Resumo: A depressão é um estado reduzido do funcionamento psicológico e mental, frequentemente associado ao sentimento de infelicidade. Existem muitos fatores que podem desencadear ou mesmo predispor ao aparecimento da depressão em idosos, todavia, a sintomatologia depressiva é pouco verificada e valorizada por parte dos profissionais de saúde. Sendo assim, este estudo teve por objetivo investigar a prevalência de depressão em idosos institucionalizados e identificar a prevalência de depressão por gênero e avaliar fatores agravantes na presença ou ausência das visitas de familiares destes idosos. A pesquisa foi realizada em uma instituição filantrópica, situada em um município do estado de Rondônia. O método utilizado foi a pesquisa de campo, com caráter quantitativo descritivo. A análise contextual da instituição e as técnicas de recolha e análise de dados foram feitas por meio de uma escala de depressão geriátrica (GDS) e um questionário com cinco questões, construído e aplicado pela autora do estudo juntamente com a instituição. O estudo demonstrou que todos os inquiridos possuíam um estado depressivo e constatou-se que, este estado depressivo é mais elevado no sexo feminino. Pode-se concluir uma possível relação entre maior índice de depressão e ausência do contato do idoso institucionalizado com familiares.

Palavras-chave: Depressão, Idosos, Prevalência, Institucionalização.

1. Introdução

O envelhecimento populacional é hoje um feito universal, inevitável e irreversível no cenário mundial. Na população que envelhece a depressão encontra-se entre as doenças crônicas mais frequentes que comprometem a funcionalidade do idoso, tornando-se um problema grave de saúde pública, uma vez que há danos na qualidade de vida.

Diante da falta de recursos financeiros, ou de fatores psicossociais, algumas vezes a internação do idoso em uma instituição asilar apresenta-se como a única saída para a família. Percebe-se que, nessa mudança para instituição há uma tendência do afastamento da família de origem, de mudança de hábitos e consequentemente, risco de isolamento e insatisfação com a vida, fatores que podem ocasionar uma sintomatologia depressiva neste idoso (SANTOS, 2013, p. 13). Durante a idade avançada, principalmente em idosos institucionalizados, é frequente que as pessoas que convivem com os mesmos associem à idade avançada à melancolia e a tristeza devido às perdas afetivas, econômicas, sociais e doenças, muitas vezes a depressão pode estar mascarada por alguma doença física ou momento de estresse emocional.

A pesquisa teve como objetivo principal investigar a prevalência de depressão em idosos institucionalizados de uma instituição filantrópica, relacionando gênero e avaliando fatores agravantes assim como atenuantes, na presença ou ausência das visitas de familiares.

Sendo assim, o presente trabalho justifica-se pela necessidade de ampliar o interesse de outros profissionais, e não somente os ligados à psicologia, para que a sociedade tenha conhecimento sobre o estado psicológico e mental dos idosos institucionalizados da região. Todos os aspectos abordados foram realizados mediante uma escala de depressão geriátrica (GDS) e um questionário em relação ao suporte familiar, construído e aplicado pela autora do estudo.

Utilizou-se como metodologia o delineamento de pesquisa de campo, tratando-se de um projeto de caráter quantitativo descritivo, o objetivo primordial é a descrição das características dos idosos residentes na instituição denominada “Lar do Idoso”. Alguns resultados serão apresentados por meio de gráfico a fim de proporcionar uma melhor compreensão sobre os dados constatados.

2. Fundamentação Teórica

2.1 Envelhecimento

Por muito tempo o envelhecimento foi classificado como um fenômeno patológico. Reis (1996, apud VAZ 2009) entende que esta etapa se caracteriza pelo aparecimento de um grande número de doenças degenerativas, as quais, progressivamente reduzem as capacidades de tais indivíduos, até o ponto de lhe ceifar a vida. Todavia, envelhecimento não tem necessariamente que significar a existência de doenças, pode também ser categorizado como fase normal da vida, o que geralmente corresponde a uma etapa progressiva do ciclo vital de qualquer organismo que sofra a influência do tempo (PINHEL, 2011). O envelhecimento é uma fase da vida que expressa uma continuidade do desenvolvimento ao longo do curso da existência (HAMILTON, 2002).

Segundo Simões (2006, apud PINHEL, 2011), o grande desafio de envelhecer com saúde é fazer com que somente as mudanças normais do envelhecimento ocorram, minimizando possíveis limitações. O mesmo autor afirma que, os idosos de hoje, são mais saudáveis, como também mais instruídos e possivelmente serão mais ainda no futuro. Sabe-se que alguns idosos, aos 65 anos, já estão com alguma inaptidão, já outros aos 85 anos estão ainda cheios de vida e energia (BEE, 1997). O fato de envelhecer bem, de acordo com a Teoria do desengajamento, geralmente inclui uma redução gradual no envolvimento social e uma maior preocupação consigo mesmo e para Teoria da atividade implica em, quanto mais disposto e ativos os idosos permanecerem um melhor envelhecimento terá (PAPALIA, 2009).

De acordo com Hamilton (2002) ninguém se torna velho da noite para o dia, visto que ao longo de vários anos as características físicas e mentais de uma pessoa estão mudando, chama-se assim idade cronológica, sendo a forma de avaliar o quão velha é a pessoa. Goldstein (2009, p. 124) afirma que “[...] a aceitação dos próprios limites é fundamental à experienciação de satisfação na velhice”.

Na fase tardia da vida é necessário que os idosos desenvolvam uma capacidade de enfrentamento para se capacitarem a vivenciar uma fase mais tranquila na terceira idade. Segundo Papalia (2009), enfrentamento é o comportamento de adaptação que visa diminuir ou amenizar o estresse advindo de condições prejudiciais, ameaçadoras ou desafiantes. Sendo assim, a última etapa do desenvolvimento psicossocial é a do desespero x integridade, que é aquela que os sujeitos da terceira idade podem adquirir um senso de integridade do self, ou do ego, pela aceitação das vidas que tiveram, aceitando assim a morte, ou podem se entregar ao desespero pela impossibilidade de reviver o passado. Implica assim em aceitar a vida que viveu sem arrependimentos (ERIKSON 1985, apud PAPALIA, 2010).

O idoso poderá passar por algumas alterações psicológicas que são alterações naturais e gradativas (ZIMERMAN, 2000, apud PEREIRA, 2009). Sendo assim, os idosos se tornam mais propensos a terem algum tipo de transtorno comportamental ou mental. Salienta-se a importância da integridade do ego, pois se forem estruturados, enfrentarão o estresse, a perda ou um adoecimento de maneira mais branda, fazendo com que o envelhecimento seja “bem-sucedido” (PAPALIA, 2009).

Contudo, com o passar dos anos o desgaste é inevitável. Zimerman (2000, apud PEREIRA, 2009) refere que a velhice não é uma doença, mas sim, uma fase na qual o ser humano fica mais susceptível a doenças. Destaca-se ainda, a possibilidade nessa trajetória de vida, de uma ausência de suporte social e uma consequente resposta de adoecimento psíquico (depressão) no processo de asilamento, como será exposto a seguir.

2.2 Depressão na Idade Madura

A depressão é um dos transtornos psiquiátricos mais comuns das patologias, sendo um problema universal, e constitui um grande problema da saúde pública (LIMA, et al.,  2004).

De acordo com o mesmo autor, até o ano de 2020, a depressão será equivalente a segunda causa de incapacitação no mundo, ficando atrás apenas da doença coronariana isquêmica (LIMA et al., 2004, apud PARIK et al., 2011).

Chama-se a atenção para fatores relacionados ao estado depressivo em idosos, pois nos últimos anos, com o envelhecimento populacional a temática do idoso tem ganhado uma especial importância, principalmente pelas doenças apresentadas por esta faixa etária da população, incluindo um elevado número de doenças psiquiátricas, especialmente a depressão (SILVA, 2012).

Segundo Bee (1997) estudos mais antigos das diferenças etárias na depressão, indicam que adultos mais velhos correm um elevado risco de adquirir doenças dessa espécie, se comparado com outros grupos de idades distintas, o que colabora para um modelo cultural bastante disseminado sobre a inevitabilidade do idoso depressivo.

Papalia (2009) aponta que sintomas de depressão são comuns nos adultos idosos, sendo que alguns podem se tornar depressivos devido certa perda física ou emocional. Os transtornos comportamentais e mentais podem resultar em incapacidades funcionais para as principais atividades da vida, assim como declínio cognitivo do idoso (HOOREN et al., 2005, apud PAPALIA, 2009). Esse declínio ocorre mais rapidamente, caso o idoso não tenha uma vasta relação interpessoal, neste sentido, Papalia (2009) afirma que as pessoas mais velhas possuem certa necessidade de se lamentar.

A depressão em idosos geralmente está também associada a problemas de saúde. No entanto, quando especialistas buscam pelo tratamento de determinada doença, não dão prioridade à melhoria da depressão, focam exclusivamente na enfermidade em si (PAPALIA, 2009). De acordo com o mesmo autor, sintomas de depressão são comuns na pessoa idosa, no entanto, esses indícios do estado depressivo são desconsiderados por acreditarem que são companheiros naturais do envelhecimento, tal fato pode clarificar a desvantagem em relação aos outros males fisiológicos.

Pelo fato da depressão poder apressar o declínio físico do envelhecimento, com um diagnóstico preciso, a prevenção e o tratamento certo podem ajudar pessoas idosas a viverem mais tempo e se manterem mais ativas (PENNINX et al.,1998, apud PAPALIA, 2009).

Em relação aos estados depressivos em geral, estudos indicam que há evidências que as mulheres possuam mais sinais de depressão que os homens e que tal fenômeno seja mais prevalente entre idosos internados em asilos (MAZO et al., 2005).

2.3 Institucionalização Do Idoso: Família e Sintomas Depressivos

O Brasil organiza-se para responder as crescentes demandas de sua população que envelhece. Nesse sentido, a Política Nacional do Idoso (PNI) garante direitos sociais à pessoa mais velha, constitui a priorização do cuidado ao idoso pela família, em detrimento do acolhimento institucional, exceto quando os idosos não apresentam condições de cuidado que garantam sua própria sobrevivência (BRASIL, 1994, apud SANTOS, 2013, p. 14).

No sentido de institucionalização, Santos (2013) afirma que o número de instituições reservadas ao asilamento de idosos no Brasil começou a crescer a partir das últimas décadas do século XX. Esse aumento ocorreu como resposta às demandas de uma sociedade em que aumenta a expectativa de vida e diminui a disponibilidade de recursos familiares para o cuidado dos idosos. Segundo a mesma autora:

A Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) é um lugar de cuidados, onde a pessoa idosa recebe assistência com vistas ao atendimento de suas necessidades físicas, mentais e sociais, como também um espaço que lhe proporcione contato com a sociedade (SANTOS, 2013, p. 39-40).

Tais idosos que são institucionalizados podem perder sua privacidade, pois os quartos são compartilhados com desconhecidos, as portas são deixadas entreabertas. Observa-se assim que a privacidade com o cuidado corporal é sistematicamente violada pelos funcionários (VAZ, 2009, p. 56).

Em um estudo sobre idosos institucionalizados, Deps (2009, p. 200) verificou que a instituição alvo de pesquisa, impõe restrições ou inibe a autodeterminação dos idosos residentes do lar. Neste mesmo estudo, o autor destaca a apatia evidente entre eles, visto que a maioria dos idosos ficavam sentados do lado do outro sem conversar, fisicamente próximos, porém mentalmente isolados.

Em relação ao âmbito institucional é importante que a família conheça os benefícios de visitar seu ente institucionalizado. Alcântara (2004) cita o art. 3° da PLI (Política Nacional do Idoso – Lei 8.842, de 4 de janeiro de 1994) que, a assistência na modalidade asilar ocorre no caso da inexistência do grupo familiar, abandono, carência de recursos financeiros próprios ou da família. Ressaltando que as instituições de terceira idade são indispensáveis para dar resposta aos problemas com que o envelhecimento da população se depara. A falta de tempo, de condições de espaço físico e de disposição/preparação das famílias para tomarem conta dos seus idosos, cria a necessidade de recorrer às instituições de longa permanência.

A instituição de longa permanência pode ser um agente estressante e potencializador da depressão pois, como supracitado, o idoso passa a adotar um estilo de vida diferente do seu, tendo que se adaptar a uma rotina de horários, dividirem seu ambiente com desconhecidos e longe da família. Nesse entender, tais idosos poderão perder sua auto-estima, sua identidade, sua liberdade, havendo muitas vezes até recusa da própria vida, o que pode justificar a alta prevalência de depressão em instituições asilar (VAZ, 2009, p. 58). No mesmo sentido, um estudo feito com idosos institucionalizados e não institucionalizados constatou que:

Foram os idosos a viver em instituições quem apresentaram níveis de depressividade superiores. Neste caso a depressividade dos idosos institucionalizados poderá ser uma consequência das elevadas taxas de solidão sentidas nesta amostra (BARROSO, 2006, p. 5).

Bowlby (2006, p. 110) indica que alguns rompimentos abruptos no relacionamento familiar podem desencadear alguns distúrbios mentais, tal qual a depressão. Uma das principais formas pelas quais os fatores genéticos atuam para influenciar o desenvolvimento da saúde mental é através de seu efeito sobre o comportamento de vinculação, quando distúrbios de comportamentos podem estar ligados ao rompimento de um vínculo familiar.

Vaz (2009) afirma que a depressão é mais comum em idosos institucionalizados do que nas comunidades. Índices apontam que as taxas de prevalência da depressão, variam de três a cinco vezes a mais.

Em um resultado de dissertação de mestrado, Santos (2013) verificou que a família foi mencionada pelos trabalhadores da instituição como o elemento mais citado pelos idosos, por sentirem pela ausência dos mesmos. Além disso, os trabalhadores observaram que há mudanças nos idosos quando a família participa na ILPI e mantém os vínculos, identificaram uma ligação direta entre presença dos familiares na ILPI e menor índice de comprometimentos na saúde. A institucionalização de certa forma acaba separando pais e filhos e percebe-se que, os que costumam visitar com maior freqüência, são os filhos responsáveis pelo asilamento (AlCÂNTARA, 2004).

Uma amostra sobre idosos institucionalizados constatou a variação nos estados de solidão e concluíram que os idosos que têm uma percepção de maior preocupação familiar denotaram menor sentimento de solidão (BARROSO, 2006). Na mesma direção, Santos (2013) discorre que a percepção dos trabalhadores de uma ILPI sobre a família dos idosos institucionalizados, transcorre pela pouca presença da família ou total ausência dela na instituição e destacam a importância da visita a esses idosos. Bowlby (2006, p. 74) afirma que a família possui uma importância essencial e que nada pode se igualar ao próprio lar.

Frente aos índices de idosos sendo inseridos em ILPI, o que se questiona na atualidade é; como esses idosos se sentem frente à institucionalização?  Pinhel (2011) afirma que muitos idosos quando têm de trocar suas casas por instituições acabam por se sentirem abandonados, pois acham que os seus familiares estão a rejeitá-los ao requererem a institucionalização. A perda do meio familiar, com os sentimentos mais ou menos evidentes de abandono pela família, imediatamente se juntam a outras vivências de perda, como a de sua independência e do exercício pleno da vontade (CARDÃO, 2009, apud PINHEL, 2011).

No entanto, diante da institucionalização do idoso, há momentos em que a família se faz mais presente, geralmente em datas especiais e comemorativas, esses momentos favorecem o encontro entre familiares e idosos, onde percebem que não foram negligenciados (SANTOS, 2013). O mesmo autor ainda afirma que, a participação da família dos idosos na ILPI tem efeitos positivos na saúde destes institucionalizados, especialmente porque na presença da família os aspectos emocionais tornam-se melhor.

De acordo com Santos (2013, p. 28), apesar da família em alguns períodos se afastar da ILPI (Instituição de Longa Permanência de Idosos) e, consequentemente do idoso, os momentos em que ela se faz presente, ajuda a reduzir a impressão de abandono, pois às vezes chegam a aguardar pela visita por semanas, meses ou até anos. Ou seja, o idoso pode ter vários sentimentos negativos em relação à família, mas a considera importante.

Contudo, percebe-se o quanto a família possui um papel significante para o idoso institucionalizado, pois proporciona efeitos benéficos sobre a saúde e bem-estar dos mesmos. Segundo Santos (2013), idosos socialmente integrados e satisfeitos com as relações familiares relatam menor número de sintomas depressivos, sendo assim, a família é de fundamental importância para a socialização do idoso na ILPI, almejando sempre uma melhor qualidade de vida dos mesmos.

3. Metodologia

Após a aprovação e apreciação do CEP (Comitê de Ética em Pesquisa), o projeto de pesquisa foi conduzido à instituição sediadora para o aceite e aval da mesma, para iniciar a pesquisa de campo, inicialmente foi apresentada a Carta de Encaminhamento e posteriormente a Carta de Anuência.    A aplicação da escala nos idosos e do questionário nos cuidadores foi realizada pelo pesquisador do projeto, almejando um maior contato para com estes. Todos os encontros foram realizados em dias úteis. No primeiro contato com os idosos, estes foram informados que um dos requisitos para a participação seria o preenchimento em total acordo do Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE).

Ainda no primeiro encontro com os idosos, o pesquisador aplicou de forma individual uma escala de depressão geriátrica aos idosos participantes. O instrumento de detecção de sintomas depressivos no idoso é constituído por 30 (trinta) itens, onde resultado entre 0 (zero) a 10 (dez) pontos, indicam um estado de humor normal, enquanto os resultados entre os 11 (onze) e 20 (vinte) pontos evidenciam uma ligeira ou severa depressão, acima de 20 vinte pontos indica depressão grave.

O segundo encontro baseou-se em aplicar o questionário em relação ao suporte familiar. Este questionário foi aplicado aos responsáveis da instituição, enfatizando a cautela e o comprometimento em preservar a privacidade dos sujeitos do estudo, esclarecendo que os dados juntamente com os termos seriam mantidos em um ambiente seguro.

Após a coleta de dados, foi calculada a prevalência de depressão em idosos institucionalizados, distinguindo-se em gênero e em contexto ao suporte familiar, por meio de gráficos, identificando o percentual encontrado.

4. Resultados e Discussão dos Dados

A sensibilização sobre a importância de estudar essa população é de relevância, pois os índices de depressão em idosos institucionalizados são de três a cinco vezes maiores do que na população não asilar (SILVA, 2012). Apesar de a depressão ser comum na terceira idade, não pode ser considerada como parte integrante do processo de envelhecimento.

Dos 78 indivíduos institucionalizados pesquisados, 68 não atenderam aos critérios de inclusão: terem idade inferior a 60 anos; não apresentarem condições clínicas para responder o questionário devido à falta de capacidade cognitiva (fator evidenciado pelo cuidador); e por residirem no lar há menos de um ano. Sendo assim, apenas 10 idosos foram incluídos na pesquisa.

Dos 10 idosos institucionalizados estudados, (50%) eram do sexo masculino e (50%) feminino. Os participantes encontravam-se na faixa etária de 60 a 98 anos, com média geral em termos de faixa etária de 83,6 anos. Os resultados obtidos evidenciaram que as mulheres estão a mais tempo na instituição asilar e que, mediante o ano de internamento, houve uma diferença de sete anos, sendo que a média encontrada dentre as mulheres foi 6 anos e a dos homens de 4,6 anos.

A partir da aplicação da GDS foi constatado que 100% da amostra apresentavam indicativo de depressão. Sendo que, 20% da amostra apresentavam-se com ligeira ou severa depressão, sendo apenas identificado no gênero masculino, e 80% com indicativo de grave depressão, no entanto 50% eram no sexo feminino e apenas 30% no sexo masculino. Em relação as faixas etárias, pode-se constatar que 50% dos inquiridos entre 60-69 anos apresentam um indicativo de depressão ligeira/severa; dos 70-79 20% apresentam depressão grave; e amostras acima de 80 anos com 30%de depressão grave, conforme indica o Gráfico 1.

Gráfico 1 – Resultado da Escala de Depressão Geriátrica por gênero e faixa etária (GDS).

Resultado da Escala de Depressão Geriátrica por gênero e faixa etária (GDS).

Este resultado corrobora com outro estudo, que obteve uma elevada taxa de prevalência de depressão (46,7%), a qual afeta quase metade dos idosos investigados na ILPI (VAZ, 2011). Outro esboço indica que, na maioria dos estudos de prevalência de transtornos depressivos, mais de 10% dos idosos apresentam um quadro depressivo. Esse número sobe para 30 % em idosos institucionalizados (MAZO, et al., 2005, p. 46).

SANTOS et al., (2003) publicaram um estudo com 157 idosos institucionalizados, onde chegaram à conclusão que 29,5% apresentavam um quadro de depressão maior e 49,5% de depressão menor. Outro estudo que também vai de encontro com o presente resultado da pesquisa é de Drago (2012, p.90), onde verificou que 70,6% dos idosos encontravam-se com depressão ligeira e 0,8 apresentam depressão do tipo grave, o que não surpreende, pois são vários os estudos nacionais e internacionais em ILPIs que evidenciam o predomínio da depressão nesta faixa etária.

Desse grupo com indicativo de depressão, as mulheres tiveram um percentual maior dentro da escala dos sintomas depressivos, constatou-se que os homens são 20% menos depressivos, enquanto a média geral dos homens foi de 19,2 pontos, das mulheres foi de 24 pontos. Corrobora com esta opinião Drago (2012), em termos de prevalência esta patologia é entre o gênero feminino.

Sabe-se que as mulheres são mais vulneráveis ao desenvolvimento de sintomas depressivos durante a velhice (SILVA, 2012). Estes dados sustentam a hipótese do projeto, pois o sexo foi identificado como um fator de risco para a depressão. Pontua-se ainda que, toda amostra foi identificada em risco com depressão, mas, as mulheres incidem com pontuações maiores do que os homens. Estudos apontam que, aproximadamente, é duas vezes maior a prevalência de depressão em mulheres em relação aos homens, fatores biológicos, psicossociais e metodológicos podem contribuir para esse fenômeno (VAZ, 2011).

O relato do cuidador em relação ao suporte familiar evidenciou que, 70% dos inquiridos possuem algum tipo de contato com familiares, sendo que 20% dessa amostra é contatado telefonicamente, tanto as visitas quantos os telefonemas acontecem apenas em épocas festivas ou uma vez ao ano.

Ao analisarmos os resultados das amostras constatou-se que: 30% são homens que não recebem qualquer tipo de suporte familiar, 20% são homens contatados pessoalmente, 20% são mulheres que são contatadas por telefone e 30% são mulheres que são contatadas pessoalmente, conforme indicado no Gráfico 2. 

Gráfico 2 – Gráfico em relação aos contados com familiares.

Gráfico em relação aos contados com familiares.

Apesar do percentual em relação ao suporte social não estarem abaixo do esperado, percebe-se que existe uma lacuna na presença desses familiares. Os idosos são contatados anualmente, tanto telefônica quanto pessoalmente e, segundo relato da cuidadora, a espera por esses entes causam ansiedade e euforia nos inquiridos, pois se recusam a obedecê-las, por acreditarem que os familiares irão os levar. Mediante isto, os responsáveis pela ILPI hipotetizam que a evasão da visita desses entes, para não darem falsas esperanças para o idoso, preferindo evitar a visita.

No que concerne aos índices de depressão no idoso institucionalizado e sua relação na presença ou ausência das visitas de familiares, pode-se constatar que 80% da amostra sente a ausência da visita de seus familiares, em contrapartida 20% não sentem falta da visita de membros da família, por sua vez esses sujeitos que não se importam apresentaram depressão leve e os demais 80%, sentem a carência da visita de familiares e apresentam depressão grave.

Como esperado, idosos com prevalência de depressão mais elevada, são os que sentem ausência da visita de familiares que são escassas. Segundo o relato do cuidador em entrevista: “[...] os idosos reclamam, em alguns casos evitam se alimentar, desejando a morte [...]”. Estes percentuais encontrados corroboram com o estudo de Almeida (2008) realizado em diversos lares, onde constatou que 81,7% das pessoas idosas recebem visitas, no entanto 49,4% destes relatam sentir solidão, pois as visitas de familiares ocorrem apenas ocasionalmente. Outro estudo indica que de 30 clientes inquiridos, 13 assinalaram que se encontravam institucionalizados devido ao fato de não terem apoio familiar (PINHEL, 2011). Um estudo realizado em Vassoura (RJ) no Lar Barão do Amparo constatou que 54,54% dos residentes do Lar mantêm contato com sua família, sendo que 22,22% recebem visitas, enquanto16, 66% o fazem somente através de telefonemas (OLIVEIRA, 2006).

Conclui-se que o apoio emocional é fundamental para a saúde mental dos idosos, porém se sabe que nos tempos atuais, por diversos motivos, nem sempre a família é capaz de estar presente na vida do idoso da forma que eles desejam (RISSARDO, 2001).

5. Considerações Finais

Falar de institucionalização de pessoas idosas é certamente um tema atual e que diz respeito a todos os cidadãos. Verifica-se um aumento do índice de envelhecimento nas sociedades, esse fenômeno é na grande maioria das vezes associado a perdas e incapacidades e também acompanhado de diversidades, sendo uma das piores a solidão e o abandono do idoso, principalmente quando este provém da família. É crescente a institucionalização dos idosos, pois a grande maioria das famílias atualmente não dispõe de tempo para dar o cuidado necessário.

Os dados dos sujeitos da pesquisa corroboram com os da literatura e todas as hipóteses da pesquisa foram confirmadas. No que diz respeito ao gênero, a depressão grave, foi mais prevalente no sexo feminino e constatou-se que, em relação ao suporte social os idosos sentem a carência da visita de seus familiares, pois se sentem muitas vezes negligenciados por seus entes.

A dificuldade de um melhor entendimento do quadro de sintomas depressivos na ILPI deu-se pelo fato da grande maioria dos idosos do local não corresponderem aos critérios de inclusão do estudo.

Torna-se necessária a ampliação da presente discussão na sociedade, para que assim, seja otimizado os cuidados aos idosos no campo psicossocial, tanto para psicólogos quanto para os demais profissionais da saúde. Espera-se que as descobertas obtidas neste estudo não fiquem reprimidas unicamente no campo pedagógico, mas sim, que ao tomarem conhecimento dos resultados, cuidadores passem a conscientizar-se sobre a existência de tal problema, como também a minimizar as ações e omissões que ocasionam ou potencializam a incidência da depressão nos idosos institucionalizados.

Diante das constatações, espera-se também que esses resultados possam fornecer subsídios aos profissionais para planejar e programar uma assistência diferenciada aos idosos asilados, podendo estes profissionais articular formas de melhoria da qualidade vida do idoso dentro da instituição e em relação aos laços familiares, além de articular formas especiais de cuidados com os idosos que contam com o suporte familiar.

Julga-se necessário realizar estudos mais aprofundados com outros instrumentos de recolha de dados depressivos para realizar um comparativo, tendo em vista que a depressão em idosos institucionalizados no estado de Rondônia, ainda é um campo com raros estudos publicados. Próximas pesquisas poderão também, estar desenvolvendo alguma intervenção e capacitação junto aos cuidadores, pois acredita-se que uma maior flexibilidade no manejo junto aos idosos, possa ser um amortecedor para risco de depressão em ILPIs.

Sobre o Autor:

Ana Paula Pereira de Souza - bacharel em psicologia graduada pela Farol Faculdade de Rolim de Moura, este artigo foi sob orientação da psicóloga Fernanda Heringer.

Referências:

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