Resumo: Este trabalho investigou como a mãe que trabalha percebe a sua ausência na relação com os filhos, quais seus sentimentos, suas crenças e alternativas para lidar com a situação. Foi utilizado como método de coleta de dados uma entrevista e um questionário. Participaram da pesquisa 11 mães que exerciam atividade remunerada com vínculo empregatício numa clinica cardiológica. Com a entrada da mulher no mercado de trabalho se estabeleceu a necessidade de conciliação da maternidade com as atividades profissionais, gerando a ausência da mãe na rotina do filho e a necessidade de lidar com sentimentos decorrentes desta situação. Os dados demonstraram, sentimentos como culpa e ansiedade em algumas mães, enquanto outras conseguem lidar com maior facilidade com a situação. Constatou-se que, mesmo sendo difícil para algumas mães ficar longe do filho a maioria não se dedicaria somente à maternidade, caso tivesse esta opção. Verificou-se que, do trabalho emerge um sentido de realização, bem como de necessidade financeira, mas o foco dessas mães está em conciliar trabalho e maternidade, pois considera que uma esfera não interfere na outra, mas que favorece o desenvolvimento de habilidades que não possuíam antes de ter um filho, o que possibilita a percepção de que neste cenário, o trabalho e a maternidade são entendidos como complementares.

Palavras-chave: Mulher, Trabalho, Maternidade.

1. Introdução

Conforme a constituição da identidade de homens e mulheres ao longo da história, o vínculo destes com o trabalho foi se fundindo de uma maneira singular. Inicialmente, o trabalho estava relacionado com a busca por alimento, que era realizada exclusivamente pelo homem. Se de um lado o homem deveria prover o sustento da prole de outro, a mulher era responsável pelos cuidados dos filhos e da casa (KNEBEL; MUNHOZ, 2009).

No entanto, a relação do homem com o trabalho veio sendo ao longo da história reforçada pelas diversas necessidades que essa relação supre e até mesmo impõe. Borges e Yamamoto (2004) descrevem que o homem passou do trabalho escravo, que era estritamente braçal para o trabalho industrial, proveniente de uma era capitalista que trouxe uma demanda de novas formas de trabalhar e se relacionar com o trabalho.

Dessa forma, a mulher que até então se concentrava nos cuidados com o lar e a família passou a fazer parte da classe operária no setor industrial. Conforme afirmam Knebel e Munhoz (2009); Probst e Ramos [entre 2005 e 2012), o cenário das indústrias que era prioritariamente masculino passou a ser desbravado pelas mulheres em função da primeira e da segunda guerra mundial, pois com um grande número de homens convocados para a guerra e devido aos sobreviventes dos confrontos terem ficado com sequelas que dificultaram sua permanência no mercado de trabalho, a mulher precisou suprir a necessidade  de trabalhadores, assim como prover o sustento da família.

No entanto, a elas eram reservadas atividades pouco valorizadas e que rendiam valores muito baixos quanto à remuneração, sendo o trabalho destinado apenas às mulheres de classes mais baixas que necessitavam complementar o sustento da família (PINTO; GARCIA, 2011). Em contraponto, as mulheres que vinham de classes mais abastadas mantinham o ideal de cuidadora do lar e mãe zelosa, dedicadas excepcionalmente à criação e educação dos filhos (KNEBEL; MUNHOZ, 2009).

Segundo Probst e Ramos [entre 2005 e 2012] deve-se a I e a II Guerras Mundiais o inicio da mulher em atividades remuneradas, pois diante da necessidade dos homens lutarem no fronte de guerra, as mulheres tiveram que passar a dirigir os negócios familiares, assim como preencher as vagas que ficaram pendentes no mercado de trabalho. O sistema capitalista teria contribuído também para a utilização da mão-de-obra feminina à medida que trouxe várias mudanças tanto para a produção quanto para a forma como o trabalho da mulher era organizado, tendo o desenvolvimento das tecnologias contribuído para que o  trabalho feminino fosse utilizado nas fábricas.

A ascensão da mulher no mercado de trabalho atualmente é percebida em inúmeros países, inclusive em cargos de direção nas empresas.

[...] Segundo alguns analistas, esse processo tem origem na falência dos modelos masculinos de processo civilizatório. Talvez seja verdade. Os homens, tidos como superiores, promovem guerras, realizam atentados, provocam tumultos nos estádios, destroem o meio ambiente [...] (PROBST; RAMOS [entre 2005 e 2012] p. 3).

Desse modo, entende-se que já não basta a força física, mas uma mente pensante que possa buscar alternativas mais eficazes para as questões que surgem no mundo moderno. Pode-se afirmar, no entanto, que a realidade das mulheres foi sendo reescrita ao longo da história. Para a mulher do século XXI o trabalho vem se relacionando com o prazer pela independência financeira e pelo desejo de autonomia que surge em consequência de uma atividade remunerada. Embora para algumas trabalhar ainda seja uma questão de prover ou contribuir com o sustento da família (PINTO; GARCIA, 2011; FABBRO; HELOANI, 2006).

Contudo, as mulheres do século XX e XXI, assemelham-se no que diz respeito a ter que contribuir com o sustento da casa e continuar exercendo a maternidade e cuidando do lar, resultando no acúmulo de papéis (KNEBEL; MUNHOZ, 2009; PROBST; RAMOS [entre 2005 e 2012]). Em outras palavras, ao término da jornada de trabalho fora de casa, deve-se voltar ao lar para cumprir com os deveres de mãe, esposa e executar as atividades domésticas.

Segundo dados do IBGE (2010), no ano de 2009 havia cerca de 35,5% de mulheres trabalhando formalmente e 30,9% informalmente, enquanto 3,6% das mulheres empregavam mão-de-obra. No entanto, uma nova pesquisa do IBGE (2012) aponta que o número de mulheres trabalhando aumentou para 45,4%, em 2011. Embora a fonte não diferencie entre trabalho formal e informal é possível comparar com os dados do trabalho formal, já que a informação refere-se ao número de mulheres ocupadas, considerando a relevância da pesquisa. Já uma pesquisa divulgada pelo IBOPE (2012) sobre consumo de serviços e mídias revelou que 57% das mulheres no Brasil são mães; dessas, 36% são chefes de família e 37% não tem um companheiro. Esse fator pode impactar na decisão da mulher entrar ou permanecer em atividades laborais. Segundo artigo publicado pelo Portal Fundação Carlos Chagas (2007, p. 1):

[...] O trabalho das mulheres não depende tão somente da demanda do mercado e das suas qualificações para atendê-la, mas decorre também de uma articulação complexa de características pessoais e familiares. A presença de filhos, associada ao ciclo de vida das trabalhadoras, á sua posição no grupo familiar – como cônjuge, chefe de família etc -, á necessidade de prover ou complementar o sustento do lar, são fatores que estão sempre presentes nas decisões das mulheres de ingressar ou permanecer no mercado de trabalho [...].

De acordo com esses dados, é evidente o aumento no número de mulheres que vem mantendo uma atividade profissional juntamente com a maternidade. No entanto, deve-se levar em conta que esse acúmulo de papéis pode gerar uma sobrecarga desencadeadora de estresse e sofrimento psicológico para a mulher, em decorrência dos sentimentos ambíguos que emergem dessa busca pela conciliação dos papéis de mãe e profissional (OLIVEIRA et al., 2011; FABBRO; HELOANI, 2006).

1.1 A História da Maternidade e do Trabalho na Vida da Mulher

Tanto as concepções de trabalho quanto de maternidade foram mudando ao longo dos tempos. Se ser mãe era constituinte da identidade feminina no século passado, manter um trabalho remunerado era símbolo de degradação para as mulheres. Pois a elas cabia a função de reproduzir e não de produzir, a mulher deveria cuidar da casa, dos filhos e tomar conta das demais atividades de organização, limpeza e cuidados com o lar, enquanto o marido deveria prover suprimentos para a família (PINTO; GARCIA, 2011).

Segundo Fabbro e Heloani (2006, p. 36) “Para compreender os múltiplos aspectos que implicam o ser mãe é necessário pensar a maternidade como um dado não só biológico, mas também relacionado a aspectos culturais, socioeconômicos e subjetivos, historicamente situados [...]". Dessa forma, é possível verificar que os sentidos atribuídos à maternidade variam tanto no tempo quanto na cultura.

Em algumas comunidades nativas a maternidade era renegada pelas mulheres indígenas, embora em outras fosse tratada com um enfoque diferente, sendo possível perceber que o valor atribuído à maternidade variava de acordo com cada cultura. Pinto e Garcia (2011) relatam que enquanto as mães da tribo Tupi carregavam os filhos para a localidade em que o trabalho seria realizado, para amamentá-los, havia mães da tribo Caetés que eram percebidas como sem afeto pelos filhos e isentas de cuidados com os mesmos, chegando a jogá-los em rios quando estes choravam. Situação semelhante percebia-se com as mães da Tribo Tupinaés, quando os maridos destas estavam doentes, elas matavam os filhos recém- nascidos baseadas na crença que o marido pudesse melhorar.

O desapego na criação dos filhos é citado também por Fabbro e Heloani (2006), um modismo vindo da França no inicio do século XVIII teria sido aproveitado pelas famílias burguesas. A criança ao nascer era enviada para ser cuidada por uma ama, que, inclusive, amamentava-a e caso esse filho viesse a óbito não haveria motivos para muito sofrimento, pois logo nasceria outro.

Somente com a reforma Protestante passou-se a ter mais cuidado com a criança que passou a ter mais atenção dos pais e da família. Nesse período iniciou-se o processo relacional de mãe-filho em que a criança passa a ser o foco central para a mãe. A Psicanálise contribuiu consideravelmente para que a noção de boa mãe se estabelecesse e a criança recebesse mais atenção da figura materna, pois essa corrente afirmava que uma mulher que tivesse tido uma mãe desequilibrada na infância, provavelmente seria uma pessoa adulta com dificuldades em se perceber feminina e aceitar a maternidade (FABBRO; HELOANI, 2006).

Segundo Knebel e Munhoz (2009); Fabbro e Heloani (2006) é necessário fazer uma leitura da maternidade dentro do contexto em que está sendo considerada, o que inclui o tempo, as condições sociais e econômicas e afetivas. Pois, conforme comentam Fabbro e Heloani (2006) na fase de transição entre os séculos XIX e XX a maternidade passou a ser simbolizada como fonte de sofrimento e sacrifício, o que aos olhos da igreja cristã favoreceria que a mulher chegasse a santidade; dando sequência, dessa forma, a figura idealizada de mulher e reforçando a importância desta continuar voltada para o espaço doméstico familiar, mas desta vez com mais proximidade do filho.

O fato é que, a maternidade nem sempre esteve relacionada com o afeto feminino e os cuidados da mãe que provê o sustento, a criação e a educação do filho, favorecendo seu bem- estar (PINTO; GARCIA, 2011). Portanto, reforça-se a necessidade de olhar para a história considerando os aspectos sociais, econômicos e físicos do espaço em que essa história se desenrolou, favorecendo ou não os sujeitos inseridos nesse contexto, pois a história e o sujeito se relacionam constituindo- se e influenciando um ao outro (FABBRO; HELOANI, 2006; PINTO; GARCIA, 2011; MOREIRA; NARDI, 2010). Dessa forma, a visão da mulher executando atividades remuneradas também veio sendo modificada ao longo do tempo.

Com o início da industrialização no Brasil em meados do século XIX, inicia-se a entrada da mulher na educação formal, que ainda assim consistia em educá-las para ser suporte do marido, o que incluiria o saber portar-se perante a sociedade e ser melhor no desempenho das atividades maternas e domésticas. Esse direito era dirigido somente às burguesas, pois as mulheres de classes mais baixas faziam parte do corpo de operários das indústrias, visando complementar a renda da família ou se sustentar (PINTO; GARCIA, 2011).

Neste contexto, essas mulheres aprenderam a lutar contra a imposição de regras e valores que as estereotipavam, contra os baixos salários, as funções pouco valorizadas e todas as formas de preconceito vivenciadas no interior do ambiente de trabalho, que incluíam assédio sexual e violência física, além de uma carga horária de 14 horas diárias ou até mais, num sistema precário e desvalorizante (RAGO, 2006).

Sendo que ao concluir seu turno de trabalhadora assalariada, deveria voltar para o lar e cumprir com a segunda jornada que incluía as atividades relacionadas ao ambiente doméstico, de esposa e mãe (PINTO; GARCIA, 2011; FABBRO; HELOANI, 2006; KNEBEL; MUNHOZ, 2009; PROBST; RAMOS [entre 2005 e 2012]).

Reivindicações de algumas classes de trabalhadoras começam a ser percebidas. De acordo com Knebel e Munhoz (2009, p. 22) “[...] Na segunda metade do século XIX a Europa e os EUA viram florescer uma mobilização que reivindicava à mulher o direito ao voto, ao estudo, a herança, a propriedade e ao trabalho remunerado, entre outros [...]”.

Porém, Rago (2006); Pinto e Garcia (2011) citam o Movimento Feminista que teria iniciado em 1848, na cidade de Nova Iorque e se estendido até o Brasil ao fim do século XIX. Segundo Giuliani (2006 apud PINTO; GARCIA, 2011, p. 22):

No fim dos anos 70, os movimentos das trabalhadoras começaram a produzir questionamentos e argumentações, com o propósito de reformular os valores já absorvidos pela sociedade, no que abrange as competências do sexo feminino, surgindo assim, de forma muito lenta, novos direcionamentos para essas mulheres.

Essa movimentação favoreceu a conquista de direitos trabalhistas e de proteção da previdência. Pinto e Garcia (2011) comentam que uma das primeiras publicações sobre os direitos das mulheres diz respeito à maternidade. Datado de 1932, um decreto sobre os direitos das trabalhadoras assalariadas a licença maternidade, confere a toda trabalhadora um recesso do trabalho para descanso no período de quatro semanas antes do parto e quatro semanas após, sendo que neste momento o valor pago à trabalhadora deveria corresponder a metade do valor que esta recebia mensalmente.

Segundo Brasil (2004) no manual de Direitos da Mulher, atualmente, entre as conquistas femininas estão, salário pago sem diferenciação de sexo, idade, cor ou estado civil, tendo o benefício de 1979 sido confirmado pelo Decreto no 4377, no ano de 2002. Licença- maternidade de 120 dias, remunerada com segurança de trabalho após o nascimento do filho, até o quinto mês deste, conforme Lei n0 10.421, de 2002, sendo a licença assegurada também para mães adotivas. Estabilidade no trabalho durante toda a gestação. Corroborando com essas informações, Pinto e Garcia (2011) informam que desde o ano de 2008 a licença maternidade foi estendida para até 180 dias para mulheres que trabalham no setor privado, mesmo sendo mãe biológica ou adotiva.

No entanto, as conquistas femininas em termos de direitos e benefícios previdenciários, assim como o avanço da mulher no mercado de trabalho, não somaram fatores excludentes da maternidade na realidade feminina. Segundo Fabbro e Heloani (2006) já nos anos 80 foi verificado que a mulher atribuía a mesma importância para a maternidade e o trabalho. Porém, a mulher do século XXI diferencia-se em alguns pontos da mulher do fim do século XIX, pois mesmo que continue acumulando tarefas e tentando conciliar maternidade, profissão e vida doméstica, cresce a perspectiva de ocupar cargos estratégicos e de alta responsabilidade nas organizações (PROBST; RAMOS [entre 2005 e 2012]; PINTO; GARCIA, 2011).

As mulheres brasileiras têm representado 41% da força de trabalho, e cada vez mais cedo vêm marcando seu lugar em altos cargos, assumindo a direção de empresas por volta dos 36 anos de idade, em média, conforme dados apontados numa pesquisa feita por uma empresa de recrutamento e seleção de executivos (PROBST; RAMOS [entre 2005 e 2012]). Essa porcentagem tende a se elevar, considerando que cada vez mais as mulheres estão em busca de colocação ou até mesmo recolocação no mercado de trabalho.

Segundo estatística do IBGE (2012), no ano de 2011, havia 825 mil mulheres  em busca de uma atividade remunerada. A mesma fonte revela ainda que no ano de 2011, a média de horas que as mulheres trabalharam foi de 39,2 horas semanais.

Dados do Portal Fundação Carlos Chagas (2007) apontam que o tempo que a mulher se mantém no mercado de trabalho tem se estendido cada vez mais, os índices mostram que no ano de 1970 cerca de 19% e 15% das mulheres com idades que correspondiam a faixa etária de 40 a 49 anos e 50 a 59 anos estavam trabalhando, tendo esse número se elevado para 70% e 53% respectivamente no ano de 2007.

No entanto, as mulheres têm avançado profissionalmente até mesmo em cargos que eram prioritariamente dominados pelos homens. De acordo com Berteli, Tumelero e Lazarin (2010) para as mulheres vêm havendo uma expansão nas possibilidades de trabalho em profissões que são consideradas mais prestigiadas, como a medicina, o direito, a engenharia e os cargos de chefia; embora as mulheres continuem como maioria em alguns cargos como o de serviços pessoais, administração pública, serviços de saúde e comunitários, além de executar os trabalhos comunitários.

Contudo, a estadia ou entrada da mulher no mercado de trabalho tem vários fatores. Pinto e Garcia (2011) comentam que isso pode acontecer tanto para favorecer uma realização pessoal, como independência financeira e prazer em executar uma atividade remunerada, como para completar a renda da família ou até mesmo para sustentar a família.

1.2 Impacto do Trabalho na Maternidade

O fato de procurar um trabalho remunerado pode ser uma forma de encontrar um sentido para a própria existência (FABBRO; HELOANI, 2006). Visto que a maternidade por si só não mais constitui a identidade feminina. O que difere do inicio do século passado, onde as mulheres tinham um valor relacionado exclusivamente à criação dos filhos, assim como com as atividades domésticas (PINTO; GARCIA, 2011).

De acordo com Oliveira et. al. (2011, p. 272) “[...] A relação entre maternidade e trabalho exige que a mulher tenha que lidar com uma multiplicidade de papéis que, por sua vez, podem ser fonte de ansiedade”. Uma vez que ao estar ausente de um convívio mais próximo com o filho a mulher mãe tende a se sentir culpada e em alguns casos questiona a capacidade de exercer a maternidade (MOREIRA; RASERA, 2010).

Moreira e Nardi (2010); Scorsafava [entre 2005 e 2012] tem um consenso quanto ao impacto do trabalho na maternidade, compartilham a idéia que o trabalho afeta a forma como a maternidade será vivenciada pela mulher. Moreira e Nardi (2010) comentam que o fato de trabalhar fora faz com que a mulher seja mãe de uma forma diferente; já Scorsafava [entre 2005 e 2012] cita que o trabalho invade o espaço familiar, interferindo no vínculo mãe e filho.

Para Oliveira et al. (2011); Moreira e Nardi (2010); Scorsafava [entre 2005 e 2012] mesmo que o trabalho seja fonte de gratificação para a mulher, ela se percebe afetada quanto às possibilidades de vivenciar a maternidade de forma integral, já que necessariamente precisa administrar o seu lado profissional. Pois, considera-se que as atividades externas ao ambiente doméstico implicam na redefinição dos horários e numa nova perspectiva sobre a forma como a mulher vinha exercendo os papéis anteriores à entrada no mercado de trabalho.

Se por um lado é crescente a inserção da mulher no mercado de trabalho, por outro, há a necessidade de olhar para essa mulher enquanto sujeito multitarefa que precisa criar alternativas de adaptação após a maternidade para conciliar o pessoal e o profissional. De acordo com Oliveira et al. (2011) o trabalho altera a forma como os relacionamentos são vivenciados na família, em função da carga horária e até do estresse que impactam qualitativamente na relação entre mãe e filho.

Contudo, numa pesquisa realizada por Possatti e Dias (2002) foi verificado que as mulheres que mantinham um trabalho remunerado encontravam mais alternativas para lidar com situações estressantes, em comparação às mulheres que somente se dedicavam a maternidade. Embora Moreira e Rasera (2010); Scorsafava [entre 2005 e 2012] citem que o esperado para a mulher que assume a maternidade, ainda é que esta se dedique a criança se colocando como a pessoa exclusivamente responsável pelos cuidados com o filho, sendo que ao decidir manter uma atividade fora do lar afloram sentimentos de culpa, ansiedade, angústia e preocupação.

Há que se considerar que essa concepção de mãe presente e dedicada unicamente ao filho está atrelada a imagem de mulher doce e devotada ao lar. “Pensamos que o tornar-se mãe está sempre sendo associado a uma pedagogia do cuidado, representada pela necessidade de docilização que essas mulheres são incitadas a apresentar [...]” (MOREIRA; NARDI, 2010, p. 192). Dessa forma, a maternidade não deveria ser afetada por qualquer atividade externa, nem mesmo o trabalho, visto que o impacto que o trabalho causa na maternidade está associado, em partes, pela ausência da mãe enquanto profissional que precisa se ausentar de um convívio mais próximo com o filho em função das suas atividades. Porém, Scorsafava [entre 2005 e 2012] comenta ser possível verificar que, apesar dos conflitos decorrentes da tentativa de conciliação da maternidade com um trabalho assalariado, há mulheres que atingem um nível de satisfação e realização pessoal e profissional.

A satisfação de manter uma atividade remunerada pode estar inclusive, no fato do trabalho ser um meio que a mulher pode utilizar para preencher o espaço deixado pela entrada do filho na escola ou pela independência que este vai conquistando ao longo do tempo, não necessitando mais dos cuidados exclusivos da mãe (LOSADA; ROCHA-COUTINHO, 2007). É necessário ainda considerar que a mulher não acata mais somente a função de mãe, assim como, as conquistas femininas não excluem a maternidade da sua vida, o que existe é um real desejo de conciliar o papel de mãe e de profissional.

1.3 O Papel do Psicólogo Organizacional

Nesse contexto, faz-se importante a participação do psicólogo, pois conforme citam Zanelli e Bastos (2004) o objetivo da Psicologia na organização é intervir promovendo o bem- estar, a saúde mental e favorecendo o desenvolvimento de relações saudáveis. Assim, a Psicologia, é uma ponte entre a empresa e a trabalhadora, e atua de forma a favorecer o diálogo entre ambas as partes, com equidade.

Portanto, o trabalho do psicólogo na organização com mães trabalhadoras, passa a ser um agregador de alternativas para o enfretamento destas em relação aos seus conflitos. Conforme propõe Spector (2010) as atividades do psicólogo organizacional, dizem respeito tanto à ordem psicológica, quanto a social do individuo, e cabe ao psicólogo organizacional avaliar e adequar o sistema em que o sujeito está inserido enquanto trabalhador, a fim de propiciar que sua integração ao esquema organizacional seja eficaz o suficiente para produzir os resultados esperados. Borges e Yamammoto (2004) citam ainda, que é fundamental que o psicólogo possa entender as formas em que o trabalho é concebido pelos sujeitos uma vez que cada sujeito confere ao trabalho uma significação própria.

Deste modo, é necessário compreender de que forma essa mulher-mãe percebe o seu trabalho e a maternidade e internaliza esses significados visto que, esse momento de distanciamento do filho para estar presente no trabalho é motivo de angústia e culpas. Sendo que a mulher deseja tanto ser presente na vida familiar quanto dedicar-se mais tempo às atividades profissionais. De um lado, ao ser mãe é preciso comprometer-se, assumir as responsabilidades, amar, doar-se e ter energia física e mental, enquanto para o trabalho é fundamental ter garra, determinação e desligar-se do contexto pessoal. Esta condição tende a gerar importantes conflitos internos nas mães que trabalham (SCORSAFAVA [entre 2005 e 2012]).

Assim sendo, é uma das tarefas do psicólogo organizacional se fazer presente para que essas situações de dificuldades das trabalhadoras afetem o menos possível o resultado da mulher enquanto profissional. Assim, Silva (2007) aponta a necessidade do psicólogo organizacional compreender as reais necessidades dos colaboradores e atender a demanda da organização sabendo que é necessário acompanhar as pessoas que estão inseridas nesse ambiente de trabalho, porque é dessa atuação primorosa que percebe-se as principais dificuldades, os receios, as frustrações e os conflitos.

2. Método

A pesquisa foi realizada entre o fim do mês de agosto e início de setembro de 2012, tendo participado 11 mulheres com idades que variavam de 20 a 45 anos; moradoras da cidade de Blumenau. Todas as participantes tinham pelo menos um filho na faixa de 0 a 17 anos de idade, e possuíam vínculo empregatício com uma clinica cardiológica da mesma cidade. A idade foi definida em função da participação dos colaboradores da clínica, com a condição dos filhos serem menores de idade. As funções das participantes na empresa variavam, 46% das mulheres pertenciam ao setor administrativo, 27% exerciam atividades de auxilio aos médicos da clinica e atendimento ao público e 27% das participantes tinham um cargo de liderança.

Como método de inclusão/exclusão na pesquisa adotou-se a faixa etária dos filhos e as participantes deveriam ter vínculo empregatício com a clínica em questão. A participação dos filhos foi vetada; pois a temática era voltada total e exclusivamente para as mães. Contudo, é importante esclarecer que não foram considerados como parâmetros para a participação ou não na pesquisa cor de pele, etnia, estado de saúde, classe e grupo social.

O presente estudo é de natureza qualitativa, descritiva e do tipo exploratória. Os dados foram coletados através de entrevista semi-estruturada onde os principais temas abordados foram: sentimentos da mãe com relação à ausência no convívio com o filho para trabalhar, sentimentos relacionados com o fato de deixar o filho aos cuidados de terceiros, descrição dos momentos vividos entre mãe e filho, sentimentos com relação ao que o filho sentia pela mãe estar ausente, percepção sobre diferenças no rendimento profissional após a maternidade.

Foi aplicado ainda um questionário abordando questões relacionadas à: percepção das mães sobre a interferência do trabalho no exercício da maternidade e interferência da maternidade no trabalho, averiguação se a mãe percebia que o filho sentia a sua falta e se o vínculo entre mãe e filho poderia ser melhor se a mãe fosse mais presente, percepção da mãe sobre diferenças no desenvolvimento do filho pelo fato dela exercer uma atividade remunerada, tranqüilidade da mãe decorrente do fato de poder manter contato com o filho enquanto está no local de trabalho e de conseguir executar suas tarefas sabendo que o filho estava bem cuidado, equilíbrio dos papéis de mãe e profissional, cobranças internas da mãe sobre estar ausente.

Ambos os instrumentos foram submetidos e aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Pessoas, sob o número de protocolo 73/2012. A interpretação dos dados foi realizada através da disposição em tabela e dos dados qualitativos através de categorização das respostas às perguntas.

Os instrumentos de pesquisa foram aplicados no próprio local de trabalho das mulheres. A data foi combinada com a gestão local, tendo sido reservada para cada entrevista individual o tempo equivalente a uma hora. O questionário foi preenchido coletivamente, sendo que as mulheres deveriam assinalar a que faixa etária correspondia à idade dos filhos. As questões tinham como opção de resposta as alternativas “sempre, quase sempre, raramente, nunca” e “concordo totalmente, concordo em partes, discordo em partes, discordo totalmente”.

As mulheres foram convidadas a participar da pesquisa e informadas que se tratava de um trabalho exclusivamente acadêmico, receberam informações sobre como aconteceria o processo bem como sobre o sigilo de suas identidades, desta forma foi atribuído a cada uma um nome fictício na discussão dos comentários.

Tendo sido sanadas todas as dúvidas e o convite aceito para participar de livre e espontânea vontade, as mulheres assinaram um termo de Consentimento Livre e Esclarecido e foram informadas que poderiam desistir da pesquisa caso não mais se sentissem a vontade para continuar.

Antes de iniciar a entrega das folhas com as questões às participantes, elas foram orientadas sobre o modo de preenchimento e relembradas que a participação era de livre e espontânea vontade, bem como sobre a possibilidade de desistir caso preferisse não dar continuidade. As mulheres foram informadas ainda sobre a próxima etapa, que seria o questionário.

Contudo, é importante comentar que no contexto deste trabalho a entrevista foi entendida como um meio de compreender e analisar os aspectos investigados. Conforme Tavares (apud PINTO; GARCIA, 2011, p. 43) “Em Psicologia, a entrevista clínica é um conjunto de técnicas de investigação, com tempo delimitado, guiado por um entrevistador, que utiliza conhecimentos psicológicos, em uma relação profissional, com o objetivo de descrever e avaliar aspectos relacionais [...]”. Considera-se, no entanto, que no momento da entrevista estabelece-se uma relação entre entrevistado e entrevistador, o que favorece a captação de dados e o entendimento sobre sentimentos e situações.

Para Bowditch e Buono (2004), a entrevista é um meio mais direto que o questionário e proporciona uma percepção mais aprofundada sobre dados subjetivos. Em contrapartida, o questionário é o meio mais usado para a coleta de dados em pesquisas atualmente. “[...] As pesquisas através de questionários são particularmente úteis para o estudo das atitudes, crenças e valores de uma população específica [...]” (BOWDITCH; BUONO, 2004, p. 33). Assim sendo, o uso tanto da entrevista como do questionário, nessa pesquisa foram empregados visando que um complementasse as informações do outro, facilitando um melhor entendimento dos dados obtidos.

3. Resultados e Discussão

Essa pesquisa possibilitou verificar que a percepção das mães que trabalham sobre a sua ausência na relação com o filho corrobora a literatura de (MOREIRA; NARDI, 2010; LOSADA; ROCHA-COUTINHO, 2007; OLIVEIRA et al., 2011; MOREIRA; RASERA, 2010; PROBST; RAMOS, [entre 2005 e 2012]; PINTO; GARCIA, 2011;   KNEBEL; MUNHOZ, 2009; POSSATTI; DIAS, 2002).

Em termos teóricos, pode-se perceber que a relação Mulher e Trabalho ou Mulher e Maternidade é mais explorada que a relação Mulher, Maternidade e Trabalho, fato que não limitou a analise dos dados da pesquisa, uma vez que quaisquer dessas relações citadas complementariam as informações coletadas.

Antes de dar inicio a analise dos dados é necessário esclarecer que o termo  percepção é entendido neste trabalho com uma conotação subjetiva. Conforme Soto (2005, p. 65) “A percepção se refere ao processo ativo de perceber a realidade e organizá-la em interpretações [...]”. Dessa forma, cada sujeito atribuirá sua forma peculiar de perceber as situações em determinados acontecimentos e momentos.

Segundo Stratton e Hayes (2003) a percepção é um processo utilizado pelos indivíduos para interpretar as informações recebidas, podendo ser dividida em diversas áreas, entre elas a percepção visual, da pessoa e auditiva. No entanto, o foco desse trabalho será na percepção da pessoa, compreendendo que esta favorece o entender sobre como as pessoas percebem um determinado fenômeno.

Entende-se ainda, que as interpretações são permeadas pelas vivências de cada sujeito e pela forma como esse sujeito se relaciona com o seu contexto. Embora Soto (2005) faça a definição do termo percepção no ambiente organizacional, é possível aplicar essa denominação no contexto deste trabalho, principalmente no que se refere ao fato de pessoas distintas terem opiniões divergentes sobre determinadas situações.

De acordo com Stratton e Hayes (2003, p. 172) a percepção “[...] é altamente influenciada pela disposição e expectativas, bem como pelas necessidades, medos e desejos do observador [...]”. Vale salientar que o observador neste trabalho serão as participantes da pesquisa, uma vez que, o foco será em captar como estas percebem a sua ausência na relação com o filho.

Deste modo, como cada mãe percebe que a sua ausência afeta a relação com o filho diz respeito àquela mãe, exclusivamente, não devendo desta forma, a interpretação dos dados ser estendida para as demais. Embora os dados desse trabalho não devam ser generalizados para outras populações, é possível através das percepções das participantes da pesquisa entender a percepção de outras mães sobre a sua ausência na relação com o filho. Conforme Losada e Rocha-Coutinho (2007, p. 495) “Quando uma pessoa fala, ela está representando sua classe social, seu momento histórico, sua etnia, seu sexo, entre outras coisas(...). Desse modo, a fala pessoal pode nos revelar muito do contexto histórico-social no qual está inserido [...]”. Os dados quantitativos foram extraídos do referido questionário, conforme informações da tabela:

TABELA 1 –

PERGUNTA

PERCENTUAL DE RESPOSTA

1 - Enquanto profissional e mãe; considero que consigo equilibrar os dois papéis. No trabalho, correspondo às expectativas do empregador e como mãe acompanho de perto o dia a dia do meu filho.

  • sempre 18%;
  • quase sempre 73%;
  • raramente 9%;

2 - Priorizo o papel de mãe.

  • sempre 46%;
  • quase sempre 45%;
  • raramente 9%;

3 - Priorizo as atividades do meu trabalho, pois sei que meu/minha filho(a) está bem cuidado

  • sempre 36%;
  • quase sempre 64%;

4 - Eu gostaria de estar mais perto do(a) meu/minha filho(a), mas meu trabalho permite que com frequência eu possa telefonar para saber como ele(a) está e isso me tranquiliza.

  • sempre 73%;
  • quase sempre 18%;
  • raramente 9%;

5 - Em alguns momentos, penso que a maternidade interfere no meu trabalho, porque preciso telefonar para saber como meu/minha filho(a) está e deixo de fazer algumas atividades.

  • quase sempre 9%;
  • raramente 55%;
  • nunca 36%;

6 - Acredito que meu trabalho interfere no exercício da maternidade, já que tenho que me privar de estar mais perto do meu filho.

  • quase sempre 18%;
  • raramente 64%;
  • nunca 18%;

7 - Percebo que meu/minha filho(a) sente minha falta (seja de forma verbalizada ou através de outros comportamentos).

  • sempre 9%;
  • quase sempre 55%;
  • raramente 36%;

8 - Percebo em alguns momentos que o vínculo com meu/minha filho(a) poderia ser melhor se eu estivesse mais presente, pois devido ao trabalho estive ausente e não pude acompanhar algumas fases do seu desenvolvimento.

  • sempre 18%;
  •  quase sempre 18%;
  •  raramente 55%;
  •  nunca 9%;

9 - Embora meu/minha filho(a) esteja se desenvolvendo bem; acredito que seria melhor se eu estivesse mais presente na rotina dele(a).

  • sempre 36%;
  • quase sempre 55%;
  • raramente 9%;

10 - Mesmo com a minha rotina de trabalho acompanho o desenvolvimento do(a) meu/minha filho(a) de perto. Talvez tenha perdido uma ou outra fase, mas isso não influenciou o seu desenvolvimento e nem a nossa relação.

  • concordo totalmente 45%;
  • concordo em partes 55%

11 - Percebo que seria melhor se eu pudesse estar mais próximo ao meu/minha filho(a), pois realmente precisamos de mais tempo juntos

  • concordo totalmente 18%;
  • concordo em partes 82%;

FONTE: Elaborado pelos autores (2012)

Vale comentar que os dados da entrevista estão mesclados com os dados do questionário para melhor análise e compreensão do tema e que alguns dados da entrevista foram transcritos e encontram-se abaixo com o formato de letra “negrito”. Porém, os nomes atribuídos às participantes para mencioná-las neste trabalho são fictícios e não tem qualquer relação com o nome real das mesmas.

Os dados levantados, através da entrevista, mostram que enquanto as  mães pesquisadas trabalhavam, 55% dos filhos se dividiam entre escola/creche/família, 18% escola/creche/babá e 27% ficavam sozinhos, mas recebiam assistência de familiares. Esses dados corroboram com as informações de Oliveira et al. (2011), em que comenta-se haver uma relação entre as mães que trabalham fora de casa em período integral e a necessidade do apoio de mais de um cuidador para os filhos, em comparação com as mães que trabalham em tempo parcial.

O fato da maioria dos filhos se dividir entre escola e família para que a mãe pudesse exercer a atividade no local em que mantêm vínculo empregatício, reforça a colocação de Rey (2004) que afirma ser a escola e o trabalho locais que encontram-se associados a  vida familiar, pois a escola é o local onde a maior parte da infância e da juventude são vivenciadas, delegando-se muitas vezes um lugar de extensão da educação fornecida pela família; sendo ao trabalho atribuído o lugar em que se desenvolvem projetos significativos na fase adulta.

No que diz respeito à percepção das mães em relação ao fato de se ausentarem do convívio com o filho, 64% das entrevistadas referem sentimentos ruins, colocando que se sentem mal com a situação. As demais referem lidar bem com a situação, sem culpa ou transtornos maiores e acreditam que filho não seja empecilho para o trabalho. Como alternativa é referenciado pelas mães, trabalhar meio período para poder ficar mais tempo com o filho, porém há que se considerar que em alguns momentos, existe uma cobrança do filho para que a mãe seja mais presente, nesses casos, os sentimentos ambíguos podem ser mais exacerbados, principalmente quando o filho está doente.

Entretanto, nem sempre há possibilidade de trabalhar meio período nos empregos atuais, sendo assim, uma alternativa encontrada por essa mãe para manter contato com o filho no decorrer do expediente de trabalho é o uso de telefone. Esta alternativa é adotada por 73% das mães, sendo que 91% consideram que nunca ou raramente pensam que a maternidade interfere no trabalho.

Percebe-se ainda, que o fato da mãe trabalhar e com isso perder algumas etapas de desenvolvimento do filho, afeta negativamente o sentimento de mãe. Constata-se também, que na população estudada não houve relação de angústia por trabalhar e idade das crianças, presumindo maior ou menor autonomia dos filhos, é possível que o sentimento esteja mais atrelado a questões individuais das mães (sentimentos, traços de personalidade, relações, etc), do que a racionalidade de maior ou menor maturidade dos filhos.

Apesar de algumas mães lidarem bem com a ausência, vale ressaltar que a grande maioria, 55%, gostaria de estar mais presente e, se pudesse, 36% trabalharia meio período; acreditando dessa forma, que poderia estar mais presente na rotina do filho. Esses dados corroboram com os dados descritos na revisão de literatura de Oliveira et al. (2011) onde são mencionadas pesquisas feitas com mães de várias nacionalidades como, Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Alemanha, Suécia, entre outros. Os resultados do trabalho citado são comparáveis com as informações obtidas pelas mães participantes desta pesquisa, já que é encontrada uma relação entre o fato de as mães terem uma preferência por realizar atividades remuneradas em regime de tempo parcial em ambos os trabalhos.

Para exemplificar, o sentimento de angústia de uma das mães pode ser evidenciado nesta fala: é horrível, de um lado me culpo por estar ausente, mas por outro, acredito que seja necessário (sic) (Carolina, filha com 9 anos). Por outro lado, Letícia, com um filho de 4 anos refere: Para mim é tranquilo, não tenho problemas em relação a isso... (sic).

As falas dessas mães possibilitaram verificar diferenças nas formas de olhar para a relação entre maternidade e trabalho, sendo para algumas mães mais fácil administrar esses papéis. Já na fala de Rosana e Paloma, a primeira com um filho de 2 anos e 7 meses e a segunda com um filho de 6 meses, fica claro o desejo de ter um trabalho que possibilitasse ter mais tempo para ficar com o filho. Rosana, disse:

...gostaria de trabalhar meio período para poder ficar mais tempo com ele...às vezes me questiono sobre o desenvolvimento dele, se não estou perdendo alguma etapa... (sic) (Rosana, filho com 2 anos e 7 meses).

Para Pinto e Garcia (2011) é comum a mãe que trabalha ter sentimentos de que passa pouco tempo com o filho ou de que perde etapas do seu desenvolvimento. Essa informação pode ser pareada com o fato de 91% das mães da pesquisa terem assinalado que sempre ou quase sempre acreditam que embora o filho esteja se desenvolvendo bem, seria melhor se estivessem mais presente na rotina dele. Em contrapartida quando questionadas sobre  o quanto acreditam que acompanham o desenvolvimento do filho, 45% concordaram totalmente com a seguinte afirmação: “mesmo com a minha rotina de trabalho acompanho o desenvolvimento do(a) meu/minha filho(a) de perto. Talvez tenha perdido uma ou outra fase, mas isso não influenciou o seu desenvolvimento e nem a nossa relação”, sendo que 55% concordaram em partes com a mesma afirmação. Podemos concluir que as mães têm o desejo intenso de compartilhar mais momentos com o filho, em sua rotina, entretanto entendem que esta ausência não influencia diretamente na sua relação com o mesmo.

É possível ainda fazer uma relação com a ideia de “igualdade materna” citada por Moreira e Nardi (2010) pois foi instituído e naturalizado, nas últimas décadas, um modo ideal de exercer a maternidade, sendo que esse modo diz mais respeito a um tipo idealizado de maternidade do que ao real.

Isso pode ser evidenciado na população estudada, ao verificar-se que paralela a satisfação e ao sentimento de realização por exercer uma atividade remunerada, essas mães relataram sentimentos de culpa e desconforto com a situação; desejo de ter mais tempo para ficar com o filho; embora tenham afirmado que não deixariam de trabalhar para se dedicar somente a maternidade. É possível considerar ainda que o trabalho passa a ser em alguns momentos o meio pelo qual as mães podem comprar coisas que o filho goste e/ou precise, conforme mencionado na fala de Paloma:

...é ruim ficar longe dele... eu gostaria de ficar mais tempo com meu filho... mas preciso trabalhar para poder dar algumas coisas pra ele (sic) (Paloma, filho de 6 meses).

Quando questionadas sobre como se sentiam ao deixar o filho aos cuidados de escola/creche ou não poder acompanhar seu desenvolvimento mais de perto, as mães comentaram que mesmo sabendo que o filho está bem cuidado, fato relatado por 91% das mães, algumas delas sentem-se culpadas por deixar o filho aos cuidados de terceiros, em prol da profissão. Em contrapartida, a maioria representada por 56%, relataram que lidam de forma tranquila ou sem culpa com o fato. Embora algumas mães lidem bem com não poder acompanhar a rotina do filho, a maioria 55%, considera difícil estar ausente. Há que se considerar ainda o equivalente a 73% das mães terem relatado que pensam muito no filho enquanto estão no trabalho.

Vale comentar que quanto aos cuidadores, foi relatado preocupação de algumas mães, o equivalente a 27% da amostra, com relação ao vínculo do filho com o cuidador, sendo que a maioria, 55%, relatou estar satisfeita nesse quesito. Essas informações podem ser melhor verificadas na fala de Lúcia:

...desde quando minha filha era pequena procurei ter uma boa relação com ela ..., mesmo trabalhando... fui muito presente... sempre participei das atividades dela e conversei muito... então ela é uma menina muito calma, tranqüila (sic) (Lúcia, filha de 17 anos).

Nesse discurso fica evidente que a mãe busca apoio na qualidade da relação que foi se desenvolvendo ao longo do desenvolvimento da filha, pois acredita que o fato de sempre ter mantido um diálogo e ter sido participativa desde a infância influencia no comportamento da adolescente. Segundo Rey (2004, p. 28) “O indivíduo é a célula que reflete o sentido de  todo o processo social do qual participa [...]”.

No caso de Paulina, manifesta-se uma ambiguidade de sentimentos com relação a maternidade e ao trabalho.

Paulina disse: ... é difícil, sinto um misto de sentimentos... ao mesmo tempo que me sinto feliz e realizada com o meu trabalho também me sinto triste por estar ausente com o meu filho... (sic) (Filho de 12 anos).

O discurso dessa mãe corrobora o descrito por Losada e Rocha-Coutinho (2007)  com o fato de algumas mulheres se identificarem tanto com a maternidade quanto com o trabalho remunerado, optando por conciliar as duas tarefas, sem ter que necessariamente optar por uma ou outra.

Carolina, por sua vez, fez o seguinte discurso:... percebo o carinho que a minha filha e o meu marido tem um pelo outro... isso me tranqüiliza (sic) (filha de 9 anos).

No caso de Carolina, há essa tranquilidade por perceber que os dois tem uma boa relação, vale comentar que o marido da participante é padrasto da menina. Carolina descreveu uma relação de cuidado, afeto e intensa ligação emocional entre padrasto e enteada. Situação semelhante é vivenciada por Cássia, com uma filha de 9 anos e outra de 14, o marido que é pai da mais nova e padrasto da mais velha, ele tira folga uma vez na semana para ficar com as duas; enquanto no caso de Rosália, o marido fica meio período, todos os dias, com o filho  de 6 anos.

Losada e Rocha-Coutinho (2007); Moreira e Nardi (2010) afirmam que atualmente há mais flexibilidade entre os papéis exercidos por homens e mulheres. Tanto no caso de Carolina quanto no de Cássia e de Rosália essa maleabilidade é percebida. Verificou-se uma mudança no padrão de comportamento masculino, considerando que o homem coloca-se á disposição da família não mais como apenas provedor do lar, mas também como educador e responsável por acompanhar a rotina dos filhos.

Já Lurdes é mais objetiva, enquanto Dalva faz um discurso em que o trabalho aparece como uma forma de preencher um espaço que era dedicado à filha.

... eu preciso trabalhar... não tem outro jeito... (Lurdes, filho de 6 anos).

... por um lado eu me sinto culpada, mas por outro, eu vejo que ela está crescendo e logo vai embora de casa... ela tem muitos sonhos... tem muitas coisas que quer fazer... então, eu acho que deveria me dedicar mais a mim... (sic) (Dalva, filha de 15 anos).

O discurso dessas mães vem ao encontro da colocação de Moreira e Nardi (2010) de que o trabalho agrega um valor significativo ao assumir na vida dessas mulheres uma função tanto de se manter financeiramente quanto de ter uma atividade que lhes confere utilidade. A essa informação pode-se complementar a colocação de Knebel e Munhoz (2009) de que no caso de algumas mulheres, estar no mercado de trabalho não é apenas uma necessidade financeira, masa crença da independência e autonomia.

Losada e Rocha-Coutinho (2007) colaboram ao afirmar que o trabalho pode cumprir a função de suprir um vazio deixado pelo espaço que era dedicado unicamente ao filho quando este era pequeno, mas que ao crescer e começar a freqüentar a escola, a mão precisaria refletir sobre sua rotina e ir ao encontro de novos meios para preencher essa lacuna deixada pela autonomia desse filho que outrora ocupava boa parte do seu tempo.

Algumas citações das mães evidenciam que, embora 64% relataram trabalhar por necessidade, em alguns momentos da entrevista surgiram afirmações que remetem a uma concepção de trabalho não apenas por necessidade financeira, mas também como um símbolo de independência, autonomia, satisfação e prazer, como no caso de Paulina, com um filho de 12 anos e, de Cássia, com duas filhas de 9 e 14 anos respectivamente; ambas as participantes comentaram que trabalhavam também porque gostavam. Segundo Paulina, o trabalho a fazia bem, era algo que gostava de fazer. Cássia acrescentou ainda que o trabalho era um tipo de segurança, principalmente com relação a não dependência do marido.

Segundo Oliveira et al. (2011, p. 277) “[...] É importante reconhecer que fatores associados a maternidade e ao trabalho se influenciam mutuamente e colaboram, de forma conjunta, para a possibilidade de conciliação ou de conflito entre as demandas maternas e laborais [...]”. Isso pode ser exemplificado pela fala das duas mães citadas anteriormente, uma vez que as duas encaravam o trabalho de forma positiva, conferindo a este um valor simbólico relacionado com a valorização que percebem por exercitar suas tarefas profissionais.

Essas informações estão atreladas a ambiguidade de sentimentos vivenciados por essas mulheres que, de um lado tem o desejo de ocupar o espaço público, mas, de outro lado, tem o receio de perder o espaço privado, espaços respectivamente compreendidos como o trabalho e o lar, conforme cita Mattos, 2006; Arrazola; Rocha (apud SOUZA; BALDWIN; ROSA, 2000).

Esses sentimentos podem ser agravados por preocupações com relação ao vínculo que o filho estabelece com os cuidadores. De acordo com Pinto e Garcia (2011, p. 49) “Ao ter que encontrar alguém que assuma o cuidado com os filhos novos arranjos diários precisam ser feitos, e muitas vezes, essas novas modificações nem sempre são favorecedores de bem-estar para todos os indivíduos. Isso pode ser evidenciado na fala de Paloma, mãe de um bebe de 6 meses, ela relatou sentir algo como se “fosse ciúme” da relação que o filho tem com as cuidadoras; à saber, a avó materna e uma tia materna da criança. Inicialmente Paloma disse que era como um tipo de ciúme.. Afirmou ficar insegura com a forma como o filho se relacionava com as cuidadoras.

...ele (o filho) joga os bracinhos para ir com elas(a avó e a tia)... sorri para as brincadeiras que elas fazem com ele... eu queria estar no lugar delas, eu queria estar com ele... sinto que ele precisa muito de mim... (sic).

Um discurso semelhante é encontrado na fala de Dalva, mãe de uma adolescente de 15 anos. Embora a filha já seja crescida e não tão dependente da mãe, Dalva relata que ás vezes se questiona se não deveria estar em casa com a filha. Sua irmã, tia da adolescente, dá assistência quando necessário, mas Dalva disse que gostaria de estar com a filha quando ela precisa. Segundo Dalva:

...nós duas (Dalva e a filha) somos muito amigas... quando nós duas discutimos por algum motivo, ela fala que quando precisa não pode contar comigo porque estou trabalhando, é sempre a tia que socorre... (sic)

Nesse caso, a vontade da mãe ficar mais tempo com a filha pode estar relacionada com o fato de a adolescente cobrar a mãe pela ausência em função do trabalho. Mas, embora o apoio da rede familiar seja citado por Moreira e Nardi (2010) como importante para que a mulher possa se dedicar as suas atividades profissionais sem tantas preocupações com o filho no dia a dia, no caso de Paloma e de Dalva, esse fato não é confirmado, visto que as duas mães relataram se sentirem desconfortáveis com a situação.

No entanto, vale salientar que de um modo geral, a maioria das participantes, 55%, relataram estar satisfeitas com relação ao vínculo que o filho tinha com as pessoas responsáveis. Esses dados ajudam a compreender o fato de 100% das mães terem confirmado que sempre ou quase priorizam as tarefas do trabalho, porque sabem que o filho está bem cuidado mesmo sentindo dificuldades em ficar longe do mesmo, considerando que 73% dessas mulheres citam que pensam muito no filho enquanto estão trabalhando.

A dualidade dos papéis de mãe e de profissional fica clara quando compara-se os dados citados anteriormente (priorização das mães pelo trabalho) com o percentual de 91% das mães que consideram que sempre ou quase sempre priorizam o papel de mãe. Desta forma, percebe-se a busca das mães que trabalham por corresponder às demandas tanto da empresa como da maternidade. Segundo Moreira e Nardi (2010, p. 193) “Pensar a articulação entre maternidade e trabalho é também pensar os enunciados que definem o que é ser mulher [...]”. Assim sendo, é possível considerar que o ser mulher, mãe e trabalhadora implica em ter uma identidade que permita a articulação desses papéis, considerando que um papel não exclui o outro, mas que há uma complementariedade em todas essas vivencias.

No entanto, na percepção dessas mães sobre os momentos em que estão com o filho; são momentos definidos como bom ou ótimo e 91% delas referiram que quando estão com o filho preferem realizar atividades em conjunto dando preferência por atividades que o filho goste. Nesse cenário são realizadas inclusive, atividades domésticas, além das de lazer e dos exercícios rotineiros de escola, como tarefas escolares. Verificou-se também que há alguns hábitos que são seguidos pela família visando um entrosamento maior entre os membros desta.

Para Lurdes: ...fazemos mais coisas que ele gosta como andar de bicicleta ou olhar filme, principalmente ver filme... Eu faço trufa para vender e ele me ajuda a embalar e colocar no papel alumínio... ele adora me ajudar... quando eu digo pra ele ir pegar a bolsa térmica ele vai todo feliz... (sic) (filho de 6 anos).

Segundo Anita: Quando estou em casa ele até brinca que tem moleza, mas que também tem cobrança... porque eu sou muito exigente... então ele tem a mordomia de ter a comida esquentada mas eu também cobro bastante ele. Mas no geral, temos o hábito de tomar café juntos todas as manhãs, mesmo que alguém esteja atrasado...não abrimos mão dessa rotina (sic) (filho de 12 anos).

A rotina de pelo menos uma refeição juntos também é compartilhada por Paulina, com o filho de 12 anos. Eles jantam juntos ao menos uma vez na semana e mantêm a rotina de tomar café da manhã. De acordo com Paulina:

...e se algum dia acontece alguma coisa que não conseguimos jantar juntos ele me cobra.... (sic).

Já Cássia e as duas filhas de 9 e 14 anos tem a rotina de realizar atividades pertinentes ao lar. Segundo Cássia:

... sábados pela manhã sempre organizamos a casa... dividimos as tarefas e cada uma faz uma coisa... Quando saímos para passear vamos ao shopping, na casa da minha mãe ou saímos só para passear de carro... (sic).

O relato dessas rotinas com o filho facilita a compreensão do fato de 82% da população estudada terem concordado em partes com a afirmação: percebo que seria  melhor se eu pudesse estar mais próximo ao meu/minha filho(a), pois realmente precisamos de mais tempo juntos. Visto que, esses momentos de confraternização em família são formas de lidar com a ausência e se fazer presente no cotidiano dos filhos, o que corrobora com a necessidade da mulher conciliar as duas esferas, podendo esse fato ser visto como dificuldade em concentrar-se exclusivamente na família ou no trabalho. No entanto, ao fazer uma analise mais detalhada revela-se “[...] a coexistência de necessidades diversas e, muitas vezes, contraditórias” (LOSADA; ROCHA-COUTINHO, 2007, p. 501). Mas que tem a função de agregar valores e sentidos para uma mesma existência. Pinto e Garcia (2011) colaboram com essa informação citando que em realidades distintas, quando a mulher se coloca como mãe, percebe-se numa redoma de sentimentos desejando se dedicar ao filho e manter-se  no trabalho, fazendo um movimento nesse sentido para dar conta dos dois contextos.

Ao serem questionadas sobre como percebiam que o filho lidava com a sua ausência e o que sentiam com relação a isso, a maioria das mães relatou ter a percepção de que o filho lida bem com a situação, em 82% dos casos; mas que também sentia a falta da mãe, fosse de forma verbalizada ou através de comportamentos, num percentual que correspondeu a 91%. A ausência da mãe foi menos sentida quando o filho era maior, tendo sido ainda relatado expressões de mais ou menos alegria dos filhos em início e término de finais de semana. Foi citado ainda a percepção por parte das mães de que muitas vezes a cobrança por estar mais presente na rotina do filho é mais da própria mãe que do filho.

Pode-se verificar uma relação entre a tranquilidade da mãe e o modo do filho lidar com a situação de ausência; pois o fato de saber que a ausência não causa sofrimento para o filho tende a deixar as mães mais tranqüilas em relação as suas atividades de trabalho. Entretanto não houve relação entre a forma como o filho lida com a ausência e a sua idade. Algumas mães com filhos adolescentes relataram facilidade do filho em lidar com a  situação

de ausência, assim como mães de crianças menores de11 anos fizeram relatos semelhantes. Dessa forma, os dados obtidos são insuficientes para estabelecer uma relação entre a forma que o filho lida com a ausência da mãe e a idade deste. Segundo Rosana, com um filho de 2 anos e sete meses:

...acredito que ele lida bem... porque na creche ele não chora e nem pergunta por mim... e com a babá ele se comporta da mesma forma... (sic).

Letícia relatou comportamento semelhante do seu filho de 4 anos. Ela disse acreditar que ele não sente sua falta porque ele não chora ou pergunta da mãe, o que a tranqüiliza e despreocupa. Segundo Lúcia, com a idade que a filha tinha na época da pesquisa, 17 anos, era possível perceber que ela não sentia sua falta. Dalva tinha o mesmo ponto de vista sobre a filha de 15 anos, considerava a filha independente embora tenha dito que a adolescente, às vezes cobrava a sua presença e Anita disse que o filho já estava acostumado com a situação e para a mãe a situação era tranquila. Já Paulina discursou que:

...acho que ele lida bem, ás vezes eu penso que eu me cobro mais para estar com ele do que ele me cobra... Percebo que ás vezes, quando estou em casa, ele nem faz tanta questão da minha companhia... ele joga, brinca, faz as atividades dele... (sic) (filho de 12 anos).

Lurdes relatou que no domingo, o filho de 6 anos comenta que o tempo juntos está terminando e que no dia seguinte a mãe vai trabalhar; ela ainda acrescentou:

...quando estou de férias também... ele fica perguntando se já esta chegando o dia de eu ir trabalhar...eu digo que tem que ser assim... que não tem outro jeito... preciso trabalhar... (sic).

O discurso de Cássia complementa esses dados:...percebo que elas lidam bem... como sempre trabalhei fora elas estão acostumadas... aprenderam a ser mais independentes... só a mais nova me cobra mais para ficar em casa, principalmente quando ela esta doente... aí fico mais preocupada... (sic) (filhas de 9 e 14 anos).

O discurso dessas mulheres colabora com o anunciado por Pinto e Garcia (2011, p. 21) “[...] As experiências se encontram em movimento e, em sua interrelação com as circunstâncias nas quais estão inseridos os indivíduos [...]”. Deste modo, percebe-se que essas mulheres vão aprendendo a lidar com a maternidade e o trabalho conforme o contexto, na qual se encontram permite, o que significa que por vezes oscilam mais em direção ao filho e outras na direção das atividades do trabalho, sempre buscando equilibrar as duas funções.

Porém, ao serem questionadas se perceberam diferenças no comportamento ou rendimento profissional após a maternidade, 27% das mães responderam que sim, tendo essa diferença sido avaliada como positiva por 37% das respondentes que mencionaram mudanças de comportamento como: mais facilidade para se colocar no lugar do outro, mais dedicação ao trabalho porque tinha um dependente. Tendo sido ainda mencionado por algumas mães que após a maternidade houve um amadurecimento que impactou de forma positiva na vida da mulher. Ainda sobre a questão, 18% não perceberam diferença e 18% consideraram que o seu rendimento não foi afetado, sendo citado também por algumas mães que ter um filho  não impede que a mulher realize suas atividades profissionais e uma ou outra mencionou que antes da maternidade era mais focada no trabalho.

Foi mencionado estratégias como, fazer horário de almoço reduzido para render mais e poder sair logo ao fim do expediente para pegar o filho, ter levado o filho em um ou outro momento para a empresa após o expediente para resolver alguma pendência e  poder aproveitar melhor o tempo juntos. Deste modo, a maioria percebe diferenças no rendimento e comportamento profissional, sendo diferenças avaliadas como positivas, que impactam de forma a produzir nessas mulheres novas formas de lidar com as questões relacionadas ao trabalho e a maternidade.

Entretanto, as informações citadas podem ser analisadas junto ao percentual de 82% das mães que consideraram que raramente ou nunca o trabalho interfere no exercício da maternidade, já que tem que se privar de estar mais perto do filho. O que pode ser verificado com a afirmação de Rosana:

...antes da maternidade eu trabalhava muito... muitas vezes ficava depois do expediente... depois que me tornei mãe passei a fazer menos tempo de horário de almoço para render mais durante o expediente... assim, saio quando termina meu horário de trabalho e pego meu filho na creche... mas já houve vezes que precisei resolver alguma pendência urgente e trouxe meu filho para a empresa... enquanto ele ficava brincando na minha sala eu fazia o que era preciso e ficávamos mais tempo juntos..” (sic) (filho de 2 anos e 7 meses).

Rosália, com um filho de seis anos afirma que não percebeu diferença; Leticia, com um filho de quatro anos; Cássia com duas filhas de 9 e 14 anos respectivamente e, Dalva, com uma filha de 15 anos compartilham da mesma opinião. Já para Paloma é mais difícil, relatou que quando lembra do filho, no horário de expediente, tem vontade de chorar; o que acaba impactando no seu modo de trabalhar pois queria estar com o filho. Na fala dessa mãe:

...eu mudei muito depois da maternidade, minhas colegas de trabalho comentam que percebem a diferença... antes eu não tinha filho... era diferente... agora eu estou trabalhando e lembro dele... então tenho vontade de chorar... porque eu queria  estar com ele... (sic) (filho de seis meses).

Para Lurdes é mais difícil porque quando o filho de seis anos está doente ela fica pensando nele e gostaria de estar junto do menino. Lúcia, com uma filha de 17 anos considera que: ...se tornou uma  profissional melhor, amadureceu... (sic).

Anita, com um filho de 12 anos compartilha da impressão de Lúcia e, Carolina acrescenta que:

... por ter um dependente preciso ter mais qualidade no trabalho (sic) (filha de 9 anos).

Por sua vez, Paulina, com um filho de 12 anos considera que antes da maternidade era muito “briguenta” e depois passou a ser mais compreensiva.

As divergências quanto a forma como cada mãe percebe o impacto da maternidade no trabalho apontam para formas distintas de conceber essas duas esferas e lidar com as mesmas. O exercício da maternidade colabora para que as mulheres trabalhem de modos diferentes, percebendo-se agindo diferentemente das demais num cenário onde algumas  mudanças podem ser vistas, como melhora do seu desempenho (MOREIRA; NARDI, 2010).

É possível ainda considerar que a identidade das mulheres ainda não está definida no que diz respeito ao âmbito materno e profissional. Desta forma, pode-se entender que pensar numa articulação entre trabalho e maternidade é pensar de forma global recriando cenários facilitadores para a conciliação dos dois papéis. Conforme Knebel e Munhoz 2009, p. 12:

[...] As identidades femininas e as representações acerca das mulheres passaram por uma série de transformações e ainda estão em processo de construção.  Nesse sentido, trabalho e maternidade são os pontos mais discutidos, pois é através deles que antigos padrões de comportamento estão sendo questionados e novos paradigmas estão sendo criados.

Vale citar que outros dados relevantes colhidos na população estudada estão relacionados com os benefícios oferecidos pela empresa onde a mãe trabalha, como a flexibilidade na rotina de trabalho envolvendo o horário de expediente, a posição da liderança quanto a contratação e manutenção de funcionárias mulheres. De acordo com Oliveira et al. (2011, p.278)

[...] Flexibilidade para acolher as necessidades particulares de mães trabalhadoras parece fundamental na continuidade e investimento da mãe em sua vida profissional. Por fim, do ponto de vista político e de direitos do trabalhador, cabe ressaltar a importância de benefícios trabalhistas, como licença-maternidade e relativos ao recebimento de cuidados infantis alternativos.

A aplicação prática deste tópico pode ser exemplificada no caso de Rosália, com um filho de seis anos, de Paulina com um filho de doze anos e de Paloma, com o filho de seis meses. As três mães relataram ter flexibilidade de horário e que a gestão é aberta para negociação de folgas, horário de entrada e de saída do expediente, fato que contribui para que se sintam valorizadas.

Paloma descreveu durante a entrevista que no período gestacional precisou se ausentar da empresa em vários momentos devido a mal-estar decorrente da gravidez, não tendo encontrado objeção da gestão por conta disso. Disse ainda que voltou a trabalhar após a licença-maternidade porque conseguiu negociar com a sua gestora o pagamento de uma creche particular para o filho, já que sem esse apoio não teria condições de fazê-lo e ela não colocaria o filho numa creche pública. O acordado foi que o beneficio teria inicio no terceiro mês do bebe sendo estendido pelos próximos seis meses. Embora a criança tenha frequentado a creche e, consequentemente, usufruído do benefício somente um mês, pois a tia e a avó passaram a cuidar do bebe devido a problemas de saúde do mesmo; a mãe citou que esse benefício colaborou para que se sentisse valorizada pela empresa.

A postura da liderança quanto a contratação e manutenção de funcionárias mulheres vem ao encontro com o descrito por Probst e Ramos [entre 2005 e 2012] de que a mulher naturalmente consegue lidar com diversidades e multifunções, é sensível, mais receptiva as diferenças presentes numa equipe, trabalha sinergicamente resolvendo de várias e criativas formas os problemas que a principio pareciam sem solução.

Para Pinto e Garcia (2011, p. 32) “Atualmente, o sinônimo de mulher pode estar facilmente relacionado a dinamismo, flexibilidade, competência, entre outros adjetivos [...]”. Esses enunciados colaboram para uma melhor compreensão do modo como a mulher é percebida no ambiente de trabalho podendo ser enriquecidos com a percepção de uma das gestoras da empresa em que a pesquisa foi realizada.

A gestora em questão, afirmou que trabalhar com mulheres favorece a integração da equipe, resolução de pendências, tendo as mulheres mais habilidades para lidar com as demais pessoas por serem mais tolerantes, empenhadas, compromissadas, flexíveis e  dinâmicas, Esses fatores inclusive compensam as questões relacionadas com algumas faltas, saídas mais cedo do trabalho ou chegada mais tarde em prol da maternidade.

4. Considerações Finais

O conjunto de dados apresentados nos permite compreender que a percepção das mães que trabalham, sobre a ausência na relação com os filhos, apresenta-se para a maioria, através de sentimento de culpa. Entretanto este sentimento não é uniforme, algumas mães (embora não a maioria, mas um percentual representativo) referem lidar com facilidade com este sentimento. Estes dados nos mostram que a forma de equilibrar trabalho e filhos para as mulheres está relacionada a diversos fatores referentes a aspectos individuais de cada mãe. Constatou-se ainda que a idade dos filhos não influencia neste sentimento e na forma de lidar com a ausência, os resultados desta população oscilou independente desta variável.

Ficou evidente a preocupação das mães em relação à crença de estar perdendo etapas no desenvolvimento do filho e maior preocupação quando o filho passa a cobrar a presença da mãe. Em contrapartida, a ausência de cobrança do filho gera na mãe sentimentos de tranquilidade para lidar com a situação e o entendimento das mães de que se cobram mais do que os próprios filhos.

Quanto a percepção da mulher em relação a maternidade e ao trabalho, verificou-se que a mulher busca articular as funções de mãe e de profissional, não estando uma função em vias de anular a outra, pois há uma complementariedade na conciliação das duas esferas. De forma geral, pode-se constatar que as mães pesquisadas percebem um nível muito baixo de interferência do trabalho na maternidade, ou da maternidade no trabalho.

Para ter maior disponibilidade para o filho algumas mães citaram o desejo de trabalhar meio período para estar mais presente na rotina do mesmo. Percebe-se também concordância das mães com o fato de mesmo trabalhando, acompanhar a rotina do filho de perto, o que não impacta negativamente no desenvolvimento dele (segundo percepção das mães) e nem na relação entre ambos.

Esses dados corroboram com o fato de a maioria das mães terem mencionado que não deixariam de trabalhar para se dedicar somente a maternidade, pois com o trabalho adquiriram autonomia e independência. Os impactos da maternidade no trabalho são percebidos para a maioria das mães como positivo sendo citado mudanças de comportamento e atitudes como, maior facilidade para se colocar no lugar do outro, otimização do tempo, maior maturidade e, flexibilidade.

No que diz respeito ao equilíbrio entre os papéis de mãe e profissional, apesar da maioria concluir que consegue equilibrar sempre ou quase sempre, os dados relacionados às prioridades das mães demonstraram alto percentual tanto no que diz respeito a prioridade no papel de mãe como de profissional. Estes dados levantam uma questão, é possível dedicar-se quase 100% para os dois papeis? Talvez este resultado demonstre a real busca da mulher da atualidade pela excelência profissional, aliado a referência como mãe, e supõe o desafio para estas mulheres em conseguir cumprir esta tão elevada expectativa.

Ao considerarmos não apenas o sentimento das mães pesquisadas, mas os dados como um todo, envolvendo formas de lidar com ausência, relação com o filho, relação com o trabalho, satisfação com sua condição atual, e todos os demais resultados, pode-se constatar que a maioria das mães lidam bem com a sua ausência e buscam equilibrar maternidade e trabalho, utilizando alternativas como manter contato com o filho ao longo do dia, realização de atividades em conjunto e refeições em família. O fato de manter um trabalho remunerado não justifica, para essas mulheres, deixar de exercer a maternidade, reforçando que as duas esferas são complementares.

O tema desta pesquisa não foi esgotado e sugere-se outras questões a serem estudadas, como uma maior participação dos homens nos cuidados com os filhos, o impacto  da satisfação em ter uma atividade remunerada em diversos níveis hierárquicos e a influência da satisfação no trabalho sobre a maternidade.

Sobre os Autores:

Liliane Cristina Fidencio Pimentel - Psicóloga, Graduada pelo Grupo Uniasselvi/Fameblu.

Orientadora: Érica Pires Stolaruk - Psicóloga. Pós-graduada em Psicologia Organizacional e do Trabalho. Docente do Grupo Uniasselvi/Fameblu.

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