Resumo: Como o profissional psicólogo é percebido? O presente estudo teve como objetivo coletar, de maneira coletiva, as informações que apontem como a figura do psicólogo é percebida por estudantes universitários dos cursos de Administração, Enfermagem, Fisioterapia, Pedagogia, Teologia e de psicologia. Foi realizado entre os alunos um estudo descritivo que utilizou questionário fechado e contou com a participação voluntária de 60 estudantes universitários do município de Cachoeira – BA.  A partir deste estudo, concluiu-se que, os alunos acreditam que a psicologia seja uma profissão importante para a sociedade, porém ainda existe o mito de que o profissional psicólogo tem que sempre estar bem psicologicamente não podendo ter sentimentos depressivos, ansiedade, preocupação e outros.

Palavras-chave: Psicólogo, Psicologia e preconceito.

1. Introdução

A consolidação da entrada do psicólogo no mercado de trabalho, no contexto nacional, gerou a necessidade de avaliar essa profissão, no tocante à forma como essa prática vinha sendo percebida (FILHO; OLIVEIRA; LIMA, 2006).

Vários foram os estudos realizados com a população em geral sobre a função do psicólogo e a ética profissional. A pesquisa realizada por Souza e Trindade (apud FILHO; OLIVEIRA; LIMA, 2006) sobre representações das atividades do psicólogo, mostram que indivíduos do segmento de classe média, veem o psicólogo como “um profissional liberal que resolve problemas por meio de conversas e testes.” Nessa mesma pesquisa, indivíduos de menor nível sócio- econômico, pouco ou nada puderam dizer sobre a função do psicólogo, talvez pelo fato do pouco contato com a psicologia. Outras pesquisas definem o psicólogo como responsável pela promoção de saúde e auxílio psicológico (MONTEIRO et al, 2011).

O objetivo deste estudo foi verificar como o profissional psicólogo é percebido na sociedade. Qual a visão que homens e mulheres possuem a respeito destes profissionais?  Homens e mulheres divergem sobre o assunto? Existe alguma relação entre curso de nível superior e a imagem que o indivíduo faz do psicólogo?

Foi realizado um estudo descritivo procurando descrever completamente o fenômeno. Este estudo pretendia coletar informações entre os alunos universitários do município de Cachoeira – BA, sobre a visão dos mesmos a respeito do psicólogo.

O interesse pelo tema abordado deu-se devido à necessidade de verificar a forma como é percebido o profissional psicólogo, uma vez que essa percepção perpassa a relação existente entre o psicólogo e seus clientes.

É importante verificar como as pessoas percebem uma prática profissional em qualquer área de atuação, uma vez que possibilita o reconhecimento de aspectos positivos e de debilidades dessa prática (FILHO; OLIVEIRA; LIMA, 2006)

1.1 Conceituando Preconceito

A definição de preconceito segundo Bagno (2008) é a ideia ou conceito formado antecipadamente, antes de ter os conhecimentos adequados.  O preconceito parece estar ligado ao ser humano que vive em sociedade. É muito difícil desarraiga-lo, porque ele é tão velho quanto à humanidade, que tem por consequências males profundos, ora sutis, ora extremamente violentos. Mas em termos de agressividade os efeitos do preconceito podem apresentar níveis distintos (RODRIGUES, 2007).

Pereira (2003) cita alguns estudos que tem verificado a existência de dois tipos de preconceito, o clássico e o comportamento hostil. O clássico é caracterizado pela expressão de atitudes, já o comportamento hostil ocorre em relação ao grupo alvo, que se apresenta de forma menos aberta, mais encoberta. “A expressão encoberta do preconceito explicaria a diminuição de manifestações clássicas de discriminação”.

Na verdade qualquer grupo social pode ser alvo de preconceito. Ocorreram mudanças na visão do preconceito, a partir dos anos 30, passando a ser encarado como frutos de defesas inconscientes, influenciados por normas sociais, ou manifestações de interesses grupais. (RODRIGUES, 2007).

No alicerce do preconceito estão as crenças sobre características pessoais que atribuímos a indivíduos ou grupos, chamadas de estereótipos. Psicólogos sociais contemporâneos identificam o estereótipo como base cognitiva do preconceito. Que segundo eles é uma forma de simplificar a visão de mundo (RODRIGUES, 2007).

Rodrigues (2007) diz ainda que o ato de rotular as pessoas é um processo bem semelhante ao estereótipo, podendo assim dizer que rotulação seria um caso especial do ato de estereotipar. Quando se atribui um rótulo nas relações interpessoais, isso facilita o relacionamento com os outros, pois faz com que certos comportamentos sejam antecipados. “A atribuição de um rótulo a uma pessoa nos predispõe a pressupor comportamentos compatíveis com o rótulo imputado”.

Embora o preconceito seja um fenômeno psicológico, aquilo que leva um indivíduo a ser ou não preconceituoso está relacionado ao processo de socialização. Aquilo que permite ao indivíduo se constituir, também é responsável por ele desenvolver ou não preconceito, sendo sua manifestação individual (CROCHEK, 2006).

O processo para se tornar indivíduo envolve a socialização, e o desenvolvimento da cultura tem se dado em função da adaptação à luta pela sobrevivência, surgindo o preconceito em respostas aos conflitos presentes nessa luta (CROCHEK, 2006).

Segundo Crochek (2006) o indivíduo preconceituoso tende a desenvolver preconceitos em relação a “diversos objetos”, como Judeus, Negros, Homossexuais e etc. Isso mostra que o preconceito fala mais a respeito das necessidades do preconceituoso do que as características dos seus objetos, pois cada um destes possuem características distintas daquilo que eles são. Porem, é importante lembrar que cada objeto suscita nos preconceituosos afetos diversos relacionados a conteúdos psíquicos distintos.

1.2 Sobre a Psicologia

É comum no dia a dia usarmos o termo PSICOLOGIA em situações do cotidiano, por exemplo, dizer que alguém usou seu poder de persuasão para conquistar alguém, ou que foi condicionado a se comportar de determinada maneira, ou até mesmo fazer “diagnóstico” como, por exemplo, dizer que uma determinada pessoa é neurótica. Quando fazemos uso desta psicologia, estamos usando a psicologia do senso comum (BOCK, 2009).

O senso comum é um conhecimento construído de maneira folclórica, através deste acredita-se que o psicólogo tem disposição para ouvir as pessoas, capacidade para dar conselhos e resolver intrigas.  Será essa realmente a imagem do psicólogo? (BOCK, 2009).

A psicologia estuda o homem e sua interação com o meio interno e externo, seu comportamento e os processos mentais. Para a psicologia, nenhum comportamento é por acaso. Todo comportamento é a revelação de algo que está guardado. Por isso, para a psicologia, todo comportamento humano tem um sentido, um intenção e uma motivação. A psicologia não julga o comportamento das pessoas, ela analisa e procura o sentido, a intenção, o motivo (BOCK, 2009).

1.3 Evolução da Psicologia

A psicologia é uma ciência relativamente nova. Seu berço foi na Alemanha no final do século XIX com Wundt, Weber e Fechner. Em 1879, Wundt montou o primeiro laboratório de psicologia em Leipzig, que foi o ponta pé do desenvolvimento científico da psicologia, sendo graças a Wundt que a psicologia passou a ser ciência (BOCK, 2009).

A história da atuação profissional no Brasil surge juntamente com a Psicologia científica; antes disso não existia aqui o reconhecimento da Psicologia como prática com terminologia e conhecimento definido (FILHO; OLIVEIRA; LIMA, 2006).

A formação profissional do psicólogo foi institucionalizada através da Portaria 272, referente ao Decreto-Lei 9092, de 1946. No que tange à inserção no mercado de trabalho, a atuação do psicólogo se iniciou nas áreas da educação e do trabalho entre os anos 1940 e 1950. Em 27 de agosto de 1962 a Lei nº 4.119 regulamentou a profissão de psicólogo e, nesse mesmo ano, o Parecer 403 do Conselho Federal de Educação definiu o currículo mínimo e duração do curso superior de Psicologia. Tais fatos históricos serviram como grande apoio para a abertura do mercado aos psicólogos (FILHO; OLIVEIRA; LIMA, 2006)

1.4 A Vocação do Psicólogo

Magalhães (2001) relata sobre a investigação realizada sobre diversas perspectivas de autores, com relação à escolha da vocação para psicologia. E é mostrada que são por motivações inconscientes, valores, representação social da profissão entre outros. É notório que o estereótipo com relação à atuação profissional do psicólogo, é idealizado com foco em atendimento clínico em consultório.

Magalhães (2001) nos faz refletir sobre as seguintes perguntas: Quais as origens do chamado a uma preocupação com o outro? Ou o que é precisamente a vocação do psicólogo? Segundo Carvalho e Kavano (apud MAGALHÃES, 2001). Permanece a incógnita sobre a natureza deste anseio, desta curiosidade. Em relação, ou que a atuação clínica oferece aos psicólogos, que parece ser a possibilidade de penetrar no outro, conhecê-lo, ou estabelecer com ele, certo tipo de relação.

Diversos estudos (MILLER; SUSSMAN apud MAGALHÃES, 2001) analisaram a infância familiar de psicólogos, e nos mostram que esses profissionais foram precoce, tendo assim grande responsabilidade quando criança em suas famílias, assumindo o papel de cuidados em relação a outros familiares. Segundo vários achados (BURTON et all Apud MAGALHÃES, 2001) relatam que a infância dos profissionais de ajuda foi marcada por eventos especialmente problemáticos no âmbito familiar, tais como a presença de doenças físicas e mentais incapacitantes, separações, alcoolismo e distúrbios de caráter.

1.5 Quem é o Psicólogo?

Vários foram os estudos realizados sobre a função do psicólogo e a ética profissional, segundo a visão da população em geral e dos próprios estudantes de psicologia.  

Weber e col. (apud FILHO et al, 2006) comentaram que a representação social que o público leigo tem do psicólogo e da Psicologia apresenta limitações e equívocos, em boa parte. No Brasil, é culturalmente comum, as pessoas referirem-se aos profissionais da área de saúde e também psicólogos chamando-os de "doutores". Ao que parece, as pessoas tenderiam a perceber a psicologia como uma área ou especialidade da medicina e o psicólogo como uma espécie de "médico da mente".

Apesar da grande difusão da psicologia, os serviços do psicólogo ainda estão em termos práticos, bastante restritos a uma pequena parcela da população. A população leiga, em geral, indica a ausência de conhecimentos acerca do psicólogo. Diversas áreas da psicologia não são mencionadas pelos sujeitos quando questionados sobre a atuação do psicólogo. Raramente é feito menção sobre a atuação do psicólogo em contextos, como por exemplo, o educacional, o do trabalho, o jurídico, o penitenciário e tantos outros. Em resumo, a percepção geral da maioria das pessoas é pautada numa visão do psicólogo enquanto um profissional de promoção da saúde mental e que está apto a também oferecer um apoio de cunho psicológico (FILHO; OLIVEIRA; LIMA, 2006).

Filho, Oliveira e Lima (2006) afirmam que:

Verificar, pois, como as pessoas percebem uma prática profissional se faz necessário em qualquer área de atuação uma vez que possibilita o reconhecimento de aspectos positivos e de debilidades dessa prática, seja no seu processo de formação acadêmica, ou no próprio exercício dessa mesma prática e ainda, na trajetória histórico-epistemológica de sua constituição enquanto disciplina.

Filho, Oliveira e Lima (2006) realizou um estudo exploratório com o objetivo de identificar elementos que apontem como a figura do psicólogo é percebida não por um único grupo, mas sim por diferentes grupos, especificamente por pessoas da população geral, estudantes de enfermagem e de psicologia, buscando vincular a percepção de cada grupo às circunstâncias e aspectos predominantes de cada um deles. Os resultados apontaram que os três grupos enfatizam o psicólogo como alguém que fornece um auxílio, notadamente de cunho psicológico. Assim, o grupo dos estudantes de psicologia, seguido pelos de enfermagem foram mais específicos ao tratarem desse auxílio em comparação com o público em geral.

Santos (apud FILHO; OLIVEIRA; LIMA), analisando uma amostra de calouros de um curso de formação em Psicologia da cidade de São Paulo - SP, apresentou a seus participantes a pergunta "O que faz um psicólogo em sua opinião?". Seus resultados revelaram um insuficiente e desordenado conhecimento acerca das diversas áreas de atuação em psicologia. No geral, o que se observou foi uma expressiva predominância da menção à área de atuação clínica e do psicólogo percebido enquanto um profissional liberal atuando em consultórios particulares; ele possuiria um "conhecimento teórico eclético e profundo" sobre o ser humano e tal conhecimento seria o responsável ou o elemento capacitador que lhe permitiria ajudar, aconselhar e orientar as pessoas.

Fereira e Rodrigues (RODRIGUES; ASSMAR; JABLONSKI, 2007) utilizando um procedimento experimental realizaram um estudo visando detectar como os estudantes de psicologia eram percebidos por seus colegas. Este estudo foi realizado no campus universitário da PUC-Rio. Pelo fato da psicologia ser, naquela época, uma ciência sem muita aceitação, nova, porém com alguns aspectos relativos às suas características e métodos estarem deturpados, os autores esperavam encontrar um estereótipos negativo em relação aos estudantes de psicologia. Foi apresentada a uma amostra de estudantes uma lista com 90 adjetivos, solicitou-se então, que escolhessem quais mais se aplicariam àqueles que estudavam psicologia.

Problemáticos, pesquisadores, idealistas, observadores e humanos, foram os cinco adjetivos que melhor caracterizavam os estudantes de psicologia de acordo com os resultados fornecidos dos 60 participantes da amostra. Contrariamente ao esperado pelos autores, os estudantes de psicologia foram categorizados simplesmente com alguns poucos adjetivos, a maioria de conotação positiva (FERREIRA; RODRIGUES apud RODRIGUES; ASSMAR; JABLONSKI, 2007).

De acordo com Rodrigues, Assmar e Jablonski (2007) “existe um estereótipo acerca do estudante de psicologia que o faz ser visto como dotado de certas características bem marcantes”.

Embasada neste pensamento Monteiro (et al, 2011), realizaram um novo estudo, com metodologia similar a de Ferreira e  Rodrigues (RODRIGUES; ASSMAR; JABLONSKI, 2007). O publico alvo foram os estudantes do campus universitário da FABDA. O estudo objetivava entender como o estudante de psicologia era percebido dentro desta faculdade (FADBA), pelos alunos universitários tanto de Psicologia quanto dos demais cursos. Será que nossa imagem mudou diante da comunidade nos últimos anos?

Trinta pessoas participaram do estudo, sendo 13 do sexo masculino, 16 do sexo feminino e mais um indivíduo que não se pronunciou quanto ao seu gênero. Dos 30 adjetivos descritos no questionário, apenas doze foram marcados, são eles: Observador; Inteligente; Conselheiro; Educado; Atencioso; Curioso; Competente; Interessante; Convencido; Equilibrado; Comunicativo; Questionador. Dentre esses doze adjetivos, nove são considerados positivos, dois com o duplo-sentido (curioso e questionador), e um negativo (convencido). (MONTEIRO et al, 2011).

Como podemos perceber com os dois estudos, depois de 43 anos não houve uma mudança considerável na visão que o público tem dos estudantes de psicologia. (FERREIRA; RODRIGUES apud RODRIGUES; ASSMAR; JABLONSKI, 2007); (MONTEIRO et al, 2011? No prelo)

Profissionais como policiais e advogados são estereotipados como “bandidos” e “pessoas não dignas de confiança”.  Muitas vezes, o psicólogo é visto como “alguém que trata de malucos” ou até mesmo que o próprio psicólogo “é doido”. Monteiro (et al, 2011? No prelo)

Frente a todas as descrições aqui relatadas sobre o profissional psicólogo, fez necessário este estudo.

2. Método

Participaram do estudo 60 alunos universitários do município de Cachoeira/BA, sendo 23,33% (14/60) nascidos na capital e 65% (39/60) no interior.  Em relação ao sexo, 53,33% (32/60) era do sexo feminino. A idade variou entre 16 a 40 anos, com média de 23 anos (DP=5,86). Colaboraram para esta pesquisa alunos do curso de Administração, dando um percentual de 16,67% (10/60), Enfermagem 16,67% (10/60), Fisioterapia 16,67% (10/60), Pedagogia 15% (9/60), Psicologia 16,67% (10/60) e Teologia 16,67% (10/60). 

Para a coleta de dados, foi utilizado o questionário com 14 questões fechadas, apresentando ao respondente um conjunto de alternativas em escala do tipo Likert de cinco pontos dos quais variavam de “nem um pouco” à “completamente” para que ele escolhesse a que melhor representasse sua situação ou ponto de vista, garantindo assim que, qualquer que fosse a situação do respondente, houvesse uma alternativa em que este se enquadrasse.

Os participantes foram abordados pelas entrevistadoras nos corredores da faculdade durante os intervalos de aulas. Todos os entrevistados foram informados sobre os objetivos e procedimentos da pesquisa, em seguida, foi solicitada à assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), permitindo assim a participação voluntária no estudo. Após a assinatura foram aplicados os questionários. Após o preenchimento, com duração de aproximadamente 10 minutos, os questionários foram recolhidos imediatamente.  

Após coletados, os dados estatísticos foram analisados usando o programa PSPP. As respostas dos sujeitos foram separadas em grupos: Curso (Administração, Enfermagem, Fisioterapia, Pedagogia, Psicologia e teologia)) Sexo (Masculino e Feminino). Os resultados foram submetidos à análise descritiva e os dados foram cruzados (CROSTABS).

3. Resultados

Participaram desta pesquisa 60 indivíduos, sendo 53,33% (32/60) do sexo feminino e 46,67% (28/60) do sexo masculino. Houve uma concordância entre os gêneros ao serem questionados a respeito de que quem procura um profissional psicólogo é porque está louco, ambos discordaram da ideia de que psicólogo trata  loucos

Quem procura um psicólogo é por que está louco?

Já relacionado à presença do profissional psicólogo, 40,7% das mulheres  afirmaram se sentirem desconfortáveis na presença do psicólogo, enquanto 50% delas manifestaram não sentir desconforto na presença do profissional psicólogo. Já para os homens boa parte sendo 37% falaram que a presença do profissional psicólogo é indiferente para eles, porém a maioria, 51,8% falaram que a presença do profissional psicólogo não trás nenhum desconforto.

Você se sente confortável na presença de um psicólogo?

Ao os participantes responderem a questão que o psicólogo tem que ser uma pessoa equilibrada emocionalmente, tanto homens com 96,3%, quanto mulheres com 96,8% afirmaram que o psicólogo tem que ser uma pessoa equilibrada emocionalmente.

O psicólogo tem que ser uma pessoa equilibrada emocionalmente?

Os cursos em geral, sendo a maioria dos participantes da pesquisa, concordaram que a psicologia é uma profissão importante para a sociedade, como pode ser observado no gráfico abaixo:

A psicologia é uma profissão importante para a sociedade?

Existe um certo mito a respeito de que as pessoas que procuram fazer psicologia é porque querem se entender, ou porque é louco, porém nos dados coletados nos trás resultados contrários a esta ideia. Como pode ser observado nos gráficos abaixo, a maioria dos participantes de todos os cursos não concordam que o profissional de psicologia buscou essa profissão para se entender ou porque é louco.

4. Discussão e Considerações Finais

A psicologia vem ganhando seu espaço como ciência e profissão. A atuação do psicólogo vem sendo solicitada não mais somente pela clínica, mas também por escolas, hospitais, empresas, órgãos público, entre outras instituições. Os profissionais psicólogos estão cada vez mais sendo aceitos pela sociedade e ampliando seu mercado de trabalho.  Este estudo nos mostrou que a maioria dos participantes da pesquisa concordaram que a psicologia é uma profissão importante para a sociedade indo contra a ideia de que psicólogo é coisa de gente fresca, de gente que não tem onde gastar seu dinheiro por isso faz terapia. Alguns participantes demonstraram alguma vontade de fazer o curso,

É comum ouvirem as pessoas dizerem que quem procura psicólogo é por que está louco, porém não foi o que mostrou este estudo. Tanto homens quanto mulheres, ao serem questionados, discordaram da ideia de que psicólogo trata loucos, desmistificando este pensamento mostrando que pessoas “normais” também procuram ajuda destes profissionais.

As pessoas ainda se sentem desconfortáveis na presença de um psicólogo por acharem que eles vivem analisando as pessoas o tempo todo. As mulheres se mostraram menos a vontade em estar em um mesmo ambiente que um psicólogo.

No que diz respeito aos motivos que levam uma pessoa a fazer o curso de psicologia. A maioria dos participantes de todos os cursos não concordam com o conceito de que o profissional de psicologia buscou essa profissão para se entender ou porque é louco.

Apesar desta posição de que o psicólogo não é louco, Os dados do estudo mostram  que,  na visão do senso comum, o profissional psicólogo tem que sempre estar bem psicologicamente, não podendo ter sentimentos depressivos, ansiedade, preocupação e outros, não dando o direito do psicólogo ter dificuldades emocionais como todo o ser humano tem.

Apesar do estudo mostrar que muitos dos mitos que foram criados ao decorrer do tempo à respeito do profissional psicólogo já estarem sendo desmistificados, ainda há uma grande necessidade de que as pessoas entendam e conheçam melhor o trabalho e os benefícios que o profissional psicólogo pode proporcionar à população. Sendo de grande importância que o profissional psicólogo busque conscientizar a sociedade da importância do seu papel.

Sobre os Autores:

Fabricia Figuerêdo dos Anjos - Graduanda do curso de Psicologia da Faculdade Adventista da Bahia – FABDA. Monitora da disciplina de Psicognética. Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal do Espírito Santo  (UFES).

Keury Gomes Marques Bontorin - Graduanda do curso de Psicologia da Faculdade Adventista da Bahia – FABDA. Graduada em Educação Física pelo Instituto Adventista de São Paulo (IASP).

Lidiane Maria P. Torres Costa - Graduanda do curso de Psicologia da Faculdade Adventista da Bahia – FABDA.

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