Resumo: Esta pesquisa investiga a elaboração da resiliência dos idosos como força interna e bem-estar psicológico, naqueles que ainda vivenciam uma realidade significativa em seus contextos diários, bem como a contribuição da Psicologia para compreensão do comportamento, estilo e qualidade de vida da terceira idade, no processo de envelhecimento. Os últimos estudos, pesquisas, observações científicas e estatísticas demonstram que a população idosa cresce a cada dia. Objetivou-se, contudo apreender percepções, opiniões e sentimentos vivenciais de outrora como elementos de elaboração de força positiva interna frente a estressores, adversidades e mudanças, que de forma intensiva acontecem na idade idosa. A metodologia utilizada foi qualitativa, pois permitiu abordar dimensões da subjetividade dos sujeitos, que frequentam a Associação da Melhor Idade – AMI, do município de Ocara, analisados pela técnica de análise de conteúdo. Os resultados mostraram que o idoso elabora sua força positiva interna de acordo com o vivenciado ao longo da vida e a expõe conforme condições de saúde, interações sociais, convivência com familiares, entre outros. Concluiu-se que a resiliência psicológica dos idosos que participaram da pesquisa é melhor observada se a estes for oferecido ambiente, atividade e interação social adequada as suas limitações físicas e sociais e que a forma como cada idoso elabora sua resiliência, varia de indivíduo para indivíduo.

Palavras-chave: Idosos, Psicologia, Resiliência, Força positiva interna.      

Abstract: This research investigates the development of resilience in the elderly as inner strength and psychological well-being, those who still experience a significant reality in their daily contexts as well as the contribution of psychology to understand the behavior, style and quality of life of seniors, in the aging process. The latest studies, research, scientific observations and statistics show that the elderly population is growing every day. The objective, however apprehend perceptions, opinions and experiential feelings of yesteryear as drafting elements of internal positive force against stressors, adversity and change, which intensively happen in old age. The methodology was qualitative as possible to address dimensions of the subjectivity of the subject, attending the Association of Best Age - AMI, the municipality of Ocara, analyzed using content analysis. The results showed that the elderly prepares its internal positive force according to the experienced throughout their lives and exposes as health, social interactions, living with family members, among others. It was concluded that the psychological resilience of the elderly who participated in the survey is best seen if these are offered environment, activity and adequate social interaction their physical and social limitations and how each elder prepares its resilience, varies from individual to individual.

Keywords: Senior, Psychology, Resilience, internal positive force.

1. Introdução

Estudos da Organização Mundial de Saúde - OMS e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas - IBGE apontam o aumento da população idosa (faixa etária com 60 anos ou mais) que, em 2030, será maior que a população de crianças de até 14 anos e em 2055, maior número que a de crianças e jovens até 29 anos, sendo em Ocara representada por, aproximadamente, 26.2% da população da cidade.

É crescente o número de pesquisas realizadas no intuito de compreeender o processo de envelhecimento e a quantidade de idosos que compõe a população mundial, bem como as políticas públicas que venham a beneficiar esta parcela populacional. Parte desses estudos busca compreender como a Psicologia, de forma objetiva e subjetiva, contribui para um satisfatório envelhecimento das pessoas da terceira idade, com qualidade de vida.

Neste sentido, a Psicologia vem contribuindo com a compreensão do comportamento, estilo e qualidade de vida da terceira idade, através de estudos, pesquisas, observações científicas e práticas como a organização de grupos de convivência com realização de atividades de prevenção, promoção, reabilitação e intervenção que contribuem para o reequilibrio do bem-estar psicológico (2007 apud NERI; VIEIRA, 2010 p.22).

Esta pesquisa descreve como os idosos da Associação da Melhor IdadeAMI, elaboram de forma resiliente esta fase que, para muitos, representa somente declínio, impotência e degeneração da vitalidade outrora vivida em seu contexto familiar, profissional e social, surpreendendo, muitas vezes, pela forma como enfrentam estressores, adversidades e mudanças biopsicossociais presentes na terceira idade, o que para a Psicologia pode ser visto como contribuição, para “erradicação do desespero e pela promoção do bem-estar, do acolhimento, da segurança e pelo protagonismo social das pessoas idosas” (NERI, 2008, p.13).

Diante do fenômeno observado, indaga-se sobre qual o tipo de força interna e bem-estar psicológico, o idoso se torna resiliente no enfrentamento de estressores, adversidades e mudanças e como a psicologia pode contribuir neste processo.

Pressupõe-se, em conformidade com Vieira (2010, p.26), que, diante do processo de adaptação às mudanças sociais, biológicas e psicológicas vivenciadas diariamente pelos idosos, se a estes for oferecido ambientes, vivências e situações que promovam apoio social e elevação da autoestima como proteção de sua integridade, como ferramenta para que seja desenvolvida a capacidade adaptativa a fatos como a perda de amigos, doenças e conflitos familiares, através de atividades em grupo e psicoterapia, o idoso apresentará uma subjetividade como reserva psicológica positiva na velhice, uma força interna e bem-estar psicológico no enfrentamento de estressores possivelmente biopsicossociais Neri (2007 apud VIEIRA, 2010 p.22).

O objetivo desta pesquisa foi esclarecer através da Psicologia, como os idosos da AMI elaboram sua força interna (resiliência) e como enfrentam os estressores, as adversidades e as mudanças que de forma intensiva, acontecem nesta fase da vida.

A metodologia utilizada foi qualitativa com aplicação de entrevista aos idosos da AMI, análise de dados através da análise de conteúdo e discussão de resultados, fundamentando-os teoricamente.

2. Referencial Teórico

Dos dados divulgados no relatório global sobre prevenção de quedas na velhice, da OMS (2010), interpreta-se como preocupante o quadro populacional da faixa etária idosa (pessoas com mais de sessenta anos) no mundo, que já no ano de 2050 “será muito maior do que a de crianças com menos de 14 anos de idade pela primeira vez na história da humanidade”. Preocupação que emerge devido à falta do fortalecimento de políticas públicas eficazes para o idoso e pesquisas que venham a evidenciar qual ou quais intervenções são favoráveis ao oferecimento de envelhecimento saudável a esta parcela da população, que será numerosa.

O relatório da OMS, traz em sua página 52, que “para a qualidade de vida dos idosos, será necessário desenvolver programas e políticas que criem ambientes amigáveis e apoiadores”, ao que acrescenta-se que essas políticas públicas devem funcionar em sua integralidade buscando garantir uma velhice saudável, de forma a se preparar para atender a uma parcela que está aumentando consideravelmente ao passar dos anos, conforme pesquisas e estudos.

Estimativa apresentada pelo IBGE em 2011 mostra que a terceira idade, ou seja, os idosos com idade a partir dos sessenta anos, no Brasil, serão em maior número já em 2030 e em 2055 será maior que crianças e jovens até 29 anos e, no município de Ocara, representarão mais de um quarto da população total do município.

2.1 Processo de Envelhecimento

Para Almeida (2007, p. 02), “a idade pode ser biológica, psicológica ou sociológica, à medida que se enfoca o envelhecimento em diferentes proporções das várias capacidades dos indivíduos”.

Neri (2006, apud Fontes 2010, p. 11), considera que a resiliência psicológica se relaciona a “mecanismos de autorregulação do self, aprendidos ao longo da vida, podendo variar de indivíduo para indivíduo, conforme a exposição a diferentes condições de saúde, inteligência e personalidade”, interações sociais, convivência com familiares, entre outros.

Fato é que o ser humano vive sempre em busca de uma qualidade de vida positiva, em qualquer que seja a etapa, fase ou idade em que se encontre. Essa qualidade de vida é no sentido de favorável autoestima e bem-estar pessoal, no que se refere ao desenvolvimento, psíquico-cognitivo, socioeconômico, afetivo, social, intelectual, autocuidado, saúde, valores religiosos, cultural, éticos, estilo de vida, satisfação com as atividades realizadas, conforme considera Vecchia, (2005), que reconhece ser esse um conceito que varia de autor para autor, assim como de realidade para realidade.

Rowe e Kahn (1999, apud Laranjeira 2007, p.330), afirma que para o envelhecer de forma saudável com boa qualidade de vida, o idoso utiliza-se de reserva psicológica positiva construída em seu percurso resiliente positivo (construído durante sua vida), caracterizado por bom e significativo “funcionamento mental e psicológico e a inserção social por meio de atividades e relações interpessoais”, se dar mediante o oferecimento de ambientes, atividades e interações sociais favoráveis em que sejam externadas sua força interna na defesa contra estressores, adversidades e mudanças inevitáveis e evitáveis que acontecem ou venham acontecer na vida do idoso.

Segundo Brandão (2011, p.265), para elaboração do conceito da palavra resiliência, a psicologia, referenciou-se na física, para conceituá-la como a capacidade do indivíduo lidar com problemas, superar ou resistir à situações de adversidades, estresses e mudanças, sem grandes prejuízos psicológicos.

Sobre a idade idosa, Papalia (2006, p.666), descreve como sendo essa, o processo gradual e inevitável de envelhecimento do corpo que se dar desde o início ao fim da vida do indivíduo, sendo que se intensifica na terceira idade. Porém, secundariamente a este fato, podem existir doenças, abusos ou falta de uso do corpo, que podem ser evitadas para não acelerar o inevitável. 

Esta também menciona a idade funcional, cuja autora supracitada define como a “medida da capacidade de uma pessoa para funcionar efetivamente em seu ambiente físico e social [...] com outras de mesma idade cronológica” (PAPALIA, 2006, p.667), que foi considerada nesta pesquisa.

E, a esse respeito, Couto (2010, p.52) fala que a idade funcional, capacidade funcional, ou ainda, independência funcional, “é a capacidade de cumprir ações requeridas na vida diária para manter o corpo e sobreviver independentemente”, confirmada por este como medida verificável de capacidade ou não de autonomia, independência, como forma de averiguação da necessidade de ajuda parcial ou total e as estimulações existentes no lugar onde mora, bem como a interação e participação do idoso nas atividades biopsicossociais estimulantes, existentes no espaço de vivência do idoso.

2.2 Elaboração da Resiliência

Laranjeira (2007, p.330) cita que a crise de identidade denominada por Erikson, como geratividade versus estagnação, considera que,

o envelhecimento bem sucedido é medido não apenas pela ausência de problemas, mas por indicadores de bem estar subjetivo, como são a satisfação com a vida, a felicidade, a moral, o contentamento, a qualidade de vida percebida [...]. (LARANJEIRA, 2007, p.330)

Compartilhou-se da ideia do autor quando esse fala que, o apoio social e a autoestima, são fatores de proteção que favorecem um envelhecimento saudável para idosos e que influenciam na capacidade de adaptação a esta etapa da vida de declínio do ciclo vital, onde se tem que de forma mais frequente que antes, lidar com a morte de pessoas conhecidas e próximas e com mais frequência refletir sobre sua própria finitude.

Durante a fase da terceira idade do indivíduo, também é compartilhado com a ideia de Laranjeira (2007, p.328) que, conforme sejam oferecidas condições ambientais, sociais e interativas, e estas, sendo aceitas, de forma positiva (resiliente) pelo idoso, sua condição atual, apesar das adversidades (declínio físico e cognitivo, assim como a visão social de incapacidade da pessoa da terceira idade), será mais bem vivida quando usada sua força interna para o enfrentamento desta etapa que é para tantos, tão pesarosa.

Assim, esses fatores de proteção podem minimizar os efeitos negativos como quedas, doenças entre outros e modificar, melhorar ou alterar o comportamento do indivíduo, quando vivencia a etapa da terceira idade vital.

Um dos fatores que se levou em conta diz respeito a, segundo dados publicados pela Organização Mundial de Saúde - OMS, a cerca da condição física do idoso, à sua participação regular “em atividade física moderada como sendo essencial para a boa saúde e preservação da independência dos idosos” (CAMPOS, 2010. p.25).

De acordo com Lima (2008, p.798), para que ao idoso seja proporcionada uma boa qualidade de vida, os cuidados e atribuições individuais, por excederem os limites do indivíduo, devem ser tratados além dos aspectos biológico, psicológico ou social, seguindo na direção de uma “interação entre pessoas em mudança vivendo em sociedade e de suas relações intra, extraindividuais e comunitárias”.

A Psicologia como área de pesquisa e conhecimento do comportamento humano, tem contribuído para:

descrever e explicar as condições sob as quais é possível ocorrer à preservação do potencial para o comportamento e o desenvolvimento [...] nos domínios do funcionamento intelectual, manifestos em alta competência para a realização de atividades da vida prática e para lidar com complexos problemas existenciais, ambos dependentes do acúmulo de experiência de vida. (NÉRI, 2004 p. 69-80)

Para este autor, “a psicologia pode contribuir para o bem-estar objetivo e subjetivo dos idosos”, como geradora de conhecimentos no que diz respeito a teorias e estudos já realizados sobre esse tema pesquisado, que teve como foco a saúde, as relações sociais e a resiliência positiva dos idosos. Para ele, se faz necessário que “o ensino de psicologia do envelhecimento em cursos de psicologia, [...] quebre velhos tabus sobre a velhice como período de declínio [...] e que melhor será se esse ensino for teórica e empiricamente fundamentado”. (NÉRI, 2004 p. 69-80)

Silva (2010, pag.117) considera que “o estado emocional do idoso conduz a um melhor nível de resiliência, contribuindo para uma boa qualidade de vida, mantendo a saúde física e mental, na promoção do bem-estar, prazer e benefícios para um envelhecimento saudável”.

No entanto, ressalta que ainda são poucos os idosos que participam de grupos de convivência, tem socialização ativa e praticam exercícios físicos favoráveis ao funcionamento saudável do corpo e interação com o meio em que vive, com os demais e consigo mesmo, nesta fase da vida que, segundo Papalia (2006, p.750), é quando passa a se pensar mais sobre o que foi sua vida até então e como será até a finitude, se aproximando mais da religiosidade e tendenciosamente, a introversão.

2.3 O Idoso e as Políticas Públicas

A respeito do trabalho multiprofissional, como contribuição para a promoção do bem-estar e da qualidade de vida dos idosos, concorda-se com Néri (2004, p.73), quando este argumenta que a psicologia deve atuar em conjunto com profissionais da saúde e assistência social, possuidores de conhecimentos científicos e humanísticos para que, trabalhando em equipe elaborem um planejamento de ação – reflexão – ação, com os idosos em acompanhamento, que contemplem “trabalho, saúde, lazer, educação, sociabilidade, família, comunidade, reabilitação e tratamento, construção de instrumentos e técnicas de avaliação, [...]criando soluções apropriadas”, à realidade de velhice dos idosos, da AMI, por exemplo.

Na AMI do município de Ocara, a contribuição da psicologia se dá pela assessoria do profissional psicólogo da secretaria do trabalho e desenvolvimento social - STDS, através do Centro de Referência e Assistência Social – CREAS, que em conjunto com os profissionais de educação física, enfermagem e assistência social, desenvolvem um trabalho multidisciplinar, apoiando e cuidando de idosos desta instituição, com palestras, exercícios físicos, psicoterapia grupal e atividade de dança, realizados com os idosos.

Almeida (2007, p.105) trata desse tema de forma “positiva e produtiva” quando considera que por o número de idosos do mundo inteiro ser crescente a cada pesquisa populacional, se faz necessária uma educação que vise benefícios que se não tiverem de imediato, serão reivindicados logo mais pelas seguintes gerações que exigirão inclusive o direito a sexualidade, seja na meia-idade e velhice, que mesmo não sendo igual ao da juventude, existe.

A este respeito, Papalia (2006, p.729) traz em seu livro que para uma vida masculina idosa ativa sexualmente, é necessário que assim o tenha sido desde a juventude de forma satisfatória para que assim continue ter alguma forma de expressão sexual, e que as mulheres são fisiologicamente capazes de manter ativa a atividade sexual durante toda sua vida, ainda que a falta de um parceiro se torne um obstáculo para tanto.

Para essa autora, mesmo sendo ativos sexualmente, os idosos tem o sexo diferente, pois os homens precisam ser estimulados manualmente e as mulheres apresentam um corpo com atrativos corporais de outrora, sem o mesmo encantamento físico de antes, mas que a idade não é impedimento para a continuidade da vida sexual ativa, mesmo que não tenha a virilidade de outrora.

Outro fator pesquisado como sendo um estressor e uma adversidade para o idoso, diz respeito cuidados necessários nesta fase da vida, assumidos, muitas vezes por um filho (a) de meia-idade que geralmente está vivenciando o conflito entre “criar ou encaminhar os filhos e de cuidar de pais idosos”, denominados por Papalia (2006, p. 649), como geração sanduíche. Nesse contexto, a família formada pelo filho (a) do idoso, retorna ao lar e o cuidador deixando de trabalhar, passa o idoso a ser o chefe de família.

A este respeito, Fortes (2009, p.461) argumenta que a população idosa, em sua maioria, tem utilizado sua renda de aposentadoria, quase em sua totalidade, como única fonte de renda em favor da família, que por um motivo ou outro, acaba assumindo essa responsabilidade de continuar sustentando além dos filhos, a família dos filhos.

Segundo Papalia (2006, pag.53), na Terceira Idade, considerada por esta como a faixa etária dos 65 anos em diante, ocorre um salutar e ativo desenvolvimento físico na maioria das pessoas, “embora a saúde e as capacidades físicas diminuam um pouco, o tempo de reação fica mais lento e afeta alguns aspectos do funcionamento”; quanto ao desenvolvimento cognitivo.

Para essa autora a “maioria das pessoas é mentalmente alerta, embora a inteligência e a memória possam se deteriorar em algumas áreas, sendo, porém que a maioria das pessoas encontra formas de compensação”. (PAPALIA, 2006, pag.53)

Quanto ao desenvolvimento psicossocial, são oferecidas novas opções de vivência do tempo, oferecido pela aposentadoria, como “os relacionamentos com a família e com os amigos íntimos pode oferecer apoio importante”, no entanto, os idosos “precisam enfrentar as perdas pessoais e a morte iminente” e a reflexão constante no sentido de buscar o significado da vida. (PAPALIA, 2006, pag.53)

Por todos esses fatores de alterações biopsicossociais os quais as pessoas da terceira idade enfrentam com mais intensidade, concorda-se com Laranjeira (2007, p.328), que “resiliência e envelhecimento e relatividade dos fatores de proteção” aos idosos, remetem tanto a força psicológica desta parcela populacional, como capacidade de superar adversidades não só do momento, mas que superaram durante a vida, que possivelmente lhe garantiram um funcionamento positivo dessas e/ou nessas pessoas da terceira idade.

Enquanto fenômeno do presente, percebe-se que a resiliência está sendo objeto de pesquisas e estudos que possibilite e desenvolva uma “preparação para um futuro que signifique não somente viver mais, mas viver bem” (FERREIRA, 2010. p.135), estudando e refletindo sobre como a população idosa pode viver de forma mais ativa a média de vida que foi aumentada comprovadamente pela tecnologia de produtos alimentícios (de reposição e complementação hormonal e alimentos saudáveis), cosméticos, social (como vestimentas, vocabulários, comportamentos), ambiental, melhorando a qualidade e consequentemente a duração média de vida, com a ação em conjunta com instituições que desenvolvam políticas públicas de valorização e cuidado com o idoso.

Concomitante a efetivação das políticas públicas de favorecimento a promoção de melhor envelhecer, a família deverá ser conscientizada sobre a importância do cuidado, interação, socialização e atividades grupais do idoso. Yunes (2003, pag.80), fala da “importância de se olhar para o grupo familiar, sem esquecer a sua inserção e relação com a comunidade, e a importância de se incrementar políticas de programas de apoio às famílias”, de conhecimento e troca de experiências com familiar que cuida.

Segundo Néri (2008, p. 105), o cuidar remete a um “caminho de mão dupla” em que ao mesmo tempo em que se dá se recebe, em um ato que implica respeito, responsabilidade, conhecimento a cerca do outro, reconhecendo esse outro, neste caso, o idoso, como pessoa com suas “características e desejos a serem considerados”. Esse idoso que já experienciou a existência corporal com saúde, virilidade, capacidade e habilidades corporais como seu cuidador ora se apresenta, o que exige deste, reflexão a cerca da necessidade que se tem de ver o outro como pessoa em constante construção, transformação.

Conforme Papalia (2006, pag.751) afirma, mesmo que o idoso reflita bastante sobre o fim da vida por, conforme o ciclo vital, se aproximar desta experiência, e tendo o ser humano vida de longa, curta ou limitada duração, qualitativamente saudável ou não, independente ou necessitando de muitos cuidados de familiares, cuidadores e/ou enfermeiros, “toda pessoa contribui para a história inacabada do desenvolvimento humano [...] e mesmo a morte pode ser uma experiência de desenvolvimento”, que pode ajudar aos que ainda permanecem resilientes nesta etapa da vida.

3. Metodologia

A pesquisa foi realizada pelo estudo transversal de abordagem qualitativa de levantamento de dados através de “observação sistemática e participante, entrevistas semiestruturadas com objetivo de levantar a história de vida desses atores sociais." (LAKATOS, 2003, p.258). A utilização de um roteiro de entrevista semiestruturada, foi para “esclarecer [...] conceitos e ideias, tendo em vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores”, segundo Gil (2008, p.27).

O roteiro da entrevista foi desenvolvido a partir da revisão bibliográfica sobre o tema de forma a ressaltar as características dos sujeitos da pesquisa (idade, sexo, escolaridade, renda, entre outros) e questões relacionadas ao processo de envelhecimento saudável, baseado no conceito de saúde da OMS, levando em consideração as opiniões, atitudes e crenças quanto ao envelhecimento e seus desafios e mudanças do corpo, comportamento, necessidades, sexualidade atual, tendo sido considerado idoso pessoa a partir de 60 anos, em conformidade com a orientação da OMS.

Os participantes da pesquisa foram 20 idosos que são assistidos pela Organização Não Governamental (ONG), Associação da Melhor Idade – AMI, localizada na sede do município de Ocara-CE, que atua com idosos há 14 anos, promovendo atividades de informação, estimulação das atividades de artesanato, música, dança e atividade física.

A AMI, fundada em 27 de setembro de 2000, está localizada à Rua Luis Dodó, s/n, município de Ocara - CE, que fica aproximadamente a cem quilômetros de distância da cidade metropolitana de Fortaleza, capital do estado do Ceará, tem abrangência municipal, iniciou com 200 sócios, dos quais devido a falecimentos e doenças, atualmente, são em número 130 idosos. Destes, apenas 20 frequentam assiduamente as atividades realizadas todas as segundas-feiras, quartas-feiras, sextas-feiras e sábado, propostas pela associação; e, foram os que compuseram de forma censitária a população entrevistada para realização desta pesquisa.

Foram inclusos no estudo o idoso que está devidamente associado à AMI de Ocara e apresentou interesse às atividades promovidas pela associação, assinou e concordou com o conteúdo exposto no TCLE. Foram excluídos os que não são associados à AMI de Ocara e os que não concordaram com os dados do TCLE;

Para coleta dos dados, a entrevista foi aplicada aos 20 idosos que participam das atividades da Associação, como palestras educativas, realizadas as segundas-feiras com assistente social, atividades físicas iniciadas com convivência grupal para troca de experiência, mediada pelo profissional psicólogo e exercício pelo profissional educador físico do Centro de Referência Especializado da Assistência Social - CREAS do município, realizados as quartas-feiras, concentração e aquecimento na praça de eventos da sede do município e atividade dançante (forró) aos sábados.

Foi entrevistada a coordenadora geral da associação para coletar dados sobre como surgiu à instituição, estrutura física, funcional e políticas públicas oferecidas pelo município e as atividades realizadas com os idosos que ajudam manter a associação.

Com os idosos a entrevista levantou dados sobre (idade, sexo, escolaridade, estado civil, convivência conjugal, profissão, tipo de aposentadoria,...), a família, com quem mora e como é a convivência entre os membros familiares e qual o papel do idoso na composição de sua família, mudanças físicas e sociais, sexualidade, estressores do ambiente em que vive e como faz para seguir resiliente.

As entrevistas foram transcritas na íntegra e analisadas de acordo com a análise de conteúdo proposta por Orlandi (2001, apud CAPELLE, 2006, p.10), ou seja, as categorias de análises foram organizadas conforme informações fornecidas pelos entrevistados ao que se buscou garantir a voluntariedade dos participantes de forma a preservar sua autonomia e anonimato pela utilização de abreviação de pseudônimos, fundamentados pela revisão bibliográfica.

O estudo seguiu as determinações éticas regulamentadas pelas diretrizes da Resolução de número 466 de 2012, do Conselho Nacional de Saúde e foi submetido à apreciação do Comitê de Ética em pesquisa da FCRS, obtendo aprovação sob o número de protocolo 45726615.6.0000.5046, parecer número 1.175.226.

A pesquisa respeitou os valores sociais, morais e religiosos dos sujeitos como também a participação voluntária e o anonimato dos entrevistados. A utilização da gravação de voz só foi feita mediante a autorização dos sujeitos, que concordaram participar da pesquisar e destruídas, logo que os dados foram transcritos.

4. Resultados e Discussão

Dentre os vinte entrevistados, doze eram mulheres e oito homens, com idade média de 65 anos, variando de sessenta a noventa e sete anos. Constatou-se que o ambiente oferece apoio e valorização aos idosos. Todos são aposentados com renda que varia de um a três salários-mínimos e meio.

Com relação à moradia, seis moram com o cônjuge, cinco moram sozinhos, dois moram com filhos, dois com filhos e netos e cinco moram só o casal com presença de filhos durante o dia para cuidado com os pais idosos, a casa, comida, higiene, entre outros. Sobre a escolaridade, um tem ensino médio completo e os demais, ensino fundamental incompleto.

Em todos os casos, verificou-se uma extrema importância à religião, a amizades, respeito ao próximo, vontade de continuar a viver, o que denominaram ser a terceira idade uma fase boa, uma vez que as outras, segundo eles, foram mais de sofrimento e falta de liberdade para participar de atividades infantis e juvenis.

Quanto aos dados qualitativos, resultantes das entrevistas realizadas, após ter sido realizada análise, foram organizados de maneira que se pudesse obter melhor visualização e compreensão, sendo que para tanto, foram expostos nesta tabela, onde se observa elementos como categoria e unidade de contexto.

 

Tema: A resiliência dos idosos da AMI e as contribuições da Psicologia quanto ao processo de envelhecimento.

Categoria

Unidade de Contexto

 

 

 

 

 

 

Características da resiliência e da velhice

Quando to em casa danço cum minha bengala, limpo de inxada, arrumo a casa [...]A memória tá munto boa.(ACF masc., 97 anos, viúvo)

[...] é munto bom viver na terceira idade [...].(RCS fem., 77 anos, separado).

Em casa num paro não. É fazeno tapete, é custurano, fazeno as coisa de casa.(RVS, 68 anos, fem., casada).

Sou o dono da casa e o minino do mandado, seja onde for. (JGO, 84 anos, masc., casado).

Tenho uns pobremazin de saúde, mas venhe pra ca, fico boazinha. Chego em casa é que vou me lembrar das dor. (MSO, 60 anos, fem., casada)

Quano ieu vein pra cá tiro aquilo tudo da cabeça aí quano chega in casa cumeça tudo de novo, né. (MJSP, 62 anos, fem., casada).

Meu pobrema foi só dois infarto que eu tive, né e foi priciso operar do coração, foi somente isso. Num fiz arte e fiquei bonzin. (EGM, 85 anos, masc., casado)

Pra mim está nesta tercera idade, pra mim pra mim eu num acho munto ruim não.. (ACS, 62 anos, femi., viúva)

Moro só eu e minha fia, mas a noite fico só eu e Deus, (ILS, 73 anos, fem., separada)

Quando to em casa vou fazer a luta de casa, limpo o quintal, fazer cumida (MES, 68 anos, fem., casada)

Quando eu to aqui eu converso, participar das reunião, fazer exercício (MIS, fem., viúva, 78 anos)

Eu procuro viver muito bem na tercera idade. Pra mim viver bem é isso, né. (JML, 82 anos, casado, masc.)

Viver muito bem na tercera idade é ter saúde, num ter doença. [...] Num tenho pobrema de saúde nao (RVL, 62 anos, fem., casada)

Fazia crochê, tapete, bordado, costura, artesanato, pintura, pás atividade, né, tinha umas cunversa cum pessoal da ação social. É bom demais. (RCB, 66 anos, fem., casada)

In casa num paro queto, [...] ajeito o quintal, dou comida o gado, um gadin que eu tem (FBA, 72 anos, masc., casado)

Moro cum minha muié, mar ar minina vem aqui passa o dia todim, de noite rão pás casa dela (ASV, 80 anos, masc., casado)

Moro só com meu véin e ar minina passa o dia mais de noite nóis fica só (MSA, 65 anos, fem., casada)

[...] eu num paro, olho o gadin que eu tem, vou na budega comprar o que ta faltano, Rô na casa dum fí. (LSV, 74 anos, casado, masc.)

Pra mim ta bom essa tercera idade (risos, muitos risos)[...] De tarde romo banhe, sento na calçada, fico olhano o movimento, né (RSC, 74 anos, viúva, fem.)

Tenho que ficá no movimento, que é pás dor num me Pará (FCA, 76 anos, casada, fem.)

Categoria

Unidade de Contexto

 

 

 

 

 

Limitações físicas e sociais

[...] nur 97 não me levaram e eu num posso caminhar até lá, aí fico por aqui, [...](ACF masc., 97 anos, viúvo)

Eu comecei cum uma tontura, uma tontura, que tontura era essa que levei foi uma queda no chão. [...] tomu remédio de manha, meio dia e de noite, melhorei. A memória tá boa, mais tô meia môca, [...](RCS fem., 77 anos, separado)

  Tomo remédio pa pressão, coração, hérnia. Não tomo nada que fais mal. (JGO, 84 anos, masc., casado)

[...]vou fazer uma cirurgia agora (ACS, 62 anos, fem., viúva) essir dia num to ino porque fiquei duenti (ILS, 73 anos, fem., separada)

Fui muito doente[...]não me levantava doía os braço e as perna, tumei muitas injenções e melhorei. (MIS, fem., viúva, 78 anos)

[...] de uns dia pra cá, oi é doença de todo jeito, [...]. (RCB, 66 anos, fem., casada)

[...] fiquei duenti fiz umas cirurgia nos zói. (FBA, 72 anos, masc., casado)

A tercera idade num tá munto boa não que tem essas doença,né. (ASV, 80 anos, masc., casado)

Me operei e hoje vivo nessa cadera de roda já vai fazê cinco meis, (MSA, 65 anos, fem., casada)

Tenho uns pobremazin de saúde (FCA, 76 anos, casada, fem.)

limitações sociais:

bordo, faço artesanato, brinco, converso, faço ixecíço. Tudo cumeça com nois (FCA, 76 anos, casada, fem.)

É. É. Hoje minha diversão é só aqui. (RSC, 74 anos, viúva, fem.)

Hoje minha diversão é aqui na AMI. (LSV, 74 anos, casado, masc.)

Só tem de bom alí mermu (MSA, 65 anos, fem., casada)

Hoje é só quane vem alguém me visitar. (AMI) (ASV, 80 anos, masc., casado)

Agora é só por aqui mermu. Vou na casa do fí meu, na casa doto (FBA, 72 anos, masc., casado)

Me divirto munto, [...] quano vem uma visita, quano meus fí vem, minhar minina (RCB, 66 anos, fem., casada)

Hoje me divirto na AMI (RVL, 62 anos, fem., casada)

Hoje me divirto na AMI. (JML, 82 anos, casado, masc.)

Hoje me divirto aqui, na AMI, só aqui, fiz meu aniversário aqui, me senti muito amada. (MIS, fem., viúva, 78 anos)

Antes não me divirtia, num saia pos canto (MES, 68 anos, fem., casada)

Meu divertimento é só na AMI mermu (ILS, 73 anos, fem., separada)

Hoje me divirto na igreja, na AMI (ACS, 62 anos, fem., viúva)

Um purque a divessao que nois tem é só essa aqui, né (EGM, 85 anos, masc., casado)

Pra mim, felicidade é o poco que eu fico aqui na AMI. [...]Quando eu to em casa fico só em casa. (MJSP, 62 anos, fem., casada)

A diversão é só na AMI. (JGO, 84 anos, masc., casado)

Hoje a diversão pra mim é aqui na AMI. (RVS, 68 anos, fem., casada)

Caí dentu e até hoje tou e gosto, adoro, tu é doida, aqui é munto bom, é um divertimento que eu num tenho oto divertimento.(RCS fem., 77 anos, separado)

A vida social é só aqui em casa mermo, aqui vem muntos amigo, conversa, troca ideia (ACF masc., 97 anos, viúvo)

Categoria

Unidade de Contexto

 

 

 

 

Ganhos na velhice

Venho pas eu faço conversa aqui cuns psicó, psicó...(risos), sei lá como é, o rapaz dos ixercíço, a menina da ação social, danço. (RCS fem., 77 anos, separado)

Pra mim tá ótima. Gosto de viajar, passear, tenho minha saúde (RVS, 68 anos, fem., casada)

A terceira idade é boa porque pelo meno tá se divirtino, conversa cum um, cum oto[...]Quano num tou aqui, vou po comercio dum fio meu[...]. (JGO, 84 anos, masc.casado)

 Pra mim tá na terceira idade é munto mió que otas idade porque eu num saía, era dona de casa pa mae e o pai trabaiá Aí pur isso não que hoje fecho minha casa, [...] Disabo mais o vei. (MSO, 60 anos, fem., casada)

Pra mim a terceira idade tá seno maravilhosa. Pra mim que num me divertia e agora to me divertino. Vou pr’onde eu quero, p’onde eu quiser eu vou.[...] (risos) (MJSP, 62 anos, fem., casada)

[...] eu acho bom que hoje num tein tanto sufrimento. (ACS, 62 anos, fem., viúva)

Fiquei viúva há 15 anos [...] não faço nada em casa. Comprei um carro e vou almoçar onde eu quero, viajo para São Paulo (MIS, fem., viúva, 78 anos)

Não tenho nenhum problema financeiro, de memória, nem de saúde, não tomo nenhum medicamento, me alimento bem (JML, 82 anos, casado, masc.)

[...] me divirto munto, cunvesso, vejo os zamigo (ASV, 80 anos, masc., casado)

 Fazia crochê, tapete, bordado, costura, artesanato, pintura. (MSA, 65 anos, fem., casada)

Agora to só curtino os neto, num tem mais tanto trabái né, (LSV, 74 anos, casado, masc.)

Ave Maria, acho mio a tercera idade pra mim do minha infância, por que eu num saía. (FCA, 76 anos, casada, fem.)

Categoria

Unidade de Contexto

 

 

 

 

AMI como ambiente onde os idosos externam “satisfação subjetiva”

Aqui apóia demais nois idosos, acho bom..( FCA, 76 anos, casada, fem.)

Oi, aqui é uma maravilha, agente troca as zideia (RSC, 74 anos, viúva, fem.)

 Olhe, do que eu vivi aqui é o que chega mais perto do meu tempo. Quane eu num venhe fico naquele dequendencia. (LSV, 74 anos, casado, masc.)

 Eu achava munto bom ir pa AMI (MSA, 65 anos, fem., casada)

Ói eu acho bom demais na AMI (ASV, 80 anos, masc., casado)

Ah rapaz, na AMI é bom demais (FBA, 72 anos, masculino, casado)

Me divirto munto, na AMI. (RCB, 66 anos, fem., casada)

 Na AMI é muito bom. A gente conversa, faiz ixerciço, dança (RVL, 62 anos, fem., casada)

A gente conversa, faiz atividade, tem o forrozim no sabo (JML, 82 anos, casado, masc.)

As atividade aqui na AMI traz muita alegria pra mim, aqui é acolhedor.(MIS, fem., viúva, 78 anos)

Acho munto bom aqui na AMI, a gente tem amigo, cunversa (MES, 68 anos, feminino, casada)

É munto bom ir pás atividade da AMI,( ILS, 73 anos, feminino, separada)

A AMI foi uma coisa boa, que antes a gente num tinha essas coisa.[...] Na juventude (pausa) é só pau e pão – trabái. (ACS, 62 anos, fem., viúva)

 Gosto de freqentar aqui, me diverti com omi. (MJSP, 62 anos, fem., casada)

A AMI apóia demais o idoso, gosto demais. (MSO, 60 anos, fem., casada)

A AMI pra mim, até agora tá bom. Tudo amigo, conheço pessoa nova.( JGO, 84 anos, masc., casado)

O ambiente da AMI pra mim é uma maravilha. (RVS, 68 anos, fem., casada)

Pra mim a AMI, ajuda, me deixa melhor, faço a física de tarde de segunda a quinta-feira. (RCS fem., 77 anos, separado)

A Ami é o lugar bom (ACF masc., 97 anos, viúvo)

Categoria

Unidade de Contexto

 

 

 

 

 

Necessidade de satisfação quando jovens e agora idosos

Na juventude não tinha diversão. (RCS fem., 77 anos, separado)

Minha filicidade hoje é tá munto aprumado hoje purque na juventude eu nunca tive nada mermu trabaiano munto e hoje tenho propriedade que vale duzentur mil. (EGM, 85 anos, masc., casado)

Minha juventude era boa, por que meu pai era munto bom. deixava a gente ir pos drama, missa.(ILS, 73 anos, fem., separada)

Na juventude não me divertia, era isolada dento de casa criando meus filho. Hoje to bem por que to só, to viúva (MIS, fem., viúva, 78 anos)

Na juventude eu só trabalhei, não me diverti (JML, 82 anos, casado, masc.)

Na juventude meu pai num deixava, né (RVL, 62 anos, fem., casada)

Minha juventude era boa, a gente ir pos drama, missa (muitos risos)[...]Hoje as coisa tão mais difiço pra mim, (RCB, 66 anos, fem., casada)

Minha juventude era só de trabái, criá a famía (ASV, 80 anos, masc., casado)

 Quane eu rô pa AMI eu acho bom porque vejo u zamigo, me divirto. (MSA, 65 anos, fem., casada)

Minha juventude era boa, a gente ir pos drama, missa, quadría, tinha os forrozin que eu ia com papai, (LSV, 74 anos, casado, masc.)

Na juventude era bom. Tinha aquelar diversão, . (RSC, 74 anos, viúva, fem.)

Agora ta melhor do que quando eu era mocinha que meu pai num dexava a gente sair, agora eu vou pra onde eu quero, vivo bem melhor[...]. (FCA, 76 anos, casada, fem.)

 

 

 

Categoria

Unidade de Contexto

 

 

Diferenças entre discursos dos homens e das mulheres relacionados à vida na juventude

Quane eu era jovi eu saía cum minha vó pos forrozin, nas lamparina e a vó no mocotó( FCA, 76 anos, casada, fem.)

Na minha juventude(pausa) na minha juventude, que,eu,eu. Não. Eu saía munto mais a minha avó (RSC, 74 anos, viúva, fem.)

O quê? É pussivo sim, mair minino. Tá mio do que quane eu era mais novo. Ótimo. Ótimo (LSV, 74 anos, casado, masc.)

Num tem nada que eu fiz na juventude que quera fazer hoje não. Só se desse pó tempo voltar (ASV, 80 anos, masc., casado)

Minha juventude era boa, tinha aquele divirtimento. A gente tocarra sanfona, ixe, ia chegá era de manhã, quaise (FBA, 72 anos, masc., casado)

Quano eu tô na AMI converso, me divirto, é aquela aligria (RCB, 66 anos, fem., casada)

Na juventude meu pai num deixava, né. (RVL, 62 anos, fem., casada)

Na juventude eu só trabalhei, não me diverti. (JML, 82 anos, casado, masc.)

Na juventude não me divertia, era isolada dento de casa criando meus filho (MIS, fem., viúva, 78 anos)

Na juventude me divertia quano meu avô fazia. Assim que terminava tinha que ir pa casa que a mae tava no mocotó (MSO, 60 anos, fem., casada)

Na juventude era diversão todo sabo. De tarde já tava balançano pa ir pa festa. Era munto bom, fazia amizade. Ur namoro daquele tempo num tinha ur chafurdo que tem hoje não. (JGO, 84 anos, masc., casado)

Na juventude era, era, era, era, chato. [...] eu participava de drama, de festinha, brincadeira. (RVS, 68 anos, fem., casada)

4.1 Características da Resiliência e da Velhice

Laranjeira afirma que a resiliência que o idoso apresenta na velhice foi elaborada ao longo da vida e que pode ser observado conforme seja oferecido ambiente, atividade e interação social, como se pode observar nas falas dos entrevistados, como, por exemplo: Quando to em casa danço cum minha bengala, limpo de inxada, arrumo a casa [...]A memória tá munto boa.(ACF masc., 97 anos, viúvo. ) Quano ieu vein pra cá tiro aquilo tudo da cabeça aí quano chega in casa cumeça tudo de novo, né. (MJSP, 62 anos, fem., casada).

Papalia trata do processo gradual de envelhecimento e suas características que são intensificadas nesta fase, mas que são vivenciadas desde o nascimento até a morte e contribuem para o conhecimento do ciclo vital do ser humano, sendo que algumas delas podem ser evitadas como doenças e falta de exercício físico e independência pessoal para realizar tarefas habituais do cotidiano de forma autônoma, como se observou nas respostas apresentadas: Tenho uns pobremazin de saúde, mas venhe pra ca, fico boazinha. Chego em casa é que vou me lembrar das dor. (MSO, 60 anos, fem., casada). Tenho que ficá no movimento, que é pás dor num me Pará (FCA, 76 anos, casada, fem.)

4.2 Limitações Físicas e Sociais

Pelas respostas das entrevistas, concorda-se quando Laranjeira cita Érikson para dizer que na fase de envelhecimento podem existir problemas, dificuldades e limitações tanto físicas quantos sociais, sendo que porém o bom envelhecer é medido por indicadores de bem estar subjetivo, positivo como qualidade de vida perceptível. Eu comecei cum uma tontura, uma tontura, que tontura era essa que levei foi uma queda no chão. [...] tomu remédio de manha, meio dia e de noite, melhorei. A memória tá boa, mais tô meia môca, [...](RCS fem., 77 anos, separado) Tomo remédio pa pressão, coração, hérnia. Não tomo nada que fais mal. (JGO, 84 anos, masc., casado) [...]vou fazer uma cirurgia agora (ACS, 62 anos, fem., viúva)

No que se refere às limitações físicas, constatou-se que estas estão de acordo com os estudos já realizados conforme nos aponta Papalia (2006), por exemplo, que expõe ser parte do processo do desenvolvimento humano e pelo que se pode acompanhar nos relatos referentes. [...] nur 97 não me levaram e eu num posso caminhar até lá, aí fico por aqui, [...](ACF masc., 97 anos, viúvo) essir dia num to ino porque fiquei duenti (ILS, 73 anos, fem., separada)

4.3 Ganhos na Velhice

Com a velhice, os idosos também tiveram ganhos, pois é na terceira idade que estão realizando seus desejos de sair de casa sem compromisso, para o destino que quiserem, dançam, fazem exercícios, não trabalham tanto como antes, as obrigações e responsabilidades diminuíram consideravelmente, conversam por horas com os amigos que encontram, conquistaram independência financeira e alguns até acumularam bens materiais, vivem sua sexualidade como melhor consideram ser vivida, outros moram sozinhos ou só com o cônjuge, escolhem se colocam roupa justa para se sentir mais jovem ou não, vivem de acordo com a sua perspectiva de vida, entre outros. Venho pas eu faço conversa aqui cuns psicó, psicó...(risos), sei lá como é, o rapaz dos ixercíço, a menina da ação social, danço. (RCS fem., 77 anos, separado)  Pra mim tá na terceira idade é munto mió que otas idade porque eu num saía, era dona de casa pa mae e o pai trabaiá Aí pur isso não que hoje fecho minha casa, [...] Disabo mais o vei. (MSO, 60 anos, fem., casada) Pra mim a terceira idade tá seno maravilhosa. Pra mim que num me divertia e agora to me divertino. Vou pr’onde eu quero, p’onde eu quiser eu vou.[...] (risos) (MJSP, 62 anos, fem., casada)

4.4 AMI Como Ambiente Onde os Idosos Externam “Satisfação Subjetiva”

Através dos relatos é possível perceber que no ambiente da AMI os idosos por se sentirem acolhidos e em ambiente que lhes traz segurança e se sentem bem, externam e vivenciam suas subjetividades positivas, como forma de “autorregularem” o self, para enfrentarem a vida rotineira, sendo esta a principal – não a única – forma de compartilharem suas vontades, anseios, seu funcionamento mental e psicológico como também de inserção social através das atividades experienciadas e das relações interpessoais, confirmadas por falas como: Aqui apóia demais nois idosos, acho bom. ( FCA, 76 anos, casada, fem.) Oi, aqui é uma maravilha, agente troca as zideia (RSC, 74 anos, viúva, fem.) Olhe, do que eu vivi aqui é o que chega mais perto do meu tempo. Quane eu num venhe fico naquele dequendencia. (LSV, 74 anos, casado, masc.)

4.5 Necessidade de Satisfação Quando os Jovens e Agora Idosos

Foi perceptível que quando jovens a necessidade era com relação ao desejo de vivenciar o correspondente a cada fase do desenvolvimento humano, como a infância e a adolescência de forma plena e satisfatória; e, agora idosos a necessidade de satisfação é ter e/ou continuar com saúde associada à liberdade para diversão, conquista de bens e liberdade financeira, assim como a manutenção de relações e inserção social, ao que ilustra-se por frases, como: Na juventude não me divertia, era isolada dento de casa criando meus filho. Hoje to bem por que to só, to viúva (MIS, fem., viúva, 78 anos) Na juventude eu só trabalhei, não me diverti (JML, 82 anos, casado, masc.) Na juventude meu pai num deixava, né (RVL, 62 anos, fem., casada) Minha juventude era boa, a gente ir pos drama, missa (muitos risos)[...]Hoje as coisa tão mais difiço pra mim, (RCB, 66 anos, fem., casada) Minha juventude era só de trabái, criá a famía (ASV, 80 anos, masc., casado) Quane eu rô pa AMI eu acho bom porque vejo u zamigo, me divirto. (MSA, 65 anos, fem., casada)

4.6 Diferenças Entre Discursos dos Homens e das Mulheres Relacionados à Vida na Juventude

Quanto aos relatos sobre a vida na juventude, de homens e mulheres se assemelham quanto à presença constante de trabalho e diferenciam quanto ao trabalho dos homens que era para ajudar o sustento da família e ainda jovem para criar sua própria família, assumindo a função de provedor, enquanto que as mulheres tinham que assumir as responsabilidades da casa e do cuidado dos irmãos enquanto os pais buscavam fora o sustento da família, como também ainda jovens assumir o papel de dona de casa e mãe de vários filhos.

Dos discursos coletados pode ser ilustrado com: Na juventude era diversão todo sabo. De tarde já tava balançano pa ir pa festa. Era munto bom, fazia amizade. Ur namoro daquele tempo num tinha ur chafurdo que tem hoje não. (JGO, 84 anos, masc., casado) Na juventude era, era, era, era, chato. [...] eu participava de drama, de festinha, brincadeira. (RVS, 68 anos, fem., casada)

5. Considerações

A partir dos estudos para fundamentação teórica e realização desta pesquisa, constatou-se que a investigação acerca da ideia de resiliência, conforme Rabello (2005, p. 46) afirma, já estava presente no Projeto para uma Psicologia Científica de Freud, mesmo que os pressupostos epistemológicos ainda não estivessem fundamentados, o que não impede que a psicanálise investigue a resiliência como “processo de reorganização psíquica frente ao mesmo”, como também “a partir dos vínculos significativos desenvolvidos pelo indivíduo desde os primeiros anos de vida”, sendo construída ao longo da existência e utilizada em situações adversas (consideradas pela psicanálise como trauma) a serem superados.

A respeito desta pesquisa realizada com idosos que participam das atividades da AMI, obtiveram-se como resultados: 1) a resiliência apresentada pelo idoso foi elaborada ao longo da vida, sendo que esta se externa conforme as condições e ambientes sejam favoráveis; 2) as limitações físicas e sociais não são passíveis de impedimentos, mas de adequações, que atenuem a solidão trazida pela dificuldade de locomoção e doenças; 3) os idosos atribuem à velhice muitos ganhos que vão desde financeiro e material, além de considerarem ser fundamental a liberdade de viver e se expressar, fazer e conservar amigos com os quais mantêm contato e dialogam com frequência; 4) dos desejos sentidos na juventude, muitos estão sendo satisfeitos na terceira idade; 5) os discursos de homens e mulheres se assemelham nas proibições, responsabilidades e obrigações e se diferem nos papeis que vivenciam.

A relevância da pesquisa diz respeito aos estudos, pesquisas e observações científicas acerca do processo de envelhecimento que já nos anos subsequentes será em maior número que a população de até 19 anos em todo o mundo, demandando contribuições para o entendimento sobre como melhor viver essa idade.

De acordo com estudos realizados para a realização desta pesquisa, a Psicologia, assim como outras áreas do conhecimento, vem contribuindo para esses estudos de forma teórica e prática.

O questionamento inicial deveu-se à forma como o idoso da AMI elabora sua resiliência, de forma interna positiva, observada como fenômeno a ser investigado. A pesquisa teve seu alcance prático, por ter sido concluída após análise dos dados coletados, mostrando como cada idoso elabora seu mecanismo de autorregulação do self, através do aprendizado ao longo da vida, que varia de pessoa para pessoa, conforme aponta Fontes (2010).

Porém há algo em comum a todos os entrevistados que participam ativamente das atividades da Associação da Melhor Idade de Ocara, pois conforme depoimentos nas entrevistas, a força interna positiva é elaborada como fator de superação das dificuldades vivenciadas, até antes da aposentadoria, descritas pelos homens como ter que trabalhar desde cedo.

A limitação quanto aos costumes de viver a sexualidade se mostrou mais evidente nas mulheres, que após a aposentadoria vivem-na mais ativamente e sem censura, como também tem a liberdade de praticar exercício físico, interagir mais intensivamente de forma social.

Para alguns homens, a AMI é o lugar de continuidade da vida ativa de outrora em que desde a juventude e casamento, se teve frequência constante a festas, viagens, trabalhos longe da família que eram, também, uma oportunidade para vivência da sexualidade de forma diferente da habitual.

Já para as mulheres, foi com relação à limitação de interação social ampliada, pelo fato de, antes do casamento, os pais não permitirem e depois do casamento, deveu-se à responsabilidade com casa, filhos e a restrição do marido, sendo que hoje a AMI representa para estas o espaço para a realização dos seus desejos de sair, interagir socialmente, namorar, distantes da possível censura de seus familiares, por exemplo.

Fato é que para ambos, com a realização da aposentadoria, tornou-se realidade o “cumprimento de seu papel para com familiares” e atualmente estão cuidando de si, se permitindo viver os desejos de outrora, até então subjetivado.

Percebe-se que a velhice pode ser vivenciada de forma prazerosa, desde que os idosos tenham acesso à renda e atividades adaptadas às suas limitações físicas, assim como o convívio social, tratamento de saúde e acesso à medicação, enfim, políticas públicas de saúde e de desenvolvimento social, acessibilidade aos equipamentos de lazer e condições de mobilidade e a participação em programas de educação e informações pertinentes à sua idade, podem proporcionar uma boa qualidade de vida aos idosos e, principalmente, melhorar a convivência entre os membros da sua família.

Espera-se, com este estudo, ter contribuído para a reflexão do saber sobre a necessidade de constantes pesquisas, para a formulação e tomada de novas atitudes que promovam conhecimento sobre um envelhecer digno, ativo diante das possibilidades de cada idoso, prevenindo, promovendo, reabilitando ou até mesmo intervindo de maneira a contribuir para o reequilíbrio do bem-estar psicológico do idoso, como vem sendo o trabalho multiprofissional da AMI, que também conta com as contribuições da Psicologia, através do profissional psicólogo.

Sobre o Autor:

Magnadia Correia Costa - graduanda do curso de Psicologia pela Faculdade Católica Rainha do Sertão - FCRS. CV: http://lattes.cnpq.br/5217174471749676

Referências:

ALMEIDA Thiago de. LOURENÇO, Maria Luiza. Envelhecimento, amor e sexualidade: utopia ou realidade? Rev. Bras. Geriatr. Gerontol. v.10 n.1 Rio de Janeiro  2007.

BARDIN, L. Análise de conteúdo.  Lisboa: Edições 70, 1979.  p. 229

BRANDÃO, Juliana Mendanha. A construção do conceito de resiliência em psicologia: discutindo as origens. Paidéia maio-ago. 2011, Vol. 21, No. 49, 263-271

CAMPOS, Letícia Maria de. Relatório Global da OMS sobre Prevenção de Quedas na Velhice. Tradução do documento original por Letícia Maria de Campos. World Health Organization, 2010

CAPPELLE, Mônica Carvalho Alves. Análise de conteúdo e análise de discurso nas ciências sociais. 2006

COUTO,Fernanda Bueno D`Elboux. Resiliência e capacidade funcional em idosos. Revista Kairós, São Paulo, Caderno Temático 7, junho 2010

DIANE E. Papalia, Sally W. Olds & Ruth D. Feldman. Desenvolvimento humano. 8a Edição, Artmed, 2006

FERREIRA, Camomila Lira, ROCHA, Eudes Araújo. MAIA, Eulália Maria Chaves Resiliência em idosos: considerações sobre a produção científica na área do envelhecimento. Estud. interdiscipl. envelhec., Porto Alegre, v. 15, n. 1, p. 129-136, 2010.

FERREIRA, Camomila Lira, SANTOS, Lúcia Maria Oliveira, MAIA, Eulália Maria Chaves. Resiliência em idosos atendidos na Rede de Atenção Básica de Saúde em município do nordeste brasileiro. Rev Esc Enferm USP 2012; 46(2):328-34

FONTES, Arlete Portella. Resiliência, segundo o paradigma do desenvolvimento ao longo da vida (life-span). Revista Kairós, São Paulo, Caderno Temático 7, junho 2010

FORTES, T.F.R. et al. A resiliência em idosos e sua relação com variáveis sociodemográficas e funções cognitivas. Estudos de Psicologia. Campinas, 26(4), 455-463. Outubro - dezembro 2009

GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. - São Paulo : Atlas, 2008

GURGEL, Léia Gonçalves Et tal. Avaliação da resiliência em adultos e idosos: revisão de instrumentos. Estudos de Psicologia. Campinas, 487-496. Outubro - dezembro 2013. Jul-Set 2007, Vol. 23 n. 3, pp. 327-332

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2010. Disponível em: http://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/index.php?uf=23&dados=0, Acesso em 23/02/2015.

LARANJEIRA, Carlos António Sampaio de Jesus. Do Vulnerável Ser ao Resiliente Envelhecer: Revisão de Literatura.  Psicologia: Teoria e Pesquisa Jul-Set 2007, Vol. 23 n. 3, pp. 327-332

LEVANDOWSKI, Stela Araújo Cabral Daniela Centenaro. Resiliência e psicanálise: aspectos teóricos e possibilidades de investigação. Rev. Latinoam. Psicopat. Fund., São Paulo, 16(1),42-55, mar. 2013

LIMA, A.M.M.; SILVA, H.S.; GALHARDONI, R. Envelhecimento bem-sucedido: trajetórias de um constructo e novas fronteiras - Comunic., Saúde, Educ., v.12, n.27, p.795-807, out./dez. 2008.

MINISTÉRIO DA SAÚDE, Conselho Nacional de Saúde, Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, Resolução Nº196/96 versão 2012

NÉRI, Anita Liberalesso. Contribuições da psicologia ao estudo e à intervenção no campo da velhice. RBCEH - Revista Brasileira de Ciências do Envelhecimento Humano, Passo Fundo, 69-80 - jan./jun. 2004

NERI, Anita Liberalesso. Envelhecimento e Subjetividade: desafios para uma cultura de compromisso social / Conselho Federal de Psicologia, Brasília, DF, 2008. 196 p.

OLIVEIRA, Maria de Fátima. Entrevista psicológica - o caminho para aceder ao outro.  www..psicologia.com.pt, o portal dos psicólogos, 2005

RABELLO, E.T. e PASSOS, J. S. Erikson e a teoria psicossocial do desenvolvimento. Disponível em <http://www.josesilveira.com> no dia 15 de setembro de 2015

SILVA, E. A. P. C ET tal. Resiliência e saúde: uma análise da qualidade de vida em idosos. Rede de Revistas Científicas da América Latina o Caribe, a Espanha e Portugal ConScientiae Saúde, 2012;11(1):111-118

SOUZA, Marilza Terezinha Soares de & CERVENY Ceneide Maria de Oliveira. Resiliência Psicológica: Revisão da Literatura e Análise da Produção Científica. Revista Interamericana de Psicología/Interamerican Journal of Psychology - 2006, Vol. 40, Num. 1 pp. 119-126

VECCHIA, R.D ET tal. Qualidade de vida na terceira idade: um conceito subjetivo. Rev Bras Epidemiol 2005; 8(3): 246-52

VERAS, R.P et al. Crescimento da população idosa no Brasil: transformações e conseqüências na sociedade. Rev. Saúde públic., S. Paulo, 21(3): 225-33, 1987

VIEIRA, Sara Ponzini. Resiliência como força interna. Revista Kairós, São Paulo, Caderno Temático 7, junho 2010

YUNES, Maria Ângela Mattar. Psicologia positiva e resiliência: o foco no indivíduo e na família. Psicologia em Estudo, Maringá,v. 8, num. esp., p. 75-84, 2003