Resumo: Este artigo conduz a uma reflexão sobre a importância do contato com relatos biográficos para o indivíduo e para o coletivo. Nosso objetivo foi analisar depoimentos registrados no Museu da Pessoa buscando compreender como as elaborações produzidas pelos depoentes podem se mostrar tocantes e produtivas para quem as acessa. Entendemos que ao registrar sua vivência o depoente consegue realizar esta reflexão e expor o que refletiu a outras pessoas. Neste parâmetro o trabalho realizado pelo Museu da Pessoa tem esta característica de resgatar estas histórias individuais e torná-las públicas em seus sites, além de permitir o registro de diferentes indivíduos dos segmentos sociais. Por realizar os registros individualmente democratiza este método, de forma que outras gerações possam acessar estas informações. No período de outubro de 2013 a abril de 2014, foram colhidos depoimentos, com o critério de averiguar as ressignificações destes para composição do presente tema. A partir do depoimento no Museu da Pessoa, fomos detalhando os aspectos da ressignificação, observando em cada registro como os sujeitos apresentam tais ressignificações ao leitor e como, simultaneamente, podem promover em quem lê outras ressignificações. Acreditamos que o exposto nos depoimentos, ao gerar elaborações também nos leitores, pode representar uma significativa ferramenta de contato consigo mesmo e de transformação subjetiva.

Palavras-chave: Memória, Ressignificação, Museu e Psicologia.

1. Introdução

O conceito de memória e a maneira como ela funciona, vem sendo tema dos estudos de filósofos e de cientistas há séculos. Tal conceito se modifica e se adéqua às funções, às utilizações sociais e à sua importância nas diferentes sociedades humanas. Há várias maneiras de entender o que é memória, dependendo da área do conhecimento, a época e da cultura que consideramos.  Em cada época procurou-se explicar a memória utilizando-se metáforas compreensíveis, construídas em torno do conhecimento que caracterizavam o momento histórico. Na atualidade, o conceito e, sobretudo, o funcionamento da memória ganhou importantes aportes das ciências físicas e biológicas.

As Ciências Sociais e, em especial, a Psicologia também têm a memória individual e coletiva como um dos seus campos de investigação, envolvendo conceitos de retenção, esquecimento e seleção. São encontrados estudos que relacionam a memória individual ao meio social em que se articulam os relatos individuais à memória local. Ela é, por excelência, seletiva, reúnem as experiências, os saberes, às sensações, as emoções.

Estudos empreendidos por Maurice Halbwachs (1990) contribuíram para a compreensão dos quadros sociais que compõem a memória. Para ele, a memória aparentemente mais particular remete ao grupo. O indivíduo carrega em si a lembrança, mas está sempre interagindo com a sociedade, grupos e instituições.

E no contexto destas relações que construímos as nossas lembranças. As lembranças se alimentam das diversas memórias oferecidas pelo grupo, ao que o autor denomina memória afetiva, e dificilmente lembramos fora deste quadro de referências. Tanto nos processos de produção da memória quanto na memorização, o outro tem um papel fundamental. Esta memória do grupo contribui para um sentimento de pertinência a um grupo de passado comum que compartilha memórias. Neste processo é garantido o sentimento de identidade do indivíduo calcado em uma memória compartilhada não só no campo histórico, do real, mas, sobretudo no campo simbólico (HALBWACHS, 1990 apud KESSEL, 2007).

A memória é construída através da interação social do indivíduo. As memórias individuais alimentam-se das memórias coletivas e históricas e incluem elementos mais amplos do que a memória construída pelo indivíduo e subgrupo. As trocas entre os membros de um grupo se fazem por meio da linguagem que é o elemento socializador da memória, pois reduz, unifica e aproxima o mesmo espaço histórico.

Com o surgimento da chamada Nova História na década de 1930, na qual eram usadas as metodologias das Ciências Sociais, vieram às transformações. Consistia em não mais relatar a história como um período estático da humanidade, mas analisar as suas particularidades sociais e mentalidades, como também dar uma atenção especial aos indivíduos.

Diante do exposto, este artigo busca analisar e identificar as memórias e identidades, ressignificadas ao longo do tempo através de histórias, fatos vividos e experiências ao longo da vida. Para tanto, usaremos narrativas individuais recolhidas pelo Museu da Pessoa, que servirão como documentos para nossa análise sobre como as memórias ganham significado, como são registradas e traduzidas. Diante disso e do interesse que a memória pode ter para a psicologia, queremos questionar: Que evidências podem ser encontradas na literatura sobre a psicologia da memória a respeito da memória afetiva?

Em um primeiro momento fizemos o levantamento inicial da bibliografia existente para compor o texto referente ao tema, que trabalhamos. E selecionamos as mais específicas sobre o assunto às quais constam em nossa referência bibliográfica. Em relação ao site do Museu da Pessoa, obtivemos conhecimento em mídia deste projeto, analisamos a formatação deste, o que muito nos instigou, pois as narrativas tinham este aspecto quanto à ressignificação, pois dentre as lidas, verificamos as que mais nos chamaram atenção pela peculiaridade destas estarem relacionadas às lembranças e ressignificações, de questões do cotidiano, como trabalho, reencontros consigo mesmos, com aquilo que gostavam de fazer, pois nos traziam esta trajetória de ressignificações. Certamente não tínhamos como percorrer todos os depoimentos, pois são mais de 15.000 narrativas registrados no site. O que realizou-se foi a leitura de alguns conforme os títulos nos instigavam, considerando o perfil do qual estávamos pesquisando que era como cada depoimento nos auxiliava nesta questão da ressignificação.

Este levantamento nos levou a estas narrativas quanto às ressignificações contidas em cada depoimento para que pudéssemos observá-las no campo da pesquisa destas trajetórias de vida, buscando em cada uma destas, as emoções, sentimentos contidos de cada narrador. Assim, a seleção teve como critério a inclusão de depoimentos que nos chamaram atenção, pois iam ao encontro de nossas inquietações. Quando por exemplo observamos sobre o carteiro e sua vida profissional, nos deparamos com seu processo de ressignificação, pois diz que quando trabalha é como se ele estivesse brincando, ou seja, esta afinidade, este prazer expresso em seu depoimento nos conta do modo como ele reconstruiu alguns significados em sua vida. As evidências encontram-se nas relações afetivas que cada depoimento nos traz quanto às lembranças, pois como nos reporta Bosi (BOSI,1994 p.447), “as lembranças estão impregnadas destas memórias afetivas que são acionadas quando nos são relatadas em suas ressignificações”.

Qual a importância, então, do estudo do museu da memória afetiva para uma melhor compreensão da subjetividade humana? Para tal serão buscados estudos acerca do Museu da Pessoa, criado em 1999 na cidade de São Paulo com o intuito de armazenar a memória individual de cada pessoa, ou seja, a memória afetiva de cada indivíduo e trazê-la para o público, traçando um paralelo com as mídias sociais.

Assim, o presente trabalho, para além deste conceito sobre memória que em cada área do conhecimento possui seu significado, pretende abordar as memórias que se constituem como fontes investigativas para compreensão de um passado não estático, mas sim dinâmico e rico em possibilidades que se transformam nas mãos dos que dele se utilizam para novas perspectivas e histórias. E mais do que registrar estas memórias, o intuito é apresentá-las como conhecimento, como lembranças que se formam numa trama em que cada fio aqui, pode ressignificar a memória da história destes indivíduos.

É possível neste trabalho também, no momento de publicar as histórias, memórias destes indivíduos, trazer a reflexão sobre como estas informações estas vivências podem estabelecer este diálogo em relação às lembranças destes tempos, com este imediatismo que se instala nestas redes sociais. Como estas relações se dão neste contexto. Ao pensar estas possibilidades podemos nesta trama de memórias ir delineando as informações sobre comportamento, sentimentos, emoções.

E neste contexto o Museu da Pessoa traz através de seu projeto de registrar estas memórias esta fonte na qual podemos investigar e observar esta memória afetiva a partir destes relatos. Como cada memória se dá em seu contexto e refletir sobre a subjetividade humana. Assim, neste contexto o que se pretende é uma abordagem destas memórias que se reencontram e se reconstroem a partir de subjetividades distintas.

2. Na construção do eu

No caminho da construção do eu, está à memória e suas subjetividades, pois conforme relata-nos Thompson:

A história oral não é, necessariamente, um instrumento de mudança; isso depende do espírito em que seja utilizada. Pode ser utilizada para alterar o enfoque de a própria história revelar novos campos de investigação; pode derrubar barreiras que existam entre professores e alunos, entre gerações, entrem Instituições educacionais e o mundo exterior; e, na produção da história, pode devolver às pessoas que fizeram e vivenciaram a história um lugar fundamental, mediante suas próprias palavras (THOMPSON,1992, p.22).

Assim, nesta perspectiva, é que se desenvolve este tema sobre a subjetividade e memória, ou seja, pensar neste aspecto de construção destas memórias em que a subjetividade, o caminho percorrido por cada indivíduo é que direciona estes campos de investigação. Ao pensar no registro da sua história seja no Museu da Pessoa, ou no Facebook, o que ocorre é uma ruptura com o processo até então já estabelecido e uma nova abordagem que seja este lugar fundamental em que este eu se constrói.

Pretende-se, assim, ir apresentando os depoimentos encontrados no Museu da Pessoa, de modo a compreender a trajetória dos depoentes e discutir como seus caminhos vão sendo construídos e ressignificados e também como promovem esta ressignificação em quem lê, enquanto possibilidades de releitura. É nesta prerrogativa que o trabalho do Museu da Pessoa, ao registrar estes depoimentos, apresenta-se em termos de contribuição ao processo de armazenagem dessas memórias e histórias. O projeto do Museu de São Paulo compreende o registro da história da pessoa através de uma entrevista dirigida em estúdio, ou seja, com perguntas sobre sua vida, seu trabalho, sua família e assim é registrado e posteriormente publicado no site do museu que é www.museudapessoa.com.br e pode ser acessado pelo público visitante.

Assim, os registros são publicados e qualquer pessoa pode acessá-los pelo endereço eletrônico já mencionado. O que é interessante deste projeto é que o museu tem seu foco nas histórias comuns, nos sujeitos comuns, não só os personagens já divulgados, como fundadores, grandes empresários, mas sim registram a história de pessoas simples como os trabalhadores que fazem esta história do dia a dia, de trabalho, com suas experiências. Há os registros destas pessoas que transitam nas calçadas, que usam ônibus, metrôs, que em seu dia a dia constroem a história da cidade. Seja uma salgadeira, um trabalhador de correio, gente simples.

Um exemplo destes depoimentos pode-se ver no do senhor Célio Batista, nascido em 05/07/1942 que nos conta: “Tive uma infância normal. Naquela época, a gente não tinha muita coisa, mas era muito bom, a gente dava valor para tudo o que tinha”.(Depoimento publicado em 06/02/2014 no site Museu da Pessoa.)

Este depoimento nos menciona sobre dar valor ao que tinha este ressignificado para ele. Ao longo da vida ter esta percepção sabendo deste imediatismo que vivenciamos e esta troca de valores tão efêmeros, importa repensar no que este depoente nos relata. Quando se tem e dá valor ao que se tem seja muito ou pouco, como ele mesmo diz: “Não tinha muita coisa”. Interessante um conceito para ele de valor de saber que para eles o que tinha em casa, tinha sua importância, seu valor.

Fazendo um pequeno contraponto, o que importa hoje é ter o melhor celular, o melhor carro, perdem-se um pouco em valores morais e significativos quando o valor está nas coisas e não nas pessoas. Por isso o registro destas experiências é importante, pois mostra estes valores que vão sendo substituídos pelo imediatismo, pelo consumismo. Onde as pessoas também se perdem na troca de valores. Para ele importou registrar que davam valor ao que tinham, pois sabiam dos esforços para se ter, dos esforços de que ter o que realmente importava e não em acumular. Ele ainda reforça; era muito bom. Para este depoente este era muito bom, ou seja, o que relembra da sua infância mesmo diante das dificuldades é que era muito bom o que vivenciaram. Em seu relato esta expressão reforça em seu eu, este significado de que vivenciou bem a sua vida, nesta época do relato. Sendo ele de 1942, realizou o relato em 2013, com 71 anos. No decorrer destes anos analisou de forma positiva sua vivência.

Nestes relatos há informações que elucidam aspectos interessantes do cotidiano e sendo publicados tornam-se acessíveis a outras pessoas que também vivenciaram esta época ou que podem buscar nestes relatos situações em que desconheciam ou mesmo se informar sobre este tempo passado. Percebemos, nos relatos, que os depoentes adentram o eu para compor este cenário em que o sujeito tem sua história publicada por estar em condições de publicar suas experiências, ou seja, vivenciou, superou alguma situação que se lhe fosse ainda algo traumático ou doloroso, certamente não publicaria ou mesmo não estaria nesta disposição para ser entrevistado ou mesmo relembrar estas situações. E se ainda lhes causam algum constrangimento ou qualquer outra sensação, conseguem expor estas experiências de forma clara e objetiva, dando a outras pessoas esta possiblidade de também partilhar de suas vivências.

Aqui cabe uma abordagem sobre os museus, que são instituições que preservam, expõem e informam sobre sua fonte documental, ou seja, suas coleções sejam elas materiais ou neste caso do Museu da Pessoa os registros virtuais.

O museu é a sede cerimonial do patrimônio, o lugar em que é guardado e celebrado, onde se reproduz o regime semiótico com que os grupos hegemônicos o organizaram. Entrar em um museu não é simplesmente adentrar um edifício e olhar obras, mas também penetrar em um sistema ritualizado de ação social (CANCLINI, 2010).

Pois quando uns desses depoimentos são registrados, eles passam a compor o cenário destas memórias que registradas pareciam partes deste enredo em que lembranças, memórias passam a configurar também estas fontes nas quais se encontram informações pertinentes a história local, a história, por exemplo, de como eram as antigas profissões, como eram as relações afetivas, os comportamentos os valores. Como estas subjetividades ocorriam como cada indivíduo vivenciava as suas experiências, suas convicções e informações sobre o cotidiano. O que vai tecendo uma particularidade no universo de informações que se introduzem em cada uma destas histórias. Esta é uma compreensão a qual nos permite discutir o projeto do museu da pessoa. Como podemos verificar:

E o que é que o senhor fazia lá para se divertir, por exemplo?
R-A sobra do dinheiro da refeição, da, é que a gente ia ao cinema. Naquele tempo estava no auge o cinema, né?
P/1- Hum, hum. (Depoimento de Victor Nogueira, publicado em 18/02/2008 no site Museu da Pessoa.) [01]

Pensar aqui neste depoimento em que o depoente expõe esta situação em que o cinema na época estava no auge, ele não só delimita um tempo cronológico nesta lembrança, mas apresenta este hábito que era para ele algo interessante. E ao mencionar que era desta sobra da refeição que ia ao cinema, ele nos aponta também um aspecto desta finança cotidiana em que estava inserido. E da qual ele se lembra e fez certo recorte em suas lembranças salientando este hábito. Para Thompson (1998), que compreende a cultura como algo amplo que não só apresenta os aspectos do trabalho, mas de lazer de hábitos, de costumes, estas são sem dúvidas referências elucidativas desta época.

Esta reflexão nos instiga também no que diz respeito a buscar nestas memórias e relatos, a forma como cada um destes indivíduos vivenciavam este cotidiano, esta construção do eu. Eis aí nossa interlocução com a psicologia, na medida em que esta é também uma ciência que “investiga os processos e estados conscientes, assim como as suas origens e efeitos”. (www.significados.com.br/psicologia/‎) e cujas definições sempre apontam para a “dificuldade de abranger em um só conceito todos os fenômenos psíquicos”, (idem).

Conforme a inferência de Rohracher (www.significados.com.br/psicologia), o estudo que a psicologia faz, traz esta contribuição sobre a análise do estado consciente e os fenômenos psíquicos em um indivíduo. Nesta assertiva, ao investigar estas memórias nosso trabalho busca adentrar o cenário subjetivo, percebendo quais estes significados e ressignificados para cada indivíduo ao relatar seus depoimentos.

Cada relato consiste em um depoimento em que para o indivíduo houve uma emoção, um sentimento, um comportamento no qual ele pode ter esta experiência. E assim, fosse reconstruindo sua forma de ver o mundo e se relacionar com os outros e consigo mesmo.

Estas memórias nos fazem pensar neste tempo já passado e como as pessoas o vivenciavam, como este depoimento de um senhor com 36 anos de profissão nos correios: “Se a carta não for entregue ela volta “falando,” em referência à declaração pelo motivo da não entrega”. (Depoimento de Gilberto de Oliveira, publicado em 23/07/2013 no site Museu da Pessoa.)

Esta é uma lembrança bem interessante, pois quando Gilberto, o depoente, relata esta frase por achá-la importante e, segundo ele, engraçada, ela faz uma alusão a esta explicação da amiga dele, que ao atender o cliente lembrava que caso não recebessem a carta no local de destino, ela voltava ao remetente explicando este fato. Revela aqui não só o funcionamento dos correios, mas também as relações destes com o cliente, e como esta relação aconteciam. Ao mencionar “volta falando”, diz sobre a informação, a certeza de que a pessoa saberia caso a correspondência não chegasse ao destino. E também o uso da informação mesmo nesta relação, pois a carta neste tempo era uma das poucas formas de comunicação à distância que existia. E assim era muito importante e significativo que o destinatário a recebesse, sendo este um meio de comunicação mais usual nesta época.

Ainda neste depoimento podemos destacar:

Finalmente a descoberta do segredo: por que o tempo passou tão depressa? Começo fazendo uma confissão: em mais de 36 anos de correios, eu nunca trabalhei. Todos os dias vou para meu local de trabalho fazer aquilo que eu gosto. Quando trabalhamos com aquilo que gostamos, nosso trabalho não é trabalho torna-se uma brincadeira. Notem que quando estamos brincando o tempo passa e nem percebemos. E como é bom brincar...apenas dessa maneira conseguimos ir mais longe (OLIVEIRA, (idem)

Refletir neste aspecto em que o profissional aqui declara sua identificação com o trabalho realizado, sua comunicação com o que esta realizando através do seu trabalho. Permitir que este depoimento configurasse as outras possibilidades de deixar registros sobre estas vivências, permite não apenas que este indivíduo singular expresse esta relação com o trabalho, mas também nos faz dialogar com outra perspectiva de memória na reconstrução do eu. Assim, este registro vai ao encontro do que Chauí entende como política cultural, no que se refere ao tratamento que a sociedade dá a memória:

Uma política cultural que idolatre a memória enquanto memória ou que oculte as memórias sob uma única memória oficial está imediatamente comprometido com as formas presentes da dominação, herdadas de um passado ignorado. Fadada é repetição e impedida de inovação, tal política cultural é cúmplice do status-quo (CHAUI,1991).

Nesta assertiva da autora o que verificou-se é que estes registros nos fazem caminhar por memórias que não foram registradas em documentos oficiais. Mas ao ser registrado neste projeto do Museu da Pessoa nos elabora uma nova abordagem que nos faz repensar este significado de memória. E ao eleger esta lembrança conforme analisamos anteriormente do senhor Gilberto, ele recorta de suas vivências, tais como: o que mais lhe deu prazer, o que lhe faz ir trabalhar todos os dias, o que lhe faz contar e recontar estas lembranças do seu ofício. Isto lhe é pertinente, pois lhe traz esta perspectiva de que continuar trabalhando é algo prazeroso. E aqui lhe redimensiona o seu convívio com outras pessoas, porque reforça que nem percebeu que o tempo passou (grifo do autor).

Outro caráter inovador desta publicação é que ao serem publicadas torna-se material de pesquisa e de divulgação destas histórias, o que caracteriza a democratização deste projeto que viabiliza a outras pessoas estas vivências o conhecimento destas vivências.

O que também nos traz novos elementos a pensar nesta reconstrução, pois a subjetividade aqui está presente quando o entrevistado elege algo para ser contado, para ser registrado, ele tem esta dinâmica da seleção, da participação no que será publicado, no que constituirá em material de pesquisa para outras percepções, ou mesmo para novas possibilidades. Por exemplo, pensar que nesta época, por exemplo, do depoimento poderia não ter o uso ainda do Sedex, pois este teve seu início na década de 80 (www.correios.com.br/sobre Correios).

Esta reflexão nos possibilita uma verificação quanto aos conteúdos que cada depoimento nos revela. Interessante pensar nesta perspectiva. O que cada indivíduo nos traz de si mesmo, de sua vida de como superou cada situação narrada em seu depoimento. Qual a impressão deixou em cada momento do que vivenciou. Neste depoimento o trabalho do Sr. Gilberto lhe faz bem, ele relata com entusiasmo do fato de ter que se levantar todos os dias e ir trabalhar que neste relato também nos apresenta é que o sentido de trabalho para outros  pesaria como fardo, como algo que não lhes desse algum prazer. Pois, ele mesmo diz: “Todos os dias vou para meu local de trabalho fazer aquilo que eu gosto.” (OLIVEIRA, idem). Gostar de fazer o que se faz, seja trabalho ou qualquer outra atividade para este depoente, é um segredo de não ver o tempo passar, de não ficar entediado, de não se cansar, pois ele reforça que quando brincamos não vemos o tempo passar. Esta é uma ressignificação do trabalho para este depoente.

Neste sentido, a abordagem sobre ressignificação consiste em refletir sobre estas experiências como nos aborda este artigo de Silva: “Ressignificação consiste na capacidade do ser humano de, a partir da reflexão acerca de um acontecimento vivenciado, atribuir-lhe significados, ora distintos ora semelhantes à significação atribuída na época (SILVA, 2008).

Pensar neste aspecto nos faz avaliar o quanto estas memórias são interessantes e instigantes, pois nos remonta a passagens da história de cada um de forma a nos oferecer uma série de informações destas vivências, que nos são úteis para compor este cenário. Aqui o cenário sobre o trabalho deste depoente se descortina ao permitir que nós possamos adentrar nas suas experiências ressaltando o quanto gosta e vivencia seu trabalho não como uma atividade do onde ele apenas retira seu salário, mas sim de onde ele constrói também o seu perfil como trabalhador.

Este relato não se conclui como se ele não tivesse o que reivindicar neste local de sua atividade laborativa, mas sim que esta forma de ver o trabalho ao contrário lhe permite também este prazer de estar em uma atividade que ele gosta. Esse gostar tem sua dimensão de reconstrução, de como ele pensa esta atividade e dela retirar subsídios para sua composição subjetividade como também leva esta subjetividade ao trabalho, o que ocorre é uma troca, uma forma de atuar neste cenário como autor da sua história.

Em outro depoimento, podemos ver sobre ressignificação de uma forma mais nítida e instigante, de Dona Sônia:

E, as histórias? Elas ajudaram a descobrir em mim mesmo uma pessoa melhor, transformando-me em um ser humano menos rancoroso, vingativo e triste... Ser uma pessoa depressiva, não significa que você quer sê-la,... Pois o mundo contribui de maneira silenciosa para que isto aconteça com muitos de nós.(Depoimento de Sônia Jaqueline da Silva Oliveira publicado em 22/01/2014 no site Museu da Pessoa).

Neste depoimento, a entrevistada expõe uma forma que encontrou para ajudar os outros e ajudar a si mesma, contar histórias. Ela conta história e isso lhe dá prazer e alegria, pois pode se sentir construindo o seu próprio mundo e não se deixar ser mudada pelo mundo, como ela mesma conta. Isso lhe dá esta satisfação em contar histórias e se ver nestas histórias. Esta ressignificação lhe é interessante por esta possibilidade de reescrever suas histórias como ela mesma expõe no título deste depoimento: “Escreva sua história pelas próprias mãos”.  Este título é o título do depoimento em que ela fez o seu relato de vida. Assim ela pode reescrever sua história, nestas em que ela conta para as pessoas, e em um de seus relatos ela ainda afirma:

Tem gente que compõe músicas, existem os que adoram tocar instrumentos. Uns cantam, outros dançam... há quem os encene, outros fazem poesias e muitos oram. E eu, o que faço? Ah, eu conto histórias, para que as pessoas sintam-se amadas, queridas e quando partirem sigam em frente, diferentes de quando chegaram, (...).  (Idem).

Este relato traz para a depoente a reflexão sobre como ela encontrou para si mesma, um mecanismo em que pudesse expressar sua solidariedade, encontrar forças para vivenciar as dificuldades e ressignificá-las, além de compartilha-las, na intenção de que isso também possa trazer transformações em quem lê, possa fazer com que os outros “sigam em frente, diferentes de quando chegaram” (SILVA, idem).

Nesta reflexão sobre ressignificação o depoimento do senhor Marinho:

Olha, é o seguinte, por incrível que pareça, papai nunca deu chance pra nós brincarmos. Não. De jeito nenhum. Nós fomos trabalhando. Eu admiro hoje, eu admiro hoje mãe... Pai até que não, mas mãe dizer: “Não, meu filho tem 16 anos, ele não pode trabalhar, não, ele é menor.”Eu comecei a trabalhar com seis anos, sete anos de idade. Eu ia pra roça com meu pai arrancar mandioca, limpar mandioca a terra, botar dentro da caçula pra papai botar no cavalo. Desde meninozinho que eu trabalho. É, esse negócio de trabalhar, é proibido trabalhar assim, menor é com carteira assinada, eu concordo, mas trabalharautônomo, de maneira nenhuma. Outra também, a lei de hoje, pra você ver como é a lei de hoje, não é tanto como o povo fala, não. Ah, porque não pode bater. Pode. Pode corrigir o filho. Não pode bater pra deixar hematoma, aí tá certo, aí vai pra cadeia mesmo. (Depoimento de Jaime Ramos Marinho, publicado em 26/11/2013 no site Museu da Pessoa.)

Neste relato, pensar a reflexão que este depoente faz nos conduz a uma possibilidade interessante quanto a perceber que para ele o significado de trabalho é de atividade, é de estar em movimento, e de ter algo com o que se ocupar e produzir. Apesar disso, ele entende que o menor deveria ser poupado do trabalho, como queria sua mãe. Ate consegue concordar que o trabalho do menor é possível se for com “carteira assinada”. Interessante perceber que do trabalho o depoimento salta para a questão da correção disciplinar da criança através da “palmada”, o que nos leva a pensar que o trabalho, para ele, também tem uma conotação moral disciplinadora. E quanto ao fato de que algumas leis mencionam sobre não bater no filho, ele traz a discussão de que o significado de “bater” não é o mesmo que espancar, mas corrigir, apontar para o caminho que não esvazie a autoridade dos pais e nem tão pouco o das autoridades que mantem a organização social e assim o direito ao trabalho, ao lazer, ao viver com qualidade de vida.

Realizar uma reflexão sobre estas ressignificações nos instiga a pensar cada um desses depoentes como seres amplamente resolutos no que se refere a registrar estas lembranças, sabendo que de forma espontânea a fizeram para que estas ressignificações fossem registradas para outras gerações.

3. Lembranças: ressignificações nas narrativas

Ao adentrar estes caminhos sobre as lembranças e suas narrativas, o que o depoente escolhe para guardar ou não, e como registrar estas lembranças é importante para que ele organize estas narrativas e delas possa abstrair suas próprias interações, subjetividades. Reordenar suas lembranças sabendo que estas de alguma forma lhe informam sobre suas emoções e afinidades com momentos já vivenciados e lembrando, ou na concepção de Halbwachs (1990), reconstruídas. Para este autor o conceito de memória é uma relação com o que outras pessoas nos trazem de si e de seus gostos e opiniões, ou seja, quando viajamos, e vemos algo que nos lembra de alguém, logo nos remetemos a algum fato em que esta pessoa estava conosco. Assim, esta lembrança acionada pela memória, nos faz lembrar determinado grupo a que pertencemos por isso o conceito de memória coletiva. Esta impregnada em objetos, e traduzidos nas lembranças que acionadas vão sendo reconstruídas a partir de cada momento vivenciado; trilhar este caminho é o que dá este novo significado a cada uma delas.

A importância deste trabalho está em adentrar estes caminhos de ressignificação para cada um destes depoentes pensando no que todas as lembranças destas e vivências nos trouxeram no sentido de reconstrução da própria história de vida. São estas ressignificações que representam para cada um destes depoentes a superação de determinada situação, bem como a forma como ele lida com seu cotidiano.

Assim, para Thompson (1992), a história oral é esta matéria prima em que o depoente se reconstrói e faz dela algo novo em um lugar como ele mesmo diz: fundamental. E estas são as possibilidades de pesquisar e conhecer estas histórias tanto para nós pesquisadores, como para o depoente. Nesta perspectiva narrar ou fortalecer este trabalho de registrar estas lembranças certamente nos faz refletir sobre o que Marilena Chauí (1991), menciona em ampliar as narrativas para estes sujeitos históricos os quais por aspectos políticos ou sociais não são registrados. Ao publicá-los em meios atuais sejam jornais, Facebook, Instagram, ocorre uma amplitude em relação aos registros existentes de pessoas comuns que não mencionadas em registros oficiais. Esta é uma perspectiva do trabalho realizado com história oral. O que reforça a narrativa técnica e conceitual do Museu da Pessoa como de trabalhos que realizam esta pesquisa ou discussões sobre estes depoimentos.

Interessante observar que estas lembranças nos remetem a outras lembranças, pois vivemos em sociedade, o que nos permite uma abrangência maior em relação ao cotidiano destas pessoas bem como suas perspectivas e vivências:

Mas nossas lembranças permanecem coletivas e elas são lembradas pelos outros, mesmo que se trate de acontecimentos nos quais só nós estivemos envolvidos, e com objetos que só nós vimos. É porque em realidade, nunca estamos sós. (HALBWACH,1990).

Assim é que configuramos este trabalho enquanto memória, nesta perspectiva de memória coletiva. Ao investigar estes relatos, mencioná-los é interessante para que possamos ver estas lembranças configuradas em pistas sobre um relato que possa ser utilizado para outros sujeitos históricos que participam desta vivência ou mesmo possam ter desta uma ressignificação para as suas vivências.

No caminho destes relatos podemos observar como a trama se constitui a partir de novas perspectivas nesta observação. Observação em que os sujeitos de uma forma ou outra constroem as suas histórias, como observa Bosi, ao falar da construção de lembranças pelos idosos: “A memória dos velhos desdobra e alarga de tal maneira os horizontes da cultura que faz crescer junto com ela o pesquisador e a sociedade onde se insere” (BOSI, 2003).

Esta observação nos permite perceber estes avanços para com a sociedade, pois sendo registrados é possível ampliar a mais pessoas estes relatos nos quais há caraterísticas de uma época anterior assim como subsídios para novos caminhos neste presente, bem como para o futuro. Esta é uma das contribuições importantes deste trabalho para com o social no qual estamos também inseridos, sejamos pesquisadores ou depoentes.

No entendimento que se faz, referente aos depoimentos, podemos ver que ao relatar para o pesquisador o seu registro, as suas memórias, o depoente está refazendo de alguma forma o que se tem sobre determinado assunto, ou fato. Pois, como nos diz o texto acima, este alargamento cultural nos oferece pistas significativas para uma compreensão maior dos aspectos por eles elucidados. Estes como uma narrativa não só pessoal, mas que ganha este aspecto social, pois traduz para uma nova geração as perspectivas de um novo investimento no campo de pesquisas que nos mostra a história oral. Uma história oral que possibilita pensar outros campos de investigação dentro de cada abordagem apresentada pelo próprio depoente.

Estes relatos que trazem uma ressignificação, certamente nos propõem uma reflexão ao trabalho de pesquisa sobre estes relatos. Percorrer cada depoimento é antes de tudo percorrer uma história que em si elabora uma perspectiva de novos caminhos para esta narrativa. Divulgá-los neste trabalho é valorizar esta perspectiva sabendo que cada um desses depoentes configura-se uma base sólida para que outros possam também para suas histórias refletir estas ressignificações.

Ao que podemos inferir:

O intenso fluxo de informações do mundo globalizado nos da à ilusão de que conhecemos a riqueza de nossa sociedade. Mas qual a real diferença entre nosso mundo de hoje e aquele em que culturas inteiras viam o fim do mundo após o horizonte e demoravam a entender que uma pessoa de outra cultura era também um ser humano? Hoje as culturas se tocam, os indivíduos convivem, mas ainda não conseguimos construir histórias e visões que considerem essa diversidade (PEREIRA, 2005).

Neste sentido há uma intensa informação que nos chama atenção para estas vivências que nos remetem a uma ampla percepção desta riqueza construída a partir destas memórias. São estas memórias repletas de informações que nos permite a compreensão de memória aqui em Cury: “O registro da memória é automático, não depende da vontade humana. Todos os pensamentos e emoções são automática e involuntariamente registrados pelo fenômeno RAM (registro automático da memória)”. (CURY, 2012, p.29).

Para Cury, o registro independe de nossa vontade, pois se arquiva em um lugar do nosso subconsciente, no entanto a interpretação destas memórias é que nos faz a diferença, como observamos em um depoimento de pesquisadores de campo: “A fala emotiva e fragmentada é portadora de significações que nos aproximam da verdade. Aprendemos a amar esse discurso tateante, suas pausas, suas franjas com fios perdidos quase irreparáveis” (BOSI, 2003, p.65).

Assim lidar com estes depoimentos é um trabalho de tecelagem, ou seja, de tecer fios de uma história e perceber as suas ressignificações a cada narrativa:

Eu tenho uma sobrinha aí, a Célia, não sabe se vocês conhecem, ela tem dinheiro, ela teve outro dia na padaria à cata de informação. Informação da família, que eles estão escrevendo um livro da família. (Depoimento de Antônio Custódio de Lima de 13/07/2005, publicado no Site do Museu da Pessoa.)

 Quando se observa este empenho em escrever um livro da família é uma característica deste registro, que expressa esta importância para a família, ou seja, para a interpretação da própria história familiar. Pois reúne as informações para relatar em um livro, o que representa este desejo de expressar publicar estas narrativas. E assim a cada interpretação surgem estas ressignificações, pois ao reconstruir esta história cada um expõe sua interpretação. Sendo a expressão desta interpretação como inferirmos anteriormente, cada publicação.

Pensamos um pouco sobre o que nos diz Bosi:

A memória dos velhos pode ser trabalhada como um mediador entre a nossa geração e as testemunhas do passado. Ela é o intermediário informal da cultura, visto que existem mediadores formalizados constituídos pelas instituições (a escola, a igreja, o partido político etc.) e que existe a transmissão de valores, de conteúdos, de atitudes, enfim, os constituintes da cultura (BOSI, 2003p. 15).

A maior riqueza destas narrativas são as impressões que ficam em cada depoimento peculiar de cada depoente. A forma como cada um deixa suas percepções sobre o tempo vivenciado e como expressam a satisfação de deixar estas memórias registradas fala da importância que tem para eles e como tem importância para novas gerações, pois cada informação traz em si aspectos culturais, aspectos do cotidiano aspecto de uma vida vivida da qual é possíveis extrair tanta informação e não apenas para o fazer  diário, mas para a vida.

4. Considerações Finais

Ao realizar estas reflexões, o que podemos discutir é que para cada depoente, quando ele se dispõe a contar a sua história, é possível realizar para si mesmo um exercício de enfrentamento e de realização quando relembra. Ele se dispõe não apenas a contar, mas a percorrer a sua história individual de forma a deixar para si e para o outro a sua história, aquilo que ao selecionar para contar de suas lembranças lhe foi mais precioso e interessante.

Mesmo diante de dificuldades ou desafios estes depoentes fizeram este exercício de registrar e deixar um pouco de si em cada um desses relatos, deixando, como podemos perceber a sua forma de ver, de olhar os acontecimentos já com suas ressignificações, com suas formas peculiares de vivenciar cada momento de suas vidas.

Lembrar para eles é como fazer em si o exercício de olhar para dentro e conseguir, no contar de suas histórias, as próprias percepções e as próprias ressignificações. É neste trajeto de registrar estas narrativas que reencontramos nestas subjetividades os ressignificações de cada momento vivido. Mais que um registro, para eles é o momento de serem ouvidos e de compartilharem os seus saberes e de que forma foram vividos cada instante destas lembranças e acontecimentos.

O principal deste trabalho é observar que nestas narrativas cada depoente deixa sua percepção e suas convicções quanto a cada situação vivida, vencendo os desafios e adentrando mais uma vez nas suas memórias, nas suas lembranças de forma a deixar para os outros também um ensino, um conhecimento. Neste sentido é que o registro se fortalece como valorização destas vivências, pois ao permitirem a publicação de cada depoimento, permitem que suas histórias sejam conhecidas.

Entendemos que o propósito do Museu da Pessoa representa um caminho, uma ferramenta para ampliar estes registros sabendo que a memória é um campo a ser investigado, pois não há uma política incisiva em registrar estes depoimentos das minorias, que fazem a história. Há uma política que perpetua a memórias dos grandes personagens, ou seja, da memória oficial. E sabemos que as memórias aqui registradas trazem muito da história do povo brasileiro, da Nação, pois em cada registro as ressignificações nos demonstram como viviam estas pessoas, e também nos demonstram pouco do cenário local em cada depoimento. E esta ferramenta nos possibilita trabalhar tanto a igualdade quanto a diversidade das histórias que possuem suas ressignificações contadas pelos próprios autores.

Esta memória deve ser redimensionada no campo de estudos da psicologia, pois são repletas de mecanismos que corroboram a sua importância enquanto lugares de ressignificações até mesmo para o estudo de cada indivíduo e suas questões dentro da psicologia. E certamente sabem que não só para cada um deles, os depoentes, mas para quem acessá-las, a certeza de que partilhar é também ressignificar.

Sobre o Autor:

Laura Regina Menchio Pinheiro - graduada em Psicologia pela Faculdade Pitágoras em Uberlândia, Pós graduada em Terapia Familiar, formação em Direito e Pós graduação em Gestão Empresarial.

Referências:

BOSI, Eclea. Memória e sociedade-Lembranças de velhos. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

CURY, Augusto. Revolucione sua qualidade de vida: 1958. Rio de Janeiro: Sextante, 2012.

DAVIS, C. e OLIVEIRA, Z. Psicologia na Educação. São Paulo: Cortez, 1993.

CORREIOS. A invenção do Sedex. Disponível em htt//: www.correios.com.br/sobreCorreios. Acessado em: 02/06/2014.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990.

PEREIRA Jesus Vasquez. História falada: memória, rede e mudança social: São Paulo: Museu da Pessoa, SESC SP, 2005. P.9

PESSOTI, I. Notas para uma história da Psicologia brasileira. In: CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Quem é o psicólogo brasileiro? São Paulo: Edicon, 1988. p.17-31.

PIMENTEL, A. Um Estudo de caso na relação entre psicologia e educação: o Programa Alfa. São Paulo, 1997. Dissert. (mestr.) Psicologia da Educação, PUC.

ROHRACHER, Hubert. Introduiccion a La Psicologia. BuenosAires: Cientifico Médica,1967.

THOMPSON, E. P. As peculiaridades Sobre os usos desta noção em estudos históricos sobre o século XVIII inglês, São Paulo, Cia das Letras, 1998.

VYGOTSKY, l.s. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1984.

Tecnologia social da Memória, para comunidades, movimentos sociais e instituições registrarem suas histórias. Fundação Banco do Brasil, 2009.                                                                                                 

Revista, brasileira de orientação profissional, versão impressa ISSN 1679-3390, vol.9, nº 1, São Paulo, Junho, 2008.p.1

Depoimentos:

MUSEU DA PESSOA. Disponível em: http://www.museudapessoa.net/pt/buscar/termo/Jaime+Ramos+Marinho/conteudo/todos. Depoimento de Jaime Ramos Marinho, de 26/11/2013. Acessado em: 28/05/2014.  

MUSEU DA PESSOA. Disponível em: http://www.museudapessoa.net/pt/buscar/termo/Ant%C3%B4nio+Cust%C3%B3dio+de+Lima+/conteudo/todos. Depoimento de Antônio Custódio de Lima de 13/07/2005. Acessado em: 28/05/2014.

MUSEU DA PESSOA. Disponível em: http://www.museudapessoa.net/pt/buscar/termo/Victor+Nogueira/conteudo/todos. Depoimento de  Victor Nogueira de 18/02/2008. Acessado em: 28/05/2014.

MUSEU DA PESSOA. Disponível em: http://www.museudapessoa.net/pt/buscar/termo/Gilberto+de+Oliveira+/conteudo/todos. Depoimento de Gilberto de Oliveira de 23/07/2013. Acessado em: 28/05/2014.

MUSEU DA PESSOA. Disponível em: http://www.museudapessoa.net/pt/buscar/termo/S%C3%B4nia+Jaqueline+da+Silva+Oliveira+/conteudo/todos Depoimento de Sônia Jaqueline da Silva Oliveira de 22/01/2014. Acessado em: 28/05/2014.

MUSEU DA PESSOA. Disponível em: http://www.museudapessoa.net/pt/buscar/termo/C%C3%A9lio+Batista/conteudo/todos Depoimento de Célio Batista, de 06/02/2014. Acessado em: 28/05/2014.