Resumo: A presente pesquisa teve como objetivo compreender o olhar do docente em relação à concepção de ensino construtivista. A pesquisa do tipo estudo de caso, com abordagem qualitativa, ocorreu com a participação de três docentes que durante um longo período de tempo, trabalharam a educação construtiva. O instrumento técnico utilizado foi o questionário e os dados coletados foram organizados em temáticas, resultantes de temas recorrentes ao construtivismo com base ao referencial teórico de autores renomados como: Becker (1993); Kamii (1992); Libâneo (1996); Saviani (1991); Weisz (2004); Luckesi (1995); Freire (1985); pesquisadores da Educação. O construtivismo tem como foco principal, as possibilidades de relação do indivíduo com o mundo e com os outros, para sua própria constituição e formação. Sendo assim, o docente que adota esta concepção de ensino fundamentam-se nas vivências do aluno, respeitando as suas individualidades para a sua construção do conhecimento. A pesquisa aponta que a concepção estudada é muito importante por valorizar o educando na construção do conhecimento, porém, os professores estão deixando de trabalhar, até mesmo por exigência dos pais que não entendem o tempo de aprendizado de seu filho, cobrando quantidade de conteúdos trabalhados, e desta forma, a escola retorna a concepção conservadora.

Palavras-chave: Educação Construtiva, Concepção de Ensino, Trabalho Docente.

1. Introdução

A escolha do tema veio com a necessidade de fazer algo diferente que fugisse do tradicional, levando em consideração que estamos no século XXI e que muitas coisas evoluíram se comparando há décadas e daí veio à busca de novos conceitos e conhecimentos para a realização desta pesquisa.

Com o objetivo de coletar dados para um novo olhar quanto à necessidade da abordagem do tema sobre o construtivismo em sala de aula, aonde vem facilitar a aprendizagem. Dessa forma, buscou-se por meio desta pesquisa, responder a seguinte questão: Qual o olhar do docente em relação à concepção de ensino construtivista?

Este estudo, de abordagem qualitativa, trata-se de uma reflexão sobre o olhar do docente em relação à concepção de ensino construtivista e que foi realizado com três professoras que durante um longo período de tempo trabalharam com esta concepção de ensino, ou seja, a educação construtiva, no “SESC ESCOLA” (única escola da capital que trabalha esta concepção de ensino), mas atualmente estão na Escola Municipal de Educação Infantil Sementes do Araçá que fica situada na Rua Castro Alves 5899, bairro São Sebastião I zona norte da capital. 

Nesta perspectiva, os objetivos propostos para a pesquisa foram: pesquisar sobre a forma que essas professoras trabalhavam o construtivismo; entender a importância da Educação Construtiva na escola e perceber a postura do docente diante de questões relacionadas ao construtivismo com os alunos. 

Esta pesquisa possibilitou um estudo cuidadoso em relação à concepção de ensino construtivista, baseado nas teorias de alguns estudiosos, entre outros, Libâneo (1992); Saviani (1991); Weisz (2004); Luckesi (1995); Becker (2003); Ferreiro (1995); Minayo (2007), que foram importantes na compreensão e no entendimento sobre esta concepção de ensino.

O estudo foi desenvolvido em diferentes seções no qual se procurou demonstrar de uma melhor forma, os desafios e as metodologias utilizadas para haver uma boa educação construtiva, pois se sabe que a escola é essencial para a vida social de todo aluno. 

Primeiramente, apresentam-se uma discussão acerca da educação formal e informal, com seus contrapontos, e na sequência, as diferentes concepções pedagógicas.

Na seção seguinte, foi demonstrado com clareza, o entendimento sobre o Construtivismo, a Educação Construtiva e todo o conhecimento que envolve sua teoria e sua prática. A seguir foi mostrado não só os aspectos teóricos, mas, as estratégias facilitadoras do ensino e da aprendizagem detalhadamente.

Para finalizar, foi mostrada a metodologia utilizada para a elaboração da pesquisa, apresentando os dados e sua análise com base na contribuição teórica anteriormente apresentada. 

2. Uma Discussão Acerca da Educação: Formal e Informal

A história da educação é parte da história da cultura, que por sua vez faz parte da história geral. Em cada tempo e espaço histórico, a educação atendeu a determinados objetivos, que correspondiam a visões de homem e de mundo. Para compreender a história da educação, é essencial situá-la na história geral.

Entende-se por “educação” o processo através do qual, indivíduos adquirem domínio e compreensão de certos conteúdos considerados valiosos. Engloba o processo de ensinar e aprender.É um fenômeno observado em qualquer sociedade e nos grupos organizados destas, responsável pela sua manutenção e eternização a partir da transposição, as gerações que se seguem, dos modos culturais de ser, estar e agir necessários à convivência e ao ajustamento de um membro no seu grupo ou sociedade. Enquanto processo de socialização.  A educação é exercida nos diversos espaços de convívio social, seja para a adequação do indivíduo à sociedade, do indivíduo ao grupo ou dos grupos à sociedade.

No processo educativo em estabelecimento de ensino, os conhecimentos e habilidades são transferidos para as crianças, jovens e adultos sempre com o objetivo de desenvolver o raciocínio dos alunos, ensinar a pensar sobre diferentes problemas, auxiliar no crescimento intelectual e na formação de cidadãos capazes de gerar transformações positivas na sociedade. O acesso ao ensino escolar formal faz parte do processo de educação dos indivíduos e é um direito fundamental do ser humano que deve ser garantido pelo Estado.

A educação pode ser formal ou informal. A educação formal é a desenvolvida na escola, com conhecimentos de mundo já pré-estabelecidos. Seu objetivo básico é a transmissão de determinados meios culturais, isto é, de determinados conhecimentos, técnicos ou modos de vida.

A educação informal é a transmitida pelos pais, amigos, leituras e nos diferentes espaços sociais de convivência, acontecendo de forma natural. É gerada de forma espontânea, onde o indivíduo se compreende em seu processo de socialização com a família e amigos.

É a que acontece na vida diária pelo aprendizado das tarefas normais de cada grupo social, pela observação do comportamento dos mais velhos, pela convivência entre os membros de uma sociedade. É realizada em qualquer plano, sem local ou hora determinada. Todas as pessoas, todos os grupos, toda a sociedade participam dessa forma de educação. A expressão “quanto mais se vive, mais se aprende” representa esse processo.

Segundo Libâneo (1996), a escola seria entendida como mediação entre o individual e o social, exercendo uma articulação entre a transmissão de conteúdos e a assimilação por parte dos alunos. O resultado dessa articulação seria um saber criticamente reelaborado. Esse saber reelaborado não significaria apenas a absorção de conteúdos específicos a serem ensinados, mas uma nova relação com a experiência vivida, uma ligação a sua significação humana e social.

Para que isso ocorra, o autor esclarece que tudo aquilo que é visto e aprendido na escola, ou seja, os processos de ensino e aprendizagem formal, precisa ter repercussão na vida dos alunos, considerando a educação como “uma atividade mediadora no convívio da prática social, global” (LIBÂNEO, 1996, p.39).

Nesse sentido, Libâneo (1996) afasta a possibilidade de que os processos de ensino e aprendizagem formais sejam artificiais. Essa artificialidade estaria caracterizada através de dois pólos: em um lado, um ensino autoritário onde o saber é apenas depositado no aluno pelo professor e, em outro, onde o aluno traz um saber totalmente espontâneo ou natural, sem uma ligação ao significado humano e social (LIBÂNEO, 1996, p. 40).

Para Libâneo (1996, p.39), considerar a educação como “atividade mediadora no convívio da prática social” significa um acesso ao saber institucionalizado e reconhecido e àquele cotidianamente construído, estabelecendo uma articulação entre ambos. Para o outro, o relacionamento da prática vivida com o saber institucionalizado resultaria num rompimento, no sentido de constatar a prática real, confrontando o que é visto na escola, formalmente, com o que é realizado fora dela. Esse confronto seria o resultado padronizado entre a teoria e a prática, entre o formal e informal (LIBÂNEO, 1996, p.39).

2.1 Contrapontos da Educação Formal e Informal

A educação formal é identificada com a educação escolar, entendido como o tipo de educação organizada com uma determinada sequência e proporcionada por escolas, com estrutura, plano de estudo e papéis definidos para quem ensina.

Conduz normalmente a um determinado nível oficializado por um diploma. “Sistema Educativo” altamente institucionalizado, cronologicamente graduado e hierarquicamente estruturado, que se estende da escola primária até a universidade.

A educação formal, mais do que transmitir conhecimentos técnicos e específicos, precisa compreender a criança e o jovem como um todo e contribuir para o seu desenvolvimento e formação na sua plenitude preparando-o para o exercício da cidadania.

Por outro lado, é fundamental que se tenha estratégias voltadas para o ensino não formal a fim de também compreender que os indivíduos e sujeitos coletivos, que estão fora dos bancos escolares, também estão em permanente processo de reflexão sobre o mundo e de como agir de forma responsável e justa.

Mesmo antes do ensino formal, a criança já construiu interpretações, elaborações internas, que não dependem da interferência do adulto e não devem ser entendidas como confusões perceptivas (ARANHA, 2006, p.278).

As garatujas nunca são simples rabiscos sem sentidos, por isso cabe ao professor observar o que o aluno já sabe, atento para o modo como ele interpreta os sinais ao seu redor e não para aquilo que a escola pensa que ele deve saber.

Conforme diz Ferreiro (1988, p.102):

É necessária imaginação pedagógica para dar às crianças oportunidades ricas e variadas de interagir com a linguagem escrita. É necessária formação psicológica para compreender as respostas das crianças. É necessário entender que a aprendizagem da linguagem escrita é muito mais que a aprendizagem de um código de transcrição: é a construção de um sistema de representação.

As teorias de Emilia Ferreiro (1988) produziram um efeito revolucionário nas propostas de superação das dificuldades enfrentadas por crianças com problemas de aprendizagem. Realizando diversas experiências com crianças a fim de investigar a psicogênese da escrita, Emília Ferreiro percebeu que elas de fato reinventaram a escrita, no sentido de que precisam inicialmente compreender seu processo de construção e suas regras de produção.

Educação informal é o processo pelo qual, durante toda a vida, as pessoas adquirem e acumulam conhecimentos, habilidades, atitudes e comportamentos através das suas experiências diárias e a sua relação com o meio ambiente. A educação informal possui muitas significações diferentes. É aquela que está relacionada como processo “livre” de transmissão de certos saberes, tais como: a fala comum a certo grupo, as tradições culturais e demais comportamentos característicos das diversas comunidades presentes em uma sociedade.

É todo e qualquer processo educativo ocorrido em instituições que não pertençam as Redes Escolares de Ensino (escolas federais, municipais e estaduais além de escolas privadas credenciadas pelos órgãos educacionais competentes). É realizada na família, como primeiro e privilegiado espaço de transmissão da cultura, se estendendo ainda no convívio com amigos, nas atividades e lazer e nos veículos de informação. A educação informal caracteriza-se por não ser intencional ou organizada, mas casual e baseada na experiência, na prática, e não no estudo e na ciência, exercida a partir das vivências, de modo espontâneo.

Educação informal abrange todas as possibilidades educativas, na passagem do tempo da vida do indivíduo, construindo um processo permanente e não organizado. Não se tem um cronograma ou uma intenção definida ela se dá de maneira casual: na família, nas igrejas na nossa comunidade. É tudo que se aprende sem que seja propriamente ensinado, ou seja, são as influências que recebemos da sociedade. A educação informal ocorre com os amigos, no bairro, ou seja, através da interação com grupos sociais, os quais são carregados de valores e culturas herdadas historicamente e que através dessas interações são repassadas de um para outro. Tem como objetivo se socializar, desenvolvendo neles, hábito, desenvolver modos de pensar e agir frente aos obstáculos enfrentados na vida. A educação informal não é obrigatória e depende totalmente da motivação.

Normalmente as pessoas que se auto-educam são tão motivadas e focadas, que não deixam passar uma página sem ler ou uma questão sem responder. Assuntos mais complexos eram mais difíceis de serem solucionados no passado, mas com a globalização e a internet, é possível expandir seus horizontes interagindo com outras pessoas que já resolveram ou tem uma visão ampliada, estes são gênios intelectuais, pessoas muito diferentes de professores (GOHN, 2001). 

3. As Diferentes Concepções Pedagógicas

A expressão “concepções pedagógicas” é a comparação de “ideias pedagógicas”. A palavra pedagogia e, mais particularmente, o adjetivo pedagógico têm como marca a divulgação metodológica, indicando o modo de produzir, de realizar o modo educativo. 

As concepções educacionais, de modo geral, envolvem três níveis: o nível da filosofia da educação que, sobre a base de uma reflexão radical, rigorosa e de conjunto sobre a problemática educativa, busca explicitar as finalidades, os valores que expressam a visão geral de homem, mundo e sociedade, com vistas a orientar a compreensão do fenômeno educativo; o nível da teoria da educação, que procura sistematizar os conhecimentos disponíveis sobre os vários aspectos envolvidos na questão educacional que permitam compreender o lugar e o papel da educação na sociedade.

Quando a teoria da educação é identificada com a pedagogia, além de compreender o lugar e o papel da educação na sociedade, a teoria da educação se empenha em sistematizar, também, os métodos, processos e procedimentos, visando a dar intencionalidade ao ato educativo de modo a garantir sua eficiência; finalmente o terceiro nível é o da prática pedagógica, isto é, o modo como e organizado e realizado o ato educativo.

Portanto, em termos breves, podemos entender a expressão “concepções pedagógicas” como as diferentes maneiras pelas quais a educação é compreendida, teorizada e praticada. Na história da educação, de modo geral, e na história da educação brasileira, em particular, produziram-se diferentes concepções pedagógicas.

Piaget, pai da Epistemologia Genética, compreende a relação entre construção do conhecimento e desenvolvimento da inteligência. O teórico destaca que o conhecimento não pode ser concebido como algo predeterminado desde o nascimento e tampouco como mero resultado de percepções e informações, mas como fruto das ações e interações do sujeito com seu ambiente (PIAGET, 1999).

Para que a construção de uma nova proposta pedagógica nas instituições de ensino seja uma realidade fica claro a necessidade do comprometimento de todos aqueles que estão ligados ao processo de ensino-aprendizagem, a fim de garantir a formação do aluno de modo a contribuir para a sua formação como ser humano.

O professor acima de tudo deve ter uma visão pluralista reconhecendo aspectos particulares de cada aluno e as diversas formas de cognição, reconhecendo também que as pessoas têm capacidades distintas para adquirir conhecimentos e estilos diferentes de aprendizagem.

A escola é primordial no desenvolvimento das crianças e escolher a instituição correta é uma tarefa difícil para os pais. Ao mesmo tempo, os colégios estão passando por profundas transformações em suas propostas pedagógicas, baseadas em diferentes concepções de aprendizagem.

Telma Weisz (2004, p. 55) nos diz que:

Quando analisamos a prática pedagógica de qualquer professor, por trás de suas ações, há sempre um conjunto de ideias que as orienta. Mesmo quando ele não tem consciência dessas ideias dessas concepções, dessas teorias, elas estão presentes.

É importante conhecer cada uma das linhas oferecidas para optar por um ensino que esteja de acordo com as crenças e filosofias de cada família. Faz parte da missão da escola preparar pessoas capazes de sobreviver num mundo em permanente mudança, porém não há uma receita pronta ou um guia sobre qual é a melhor forma de ensino.

O bem-estar vem da escolha daquela que mais se aproxima do desejo do indivíduo, levando em conta o perfil da criança que se tem em casa, onde o primeiro passo que o educador deve ter é conversar com os pais com relação ao conceito de educação. Há famílias que valorizam o conteúdo, mas há outras que buscam uma formação completa com o desenvolvimento do estudante em todos os quesitos, porque cada criança tem sua exclusividade e jeito próprio de ser e pode não se adaptar a determinadas abordagens de ensino. Se for possível, os pais devem conversar um pouco com essa comunidade escolar para saber se efetivamente a prática reflete aquilo que está no papel.

A linha construtivista, hoje está largamente espalhada, e atualmente é seguida por algumas escolas brasileiras. Essa concepção de ensino enfatiza o conhecimento que a criança já tem antes de ingressar na escola, não apenas na linguagem escrita valorizando a educação informal. A proposta dá prioridade à forma como o aluno aprende, enfatizando a construção do conhecimento a partir das relações com a realidade. O professor tem o papel de coordenar as atividades, perceber como cada aluno se desenvolve e propor situações de aprendizagem significativas. O conteúdo é importante, mas o processo pelo qual o aluno chega a ele é prioridade.

As idéias de Piaget garantiram aos psicólogos que havia um mecanismo natural de aprendizagem e que a escola deveria acompanhar a curiosidade da criança, propondo atividades com temas que a interessassem naquele momento, sem se prender a um currículo rígido. No construtivismo, a intenção é a de construir reconhecimento a partir da interação do sujeito com o mundo em uma relação que extrapole o simples exercício de ensinar e aprender. Assim conhecer é sempre uma ação que acarretam e comprometem em esquemas de assimilação e acomodação, em um processo de constante reorganização.

Na Pedagogia Tradicional, o professor transmite o conteúdo, na forma de verdade a ser absorvida. A segurança do material ensinado é garantida pela repetição de exercícios conforme um sistema de recapitulação da matéria. Assim, predomina a pedagogia tradicional, exigindo uma atitude compreensiva e mecânica do aluno. Os conteúdos são organizados pelo professor, numa sequência lógica, e a avaliação é realizada através de provas escritas e exercícios de casa. Na concepção construtivista, o conhecimento não é dado, mas adquirido através de experiências reais que têm propósito e significado para o aluno, e o intercâmbio de perspectivas sobre a experiência com os outros.

A transmissão de conhecimento, muito espalhada em décadas passadas e ainda bastante presente em nossos dias, tem sido questionada e discutida por inúmeros educadores comprometidos com a alfabetização entendida enquanto processo de ação no qual a construção de conhecimento pelo sujeito se propõe à visão simplificada que reduz o conhecimento a algo pronto, estático, mecânico, como é o caso das “cartilhas” que se propõem a alfabetizar. A preocupação com a construção do conhecimento torna-se estável a partir de pesquisas fundamentadas em teorias, como as de Piaget; destacam-se entre as mais significativas sobre alfabetização as de Emilia Ferreiro, segundo Nogueira e Pilão (1988).

Buscando um entendimento acerca das diferentes concepções e seus objetivos, Libâneo, (2005), apresentam as seguintes como tendências pedagógicas: Liberal Progressista (Libertadora, Libertária e “crítico social dos conteúdos”) na qual faremos uma análise buscando a concepção construtivista, não classificar, mas refletir em quais aspectos ela (considera, ou se parece) em cada concepção apresentada. 

A seguir, mostraremos um quadro com a síntese das variadas concepções pedagógicas, mostrando-as como elas são trabalhadas:

Quadro 1- Síntese das concepções pedagógicas

NOME DA CONCEPÇÃO PEDAGÓGICA

PAPEL DA ESCOLA

CONTEÚDOS

 MÉTODOS

PROFESSOR X ALUNO

APRENDIZAGEM

MANIFESTAÇÕES

 

Pedagogia Liberal Tradicional

Preparação intelectual e moral dos alunos para assumir seu papel na sociedade

São conhecimentos e valores sociais acumulados através dos tempos e repassados aos alunos como verdades absolutas

Exposição e demonstração verbal da matéria por meios de modelos

Autoridade do professor que exige atitude receptiva do aluno

A aprendizagem é receptiva e mecânica, sem se considerar as características próprias de cada idade

Nas escolas que adotam filosofias humanistas clássicas ou científicas

Tendência Liberal Renovadora Progressiva

A escola deve adequar às necessidades individuais ao meio social

Os conteúdos são estabelecidos a partir das experiências vividas pelos alunos frente às situações problemas

Por meio de experiências, pesquisas e método de solução de problemas

O professor é auxiliador no desenvolvimento livre da criança

É baseada na motivação e na estimulação de problemas

Montessori

Dewey

Piaget

 

Tendência Liberal Renovadora (Escola Nova)

Formação de atitudes

Baseia-se na busca dos conhecimentos pelos próprios alunos

Método baseado na facilitação da aprendizagem

Educação centralizada no aluno e o professor é quem garantirá um relacionamento de respeito

Aprender é modificar as percepções da realidade

Carl Rogers

 

Tendência Liberal Tecnicista

É modeladora do comportamento humano através das técnicas específicas

São informações ordenadas numa sequência lógica e psicológica

Procedimentos e técnicas para a transmissão e recepção de informações

Relação objetiva onde o professor transmite informações e o aluno vai fixá-las

Aprendizagem baseada no desempenho

Leis 5.540/68

e

5.692/71

 

 

Tendência Progressista Libertadora

Não atua em escolas, porém visa levar professores e alunos a atingir um nível de consciência da realidade em que vivem na busca da transformação social

Temas geradores

Grupos de discussão

A relação é de igual para igual, horizontalmente

Resolução da situação problema

Paulo Freire

 

Tendência Progressista Libertária

Transformações da personalidade num sentido libertário e autogestionário

As matérias são colocadas, mas não exigidas

Vivência grupal na forma de auto-gestão

É não diretivo, o professor é orientador e os alunos livres

Aprendizagem informal, em grupo

Freinet

Miguel

Gonzales

Arroyo

 

Tendência Progressista “crítico social dos conteúdos”

Difusão dos conteúdos

Conteúdos culturais universais que são incorporados pela humanidade frente à realidade social

O método parte de uma relação direta da experiência do aluno confrontada com o saber sistematizado

Papel do aluno como participador e do professor como mediador entre o saber e o aluno

Baseada nas estruturas cognitivas já estruturadas nos alunos

Makarenko

Dermeval

Saviani

Fonte: Site do Professor (http//www.aol.com.br/professor)

É fundamental, portanto, que se tenha claro em sala de aula, que o ponto de partida é a informação, mas o ponto de chegada é o conhecimento.

Quadro 2 - Análise comparativa: Construtivismo e sua relação com as diferentes concepções

 

CONCEPÇÃO

 

PAPEL DA ESCOLA

 

CONTEÚDOS

 

MÉTODOS

PROFESSOR

X

ALUNO

 

APRENDIZAGEM

 

MANIFESTAÇÕES

 

 

 

 

EDUCAÇÃO

CONSTRUTIVA

Tendência

Liberal

Renovadora Progressista

Tendência

 Liberal Renovadora Progressista

Tendência

Liberal

Renovadora Progressista

Tendência Liberal Renovadora Progressista

Tendência

Liberal

Renovadora Progressista

Tendência Liberal Renovadora Progressista

Tendência Liberal Renovadora (Escola Nova)

Tendência Liberal Renovadora

(Escola Nova)

Tendência

Liberal

Renovadora

(Escola Nova)

Tendência Liberal Renovadora (Escola Nova)

Tendência Progressista Libertária

Tendência Progressista Libertadora

 

X

 

X

Tendência Progressista Libertadora

 

X

Tendência Progressista

“crítico social

dos conteúdos”

Tendência Progressista “crítico social dos conteúdos”

 

X

 

X

Tendência Progressista Libertária

Tendência Progressista

“crítico social dos conteúdos”

 

X

 

X

Fonte: Cruz, 2013.

 

Esse quadro foi feito, com a intenção de mostrar para o leitor com quais tendências e concepções de ensino, a concepção construtivista mais se aproxima em relação às demais expostas no quadro anterior.

A escola construtivista deverá estender as propriedades estruturais da cognição do aluno, em cada estágio, a fim de propiciar condições em que as estruturas possam evoluir e ampliar-se, tornarem-se mais complexas. 

Na relação escolar, o professor conseguirá identificar que tipo de estrutura o aluno está utilizando, ao observar ativamente as respostas que esse aluno explicita em diversas situações. Saber ouvir deve ser uma característica do professor construtivista.

Em relação à situação escolar, para o construtivismo é importante o professor conhecer quais hipóteses o aluno está elaborando acerca de determinado assunto, ou seja, diante de um objeto específico, para que, dessa forma, qualquer conceito seja compreendido e um conhecimento seja (re) construído, segundo Nogueira e Pilão (1988).  

Na concepção construtivista, a primeira e a mais fundamental condição a considerar para uma aprendizagem significativa é o conhecimento que os alunos já trazem a partir de suas experiências vividas.

Quadro 3 - Síntese

 CONCEPÇÃO CONSTRUTIVISTA

 

PAPEL DA ESCOLA

 

CONTEÚDOS

 

MÉTODOS

PROFESSOR

X

ALUNO

 

APRENDIZAGEM

 

MANIFESTAÇÕES

A escola deve inserir o aluno no meio social e formador de atitudes

Conhecimentos e valores sociais já trazidos com os alunos a partir de suas experiências vividas

Por meios de experiências e pesquisas. Facilitação da aprendizagem em grupos

O professor é o mediador

e auxilia no desenvolvimento

livre

É baseada na motivação e sem formalidades

Jean Piaget

Lev Vygotsky

Emilia Ferreiro

Fonte: Cruz, 2013.

Ser construtivista implica ter uma prática pedagógica com base não apenas na simples transmissão, por mais importante que seja. Implica também tratar a prática pedagógica como uma investigação, como uma experimentação. Ser construtivista não é fazer uma coisa uma única vez, mas sim praticá-la, exercitá-la; mas com sentido de pesquisa, de descoberta, de invenção, de construção. Exercitar com o desafio de fazer melhor, de superar a si mesmo (MACEDO, 1994).

Construtivismo é uma das correntes teóricas empenhadas em explicar como a inteligência humana se desenvolve partindo do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas ações trocadas entre o indivíduo e o meio.

Esta concepção do conhecimento e da aprendizagem, parte da idéia de que o homem não nasce inteligente, mas também não é passivo sob a influência do meio, isto é, ele responde aos estímulos externos agindo sobre eles para construir e organizar seu próprio conhecimento, de forma cada vez mais elaborada.

O chamado construtivismo, como corrente pedagógica atual e moderna, talvez represente a síntese mais elaborada da pedagogia do século XX, por constituir-se em uma aproximação global de um movimento histórico e cultural de maiores dimensões.

A interação entre os alunos não é necessária só porque o intercâmbio é condição para o convívio social na escola: ela é necessária porque informa a todos os envolvidos e potencializa quase infinitamente a aprendizagem (WEISZ, 2004).

4. Entendendo o Construtivismo: Educação Construtiva

  O construtivismo nasceu a partir das idéias do epistemológico suíço Jean Piaget e chegou ao Brasil na década de 70, quando foram criadas algumas escolas experimentais ou alternativas. Para ele, a inteligência lógica tem um mecanismo autorregulador evolutivo. Certas noções, como quantidade, proporção, sequência, causalidade, volume, entre outras, surgem espontaneamente em momentos diferentes do desenvolvimento da criança em sua interação com o meio.

As ideias de Piaget garantiram aos psicólogos que havia um mecanismo natural de aprendizagem e que a escola deveria acompanhar a curiosidade da criança, propondo atividades com temas que a interessassem naquele momento, sem se prender a um currículo rígido. Enfatiza o conhecimento que a criança já tem antes de ingressar na escola e está focado na língua escrita. A proposta dá prioridade à forma como o aluno aprende, enfatizando a construção do conhecimento a partir das relações com a realidade. O professor tem o papel de coordenar as atividades, perceber como cada aluno se desenvolve e propor situações de aprendizagem significativas.

Na concepção de ensino construtivista o conteúdo é importante, mas o processo pelo qual o aluno chega a ele é a prioridade. Por exemplo, se a matéria é vento, a professora pode colocar as crianças para correr a fim de sentirem o vento no rosto, para depois aprender a teoria. Ou seja, eles constroem a teoria através da prática. A aplicação dessa teoria tem possibilitado a formação de crianças mais críticas, opinativas e investigativas. Sua disciplina está voltada para a reflexão e auto-avaliação, portanto não é considerada rígida.

Ao construtivismo vão sempre na questão de como aprender, isto é, em teorias da aprendizagem, em sentido geral. Pautando-se na centralidade do educando, compreendem a escola com um espaço aberto à iniciativa dos alunos que, interagindo entre si e com o professor, realizam a própria aprendizagem, construindo os seus conhecimentos. Ao professor cabe o papel de acompanhar os alunos auxiliando-os em seu próprio processo de aprendizagem (SAVIANI, 1991).

O construtivismo também é visto como uma concepção interacionista da aprendizagem. Como consequência para a educação, a criança não é passiva nem o professor é simples transmissor de conhecimento (ARANHA, 2006).

Outra característica desse modelo epistemológico ocorre da constatação de que o conhecimento se produz a partir do desenvolvimento por etapas ou estágios sucessivos, nos quais a criança organiza e reorganiza o pensamento e a afetividade.

Essa nova atitude, portanto, recusa o objetivismo, porque o mundo que conhecemos não parece tal como é, mas depende de como nós o vemos; recusa o realismo (o pensamento não é o espelho do mundo); aceita o princípio da auto-organização: todo conhecimento resulta de organizações e reorganizações sucessivas em níveis abrangentes cada vez maiores. O construtivismo destaca-se justamente a capacidade adaptativa da inteligência e da afetividade, dando condições para que o processo de amadurecimento não seja ilusório. O que acontece quando resulta de pressões externas sem o tempo de elaboração de ideias por parte do sujeito.

O construtivismo também influenciou a elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais aprovados após a LDB de 1996 (LDB 9394/96), no sentido de recomendar que a formação do aluno não se reduza à acumulação de conhecimentos, objetivo comum da pedagogia tradicional. O mesmo pode ser descrito como uma teoria que lida com a maneira como as pessoas produzem sentido do mundo através de uma série de construções individuais.

Construtivismo significa: a ideia de que nada, está pronto, acabado, e o conhecimento não é dado, em nenhum momento, como algo terminado. Ele se constitui pela interação do indivíduo com o meio físico e social, com o simbolismo humano, enfim, com o mundo das relações sociais. É uma teoria que nos permite interpretar o mundo em que vivemos. Construtivismo não é uma prática ou um método; não é uma técnica de ensino nem uma forma de aprendizagem; não é um projeto escolar; é, sim, uma teoria que permite (re) interpretar todas essas coisas (BECKER , 1984).

No construtivismo acredita-se que o conhecimento e todo o processo educacional são construídos a partir de realidades sociais tanto do aluno quanto do professor, onde se estabelece uma relação de complementaridade juntamente com a bagagem cultural. O construtivismo é uma proposta de passar os mesmos conteúdos do tradicional de maneira diferenciada, revelando a sua amplitude, a sua importância e a sua função na vida. O professor deve ser intermediário de tudo. Cabe a ele utilizar a sua criatividade. E haja criatividade!

Ele é o desafiador do aluno, aquele que o colocará em situação de equilíbrio e adaptação social. O aluno diante de um desafio provoca a sua capacidade do pensar e mobiliza suas estruturas de inteligência. O construtivismo propõe uma inversão: primeiro, entender como os alunos aprendem, para, a partir daí, construir, novas ações e novos conhecimentos. Neste sentido, o professor deverá de início, entender como o aluno elabora seu próprio conhecimento para partir dessa situação (ele, professor), elaborar, programar, planejar sua ação, ou seja, o que desenvolverá junto ao aluno para o desenvolvimento de sua aprendizagem. 

Enfim, o construtivismo corresponde a uma teoria ou conjunto de teorias em que a palavra essencial é interação. Interação entre pessoas, interação com outros seres vivos e com tudo que existe no meio ambiente, ou seja, interação do sujeito que conhece com o objeto do seu conhecimento. Isto envolve ação e reflexão, teoria e prática.

Interação uma ação nos dois sentidos: tem ida e volta. Influenciamos e somos influenciados. Modificamos o meio enquanto ele nos modifica. Construímos a realidade que nos constrói como pessoas capazes de conhecer. Portanto:

[...] o indivíduo não é um mero produto do meio, nem um simples resultado de suas disposições interiores, mas uma construção própria que vai se produzindo dia-a-dia como resultado da interação entre esses dois fatores. Em consequência, segundo a posição construtivista, o conhecimento não é uma cópia da realidade, mas uma construção do ser humano. (CARRETERO, 1993, p.215, grifo nosso).

Dessa forma, o construtivismo, por suas características, não pode ser confundido com método. Ele não tem como objeto de estudo o como ensinar, e sim entender como o indivíduo aprende. Assim, para os teóricos construtivistas o próprio sujeito é o principal agente de sua aprendizagem. A partir do exposto, pode-se afirmar que o construtivismo é uma forma diferente de ver e interpretar o mundo.

A educação construtiva deve ser um processo de construção de conhecimento a qual ocorrem, em condição de complementaridade, por um lado, os alunos e professores e, por outro, os problemas sociais atuais e o conhecimento já construído. A educação não precisa ser a mesma para todos já que cada um percebe o mundo ao seu redor de modo diferente. Por isso o construtivismo, pode afirmar de modo categórico que a educação escolar deve ter como fonte principal do processo de ensino-aprendizagem a construção individual do conhecimento, a negociação de significados, centrando no cotidiano os conteúdos, não falando em provação cultural, mas em diferenças culturais.

Diante de tudo que foi dito até então, segue algumas perguntas importantes para melhor entendimento em relação à educação construtiva:

Qual o papel de um professor construtivista e em que difere do ensino tradicional? É possível ser construtivo na escola tradicional? Quais as vantagens da educação construtiva sobre outras linhas de ensino? O aluno formado pela educação construtiva fica bom de raciocínio, com mais senso crítico, porém mais fraco de conhecimento? A interdisciplinaridade tem alguma relação com o construtivismo?

Em vez de dar a matéria, em uma aula expositiva, o professor organiza o trabalho didático-pedagógico de modo que o aluno seja o dirigente de sua própria aprendizagem. O professor fica na posição de mediador ou facilitador desse processo.

Isso ocorre de uma maneira lenta, até porque o construtivismo, do mesmo modo que respeita os processos de transformação por que passam os alunos, também deve respeitar o dos próprios professores.

Procurar formar alunos de espírito interrogativo, participativo e cooperativo, com mais desembaraço na elaboração do próprio conhecimento. Além disso, o construtivismo cria condições para contato mais intenso e prazeroso com o universo da leitura e da escrita.

Embora o construtivismo enfatize o processo de aprendizagem, este não ocorre desligado do conteúdo: simplesmente não há como formar um indivíduo crítico no vazio. Portanto, a aquisição de informações é fundamental.

Nenhum professor, por mais ampla que seja a sua formação, pode dominar todos os conhecimentos envolvidos na tarefa de lecionar, o trabalho interdisciplinar é recomendado para todo e qualquer nível.

É importante para o construtivismo que o aluno seja visto como um ser pensante, pois valoriza as ações do sujeito em relação ao objeto. Entende-se por sujeito àquele que conhece ou quer conhecer e, por objeto, o próprio conhecimento.

Conclui-se que o estudante pode construir seu conhecimento, atuando e executando este saber, a partir do ambiente social em que vive e da relação com os professores. A metodologia construtiva conduz, a uma nova visão de mundo. O saber é sempre produzido pelo ato de construção, o qual deve ser estimulado no aluno.

4.1 Construtivismos da Teoria à Prática

Em linhas gerais, o método de ensino que se inspira no construtivismo tem como base que aprender, assim com o ensinar, significa construir novo conhecimento, descobrir nova forma para significar algo, baseado em experiências e conhecimentos existentes.

O construtivismo é diferente da escola tradicional, pois estimula a forma de pensar, onde ao invés de o aprendiz assimilar o conteúdo passivamente ele reconstrói o conhecimento dando um novo significado, consequentemente, gerando um novo conhecimento.  

Está presente no construtivismo: a exigência de uma dinâmica interna de momentos discursivos (raciocínio, dedução e demonstração); o entendimento, que é o aprendizado do presente que é baseado no passado e dá ao futuro nova construção, onde nessa aprendizagem o autor reconstrói o conhecimento, e o educador reflete sua prática pedagógica. O conhecimento encontra-se em constante reconstrução.

Em termos de métodos, o construtivismo pode ser pensado como uma proposta de conhecer o sujeito através de sua própria construção como sujeito, enquanto atribui sentido ao mundo e a si mesmo. Ou seja, o foco principal do construtivismo está no próprio sujeito, e nas possibilidades de relação com o mundo e com os outros, para sua própria constituição e formação.

O foco de a abordagem construtivista ser hoje predominante não significa uma tendência única refletida nos materiais didáticos, mesmo porque a ideia de construção do conhecimento está presente na obra de vários autores, e, dependendo de qual seja o referencial eleito, representa-se uma proposta pedagógica diferenciada.

Apesar das diferenças entre as concepções teóricas de alguns autores sobre o construtivismo, há elementos comuns que são fundamentais. Talvez o mais marcante seja a consideração do indivíduo com o agente ativo de seu próprio conhecimento.

Na visão construtivista, o sujeito constrói representações por meio de sua interação com a realidade, as quais irão constituir seu conhecimento, processo insubstituível e incompatível com a ideia de que o conhecimento possa ser adquirido ou transmitido. Assumir esses entendimentos significa mudar alguns aspectos do processo de ensino-aprendizagem em relação à visão tradicional.

Estudando o construtivismo, passamos a entender que ninguém transmite nada a outras pessoas, mas é a própria pessoa que organiza, escolhe ou estabelece, de forma autônoma, a construção do conhecimento. 

Para ter a clareza de que a construção do conhecimento acontece de forma interna é muito importante, já que muitos educadores avaliam seus estudantes apenas por aquilo que eles lhes mostram. Mas na Educação, é preciso não confundir espontaneísmo com construtivismo. O espontaneísmo é que adota a ideia de que nada precisa ser feito para algo se desenvolver. Entretanto, seguindo o referencial de Piaget, a Educação para ser construtivista, deverá se basear em atividades por meio das quais os educandos possam desenvolver o conhecimento.

Enfim, podemos perceber, por meio desses argumentos, que a teoria de Piaget está muito presente na Educação atual e ainda contribui significativamente para o processo de construção do conhecimento.

4.2 Dos Aspectos Teóricos

Poderíamos começar perguntando: em que se baseia uma prática docente construtivista? Este questionamento se faz necessário para esclarecer um primeiro ponto antes de entrarmos na teoria construtivista. Construtivismo não é um método. Construtivismo não é uma técnica. Veremos que esse novo modelo de ensino na verdade não é exatamente uma metodologia e sim uma postura em relação à forma de adquirir o conhecimento:

Construtivismo significa isto: a ideia de que nada, é preciso, está pronto, acabado e de que, exclusivamente não é dado, em nenhum momento como algo terminado. Ele se constitui pela interação do indivíduo com o meio físico, e social, com o simbolismo humano, com o mundo das relações sociais; e se constitui por força de sua ação e não por qualquer favorecimento prévio, na bagagem hereditária ou no meio, de tal modo que podemos afirmar que antes da ação não há características psicológicas nem consciência e, muito menos, pensamento (BECKER, 1993, p.88).

É importante que a escola reconheça na construção do conhecimento infantil que as hipóteses e concepções das crianças, combinam com as informações de origem de seu meio. Assim, contrariando todas as formas de modismos educacionais, Piaget produz e realiza uma teoria do conhecimento e não um método de ensino. Epistemologia é uma ciência que tem como objeto o estudo do conhecimento ou a compreensão de como chegamos a conhecer. 

O conhecimento humano é tema que vem sendo estudado ao longo de toda a história da humanidade. Várias tentativas têm sido feitas de formulação de uma teoria, capaz de chegar a uma conclusão ou, ao menos, a uma aproximação sobre essa capacidade unicamente humana de memorizar, criar e elaborar conhecimentos.

Vários teóricos deste século podem ser classificados como teóricos construtivistas. Entre eles, os principais são: Jean Piaget, Henri Wallon e Emília Ferreiro. Esses dois últimos pesquisadores foram a fundo nos estudos, sendo suas obras consideradas referências teóricas.

Dos autores citados, Piaget é sem dúvida, o mais importante teórico do construtivismo. Sua obra científica é tão grande que após mais de trinta anos de sua morte, a leitura de inúmeros de seus livros ainda é privilégio para estudantes completamente apaixonados por este gênio do conhecimento humano.

De acordo com Becker (1993), para Jean Piaget o desenvolvimento é resultado de combinações entre aquilo que o organismo traz e as circunstâncias oferecidas pelo meio. O eixo central de sua teoria sobre o desenvolvimento mental é justamente a interação entre o organismo e o meio ambiente em que está inserido.

Piaget não foi um educador como muitos ainda hoje pensam, e sua obra destinada à educação não é extensa se comparada a muitos outros temas. Mesmo assim, ele deixou contribuições incalculáveis quando conseguiram interpretar sua obra com visão à prática escolar. Para ele a educação deve possibilitar à criança o desenvolvimento amplo e dinâmico desde o começo de sua educação.

Em relação à aplicação pedagógica das teorias construtivistas, dentre as quais a teoria de Piaget tem papel de destaque, devemos reconhecer o papel do professor. É o professor o mediador do processo de aprendizagem da criança, isto é, ele é quem vai favorecer a interação entre os alunos e entre ele e seus alunos.

O professor deve saber que a criança e o adolescente aprendem em interação com o outro, e que esse outro, pode ser o próprio professor ou seus colegas de classe.

As orientações metodológicas baseadas nas teorias construtivistas devem explicar não apenas os detalhes das técnicas utilizadas, mas principalmente, justificar teoricamente, como se chegou até essas técnicas, quais são os objetivos em relação à aprendizagem e as suas prováveis consequências em termos pedagógicos.

No campo educacional, a teoria construtivista foi muitas vezes transformada em métodos pedagógicos, a partir da escolha de partes ou conceitos da teoria a serem tomados para a aplicação em determinados aspectos da aprendizagem escolar.

No sentido de adotar e seguir a teoria de Piaget como uma proposta transformadora:

[…] o homem só compreende aquilo que se faz, e só faz bem o que compreende: fazer e compreender (Piaget) são iguais a agir e refletir (Freire) desde que dialeticamente entendidos; tomada de consciência (Piaget) e processo de conscientização (Freire) são processos parecidos, talvez quase idênticos especialmente no que têm de atividade criadora e inventiva, desde que entendidos como função da ação do próprio homem e não de um ensino que se move numa só direção ou de uma repetitiva doutrinação (PIAGET; FREIRE, apud BECKER, 1993, p.14).

Construtivismo é uma das correntes teóricas empenhadas em explicar como a inteligência humana se desenvolve partindo do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas ações trocadas entre o indivíduo e o meio.

A concepção construtivista da aprendizagem e do ensino parte do fato óbvio de que a escola torna acessíveis aos seus alunos aspectos da cultura que são fundamentais para seu desenvolvimento pessoal, não só no caráter cognitivo, mas inclui também capacidades de equilíbrio pessoal e social, de relação interpessoal     e motora. Esta concepção leva em conta que a aprendizagem é fruto de uma construção pessoal.

Esta construção do conhecimento se dá a partir do momento em que o conteúdo a ser aprendido é incorporado, de modo que mais tarde possa ser utilizado pelo indivíduo.

O professor, além de ensinar, precisa aprender o que seu aluno já construiu até o momento, que é a condição prévia das atividades futuras. O aluno precisa aprender o que o professor tem a ensinar. Então, o termo construtivismo surge, a partir de Piaget, porque o sujeito constrói seu conhecimento em duas dimensões complementares, como conteúdo e como forma ou estrutura: como conteúdo ou como condição prévia de assimilação de qualquer conteúdo.

O professor construtivista deve dominar a matéria que ensina. Mas, por uma razão diferente, antes, tratava-se de saber bem para transmitir ou avaliar certo.       Agora, trata-se de saber bem para discutir com a criança, para localizar na história da ciência o ponto correspondente ao seu pensamento, para fazer perguntas inteligentes, para formular hipóteses e para sistematizar, quando necessário.

No livro OS Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, de Edgar Morin (2001), apresenta o que ele mesmo chama de inspirações para o educador ou os saberes necessários a uma boa prática educacional. Evidentemente, o ensino fornece conhecimento, fornece saber. Por isso, é sempre uma tradução, seguida de uma reconstrução. Percebe-se então que é de fundamental importância que o professor quando pede uma construção textual para seu aluno que faça a correção e devolva ao seu aluno para que ele possa refazer porque é nessa reconstrução que irá perceber seus erros e assim aprender, pois é errando e corrigindo nossos erros que aprendemos.

Com isso podemos afirmar que o desafio do professor na sua atuação docente está em ser um mediador do processo de reconstrução do conhecimento. Ele precisa possibilitar o acesso às ferramentas necessárias para que o aluno possa elaborar uma nova forma de compreensão de sua prática social e de seus vínculos com a prática social global.

A verdadeira necessidade da educação é levar ao aluno realmente ao saber, aprender não apenas ao processo de assimilação do mecanismo de síntese, mas também por outro lado, a construção do mesmo. Esse crescimento necessário formula a prática de natureza efetiva, em que compete ao docente perguntar e também ajudará formular as respostas, cujas perspectivas são transformar o aluno em sujeito do conhecimento, por meio da construção do saber.

Dentro do construtivismo o professor deve ter uma mentalidade aberta, atitude investigativa, desprendimento intelectual, senso crítico, sensibilidade às mudanças do mundo combinado com iniciativa para torná-las significativa aos olhos e flexibilidade para aceitar a si mesmo em processo de mudança contínua, “sujeito inacabado”, apresentado por Freire (2006). A aprendizagem precisa estar o tempo todo se renovando, para sustentar uma relação com os alunos que não se baseia na autoridade, mas na qualidade. O professor precisa de uma orientação pedagógica para servir de interlocução com quem ela possa refletir sobre sua prática.

Um professor que assume um estudo crítico construtivista forma o aluno como construtor ativo de significados. O homem não pode conhecer a realidade diretamente. Constrói teoria sobre ela e com base nelas atua. Essas teorias podem tanto surgir da interação do indivíduo com o meio, como, e talvez principalmente, da cultura em que está envolvido intensamente. Muitos de nossos conceitos construímos a partir da linguagem e do meio cultural. Aprendemos com os outros. Saber aprender apontaria precisamente para, profunda e comprometedora, até onde vão os limites e até onde devem prevalecer os desafios. Saber ceder pode ser, em muitas circunstâncias, admirável sabedoria, prova profunda de autonomia, bom senso convincente, como pode ser também render-se. Entretanto, ser contra também é essencial, porque sem isto nada aprenderíamos de novo e inovador. Pois, mais decisivo que inovar é humanizar a inovação.

Sob a orientação de um professor orientador, a função é de facilitador, não para “facilitar” as coisas, mas para motivar, apontar, chamar a atenção, criticar, abrir oportunidades e enfim, avaliar. Aprender é construir o seu próprio significado e não encontrar as “respostas certas” dadas por alguém. O papel do mestre deve ser aquele de incentivar à pesquisa, de fazer tomar consciência dos problemas e não aquele de ditar a verdade.  Não podemos nos esquecer de que uma verdade imposta não é mais uma verdade: compreender é inventar, reinventar e dar uma lição prematuramente é impedir a criança de inventar e redescobrir as soluções por si mesmas (PIAGET, 1972, p.72). Ao contrário do que muitos podem pensar o professor construtivista, para desenvolver seu trabalho em sala de aula, deverá estudar, e muito; dominar o conteúdo, entender o desenvolvimento cognitivo dos alunos, saber por meio de teorias, como pensa o aluno e em que hipótese constrói. O professor é quem deverá provocar o desequilíbrio para que a assimilação e acomodação aconteçam e formem novas estruturas cognitivas.

O papel do professor é o de transmitir os conhecimentos socialmente elaborados, pois o indivíduo precisa se apropriar do conhecimento historicamente produzido para construir o seu próprio. Mas a transmissão de conhecimentos proposta por Vygotsky requer que o sujeito seja ativo e interaja com os meios através dos instrumentos de mediação, a fim de internalizar os conhecimentos, e não assimilá-los de forma passiva, sem ter obtido uma compreensão verdadeira dos mesmos.

O professor deve conferir especial atenção à pesquisa espontânea dos alunos. Toda verdade a ser adquirida deve ser reinventada ou pelo menos reconstruída, e não simplesmente transmitida. Piaget (1970), sempre combateu durante a escola tradicional e defendeu práticas baseadas em jogos, pesquisas e trabalhos em grupos nos quais a tarefa do professor não era apenas a de transmitir conhecimentos, mas facilitar sua forma de adquirir o conhecimento por parte dos alunos. Para ele, o papel da escola é ajudar o desenvolvimento intelectual do aluno, e o professor deve ser um facilitador, buscar condições para que o aluno aprenda, socialize-se com o meio físico, cognitivo, afetivo, tornando-se um indivíduo independente, autônomo, um organismo que ao agir sobre o meio e modificá-lo, modifica a si mesmo.

Se um dia, todos esses conceitos de Piaget forem corretamente usados, a educação terá grande progresso, aproximando-se do ensino ideal.

4.3 Estratégias Facilitadoras do Ensino e da Aprendizagem

Ensinar é uma arte e, sendo uma arte, depende de vocação, talento e experiência. O processo de ensino-aprendizagem moderno está centrado no aluno.     Cabe ao professor estabelecer objetivos, que condizem com a fase de desenvolvimento do aluno, selecionar bem os conteúdos e métodos para facilitar o aprendizado do aluno.

Um dos focos centrais do aprendizado é a motivação. Tanto o professor, principalmente, o aluno devem estar estimulados para vencerem as barreiras do aprendizado.  

A educação hoje deixa de focar no ensino para concentrar-se especificamente na aprendizagem. Para melhorar a aprendizagem, é necessário conhecer como os alunos aprendem e, desta forma, propor soluções para melhorar a relação de ensino-aprendizagem.

De acordo com Weisz (2002), o processo de “ensino-aprendizagem” não é um processo único como muitos consideram, mas são dois processos diferentes. O de ensino, em que o sujeito á o docente e responsável pelo desenvolvimento, e o de aprendizagem, desenvolvido pelo aluno, que é o sujeito desse processo. São, portanto, dois processos que não se confundem, são diferentes, mas se comunicam.

Neste ponto de vista, o docente é o que deve compreender o caminho de aprendizagem que o aluno está percorrendo e, em função disso, identificar as informações e as atividades que permitam ao estudante avançar do nível em que se encontra para outro mais evoluído.

É o processo de ensino que deve se adaptar ao de aprendizagem, devendo haver diálogo entre os dois.

O aprendiz é um sujeito, protagonista do seu próprio processo de aprendizagem, alguém que vai produzir a transformação que converte informação em conhecimento próprio. Essa construção, pelo aprendiz, não se dá por si mesma e no vazio, mas a partir de situações nas quais ele possa agir sobre o que é objeto de seu conhecimento, pensar sobre ele, recebendo ajuda, sendo desafiado a refletir, interagindo com outras pessoas (WEISZ, 2004, p.60-61).

Se quisermos de fato fazer da escola um ambiente que forme cidadãos mais preparados para o mundo atual, é necessário que cada um dos profissionais envolvidos nesse processo assuma o papel de agente transformador. 

Para concluir, vale dizer que educação e afeto caminham juntos e que alunos devem ser respeitados e valorizados. É preciso que haja coerência; que se saiba que para formar alunos autônomos e independentes e também criativos, é preciso que essas características sejam trabalhadas durante o processo formativo; para que o aluno seja algo ao final de um processo é preciso que o tenha sido também durante o processo da aprendizagem.

4.3.1 Facilitadora do ensino

Segundo a LDB de 1996 (LDB 9394/96), o papel do professor vai além da simples transmissão de informações.

O professor mais que tudo, deve zelar pela aprendizagem de seus alunos, zelarem, nesse aspecto, significa preocupar- se, comprometer-se e buscar as causas que dificultam o processo de aprendizagem. Para isso, o professor deve construir relações baseada no respeito e na consideração das diferenças individuais. Deve incentivar os alunos a desenvolver uma busca cada vez maior de crescimento próprio. E, acima de tudo, não pode haver mais posturas autoritárias de professores que “passam” informações aos alunos. Essa forma de agir não possibilita o desenvolvimento na autonomia e educar não é mais possível com a metodologia do passado, que considera o aluno, como ser passivo que copia, lê e memoriza.

O ensino ideal é o apresentado pelo professor, quando se está produzindo positivamente comprometido com a aprendizagem significativa do aluno, considerando a sua realidade (cognitiva, afetiva e social) e crie situações que lhe possibilite captar e negociar significados. Assim, a melhor estratégia de ensino e avaliação depende de vários fatores: a natureza do conhecimento que se deseja ver aprendida, a natureza do conhecimento prévio do aluno assim como seu perfil sócio afetivo, o esclarecimento no qual ocorrerá o evento educativo, o tema disponível para sua realização, entre outros.

Algumas teorias de aprendizagem, dentre elas, o construtivismo de Piaget (1978), apontam para a capacidade de reação construtiva do ser humano.

Na concepção construtivista a construção do conhecimento encontra-se na interação, ocorrendo quando ações físicas ou mentais do sujeito sobre objetos provocam o desequilíbrio (LAKOMY, 2008), passando pela elaboração, interpretação, assimilação e reconstrução do conhecimento e do próprio indivíduo. Neste processo o professor atua como mediador e seu principal papel não é o de ensinar, mas de ajudar o estudante a aprender. O aluno por sua vez, é um sujeito ativo na construção do seu conhecimento que progressivamente vai sendo construído.

A concepção construtivista é um referencial explicativo que interpreta o processo de ensino-aprendizagem como um processo social de caráter ativo, em que o conhecimento é fruto da construção pessoal e ativa do aluno.

 As práticas educativas tornam-se importantes, uma vez que envolvem capacidades cognitivas, de equilíbrio pessoal, de relações sociais, interpessoais e capacidades motoras. Neste processo o professor atua como mediador e o aluno, por sua vez, é um sujeito ativo na construção do seu conhecimento. O principal papel do professor não é o de ensinar, mas de ajudar o estudante a aprender.

Considerações acerca das estratégias na perspectiva construtiva (LAKOMY, 2008):

  • Existência de diversas estratégias, estas devem ser escolhidas pelo professor de acordo com a aula proposta;
  • As estratégias de ensino, quando bem escolhidas pelos professores, facilitam a aprendizagem do aluno;
  • Existem estratégias diferentes para o desenvolvimento de uma mesma competência;
  • O professor deve escolher a melhor estratégia de acordo com a competência a ser desenvolvida.
  • Sob o modelo construtivista. Como saber se determinada estratégia é adequada?
  • Como se faz esta escolha? O que deve ser considerado?

Os professores não podem continuar como mero transmissor de conhecimentos, mas devem procurar desenvolver em seus alunos a criatividade e a autonomia na busca desses conhecimentos.

A culpa desta persistência do professor em trabalhar de forma antiquada se tornou arcaica perante as inovações tecnológicas e metodológicas que hoje possuímos. Este quadro precisa ser mudado e o professor ser formado de acordo com as exigências colocadas para o exercício da profissão hoje, cujo principal alicerce está na formação do sujeito autônomo.

Bem, mas como é esse professor ideal? É aquele que se mantém informado para enfrentar desafios do cotidiano escolar, capaz de trabalhar em equipe e de possuir uma alta capacidade de adaptação a mudanças que vêm se impondo nesta “nova sociedade”.         

4.3.2 Facilitadora da aprendizagem

A ação educativa nos dias de hoje, mas do que em qualquer outra época, cobre-se de numerosos desafios para todos aqueles envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. 

Ensinar e aprender, aprender a aprender, aprender a ensinar é palavras de ordem repetidas e cansativas por pedagogos que se entregam sobre as questões educacionais com o objetivo de alcançar e apontar caminhos para a melhoria da prática pedagógica em todos os níveis de ensino.

Assim, o entendimento das diversas teorias de aprendizagem assume um importante papel na formação do professor, uma vez que lhe possibilita uma maior consciência sobre a grandiosidade dos fatores e das situações que abrangem o ensino e a aprendizagem: As diferentes Escolas Psicológicas oferecem vários fatores para que o professor do século XXI possa analisar avaliar e compreender as necessidades e interesses de seus alunos, tornando-se capaz de mais adequadamente orientá-los e ajudá-los a desenvolver suas potencialidades.

A aprendizagem é extremamente complexa não somente devido à essência dos conteúdos, como pela forma como são lecionados ou ainda devido às características individuais de quem aprende. Perceber e explicar a semelhança entre as inúmeras formas envolvidas neste processo e que se encontram sujeitas a influência, fatores internos e externos, individuais e sociais tem sido tarefa difícil desde a antiguidade. Inúmeras abordagens teóricas têm procurado oferecer informações na compreensão das informações do comportamento em situações de ensino-aprendizagem.

5. A Pesquisa

A pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de coletar dados para um novo olhar quanto à necessidade da abordagem do tema sobre o construtivismo em sala de aula, aonde vem facilitar a aprendizagem. Dessa forma, buscamos por meio desta, responder a seguinte questão: Qual o olhar do docente em relação à concepção de ensino construtivista? Buscamos informações sobre o olhar do docente em relação a esta concepção de ensino e a capacidade de enfrentar os desafios relacionados à educação construtiva como facilitadora da aprendizagem em sala de aula. 

5.1 Metodologias da Pesquisa

A metodologia utilizada foi a pesquisa do tipo estudo de caso de acordo com a abordagem qualitativa baseada em bibliografias que abordam o tema sobre Educação Construtiva. Segundo André (2005), o estudo de caso surge, na sociologia e na antropologia ao final do século XIX e início do século XX. O principal propósito, nestas áreas, é adquirir características e qualidades da vida social.

O instrumento utilizado para a coleta de dados foi por questionário semiestruturado, ou seja, perguntas abertas, sendo que a realização da pesquisa se dará por meio das respostas das professoras que trabalharam com essa concepção de ensino em sala de aula por um longo tempo no “SESC ESCOLA”.

Temos como objetivo, a coleta de dados sobre um novo olhar quanto à necessidade da abordagem do tema construtivista em sala de aula, aonde vem facilitar a aprendizagem. Dessa forma, buscamos por meio desta pesquisa responder a seguinte questão: Qual o olhar do docente em relação à concepção de ensino construtivista?

Nesta perspectiva, os objetivos propostos para a pesquisa foram: pesquisar sobre a forma que essas professoras trabalhavam o construtivismo; entender a importância da Educação Construtiva na escola e perceber a postura do docente diante de questões relacionadas ao construtivismo com os alunos.

Através da metodologia com abordagem qualitativa, buscamos informações, com estudo de caso, sendo utilizados como instrumentos para a coleta de dados: através de estudos bibliográficos sobre a temática e questionário semiestruturado. 

Quanto à abordagem qualitativa, que tem por função estabelecer critérios e técnicas para a elaboração de uma pesquisa, possui métodos que requerem uma interação entre o pesquisador e os pesquisados, sendo algumas vezes necessário que o pesquisador conquiste a aceitação e a confiança dos participantes (LEOPARDI, 2001).

Desta forma, foram explorados situações e acontecimentos, incluindo transcrições de questionários, bem como situações utilizadas para o esclarecimento dos fatos ou pontos de vista utilizada nesta pesquisa, sendo o instrumento principal para a coleta de dados: o questionário. Corresponde a uma técnica de investigação composta por perguntas escritas e destinadas aos participantes. Lakatos e Marconi (1985) conceituam que se trata de um instrumento para recolher informação.

O questionário permite que o pesquisador conheça algum objeto de estudo (OLIVEIRA, 2005). As perguntas podem ser classificadas quanto a sua forma da seguinte maneira: Podem ser simples, quando a pergunta é direcionada para determinado conhecimento que se quer saber ou abertos quando a resposta emite conceito abrangente.

Podem conter perguntas abertas quando o interrogado responde com suas próprias palavras e, por isso, são difíceis de tabular e analisar (LAKATOS; MARCONI, 1985).

O uso desse instrumento de pesquisa não só possibilitou a obtenção de dados e informações, como também oportunizou o esclarecimento, como técnica de investigação e que serve para esclarecer como o fenômeno construtivista vem significar no âmbito educacional.

5.2 Contextos da Pesquisa e Participante

A pesquisa teve como objeto o Olhar do Docente em Relação à Concepção de Ensino Construtivista. Tivemos como participantes: professoras que atuaram com esta concepção por um longo período nos anos iniciais do Ensino Fundamental no “SESC ESCOLA” e que atualmente estão trabalhando na Escola Municipal de Educação Infantil Sementes do Araçá.

5.3 Resultados E Análise Dos Dados

Participantes da pesquisa:

Participante 1 - Pedagoga com 30 anos de idade, especializada em Docência na Educação Infantil e Metodologia do Ensino Superior. Seu tempo de experiência profissional é de 10 anos e sua qualificação profissional é semestral. Conta-nos que em sua formação foi contemplada com o Construtivismo e aprendeu sobre.

Participante 2 - Pedagoga com 36 anos de idade está se especializando em Psicopedagogia. Seu tempo de experiência profissional é de 14 anos e sua qualificação profissional é anual. Conta-nos que em sua formação foi contemplada com o Construtivismo e aprendeu sobre.

Participante 3 - Pedagoga, especializada em Gestão Escolar. Seu tempo de experiência profissional é de 15 anos e sua qualificação profissional é anual. Conta-nos que em sua formação foi contemplada com o Construtivismo, mesmo considerando que enquanto acadêmica ouve apenas uma “pincelada” sobre o tema.

Diante da dificuldade que nos deparamos para realizar essa pesquisa, e por considerar as participantes pessoas especiais por olharem esta pesquisa com muito carinho, demos a elas, nome de flores.

Quadro 4 – Opinião das participantes em relação ao construtivismo

 

1

Azaléia – O construtivismo propõe que o aluno participe ativamente do próprio aprendizado, mediante a pesquisa, o estímulo a dúvida e o desenvolvimento do raciocínio. Rejeita a apresentação de conteúdos prontos e o ensino tradicional.

 

2

Jasmim – O educando aprende com a própria vivência, sendo que aluno e professor aprendem com a troca de experiências, com a construção de novos saberes.

 

3

Rosa – Parte dos conteúdos e experiências de cada indivíduo. O educador tem um olhar global e ao mesmo tempo individual, porque as experiências trazidas pelos alunos é sua ferramenta de trabalho.

Fonte: Cruz, 2013.

Azaléia diz que o construtivismo, rejeita a apresentação de conteúdos prontos e Jasmim e Rosa, são da opinião que no construtivismo prevalece à troca de experiências.

Conforme as respostas dadas, entende-se que as características de uma sala de aula construtivista são com alunos ativamente envolvidos e o ambiente é democrático. As atividades são interativas e centradas no aluno.

Nogueira e Pilão (1988, p. 73), dizem que uma escola construtivista considera a vivência que o aluno traz de fora, considera o referencial do próprio aluno, entende como o aluno está elaborando o pensamento, seu conhecimento; enxerga a sua estrutura cognitiva e todo esse conhecimento individual como apoio e ponto de partida para executar o processo de aprendizagem. Isto quer dizer quer uma escola, sob o ponto de vista construtivista, não trata o aluno como se ele estivesse acabado de nascer, ou seja, como se ele não soubesse absolutamente nada sobre o que se passa à sua volta.

É bom lembrar que, ainda como referência a Piaget, o conhecimento não se encontra, por si só, no sujeito, nem tampouco exclusivamente no objeto; ele é sim produto construído a partir da interação estabelecida entre um e outro.

Em situação escolar, o objeto é tão importante quanto o sujeito; a escola precisa estar atenta e planejar atividades que propiciem condições favoráveis para que a interação seja construtiva. Assim, o objeto influenciará enquanto meio, no qual o sujeito se encontra, para que possa ser construído, dessa interação, seu próprio conhecimento.

Quadro 5 – Vantagens e desvantagens da educação construtiva

Participantes

Vantagens

Desvantagens

 

Azaléia

O construtivismo condena a rigidez nos procedimentos de ensino, as avaliações padronizadas e a utilização de material didático estranho a realidade do aluno. Forma pessoas curiosas, criativas e cria condições para o contato mais prazeroso com a leitura, escrita e os cálculos.

A sistematização do trabalho e a constante reavaliação da professora sobre o trabalho.

 

Jasmim

O aluno se torna o sujeito de sua própria história.

O professor necessita de bastante material didático e tem que ter uma formação continuada para conseguir desenvolver um bom trabalho.

 

Rosa

Não considera uma vantagem, mas sim uma forma de olhar a educação de uma forma mais ampla.

Não existem desvantagens, porém considero que toda concepção tem seu momento histórico e seu tempo.

Fonte: Cruz, 2013.

São visíveis as respostas contrárias tanto de Azaléia, quanto de Jasmim e Rosa. Porém, como em todas as linhas de ensino, a Educação Construtiva, tem suas vantagens e desvantagens, como nos mostra as participantes. A vantagem desta concepção está em o professor:

[...] criar as condições para que o aluno possa exercer a sua ação de aprender participando de situações que favoreçam isso. As ações, nesse caso, não quer dizer necessariamente atividade física de fato, mas atividade mental, exercício intelectual (WEISZ, 2004, p.23).

O objetivo da escola não deve ser apenas passar conteúdos, e sim, preparar os alunos, para a vida em uma sociedade moderna.

Quadro 6 – Planejamentos construtivos

 

Participantes

 

Como ocorre o Planejamento de Ensino

 

De que forma são Planejadas as Aulas

 

 

Azaléia

O construtivismo considera a sistematização do ensino necessária, mas aplicada com bom senso e flexibilidade, contradiz o currículo como imposição única muitas vezes parte do interesse dos alunos.

O construtivismo estimula a descoberta do conhecimento pelo aluno, evita afogá-lo em informação prontas e acabadas. Quando necessário não hesita em valer-se da memorização. A professora (o) cria situações interessantes para transmitir conhecimentos.

 

Jasmim

O professor (a) tem que buscar diversos recursos, estratégias, brincadeiras, músicas, para poder fazer um bom planejamento. Planejo em casa, porque precisamos de tempo para planejar.

Utilizo diversas atividades lúdicas para tornar o aprendizado prazeroso. As brincadeiras são de acordo com o conteúdo a ser trabalhado.

 

Rosa

O planejamento segue uma Matriz Curricular da Secretaria de Educação. As adequações são feitas por cada escola obedecendo à realidade em que está inserida.

São planejadas pelos professores da mesma série observando as características de cada turma.

Fonte: Cruz, 2013.

As professoras Azaléia e Rosa têm opinião contrária em relação ao Currículo referente ao Planejamento de Ensino, pois Azaléia menciona o uso de memorização, sendo que a concepção apresenta outras estratégias para reforçar determinados conhecimentos ainda não compreendidos pelo educando, mesmo assim percebemos compreensão e conhecimento desta concepção. Rosa e Jasmim, são cientes de que no construtivismo, precisa-se usar de diferentes metodologias para tornar o conhecimento do aluno mais prazeroso e de grande valia.

Analisando as respostas, entende-se que a escola não é mais o lugar de simples transmissão do conhecimento, é o espaço das relações humanas e deve ser usada para aprimorar valores e atitudes, além de capacitar o indivíduo na busca de informações, onde quer que elas estejam para usá-las no seu cotidiano.

Segundo ARANHA (2006), a contribuição de Piaget para a pedagogia tem sido, até hoje, de altíssimo valor, sobretudo devido às indicações sobre o estágio adequado para serem ensinados determinados conteúdos aos alunos, sem desrespeitar suas reais possibilidades mentais, ou seja, de acordo com seu desenvolvimento intelectual e afetivo.

Enfim, pode-se perceber, por meio desses argumentos, que a teoria de Piaget deveria estar muito presente na Educação atual e contribuir significativamente para o processo de construção do conhecimento.

Quadro 7 Estratégias de ensino trabalhadas

 

Azaléia

No construtivismo cada aluno tem seu processo particular de aprendizagem. A professora (o) deve conhecê-lo, acompanhá-lo e fazer as intervenções adequadas. A professora (o) valoriza muito o intercâmbio entre os alunos e o trabalho de grupo, sua presença é motivadora e não impositora.

 

Jasmim

Roda de conversa, canto da leitura, atividades lúdicas, atividades de artes, brincadeiras de roda, jogos pedagógicos, entre outros.

 

Rosa

Prioriza-se a rodinha, o momento formativo da acolhida e o tema norteador da aula.

Fonte: Cruz, 2013.

Embora se observe respostas prontas e métodos fugindo do construtivismo, as professoras valorizam o aprendizado nas rodas de conversa, e na Educação Construtiva valoriza-se muito o coletivo, ou seja, o trabalho em grupo. Desta forma asseguram momentos onde os educandos possam refletir e construir o seu conhecimento como salienta Weisz (2004 p.60-1). 

Essa construção, pelo aprendiz, não se dá por si mesma e no vazio, mas a partir de situações nas quais ele possa agir sobre o que é objeto de seu conhecimento, pensar sobre ele, recebendo ajuda, sendo desafiado a refletir, interagindo com outras pessoas.

Daí vem à importância da socialização do aluno em seu meio e o intercâmbio com todos valorizando o conhecimento e enriquecendo o aprendizado.

Segundo Rogers (1991), psicólogos oferece vários fatores para que o professor do século XXI possa analisar avaliar e compreender as necessidades e interesses de seus alunos, tornando-se capaz de mais adequadamente orientá-los e ajudá-los a desenvolver as suas potencialidades.

Entende-se que o professor deve saber que o aluno aprende em interação com o outro, e esse outro, pode ser o próprio professor ou seus colegas de classe. As orientações metodológicas baseadas nas teorias construtivistas devem explicar não apenas os detalhes das técnicas utilizadas, mas principalmente, justificar teoricamente como se chegou até essas técnicas, quais são os objetivos em relação à aprendizagem e as suas prováveis consequências em termos pedagógicos.

Quadro 8 – Relação professor e aluno considerando a aprendizagem

Azaléia

O ideal é que a classe não seja numerosa, trabalha-se em dupla ou em trio, agrupando as crianças por habilidades parecidas ou opostas, onde a professora (o) aproveita a individualidade de cada aluno para o enriquecimento do grupo.    

 

Jasmim

Professor e aluno necessitam de um bom relacionamento, trocando experiências. Sendo que o aluno aprende com o professor e o professor também aprende com o aluno. O professor (a) precisa explorar a participação dos alunos nas aulas.

 

Rosa

O professor é o facilitador e o mediador. A turma acaba sendo um reflexo de como o professor (a) conduz a aula.

Fonte: Cruz, 2013.

Jasmim e Rosa sabem da importância do bom relacionamento entre professor e aluno nesta concepção de ensino.

Com base nas respostas, percebe-se que em relação à aplicação pedagógica das teorias construtivistas, devemos reconhecer a importância do papel do professor. É o professor o mediador do processo de aprendizagem do aluno, isto é: ele é quem vai favorecer a interação entre os alunos e entre ele e seus alunos.

Nogueira e Pilão (1988, p. 83), dizem que o enfoque construtivista estuda a relação recíproca entre o sujeito e o objeto, destacando a importância de ambos em igualdade, pois é a partir do entendimento dessa interação que se encontra a explicação da construção do conhecimento.

Em termos de método de ensino, o construtivismo pode ser pensado como uma proposta de conhecer o sujeito através de sua própria construção como sujeito, enquanto atribui sentido ao mundo e a si mesmo. Ou seja, o foco principal do construtivismo está no próprio sujeito, e nas possibilidades de relação com o mundo e com os outros, para sua própria constituição e formação.

O professor que adota a prática da construção do conhecimento fundamenta-se nas vivências do aluno, respeitando as suas individualidades.

Conclui-se que o conhecimento se dá por um processo real, e que este possibilita a criação de novidades. E mais ainda, que este processo acontece graças à interação do indivíduo com o meio que o cerca. Meio este, físico e social.   

Quadro 9 – Como o aluno adquire o conhecimento construtivista

 

Azaléia

Segundo Piaget (o pai do construtivismo), a criança raciocina segundo estruturas lógicas próprias e evoluem conforme faixas etárias definidas. No construtivismo desenvolvem-se práticas pedagógicas sob medida para cada degrau de amadurecimento intelectual do aluno.

 

Jasmim

Através dos jogos e brincadeiras e trazendo para a escola a própria vivência.

 

Rosa

Na troca de experiência e na vivência prática.

Fonte: Cruz, 2013.

Jasmim e Rosa sabem que na educação construtiva, o conhecimento pode partir da experiência que o aluno já adquire com sua própria vivencia.

Observa-se a importância do conhecimento que o aluno já traz de casa, ou seja, sua própria vivência. Sendo assim, o professor (a) saberá como lhe dar com este aluno a partir de então.

Duarte (2000, p.112), nos explica que a assimilação de conhecimentos novos requer que sejam estabelecidas relações significativas com a estrutura cognitiva do aluno.

Para que um novo conhecimento possa ser assimilado, é preciso que já existam no conhecimento prévio dos alunos, conceitos capazes de possibilitar o estabelecimento de relações com o novo conhecimento a ser aprendido. Esta é a base para uma aprendizagem verbal significativa.

Em síntese, a função é estabelecer a relação entre o que o aluno já sabe e o que se propõe a conhecer.

Quadro 10 – Relação família e escola e a visão construtiva

 

Azaléia

Nesta perspectiva os pais são convidados a conhecer a proposta, tenta-se demonstrar a eles quais as diferenças desta nova concepção, comparando-a com o ensino tradicional. Trata-se de outro ritmo de trabalho e aprendizado que ao final resulta em uma vantagem qualitativa.

Jasmim

Nem sempre a família participa das atividades escolares. O professor (a) dificilmente tem apoio dos pais na educação dos filhos.

 

Rosa

Continua sendo, infelizmente distante. A família procura a escola na maioria das vezes quando tem problemas e a escola só convida para reuniões e festas.

Fonte: Cruz, 2013.

Embora as respostas de Azaléia, Jasmim e Rosa serem bem diferentes, percebem e falam sobre a problemática existente do relacionamento entre família e escola. Infelizmente, independente de qualquer que seja a concepção de ensino, os pais na maioria das vezes, são distantes da vida escolar de seus filhos. E mais que isso: é cada vez mais visível, que os professores passam mais tempo educando do que ensinando. Tarefa esta, que deveria ser dos pais.

Nesse sentido Antunes (2005, p. 53) destaca que:

Ajudar a criança a construir um bom caráter é a mesma coisa que ajudá-la a desenvolver sua consciência do erro e do acerto. Caráter e consciência expressam a visão que ela possui de si mesma e aproxima-se muito do sentimento de autoestima. É por essa razão que a educação do caráter é importante.

Portanto à família é importante no acompanhamento, não somente, da aprendizagem da criança, mas ao tipo de educação que lhe é fornecida no ambiente escolar.

No entanto é de suma importância a participação da família na vida escolar dos alunos, uma vez que a família participa no processo de ensino aprendizagem. A contribuição da família beneficia tanto o aluno quanto a escola e os próprios professores, pois em sala de aula nem sempre o aluno assimila todo conteúdo passado; então o mesmo necessita da contribuição da família, sendo este um dos inúmeros exemplos que podemos citar para explicar esta situação família e escola.

Quadro 11 – Professor construtivista

 

Participantes

 

Como deve ser o trabalho do Professor

 

O que é necessário para ser um bom Professor

 

 

Azaléia

O fundamental é a prática. Calcula-se pelo menos 2 anos de prática em classe, reforçados com estudos e reuniões semanais com colegas e formadores para tornar-se uma boa professora (o) construtivista.

Algumas Instituições promovem cursos de extensão e especialização, palestras e reuniões de estudo. Nesses cursos não se ensina a ser construtivista. Nele se discute a prática da professora (o) de modo que encontre seu próprio caminho.

 

Jasmim

O Professor (a) tem que usar métodos mistos. Buscando a participação dos alunos nas atividades realizadas.

O Professor (a) tem que ter uma formação continuada, tem que estar sempre se atualizando.

 

 

Rosa

Deve ser autônomo e protagonista. A Matriz Curricular é um norte e não uma cartilha.

Buscar uma formação continuada. Receber apoio por parte da gestão pública, principalmente a valorização profissional com incentivos salariais.

Fonte: Cruz, 2013.

Azaléia e Jasmim comentam sobre a importância das reuniões entre os professores e Jasmim e Rosa comentam a importância da formação continuada.

É importante observar que o professor (a) construtivista tem que usar método variado para chamar a atenção dos alunos e mais importante ainda, deve estar sempre se atualizando. 

Macedo (1994, p.59) acredita que a formação de professores numa proposta construtivista é possível levando-se em consideração quatro pontos, que ele considera fundamentais: 

Primeiro: é importante para o professor tomar consciência do que faz ou pensa a respeito de sua prática pedagógica. Segundo, ter uma visão crítica das atividades e procedimentos na sala de aula e dos valores culturais de sua função docente. Terceiro, adotar uma postura de pesquisador e não apenas de transmissor. Quarto, ter um melhor conhecimento dos conteúdos escolares e das características de aprendizagem de seus alunos.

Neste prisma, o mais importante em relação ao papel do professor na utilização do construtivismo é sua capacidade de aceitar que não é mais o centro do ensino e da aprendizagem. O professor deve saber que o aluno aprende em interação com o outro, que pode ser o próprio professor ou seus colegas de classe.

6. Conclusão

O Construtivismo significa: a idéia de que nada, está pronto, acabado, e o conhecimento não é dado, em nenhum momento, como algo terminado. Ele se constitui pela interação do indivíduo com o meio físico e social, com o simbolismo humano, enfim, com o mundo das relações. É nesta perspectiva, que o objetivo desta pesquisa vem mostrar o olhar do docente em relação a esta concepção de ensino, ou seja, a educação construtiva.

Neste sentido, podemos afirmar que o conhecimento não se encontra, por si só, no sujeito, nem exclusivamente no objeto; ele é sim produto construído a partir da interação estabelecida entre um e outro. Em situação escolar, o objeto é tão importante quanto o sujeito; a escola precisa estar atenta e planejar atividades que propiciem condições favoráveis para que a interação seja construtiva. Assim, o objeto influenciará enquanto meio, no qual o sujeito se encontra, para que possa ser construído, dessa interação, seu próprio conhecimento.

Observou-se que como em todas as linhas de ensino, a Educação Construtiva, tem suas vantagens e desvantagens como nos mostrou as participantes, e o objetivo da escola não deve ser apenas passar conteúdos, e sim preparar os alunos, para a vida em uma sociedade moderna. Percebeu-se também por meio de vários argumentos, que a teoria de Piaget deveria estar muito presente na Educação atual e contribuir significativamente para o processo de construção do conhecimento.

Ficou entendido, que o professor deve saber que o aluno aprende em interação com o outro, e esse outro, pode ser o próprio professor ou seus colegas de classe. As orientações metodológicas baseadas nas teorias construtivistas devem explicar não apenas os detalhes das técnicas utilizadas, mas principalmente, justificar teoricamente como se chegou até essas técnicas, quais são os objetivos em relação à aprendizagem e as suas prováveis consequências em termos pedagógicos.

Em termos de método, o construtivismo pode ser pensado como uma proposta de conhecer o sujeito através de sua própria construção como sujeito, enquanto atribui sentido ao mundo e a si mesmo. Ou seja, o foco principal do construtivismo está no próprio sujeito, e nas possibilidades de relação com o mundo e com os outros, para sua própria constituição e formação. O professor que adota a prática da construção do conhecimento fundamenta-se nas vivências do aluno, respeitando as suas individualidades.

Em síntese, o conhecimento se dá por um processo real, e este possibilita a criação de novidades. E mais ainda, este processo acontece graças à interação do indivíduo com o meio que o cerca. Meio este, físico e social. O mais importante em relação ao papel do professor na utilização do construtivismo é sua capacidade de aceitar que não é mais o centro do ensino e da aprendizagem. O professor deve saber que o aluno aprende em interação com o outro, que pode ser o próprio professor ou seus colegas de classe.

Finalizo este trabalho, acreditando que a ação pedagógica construtivista, é possível ser transformada e requer muitas vezes que o professor (a) reveja seus valores, crenças, hábitos e formas de se relacionar consigo e com o “outro”, enfim, um verdadeiro e legítimo comprometimento profissional. É fundamental, portanto, que se tenha claro em sala de aula, que o ponto de partida é a informação, mas o ponto de chegada é sempre o conhecimento e a aprendizagem.

Sobre o Autor:

Raimunda Maria da Cruz - Pós Graduada Latu Sensu em Pedagogia Empresarial pela FATEC (Faculdade de Ciências Administrativas e de Tecnologias) e Graduada em Licenciatura Plena em Pedagogia na mesma Instituição de Ensino (FATEC), com Formação para Docência em Educação Infantil, Anos Iniciais do Ensino Fundamental, Áreas Pedagógicas e Competências para: Orientação e Supervisão Escolar.

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