Resumo: O presente trabalho tem como propósito relatar o fenômeno dos lutos fundamentais da adolescência ocidental resgatando um enfoque psicanalítico sobre a temática em pauta e abordando assuntos importantes sobre como esses lutos são vivenciados pelos jovens. A adolescência é uma das fases mais complexas do homem, etapa que é marcada por um período de incertezas onde o jovem carrega consigo a  responsabilidade de  sair desta fase com sua maturidade alicerçada, com postura de adulto. Dentre muitas questões, percebeu-se indispensável ressaltar neste trabalho os quatro tipos lutos fundamentais da juventude: O luto do corpo infantil; luto pela perda da identidade infantil; pelos pais da infância e o luto pela bissexualidade infantil e como estes processos atuam na estrutura do indivíduo preparando-o para a vida adulta. A metodologia utilizada para composição deste é de natureza pura, por método  hipotético-dedutivo, sem finalidades  imediatas e de caráter bibliográfico. O pressuposto para construção desta pesquisa partiu da necessidade de conhecer e entender as dificuldades encontradas nesta etapa de desenvolvimento do homem. Visto os dados apresentados,  considerou-se necessário uma vivência adequada desses processos para o desenvolvimento de um adulto equilibrado, para isso notou-se importante também a presença dos  grupos  de adolescentes  como apoio.

Palavras-chaves: Adolescência, Ocidental,  Lutos.

1. Breve Introdução Sobre a Adolescência e os Lutos Fundamentais da Adolescência

O ser humano está em processo constante de mudanças com perdas e superações. Todavia, quando fala-se nessa temática, não significa necessariamente de perdas físicas e definitivas, como a morte por exemplo, mas  pode-se observar vários tipos de perdas. Entre essas estão perdas definitivas e não definitivas e mais ou menos intensas, Entretanto, entre todos esses processos de privações o homem vivencia e tem a necessidade do luto para processar essas ausências e adaptar-se, para apurar os novos e para seguir em frente.

Num mundo contemporâneo onde todos estão sempre se ocupando, à sociedade não admite que os indivíduos tenham tempo para tristeza obrigando que todos estejam sempre felizes e bem sucedidos o tempo todo, e para isso, às vezes, recorrem ao uso de medicamentos. Não há espaço para a fragilidade e complexidade do homem, reduzindo cada vez mais o âmbito da subjetividade. A velocidade em que as coisas se dão hoje em dia faz com que o homem despreze suas emoções e com elas o período essencial para encerrar seus processos. À medida que a sociedade castra esses momentos, o luto, por outro lado, tem uma necessidade antagônica de pausa, recolhimento e introspecção. Sendo assim, diferente do que a maioria deduz, imergir no que produziu esse estado de tristeza não é uma perda de tempo e sim essencial para encerramento desses processos e amadurecimento pessoal.

A adolescência é um evento de extrema importância na vida do ser humano. É nesse período que o indivíduo  faz descobertas importantes sobre si e passa por um lento e doloroso processo de lapidação onde é obrigado a deixar para trás uma identidade infantil para então assumir uma nova identidade  mais madura. É esse período que marca a vida do homem com um processo de desenvolvimento da infância para a vida adulta em algumas sociedades e que se diferencia da puberdade por alguns aspectos como, por exemplo, uma idade fixa. Ademais, alguns autores definem esta fase como parte de um processo "biopsicossocial".

Com tantos conflitos internos, é uma etapa propensa a levantar questionamentos interiores. O indivíduo é tomado por dúvidas sobre seu ego e começa a procurar se entender para então conseguir se encaixar no mundo, num grupo, ou até mesmo em si mesmo. Este, que já não é mais criança e ainda não é adulto começa a questionar coisas como, por exemplo: Quem sou? A que grupo pertenço? Sou adulto ou criança? Quero ou não ser independente? Porque eu nunca sou levado a sério? Perguntas essas que muitas vezes não obtêm respostas significativas. De certa forma, o jovem se sente invadido com tantas mudanças acontecendo ao mesmo tempo em seu corpo e sua identidade.

Em consequência destas mudanças, o adolescente começa a vivenciar um processo de luto pelo corpo infantil, pelo papel e identidade infantis, o luto pelos pais da infância e o luto pela bissexualidade infantil. Lutos que se caracterizam pelo desvinculamento de uma identidade antiga que já não serve mais para o corpo e o pensamento deste indivíduo. São esses lutos que propiciarão ao indivíduo um momento de adaptação a perda de uma identidade antiga, marcando assim um período de renovação.

Sendo assim, designou-se em amoldar-se no referenciado estudo para  uma melhor compreensão acerca dos lutos fundamentais na adolescência ocidental e consequentemente entender um pouco sobre esse universo confuso e conflituoso dos adolescentes. Para entender os processos que envolvem essa fase fez-se necessário um estudo aprofundado acerca desta temática complexa para identificar os principais fatores que propiciam uma mudança de comportamento tão brusca. Em virtude disso, notou-se que o assunto abordado é demasiado expressivo e  necessita de conteúdos aprofundados e atualizados  para compreender  a problemática  em pauta.

2. Adolescência: Uma Nova Identidade

Etimologicamente, ‘adolescência’ tem origem do Latim: “ad” significa “para” e “olescere” é o mesmo que “crescer”. Desta forma, percebe-se que ‘adolescência’ significa, ‘crescer para’, nos remetendo ao conceito de desenvolvimento ou até mesmo de preparação para o que há de vir (PEREIRA e PINTO, 2003). Nessa perspectiva, pode-se perceber a adolescência como  uma  fase predeterminante para que o indivíduo se adeque a realidade que logo estará a sua frente, como se fosse uma escola de aprendizado para a vida  adulta.

Levando  para a perspectiva  psicanalítica:

“a adolescência é um processo de elaboração da castração, da falta no Outro, de perdas, de escolhas. Este processo tem como impulso fundamental o desligamento da autoridade dos pais, apontado por Freud como o principal e mais doloroso trabalho psíquico a s er realizado na adolescência.” (GARRITANO E., SADA LA, G. 2010, p. 59)

Isso posto, o adolescente encontra-se em constante estado de conflito interior para compreender esse processo de desligamento com os pais da infância e o seu rompimento com o "eu infantil" que o  prepara para assumir uma postura  mais madura na vida adulta. Aos poucos o indivíduo vai percebendo as transformações em seu  corpo e no pensamento e se vê obrigado a conviver com essa nova identidade. Neste aspecto, Dantas   aponta que:

“Os adolescentes já tem corpos, vontades e prazeres muito próximos daqueles vivenciados pelos adultos. Eles são adultos de férias, sem lei. Sabemos, no entanto, que nem tudo são flores, nesse universo de descobertas. A adolescência é também um tempo de conflito e luto” (DANTAS, 2002 p.11).

Dessa forma, pode-se notar que esta é uma das fases mais complexas do ser humano. A adolescência é reconhecida como um fenômeno que marca a passagem da infância para a vida adulta com transformações a nível físico, psíquico e social. É um período onde o indivíduo não é criança ou adulto e carrega, além das incertezas, a responsabilidade de sair desta fase com sua maturidade alicerçada, com postura de adultos. Nesse aspecto, Aberastury e Knobel (1989:10) definem que: “Em virtude da crise essencial da adolescência esta idade é a mais apta para sofrer os impactos de uma realidade  frustrante”.

Os mesmos autores citados anteriormente (1989) defendem que a adolescência possui uma série de sintomatologia, tais quais caracterizam a mudança no comportamento do indivíduo adolescente. Dentre os sintomas de uma adolescência normal estão uma tendência do jovem da busca de si mesmo e de sua identidade, de um envolvimento grupal, uma carência de intelectualizar e fantasiar, crises religiosas que podem levar o indivíduo ao ateísmo mais acirrado até a crença mais fervoroso, o jovem começa a adquirir aspectos de um pensamento primário, a sexualidade começa a surgir de forma  mais  manifesta   na vida  do adolescente  entre  outras  características.

Dessa forma, a adolescência é uma etapa crítica na vida do ser humano que, de acordo com Carvalho (2002:37) o "Tornar-se adolescente é viver cercado por profundos conflitos. Novos e diferentes ritmos, tempos, espaços, presença na sociedade e na cultura.” . Nesse aspecto, compete  ao jovem  adaptar-se a essas novas experiências.

É importante ressaltar a diferença entre a adolescência e a puberdade.  Enquanto a adolescência possui um fator psicossocial que não tem uma idade fixa, um tempo determinado, ou até mesmo não é vivenciada em algumas sociedades, a puberdade é principalmente fisiológica e atinge todos os indivíduos em suas diversas sociedades. Entretanto ambas atuam no estado físico e emocional do indivíduo.  Além disso, Matheus  apresenta  o seguinte   argumento:

"Baseando-se no próprio texto freudiano e seguindo uma perspectiva desenvolvimentista, muitos autores herdeiros dessa tradição descreveram a adolescência como uma decorrência psíquica de processos orgânicos característicos da puberdade, estabelecendo, direta ou indiretamente, uma sequência linear entre esses dois eventos." (MATHEUS T. 2008 p. 620).

À vista disso, é necessário compreender que a adolescência não é sinônimo de puberdade, entretanto, esta pode ser vista como um evento que se sucede por consequência   da puberdade,  ou seja, como um efeito.

2.1 O adolescente e o desejo ambivalente de liberdade

Conforme apresentado no supracitado estudo, uma das principais finalidades da adolescência é a construção de uma identidade que resulta de um lento e doloroso processo de aprendizagem. O indivíduo se sente confuso, muitas vezes não sabe o que quer, entretanto aos poucos vai se adequando ao novo corpo e as novas ideologias dessa identidade  em construção.

Para Aberastury e Knobel (1981), nesta fase o jovem começa a sentir a necessidade de planejar a sua vida e controlar as mudanças que estão acontecendo de maneira que consiga se adequar as exigências do mundo externo se agarrando em suas novas teorias. Dessa forma, o jovem encontra-se "lutando entre a sua necessidade de independência e a sua nostalgia de reafirmação e dependência" (ABERASTURY e KNOBEL, 1981, p. 18). Ao mesmo tempo em que o adolescente exige uma vigilância dos pais se mostrando dependentes, por outro lado, o mesmo deseja livrar-se do contato com pais para afirmar  sua  independência.  Entretanto,  para os mesmos autores:

"a liberdade para eles é muito  mais que o fato de receber de seus  pais a chave da casa ou, inclusive, um apartamento para viverem sós. Sabem que há outra liberdade que envolve que envolve a cada um deles e a toda uma comunidade de jovens" (ABERASTURY e KNOBEL,   1981,  p. 21)

Portanto, pode-se perceber que além dessa liberdade superficial, o jovem (principalmente no início da adolescência) busca a liberdade de ser reconhecido e levado a sério. O adolescente necessidade de aprovação, de ser respeitado na  sua procura desesperada de sua  ideologia,   suas crenças,  sua vocação.

2.2 O Luto na adolescência ocidental.

Seguindo as ideias de FERREIRA, J et al., pode-se dizer que “O luto é o período subsequente à perda, cujo objetivo é a adaptação, é o indivíduo adaptar-se emocionalmente a essa perda.” (FERREIRA J., SILVA S., OLIVEIRA P., CARVALHO, E. p. 2). Portanto, esse luto não se caracteriza, apenas, pela perda de um ente querido, pois também pode estar relacionado à bifurcação com algum objeto ou fase da vida. A ruptura de uma fase, ou mudanças na memória de valores emocionais projeta o luto  como  parte de um processo  mental.

É necessário perceber que existem várias modalidades e intensidades de lutos. O luto pode está relacionado à morte e a separação, como pode estar ligado a uma adaptação do indivíduo a uma nova realidade ou pode também está relacionado a expectativas que não foram supridas. Dessa forma, é possível perceber que esse processo sempre estará presente na vida do homem já que cada etapa do desenvolvimento humano é marcada por mudanças que nos deixam desalojados, dando assim um  sentido  de perda e requerendo  uma  pausa  para a vivência   do luto.

Conforme o supracitado estudo, pode-se perceber que o adolescente passa constantemente por estados de desequilíbrios extremos enquanto busca consolidar sua identidade. O adolescente, ao tempo que deseja entrar no mundo adulto, teme cortar para sempre o laço de sua condição infantil, começando assim um período de incertezas e dúvidas que o leva a vários questionamentos sobre a sua vida. Segundo Aberastury (1989), o jovem desenvolve uma nova forma de se relacionar com os pais e com o mundo graças a um lento e doloroso processo de luto pelo corpo da criança, por sua identidade infantil e pela relação com os pais da infância. Relacionado a essa compreensão,  Jeammet,  citado  por Alberti:

“a adolescência tem uma potencialidade traumática, no sentido freudiano do termo, que diz respeito à possibilidade de o eu ver  seus processos de elaboração e de organização  saturados  pela  tarefa  a realizar. [...] A adolescência funciona  como  um formidável processo de desintrincação e de risco de ruptura no sentimento de continuidade de si. Distância entre a representação de si criança e a necessidade de integrar um novo corpo sexuado, que conduz ao luto da onipotência bissexual e à obrigação de alcançar suas escolhas identificatórias.” (JEAMMET apud ALBERTI,   1999, p.25)

Aberastury e Knobel no livro "Adolescência Normal" (1981) conseguem diferenciar quatro tipos de lutos principais que estão presentes na adolescência, dentre eles estão:

2.2.1 O luto pelo corpo infantile

Por conta de uma sequência de modificações biológicas no corpo do pré- adolescente, o jovem, percebe-se obrigado a observar passivamente a essas mudanças levando, muitas vezes, a um sentimento  de impotência  a natureza  de sua  realidade.

Dessa forma,  Aberastury  e Knobel notificam   que:

"A despersonalização do adolescente implica uma projeção na esfera de uma elocubração altamente abstrata no pensamento e explica a relação lábil com objetos reais, que rapidamente perde, paulatina e progressivamente o seu corpo infantil."  (ABERA STURY  e KNOBEL,   1981,  p. 81).

Em outras palavras, a descaracterização da criança que começa a mudar em aspectos físicos, psicológicos e sociais projeta ao indivíduo um momento de reflexão e elucida a dificuldade da relação do adolescente com o que é real ao ponto que, gradativamente o adolescente  sente  que está perdendo  o seu corpo infantil.

2.2.2 O luto pelo papel e a identidade infantil.

Quando ocorre a mudança da fase infantil para a adolescência, o indivíduo se sente perdido em relação a si mesmo, pois não reconhece mais a sua identidade. Ao mesmo tempo encontra-se desesperado a procura de uma identidade que se adeque as suas ideologias   e muitas   vezes,  conforme  apresenta  Aberastury  e Knobel:

"Nesta busca de identidade, o adolescente recorre às situações que se apresentam como mais favoráveis no momento. Uma delas é a da uniformidade, que proporciona segurança e estima pessoal" (ABERASTURY e KNOBEL,  1981,  p. 32).

Entretanto, nem sempre as situações mais favoráveis são as melhores. Muitas vezes, o jovem se sente tão pressionado a definir sua identidade que acaba optando por situações de risco.  Por conta dessa pressão,  muitos  escolhem uma  identidade negativa, de uma pessoa rebelde e desagradável (ABERASTURY e KNOBEL, 1981), pois para alguns adolescentes "É preferível ser alguém perverso, indesejável do que não ser nada" (ABERASTURY  e KNOBEL, 1981).

2.2.3 O luto pelos pais da infância

O luto pelo desligamento com as autoridades dos pais da  infância  é doloroso, ao ponto que o adolescente muitas das vezes se sente desamparado, tornando mais difícil esse processo de desligar-se dos pais. Nessa perspectiva, Domingues M., Domingues T. e Baracat (2009) apontam que, alguns jovens, por conta da dificuldade de mudar a postura infantil com seus pais, preferem ficar ligados a eles, pois não suportam a ideia  de ter que abrir  mão da ternura   parental.

Para conseguir se desligar dessa identidade, como refúgio os jovens acabam procurando apoio entre si e começam a criar seus grupos de acordo com seus ideais. Nesse sentido, Dantas  N. confirma  que:

“A adolescência caracteriza-se por quebras dos ideais infantis, do corpo infantil, do amor dos pais; luto do que não pode ser mais sustentado como verdade. Daí a importância dos grupos de jovens, os quais acolhem adolescentes através do reconhecimento mútuo daquilo que estão vivenciando” (DANTAS, N. 2002 p. 12).

Dessa forma, o grupo de amigos se torna uma espécie de confessionário de angústias, onde há um apoio mútuo. Sendo assim, nesse processo juntos se sentem mais fortes  e torna-se mais  fácil  o desligamento   com os pais  da infância.

2.2.4 O luto pela bissexualidade infantil

Nesse processo, o adolescente se sente desconfortável e pressionado a estabelecer uma identidade sexual, começa então a assumir uma postura de homem ou mulher. O jovem procura uma estabilidade de sua personalidade numa esfera genital (ABERASTURY e KNOBEL, 1981).

Para Albert,  é possível  observar que:

“A partir do momento em que o sujeito, saído da infância, se depara com o real do sexo, a puberdade é o próprio encontro mal sucedido - traumático com este real. O real do sexo é por definição algo que jamais poderá ser simbolizado, deixando o sujeito - em linguagem do senso comum - sem palavras” (ALBERTI, 1999, p.26).

Em outras palavras, pode-se confirmar que o período da adolescência é o momento em que o indivíduo depara-se com o sexual, entretanto não somente do sexo genital,  mas  da  noção  exigida pelo  meio  social para o papel de  homem e  mulher que exige do jovem um posicionamento sobre assumir sua nova postura sexual de acordo com os estímulos   inconscientes   que  determinam  essa escolha.

Muitas vezes, essa dura realidade acaba obrigando o adolescente a fantasiar e intelectualizar    para defender-se  da pressão encontrada  em sua realidade.

"A necessidade que a realidade impõe de renunciar o corpo, ao papel e aos pais da infância, assim como à bissexualidade que acompanha infantil. [...] obriga também o adolescente a recorrer ao pensamento para compensar as perdas que ocorrem dentro de si mesmo e que não pode evitar" (ABERASTURY e  KNOBEL,  1981,  p. 39).

Essa fuga intencional da realidade permite ao adolescente um ajustamento emocional que elicia um processo de intelectualização, que encaminha o jovem a pensar sobre questões filosóficas, éticas e sociais que, provavelmente levará o jovem para um caminho completamente contrário a vida que ele levara. O jovem começa a querer reformar as questões do mundo exterior que progressivamente se torna mais oposta ao seu mundo  interno  (ABERASTURY  e KNOBEL,  1981).

3. Metodologia

Metodologia caracteriza-se por ser composta pelo método hipotético-dedutivo, com objetivos exploratórios e descritivos, de caráter bibliográfico, que para Gil (2002) “é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”. Possui uma natureza básica, ou seja, sem finalidades imediatas e quanto a abordagens utilizou-se o método hipotético-dedutivo que para o filósofo  Popper, a partir  das hipóteses  formuladas  deduz-se a solução  do problema.

3.1 Interpretação  das informações

Quando aos métodos, primeiramente elegeu-se a consulta de variadas bibliografias sobre a temática abordada através do levantamento de dados em: artigos, livros, monografias etc., realizando-se em respeitadas bases de dados científicos disponíveis na internet, com acesso gratuito como, por exemplo,  Scielo (www.scielo.br),  Google Acadêmico, (https://scholar.google.com.br/)  e Pepsic  (www.pepsic.bvsalud.org)  entre  outros.

Em seguida foi feito uma leitura dos resumos sobre o assunto nas diversas fontes citadas acima e depois foi realizada uma análise deste conteúdo para então selecionar os conteúdos acerca dos lutos fundamentais da adolescência ocidental por uma perspectiva psicanalítica.  Os conteúdos  foram selecionados  de  acordo  com sua importância para a problemática em questão, embora alguns sejam mais antigos,  ainda se encaixam na realidade exigida no presente trabalho, vindo assim contribuir para o referenciado  estudo.

4. Considerações Finais

Tendo em vista esse complexo processo de desligamento de dois mundos completamente diferentes, percebeu-se necessário que o adolescente permita-se vivenciar esses lutos fundamentais, pois, esses processos proporcionam ao indivíduo um momento de introspecção que promove um ajustamento de si e de amadurecimento  da personalidade  do adolescente.

Tendo como alicerce os dados bibliográficos analisados e discutidos, pôde-se identificar os principais tipos de lutos presentes na adolescência ocidental e como esses interferem no processo de desenvolvimento humano da fase juvenil para adulta. Por conta disso, concluo que para construção de um adulto maturo e equilibrado é necessário que, enquanto adolescente, o indivíduo vivencie da forma mais adequada esses processos.

Além disso, notou-se que o adolescente deve perscrutar essa estrada de crescimento pessoal que abrange perceber o mundo com sua própria visão unida as perspectivas de outrem. Por fim, percebeu-se também a importância dos grupos de adolescentes como um porto seguro onde há um apoio e compreensão mútua da realidade  que estão  experimentando.

Sobre os Autores:

Mayara de Oliveira Ferreira - Aluna do curso de psicologia da faculdade Vale do Salgado/FVS

Sandra Mary Duarte - Prof. da Faculdade Vale do Salgado. Psicóloga, Mestre em Ciências da Educação na Universidade Trás - os-Montes e Alto Douro – Portugal, Especialista em Gestão e Pedagogia

Lielton Maia Silva - Prof. da Faculdade Vale do Salgado. Psicólogo, Especialista em Psicologia da Saúde.

Referências:

ABERASTURY A., KNOBEL M., Adolescência normal. Porto Alegre: Artmet editora, 1981.

ALBERTI, S. Esse sujeito adolescente. Rio de Janeiro: Rios Ambiciosos, 1999. CARVALHO, ALYSSON et al. Adolescência. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002. DANTAS,  N. ADOLESCÊNCIA  E PSICANÁLISE:  Uma  possibilidade teórica. Recife – PE, 2002. Disponível em: < http://www.unicap.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=84> Acessado em: 12 de fevereiro de 2015.

DOMINGUES,  M., DOMINGUES,  T., BARACAT,  J. (2009) Uma leitura psicanalítica da adolescência: mudança e definição. Revista científica eletrônica de psicologia– issn: 1806-0625 Ano VII – Número 12 – maio de 2009 – Periódicos Semestral. Disponível  em: http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/Q311xFKbubqXqki_2013-5-13-12-49-37.pdf). Acessado  em: 12 de fevereiro   de 2015

FERREIRA J., Perda e luto na infância: O desvínculo e suas consequências na formação do psiquismo. Curso de Psicologia – Faculdades Integradas de Ourinhos – FIO/FEMM. Disponível em: <http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/polemica/article/viewFile/2792/1906> Acessado em: 12 de Fevereiro  de 2015.

GARRITANO E., SADALA, G. 2010 O adolescente e a cultura do corpo: uma visão psicanalítica. Polêm!ca, v. 9, n. 3, p. 56 – 64, julho/setembro  2010.  Disponível    em: <http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/polemica/article/viewFile/2792/1906>. Acessado  em: 12 de fevereiro   de 2015.

GIL.  A. C. Como  elaborar  projetos  de pesquisa. 4. ed. São Paulo:  Atlas, 2002.

MATHEUS T. (2008) Quando a adolescência não depende da puberdade. Rev. Latinoam.   Psicopat.  Fund.,  São Paulo,  v. 11, n. 4, p. 616-625, dezembro  2008 Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rlpf/v11n4/v11n4a08.pdf>. Acessado em:  12 de fevereiro   de 2015.

PEREIRA, E., PINTO, J. Adolescência: Como se faz? – apontamentos sobre discursos, corpos e processos educativos. Fazendo Gênero. Goiânia:  Grupo Transas do Corpo, ano VII, n.17, jul./out.   2003. Disponível   em: <http://www.proec.ufg.br/revista_ufg/juventude/adoles.html>. Acesso em 14 de Fevereiro  de 2015.