Resumo: O presente artigo trás a conexão da escolha profissional da atualidade com o fluxo de informações e opções à disposição.

Palavras-chave: Orientação vocacional, internet, ciberespaço, escolha profissional

1. Introdução

Atualmente, as pessoas buscam melhorar cada vez mais sua formação profissional para seguir ou ingressar no mercado de trabalho. Adolescentes recém saídos do ensino médio prestando vestibular para cursos superiores ou técnicos, jovens adultos trocando de mercado e profissão, aposentados intencionados a investir no seu próprio negócio.

Entretanto, como o fluxo de informações pode contribuir para esses indivíduos? Como as comunidades virtuais, a internet e outros meios de comunicação com as informações mais rápidas e variadas são assimiladas pelos usuários? O poder de escolha é prejudicado pelo leque de opções? Qual é o papel da orientação vocacional no ciberespaço? É possível ter liberdade de escolha nas comunidades virtuais?

2. Revisão de Literatura

Há algumas décadas atrás tínhamos como escolhas básicas de profissão a medicina, engenharia, direito e formação de professores. As famílias que podiam investir na formação profissional dos seus filhos, geralmente os obrigavam a ir pelo lado mais tradicional (pai médico, filho médico; as mulheres geralmente eram professoras), de status e financeiramente melhor. Quem gostaria de ir para uma carreira diferente não recebia apoio familiar e nem de amigos.

Poucas carreiras eram compreendidas por conta da falta de informação e, conseqüentemente, preconceitos e nada era compartilhado. O conhecimento, tido como fonte de poder, era guardado para haver um jogo de interesses. Quem era o mais inteligente, mais estudioso era mais isolado.

Com a chagada do computador e da internet, os grupos eram mais facilmente criados e as afinidades iam surgindo.

2.1 Ciberespaço

A emergência do ciberespaço é fruto de um verdadeiro movimento social, com seu grupo líder (a juventude metropolitana escolarizada), suas palavras de ordem (interconexão, criação de comunidades virtuais, inteligência coletiva) e suas aspirações coerentes.

O crescimento do ciberespaço, por sua vez, corresponderia antes a um desejo de comunicação recíproca e de inteligência coletiva. O ciberespaço é uma forma de utilizar as infra- estruturas da telecomunicação. O objetivo é criar um tipo particular de relação entre as pessoas.

A comunicação baseada na informática foi iniciada por um movimento de jovens metropolitanos cultos que veio à tona no final da década de 80. Os atores desse movimento exploraram e construíram um espaço de encontro, compartilhamento e de invenção coletiva.

Sem contar que o ciberespaço não é só formado somente pela internet.  As redes independentes de empresa (intranet), associações, universidades e as mídias clássicas como a televisão, bibliotecas, museus e jornais. E que os atores desse movimento eram, na maioria, anônimos e amadores dedicados a melhorar constantemente as ferramentas de software de comunicação.

O ciberespaço tem como prática a comunicação interativa, recíproca, comunitária e intercomunitária, um mundo virtual vivo, heterogêneo, intotalizável no qual, cada ser humano pode participar e contribuir.

Os três princípios orientadores do crescimento inicial do ciberespaço: a interconexão, a criação de comunidades virtuais e a inteligência coletiva.

2.1.1 Interconexão

Huitema in Lévy 2010, diz que o horizonte técnico do movimento da cibercultura é a comunicação universal. Cada computador do planeta, cada aparelho, cada máquina, do automóvel à torradeira, deve possuir um endereço na internet. Assim, a interconexão mergulha os seres e as coisas no mesmo banho de comunicação interativa.

2.1.2 Comunidade virtual

O desenvolvimento da comunicação virtual se apóia na interconexão e é construída sobre as afinidades de interesses, conhecimentos, projetos mútuos, em um processo de cooperação ou de troca, independente das proximidades geográficas.

Lèvy (2010) cita a “netqueta”, um tipo de manual de comportamento em comunidades virtuais que possui os seguintes itens: não enviar mensagem a respeito de determinado assunto em uma conferencia eletrônica que trata de outro assunto; nunca fazer perguntas para a coletividade se as respostas estiverem disponíveis nos arquivos da comunidade virtual, a publicidade é desencorajada. Essas regras tendem para o mesmo objetivo: fazer com que as pessoas não percam seu tempo. E a moral implícita da comunidade virtual é a da reciprocidade. Se aprendermos algo lendo as trocas de mensagens, é preciso também repassarmos os conhecimentos que dispomos.

É importante ressaltar que as comunidades virtuais exploram novas formas de opinião pública.

A cibercultura é a expressão da aspiração de construção de um laço social, que não seria fundado nem sobre links territoriais, nem sobre relações institucionais, relações de poder, mas sobre a reunião de interesses em comum, sobre o jogo, sobre o compartilhamento do saber, sobre a aprendizagem cooperativa, sobre os processos abertos de colaboração. O apetite para as comunidades virtuais encontra um ideal de relação humana desterritoralizada, transversal e livre. As comunidades virtuais são os motores da vida diversa e surpreendente do universo por contato.

2.1.3 Inteligência Coletiva

 Cada um de nós pode ser considerado um neurônio que forma a inteligência coletiva dentro do ciberespaço. Considera-ser que o melhor uso do ciberespaço é colocar em sintonia os saberes, as imaginações e as energias daqueles que estão conectados a ele.

A cibercultura é mais um desafio a ser enfrentado pela orientação vocacional. Pois é mais uma influencia que cerca o indivíduo em período de transição. Todos nós estamos inseridos em uma sociedade em constante modificação no mercado de trabalho, no que se refere aos cursos de graduação, técnicos e de especialização.

A personalidade e a história de vida, valores socioeconômicos e culturais, as circunstancias no meio da escolha têm que ser levados em conta. Se é escolha objetiva ou passional do indivíduo.

2.2 Orientação Vocacional

Segundo Soares (2002), a orientação vocacional tem como objetivo facilitar o momento de escolha ao jovem, auxiliando-o a compreender sua situação específica de vida, na qual estão incluídos os aspectos pessoais, familiares e sociais.

Em geral, a escolha profissional ocorre na adolescência e muitas vezes significa a entrada para o mundo adulto. No entanto, a vida profissional está em constante movimento, pois estamos sempre escolhendo ou uma nova carreira ou dentro da escolhida, uma especialização, um mestrado, um mercado novo de trabalho. Por não acreditar em uma única escolha, e muito menos na escolha certa para o restante da vida, é importante ter o discernimento de optar pela melhor alternativa dentro do contexto vivenciado.

Os fatores sociais influenciam também na escolha do indivíduo, no qual determinará suas oportunidades profissionais e de emprego. Por exemplo, um filho de pescador que tem mais experiência e contato com a natureza do que com estudos. Porém é uma vontade dos pais ter um filho “doutor” e eles vão fazer o possível para conseguir. Por outro lado um jovem metropolitano de classe média tem mais oportunidades profissionais e de emprego e mais informações disponíveis.

O ponto em questão é: o jovem filho de pescador poderá optar por profissões mais tradicionais, já que, as informações sobre outras áreas não lhe são cedidas facilmente? Dentro da universidade a desistência ou mudança de curso ocorrem mais nessa população?

Os jovens de classe média que vivem nos grandes centros também são prejudicados por ter tantas opções disponíveis?

A cibercultura pode facilitar ou não na formação da identidade profissional com as informações que são facilmente cedidas.

3. Conclusão

Com tantas redes sócias disponíveis, a palavra mais utilizada é compartilhar. As informações são cada vez mais rápidas e variadas. Cada campo profissional surge concomitantemente a isso. Formas de trabalhar, estudar e empreender são sugeridas a cada momento no ciberespaço.

Sobre o Autor:

Taís Gomes Barroso - Psicóloga, Orientadora Vocacional, Graduanda em Pedagogia.

Referências:

LÉVY, Pierre. Cibercultura; traduçãode Carlos Irineuda Costa. – São Paulo: Ed. 34, 2010.

SOARES, Dulce Helena Penna. A escolha profissional: do jovem ao adulto. – SP. Ed. Summus, 2002.