Resumo: A escola, desde a Educação Infantil, desempenha papel importante na formação do indivíduo. Mais do que um espaço para aprendizagem de conteúdos, a escola influencia de forma significativa a formação do sujeito. Dessa forma esta pesquisa tem como objetivo realizar uma análise a respeito da importância dos estímulos ambientais para o desenvolvimento da socialização e da afetividade no ambiente escolar. Os referenciais teóricos são Piaget, Vygotsky e Wallon. Para o alcance do objetivo desse estudo foi realizada uma pesquisa de campo exploratória com cinco questões fechadas e abertas, com sete professoras na rede particular de ensino na cidade de São Bernardo do Campo/SP, na Educação Infantil e Ensino Fundamental I e II. Os resultados encontrados foram satisfatórios, pois demonstram que as professoras reconhecem a importância do desenvolvimento afetivo e social para o desenvolvimento infantil.

Palavras-chave: Desenvolvimento, afetividade, socialização, psicopedagogia.

1. Introdução

Afetividade e socialização tem sido nos últimos tempos, temas de muitos estudos, no que diz respeito ao desenvolvimento de crianças em idade escolar. O desenvolvimento afetivo e social da criança tem um impacto direto em seu desenvolvimento e no adulto que vai se tornar, é importante que o ambiente escolar ofereça estímulos apropriados para que a criança se desenvolva socialmente e afetivamente de maneira satisfatória.

Teóricos como Piaget, Vygotsky e Wallon são sem dúvidas os maiores expoentes quando tratamos desses temas. Tais teóricos, cada um sob suas perspectivas estudou como essas instâncias atuam e influenciam o desenvolvimento da criança. De modo sintetizado podemos dizer que: Wallon tem enfoque na afetividade, a qual será o motor para tudo; Vygotsky coloca o processo de socialização como central no desenvolvimento, mas de um ponto de vista histórico; Piaget fala sobre afetividade e socialização, porém sem perder de vista o cognitivo, para ele a cognição é central, mas depende de investimento afetivo e de trocas contínuas com o meio.

O objetivo deste trabalho é realizar uma análise a respeito da importância dos estímulos ambientais para o desenvolvimento da socialização e da afetividade no ambiente escolar.  Buscando construir subsídios que comprovem que as práticas em sala de aula devem privilegiar a socialização e a construção de laços afetivos entre todos (aluno-aluno e professor-aluno).

O problema que embasa essa pesquisa é: A falta de estímulos sociais e afetivos apropriados no ambiente escolar podem acarretar problemas no desenvolvimento da criança? Diante dessa questão, surge a hipótese: O ambiente escolar deve ser favorável à socialização dos alunos, oferecendo estímulos adequados que propiciem maiores trocas afetivas entre todos, prevenindo possíveis problemas surgidos no desenvolvimento da criança.

Essa pesquisa tem por característica um estudo exploratório, pois envolveu o levantamento bibliográfico e a entrevista com indivíduos que tivessem experiência sobre o problema de pesquisa. Como instrumento de pesquisa foi utilizado a aplicação de um questionário contendo 5 perguntas fechadas e abertas. Participaram desta pesquisa sete professoras de Educação Infantil e Ensino Fundamental I e II, atuantes em escolas da rede particular na cidade de São Bernardo do Campo (SP).

2. O Desenvolvimento Afetivo e Social da Criança

O desenvolvimento infantil nessa pesquisa será abordado a partir da perspectiva sociointeracionista de Piaget, Vygotsky e Wallon, os mesmos mostraram que o conhecer e o aprender só se constrói a partir das trocas realizadas entre o sujeito e o meio. Mesmo não concordantes, os estudos desses autores contribuem ricamente para que haja uma melhor compreensão do desenvolvimento infantil e auxiliando nas ações educativas em muitas escolas infantis.

Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998, vol.1) o aumento pela procura do ensino da Educação Infantil acompanhou a urbanização, o ingresso da mulher no mercado de trabalho e as estruturas familiares, mas também ocorreu devido ao aumento da consciência da sociedade sobre a importância do ingresso da criança nessa etapa da educação.

De acordo com o RCNEI (1998, vol1) a Educação Infantil foi usada por muito tempo como estratégia de combate à pobreza e para solucionar problemas referentes à sobrevivência da criança, com isso as crianças tinham atendimento com baixo custo, que acabavam por não oferecer os devidos serviços por falta de orçamento e sobrecarga quanto ao número de crianças por adulto.

Nesta perspectiva, o atendimento era entendido como um favor oferecido para poucos, selecionados por critérios excludentes. A concepção educacional era marcada por características assistencialistas, sem considerar as questões de cidadania ligadas aos ideais de liberdade e igualdade. (Idem, p.17)

A Instituição Infantil deve perder a visão de local onde as mães deixam as crianças para serem cuidadas por babás ou de local apenas para as crianças brincarem e passarem o tempo. A superação de visão que o atendimento à criança de três anos de idade possui é de caráter assistencial e de que a partir dos quatro anos é educativo, preparando-as para o ensino fundamental, constituiu-se como um dos desafios a serem superados. A partir dos anos 90, “cuidar e educar” têm sido considerados como ações complementares e indissociáveis na Educação Infantil, tanto no ambiente da creche quanto da pré-escola. Dentro desse novo contexto da Educação Infantil:

A criança como todo ser humano, é um sujeito social e histórico e faz parte de uma organização familiar que está inserida em uma sociedade, com uma determinada cultura, em um determinado momento histórico, É profundamente marcada pelo meio social em que se desenvolve, mas também o marca. A criança tem na família, biológica ou não, um ponto de referência fundamental, apesar da multiplicidade de interações sociais que estabelece com outras instituições sociais. (RCNEI, p.21)

Assim sendo, a criança precisa estar inserida em um espaço que ela possa se desenvolver. Segundo Lima (2001, p.16) “o espaço é muito importante para a criança pequena, pois muitas das aprendizagens que ela realizará em seus primeiros anos de vida estão ligadas aos espaços disponíveis e/ou acessíveis a ela”. De acordo com Piaget citado por Kramer (2000, p.29) “o desenvolvimento resulta de combinações entre aquilo que o organismo traz e as circunstâncias oferecidas pelo meio [...] e que os esquemas de assimilação vão se modificando progressivamente, considerando os estágios de desenvolvimento”.

A Instituição de Educação Infantil deve proporcionar um ambiente acolhedor e prazeroso à criança, onde elas possam brincar, criar, aprender, receber estímulo, se tornar independente e buscar sua identidade. Para isso a escola deve organizar seus espaços físicos e fazer bons planejamentos, para que as crianças tenham acesso a espações diferentes, de acordo com sua idade e para que o professor proponha desafios no campo motor e cognitivo da criança.

Segundo o RCNEI (1998, vol.1, p. 21-22) “as crianças constroem o conhecimento a partir das interações que estabelecem com as outras pessoas e com o meio em que vivem. O conhecimento não se constitui em cópia da realidade, mas sim, fruto de um intenso trabalho de criação, significação e ressignificação”.

Para Vygotsky (apud Davis e Oliveira, 1993, p.56) “o ser humano cresce num ambiente social e a interação com outras pessoas é essencial ao seu desenvolvimento”.

A criança que recebe estímulos na Educação Infantil se desenvolve cognitiva, motora e afetivamente por meio das relações sociais que a rodeia. Assim pode-se constatar que quando a criança está inserida em um ambiente rico em estímulos, ela pode se desenvolver integralmente. Uma das atividades favoráveis a esse processo é o brincar, que tem seu papel no desenvolvimento das crianças, assim como é importante para o seu lazer.

Sobre o brincar, Horn (2004, p.71) afirma que “o brinquedo sempre fez parte da vida das crianças, independentemente de classe social ou cultural em que está inserida”. O momento do brincar deve ser considerado um momento de desenvolvimento da criança, que tem objetivos pedagógicos, e de desenvolvimento de aptidões, não somente para passar o tempo. Segundo Oliveira (2010):

[...] a promoção de atividades que favoreçam o envolvimento da criança em brincadeiras, principalmente aquelas que promovem a criação de situações imaginárias, tem nítida função pedagógica. A escola e, particularmente, a pré-escola poderiam se utilizar deliberadamente desse tipo de situações para atuar no processo de desenvolvimento das crianças. (OLIVEIRA, 2010, p.69).

Vygotsky citado por Rego (2002, p.80): “considera o brinquedo uma importante fonte de promoção de desenvolvimento”.  Afirma que, apesar do brinquedo não ser o aspecto predominante da infância, ele exerce uma enorme influência no desenvolvimento infantil.

[...] o brinquedo satisfaz as necessidades básicas de aprendizagens das crianças, como por exemplo, as de escolher, de imitar, dominar, adquirir competências, enfim de ser ativo em um ambiente seguro, o qual encoraje e consolide o desenvolvimento de normas e valores sociais. (HORN, 2004, p.71)

Ainda de acordo com Horn (2004), o brincar colabora no desenvolvimento da confiança em si mesmo e nas suas capacidades, em situações sociais em que precisa tomar decisões e se colocar no lugar do outro. As crianças que brincam em diferentes ambientes e que demonstram satisfação em estar ali brincando conseguem adquirir conhecimentos e transmiti-los a seus pares.

De acordo com Fantin (2000, p.53):

Brincando (e não só) a criança se relaciona, experimenta, investiga e amplia seus conhecimentos sobre si mesma e sobre o mundo que está ao seu redor. Através da brincadeira podemos saber como as crianças vêem o mundo e como gostariam que fosse, expressando a forma como pensam, organizam e entendem esse mundo. Isso acontece porque, quando brinca, a criança cria uma situação imaginária que surge a partir do conhecimento que possui do mundo em que os adultos agem e no qual precisa aprender a viver. 

Durante o seu desenvolvimento, a criança estabelece diferentes níveis de relações sociais que interferem na construção do campo afetivo.  Diante disso levanta-se o questionamento sobre a importância da afetividade no ambiente escolar.

Para Wallon (1986, p. 250), “As emoções têm um papel predominante no desenvolvimento da pessoa. É por meio delas que o aluno exterioriza seus desejos e suas vontades [...]”. A teoria Walloniana contribui ricamente para a compreensão da relação do educador e do educando e o ambiente escolar como peça fundamental que liga essa relação. A criança deve ser compreendida e tratada como um ser em potencial desenvolvimento e não como um objeto sem desejos e direitos.

É contra a natureza tratar a criança fragmentariamente. Em cada idade, ela constitui um conjunto indissociável e original. Na sucessão de suas idades, ela é um único e mesmo ser em curso de metamorfoses. Feita de contrastes e de conflitos, a sua unidade será por isso ainda mais susceptível de desenvolvimento e de novidade. (WALLON, 2007, p. 198).

“Quando o ser humano não está bem afetivamente toda sua ação como ser social é comprometida, independente da idade, sexo, ou da cultura” (ROSSINI 2001, p.47).

O educador precisa perceber que dentro do processo educativo há a necessidade de compreender o sujeito como pessoa completa e que o afetivo interfere diretamente no aprendizado dos alunos. “Afetividade é ter afeto no preparo, afeto na vida e na criação. Afeto na compreensão dos problemas que afligem os pequenos” (CHALITA 2004, p.33).

Wallon (1954, p. 288) relata que

A afetividade é um domínio funcional, cujo desenvolvimento dependente da ação de dois fatores: o orgânico e o social. Entre esses dois fatores existe uma relação recíproca que impede qualquer tipo de determinação no desenvolvimento humano, tanto que a constituição biológica da criança ao nascer não será a lei única do seu futuro destino. Os seus efeitos podem ser amplamente transformados pelas circunstâncias sociais da sua existência onde a escolha individual não está ausente.

Na proposta de educação de Wallon a integração é um conceito indispensável na formação da criança, podemos compreender:

O motor, o afetivo, o cognitivo, a pessoa, embora cada um desses aspectos tenha identidade estrutural e funcional diferenciada, estão tão integrados que cada um é parte constitutiva dos outros. Sua separação se faz necessária apenas para a descrição do processo. Uma das consequências dessa interpretação é de que qualquer atividade humana sempre interfere em todos eles. Qualquer atividade motora tem ressonâncias afetivas e cognitivas; toda disposição afetiva tem ressonâncias motoras e cognitivas; toda operação mental tem ressonâncias afetivas e motoras. E todas essas ressonâncias têm um impacto no quarto conjunto: a pessoa, que, ao mesmo tempo em que garante essa integração, é resultado dela. (MAHONEY,2008, p. 15)

Vygotsky (1993) propõe uma visão de homem como sujeito social e em constante interação com o meio. Quando a criança está inserida num grupo, constrói o conhecimento com a ajuda do adulto e seus pares. Sendo assim, considera que a aprendizagem ocorre a partir de um intenso processo de interação social, por meio do qual o indivíduo vai internalizando os instrumentos culturais, ou seja, as experiências vivenciadas com outras pessoas é que vão possibilitar a ressignificação individual do que foi internalizado, é fundamental o papel do outro no processo de aprendizagem. Sendo assim, a mediação e a qualidade das interações sociais ganham destaque. Para o autor, o desenvolvimento cognitivo é produzido pelo processo de internalização da interação social com materiais fornecidos pela cultura, o que permite a formação de conhecimento e da própria consciência.

Para Piaget (1983), a afetividade é uma sensação de extrema importância para a saúde mental de todos os seres humanos, por influenciar o desenvolvimento geral, o comportamento e o desenvolvimento cognitivo, tornando-se, assim, essencial a aprendizagem. A afetividade é um estado psicológico do ser humano que pode ou não ser modificado a partir das situações. Ainda de acordo com o autor tal estado psicológico é de grande influência no comportamento e no aprendizado das pessoas juntamente com o desenvolvimento cognitivo. Faz-se presente em sentimentos, desejos, interesses, tendências, valores e emoções, ou seja, em todos os campos da vida.                                                                                              

Podemos ver que a afetividade atua de forma direta desenvolvimento no sujeito, sendo assim o professor deve construir relações afetivas positivas com seus alunos para que consiga atuar de forma satisfatória no processo de desenvolvimento e aprendizagem dos educandos. "O aluno, como todo ser humano precisa de afeto para se sentir valorizado" (CHALITA, 2001, p.155).

3. O Papel do Psicopedagogo no Desenvolvimento Afetivo e Social

Pensando na complexidade dos problemas escolares neste trabalho a pesquisadora irá focar nos problemas de aprendizagem nos campos afetivos e sociais do sujeito, pois são muitas as causas dos problemas de aprendizagem. 

A Psicopedagogia tem:

“Por objetivo compreender, estudar e pesquisar a aprendizagem nos aspectos relacionados com o desenvolvimento e ou problemas de aprendizagem. A aprendizagem é entendida aqui como decorrente de uma construção, de um processo o qual implica em questionamentos, hipóteses, reformulações, enfim, implica um dinamismo. A psicopedagogia tem como meta compreender a complexidade dos múltiplos fatores envolvidos neste processo.” (RUBENSTEIN apud SISTO, 1996 p. 127).  

O psicopedagogo é um profissional que é preparado para trabalhar com a prevenção, o diagnóstico e os problemas de aprendizagem. Por meio do diagnóstico clínico ou institucional identifica a causa do problema. No ambiente escolar o psicopedagogo vai atuar junto com os professores visando melhorar as condições de aprendizagem. Rubinstein, apud Sisto, 1996, p.128 diz que:

O psicopedagogo é como um detetive que busca pistas, procurando selecioná-las, pois algumas podem ser falsas, outras irrelevantes, mas a sua meta fundamentalmente é investigar todo o processo de aprendizagem levando em consideração a totalidade dos fatores nele envolvidos, para, valendo-se desta investigação, entender a construção da dificuldade de aprendizagem. “

O papel educativo consistirá em facilitar e enriquecer a aprendizagem experimental, em tornar as crianças sensíveis à experiência, fazendo-as saudáveis, exercendo uma troca favorável de afetividade que conduza a êxitos, organizando e dando ocasião a repetições desses êxitos, destacando os obstáculos, reforçando a corrente para que se instituam as técnicas de vida favoráveis. (FREINET, 1976, p.69)

O psicopedagogo deve trabalhar com as questões de conflitos emocionais e sociais sistematizando a situação para que assim faça um projeto de intervenção. Deve compreender a relação de afetividade do educando com o aprender para que perceba se há um vínculo positivo com a aprendizagem. Precisa observar a relação do aluno com a família, com a sociedade e o contexto cultural e social ao qual está inserido. No que se refere a escola: método, avaliação, conteúdos, didática entre outros aspectos.

A escola deve cumprir seu papel social desenvolvendo em seus alunos competências e habilidades visando prepara-los para a vida de acordo com as exigências da atualidade que vivem. Pensando que a dificuldade de aprendizagem é um tema muito complexo e que o aluno pode não aprender por diversos motivos Briggs (2000 p.170) diz

Os princípios básicos: respeite a curiosidade da criança e o seu desejo de explorar; procure saída aceitável para sua vontade de conhecer. A auto estima é fortalecida quando a sua atitude e o seu comportamento dizem à criança: “A sua curiosidade é importante. Eu ajudarei você a conhecer e a compreender”.

O aluno precisa se sentir respeitado e compreendido pelo professor. Se sentindo seguro e respeitado ele conseguirá se desenvolver de maneira plena.

Sabemos que o sentido de aprendizagem é único e particular na vida de cada um, e que inúmeros são os fatores afetivos e emocionais, que podem impedir o investimento energético necessário ás aquisições escolares. (BOSSA, 2000, p.18)

Segundo Perrenoud (1999, p. 79) “Para se configurar melhor essa importante relação é fundamental se enfocar algumas questões: quem é o professor, quem é o aluno, como ambos vêm sendo vistos na realidade escolar? Para que se possa traçar o perfil do educador e do aluno tal como precisam ser percebidos no processo educativo, deve-se partir dos valores, das concepções teóricas e da prática presentes nos meios educacionais, tentando perceber e preservar tudo o que há de bom e superar aquilo que hoje se acredita não estar condizente com a proposta que se tem.” É exatamente essa a função do psicopedagogo observar, compreender e analisar o que não está funcionando e propor mudanças e soluções para os problemas e dificuldades encontradas. Falando sobre professor Perrenoud (1999, p.62) afirma que: Não é possível imaginar que o professor defina de modo unilateral as situações-problema. É verdade que sua tarefa consiste em propô-las, porém negociando-a o bastante para que se tornem significativas e mobilizadoras para muitos alunos. Não é uma simples questão de ética: a relação pedagógica é, fundamentalmente, assimétrica.

Só aprendemos aquilo que nos faz sentido, o aluno precisa entender o sentido de determinado conhecimento para a sua vida, para que assim consiga aprender. Para a psicopedagogia a aprendizagem do aluno acontece entre o equilíbrio do cognitivo, social e afetivo sendo assim o psicopedagogo deve analisar se o currículo escolar oferece isso. Orientar ao professor sobre as diferenças culturais, como exemplo a linguagem que o professor utiliza em sala de aula, que pode causar conflitos de comunicação e por consequência problemas na aprendizagem. 

Freire (1996 p.64) acredita que: Por meio das brincadeiras, os professores podem observar e constituir uma visão dos processos de desenvolvimento das crianças em conjunto e de cada uma em particular, registrando suas capacidades de uso das linguagens, assim como de suas capacidades sociais e dos recursos afetivos e emocionais que dispõem. É importante frisar que as crianças se desenvolvem em situação de interação social, nas quais conflitos e negociação de sentimentos ideias e soluções são elementos indispensáveis.

Todo diagnóstico psicopedagógico é, em si, uma investigação, é uma pesquisa do que não vai bem com o sujeito em relação a uma conduta esperada. Será, portanto, o esclarecimento de uma queixa, do próprio sujeito, da família e, na maioria das vezes, da escola. No caso, trata-se do não-aprender, do aprender com dificuldade ou lentamente, do não revelar o que aprendeu, do fugir de situações de possíveis aprendizagens. (WEIS, 1999, p. 27)

O psicopedagogo junto ao professor deve investigar o processo de aprendizagem dos alunos evitando que os mesmos levem a um fracasso escolar.

O professor irresponsável, o professor amoroso da vida da gente, o professor mal-amado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrático, racionalista, nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca. (FREIRE 1996, p. 76)

O problema de aprendizagem não é de responsabilidade única do professor, da família ou do aluno é uma situação real nos ambientes escolares. Deve ser enfrentado com atitudes que visem uma educação de qualidade e a intervenção psicopedagógica é uma delas, na qual o psicopedagogo estrutura formas de ações e realiza intervenções pedagógicas auxiliando os envolvidos no processo de ensino aprendizagem.

Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. (ALVES, 2006, p.4)

4. Metodologia

Essa pesquisa tem por característica ser exploratória, pois de acordo com Gil (2002) este tipo de pesquisa envolve o levantamento bibliográfico e a entrevista com indivíduos que tenham experiência sobre o problema de pesquisa. De acordo com Severino (2007, p.123), pode ser considerada também explicativa, pois “é aquela que, além de registrar e analisar os fenômenos estudados, busca identificar suas causas, seja através da aplicação do método experimental/matemático, seja através da interpretação possibilitada pelos métodos qualitativos. “

Como instrumento de pesquisa foi utilizado a aplicação de um questionário contendo 5 perguntas fechadas e abertas. Segundo Severino (2007, p.125) questionário é o “conjunto de questões, sistematicamente articuladas, que se destina a levantar informações escritas por partes dos sujeitos pesquisados, com vistas a conhecer a opinião dos mesmos sobre os assuntos em estudo. “ E ainda de acordo com o autor, as questões podem ser abertas ou fechadas. As questões abertas possibilitam ao entrevistado expor seu conhecimento de forma descritiva e as questões fechadas são feitas pelo pesquisador de acordo com a informação que deseja obter de forma mais objetiva.

Participaram desta pesquisa sete professoras de Educação Infantil e Ensino Fundamental I, atuantes em escolas da rede particular na cidade de São Bernardo do Campo (SP).

Todos os participantes receberam uma cópia do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para que assinassem, manifestando a sua autorização em participar da pesquisa. A cada um deles foi garantido o sigilo de sua identidade e ainda a possibilidade de retirar seu consentimento em qualquer fase da pesquisa, sem penalidade alguma, conforme consta no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

5. Discussão dos Resultados

A pesquisa contou com a participação de sete sujeitos, todos do sexo feminino com idades entre 29 e 45 anos, atuantes na rede particular de ensino na cidade de São Bernardo do Campo/SP, na Educação Infantil e Ensino Fundamental I e II.

No questionário, constituído de questões abertas e fechadas, os sujeitos deveriam escolher entre as alternativas Sim ou Não e depois justificar por escrito sua opinião. Em todas as questões, sem exceção, os sujeitos responderam positivamente as alternativas, destacando de antemão que concordam que a afetividade e a socialização são componentes importantes no processo de ensino-aprendizagem no contexto da sala de aula. Neste momento serão apresentadas as opiniões das professoras sobre esta questão, sendo realizada uma análise qualitativa das respostas, nas qual se buscou compreender o modo que cada uma entende a afetividade e a socialização na escola.

Na primeira questão apresentada, foi questionado se as professoras consideravam se a afetividade ajuda o aluno a desenvolver suas habilidades em sala de aula.  As respostas de um modo geral, demonstraram que na opinião das professores, a confiança e a segurança por parte do aluno para com os professores são aspectos fundamentais que os levam a desenvolver diversas habilidades em sala de aula, por exemplo, trocar experiências e se expressar.

“A criança/aluno precisa sentir-se segura, querida, respeitada e valorizada pelo professor para que o processo de aprendizagem seja prazeroso e significativo.” (F.C.M.P.)

“Quando o aluno cria laços com o professor e com os amigos, ele sente-se mais confiante em mostrar suas habilidades pois tem o apoio que necessita.” (F.V.M.)

A criança na escola, assim como aponta Saltini (2008, p.100), “deseja e necessita ser amada, aceita, acolhida e ouvida para que possa despertar para a vida da curiosidade e do aprendizado.” Assim é possível averiguar que quando a criança se sente confiante também se sente capaz de enfrentar os desafios no processo de aprendizagem.

A segunda pergunta apresentava o seguinte questionamento: “Para você, o vínculo afetivo entre educador e educando contribui para a socialização do mesmo?”. Nesta foi relatada que o vínculo afetivo entre professor e aluno traz confiança para a socialização do mesmo e também contribui na formação da pessoa e no prazer em aprender, mais uma vez foi citado a importância da valorização dos saberes do aluno pelo professor.

“É muito importante que se estabeleça um vínculo afetivo entre o educador e educando, pois é este que garante a confiança entre os mesmos e o prazer em aprender. “ (P.H.M.D.)

 “O professor tem que colocar acima de tudo sentimento de amor, carinho e respeito na sua relação com o aluno. E por meio de seu compromisso de educar para o conhecimento, contribuirá com a formação da pessoa. “ (T.F.S.)

 “O educador é o apoio, confiança acima de tudo e valorização dos saberes do aluno o ajudarão no fortalecimento de sua capacidade de interação. “ (A.R.M.)

Desta forma, assim como afirma Freire (19912, p. 11) “É na fala do educador, no ensinar (intervir, devolver, encaminhar), expressão do seu desejo, casado com o desejo que foi lido, compreendido pelo educando, que ele tece seu ensinar. Ensinar e aprender são movidos pelo desejo e pela paixão”. O educador ao tornar a afetividade um elemento de seu trabalho constante em sala de aula, contribui significativamente para a construção do aprendizado do aluno que torna-se capaz de construir laços afetivos com o mundo.

Na terceira questão “Você como educador acredita que o vínculo afetivo (aluno-aluno/professor-aluno) é indispensável no processo ensino aprendizagem? “, destacou-se a troca de experiências entre os sujeitos nas respostas.   As professoras em suas respostas, não citaram nada sobre quais experiências seriam importantes ao processo de desenvolvimento, mas podemos acreditar que possam ser situações vividas pelos sujeitos.

“Sim, é indispensável por conta de proporcionar momentos de trocas entre eles, consequentemente facilitando o ensino-aprendizagem.” (C.S.S.)

Freire (1996, p. 73), destaca a importância do perfil do professor no aprendizado dos alunos e como esta relação estabelecida em sala de aula, deixa marcas profundas no aprendizado destes, para eleO professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, sério, o professor incompetente, irresponsável, o professor amoroso, o professor mal-amado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrático, racionalista, nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca”.

“Sim, o ser humano tem por natureza viver em grupos e estabelecer vínculos, trocar experiências, ser reconhecido é indispensável na construção do ser social.” (A.R.M.)

A escola, na concepção de Barros (1996, p. 34), “precisa permitir à criança a observação e a ação espontânea sobre o ambiente físico, bem como favorecer o intercâmbio com outras crianças e adultos. O clima da sala de aula é decisivo para o desenvolvimento da criança”.

A questão seguinte tinha o seguinte enunciado: “Enquanto professor acredita na importância do trabalho psicopedagógico institucional em relação aos conflitos afetivos e sociais? “. Apareceram nas respostas que o trabalho do psicopedagogo é importante para orientar pais e educadores e para compreensão das necessidades do aluno e da escola.

“O trabalho do psicopedagogo tem a compreensão das necessidades de determinado aluno e abre espaço para que a escola viabilize recursos para atender às necessidades de aprendizagem. “ (T.F.S.)

“O trabalho psicopedagógico possibilita uma análise mais ampla do aluno.” (F.V.M.)

O trabalho do psicopedagogo tem como objetivo a compreensão das necessidades de determinado aluno, incluindo suas dificuldades e facilidades no aprendizado.

Para Libâneo (1991, p. 54), “aprender é um ato de conhecimento da realidade concreta, isto é, da situação real vivida pelo educando, e só tem sentido se resulta de uma aproximação crítica dessa realidade. Desta forma é possível destacar que “o conhecimento que o educando transfere representa uma resposta à situação de opressão a que se chega pelo processo de compreensão, reflexão e crítica”.

Foi relato também que o psicopedagogo muitas vezes pode se sobrecarregar em atividade burocráticas, como por exemplo em preenchimento de papelada, relatórios, entre outras atividades, que pode o distanciar da atuação com os alunos. Este ponto evidenciou que nem sempre o trabalho do psicopedagogo atende totalmente as expectativas dos docentes, que o consideram mais como um alguém que cumpri uma função administrativa. Este ponto deixou em dúvida se é o trabalho do psicopedagogo que não acontece de maneira satisfatória ou se é a escola que pode interferir no trabalho psicopedagógico.

Desde que o trabalho seja realmente sério e focado no aluno, ao invés de se focar em preenchimento de papelada. Muitas vezes o Psicopedagogo deixa de fazer seu trabalho para se afogar em papel.” (Z.J.P.)

Na quinta e última questão questionou-se se as professoras em suas aulas utilizam de estratégias de ensino que favoreçam a socialização entre os alunos e/ou estimulem o desenvolvimento afetivo e social. Houveram relatos de situações diversas de trocas como rodas de conversa, trabalhos em grupos, brincadeiras simbólicas, dinâmicas, trabalho com Artes, histórias, leitura compartilhada, leitura pelo professor, leitura silenciosa, desafio, , atividades coletivas, combinados de classe, formação de grupos para realizar atividades e mediação de conflitos.

“Sempre realizamos situações de troca de experiência e vários momentos em que a socialização é trabalhada como objetivo principal, por exemplo, roda de conversa, diversificada, dia do brinquedo, brincadeiras simbólicas, dia do brinquedo, brincadeiras simbólicas ...Além das regras de convivência, valores e respeito que também são exploradas.” (C.S.S)

“Realizar atividades em que escolho os grupos para esse envolvimento. Nas rodas de conversa, é essencial falar sobre regras (combinados da classe), da importância de cuidar do outro sempre.” (A.R.M.)

Coll (1996, p. 95)

Os alunos formam seu próprio conhecimento por diferentes meios: por sua participação em experiências diversas, por exploração sistema tica do meio físico ou social, ao escutar atentamente um relato ou uma exposição feita por alguém sobre um determinado tema, ao assistir um programa de televisão, ao ler um livro, ao observar os demais e os objetos com certa curiosidade e ao aprender conteúdos escolares propostos por seu professor na escola.

Pelas respostas pode-se perceber que as participantes acreditam que a afetividade é fator indispensável no processo de aprendizagem e que o vínculo afetivo está presente nos objetivos de suas práticas pedagógicas.

6. Considerações Finais

O objetivo deste trabalho foi realizar uma análise a respeito importância dos estímulos ambientais para o desenvolvimento da socialização e da afetividade no ambiente escolar.

Os resultados da pesquisa realizada com professoras, apontaram que estas realizam práticas que favorecem o desenvolvimento afetivo e social da criança e reconhecem a importância destes aspectos na formação do sujeito.

No que se refere as estratégias de ensino que favorecem a socialização entre os alunos e/ou estimulem o desenvolvimento afetivo social superou as expectativas pois acreditava-se que seriam as mesmas atividades costumeiras, porém foram relatadas diferentes situações como dinâmica, brincadeiras de socialização, desafio, leitura compartilhada que demonstraram conhecimento por parte das professoras sobre o tema.

Nas demais questões as repostas foram pertinentes e adequadas, pois estão dentro das propostas e teorias que foram consideradas no levantamento bibliográfico para este trabalho, sendo assim podemos entender que as professoras trabalham de acordo com as ideias, pensamentos e autores considerados importantes para esta pesquisa.

As referências bibliográficas foram importantes pois além de terem sido fonte da solução do problema de pesquisa foi fundamental para analisar os resultados da pesquisa e permitir estabelecer uma relação entre o que foi apresentado nos questionários e o aporte teórico, comprovando dessa forma a importância do desenvolvimento afetivo e social no ambiente escolar.

Com as informações das respostas obtidas com a pesquisa foi possível realizar um questionamento da prática educacional, possibilitando também uma reconstrução da realidade que se vive no ambiente escolar.

Espera-se que este trabalho sirva para eventuais consultas para profissionais da educação, que queiram ter conhecimento sobre o desenvolvimento afetivo e ambiente escolar. Este é um estudo que visa contribuir com o tema, mas não encerra a possibilidade de se realizar novas pesquisas para contribuir com novos conhecimentos para que possa assim enriquecer a prática educacional.

Sobre os Autores:

Thamires Santos Dantas - Pedagoga atuante na área da educação infantil. Aluna do curso Psicopedagogia na Universidade Metodista de São Paulo.

Lucian da Silva Barros - Psicólogo. Especialista em Ética, Valores e Cidadania na Escola pela Universidade de São Paulo. Professor convidado do curso de Psicopedagogia da Universidade Metodista de São Paulo.

Referências:

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BARROS, C. Psicologia e Construtivismo. São Paulo: Ática, 1996.

BRIGGS, Drothy C. A auto- estima do seu filho. São Paulo: Martins Fontes, 2000

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CHALITA, Gabriel. Educação. A solução está no afeto. São Paulo, 15ª edição .Ed. Gente, Brasília, 2004

COLL, C. et al. O construtivismo na sala de aula. São Paulo: Ática, 1996.

DAVIS, Claudia;OLIVEIRA, Zilma. Psicologia na educação.São Paulo: Cortez, 1993.

FANTIN, Mônica. Jogos e brinquedos e brincadeiras- A cultura lúdica na educação infantil. In: Síntese da qualificação da educação infantil. Florianópolis: Prefeitura Municipal de Florianópolis. Secretária Municipal de Educação: 2000.

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