Resumo: O presente artigo de revisão discute sobre a ciência que estuda comportamento não-verbal focalizando o comportamento face humana, com objectivo de motivar a aplicação deste conhecimento pelos psicólogos moçambicanos, como um contributo técnico actual que se adapta a diversos fins e ao objectivo primeiro e último de compreensão do outro e num nível macro, promoção do bem-estar e da ordem social. Pesquisas sobre o comportamento facial podem ser usadas desde o âmbito mais interno da Psicologia para a avaliação psicológica, monitoramento da depressão, processos de recrutamento de recursos humanos, para campos multidisciplinares na esfera de negócios, publicidade e marketing, treinamento de agentes de segurança, combate e prevenção do terrorismo, treinamento de delegados e inquiridores de polícia e ainda para melhorar a capacidade de gerir relações interpessoais dos clientes.

Palavras-chave: Paz, Expressões faciais, Micro-expressões, Psicologia e Bem-estar.

1. Introdução

O estudo do comportamento humano em Psicologia é uma tarefa complexa, as técnicas para entender o outro desdobram-se para abarcar as mais diversas formas de expressão do ser humano, contudo, nenhuma técnica é cabal em si para fazer face à complexidade da comunicação humana.

A comunicação verbal perfaz apenas 7% da comunicação humana, na realidade, 93% da comunicação humana ocorre de forma não verbal, através do tom de voz, a intensidade, a postura, as micro-expressões, a forma de andar, etc (SBLDD, 2012). Vale a pena questionar se estaremos como profissionais que procuram compreender o outro, a captar toda informação necessária para esse fim?. Procurando responder a esta questão, o presente trabalho, focaliza quase 23% de sinais da comunicação humana que nos chegam através das expressões da face humana.

Resultados de mais de 40 anos de pesquisa, mostram evidências que tornam mais objectivas as interpretações a respeito do comportamento não verbal e ajudando os Psicólogos e não só, a melhorarem os seus skills na busca de compreensão do outro (EKMAN e ROSENBEG, 1997; FRANK, 2015; EKMAN, 1999b). E as aplicações do conhecimento sobre as expressões faciais têm se mostrado consistentemente útil para vários domínios desde a clínica aos negócios. Pelo que objectiva0-se neste artigo, explorar a produção científica sobre as expressões faciais como uma possibilidade técnica para o trabalho actual do psicólogo em particular em Moçambique.

Buscaremos aqui discutir fundamentos de pesquisa derivados de trabalhos de Paul Ekman, eleito um dos 100 psicólogos mais importantes do século XX pela American Psychological Association (APA) e considerado o maior psicólogo estudioso do comportamento facial (PEG, 2014a, PEI, 2014; MATSUMOTO e HWANG, 2011).

Para a elaboração deste artigo, utilizou-se a metodologia de pesquisa bibliográfica  nos moldes concebidos pela APA (2010) pesquisando documentos e informações relevantes publicadas ou não sobre o assunto: livros, vídeos, jornais, relatórios de pesquisa, dissertações, fotos e entrevistas a partir da biblioteca de base de dados de Paul Ekman Group Paul Ekman International que são os distribuidores oficiais e credenciados dos trabalhos de Ekman (PEG, 2014a; PEG, 2014c; FRANK, 2005).

2. Expressões Faciais vs Emoções: da teoria de Darwin a evidência de pesquisa

Uma das formas de compreender o comportamento humano, é compreender a linguagem corporal associada a comunicação verbal, e mais especificamente o comportamento da face humana.

A face humana não é um espaço arbitrário, ela tem propriedades particulares e uma simetria própria (BETTADAPURA, SD; NEW YORK TIMES [NYT], 2003) que permite veicular mensagens e afectos, efectuar trocas relacionais emitir sinais sexuais, etc. (PFISTER, Li, ZHAO e PIETIK¨AINEN, 2014; PEG, 2014a; MATSUMOTO e HWANG, 2011; PEG, 2014a; EKMAN, FRIESEN e ANCOLI, 1980: 1125; EKMAN, 1973; Darwin, 1965).Paul Ekman, sob influência da obra de Charles Darwin (1872/1998) evidenciou a relação existente entre o comportamento da face humana e as emoções (MATSUMOTO e HWANG, 2011; PEG, 2014a; BETTADAPURA, SD; PFISTER, etal, 2014, EKMAN, 1999;). Darwin propôs o que quase um século depois veio a ser confirmado pelas pesquisas de Ekman, as emoções humanas têm expressões faciais universais, não apenas transculturais, como também partilhadas com outras espécies animais (EKMAN, 1992:169; 1999:2; 1998, 2014; DARWIN, 1965).

 Os estudos transculturais (realizados também em África) realizados por Ekman e seus colaboradores avaliaram o reconhecimento e julgamento de emoções a partir de poses de expressões faciais, tendo se produzido desta forma a evidência da universalidade de sete emoções consideradas básicas: raiva, medo, tristeza, desgosto, desprezo, surpresa e alegria – ver figura 1- (PEG, 2014; EKMAN, SDa; EKMAN, 1999; NYT, 2003; DARWIN, 1965).

As descobertas sobre a face humana, abrem um horizonte vasto de possibilidades para a investigação do comportamento humano, abrindo campo para exploração e compreensão dos significados emocionais do comportamento facial. A maioria dos autores segundo Barlow e Durand (2008:61) concorda que a emoção é uma tendência de acção impulsionada por um acontecimento externo (ex. ameaça), ou por um estado de sentimento (ex. terror) acompanhada por uma possível resposta psicológica (ex. medo). Elas são benéficas para nossa vida e estão directamente ligadas a nossa sobrevivência como propunha Darwin (DARWIN, 1872; EKMANk, 1997). As pessoas podem nunca fazer sexo devido ao medo, podem morrer de fome se não tiverem um fornecedor alimentar e não sentirem a necessidade e a força de arranjar uma forma de sobreviver (EKMAN, SDA, 2005) o que prova que as emoções tanto podem ser desastrosas como benéficas para a vida (EKMAN, 1997, 1998, 1999a, 1999b).

As expressões faciais das emoções universais são provavelmente inatas num sentido evolutivo, diferente dos gestos que são parte da linguagem corporal e culturalmente determinados (DARWIN, 1995; EKMAN, 1999a, 2005). No entanto, percebe-se que cada cultura tem influência na forma como as pessoas expressam facialmente as suas emoções e como as gerem (p.e. estudantes japoneses mostram maior inibição para expressar certas emoções quando estão em presença de uma figura de autoridade, diferente dos estudantes americanos) (EKMAN, SDA; 1980, 1999, 2005).

Evidências da universalidade das expressões faciais das emoções básicas dos estudos transculturais (EKMAN, 1999 e PEG 2014)

Figura 1: Evidências da universalidade das expressões faciais das emoções básicas dos estudos transculturais (EKMAN, 1999 e PEG 2014).

2.1 A luta por um método objectivo: O sistema de codificação das unidades de acção da face (FACS)

Mapeamento dos músculos da face (COHN e EKMAN, 2005:37).

Figura 2: Mapeamento dos músculos da face (COHN e EKMAN, 2005:37).

As evidências da universalidade das expressões faciais das emoções abriram um novo campo de possibilidades para a pesquisa sobre o comportamento não verbal, no entanto, impuseram desafios metodológicos para seu estudo. Neste sentido, Ekman e Friesen construíram o primeiro instrumento que permite fazer a análise e descrição objectivados movimentos dos músculos da face humana (DONATO, BARTLETT, HAGER, EKMAN, SEJOWEJOWSKI, 1999; Frank, 2005; EKMAN e ROSENBERG, 1997; BETTADAPURA, SD).

O Facial Action Coding System (FACS) permite medir toda expressão facial ou comportamento facial visível, e não apenas acções que presumivelmente podem estar relacionadas a uma emoção. O instrumento distingue 44 unidades de acção, estas são as unidades mínimas anatomicamente separadas ligadas aos movimentos faciais. Todos movimentos faciais podem ser descritos em termos de uma acção particular da unidade que isoladamente ou em combinação com outras unidades produz a expressão - ver figuras 2- (EKMAN et al, 1980: 1127; IIS, 2004; EKMAN e ROSENBERG, 1997).

Duas descobertas importantes foram feitas com a construção do FACS, a primeira, e que contribui para a interpretação do comportamento facial e detecção de fraudes (mentiras) é que existem músculos da face que não podem ser voluntariamente manipulados (LANSLEY, 2014; EKMAN, FRIESEN, e ANCOLI, 1980; EKMAN e ROSEMBERG, 1997; DONATO, BARTLETT, HAGER, EKMAN, SEJNOWSKI, 1999; COHN e EKMAN, 2005)no entanto estão envolvido na expressão natural (espontânea) de certas emoções. Este facto por si serve de recurso á avaliação da “espontaneidade” de uma expressão facial, analisando o tempo de reacção, duração e os músculos envolvidos na expressão, que sem ignorar outros factores que podem justificar as alterações do comportamento da face, podem dar-nos pistas para a sua interpretação.

A segunda descoberta, é que o acto de mimetizar uma expressão facial de uma emoção, activa um processo fisiológico correspondente a tal emoção (EKMAN, SDb; PEG, 2014a; HALL, BERNIERI e CARNEY, 2005 NYTIMEZ, 2003). A validação desta hipótese, pode abrir um novo campo de intervenções e técnicas de treinamento de gestão emocional, e numa larga escala pode ser aplicado não apenas em seetingsterapêuticos mas para o bem-estar emocional das pessoas no geral.

Algumas das unidades de acção facial superiores e suas combinações (Vinay Bettadapura, SD)

Figura 3: Algumas das unidades de acção facial superiores e suas combinações (Vinay Bettadapura, SD).

2.2 Micro-expressões: revelando fraudes e emoções escondidas

“Amentiraé uma característica tão central na vida, que um melhor conhecimento desta será relevante para a compreensão de quase todos os comportamentos humanos” (EKMAN, 1985).

Ao contrário das macro-expressões como as pousadas e reconhecidas nos estudos transculturais, as micro-expressões são expressões faciais muito rápidas que duram apenas uma fracção de segundo. Elas ocorrem quando a pessoa, deliberada ou inconscientemente, esconder seus sentimentos (PEG, 2014) inicialmente descritas em psicoterapia com pacientes depressivos propôs que estas expressões ocorrem quando as pessoas têm sentimentos reprimidos (escondidos de si) ou quando de forma deliberada tentam esconder seus sentimentos dos outros (supressão), contudo, não se pode dizer pela expressão em si, quando se trata de repressão ou supressão (PEG, 2014; EKMAN, 1992; EKMAN, 1999).

Mais de 99% da população não consegue identificar estes sinais, incluindo grupos profissionais, psicólogos, psiquiatras, neurologistas, polícia, com a excepção de agentes de segurança secreta, que mostram um melhor desempenho nos testes. No entanto, Ekman e Friesen mostraram que com treinamento, as pessoas podem reconhecê-las em tempo real (PEG, 2014a; LANSLEY, 2014b). Estes estudos sugerem que, capacitando os profissionais (p.e. Psicólogos) estes passam a ser mais capazes de perceber sinais que não percebiam antes, o que implica directamente na forma como os mesmos conduzem ou abordam a situação.

Fisiologicamente, micro-expressões representam sinais de stress, isto é, quando sistema cognitivo e emocional entram em um conflito neural, dando lugar a evasão de manifestações físicas breves. Isto acontece, por exemplo, quando a pessoa não acredita no que diz, ou sente algo diferente do que mostra (EKMAN, SDc, EKMAN, 1999; EKMAN, 2014a). Uma experiência realizada com estudantes universitários nos EUA, mostrou evidências de evasão de micro- expressões na tentativa de esconder emoções desagradáveis ligadas a experiência (EKMAN, SDc; EKMAN, SDD; LANSLEUY, 2014, PEG, 2014c).

Vários cientistas comportamentais e não só, preocuparam-se com a detecção de fraudes e com o método para compreender este tipo de comportamento. Estes trabalhos interessavam não só a comunidade psicoterapêutica com a preocupação de compreensão das emoções humanas, mas também a sectores do exército (a exemplo das potencias da I e II GM), criminologia e direito (EKMAN, 1992; LANSLEY, 2004).

A forma tradicional para a detecção de fraudes e ou mentiras [01], baseia-se na tortura e intimidação, que em contrapartida gera respostas fisiológicas de stress, e existe sempre um risco de errar e provocar danos ao sujeito avaliado (LANSLEY, 2014a).

O polígrafo é um instrumento concebido para a detecção de mentiras, avaliando a tensão e pulsação dos dedos. Alterações no ritmo desta tensão e pulsação tomadas como linha de base, significariam sinais de mentira, que activam um choque eléctrico na cabeça como um estímulo desagradável (punição). Contudo, as reacções fisiológicas ao teste em si são consideradas problemáticas, pelo que a sua validade é questionável (LANSLEY, 2014; EKMAN, 1992; EKMAN, 1997).

Os humanos são considerados a melhor ferramenta para a detecção de fraudes (mentiras). Estudos e estatísticas mostram que quando treinados, os seres humanos alcançam até 90% de exactidão na detecção de sinais de fraude (EKMAN, 2014a; LANSLEY, 2014). A observação de sinais fisiológicos, a falta de espontaneidade nas expressões, hesitação de voz, resistência da pele, e outros indícios, representam sinais mensuráveis que estão associados ao contraste entre a cognição e a emoção (LANSLEY, 2014; COHN e EKMAN,2005; EKMAN, 1992, 1998, 1997).

3. Importância do Conhecimento das Expressões Faciais das Emoções

Reconhecer expressões faciais das emoções e micro-expressões, reveste-se de grande importância para a compreensão das relações interpessoais, gestão intra-pessoal e para o desenvolvimento de inteligência emocional e empatia (EKMAN, SDc; PEG, 2014a).Uma pesquisa de Helen Reiss e cols. mostrou que a habilidade de reconhecimento das emoções através de breves expressões faciais resulta em melhores índices de classificação de empatia reportada pelos pacientes do grupo de estudo em relação ao grupo de controlo (PEG, 2014a; RIESS, KELLEY, BAILEY, DUNN e PHILIPS, 2012).

O treinamento em expressões faciais aumenta também a consciência das emoções internas, permitindo reconhecer quando nos tornamos emocionalmente  vulneráveis,  possibilitando uma melhor gestão  da expressão das emoções (PEG, 2014a; HALL, BERNIERI e CARNEY, 2005).

4. Expressões Faciais e Micro-Expressões Aplicação no Mundo Real

O conhecimento sobre expressões faciais têm aplicação prática multidisciplinar, todo o grupo de esferas onde se faz importante ter a capacidade de ler os estados emocionais dos outros pode se beneficiar destes conhecimentos: avaliação psicológica, para rastreamento de criminosos tanto em comunidades, em aeroportos, prevenção de terrorismo, detecção de fraudes em entrevistas e ou inquéritos policiais, apoio e avaliação clínica,  marketing  e vendas, pesquisa, indústria televisiva, etc (PEG, 2014a; MATSUMOTO e HWANG, 2011) (ALEXA, ANDELIN e FEHER, 2013).

Discutiremos a seguir com algum detalhe algumas dessas aplicações que podem ser implementadas no nosso contexto:

  • A) Treinamento de polícia, inquiridores e questões criminais: fraudes, carregam muitas vezes expressões emocionais acrescidas em comparação a situações normais (micro-expressões). Contudo, as micro-expressões não dizem em si se o sujeito está a mentir, mas apontam incongruências entre aquilo que é dito e aquilo que é experienciado emocionalmente pelo indivíduo. Ao redor do mundo, agentes de segurança e oficiais de polícia dos EUA, Portugal, Brasil, UK, e vários outros países, tem nos seus módulos de treinamento, capacitação em reconhecimento de micro- expressões e linguagem corporal (PEG, 2014; FRANK, 2005).
    Considerando explosão de acções criminosas de sequestros contra civis em Moçambique, estas técnicas podem ser úteis como ferramentas de trabalho para avaliação e monitoramento comportamental (p.e. em patrulha, inquéritos) para os agentes de garante da ordem e segurança pública.
  • B) Profiling nos aeroportos várias universidades de tecnologia desenvolveram com base nos estudos de Ekman, sistemas de tracking e controle de expressões faciais que permitem monitorar suspeitos de terrorismo, narcotráfico e outros. Agentes de segurança de aeroportos são também treinados a obter esses indícios através de observação directa da linguagem corporal e das expressões faciais em particular (FONSECA, 2013; PEG, 2014; FRANK, 2005). O que pode ser tomado como uma norma de prevenção de crimes organizados e reforço de segurança, principalmente considerando as precauções que aeroportos internacionais recomendam a seguir aos atentados de 11 de Setembro.
  • C) Profissionais de saúde - podem desenvolver melhores rapports com pacientes, interagindo de forma mais humana, empática e com compaixão, o que contribui para realização de diagnósticos mais apertados, através da obtenção de informações mais completas (PEG, 2014; 2005; RIESS, KELLEY, BAILEY, DUNN e PHILIPS, 2012).
  • D) Linguagem não verbal na educação - os aspectos cruciais da interacção estudante- professor são não verbais (BABAD, 2005:283). Professores podem ler as expressões faciais de seus estudantes para obter sugestões sobre o progresso da lição e planejar um processo mais efectivo. Do mesmo modo, gestores escolares que lêem emoções dos seus professores estão mais aptos a reduzir o burnout e incrementar a efectividade dos mesmos (PEG, 2014ª; MATSTUMOTO e HWANG, 2011).
  • E) Desenvolvimento de social skills (aptidões sociais) para populações especiais - indivíduos do espectro autista tem se beneficiado enormemente com o treino de micro-expressões através do ESEET (subtl expression trainning tool). Assim como indivíduos com esquizofrenias tendem a aumentar a capacidade de reconhecer emoções nos pares normais (RIESS, etal, 2012; MARSH, et al, 2012).
  • F) Avaliação psicológica e médica -Estudos de Ekman evidenciaram a presença micro- expressões em entrevistas de desligamento de pacientes depressivos que após a alta intentaram o suicídio (PEG, 2014a; ALEXA, ANDELIN e FEHER, 2013). Stuart (2005: 313) lembra que a maior parte das psicopatologias do DSM IV estão ligadas a algum tipo de alteração emocional (APA, 1994), e na conceptualização moderna das emoções é preciso considerar que alterações no comportamento não verbal pode estar associado ao curso, sinais e sintomas do problema.

5. Considerações Finais

Faz-se necessário que o conhecimento sobre o comportamento não verbal e as expressões faciais em particular seja tratado de forma mais objectiva pela comunidade moçambicana de psicólogos e pelos currículos de Psicologia. Estudar o comportamento não verbal não é nenhuma tendência sensacionalista em Psicologia, é sim, uma tendência de pensar a Psicologia para aplicação no dia-a-dia, na busca de compreensão do outro. As expressões faciais não podem mais ser tratadas no plano de senso comum, ignorando os sinais objectivos que a relação complexa entre a cognição e a emoção permite evidenciar através da face.

Actualmente existem cursos, módulos, softwares de treinamento e outros instrumentos (PEG, 2014a)  que  permitem  que  psicólogo  ou  outro  profissional  desenvolva  a  capacidade  de objectivamente analisar sinais emocionais presentes na face. Julgamos ser pertinente incorporar esses conhecimentos de mais de quatro décadas de pesquisa nos currículos nacionais de Psicologia em disciplinas de técnicas de observação, valorizando as expressões emocionais do comportamento. Isto não só permitirá incrementar o perfil de habilidades do graduando em Psicologia (que deve ser interventivo na realidade do país) como também a incorporação destes conhecimentos na prática psicológica moçambicana, aliada a pesquisa e reflexão permitirá a projecção de novas oportunidades de actuação, emprego e valorização do trabalho do psicólogo, colocando uma Psicologia mais competitiva, mais aplicada e mais próxima das necessidades dos diferentes seguimentos sociais.

O interesse pelas expressões faciais em Psicologia, não deve ser movido em si pelo desejo de desvendar fraudes, mas sim, pelo objectivo máximo que acreditamos que a Psicologia deve prover: o balanço emocional. Portanto, é importante percebermos porquê temos emoções, que exercícios podem melhorar a vida emocional das pessoas, como podemos reconhecer emoções nos outros (exemplo: através das expressões faciais e micro-expressões) e como lidar com emoções dos outros e do impulso de agirmos emocionalmente (PEG, 2014a).

Sobre o Autor:

Hélio Clemente José Cuve - é associado ao Centro de Estudos e Apoio Psicológico (CEAP) de Departamento de Psicologia da Universidade Eduardo Mondlane (UEM - Moçambqiue), na área de Necessidades Educativas Especiais. Exerce prática clínica no centro e dedica-se a pesquisas de temas e métodos de aplicação transversal em Psicologia em particular de avaliação comportamental. Está ligado também ao Grupo de Académico de Investigação em Psicologia (GAIP).

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