Resumo: O presente trabalho teve como finalidade captar a importância da participação dos pais, em ambiente escolar, e procurar entender como esta concorre para a formação social da criança, que repercute em seu desenvolvimento, dentro do meio escolar. A metodologia de pesquisa elencada foi a de cunho bibliográfico, envolvendo a análise documental de diversos autores, dentro do campo da Psicologia, Filosofia, Psicanálise e Pedagogia. Também, foram pesquisados os conceitos históricos de educação, cultura e escola, sendo abordadas suas origens até as tradições atuais elencadas com a nossa sociedade. Objetivou-se, dentro do âmbito da pesquisa, mostrar a importância da escola e da família, em um cenário sócio-educacional, que fomenta o desenvolvimento e a formação social da criança, tendo sido mencionadas possíveis pontes de comunicação, entre estas esferas de convivência e subjetivação, que podem ser estabelecidas entre a escola e os pais. A família é o primeiro sistema em que o ser humano se insere, na sociedade, por meio do qual começa a estabelecer seu vínculo com o mundo. Esta possibilidade mostrou-se viável do ponto de vista da participação familiar e contexto escolar. Por sua vez, o papel da escola encontra-se alicerçado nas questões relacionais, na habilidade de lidar com o novo. Por isso, compete à escola tornar o indivíduo um cidadão capaz de exercer a sua cidadania, bem como reconhecer suas heranças socioculturais.

Palavras-chave: Educação, Família, Participação, Socialização.

1. Introdução

O presente estudo bibliográfico teve como enfoque temático a influência da família e da escola sobre a formação social e referencial da criança, relacionada à sua inserção sociocultural.

Procurou-se discutir as principais dificuldades em inserir os pais no convívio escolar de seus filhos e buscar possíveis soluções para as questões emergidas na relação família-escola, partindo-se da premissa central de que os seres humanos são um produto de tudo o que aprendem.

A criança quando vai para a escola leva consigo toda uma herança sócial e histórica, agregada pela família e que continua a ser influenciada pelos constructos familiares e pelas motivações que lhe são ou não oferecidos, neste ambiente.

Essa pesquisa pretendeu empreender uma reflexão sobre as interferências familiares no ambiente estudantil e ajudar a identificar os reflexos destas, na formação da criança no contexto escolar. Em virtude disto, pais e professores devem estar sempre, preparados para identificar as necessidades da criança.

Os profissionais educadores devem, dentro de suas práticas, estreitar o relacionamento com as famílias, orientando-as, em circunstâncias pertinentes, sobre suas atitudes e comportamento, em relação ao desenvolvimento dos alunos/filhos.

Segundo Brandão (2007), postular sobre o que seria a Educação significa, antes de tudo, remontar as suas origens. A Educação não acontece de forma isolada e não se manifestam, em um único lugar.

Como aponta este autor, talvez não haja uma educação, mas, “educações”, pois, afinal, toda cultura procura passar seus valores e suas tradições para a próxima geração.

Portanto, Brandão (2007), coloca que:

Em mundos diversos a educação existe diferente: em pequenas sociedades tribais de povos caçadores, agricultores ou pastores nômades; em sociedades camponesas, em países desenvolvidos e industrializados; em mundos sociais sem classes, de classes, com este ou aquele tipo de conflito entre as suas classes; em tipos de sociedades e culturas sem Estado, com um Estado em formação ou com ele consolidado entre e sobre as pessoas (p. 09).

As funções familiares dependem, em grande parte, da estrutura social e da situação econômica da sociedade, em que está inserida. O ambiente familiar é o primeiro vínculo que a criança estabelece com a sociedade. Algumas funções ela assume, com exclusividade. Contudo, outras influências originam-se em outras instituições sociais.
Segundo Prado (1985), “a socialização das crianças é dividida pela família e pelas instituições educacionais” (p. 35-36).

Corroborando com este pensamento, Lane (2006), menciona que a família é o primeiro elo que conecta as crianças com o mundo humano. A primeira “educação familiar”, é expressa pelas relações, que a criança desenvolve, com seus membros.

A família é regida por leis, normas e costumes, que definem direitos e deveres. Portanto, os papeis de marido e da mulher, de pai, de mãe e de filhos deverão reproduzir as relações de poder da sociedade em que vivem.

Continuando com esta premissa, Lane (2006), ainda, aponta:

A família é o grupo necessário para garantir a sobrevivência do indivíduo e por isto mesmo tende a ser vista como "natural" e "universal" na sua função de reprodução dos homens (p. 38-41).

Portanto, o “ninho familiar” objetivará construir os alicerces dos valores afetivos, que a criança terá com o outro. Neste caso, a família gera, na criança, um sentimento de pertença/reconhecimento, vital para seu desenvolvimento psicossocial.

Porém, uma vez que o infante passa a se inserir na convivência com outras pessoas, que não fazem parte de sua família. Esta nova inserção grupal diferente do canal social em que, anteriormente, estava inserido. A criança, a partir deste instante, terá de lidar com um “outro” que, respectivamente, não é um membro familiar. Ainda assim, ela, gradualmente, terá de conviver por determinado período de tempo, dentro de um mesmo ambiente.

Com isso, terá de se relacionar com novas manifestações das tradições e costumes, o que, posteriormente, proporcionará a interlocução entre estes novos códigos simbólicos aprendidos com aqueles, já adquiridos, outrora, no meio familiar de origem.

O sistema escolar tem por finalidade permitir acesso à escolarização. Esse sistema corrobora os parágrafos n° 3 e n° 12 do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH) que se poderia chamar de educação em direitos humanos.

O Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH) propõe que a educação vá além de uma aprendizagem cognitiva, incluindo o desenvolvimento social e emocional de quem se envolve no processo ensino-aprendizagem (p. 23).

De acordo com o PNEDH (2006), da educação básica. A educação, nesse entendimento, deve ocorrer na comunidade escolar em interação com a comunidade local, sendo que possui como princípios fundamentais:

(...) 3. estimular junto aos profissionais da educação básica, suas entidades de classe e associações, a reflexão teórico-metodológica acerca da educação em direitos humanos (...) 12. apoiar a implementação de experiências de interação da escola com a comunidade, que contribuam para a formação da cidadania em uma perspectiva crítica dos direitos humanos (p. 24).

Aliás, esta segunda fase pode ser considerada, a formação social do indivíduo, dentro da sociedade, as expressões (representações sociais) que aprendem passam a equivaler às normas e valores familiares.

A criança não se constrói de forma isolada. Ela é uma intersecção dos fatores familiares e escolares ao qual está inserida. Pode-se dizer que a criança expressa, na escola, aquilo que experienciam, em casa e, por sua vez, pode manifestar, na família, aquilo que é construído, no ambiente escolar, juntamente, com o apoio dos pais.

Dentro deste campo de pesquisa, surgiram as seguintes questões sobre como são construídas as relações que a criança tem dentro do ambiente familiar. E como são construídas as manifestações que a criança expressa em ambiente escolar.

É objetivo central da pesquisa, dissertar principalmente, sobre as relações família-escola e como lidar com as multipluralidades de situações, entre a criança e o meio escolar.
Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), lei n.º 8.069, de 13 de julho de 1990, Capítulo IV do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer Art. 53. “A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho" (p. 19).

Continuando este Estatuto, regulamenta sobre a importância da participação familiar no contexto escolar:

Parágrafo único. É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais (p. 20).

No primeiro momento da socialização escolar a criança pode apresentar dificuldades de relacionamento, conduta ou mesmo atos indisciplinares. Os professores juntamente, com pais devem procurar conhecer sobre as dificuldades que a criança apresenta dentro das relações escolares e das intimidades em ambiente familiar.

Porém, muito das vezes, os papéis entre os pais e os responsáveis das escolas se distanciam devido às disparidades que cada representante tem de suas funções.

Os educadores e profissionais das escolas procuram se distanciar das problemáticas relacionadas ao campo da família, por sua vez, as famílias poucos participam das decisões inerentes às situações da criança dentro do campo escolar, às vezes, por discórdias ou inadimplências.

Conforme Aquino, (1998), isso se deve, principalmente, ao que diz respeito:

Escola e família exercem papéis distintos no processo educativo. Evidencia-se uma confusão de papéis. A principal função da família é a transmissão de valores morais às crianças. Já à escola cabe à missão de recriar e sistematizar o conhecimento histórico, social, moral (p. 08).

Tradicionalmente, a família tem sido apontada como parte fundamental do sucesso ou fracasso escolar. A ausência da família significa na maioria dos casos uma desarmonização no contexto escolar.

A família deve fazer parte do processo educativo tendo como foco a formação de um indivíduo autônomo.

Considera-se que o ser humano aprende o tempo todo, nos mais diversos interesses que a vida lhe apresenta. O papel da família é essencial, pois é ela que determina, desde cedo, o que seus filhos precisam aprender, quais são instituições que devem frequentar o que é necessário saberem para tomarem as decisões que os beneficiem no futuro.

O objetivo deste presente trabalho foi compreender a possibilidade da escola e da família trilharem caminhos conjuntos. E analisar, quais são fatores que contribuem e influenciam nessa participação e que, de certa forma, repercute na educação da criança.

Esse tema se tornou relevante, devido à necessidade que a sociedade contemporânea está passando, a participação familiar é um objetivo almejado por todos que fazem parte do contexto escolar. Daí a importância voltada para identificar essa possível falta de presença da família, neste ambiente em particular. Este trabalho monográfico foi dividido em dois capítulos. O primeiro capítulo apresenta conceitos relevantes sobre as concepções de educação, família e escola.

Além disso, esta seção da monografia fornece um leve vislumbre de como os conceitos socioeducacionais evoluíram e foram se modificando, ao longo do tempo.

O segundo capítulo volta-se para discutir a participação da família na escola, corroborando com os eventos atuais referentes à ausência dos pais na formação da criança. Complementarmente, há um debate sobre possíveis efeitos dá colaboração dos pais com a escola, assim, como de possíveis pontes entre as duas instituições sociais aludidas, sejam a família ou a escola.

Verifica-se, quais fatores significativos seriam necessários para a criação de uma educação participativa, no cenário escolar, através de diversas estratégias estabelecidas em programas e políticas educacionais, assim como, através dos ditames presentes em várias legislações, atinentes à área da Educação.

2. A Formação Social da Criança

2.1 Conceitos de Educação

Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho ECA (p.19).

Diversos autores concordam que os seres humanos são um produto de tudo o que aprendem; logo, tornam-se um reflexo daquilo que experimentam e descobrem.

Vygotsky (2007), já postulava que se os seres humanos não tivessem meios de transmitir seus conhecimentos para as gerações posteriores, não teriam se desenvolvido da mesma forma ou explorado o mundo com os mesmo olhos (p.17).

A educação é, portanto, um processo vital de desenvolvimento e formação da personalidade, não apenas como uma mera adaptação do indivíduo ao meio, mas um catalizador para a formação do caráter social da criança. Dentro desta perspectiva, pode-se afirmar que a primeira educação recebida pela criança é a proporcionada na família, esta lhe ensinando a se inserir na sociedade, continuando este processo, na escola, e se prolongando por toda sua existência.

Continuando, Brandão (2007), afirma que, inicialmente, todo conhecimento humano era repassado de uma geração à outra, antes mesmo do surgimento das escolas. Esse conhecimento era adquirido, às vezes, oralmente, através dos mitos e das lendas, assim como acontece, hoje em dia, em algumas tribos indígenas.

Neste processo, pode-se colocar que o desenvolvimento da educação segue duas linhas que divergem: um relaciona-se a um saber transmitido através das tradições religiosas (mitos, contos, cânticos, epopeias etc.) agregadas, apenas, à memória humana; por outro lado, há conteúdos educacionais transmitidos pelo surgimento da escrita (como papiros, tábuas de argila, tábuas de bronze ou mármore etc.).

Toda cultura se preocupou com a transmissão de seus princípios ou valores para as próximas gerações. Sendo assim, necessitou-se buscar uma educação interacionista, que agregasse a pessoa ao meio, produzindo, assim, significativas relações entre cidadão e sua comunidade, este sendo princípios fundamentais e essenciais da educação. Mas então. O que seria a educação? Ela, por si só, consiste em uma aglomeração de saberes, que está agregado a tudo o que chamamos de cultura.

Para Brandão (2007), “(...) a educação existe onde não há a escola e por toda parte pode haver redes e estruturas sociais de transferência de saber de uma geração a outra” (p, 13).

Segundo Santos (2009), “cultura diz respeito a tudo aquilo que caracteriza a existência social de um povo ou nação" (p. 24). Mas, por sua vez, estes aspectos da cultura possuem diversas origens. Assim, diz respeito a tudo aquilo que caracteriza o social, no interior de uma sociedade. Assim, é possível falar-se de uma cultura francesa ou de uma cultura xavante.

Brandão (2007), ainda, menciona que o homem que se transforma com o trabalho e a consciência, partes da natureza em invenções de sua cultura, aprendeu com o tempo a transformar partes das trocas feitas no interior desta cultura em situações sociais de aprender, ensinar - e - aprender: em educação (p. 14).

Este autor cita um acontecimento histórico significativo, que ocorreu nos Estados Unidos, especificamente, na Virgínia e em Maryland. Os senhores da Virginia ofereceriam a “educação civilizada” às tribos das “Seis Nações”, como tratado de Paz.

Pouco tempo depois, os seus governantes mandaram cartas aos índios convidando alguns dos seus jovens para estudar nas escolas dos brancos. Os chefes responderam agradecendo e, mas recusando a oportunidade lhes oferecida.

Brandão (2007), menciona este acontecimento, em um trecho desta carta:

Nós estamos convencidos, portanto, que os senhores desejam o bem para nós e agradecemos de todo o coração. Mas aqueles que são sábios reconhecem que diferentes nações têm concepções diferentes das coisas e, sendo assim, os senhores não ficarão ofendidos aos saber que a vossa ideia de educação não é a mesma que a nossa. Muitos dos nossos bravos guerreiros foram formados nas escolas do Norte e aprenderam toda a vossa ciência. Mas, quando eles voltavam para nós, eles eram maus corredores, ignorantes da vida da floresta e incapazes de suportarem o frio e a fome. Não sabiam como caçar o veado, matar o inimigo e construir uma cabana, e falavam a nossa língua muito mal. Eles eram, portanto, totalmente inúteis. Não serviam como guerreiros, como caçadores ou conselheiros. Ficamos extremamente agradecidos pela vossa oferta e, embora não possamos aceitá-la, para mostrar a nossa gratidão, oferecemos aos nobres senhores de Virgínia para que nos envie alguns de seus jovens, que lhes ensinaremos tudo o que sabemos e faremos deles, homens (p. 8-9).

Vale ressaltar que esta educação – ou para o autor, anteriormente, citado, “educações” – estruturada por um saber – também, para o mesmo autor, sendo pertinente a indicação de que há “saberes” – tinha por finalidade formar um ser humano prático, seja na Antiga Grécia, Mesopotâmia, na sociedade Francesa, índios Xavantes ou entre as tribos das Seis Nações cristalizando-os, em artesãos, escriba, arquitetos, caçadores, guerreiros etc. Cada um dentro de sua cultura e sua nação, desenvolveria atividades necessárias para o crescer de seu povo.

De tudo o que se discute hoje sobre a educação, fica reconhecido que não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar que ela acontece de formas diversas, sejam, no tempo ou no espaço. Ela adquire as propriedades inerentes aos costumes e as épocas ao qual pertencem.

Este homem tinha por objetivo a solução dos problemas do cotidiano sejam: a transmissão das tradições religiosas, construção de templos e cidades, cálculos dos impostos, construção de navios, canais de irrigação, dimensões do terreno, cálculos astronômicos, caça de animais, coletas de plantas comestíveis ou medicinais e a medição e previsão das estações do ano para plantio de determinadas colheitas etc.

Vernant (2002), já postulava que a educação passou a ser um marco do desenvolvimento, a partir do século VII A.C, na Grécia Antiga, quando os filósofos trabalhavam para estimular o desenvolvimento do indivíduo, ou seja, havia uma educação, apenas voltada para o sentido do trabalho, que passa a perder sua eficácia (p. 56).

Conforme Jaeger (1995), o homem grego passou a visualizar a educação, dentro de um domínio, que inclui todas as subjetividades humanas, sejam corpóreas ou espirituais. Este homem, portador da educação ao qual está agregado, atua com força criadora e renovadora, ficando claro este ponto na seguinte citação:

Todo povo que atinge um certo grau de desenvolvimento sente-se naturalmente inclinado a prática da educação. Ela é o principio por meio do qual a comunidade humana conserva e transmite a sua peculiaridade física e espiritual (p. 03).

Quando este autor fala das heranças corpóreas ou espirituais, comenta sobre todas as tradições que o ser humano constrói para tentar ordenar o mundo caótico, em que está inserido. Todas as tradições corpóreas podem ser descritas como o plano físico da cultura: os monumentos, as cidades, as esculturas e as vestimentas; e as espirituais, podem se definidas como planos subjetivos inseridos na cultura: a moral, a ética, as leis, as normas, os princípios e os valores. Dentro destas concepções, os indivíduos tenta dar sentido e significado ao universo.

Segundo Ghiraldelli (1987), de acordo com as Leis Gregas, os pais eram os responsáveis pela formação de seus filhos. Se a criança pertencesse à nobreza ateniense, geralmente, estaria acompanhada por um Pedagogo (um escravo, na época). Desta forma:

A educação é definida como o fato social pelo qual uma sociedade transmite o seu patrimônio cultural e suas experiências de uma geração mais velha para uma mais nova, garantindo sua continuidade histórica (p. 08).

Neste aspecto, a educação grega estava procurando a formação do indivíduo para a “polis” (a cidade). Portanto, seria aquela que constrói e participa das relações, dentro de uma sociedade, deixando o aprendiz fora de um estatuto de passividade, para se tornar um ser questionador e reivindicador de suas necessidades, dentro da polis.

A educação é um processo evolutivo que desaparece numa determinada cultura (reaparece) de forma distinta em outras. E às vezes, desaparece juntamente com as sociedades ao qual originaram. Podemos então dizer que a educação grega segue os preceitos de sua época. Porém, pode-se criar uma ponte cronológica entre as eras e igualmente, falar de educação no Brasil, contudo, não distanciando da definição etimológica ancestral, nascida entre os helenos.

No Brasil, a educação passou por profundas modificações, juntamente, com o processo de escolarização. Nos tempos atuais as mudanças mais significativas foram inseridas na educação brasileira, através da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LBD), com versões elaboradas em 1961, 1971 e 1996.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) define e regulariza o sistema de educacional brasileiro tendo este como base os princípios presentes na Constituição de 1988.

No longo processo de construção histórica e social da educação no Brasil, a reforma da LDB desempenhou um papel fundamental no processo de reconfiguração do ensino.
Esse processo, então iniciado, promoveu profundas mudanças, no cenário educacional. Se por um lado libertou os professores do controle do “ensino da ditadura”, por outro, parece ter gerado novas questões sobre o método educacional a ser aplicado.

Segundo Brandão (2007), falar sobre a educação na década de 1970 significava determinar e controlar o trabalho pedagógico em todos os seus graus e modalidades:

"Art. 1º O ensino de 1º e 2º graus tem por objetivo geral proporcionar ao educando a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de autorrealização, preparação para o trabalho e para o exercício consciente da cidadania" (Lei 5.692, de 11 de agosto de 1971, p. 55).

Mas, por tais razões, pensadores e educadores deste período conturbado, faziam e refaziam, todos os dias, a crítica da prática da educação, no Brasil, discutindo que negava o cotidiano e a realidade daqueles que buscavam e participavam de seu método de ensino.

Não havia igualdade de educação entre os brasileiros, por consolidar uma estrutura classista que ainda imperava no século XX; não havia nela a consciência nem o fortalecimento dos nossos verdadeiros valores culturais.

Em resumo, era uma educação na qual as crianças iriam para a escola para aprender, porém, esta mesma educação vai contra as tradições culturais da criança. Lembrando que os pais pouco iam à escola conhecer os profissionais que educavam seus filhos.

A educação familiar e a educação escolar eram distintas e, ao mesmo instante, distanciadas. O professor era o responsável pela educação, nas escolas, mas, permanecendo isolado. Os pais, por sua vez, não estavam relacionados ao contexto escolar, pois, esta era uma realidade pertencente, unicamente, à escola.

Segundo a LBD (1996), o sistema educacional brasileiro em seus primórdios da década de 1970 estava voltado para:

Nos anos 70 proliferou o que se chamou de “tecnicismo educacional”, inspirado nas teorias behavioristas da aprendizagem e da abordagem sistêmica do ensino, que definiu uma prática pedagógica altamente controlada e dirigida pelo professor, com atividades mecânicas inseridas numa proposta educacional rígida e passível de ser totalmente programada em detalhes (p. 31).

Nas diretrizes da LBD (1996), estão sedimentados os conceitos, já alcançados, em 1970, porém, fortalecem a importância do vínculo entre pais e a escola. Destarte, a educação deixa de ser, apenas, uma formação profissional passando a ser consolidadora do homem, em sociedade.

A escola, por ser uma instituição social com propósito explicitamente educativo, tem o compromisso de intervir, efetivamente, para promover o desenvolvimento e a socialização de seus alunos.

Conforme a LBD (1996), (...) essa função socializadora remete a dois aspectos: o desenvolvimento individual e o contexto social e cultural. É nessa dupla determinação que os indivíduos se constroem como pessoas iguais, mas, ao mesmo tempo, diferentes de todas as outras. Iguais por compartilhar com outras pessoas um conjunto de saberes e formas de conhecimento que, por sua vez, só é possível graças ao que individualmente, se puder incorporar.

Conforme Liliane (2010 apud HEIDRICH et al, 2009, p. 14) todos têm o direito de aprender. A educação deve visar o pleno desenvolvimento da personalidade humana e capacitar todos a participar efetivamente de uma sociedade livre (p.13).

A partir deste momento, a formação social da criança deixa de ser, unicamente, uma propriedade da família. Ela passa a envolver a criança em seu meio escolar e, prioritariamente, a partir da intersecção delas. Anota-se, a partir daqui, a interação do que se chamara família e escola.

A LDB (1996), determina que as escolas devem-se vincular ao mundo do trabalho e às práticas sociais (p.33).

Desta forma, espera-se que a educação escolar prepare o estudante para a vida e que o inspire nos princípios de liberdade e em ideais de solidariedade humana.

Tais princípios e valores devem orientar toda a ação educativa da escola, das organizações sociais, das famílias e de outros segmentos que queiram colaborar com a educação escolar.

Neste contexto, está situado no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 1990), que consolida o conceito de criança, dentro dos princípios da Constituição:

Art. 2.º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescentes aquela entre doze e dezoito anos de idade (p. 09).

Em relação à formação do caráter e da personalidade do indivíduo que ocorre na infância em meio à interação com o outro, “(...) o ECA veio garantir a todas as crianças e adolescentes o tratamento com atenção, proteção e cuidados especiais para se desenvolverem e se tornarem adultos conscientes e participativos do processo inclusivo” (p. 07).

Sem dúvida, a família e a escola são os maiores alicerces para a formação deste caráter social.

A primeira “educação familiar” é expressa pelas relações que a criança desenvolve com seus membros. Lane (2006), ainda menciona que a família é o primeiro elo que a conecta com o mundo humano e com a escola, sendo esta última, a segunda instância à que oferece um maior grau de socialização e escolarização.

2.2 Conceitos de Família

Art. 19. Toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes ECA (p. 15).

A família é o primeiro vínculo, por meio do qual, o individuo se insere na sociedade. O crescimento, dentro de uma estrutura familiar, adquire um caráter afetivo que favorece a criação e o desenvolvimento intelectual, emocional e social dos seres humanos.

Eram caracterizadas como família, as pessoas que viviam na mesma casa e estavam submetidas à autoridade de um chefe em comum, seja numa tribo ou clãs.

A família é um conceito antigo na história da humanidade. Ela é uma preocupação humana em compreender os diversos caminhos que levaram a humanidade a se conduzir para o que hoje formam o caráter cultural em nossa sociedade.

Prado (1985), caracteriza o fenômeno familiar como sendo:

Paradoxalmente, todos sabem o que é uma família, já que todos nós somos parte integrante de alguma família. É uma entidade por assim dizer, óbvias para todos. No entanto, para qualquer pessoa é difícil definir esta palavra e mais exatamente o conceito que a engloba, que vai além das definições livresca (p. 08).

Os direitos civis brasileiros delimitam e estabelecem os tipos de uniões concernentes à união conjugal. Como este autor mencionou, os papéis de marido e esposa, o sistema de filiação, adoção, heranças e parentesco são defendidos dentro dos “padrões” da cultura e da sociedade.

Apesar a existência dessas leis, isso não assegura, necessariamente, que a sociedade torne o modelo familiar, como garante o Código Civil. A Sociedade passa a construir ao longo de seu desenvolvimento as noções próprias de estrutura familiar.

Segundo Santos (2009), nesses recortes da realidade social comum que podem ser localizadas as maneiras de ver o mundo que prevalecem mais em alguns do que em outros. Ou então são localizadas maneiras diferentes de se relacionar socialmente, por exemplo, na organização da vida familiar, ou da amizade, ou da vizinhança. Nos tempos atuais o número de divórcio cresce em oposição ao número de casamentos legais.

Como, exemplo recente, temos a dissolução do matrimônio, que até a alguma década, o divórcio era impensável, o casal estariam unidos “até a morte os separe”.

Hoje, ocorre uma inversão deste papel, corroborado, com as novas construções de modelos familiares, deixando de ser exclusividade apenas a estrutura de família nuclear.

Segundo o IBGE (2010), o número de divórcios no Brasil chegou a 351.153 em 2011, um crescimento de 45,6% em relação a 2010 (241.122). Isso fez com que a taxa de divórcios atingisse o maior valor desde 1984 (2,6 divórcios para cada mil habitantes de 15 anos ou mais de idade), ainda maior que no ano anterior (1,8%).

Esse contexto reverbera, no ambiente social, com um crescimento do número de famílias separadas, porém com filhos. Estas famílias passam a reivindicar o direito de guarda da criança sejam ela, a guarda unilateral, alternada ou a compartilhada.

Essas transformações se dão através de inúmeros avanços e recuos que passam a delimitar a família em suas diversas vertentes.

Para Melchiori (2009), a família é antes de tudo:

A família representa o espaço de socialização, de busca coletiva de estratégias de sobrevivência, local para o exercício da cidadania, possibilidade para o desenvolvimento individual e grupal de seus membros, independentemente dos arranjos apresentados ou das novas estruturas que vêm se formando (p.121).

Apesar de a família contemporânea ser distinta e, particularmente, distanciadas dos padrões inerentes às décadas de 1950 e 1960, essas alterações não podem, necessariamente, denegrir a estrutura mental da criança dentro do seio familiar.

Conforme Faco e Melchiori (2009 apud MINUCHIN et al, 1985, 1988 p. 122) a família é um complexo sistema de organização, com crenças, valores e práticas desenvolvidas ligadas diretamente às transformações da sociedade, em busca da melhor adaptação possível para a sobrevivência de seus membros e da instituição como um todo.

Esses autores continuam a afirmar que a família é um processo sócio histórico que passa por transformações ao longo do tempo e com as mudanças advindas na sociedade.

O sistema familiar muda à medida que a sociedade muda, e todos os seus membros podem ser afetados por pressões interna e externa, fazendo que ela se modifique com a finalidade de assegurar a continuidade e o crescimento psicossocial de seus membros. Com as mudanças econômicas, políticas, sociais e culturais ocorridas ao longo dos tempos, a sociedade está sendo obrigada a reorganizar regras básicas para amparar a nova ordem familiar (p. 122).

No código da Constituição Civil de 1916, “família legítima” era definida, apenas, pelo casamento oficial, ou seja, apenas a uniões estáveis legais sejam no plano religioso ou no plano civil, passavam a valer como definição de família.

O tipo familiar, mais popularmente, inserido na sociedade, é o que constitui de um homem adulto, sua mulher e seus filhos não casados. Esse conjunto passa a ser denominado de “família nuclear” e, apesar de não universal, ela é definida como representação do construto de família ideal.

Jamais se encontrará, no âmbito da história, sociedades que teriam sobrevivido distanciadas de algum conceito técnico ético ou moral sobre o que seria a família, isto é, cada povo em sua cultura possuía uma relação institucional entre as pessoas, sejam por laços consanguíneos ou por heranças socioculturais.
Continuando, Prado (1985), exemplifica este pensamento dizendo:

Nem mesmo nas sociedades que tentaram novas experiências, como a China com o questionamento da família tradicional, ou Israel com os Kibutzim, onde as mulheres saem para trabalhar e as crianças vivem em comunidades. Nem nessas sociedades desapareceu a noção básica de família (p. 09).

O conceito sobre família não desaparece da sociedade, porque está, inevitavelmente, entrelaçada com as noções de cultura, ou seja, presas a princípios e valores que regulam a sociedade ordenando um sentido e propósito. Contudo, seus alicerces sempre foram questionados e necessidades de mudanças eram reivindicadas. A família, como entidade, não desaparece, mas seus preceitos sofrem mudanças de acordo com a época ou a sociedade em si.
Podemos exemplificar este fato com o advento da contracultura, movimento cultural que perdurou, nos anos de 1960, nos Estados Unidos e Europa, sendo a oposição à cultura da época.

Inicialmente, este movimento era reconhecido por sua oposição, a partir das vestimentas, gírias, posturas. Contudo, passou a assumir um caráter de revolução social. Para Pereira (1992), os valores culturais passaram a ser questionados, novos valores e direitos passaram a ser reivindicados.

Esse espirito libertário e questionador da racionalidade ocidental, que viria a marcar tão fortemente, isto que ficou conhecido como a contracultura (p. 09).

A contracultura trouxe novas concepções sobre o que seria a família, o que seria o relacionamento, o que seria a responsabilidade social. Esse movimento consolidou-se com os direitos feministas, representados por grandes expoentes da filosofia contemporânea como Simone Beauvoir, que questionou a estrutura familiar da época.

A mulher passou a reivindicar direitos ao trabalho e passou a ocupar outro lugar na sociedade. Nas últimas décadas, tivemos o que se chamaria “revoluções sociais”.

Primeiramente, a revolução feminista, até então, alcançou os direitos das mulheres a melhores tratamentos, respeito e independência. A revolução sexual, a partir do uso de anticoncepcionais e por fim a revolução da longevidade permitiu a alta expectativa de vida do brasileiro passou de 40 para quase 70 anos em 75 anos que repercute na formação das famílias hoje e como são estruturadas.

Conforme Barros e Belon (2011) “(...) no Brasil, a esperança de vida ao nascer que era, em 1940, de apenas 44,9 anos passa para 68,6 anos no ano de 2000” (p. 877).
Trata-se de uma geração em que os pais trabalham e os filhos são criados pelos avós, que, por sua vez, passam por um segundo processo paternidade.

Continuando, há pais que não se envolvem ou pouco participam da educação de seus filhos, geralmente, terceirizando-os como citado anteriormente, para os avós, tios, primos, ou quando na ausência destes, babás, monitores, ou como já muito popularmente é conhecido para as creche e escolas.

A partir daqui, essa pesquisa foca-se sobre o objetivo central deste tema: Quais as implicações da formação social da criança quando terceirizadas em outras instituições?
Uma vez que a família é a primeira instituição socializadora da criança, esse distanciamento dos pais repercute no segundo processo socializador que são as instituições educacionais creche e escolas?

Segundo Carter e Mcgoldrick (1995), ainda, argumentam que:

Em sistemas não-familiares, os papéis e funções do sistema são executados de uma maneira mais ou menos estável, se substituindo-se aqueles que partem por alguma razão, ou então o sistema se dissolve e as pessoas vão para outras organizações. Embora as famílias tenham papéis e funções o seu principal valor são os relacionamentos, que são insubstituíveis. Se um progenitor vai embora ou morre, uma outra, pode ser trazida para preencher uma função paterna, mas essa pessoa jamais substituirá o progenitor em seus aspectos emocionais (p. 09).

As instituições sociais não familiares iteram-se no papel socializador dentro das relações humanas com outros indivíduos. Ela pode e dever sofrer alterações no seu campo de profissionais quando necessárias. Por sua vez, os sistemas familiares, permitem a construção dos relacionamentos afetivos, entre os seus membros com laços parentais comuns. O rompimento desta interfere nas relações que a criança tem com o outro, por este ser um representante até então insubstituível para o mesmo.
Portanto, para Pôster (1979), as particularidades da família intimam a sua formação subjetiva:

(...) as características mais pessoais e particulares da vida intimam do individuo permanecem obscuras, somente se tornando sinais significativos quando são remetidas à origem no corpo medicamente significante da família. Logo a família é o segredo do individuo (p. 22).

Dentro deste cenário citado anteriormente, não podemos negar a construção da família moderna. Ela aconteceu ao longo do tempo; dentro de um espaço; dentro de uma cultura e através de uma educação, seja ela, a nível familiar ou social.

Segundo Carter (2008), no passado, o respeito pelos pais e a obrigação de cuidar dos mais velhos estavam baseadas em seus controles dos recursos (p. 10).

A família patriarcal, constituída por grupos familiares reunindo diversos graus de parentesco (avós, tios, primos, etc.), habitando espaços próximos e, muitas vezes, participantes de uma mesma atividade produtiva, Atualmente, vivenciamos uma transformação no conceito de família, por exemplo, temos a família nuclear, a família homoparental que passam a definir e a construir novos alicerces do que é a família contemporânea.

Essas evoluções passaram ao longo do tempo a inferir no modelo de educação ao qual estamos comumente adaptados.

Dessas questões surgem perguntas quanto ao que se espera deste jovem quando inserido em convívio social? Quanto as suas relações, por exemplo, em outra instituição socializadora que é a escola?

E por sua vez. Quais as bases desta nova família? Os filhos que são criados por avós. E os filhos únicos, atualmente, crescentes em nossa sociedade e que trazem as percepções típicas do mundo contemporâneo.

Concluindo, quando este jovem chega à escola está carregando toda uma herança familiar sociocultural que não podem ser ignoradas, sua formação como pessoa se construirá das interações da educação anterior, com o processo de escolarização.

A escola não pode substituir a família no papel da educação, uma vez que esta pertence à mesma. No entanto, a instituição escolar, prende-se a necessidade que os diversos ditames sociais, sejam solucionados com a presença dos responsáveis legais.

Os pais, por sua vez, não podem transpassar essa responsabilidade para escola, pois, estas estão pautadas no método de ensino, em última estancia nas relações sociais que a criança passa a construir dentro do cenário escolar.

O que se espera, é que a partir destas interlocuções entre a família e o ambiente escolar promova a construção de estratégias que possam beneficiar ambos os lados desta construção socializadora que repercutirá na formação social da criança.

2.3 Conceitos de Escola

Art. 54. É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente: I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria ECA (p. 20).

Da mesma forma que a família, a escola também é uma instituição formadora do caráter social humano, ou seja, dos princípios, objetivos, conteúdos, direitos e deveres a fim de garantir que, em todos os seus níveis, ela reproduza conhecimentos e valores, necessários para a transmissão harmoniosa da cultura.

Sendo assim, gradualmente, repassando o conhecimento adquirido pelas gerações anteriores para as novas, procura assegurar o desenvolvimento de novos conhecimentos, para o progresso do país; e remontam ao mesmo instante o repasse do conhecimento, como outrora, ocorriam na antiguidade ou como ainda hoje, acontecem em algumas sociedades tribais.

Conforme Aranha (1992), os primeiros vestígios de uma educação escolar remontam ao povo Egípcio, Indianos e Chineses cujos seus escritos eram registrados em tábuas de argilas, e estiletes de bambu (p. 25).

Estes educandos dedicavam horas de estudos para se tornarem profissionais como, escribas, topógrafo, alquimistas, conselheiros e professores.
Conforme Brandão (2007), de dentro da família para fora, na comunidade, a educação, passou a exercer a finalidade de formar o indivíduo para a atuação em comunidade:

Então é quando, entre outras categorias de especialidades sociais, aparecem as de saber e de ensinar, a saber. Este é o começo do momento em que a educação vira o ensino, que inventa a pedagogia, reduz a aldeia à escola e transforma "todos" no educador (p. 27).

O educador deixa de ser apenas um representante da família e passa a ser “o estranho” o distante do ”ninho familiar”, mas no mesmo instante o (profissional) que não procura apenas formar o indivíduo, mas todo o grupo da comunidade ao qual pertence.

Segundo Barsa Britânica (2001), a escola tem como finalidade educar as crianças para que desempenhem um papel funcional no ambiente social, seja técnico, científico, artístico ou especializado. (p. 298). As escolas têm como responsabilidade abrir as portas para o mundo do conhecimento, ajudando-as a compreenderem melhor o seu universo.

Para Ghiraldelli (1987), os gregos possuíam o seu conceito de educação e escola, “Paidagogia” designava, na Grécia antiga, o acompanhamento e a vigilância do jovem.
O “paidagogo” (o condutor da criança) era o escravo cuja atividade específica consistia em guiar as crianças à escola, seja a “didascaléia”, onde receberiam as primeiras letras, seja o “gymnásion”, local de cultivo do corpo (p. 08).

Confirmando esta posição Brandão (2007), afirma que:

Uma divisão social do saber e dos agentes e usuários do saber como essa existe mesmo em sociedades muito simples. Em seu primeiro plano de separação - o mais universal - numa idade sempre próxima à da adolescência, meninos e meninas são isolados do resto da tribo (p. 29).

Houve, em algum momento, a necessidade da cultura em educar um grande número de pessoas de uma mesma sociedade, ao mesmo tempo selecionando e separando-os por aptidões, atividades, entre outros critérios.

As escolas, ainda, em tempos atuais, levam em consideração às capacidades individuais, as idades, as classes. E, ao longo dos séculos, também, segregava a raça, o grupo étnico, os gêneros, a religião etc.

O Brasil, decorrente de uma sociedade latifundiária e escravocrata sustentou um conceito de educação no seu período colonial, inspiradas na sua economia agrícola e rudimentar da época. O Período Colonial foi marcado por um ensino da escolástica jesuítica aos índios e colonos.

Contudo, no século XX, ocorreram significativas mudanças quanto ao cenário educacional brasileiro. Essas mudanças promoveram as reformas que por sua vez, marcam as mudanças ainda referentes à LBD/1996.

Para Ribeiro (2003), democratização educacional no Brasil iniciou-se com a Constituição de 1988 e através dela se promoveram mais uma razão para a defesa deste tipo de escola. O autor é de opinião de que a intervenção do estado no âmbito da educação apresenta um saldo positivo em todas as sociedades modernas.

Pela Constituição de 1988, a educação é direito de todos, dever do Estado e da família. Ela visa ao pleno desenvolvimento da pessoa, ao seu preparo para o exercício da cidadania e à qualificação para o trabalho (p. 22).

Devemos lembrar que a escola, nem sempre, foi do jeito que a conhecemos atualmente. Em vários momentos da história, tipos diversos de sociedades criaram diferentes caminhos para percorrer a estranha aventura de lidar com o saber e os poderes que ela carrega consigo.

Neste caso, a proposta realizada em 1988, passa a levar em consideração as condições de acesso e permanecia na escola, a liberdade e o pluralismo de ideias, uma gestão democrática, passaram a ser priorizado como padrão qualidade.

A escola atual vem sendo objeto de estudo e críticas que, muitas vezes, não levam em consideração os que fazem parte dela.

É preciso reconhecer, inicialmente, que nem todo saber resume-se no saber comum escolar. A vida é também uma grande escola, em que todos aprendem coisas essenciais.
Os (PCNs/1997) Parâmetros Curriculares Nacionais determina que a escola deva vincular-se ao mundo do trabalho e às práticas sociais (p.34). Desta forma, espera-se que a educação escolar prepare o estudante para a vida e que o inspire nos princípios de liberdade e em ideais de solidariedade humana.

Conforme o (PCNs/1997), menciona:

A importância dada aos conteúdos revela um compromisso da instituição escolar em garantir o acesso aos saberes elaborado socialmente, pois estes se constituem como instrumentos para o desenvolvimento, a socialização, o exercício da cidadania democrática e a atuação no sentido de refutar ou reformular as deformações dos conhecimentos, as imposições de crenças dogmáticas e a petrificação de valores. Os conteúdos escolares que são ensinados devem, portanto, estar em consonância com as questões sociais que marcam cada momento histórico (p. 30).

Tais princípios e valores devem orientar toda a ação educativa da escola, das organizações sociais, das famílias e de outros segmentos que queiram colaborar com a educação escolar.

De um lado a escola pode ser concebida como fornecedora de conhecimentos relacionados à realidade em que os indivíduos estão inseridos. De outros devemos constatar que essa compreensão deve ultrapassar as bases teóricas da educação escolar.

A distinção entre ambiente escolar e as manifestações sociais devem conciliar com as realidades aprendidas.

É notório que a partir destas perspectivas a presença dos pais na escola muitas vezes, se distancia do contexto escolar. Hoje, a presença dos pais e da comunidade está sendo considerada como uma ampliação das possibilidades de uma boa relação, tanto da escola quanto das famílias.

Assim um diálogo entre as partes família-escola se tornam necessárias devidos as singularidades conforme menciona os (PCNs/1997):

A prática escolar distingue-se de outras práticas educativas, como as que acontecem na família, no trabalho, na mídia, no lazer e nas demais formas de convívio social, por constituir-se uma ação intencional, sistemática, planejada e continuada para crianças e jovens durante um período contínuo e extenso de tempo (p. 33, 34).

O papel da escola, assim, como o da família é ajudar no desenvolvimento e formação da criança. Contudo, a escola em todos os lugares representa o saber que às vezes se confunde com a percepção dos pais. Para muitas pessoas, a escola é o lugar onde nasce a educação, porém, esta é na verdade a continuidade daquela ocorrida no grupo familiar, pois, passa a se tornar mais sistematizadas com as reais necessidades do campo social ao qual está inserido.

É um local que possibilita uma vivência social diferente daquela que a criança tem conhecimento, proporciona um contato com o conhecimento análogo e com um universo de interações com pessoas e ambientes diferentes.

Portanto, transformar a escola em ambiente cuja tolerância e as manifestações da igualdade nas oportunidades e no respeito às diferenças, em oposição as forte disposição dos diferentes tipos de violência e preconceito atualmente, presente é um dos desafios trazidos para a educação brasileira, nos mais amplos cenários da sociedade brasileira.

Para Neves (2007), a expansão da responsabilidade socializadora da escola, converteu-a em um ambiente que os alunos têm a possibilidade de interagir com iguais e na qual se deve submeter continuamente a uma norma de convivência coletiva (p. 207).

As violências crescentes nas escolas exigem cada vez mais o aperfeiçoamento desta função; defendida pela ECA/1990, LBD/1996, PNEDH/2012.
Nas quais são vivenciados os direitos humanos e as responsabilidades de proteção e intervenções quando necessárias. Reforçando a função igualitária da escola, diante das eminentes situações referentes às desigualdades, sejam elas: sociais, gêneros ou etnias etc.

Corroborando com este pensamento Neves e Mercado (2007), afirmam que:

e) escola como instituição dos cidadãos – a escola deixou de pertencer de forma exclusiva à administração educacional e que essa importante instituição social precisa cada vez mais da contribuição dos cidadãos da comunidade educativa, composta pelos professores, pais, alunos e gestores. É preciso conceder uma liderança cada vez maior a esses três agentes, sem outorgar predominância a um sobre os demais (p. 208).

Dentro das conformidades contemporâneas, o Estatuto dos Direitos da Criança e dos Adolescentes (ECA), dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente. É compromisso da família, da sociedade e do poder público em geral, garantir os direitos à vida, saúde, alimentação, educação, e convivência familiar e social. Com isso, estas diretrizes visam permitir à criança maiores fortalecimentos dos vínculos em contraste às negligências, discriminação e exploração.

3. A Participação da Família na Escola

3.1 A Ausência da Família

É possível perceber que, cada vez mais, as famílias estão se esquecendo de que são os principais responsáveis pela formação do caráter dos filhos, assim como dos aspectos da conduta ou da personalidade.

Muitos pais mencionam que por causa do trabalho, eles não dispõem de muito tempo para ajudar na educação dos filhos ou, simplesmente, dizem que as educa, mas, porém, os jovens de hoje “não escutam” os mais velhos. Eles acabam por deixar essa formação apenas nas mãos dos professores, ficando as mesmas sem uma sustentação adequada.

Dizer que a escola é a responsável pelas instruções das tradições, das posturas e do caráter da criança é um conceito desastroso e prejudicial à formação da criança.

Conforme diz Oliveira (2010), a escola oferece o processo de escolarização, o aprendizado do conhecimento técnico. A família por sua vez, os valores e as “moris” da cultura.

A criança, ao nascer, encontra-se num estado de total incompletude, e sujeição. Isso acontece devido ao fator de desenvolvimento não ser, unicamente, biológico, mas de uma ordem psicossocial.

O que o torna diferente de todos os outros animais, ele depende totalmente dos adultos que estão a sua volta por um período maior de tempo, principalmente, de seus familiares ou daqueles que se responsabilizam dessa função.

Boing e Crepaudi (1999), citam diversos autores ao descrever o processo de desenvolvimento do recém-nascido (Spitz, 1979; Bowlby, 1984; Goldstein, Freud & Solnit, 1987; Bowlby, 1988; 1989; Winnicott, 1993; Szejer) narrando o seu desenvolvimento biológico e socioafetivo:

Ao nascer, o bebê é um ser indefeso e incapaz de sobreviver por meio de seus próprios recursos; o que lhe falta deve ser compensado e fornecido por um adulto cuidador. Para além dos cuidados de alimentação e higiene, vários autores ressaltam a necessidade do bebê de um contato afetivo contínuo advindo de uma figura constante - a mãe ou um cuidador substituto competente - com a qual estabelecerá relações de apego que vêm assegurar e favorecer seu desenvolvimento biopsicoafetivo (p. 212).

Vygotsky já postulava que o ser humano, embora, trazendo uma carga genética que também interfere no seu destino, esse mecanismo de transmissão da informação (genes), tornou-se insuficiente. Ele passou a agregar mais informações através do armazenamento da informação cultural (a linguagem e a escrita), o que propiciou um avanço em seu desenvolvimento sociocultural, não se limitando apenas a informação genética.

A formação da subjetividade humana envolve numa interação e participação com o outro. O sujeito nasce como um ser biológico, com suas necessidades e dependências, contudo, ao longo do tempo, se construirá como um sujeito psicológico, voltado para as interrelações dentro do espaço social.

Segundo Freud, a estrutura do Ego é um mediador entre as necessidades do indivíduo (id), e as imposições da cultura (superego). A evolução normal das funções egóicas se manifestará a partir da estrutura do Id, que será reprimido no inconsciente. Todo material que for descaracterizado e desnecessário para superego, pode sofrer repressão e ser definido como inapropriado pela cultura.

Para a Psicanálise a formação da criança ocorre através da repressão, conceito algumas vezes, mal interpretado, ela significa que a criança se desenvolverá a partir dos “egos externos” que serão os pais que se colocarão como mediadores do que é ou não possível, certo ou errado, dentro das atitudes das crianças.

Logo, os valores e os princípios inerentes às atitudes serão aos poucos formatados através das proibições que a família e a cultura o impõem.

Essas condições externas serão transmitidas mais especificamente, a partir da relação materna e paterna e continuando mais adiante através das instituições em que este participará. Uma vez que a comunicação se estabelecerá entre a criança-família e a sociedade ao longo de seu desenvolvimento.

Porém, o aumento das complexidades sociais passa a interferir na construção subjetiva do sujeito, seja ela, na instituição familiar ou na instituição escolar. Freud já postulava a formação do indivíduo através dos mecanismos de defesas, ou seja, certos artifícios são construídos na estrutura do inconsciente para se gerar uma condição aceitável entre os indivíduos (instintos e pulsões) e a sociedade (leis e as normas).

Porém, os distanciamentos dos pais na vida das crianças dentro da família e na escola vêm alterando, dramaticamente, essa realidade, especialmente, nas escolas públicas.

Contudo, se percebe que o distanciamento dessas figuras. Cria-se uma lacuna, onde, seriam os pais que transmitiriam os conceitos de educação e cultura, para as crianças que amadurecem inseridas no convívio com eles.

A família é o princípio e o primeiro alicerce que a criança constrói com relação ao outro. A partir das interações família-criança, o construto social do jovem se desenvolve e se molda as experiências vividas.

Entre outros fatores, a família, exerce importante influência, embora este aspecto transformador possa ser essencial, ainda, faz-se necessário que o desenvolvimento da criança em seu processo de socialização ocorra em outros ambientes.

Conforme Bee (2003), diversos autores postula a importância desta formação dentro do âmbito familiar, Freud (1905; 1920) propôs a existência de três partes: o id, que é o centro da libido; o ego, um elemento muito mais consciente; e o superego, que é o centro da consciência e da moralidade (p. 46).

Segundo este autor esta parte compõem o individuo desde o nascimento e incorpora ao longo de seu desenvolvimento, as normas, as leis e as tradições da família e da sociedade.

Bandura, por sua vez (1977; 1982; 1989) postulava que a formação social da criança se deve a modelagem que este passa a ter com os indivíduos adultos. “As pessoas aprendem maneiras de brigar e bater vendo as pessoas na vida real e na Tv (p. 47)”. Elas aprendem a serem generosa observando outras pessoas doarem dinheiro ou alimento.

Essa premissa se verificou verdade em seu famoso experimento João Bobo (1977). Dentro deste experimento, a criança que verificava a agressividade decorrente do adulto diante do brinquedo, instintivamente, passava a imitar tais atitudes.

Vygotsky, por sua vez, postou a sua teoria da aprendizagem social, aonde os indivíduos possuem uma aprendizagem que decorre da relação com o outro em um estado de interação. “Vygotsky julgava que a chave desse processo interativo está na linguagem que o adulto usa para descrever ou enquadrar a tarefa” (p. 48), este conceito passou a ser chamado apropriadamente de interacionismo. Devido ao fato que a aprendizagem, não poderia acontecer de forma isolada ou caótica, mas partir de uma troca ambivalente entre o sujeito e o objeto ao qual interage.

Bowlby (1988), com seu pensamento nas raízes psicanalíticas, particularmente, da ênfase sobre a importância do primeiro relacionamento entre a mãe e a criança (p. 350).

Para Winnicott (1975), o brincar é universal, uma forma básica de viver, e é somente no brincar que o indivíduo pode ser criativo. (p. 95).

Para Hartup (1989), afirma que toda criança precisa ter experiências em dois tipos de relacionamento:

O relacionamento vertical que envolve um apego a uma pessoa com maior poder social ou conhecimento, como um dos pais, um professor ou mesmo um irmão mais velho (...). O relacionamento horizontal, é reciproco e igualitário. Os indivíduos estão envolvidos, com companheiros da mesma idade, têm poder social igual, e seu comportamento mútuo vem do mesmo repertório (p. 349).

A Psicologia se procurou de determinar quais os possíveis efeitos destas variações na formação do caráter humano, quais efeitos destas na socialização da criança com os outros grupos que inicialmente, fará parte (o contexto escolar).

Para Dessen (2007), portanto, a família e a escola emergem como duas instituições fundamentais para desencadear os processos evolutivos das pessoas, atuando como propulsoras ou inibidoras do seu crescimento físico, intelectual, emocional e social (p. 22).

Os laços afetivos formados dentro da família, particularmente entre pais e filhos, podem ser aspectos desencadeadores de um desenvolvimento saudável e de padrões de interação positivos que possibilitam o ajustamento do indivíduo aos diferentes ambientes em que participará.

Vale ressaltar que para Fontes (2000), ”a família é o lugar intermediário entre o individuo e a sociedade total de que ele faz parte (p. 153),” (...) logo, a qualidade e a quantidade dos membros, acarreta em direitos e deveres que irão inferir no seu papel familiar e continuando no seu papel social.

Porém, a ausência desta pode repercutir em diversas mazelas na constituição social da criança, evasão escolar, desmotivação em ambiente estudantil, atitudes antissociais, omissão em realização das atividades, dificuldade em realizar atividades em grupos, retraimento e isolamento social.

Outra possibilidade para se estudar o tema da relação família-escola é conhecer a concepção dos pais sobre a relação entre família e escola.

Conforme Oliveira e Araújo (2010 apud DESSEN & POLONIA et al, 2005, p. 304).

A contribuição da escola para o desenvolvimento do sujeito é específica à aquisição do saber culturalmente organizado e às áreas distintas de conhecimento. No que diz respeito à família, “um dos seus papéis principais é a socialização da criança, isto é, sua inclusão no mundo cultural mediante o ensino da língua materna, dos símbolos e regras de convivência em grupo, englobando a educação geral e parte formal, em colaboração com a escola (p. 101)”.

Segundo Oliveira (2010), na visão das famílias, as interações estabelecidas com a escola ocorrem nos horários de saída, nas reuniões de pais convocadas pela escola ou em datas comemorativas (p. 105).

O que ilustra um relacionamento superficial e limitado às situações "formais", sendo um resquício do modelo escolar proveniente das décadas de 1950 e 1960.

Sendo esta participação da família um mero estado de acompanhamento semestral de resultados. Adicionado a este esquema, verificamos uma ausência dos pais dentro do próprio ambiente familiar. Uma vez que, eles precisam trabalhar estes passam a ter um tempo menor quanto à criação de vínculos entre os seus grupos.

Em resumo, vemos a consolidação nos últimos anos da família pós-moderna em função desta ampliação conceitual sobre família. Esse termo permite, atualmente, a inclusão de modelos variados de formação parental, para além daquele tradicionalmente conhecido.

Os modelos familiares não mais se restringem à família nuclear que compreendia a esposa, o marido e seus filhos biológicos, ao qual estavam originalmente entrelaçadas.

Segundo Oliveira & Dessen (2007), as famílias contemporâneas se dividem atualmente, em uma diversidade de ramificações no que diz respeito à multiplicidade cultural, orientação sexual e composições (p. 101).

Para Carter e McGoldrick (1995), as mudanças no ciclo de vida familiar se devem ao:

Na geração passada, as mudanças nos padrões de ciclo de vida familiar aumentaram drasticamente, especialmente por causa do índice de natalidade menor; da expectativa de vida mais longa, da mudança do papel feminino e do crescente índice de divórcio e recasamento (p. 13).

Nessa perspectiva, os diversos núcleos familiares que têm sido averiguados com maiores frequências em âmbito social são: família homossexual ou casais homossexuais; família extensa; famílias multigeracionais; família reconstituída ou recasada; família de mãe ou pai solteiro; casais que coabitam/vivem juntos; vivem com cuidadores.

Esses novos modelos familiares repercutem na metodologia de criação da criança em nossa cultura. Devido ao fato de os pais se dedicarem ao trabalho, muitas delas passam a ser educados pelos avós, que podem dedicar mais tempo à educação do que propriamente os pais da criança.

O contato dos pais faz se necessário para a formação de um vínculo afetivo estável e duradouro entre pais e filhos, contudo, dentro do cenário contemporâneo esta relação torna-se cada vez mais escassa.

Os pais muito das vezes, preso a uma vida exaustiva e desgastante, dificilmente, tem acesso às atividades que a criança realiza sejam em casa, na escola, ou em sociedade.

A família tem de lidar com os fatores da mudança da estrutura familiar que por muito das vezes, interferem no modo da criança se relacionar com os demais membros do grupo ou da sociedade.

Segundo Kovács (2008), separação ou morte de figuras parentais, amigos, amores, filhos, irmãos todos temos para contar. Aliás, estes elementos interferem no processo desenvolvimento humano seja no campo dos pais, quanto nos de seus filhos.

Dentro deste âmbito de pesquisa a Psicologia estuda a importância da figura materna e paterna no processo de formação das subjetividades da criança.

Boing e Crepaldi (2004), ressaltam a importância do afeto na relação mãe-filho no aparecimento e desenvolvimento da consciência do bebê e a participação vital que a mãe tem ao criar um “clima emocional favorável”, sob todos os aspectos, ao desenvolvimento da criança.

“(...) são os sentimentos maternos que criam esse clima emocional que confere ao bebê uma variedade de experiências vitais muito importantes por estarem interligadas, enriquecidas e caracterizadas pelo afeto materno (p. 212).”

Benczik (2011), ressalva a importância da figura paterna no desenvolvimento infantil confirmando:

É reconhecido como importante o papel do pai no desenvolvimento da criança e a interação entre pai e filho é um dos fatores decisivos para o desenvolvimento cognitivo e social, facilitando a capacidade de aprendizagem e a integração da criança na comunidade (p. 69).

Esses autores frisam na importância das instituições familiares na constituição e formação do indivíduo saudável. Porque cada etapa de sua formação será necessária à presença de uma figura ou outra na construção do sentimento de pertença e de identidade do infante.

Porém, contudo, no transcorrer do tempo ocorre situações cada vez mais frequentes no distanciamento de pais e filhos em questões pertinentes a disciplina e a autoridade. Devido muito das vezes, o deslocar das responsabilidades para outras instituições sociais ou simplesmente, ocorre à inadimplência de seus papéis para com a subjetividade social.

O que é antagônico com o proposto pela ECA/1990.

Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais (p. 14).

São comuns, casos pertinentes a quebras deste estatuto, inúmeras situações referentes aos cuidados, com alimentação, higiene e segurança. Assim como, ocorrências de violências e abusos sejam elas, físicas ou psicológicas. Nestes acontecimentos ficam evidente as falhas que a família possui quanto à criação desses jovens que se não forem resolvidas passarão a intervir na sua postura e condutas socioculturais.

Se observarmos crianças em que os pais não impõem nenhum tipo de limite ou são simplesmente “transeuntes,” identificaremos na criança, situações que contrastam no cenário escolar. Sejam situações com pouco envolvimento social, irritadiças, egoístas e, geralmente, rejeitadas pelos colegas, pois não conseguem respeitar ninguém.

Para que a criança saiba aceitar e respeitar os limites impostos pelos professores, colegas ou amigos com quem convivem. É preciso que ela tenha aprendido, exercitado, desde o início de sua vida este tipo de comportamento em sua família.

Em consonância com este argumento, La Taille (1996), analisa que:

A interiorização das interdições paternas vai, para Freud, constituir-se no superego o qual compreende “ideal de ego”, ou seja, uma imagem que tem de si (introjeção dos pais idealizado) que servirá como uma medida empregada para avaliar o próprio valor da pessoa. No caso de uma transgressão moral, vê-se a diferença e a: culpa de ter transgredido uma lei e vergonha de ter fracassado na busca da realização concreta do ideal introjetado (p. 15).

Para este autor os “limites” implicados por estas regras não devem ser apenas interpretados no seu sentido negativo: Mas devem também ser entendidos no seu sentido positivo: o limite situa, dá consciência de posição ocupada dentro de algum espaço social – a família, a escola, e a sociedade como um todo.

Voltando a premissa central deste capitulo, com a ausência dos pais, inevitavelmente, acaba por determinar à criança a tomada de decisões que ainda não estão suficientemente maduras para decidir.

Hoje se considera que a criança não pode passar por traumas, segundo muito das propostas socioeducacionais. Contudo, nunca antes os jovens experenciaram tamanhos graus de sofrimento e isolamento, que hoje repercutem inegavelmente, em outro ambiente em que a criança passa 1/6 de seu dia com outros iguais, em ambiente escolar.

A permissividade exagerada enquanto a criança é pequena, dificulta mais tarde, a retirada dessas concessões. A coerência na educação de uma criança precisa ser pensada, planejada por toda família, inclusive junto com a escola, quando for o caso.

É quando na ausência da tomada de decisão que deveriam originalmente, vir dos pais, passam a ser exigidas de outro adulto que está ali para aplicar o processo de escolarização. Nós estamos falando dos professores.

Segundo estes argumentos Trevisol e Lopes (2010), defendem:

A vida em sociedade pressupõe a criação e o cumprimento de regras e preceitos capazes de nortear as relações, possibilitar o diálogo, a cooperação e a troca entre membros deste grupo social. A escola, por sua vez, também precisa de regras e normas orientadoras do seu funcionamento e da convivência entre os diferentes elementos que nela atuam. Nesse sentido, as normas deixam de assumir a característica de instrumentos de castração e, passam a ser compreendidas como condição necessária ao convívio social (p. 23).

Este profissional tem pedir ao aluno, os mecanismos sociais de interação (respeito, educação, postura, dedicação, carinho ou cuidados) que execravelmente, devem surgir dentro da educação familiar, mas, contudo, não o acontece devidos às discrepâncias de o cenário educacional familiar ser fragmentado ou mesmo ausente.

Oliveira e Denssen (2007 apud REALI & TANCREDI et al, 2005, p. 240), esses dois sistemas têm objetivos distintos, mas que se interpenetram, uma vez que: "compartilham a tarefa de preparar as crianças e os jovens para a inserção crítica, participativa e produtiva na sociedade" (p. 101).

A divergência entre escola e a família está na tarefa de ensinar, sendo que a primeira tem a função de favorecer a aprendizagem dos conhecimentos construídos socialmente, em determinado momento histórico e de ampliar as possibilidades de convivência social e, ainda, de legitimar uma ordem social. Enquanto a segunda tem a tarefa de promover a socialização das crianças, incluindo o aprendizado de padrões comportamentais, atitudes e valores aceitos pela sociedade.

O entendimento do papel da escola, da família e a relação que elas, desenvolvem, nem sempre foi à necessidade de partilharem responsabilidades, de se ajudarem mutuamente e de interagirem.

Assim, durante longos anos a responsabilidade da educação não foi partilhada por estas duas instituições: Família e Escola. Cada uma assumia o seu papel, num total alheamento uma da outra.

Casual ou casuisticamente encontrava-se, pautando-se estes encontros por motivos que nem sempre eram os mais positivos. A família criava, educava, assinava documentos e pouco mais. A escola limitava-se a transmitir conhecimentos, a informar a família sobre os resultados obtidos e sobre o comportamento dos alunos.

A instituição familiar sempre foi e continua a ser a instituição-chave onde se estreia a socialização; é nela que a criança se inicia como indivíduo social desde o seu nascimento. Depois, surge a escola, em parceria com a comunidade, onde o indivíduo se insere num processo de socialização que se desenrola ao longo da vida.

Sendo assim, o processo de desenvolvimento social da criança no meio familiar não pode ser isolado da sua função socializadora. Embora, na escola, essa interação social se expande, ganhando um espaço ainda maior, diversificando e multiplicando num processo dinâmico que funciona ou deve funcionar, sempre, numa convergência de esforços com a família.

Embora, cientes que a responsabilidade de educar, cabe particularmente às famílias, facilmente, percebemos que a realidade social que vivemos torna impossível levar a cabo, com sucesso, essa tarefa sem apoios paralelos.

A família surge-nos como uma entidade cultural, social, política, económica, psicológica e religiosa. Como grupo básico da estrutura social, tem vindo a ser questionada, sobre diversos pontos de vista, despertando o mais vivo interesse de todos os quadrantes.

Oliveira e marinho-Araújo (2010), corroboram com este pensamento:

Tendo como pano de fundo a divisão de responsabilidades no que concerne à educação e socialização de crianças e jovens e a relação que se estabelece entre as instituições familiares e escolares, pesquisas e levantamentos acerca desta relação passam a ser objeto de estudo de diversas áreas do conhecimento, como a psicologia, a sociologia, a educação, entre outras (p. 102).

Nesta pesquisa, os ambientes familiares e escolares são descritos como contextos de desenvolvimento humano, ressaltando a importância do estabelecimento de relações apropriadas entre ambos.

É possível perceber que as famílias estão distanciando das funções de principais responsáveis para a formação do caráter dos filhos, como aspecto da conduta ou personalidade do indivíduo que designa a forma habitual, progressiva e constante de agir e reagir que é herdada das convivências sociais.

Na maioria das vezes, principalmente, por causa do trabalho, eles não dispõem de muito tempo para ajudar na educação dos filhos e acabam por “terceirizar”, os princípios e os valores que deveriam vir da família.

Nota-se que quando os pais são chamados à escola, ao invés de discutirem a questão metodológica usada, eles discutem o comportamento de alguns indivíduos o que acaba sem nenhuma solução eficaz por falta de suporte oferecido.

Antigamente, os pais eram os principais educadores dos filhos, isso raramente acontece na atualidade. Anteriormente, os pais no processo da formação de caráter da criança, conviviam por mais tempo com as elas.

No contexto da sociedade moderna, os pais dividiram a responsabilidade da educação dos filhos com a escola, o que ocasionou o seu afastamento neste processo, ficando toda a formação apenas nas mãos dos professores.

Uma estrutura familiar sólida facilita o processo de socialização, uma vez que permite a criança a ter um pleno desenvolvimento. A relação entre família e escola facilita inclusive a interação da criança na sociedade. Deste modo, cabe aos educadores orientar os pais de seu importante papel na formação de seus filhos.

E se podemos dizer, a definição de “família ideal” é a caracterizada por ser um par de adultos com responsabilidades sobre as suas crianças. Então, o fato de existir a possibilidade de uma presença/ausência de um dos adultos, devido ao contra-tempo modernos, abre portas a uma nova questão: A quem deixar as crianças?

Embora, cientes que a responsabilidade de educar, cabe particularmente à ambos os pares, facilmente, percebemos que a realidade social que vivemos torna impossível levar a cabo, com sucesso se ocorrerem de forma isolada.

Dentro deste argumento, a ausência da família, cada vez, se torna mais ampliadas, quantos as questões das problematizações escolares. Devemos lembrar que a formação subjetiva da criança, não se isola da família e; por sua vez esta não se distancia do contexto escolar.

As responsabilidades não se distanciam, mas interconectam que constroem o desenvolvimento social desta. A Escola não poderá jamais substituir a presença dos pais, a educação é uma responsabilidade da família. Contudo, pode ser olhos e ouvidos dos efeitos que se apresentam em seu cenário estudantil.

A escolarização, simplesmente, a auxiliará neste processo de formação, com temas que propiciem a família a maior compreensão do desenvolvimento da criança em questões referentes às relações sociais, a educação, e a aprendizagem.

Assim, como a sociedade, as famílias passaram por profundas mudanças em sua estrutura. Essas mudanças fizeram alterar ao longo dos anos os papéis da família na educação infantil. Ausência da família pode ser visualizada em diversos contextos. Durante as conversas a mesa, rede de televisão, com o surgimento das redes de comunicações (internet e telefonia móvel). Os surgimentos dessas ferramentas de telecomunicação, ironicamente, criaram o distanciamento dos diálogos e das participações entre pais e filhos dentro do ambiente familiar.

O surgimento das creches também trouxeram à emancipação dos cuidados as crianças “terceirizando-os” os responsáveis. Isso, igualmente, acontece na modernidade quanto à ida da criança para a escola. Os pais responsabilizam os professores quantos as questões concernentes à família.

Dizemos que a escola ”educa as crianças” em oposição que a responsabilidade dela é a de oferecer material teórico e técnico, para sua formação no mundo moderno ao qual está inserido. A educação escolar cria o indivíduo para suas relações com o outro, através do corpo do conhecimento cientifico elaborado ao longo das gerações. Portanto, a escolarização é a prioridade da escola.

Outro segmento que a instituição escolar pode se inserir, é a de orientar os pais quanto às dificuldades apresentadas pela criança dentro do meio escolar. Isso porque, esse indivíduo ainda é um espelho da família, ao qual pertence. Logo produzindo e subjetivando suas inquietações e frustrações fora do contexto familiar.

A ausência inerente as mais variadas mazelas, podem ser desencadeadores das dificuldades dentro do campo escolar, contudo, a escola deve, juntamente, com os pais construírem “pontes” que facilitem o diálogo entre esses dois ambientes direcionadores da educação humana.

A família ausente propicia que outros acabem por direcionar os valores e os princípios que deveriam emanar da estrutura familiar. Porém os pais, estão cada vez mais comprometidos com assuntos externos à educação dos filhos, o que faz com que parte dessa tarefa seja delegada à escola.

Por isso, conclui-se que uma relação produtiva entre a escola e a família inclui ganhos para a família em (coesão, empoderamento) e para a escola (eficácia) nas estruturas disciplinares, e para os estudantes o seu (desenvolvimento), e para a sociedade (a construção democrática) e participativa com base nas soluções de problemas do cotidiano.

E ao simples fato que a família está aos poucos agregando suas responsabilidades para outras instituições sociais, como a escolas e creches. Essa pouca participação, acaba por transparecer que as famílias são desnecessárias nestes ambientes, uma vez que os profissionais ou o próprio governo são “os capazes” de influir profundas mudanças de ordem educativas.

Outro grande fato a ser mencionado, são as conhecidas vulnerabilidades sociais, a violência, às agressões, as próprias negligências por partes destes responsáveis. São em grande partes os incitadores dos problemas de convivências e relacionamentos de jovens dentro das escolas.

Por último dentro deste tópico, procurar viabilizar a possibilidade das escolas ter acesso à família, que descumprem as medidas de participação das reuniões voltadas, para dificuldades apresentadas na escola.

3.2 A Colaboração entre os Pais e a Escola

A colaboração entre os pais e a escola é um campo de pesquisa que exige maior atenção por parte da educação. Diversos autores já postularam que os benefícios que podem ser alcançados partir desta cooperação está além das paredes da escola. Elas são vantajosas para ambas às instituições sociais que regulam o processo de desenvolvimento e formação subjetiva da criança.

Segundo Cavalcante (1998 apud Friend e Cook et al, 1990, p. 169). Essa coparticipação pode ser definida como a interação de ambos no contexto educacional que se trata de "um estilo de interação entre, no mínimo, dois parceiros equivalentes, engajados num processo conjunto de tomada de decisão, trabalhando em direção a um objetivo comum (p. 02)."

Conforme a análise desses autores. Certa circunstancia são necessárias para que este processo de colaboração ocorra:

a) existência de um objetivo comum; b) equivalência entre participantes; c) participação de todos; d) compartilhamento de responsabilidades; e) compartilhamento de recursos; e f) voluntarismo (p. 02).

A existência de objetivos que unem os laços entre a família e a escola é um dos caminhos que exigem maior atenção por parte dos profissionais das instituições escolares. Diversos estudos defendem que a família deve possuir uma parcela de representação nas decisões concernentes ao ambiente escolar. Sendo que os benefícios se confirmam na eficácia deste processo de socialização.

O compartilhar de decisões entre ambas as instituições, permitem elaborar estratégias significativas nas fases de desenvolvimento da criança, pois marcarão o começo de sua independência da família e de sua interação com outros ambientes.

O compartilhamento de recurso e o voluntarismo são ideias poucos acessíveis na nossa sociedade moderna, pois, se supõem que as famílias se reorganizariam em grupos para realização de atividades para um bem-estar das escolas, alunos e educadores. Contudo, esses conceitos não deixariam de ser excelentes estratégias quando possíveis de serem aplicadas.

Dentro deste espaço, ambos serão os alicerces fundamentais para que este aluno se desenvolva em toda a sua plenitude.

Nesse período em que a criança passa a ser influenciadas por outras. Ela passa a experimentar, sentimentos, hábitos e gostos diferentes dos vivenciados na família. O que se adquiriu dentro do ambiente familiar passa a ser utilizado nos relacionamentos com outras pessoas. Essa troca de experiências permitirá dividir situações de vitórias e derrotas, que outrora eram lhe situações favoráveis/desfavoráveis na situação de convívio com a família.

A rotina escolar difere de outros meios como a família. Mas sendo necessárias para a formação da criança. Por isso, é almejada uma construção de parcerias. Porque serão a partir delas que as significativas mudanças poderão ser alcançadas.

Vale (2010), cita a importância do desenvolvimento social pertinente às etapas de crescimento da criança e como ela ocorre desde o nascimento e perdurará por toda a vida. Particularmente, menciona que as escolas propiciará este avanço, através dos jogos e brincadeiras que serão auxiliares na formação da criança.

Uma das responsabilidades da educação básica é promover a socialização entre os alunos, auxiliando-os, dentro de sua faixa etária e potencialidades, a conviver com seus grupos enfatizando aqui o grupo escolar (p. 43).

Neste caminho a ser percorrido a família é um dos personagens mais necessário. Porque será através delas que os professores poderão ser orientados sobre as possibilidades do infante e suas dificuldades apresentadas.

Dessen e Polonia (2007), também mencionam quando certas atitudes impróprias são detectadas. Os professores poderão orientar os pais para que possíveis medidas sejam tomadas. Sejam elas, no ambiente escolar, através de diálogos entre a criança e os pais, nas intervenções extramuros ou atendimentos especializados em instituições de intervenção diretivas na problemática em si.

Estes autores citam que: “Para compreender os processos de desenvolvimento e seus impactos na pessoa, é preciso focalizar tanto o contexto familiar quanto o escolar e suas interrelações (p. 27)”.

Se outrora, pais e escolas seguiam caminhos distanciados, hoje se percebe não ser mais possível, “educar” sendo indiferentes. Somente a interação destes dois ambientes institucionais formadores da educação humana é que serão suficientes para significativas mudanças em relação às posturas.

Cavalcante (2010), continua a afirmar que o êxito diante das dificuldades em relação à aprendizagem, violências e posturas antissociais dependem exclusivamente, da participação da família, e que juntamente, com professores e demais profissionais da educação devem estar atentos a todos os aspectos do desenvolvimento do educando.

Assim, quando planejar uma atividade, a escola deve se certificar de que os pais e os alunos sejam ouvidos, dando-lhes oportunidades de expressarem seus desejos e percepções. Além disso, a escola deve se acautelar para não tomar decisões baseadas em estereótipos. Para isto, a escola deve ter uma mentalidade aberta procurando conhecer e entender as necessidades e interesses reais de seus alunos e suas famílias (p. 05).

A escolarização isolada da família não educa e os pais sem a escola não é capaz de permitir aos seus membros um aprendizado que os qualifique como cidadãos capazes de conquistar seu espaço na sociedade e se inserir nesta era globalizada em que vivemos.

A implementação de parcerias entre famílias e escola é um dos grandes caminhos a serem percorridos pela educação, para sanar as dificuldades inerentes à adaptação da criança quando inserida no ambiente escolar.

A aplicação desta colaboração pode ser concludente para a família. Afirmar a importância dos pais quando estão envolvidos na escolaridade dos filhos significa a possibilidade de a criança desenvolver uma atitude mais positiva com relação à escola e com relação a si mesmo. Se tornando mais ativos na sua comunidade e a melhorar seu relacionamento com outras crianças.

Cavalcante (2010), comenta sobre a importância do fortalecimento destas relações. Porque a família será também beneficiada com a cooperação dos profissionais da escola.

O envolvimento dos pais evidenciará aos alunos que o conhecimento formal e o bom desempenho são importantes, resultando em um ambiente positivo e conduzindo ao aprendizado.

O envolvimento amenizará os conflitos e problemas dentro do ambiente de sala de aula, pois, os pais e os professores poderão agir de forma mais efetivas nas dificuldades que a criança possam apresentar ao longo de seu desenvolvimento, seja, nos primeiros momentos da adaptação ou nos momentos da instalação em sala de aula.

Conforme Rodrigues (2011), a escola e família são instituições sociais muito presentes na vida escolar do aluno, de forma que só se pode pensar em sucesso educativo se pensarmos também em trabalho conjunto (p. 03).

E as implicações de ambas a educação (família e a escola) são um dos maiores desafios da educação, é sem dúvida um papel que recai sobre ambas as instituições.

Segundo Horas (2007), voltar-se para a necessidade de uma educação colaborativa significa antes de tudo:

Essa participação se efetivará através da integração do processo educacional às demais dimensões da vida comunitária e geração e da operacionalização de situações de aprendizagem com base no repertório cultural, regional e local (p. 21).

A escola é o ambiente de convívio coletivo que segundo o qual todos devem estar presentes nela, para buscar um interesse comum: aprendizagem e a prática dos saberes.

Por isso, quanto mais estreita for essa relação, melhor será o resultado. Pais e professores têm objetivos comuns e precisam ser o mais cordiais, coerentes e responsáveis nesse processo.

Silva (2011), também argumenta sobre a participação da comunidade escolar, segundo este autor:

“Diversas experiências mostram-nos que, participando a comunidade da gestão escolar, o trabalho realizado torna-se menos estafante para a equipe de direção e há maiores possibilidades de que se consiga mais organização e melhor qualidade nas atividades desenvolvidas.” (p.04).

Segundo Cavalcanti (1998 apud Christenson, Rounds e Franklin et al, 1992, pp.19-51). Esta colaboração, no entanto, é mais do que a mera participação dos pais nos eventos e atividades da escola. Esta se refere a um relacionamento horizontal e voluntário entre educadores e pais. “Pais e educadores trabalhando juntos, com o objetivo comum de promover o desenvolvimento dos alunos (p. 03).”

A família é o primeiro e o principal alicerce de formação da criança. Será por meio das relações que possui com seu meio, que se iniciará o seu processo de aprendizagem. A

Partir deste ponto a criança aprenderá hábitos, gestos, costumes e atitudes que se manifestarão em seu convívio com os outros.

Segundo os PCN/1997 - Parâmetros Curriculares Nacionais, a formação subjetiva, deverá levar em consideração as variáveis familiares (cultura, tradições e crenças), assim como (hábitos, posturas e costumes) diante do ambiente escolar.

Para isso será necessário à participação dos pais em decisões inerentes a conduta da criança em cenário estudantil. Devendo as escolas segundo os PCNs/1997:

Em síntese, as escolas brasileiras, para exercerem a função social aqui proposta precisa possibilitar o cultivo dos bens culturais e sociais, considerando as expectativas e as necessidades dos alunos, dos pais, dos membros da comunidade, dos professores, enfim, dos envolvidos diretamente no processo educativo (p. 32).

A família ou responsáveis, neste ponto poderão ajudar a orientar sobre as problemáticas que criança está passando fora do contexto da escola. E os profissionais da escola poderá por sua vez, efetivar possíveis encaminhamentos para as dificuldades apresentadas no âmbito escolar. A partir destes fatos, diversas pesquisas foram realizadas com objetivos de criar possíveis caminhos entre a escola e a família.

Primeiramente, a escola assim como demais órgãos governamentais devem manter contato com os familiares ou responsáveis. Procurando acompanha-los em possíveis soluções para as restaurações de possíveis danos a integridade física ou social do jovem.

Outra grande questão é o apoio da família preparando e orientando os jovens para essa nova fase. Esse período de adaptação entre a ruptura com seu mundo particular e seguro da exclusividade do grupo familiar. Com o novo mundo das interações com outras crianças. Tornando essa transição mais tranquila e estimulando o prazer pelas atividades escolares.

Já na escola, depois dessa fase de adaptação, a família continua a ter papel relevante na educação infantil, pois ela, pode influenciar no processo de aprendizagem. Essa participação se torna mais efetiva à medida que os pais participam de reuniões, conhecem o projeto político-pedagógico da escola e se inteiram das necessidades escolares de seus filhos.

Contudo, Cazarin e Ramos (2007), apresentam as dificuldades de conciliar a família no âmbito escolar, argumentando que:

Nos tempos atuais, o desempenho dos pais deixa muito a desejar, principalmente, nos modelos de ensino e aprendizagem, pois isto exige prática, acompanhamento e sustentação emocional, já que a criança ou adolescente não apresenta maturidade suficiente para enfrentar suas dificuldades sem a presença e os limites colocados pelo adulto (p. 188).

Essa participação presencial da família na escola, e vice-versa são como vínculos suplementares, ou seja, pessoas que convivem em ambientes diferentes, mas é impelida a se relacionar com outros indivíduos que transitam entre os dois contextos. No caso a criança e a família; a criança e a escola; e a família e escola.

O convívio familiar influencia o desenvolvimento escolar da criança, em especial na educação infantil, pois nessa fase esta não apresenta, ainda, maturidade para dissociar o contexto escolar do contexto familiar.

Para Pinheiro (2006), a importância da estrutura familiar e do estilo de criação para o desenvolvimento das crianças tem sido ressaltada em diversos estudos.

“O temperamento impulsivo, desafiador e intolerante a frustrações, associado a déficits cognitivos e inabilidade no manejo social podem constituir um quadro de características de comportamentos inadequados (p. 407).”

Este autor ainda continua a afirmar que esses comportamentos desadaptativos, estão relacionados às características das crianças, às práticas parentais, à história de interação familiar e à situação escolar.

O reconhecimento destes fatores, somado à dificuldade dos pais para conciliar os problemas cotidianos com a criação de seus filhos inspiraram a elaboração de programas específicos, com o objetivo de capacitar os pais na promoção de um desenvolvimento mais adaptativo das crianças com dificuldades de comportamento (p. 407).

A partir destas dificuldades inerentes as relações sóciofamiliares entre pais e professores diversos estudos contemporâneos, procuraram compreender e propor estratégias para a solução das dificuldades deste campo em particular.

Segundo Lacasa (2004 apud Heath et al, 1983, p. 411), mencionou um projeto pioneiro realizado por uma Psicóloga americana. Segundo esta autora, “algumas das habilidades que são tradicionalmente adquiridas na escola mais especificamente, a lectoescrita, estão estreitamente, relacionadas às práticas familiares (p. 411)”.

Este estudo demonstrou com exatidão que as crianças já chegavam às escolas, já possuindo conhecimentos agregados à família e que passava a reverberar em ambiente escolar. Com isso destacava a importância de uma aproximação inicial das escolas e da família no processo educativo.

Pinheiros (2006), também descreve um programa de Treinamento de Habilidades Sociais para pais de crianças com problemas de comportamento. Esse programa, possui uma duração de 11 semanas, e a partir de etapa préelaboradas objetivava “a verificação do comportamento para a prática disciplinar não-coerciva e modelos de habilidades sociais educativas para pais (p. 407)”,

Essas tarefas semanais têm como objetivo observar o comportamento do filho, procurando a partir daí estabelecendo juntamente, com a família condições de aprendizagem e desempenho de comportamentos desejáveis e respeitáveis.

Oliveira (1996), explica à educação de Paulo Freire, proposta na década de 1960, o desejo de ampliação do conhecimento através da coerência entre “saber-fazer e o saber-ser-pedagógico”.

Em um momento crítico da história da educação em nosso país, a desvalorização do professor e do processo pedagógico. Instaura-se no Brasil, um contexto de literatura Freiriana, um aprendizado voltado para as dimensões sociais do ser humano na sociedade como um todo. Em oposição à desumanização e tecnicismo pedagógico distanciando o indivíduo e de sua autonomia.

A educação libertadora de Paulo Freire seria uma oposição à educação bancária, que segundo o mesmo, é forjada de acordo com os modelos taylorista-fordista, enquanto, a educação libertadora estaria voltada para o sentido do mundo.

Conforme a sua máxima da sua pedagogia do saber: “É preciso ler o mundo para ler a palavra” Significando que unificando as práticas vividas pela criança na sua realidade social, ao saber pedagógico das escolas produziria significativas mudanças de ambos os ambientes sociais.

Como educador preciso ir “lendo” cada vez melhor a leitura do mundo que os grupos populares com quem trabalho fazem de seu contexto imediato e do maior de que o seu é parte. O que eu quero dizer é o seguinte: não posso de maneira alguma, nas minhas relações-políticas-pedagógicas com os grupos populares, desconsiderar se saber de experiência feito (p. 81).

Essa proposta foi marcada pelo construto comunitário de educação com o ambiente social. Tal pedagogia significava que o homem é um ser-no-mundo e com isso, ele se transforma e se modifica recriando-se através das experiências.

Tal abordagem teve a sua aplicação adiada devido ao golpe de 1964, impedindo de sua realização em ambiente escolar. O criador foi logo após, exilado voltando apenas em 1985, nos anos precursores da constituição federal de 1988.

Com o surgimento da atual Constituição Federal, novos planos aparecem no cenário nacional, como resultado da mobilização dos movimentos sociais, no intuito de desenvolver, programas e projetos com o objetivo de fortalecimento dos vínculos familiares através dos direitos humanos.

São exemplos de programas e diretrizes nacionais de base sócios educacionais os: EDH (2012) - da Educação em Direitos Humanos que se apodera do direito que todos possuem em receber uma educação e formação digna.

Temos os PCN (1997), - Parâmetros Curriculares Nacionais, referências básica para elaboração de estratégias que procura difundir os novos princípios da reforma na educação para professores e educadores, atualizando-os sobre as novas metodologias e abordagens.

Conseguinte LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº 9.394/96, que são as diretrizes que orientam o cenário da educação para as mudanças desejadas e são constituídas de 96 artigos que desde 1996 promovem profundas alterações no contexto educacional atual.

As demais legislações estão relacionada à violência e descasos com a criança, como por exemplo, o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescentes, que dispõe segundo o “Art. 1.º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente (p. 09).”

Assim, a EDH – Educação em Desenvolvimento Humano se constitui em um tema complexo, alicerçados a diversos Estatutos, Planos Nacionais e Leis que, ao mesmo tempo, declaram às possibilidades de usufruir dos direitos as condições iguais de acessibilidade.

A escola tem como importante responsabilidade a formação do cidadão no que se refere à transmissão do conhecimento formal e também de seus limites. A família volta-se em transmitir os princípios hábitos e costumes do grupo ou sociedade ao qual está inserido.

Segundo dos critérios do EDH (2012), a educação como processo de desenvolvimento humano, família e escola, devem estar voltadas para:

A escola deve reconhecer a importância da família na constituição do sujeito, mas não pode vê-la como a única determinante dessa constituição. A família é a primeira rede social do sujeito e na nossa sociedade, letrada, a escola torna-se uma instituição que vem ampliar as possibilidades de satisfação das necessidades desse sujeito (p. 234).

A família, portanto, não pode ser descaracterizada como oposta a instituição escolar. Ao contrário, ela é a maior e mais importante rede social formadora do sujeito, juntamente, com as escolas. “Essas duas instituições - família e escola – não são melhores ou piores, são diferentes e necessárias na constituição do sujeito. (p. 234).”

Por sua vez, os PCN - Parâmetros Curriculares Nacionais tem por objetivo a realização de uma educação de qualidade para o ensino em todo o País. Sua principal responsabilidade é o de garantir que a aplicação nas pesquisas, nos investimentos e nos processos de socialização e discussões possa ser alcançada com a participação do corpo técnico de professores e dos pais de alunos.

As PCN visualizam um cenário onde a escola e as famílias representam papéis definidos e significativos no cenário da formação da criança. Sendo que nos apresenta um importante personagem que está entrelaçado com o processo de ensino e da convivência do aluno com o outro em sala de aula. Esse personagem é o professor.Segundo os

Parâmetros Curriculares Nacionais o professor deve ser colocar num papel de:

Para o professor, a escola não é apenas lugar de reprodução de relações de trabalho alienadas e alienantes. É, também, lugar de possibilidade de construção de relações de autonomia, de criação e recriação de seu próprio trabalho, de reconhecimento de si, que possibilita redefinir sua relação com a instituição, com o Estado, com os alunos, suas famílias e comunidades (p. 32).

Em relação à LDB, nº 9.394/96 da Educação Básica - ela é uma legislação que tem por finalidade orientar, gerenciar e organizar as estruturas da educação brasileira segundo os seus 96 artigos. Procurando influenciar diretamente na formação escolar. A LBD/1996 procura dentro de suas diretrizes fortalecerem a importância das escolas nas situações vulnerabilidades sociais, no contexto escolar:

“IV, (art. 32) - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social (p. 12).”

A prática escolar se distingue da experiência familiar, porém, está são de fundamental importância quanto a orientações, direcionamentos e a situação da criança em convívio escolar. O professor visualizando as problemáticas dentro do ambiente de sala de aula pode ao poucos conversar com os pais, para obter melhores caminhos para o bem estar da família e de seus filhos.

Com isso, visualizamos como transcorrem as convivências entre as dualidades dos cenários pais/escolas. Contudo, dentro destes ambientes distintos, passam a necessitar que outras instituições permeiem um estado de auxílio, quanto às mazelas, encontradas nos duplos contextos educacionais.

Ocorrem, portanto, fora do ambiente escolar, outros conjuntos de serviços que diferente deste último são de caráter sócios assistenciais que desenvolvem estratégias que colaborem com as formações bem sucedidas do relacionamento familiar e a restauração de suas estruturas filiais desorganizadas. Para que assim, as vulnerabilidades sociais, possam ser sanadas em ambos os cenários institucionais. Podem-se destacar os programas sócioassistienciais:

O PAIF - Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família que consiste em intervenções sociais preventivas com famílias. Sendo de caráter continuado, procura acompanhá-las com a finalidade de fortalecer a função protetiva das famílias.

Procura prevenir a ruptura dos seus vínculos, através de medidas diretivas como visitas domiciliares, encaminhamentos a setores responsáveis, direcionamento a profissionais capacitados e especializados. Tem como meta promover o acesso da família ou de seus responsáveis ao usufruto de direitos e contribuindo na melhoria de sua qualidade de vida.

O MDS (2009), Ministério do Desenvolvimento Social defende a importância dos PAIF como reguladora das diversas mazelas sociais que possam infligir à família, seja ela, no meio do grupo ou inseridos nos ambientes sociais diferentes.

[...] complementar o trabalho social com famílias e prevenir a ocorrência de situações de risco social. [...] Possui articulação com o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), de modo a promover o atendimento das famílias dos usuários destes serviços, garantindo a matricialidade sócio-familiar da política de assistência social (p.9-10).

O PAIF procura o desenvolvimento das potencialidades e aquisições e o fortalecimento de vínculos familiares a partir atividades comunitárias por meio de ações de caráter preventivo, protetivo e proativo. “Para que não haja ocorrência e/ou reincidência de violação de direitos do indivíduo tanto no âmbito familiar quanto comunitário. Logo, confirma-se a cooperação dos serviços nos diferentes níveis de proteção social (p. 23).”

Isso significa dizer que, a prevenção deve ser alcançada a partir de orientações e encaminhamentos. Evitando os agravos sociais que possam aparecer, nos mais diversos meio da sociedade.

Na resolução nº 109, de 11 de novembro de 2009, nota-se a importância do PAIF formação humana:

O trabalho social do PAIF deve utilizar-se também de ações nas áreas culturais para o cumprimento de seus objetivos, de modo a ampliar universo informacional e proporcionar novas vivências às famílias usuárias do serviço (p. 06).

O SCFV – Serviço de Convivência Fortalecimento de Vínculos é outro serviço que se organiza de forma a ampliar trocas culturais e de vivências. Ela acontece em um ambiente que procura desenvolver o sentimento de pertença e de identidade, fortalecendo as relações e incentivando a socialização e a convivência comunitária.

O SCFV parte da concepção de que os ciclos de vida familiar tem estreita ligação com os ciclos de vida de desenvolvimento das pessoas que as compõem. Seu foco é a oferta de atividades de convivência e socialização, com intervenções no contexto de vulnerabilidades sociais, de modo a fortalecer vínculos e prevenir situações de exclusão e risco social (p. 03).

São considerados Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, o serviço para crianças e adolescentes de 6 a 15 anos, o serviço para adolescentes e jovens de 15 a 17 anos e o serviço para idosos.

As ações socioeducativas têm como objetivo promover serviços que almejam contribuir no desenvolvimento integral do público atendido. Os PETI e os CCA são instituições que a partir de um conjunto de intervenções que buscam evitar ou sanar situações de exclusão, riscos e vulnerabilidades, ou seja, apresentam um caráter de proteção social.
Além disso, essas ações tendem a representar um campo de aprendizado e socialização, com intuito de fortalecimento de vínculos. De fato, esses serviços disponibiliza ferramentas complementares a escola, principalmente, em situações as políticas de educação escolar públicas que devem estar integrado a outras ações de iniciativa social, implementada através de sistema nacional que operacionalizam-se em vários serviços cuja, natureza é socioeducativa.

4. Considerações Finais

A Importância do Planejamento e a sua Relação com a Educação como Desenvolvimento Humano.

As escolas a muito se tornou responsável dos valores inerentes aos princípios éticos pertencentes à família. Assim como, reguladoras das condutas e posturas sociais mais importantes.

A família, cada vez mais, distanciando destes preceitos da formação humana, tornou o professor como consolidador do caráter social. O educador passou a ser aquele que ensina a criança a impor limites, consolidar o respeito ao próximo, apaziguar as atitudes hostis de violência e agressões, criar na criança o sentimento de pertença, de igual dentro de um grupo, de afetos, de relacionamentos, assim como, de identidade.

Nesse sentido, ficou incumbido de uma grande responsabilidade, uma vez, que a formação humana pertence os mais variados matizes, seja ela, a família, a sociedade, a religião e as escolas. O Professor por sua vez, precisou atualizar seu repertório pedagógico para as mudanças de comportamento e das gerações.

Aqui conceitua-se o que conhece por educação. Porque o jovem contemporâneo tem necessidades e gostos diferentes daqueles, por exemplo, provenientes da década de 1960.

O jovem de hoje tem maior acessibilidade à tecnologia e informações do que há 50 anos, o que modificou, profundamente, o olhar quanto às posturas que devem ter diante de assuntos e dilemas contemporâneos, como saúde, pais, amizades, drogas, religião e aprendizado.

Lembrando que educação é um termo abrangente. Ela é antes de tudo uma formadora do caráter pertencente à condição humana. Significa que todos nos seres humanos passamos de alguma forma por um processo educacional, que nos permitem ser inserido na sociedade, seja de forma aculturizante como as famílias, as religiões, costumes e hábitos; ou capacitante como as escolas.

O professor se encontra diante de dilemas sociais encontrados no meio escolar. Pois aquilo que os alunos fazem hostis, podem talvez significar as vivencias da criança em seu ambiente familiar; e estejam em alguns casos relacionados à violência, negligências, abusos e descasos do ambiente que primeiramente, deveriam acolher.

O educador pode se perceber como alguém que pouco pode modificar essas circunstâncias que estão além da esfera da escola. De acordo com as necessidades atuais, o professor precisaria visualizar um campo que incluem as subjetividades da criança, além da escola.

Ele precisaria estar em contato com o ambiente familiar. Sendo que a partir daqui conclui-se dois distanciamentos: A primeira é a de o professor precisar estar atento às problemáticas que as crianças apresentam dentro da escola.

A segunda está relacionada à compreensão dos pais sobre o problema. Em muito casos são seres inalcançáveis para conversar ou dialogar com o educador e se valendo de discursos evasivos, quanto as dificuldade que tenham casa.

O professor neste aspecto pode dinamizar as conversas fazendo possíveis orientações ou encaminhamentos para profissionais responsáveis. Sempre se valendo das suas observações em sala de aulas, assim como, as novas perspectivas que o aluno pode apresentar em seu desenvolvimento.

Diante dessa constatação, a profissão de educador deixa de ser a de transmitir conhecimento. Para assumir a tarefa de organizador das relações que o aluno possa construir, seja na escola ou com os pais.

Existem várias teorias acerca do desenvolvimento e todas consolidam que a formação humana é devido às interações com o outro. Este desenvolvimento não é fragmentado, mas sim interligado com os processos biológicos e psicológicos. O bebê ao nascer, já possui habilidades inatas, contudo, elas se manifestam e se desenvolvem à medida que as subjetividades sociais lhes são apresentados.

O desenvolvimento biológico e o desenvolvimento social estão intimamente relacionados, onde um se interliga com o outro em cada fase da vida do sujeito. Por tal motivo a importância da interação de ambos de os cenários: família-escola.

Nesse sentido as importâncias das estratégias voltadas para alcançar essas famílias independentes do cenário sociocultural ao qual pertence. Devem primeiramente, vir das escolas. Uma vez que os pais se mostrarem inacessíveis, procurar alcançá-los através de órgãos assistenciais ou programas de proteção a criança ou a família.
Priorizar a formação do aluno, não apenas dentro do contexto escolar, mas em caráter e postura social e pessoal. O processo de humanização tem de fazer parte das metodologias de ensino, ou seja, ensinar os valores humanos como proposta pedagógica, saindo da mera repetição da palavra.

A educação se completa na busca permanente da plenitude, e essa busca é sempre dialógica, em dois níveis: diálogo entre seres em processo comungado de conscientização (o Professor) e diálogo deste coletivo com o mundo (os familiares).

O diálogo é uma exigência existencial, e não foge do processo de aprender. Esses encontros entre família e escola devem solidarizar sobre o refletir e o agir de seus sujeitos de ambas as instituições sociais.

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Edson Evangelista Carvalho - Graduado em Psicologia na FQM - Faculdade de Quatro Marcos em São José dos Quatro Marcos - MT.

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