Resumo: Vivemos cercados de problemas sociais, dentre os quais a desigualdade social faz parte. Este é um problema que gera vários outros para o indivíduo, como humilhação, sentimento de inferioridade e de desrespeito para com sua maneira de viver. A Psicologia Social estuda este fenômeno, analisando seus aspectos. Um dos desafios no combate à desigualdade está na transformação social do indivíduo que sofre, que está associada à maneira pela qual ele se relaciona consigo mesmo e com o mundo a que pertence.

Palavras-chave: Desigualdade; Humilhação; Sofrimento.

1 Introdução

A desigualdade social é considerada um fenômeno social, assim como a violência, o preconceito, as relações comunitárias. Fenômenos sociais são quaisquer fenômenos que ocorram em nossa sociedade e são analisados a partir da existência coletiva. São objeto de estudo da Psicologia Social, que examina sua dimensão objetiva (BOCK, 2008).

O conceito de desigualdade social compreende diversos tipos de desigualdades, desde desigualdade de oportunidade, resultado, até desigualdade de escolaridade, de renda, de gênero, etc. (CAMARGO, 2011). A desigualdade econômica é a mais conhecida - e chamada muitas vezes erroneamente de desigualdade social - caracterizada pela distribuição desigual de renda.

A Psicologia Social, no estudo da desigualdade social, deve esclarecer os aspectos psicológicos que acompanham, permitem e constituem essa desigualdade.

2 O Sofrimento

Em consequência da desigualdade social, os fatores que irão incidir sobre o indivíduo são o sofrimento, o medo e a humilhação. “O sofrimento retira potência das pessoas” (SAWAIA apud BOCK, 2008). A desigualdade é uma ameaça constante e permanente à existência, e esta ameaça produz sofrimento.

Sawaia (apud Bock, 2008), com base em autores como Espinosa e Vigotski, conceitua sofrimento ético-político como aquele que abrange o sofrimento físico e da alma de diferentes formas. É a dor que surge da situação social de ser tratado como inferior, inútil, sem valor. Que revela a negação da possibilidade da maioria de apropriar-se da produção material, cultural e social de sua época. O sofrimento ético-político é considerado importante para analisar a dialética exclusão/inclusão social.

A humilhação social trata-se de um fenômeno político e psicológico (GONÇALVES FILHO, 1998). O sujeito humilhado é impedido na sua humanidade, que ele reconhece em si mesmo, no seu corpo, gestos, imaginação, voz e no seu mundo, seja de trabalho ou no bairro em que vive. É também um fenômeno histórico, pois a humilhação foi sofrida durante muito tempo pelos pobres.

Tanto o sofrimento ético-político quanto a humilhação social são conceitos analíticos de situações sociais de desigualdade.

3 Desafios

A Psicologia Social deve colaborar no avanço do conhecimento, introduzindo a afetividade como aspecto das análises da dimensão subjetiva da desigualdade social. Entre suas práticas, inclui a análise e a intervenção em instituições e grupos sociais. É inevitável ao decorrer da vida participar de algum tipo de grupo, seja necessário para a sobrevivência ou por vontade própria, em função de um objetivo imediato (LANE, 1988).

A Psicologia Social Comunitária vem se configurando como uma possibilidade de atuação dos psicólogos (BOCK, 2008). No Brasil ela foi amplamente difundida por Silvia Lane, que contribuiu aplicando conceitos e perspectivas no exercício da profissão.

Intervindo na questão da desigualdade social, estaremos promovendo a saúde do indivíduo de alguma forma, pois promover a saúde é condenar toda forma de conduta que violente o corpo, o sentimento e a razão humana, gerando servidão e heteronomia (LANE, SAWAIA, 1995).

Alterar essa situação é um trabalho em conjunto, da sociedade, do indivíduo que sofre e da Psicologia Social. Afinal, há uma enorme vontade de ser feliz e de recomeçar mesmo quando as esperanças pareçam ter acabado.

4. Conclusão

A desigualdade é um fenômeno, sendo assim, passível de acontecer. Ao experimentarmos pensar diferente, agir com alegria, força de vontade e tendo apoio podemos potencializar nossas forças novamente. O desejo de resistir mantém acesa essa vontade de mudar.

É a afetividade o recurso a ser utilizado pela Psicologia Social para intervir nessas ações, reunindo esforços para promover o bem-estar das pessoas. Devemos agir coletivamente, como se fôssemos um único corpo e uma única mente, um sujeito coletivo buscando essa renovação de capacidades, considerando assim o desejo de cada um e de todos.

Referências

BOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. L. T. Psicologias: uma introdução ao estudo de Psicologia. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2008.

CAMARGO, O. Desigualdade social. Disponível em: <http://www.brasilescola.com>. Acesso em 08 maio 2011.

GONÇALVES FILHO, J. M. Humilhação Social – um problema político em Psicologia. Revista Psicologia USP. São Paulo, vol 9, n. 2, 1998.

LANE, S. T. M. O que é Psicologia Social. São Paulo: Brasiliense, 1981.

LANE, S. T. M.; SAWAIA, B. B. Novas veredas da psicologia social. São Paulo: Brasiliense, 1995.