observar é que não há recursos como laboratórios bem equipados ou trabalhos de extensão suficientes, ficando assim atrás, em alguns pontos, dos cursos particulares.

  • PROFISSÃO FEMININA

Nenhum dos entrevistados considera a psicologia como profissão feminina, no entanto eles reconhecem que as mulheres se sobressaem por possuírem características essenciais como a sensibilidade.

Sousa (2009) afirma que observar, interagir, avaliar e envolver-se são características intrínsecas a natureza fisiológica-instintiva do sexo feminino. Características que ao encontrar um meio científico para sua apuração de maneira organizada, subjetiva e qualitativa, ganha espaço considerável em relação aos que não possuem tais características naturalmente mais aguçadas, no caso, o sexo masculino.

No trecho da entrevista citado abaixo podemos perceber que os homens estão cientes desta situação.

“[...] É por que, devido a nossa sociedade, né? a criação feminina é muito mais voltada para a sensibilidade, mais do que a criação masculina, e a sensibilidade é uma coisa que a gente precisa ter bastante aqui na profissão psicologia. E o menino, desde criança, na maior parte das vezes é claro!, é muito mobilizado para questões mais lógicas, questões mais práticas e a sensibilidade não é muito explorada nele, por que é visto mesmo de forma feminina. [...]”  (J.R.M.N.)

3.2 Etapa 2 – Quantitativa

A presente etapa se dirige a discutir os resultados obtidos no questionário, sendo quantitativa. Dividiremos estes dados em duas categorias que se subdividem em respostas masculinas e femininas.

O questionário foi entregue aleatoriamente a 31 jovens que prestarão vestibular para a UESPI no ano corrente. Destes 61,3% (19)  são mulheres e 38,7% (12) homens.

PERFIL DOS VESTIBULANDOS

  • Faixa Etária:

  • Número de vezes que prestaram vestibular:

 

QUANTO AOS RESULTADOS

3.2.1 Critérios da escolha profissional

Notamos que a maioria dos vestibulandos se preocupa com a auto-realização, fator importante na carreira profissional, principalmente da nossa classe já que o estresse envolvido na profissão pode acarretar problemas de saúde como a Síndrome de Burnout e o Estresse Ocupacional.

Segundo Abreu (at. al, 2002) a síndrome de Burnout consiste em uma resposta ao estresse ocupacional crônico, afetando profissionais que se ocupam em prestar assistência a outras pessoas. Profissionais que trabalham com saúde mental encontram-se mais vulneráveis ao estresse e seus efeitos. No caso do psicólogo há mais de um fator de risco como a identificação ou a formação de laços afetivos entre o psicólogo e seus clientes.

3.2.2 Quanto a área de interesse

Podemos observar que se confirma a ideia de que os homens preferem ciências exatas e as mulheres preferem saúde. A surpresa fica por conta das ciências humanas em que a maioria geralmente é de mulheres, mas neste caso os homens são maioria, provavelmente devido a grande escolha para o curso de Direito.

3.2.3 Quanto ao curso de interesse

Podemos confirmar a maioria feminina na Psicologia. Observamos que a preferência por direito é maior entre os homens, assim como engenharia. Podemos comparar o gráfico obtido com os resultados de nossa pesquisa e o gráfico apresentado na prova do ENEM 2010, vejamos:


A distinção entre homens e mulheres é ressaltada quando o gráfico aponta que o sexo masculino tem um alto destaque em cursos ligados a setores públicos e de infra-estrutura. Os cursos mais procurados pelos homens são relativos à engenharia, tecnologia, indústria e computação. Os mais procurados pelo sexo feminino são Secretariado, Psicologia, Nutrição, Enfermagem e Pedagogia.

Assim notamos que essa divisão de gênero não ocorre apenas na Psicologia e deve ser extinguida, pois como observa Rosemberg (1983) essa divisão gera uma supervalorização de profissões “masculinas” e uma desvalorização de ciências consideradas femininas, como a Psicologia.

4. Considerações Finais

Podemos observar que os resultados obtidos nesta pesquisa não reproduzem de maneira fiel os estudos anteriores realizados em diferentes localidades a cerca das características do perfil do profissional psicólogo. Temos por exemplo a área de interesse masculino que em Teresina fugiu ao padrão encontrado em estudos realizados em Natal.

Apesar de ser uma ciência predominantemente composta por pessoas do sexo feminino, ela não é considerada pelos estudantes como tal, pois eles justificam que  a grande maioria dos teóricos de renome e conceito são  homens , o que a torna efetivamente uma ciência relevante.

Conclui-se ainda que a Psicologia vem se  expandido cada vez mais  em diversas áreas de atuação o que a torna uma profissão com mercado amplo, no entanto os profissionais devem ser capacitados e bem preparados para estarem assumindo tais vagas.

Ademais, constatou-se que há diferenças significativas entre homens e mulheres no que diz respeito ao exercício profissional, ao regime de trabalho, à remuneração, às áreas de atuação, entre outros aspectos que caracterizam as profissões discriminadas por serem consideradas femininas.

Destaca-se ainda a importância do auxilio aos jovens no momento da escolha  profissional, em que a escola e a família representam um papel crucial,  agindo da  maneira mais  adequada, para possibilitar o melhor direcionamento ao mesmo para que ele  assim, possa conquistar sua auto-realização. E entre os fatores fundamentais para tal escolha estão as influencias familiares, status sociais, a realização profissional, entre outros.

Vale frisar que as diversas profissões podem ser exercidas por qualquer individuo que tenha preparo e capacidade, independente de sexo. Assim pretendemos com esse trabalho desmistificar a ideia de profissão feminina ou masculina. A  Psicologia deve ser valorizada e reconhecida no mercado de trabalho pela sua importância como ciência e não pela diferenciação de gênero.

Sobre o Artigo:

Monografia apresentada junto o curso de Psicologia do Centro de Ciências da Saúde, como requisito parcial da disciplina Métodos e Técnicas de Pesquisa em Psicologia.

Orientadora Professora Luiziane Sales de Oliveira.

Referências:

 ABREU, Klayne (et al). Estresse ocupacional e síndrome de Burnout no exercício profissional da psicologia. Junho de 2002. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1414-98932002000200004&script=sci_arttext&tlng=es > users acesso em 27 -out-2010

CASTRO, Ana Elisa. YAMAMOTO, Osvaldo H. A psicologia como profissão feminina: apontamentos para estudo. Artigo. Doc. Rio Grande do Norte, 1998. Disponível em <http.//  www.scielo.br/pdf.epsic/vn3n1/pdf./ >  users  acesso em 16-set-2010.

GIL, Antonio Carlos. O psicólogo e sua ideologia. Artigo. Doc. São Paulo. Disponível em <http.// pepsic.bvsalud.org/pdf/pcp/v5n1/05.pdf./ >  users  acesso em 16-set-2010.

LEMOS, Caioá B. Adolescência e escolha da profissão. Psicopedagogia Online (Educação e saúde), São Paulo, 16 de junho de 2002. Entrevista concedida a Psicopedagogia Online (Educação  e saúde). Disponível em <http.// 200.170.93.140/entrevistas/entervistas.asp?entred. > users  acesso em 20-set-2010.

ROSEMBERG, Fúlvia. Psicologia, profissão feminina. Novembro de 1983. Disponível em: <http://www.fcc.org.br/pesquisa/publicacoes/cp/arquivos/534.pdf > users acesso em 15-set-2010

SOUSA, Maria Claúdia. Por que existem mais mulheres do que homens na psicologia? São Paulo, 2009. Disponível em <http// WWW.psicologia dialética.com// libertação-da- mulheres-sociologia.html. > users acesso em 20-set-2010.