Resumo: O apoio familiar ofertado na forma de amor, afeição, cuidado e suporte social faz a pessoa idosa acreditar que é amada e estimada, e esta atitude pode causar efeitos positivos em sua saúde. A pesquisa tem como objetivo analisar a importância do apoio familiar para o bem-estar da pessoa idosa, visando verificar a função do mesmo na vida da pessoa idosa, bem como esclarecer a importância dos vínculos familiares para esta fase da vida. A qualidade das relações sociais e familiares é um fator fundamental para garantir a saúde e o bem-estar da pessoa idosa. Trata-se de uma pesquisa descritiva de revisão de literatura, cujos dados foram coletados em fontes primárias e secundárias. Verificou-se que a função da família é oferecer proteção, afeto, intimidade e identidade social à pessoa idosa, e que o vínculo familiar tem consequências positivas na saúde, causando o bem-estar que se relaciona diretamente com a longevidade. Concluiu-se que o apoio familiar revela-se como um fator diferencial para quem vivencia a terceira idade, transmitindo à pessoa idosa segurança, amor e estima que se refletem no seu bem-estar. 

Palavras-chave: família, terceira idade, longevidade.

1. Introdução

O Brasil enfrenta transformações que estão ocorrendo em seu perfil etário: o número de pessoas idosas está crescendo rapidamente junto com o aumento da expectativa de vida (IBGE, 2010). Esta é uma realidade que pode ser percebida em diversos países do mundo, particularmente aqueles com Índice de Desenvolvimento Humano-IDH alto, como os que se localizam no hemisfério Norte: Noruega, Dinamarca, Filândia, Suécia, Suiça, Estados Unidos da América, Canadá, além de outros.

O objetivo da pesquisa é o de analisar como o acompanhamento familiar é importante para o bem-estar da pessoa idosa. O problema levantado por esta pesquisa refere-se ao seguinte: qual a importância do apoio familiar para a pessoa idosa? Como o apoio familiar pode contribuir para o bem-estar e a longevidade da pessoa idosa?

A importância da pesquisa justifica-se pelo fato de que existe hoje uma camada significativa da população que está envelhecendo. Neste sentido, torna-se necessário não só o apoio da família, mas também a constituição de pessoas técnicas – médicos, psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais etc. – que possam dar suporte profissional a este tipo de clientela.   

O envelhecimento com qualidade tem sido, pois, preocupação dos estudiosos da Gerontologia e outros. Existem, no entanto, duas formas de oferecer suporte social às pessoas idosas: as redes formais e as redes informais. A rede de apoio social formal consiste em hospitais, ambulatórios médicos entre outras áreas da saúde, além dos profissionais da área da saúde.  As redes de apoio informal são representadas pelos familiares, amigos e vizinhos que oferecem apoio em diferentes âmbitos da vida da pessoa idosa.

2. Aspectos Gerais Sobre a Pessoa Idosa e o Envelhecimento

De acordo com o Conselho Federal de Psicologia (2008), a velhice é um processo pessoal, natural e inevitável para muitos seres humanos na evolução da vida. Esse processo está relacionado a diversos fatores da vida de uma pessoa. Envelhecer é somar todas as experiências da vida, é o resultado de todas as escolhas e decisões que foram feitas ao longo da mesma. Percebemos, então, que vivenciar o envelhecimento apresenta situações diferentes para cada ser humano, pois cada ser humano é único.

O envelhecimento populacional gerou diversos riscos que a sociedade não estava preparada para enfrentar, tais como incapacidades, isolamento, solidão e exclusão social das pessoas idosas (QUARESMA et al., 2004).

As pessoas idosas estão vivendo mais tempo e nesta etapa final da vida necessitam do apoio de seus familiares, assim como também do apoio da sociedade para garantir a qualidade de vida e o bem-estar na terceira idade. O processo de envelhecer é historicamente compreendido sob duas perspectivas distintas: uma que o compreende como sendo o estágio final da vida que direciona o indivíduo rumo à morte; outra, que o percebe como sendo um momento de sabedoria, de serenidade e maturidade (ARRUDA, 2007).

A finalidade da família é oferecer às pessoas proteção, afeto, intimidade e identidade social. A solidariedade intergeracional é uma das principais funções da família, porém nas últimas décadas os modelos de família sofreram mudanças em sua dinâmica e estrutura, que impedem, parcial ou totalmente, que os familiares possam exercer o papel de cuidador. Uma importante mudança neste contexto foi a inserção da mulher no mercado de trabalho, que veio a dificultar o desempenho da função que a família assumia de cuidadora da pessoa idosa. Surgiu então à necessidade de transferir ou partilhar esta responsabilidade, e o apoio à pessoa idosa passa a ser compartilhado com instituições públicas e privadas de solidariedade social (BARBOSA, 2008).

 As redes de apoio social são também muito importantes e necessárias para a manutenção da saúde emocional ao longo de todo o ciclo de vida. Segundo Neri (2008), algumas das mais importantes funções dessas redes de apoio social para as pessoas da terceira idade são:

1) criar novos contatos sociais;

2) fornecer e receber apoio emocional;

3) obter garantia de que são respeitados e valorizados;

4) manter o sentimento de pertencimento a uma rede de relações comuns e fornecer suporte para aquelas pessoas idosas que sofreram perdas físicas e sociais.

As redes de apoio social formadas por familiares e amigos significativamente abalam os efeitos do estresse nos indivíduos mais velhos, elas oferecem suporte social na forma de amor, afeição, preocupação e assistência (COCKERHAM,1991). Os efeitos estruturais no bem-estar psicológico das pessoas estão implícitos na Teoria da Integração Social de Durkheim. Estritamente falando, a integração social, para o referido autor, promove um sentido de significado e propósito para a vida. Em geral, a perspectiva da integração social assume que a frequência dos contatos promove bem-estar (DURKHEIM, 1951).

A literatura sugere correlações entre contato social, apoio e longevidade na medida em que indivíduos que mantêm maior contato com familiares e amigos possivelmente vivam por mais tempo do que aqueles que se abstêm desses relacionamentos (AREOSA; BULLA, 2010). Evidentemente que tal aspecto depende muito da relação que a pessoa idosa tem com a família, pois caso seja conflituosa, a tendência é, possivelmente, de declínio da mesma.

Segundo Carneiro (2007), as relações pessoais levam o indivíduo a crer que pertence a uma rede social e que é amado, querido e estimado. Esta crença poderá demandar efeitos positivos sobre a sua saúde.

Conforme Mendes et al. (2005), a família exerce uma importância fundamental no fortalecimento das relações em todas as fases da vida, embora algumas vezes a família tenha dificuldades em entender e aceitar o envelhecimento de um membro da família, tornando o relacionamento familiar mais difícil.

Segundo Mendes et al. (2005), o ambiente familiar contribui para as características e o comportamento da pessoa idosa. Desta forma, na família suficientemente sadia, onde se mantém harmonia entre as pessoas, possibilita o crescimento de todos, incluindo a pessoa idosa, pois todos possuem funções, papéis, lugares e posições, e as diferenças de cada um devem ser respeitadas e levadas em consideração.

Mendes et al. (2005), afirmam ainda que em famílias onde há falta de respeito, desarmonia,  e falta de limites, o relacionamento é marcado por frustrações, com indivíduos deprimidos e agressivos. Estes eventos promovem retrocesso na vida das pessoas. A pessoa idosa torna-se isolada socialmente e temerosa em cometer erros e ser punida. Esse tipo de relacionamento cerceia as ações das pessoas idosas, tornando-se algo traumático, que pode deixar sequelas irreparáveis. Tal condição pode acelerar os processos de intensificação de doenças e até da morte.  

De acordo com o Conselho Federal de Psicologia (2008), as necessidades afetivas das pessoas idosas não são diferentes das outras pessoas em outras fases da vida. Essas necessidades afetivas são: amor, alegria, realização. O prazer da alegria das relações com outras pessoas fortalece-os para o enfrentamento do estresse, da ansiedade, e dos desafios diários, permitindo-lhes uma qualidade de vida melhor e equilíbrio psicológico. O equilíbrio psicológico é de fundamental importância e pode ser um diferencial entre o bem-estar e a desestruturação da personalidade.

A família é a primeira rede de apoio para a pessoa idosa onde esta encontra a assistência necessária para suas dificuldades e necessidades (ASSIS; AMARAL, 2010). O contexto familiar representa um elemento essencial para o bem-estar das pessoas idosas. Essas encontram nesse ambiente apoio e intimidade para enfrentar as diferentes situações com que se deparam, cujas relações expressam e oferecem um lugar, um suporte que demonstra um grau de pertencimento com seus familiares. Isto garante-lhes certa segurança que talvez não teriam se estivessem em outro contexto.  Esse panorama demonstra que a família, apesar das mudanças frente a diversas situações, continua sendo um local de extrema importância para nutrir afetos e proteção às pessoas idosas (ARAÚJO, 2010). A família representa, portanto, um sustentáculo de extrema importância para a pessoa idosa, pois é nela que, nas situações mais diversas, ela encontra o apoio necessário para a satisfação de suas necessidades, salvo algumas exceções. Entretanto, vale ressaltar que a família, possivelmente, tenha um papel muito mais positivo do que negativo, quando se trata da relação com as pessoas idosas.

Cobb (1976) pontua que o apoio social leva o indivíduo a acreditar que é querido, amado e estimado, e que faz parte de uma rede social com compromissos mútuos. A ausência de convívio social causa severos efeitos negativos na capacidade cognitiva geral (KATZ; RUBIN, 2000). A pobreza de relações sociais como um fator de risco à saúde tem sido considerada tão danosa quanto o fumo, a pressão arterial elevada, a obesidade e a ausência de atividade física (ANDRADE; VAITSMAN, 2002). As relações sociais negativas e conturbadas podem ter um efeito devastador tanto sobre a dimensão física quanto psicológica. Esse efeito devastador pode ser extremamente danoso para a pessoa idosa que, em algumas circunstâncias, já padece de tantos problemas advindos da idade.

Este conjunto de evidências sugere que a deterioração da saúde pode ser causada não somente por um desgaste natural do organismo, sedentarismo ou uso de tabaco, mas, também, pela redução da quantidade ou qualidade das relações sociais (RAMOS, 2002). De uma forma geral, pode-se argumentar que as pessoas que têm maior contato social vivem mais e com melhor saúde do que as pessoas com menor contato social (DRESSLER; BALIEIRO; SANTOS, 1997). Evidentemente que existem pessoas que preferem a clausura, e nem só por isso significa que não podem ter uma longa vida. Tal aspecto depende de muitos fatores, mas é claro que uma pessoa idosa com companhia, que se sente acolhida, tem possibilidade, como demonstra a literatura, de viver muito mais.

Desta forma, os vínculos constituídos pelas pessoas idosas ao longo da vida são formados pelo grupo familiar e pelas amizades. Estas relações proporcionam uma sensação de pertencimento, que tem sido fator fundamental para o envelhecimento com qualidade de vida e bem-estar.  Essas redes de apoio ajudam as pessoas idosas durante seu processo de envelhecimento, assegurando maior autonomia, independência, saúde e bem-estar (TRIADÓ; VILLAR, 2007).

As pessoas idosas que mantêm contato com suas redes de apoio social informal, como os vizinhos e amigos, terão dessas pessoas, salvo exceções, considerável apoio e cuidado no caso de ausência da família (HERNANDIS, 2005) [grifo nosso]. Formar relações de amizade na velhice é uma tarefa delicada, devido à redução ao convívio familiar e às perdas dos iguais, pelas quais sofre a pessoa idosa.  O apoio disponibilizado pela família à pessoa idosa tem o papel de proporcionar um bem-estar significativo (HERNANDIS, 2005). 

3. Legislação e Apoio à Pessoa Idosa

Qualidade de vida é uma expressão de caráter polissêmico, de um lado está relacionada a condições, modo e estilo de vida; de outro lado, relaciona-se com as ideias de desenvolvimento sustentável e ecologia humana. E por último, está relacionada à democracia, desenvolvimento e ao campo dos direitos humanos e sociais (MINAYO; HARTZ; BUSS, 2000).

Por outro lado, “a ideia do envelhecimento ativo vem se difundindo e está baseada no reconhecimento dos direitos da pessoa idosa e nos princípios de independência, participação, dignidade, assistência e auto-realização” (GUIA DA PESSOA IDOSA, 2010, p.5).

Conforme o Guia da Pessoa Idosa (2010, p.6),

O Estado reconhece seu dever na proteção da pessoa idosa a partir da promulgação da Constituição de 1988, quando estabelece a responsabilidade do governo, da sociedade civil e da família de proteger, assistir e amparar a pessoa idosa.

É possível observar que a pessoa idosa está triplamente amparada: Estado, sociedade civil e família. Inclusive se a família não tiver condições, a tutela da pessoa idosa deve ser responsabilidade do Estado. Não pode haver omissão de nenhuma das partes, sob pena de intervenção judicial.

O Artigo 229 da Constituição Federal (1988, p. 60) observa que “Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade” (CONSTITUIÇÃO FEDERAL, 1988, p.60). Neste sentido, a pessoa idosa deve ser amparada pelos filhos e filhas, sendo este um preceito constitucional. Na falta desse tipo de apoio, a justiça pode ser acionada para fazer valer o direito da pessoa idosa.

Ainda conforme o Artigo 230 da Constituição Federal (1988, p. 60),

A família, a sociedade e o estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando a sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida.

Cabe, portanto, à família, à sociedade e ao Estado amparar e integrar a pessoa idosa à comunidade, inclui-la socialmente.

No ano de 2003 foi instituído o Estatuto do Idoso, conforme a Lei 10.741/03, que regula os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. Reza o Artigo 3º do referido estatuto que:

É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar à pessoa idosa, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária (ESTATUTO DO IDOSO, 2003, p.12).

O Artigo 8º trata do envelhecimento como um direito reservado à pessoa humana, como parte integrante da existência. Diz o artigo: “O envelhecimento é um direito personalíssimo e a sua proteção um direito social, nos termos desta Lei e da legislação vigente” (ESTATUTO DO IDOSO, 2003, p.13).

Por fim, o Artigo 9º trata das políticas públicas que respaldam a qualidade de vida como um direito da pessoa idosa, quando afirma o seguinte: “É obrigação do Estado, garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde, mediante efetivação de políticas sociais públicas que permitam um envelhecimento saudável e em condições de dignidade” (ESTATUTO DO IDOSO, 2003, p.13).

Vale ressaltar, que a pessoa idosa tem direitos legais, garantidos constitucionalmente, sendo o Estado, a família e a sociedade civil responsáveis pelos cuidados necessários a seres humanos que tanto podem ter contribuído para a sociedade.

4. Material e Método

Esta pesquisa se configura como uma pesquisa descritiva de revisão de literatura sobre o tema que visa avaliar a importância do apoio familiar para o bem-estar da pessoa idosa coletando dados sem descrição numérica. Do ponto de vista metodológico, em termos de procedimentos, em primeiro lugar tratamos de alguns aspectos gerais sobre a pessoa idosa e o envelhecimento, para em seguida discutir aspectos relacionados à legislação sobre à pessoa idosa. Por tratar-se de uma pesquisa de caráter bibliográfico, utilizamos a técnica de análise documental, sendo a fonte de coleta de dados em livros, artigos científicos e periódicos de documentos eletrônicos que compuseram o escopo do referencial teórico desta pesquisa.

5. Discussão

Esta pesquisa traz ideias que se complementam e confirmam que o apoio da família tem fundamental importância para o bem-estar da pessoa idosa. Segundo Cobb (1976), o apoio social leva o indivíduo a acreditar que é querido, amado e estimado, e que faz parte de uma rede social com compromissos mútuos. Cockerham (1991) afirma que as redes sociais formadas por familiares e amigos significativamente abalam os efeitos do estresse nos indivíduos mais velhos, uma vez que oferecem suporte social na forma de amor, afeição, preocupação e assistência.

Portanto, é possível inferir, de acordo com os autores supracitados, que o apoio familiar ofertado na forma de amor, afeição, cuidado e suporte social fazem a pessoa idosa acreditar que é amada e estimada, e esta crença causa efeitos positivos em sua saúde, uma vez que abala o efeito do estresse e, consequentemente, contribui para o bem-estar da pessoa idosa. 

A pobreza de relações sociais como um fator de risco à saúde tem sido considerada tão danosa quanto às doenças e outros aspectos que podem causar danos à saúde e a integridade psicológica da pessoa idosa. Segundo Ramos (2002), este conjunto de evidências sugere que a deterioração da saúde pode ser causada não somente por um desgaste natural do organismo, sedentarismo ou uso de tabaco, mas, também, pela redução da quantidade ou qualidade das relações sociais. Daí a necessidade de uma relação inclusiva da pessoa idosa.

Desta forma, pode-se inferir que a qualidade das relações sociais e familiares é um fator fundamental para garantir a saúde e o bem-estar das pessoas idosas, pois a saúde emocional é tão importante quanto à física. Foi possível perceber ao longo da pesquisa que os diversos autores comparam fatores de risco à saúde física como o tabaco e o sedentarismo com a deficiência das relações que prejudicam a saúde emocional.

Existe correlação entre contato social, apoio e longevidade, já que indivíduos que mantêm maior contato com familiares e amigos possivelmente vivam por mais tempo do que aqueles que se abstêm desses relacionamentos (AREOSA; BULLA, 2010). Esta ideia é corroborada por Dressler, Balieiro e Santos (1997), pois estes afirmam que as pessoas que têm maior contato social vivem mais e com melhor saúde do que as pessoas com menor contato social.

Portanto, pode se afirmar que a longevidade está diretamente relacionada com a qualidade da relação que a pessoa idosa mantém com sua família, visto que os autores supracitados afirmam que a pessoa idosa que possui proximidade com familiares vivem mais e com mais saúde do que aqueles que vivem afastados de sua família.

Mendes et al. (2005), afirmam que em famílias nas quais há falta de respeito, desarmonia e falta de limites, o relacionamento é marcado por frustrações, com indivíduos deprimidos e agressivos. Estes eventos promovem retrocesso na vida das pessoas. A pessoa idosa torna-se isolada socialmente e temerosa em cometer erros e ser punida. A Teoria da integração Social de Durkheim expõe que a integração Social promove um sentido de significado e propósito para a vida. Em geral, a perspectiva da integração social assume que a frequência dos contatos promove bem-estar (DURKHEIM, 1951).

Mendes et al. (2005), pontuam que relações onde não há respeito e harmonia são carregadas de frustrações, tornando a pessoa idosa deprimida e agressiva e Durkheim afirma que a frequência dos contatos promove o bem-estar. Vale ressaltar que toda a Sociologia de Durkheim está pautada nas ideias de ordem, normalidade, solidariedade, integração, coesão, além de outros conceitos que buscam evitar o conflito. Portanto, se as relações não forem saudáveis e a família não exercer a função de apoiar à sua pessoa idosa, esta terá sua saúde e seu bem-estar comprometidos. É necessário que a relação família-pessoa idosa seja frequente e de qualidade para alcançar os efeitos desejáveis: o bem-estar.

Foi possível observar que a família tem o papel de oferecer apoio e intimidade às pessoas idosas, garantindo identidade e um lugar de pertencimento, onde estas se sintam seguras. É também o principal lugar para nutrir afetos e proteção às pessoas idosas. Em famílias onde há respeito, onde existe a harmonia, as relações tornam-se carregadas de afetividade e os indivíduos mais felizes. Desta forma, a qualidade das relações e a crença de que é amado pela família interferem significativamente no bem-estar e na longevidade das pessoas idosas.

Espera-se que este trabalho possa auxiliar os profissionais e os estudantes interessados em pesquisa e aquisição de conhecimento sobre a pessoa idosa, pois durante a realização desta pesquisa foi possível observar a carência que existe de material teórico.

Portanto, a pesquisa sobre a pessoa idosa configura-se como de fundamental importância tanto para o campo das Ciências Humanas quanto para a sociedade contemporânea.

6. Conclusão

A velhice é inevitável e apresenta situações e aspectos diferentes para cada pessoa que consiga chegar a este estágio. Foi possível analisar que o apoio familiar revela-se como um fator diferencial para quem vivencia a terceira idade, transmitindo à pessoa idosa segurança, amor e estima que refletem no seu bem-estar. O bem-estar por sua vez interfere na saúde emocional da pessoa idosa que está relacionada com a longevidade.

Verificou-se que a função da família é oferecer proteção, afeto, intimidade e identidade social a pessoa idosa, esclarecendo que o vínculo familiar tem consequências positivas na saúde da pessoa idosa, pois aqueles que têm mais proximidade com suas famílias vivem mais e com mais saúde.

Fica a sugestão de que outras pesquisas sejam elaboradas sobre o tema do envelhecimento e temas congêneres. A carência de estudos nessa área é notável. Ainda mais problemático é que a falta de estudos acaba interferindo no desenvolvimento das atividades técnicas. Quanto mais soubermos sobre como é a fase do envelhecimento, mais podemos intervir, bem como oferecer elementos para que a pessoa idosa possa gozar de uma melhor qualidade de vida.

A necessidade de novas pesquisas nesta área apontam para a possibilidade de novas aquisições teóricas, metodológicas e técnicas sobre o tema. 

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