Resumo: O estresse, considerado como uma resposta de adaptação do organismo é algo que vem se alastrando demasiadamente em diversas áreas da vida humana desencadeado por um conjunto de diversas transformações. No âmbito do trabalho, o estresse está em constante evidência, relacionado pelo elevado índice de pessoas que estão adoecendo e pelo despertar de muitas empresas que passam a perceber outros fatores ligados ao estresse, com impactos diretos nos custos. O objetivo deste artigo é realizar uma revisão bibliográfica, que se desenvolve a partir de material já elaborado, a respeito do estresse, sobretudo, na relação homem-trabalho, apontando as principais fontes potenciais do estresse e, por outro lado, que tipos de estratégias de enfrentamento podem ser utilizadas para reduzi-lo. Nesse sentido, por meio das pesquisas teóricas realizadas, notou-se que a sobrecarga de trabalho e problemas de relacionamento interpessoal são principais fontes estressoras relacionadas ao ambiente de trabalho, resultando até mesmo em consequências para a saúde e para a qualidade de vida. Com relação às estratégias de enfrentamento ao estresse, duas abordagens se mostram eficazes, segundo os estudos analisados, a abordagem individual e a abordagem organizacional. Porém, é conveniente enfatizar que o estresse nem sempre é algo negativo, pelo contrário, também é considerado como positivo, por isso, deve-se continuar essa discussão para permitir maior compreensão desse fator impactante tanto no ambiente organizacional, como na individualidade do ser humano.

Palavras-chave: estresse no trabalho, fontes potenciais, estratégias de enfrentamento.

Abstract: Stress, considered as a body of adaptation response is something that has been too sprawling in different areas of human life triggered by a set of several transformations. Within the work, stress is in constant evidence related by the high rate of people who are sick and for the awakening of many companies that start to perceive other factors linked to stress, with direct impacts on costs. The purpose of this article is to conduct a literature review, which develops from already prepared material, about the stress, especially in man-labor relationship, pointing out the main potential sources of stress and on the other hand, what kinds of strategies coping can be used to reduce it. In this regard, through theoretical research carried out, it was noted that the work overload and interpersonal relationship problems are the main sources of stress related to work environment, even resulting in consequences for the health and quality of life. Regarding coping strategies to stress, both approaches are effective, according to the studies reviewed, the individual approach and the organizational approach. However, it should be emphasized that stress is not always a bad thing, however, is also considered as positive, so we should continue this discussion to allow greater understanding of this impactful factor both in the organizational environment, as the individuality of the human being

Key-words: stress at work, potential sources, coping strategies.

1. Introdução

O trabalho tornou-se parte fundamental da vida dos seres humanos, atividade à qual o homem dedica a maior parte de sua vida, e que tem proporcionado a construção de vários cenários, em um processo de transformação constante, que também traz reflexos de sofrimento e de doenças ao longo de sua história.

Na época da administração científica o ser humano era considerado como uma extensão da máquina em que operava. Esse pressuposto foi alterado através de vários estudos. Hoje, sabe-se, que o ser humano é percebido como algo complexo, biopsicossocial, com necessidades emocionais e sociais. Assim, com o passar do tempo foi direcionando-se um olhar mais atendo às necessidades e motivações humanas. A despeito, juntamente com essas mudanças também ocorreram as mudanças tecnológicas no trabalho, como a substituição da mão-de-obra pela tecnologia, a necessidade de buscar mais conhecimento, o descarte de muitas profissões, a criação de tantas outras, a constante necessidade de atualização, o acelerado ritmo de produção, multifuncionalidade no trabalho, dentre outras várias abruptas mudanças nos contextos organizacionais. Isso tudo contribuiu para o que o ser humano sentisse-se pressionado e sobrecarregado, gerando sentimentos de insegurança e inutilidade, desgaste físico, mental e psicológico. Como resposta a essa conjuntura que afeta a saúde e o bem estar físico, emocional e social, normalmente atribui-se como estresse.

Com relação às palavras “stress” ou “estresse”, importante esclarecer que a primeira opção é de origem latina, mas passou a ser utilizada em inglês, sendo esta nomenclatura a mais utilizada por especialistas. A segunda, já existe nos dicionários da Língua Portuguesa, sendo esse termo escolhido para ser empregado neste trabalho, focalizando-se o estresse advindo do trabalho ou estresse ocupacional. “O termo estresse popularizou-se a partir de seu uso na medicina, de tal forma que ninguém desconhece ou deixa de usá-lo em algum momento e com os mais variados significados” (CODO; SORRATO; MENEZES, 2004, p. 280).

Embora o estresse também seja uma resposta positiva, sabe-se que na maioria das vezes é tratado como uma resposta negativa, que causa desconforto físico e emocional e é nessa perspectiva que se pretende abordar e discutir esse tema, ou seja, como algo que gera desconforto, com uma abordagem direcionada para o contexto organizacional. O estresse no campo do trabalho é um aspecto a ser considerado e devidamente analisado, já que o trabalho, ao mesmo tempo que é algo necessário e uma conquista, para muitos traz desgastes emocionais, que na maioria das vezes desencadeia a necessidade constante de equilibrar responsabilidades do trabalho com as da família.

Com esse estudo, pretende-se trazer referências que atendam a essa demanda, qual seja, de conhecer teoricamente o estresse no trabalho e estratégias de redução, como uma necessidade de aprofundar os conhecimentos sobre o impacto dessa relação. O estresse no trabalho está ultimamente em constante evidência, especialmente devido ao elevado índice de pessoas que estão adoecendo e pelo despertar de muitas empresas os fatores ligados ao estresse, com impactos diretos em seus custos.

Sabe-se que o estresse tem sido responsável por muitos sintomas e emoções e é referenciado para várias situações de desajustes, levando ao entendimento de que se há desequilíbrio, há estresse. O termo estresse está sendo amplamente utilizado, tanto para situações mais simples quanto para aquelas mais complexas. No mundo do trabalho, tal como já foi mencionado, está muito presente nos discursos de trabalhadores para referenciar seu estado físico e emocional, enfatizado aspectos como a sobrecarga e demanda excessiva de tarefas, entre outras questões. Mas como reconhecer os estressores, aprender a enfrentar e saber quais estratégias podem ser alcançadas como forma de redução? Assim, este estudo teórico torna-se relevante, já será uma oportunidade, tanto para o trabalhador como para a empresa, de compreender um pouco mais sobre o estresse ocupacional ou também chamado organizacional, identificando suas fontes potenciais e saber quais estratégias podem ser praticadas e, com isso, contribuir com a redução do estresse e a possibilidade de outras implicações físicas e emocionais pela busca do equilíbrio.

2. Desenvolvimento

“A etimologia da palavra stress vem do latim stringere, significando apertar, cerrar, comprimir, reduzir” (HOUAISS; VILLAR; FRANCO apud LIMA, 2004, p.3).

As primeiras referências à palavra stress, com significado de "aflição" e "adversidade", são do século XIV. No século XVII, o vocábulo de origem latina passou a ser utilizado em inglês para designar opressão e desconforto. (LIPP, 2000)

Foi somente em 1926 que o pai da “estressologia”, Dr. Hans Selye, a usou para descrever um estado de tensão patogênico do organismo (LIPP, 2000, p. 12).

2.1 Conceitos de Estresse

“O estresse é amplamente compreendido como uma necessidade de adaptação ou ajustamento de um organismo frente às pressões que o ambiente impõe” (ZANELLI, 2010, p. 47).

Para Robbins, Judge e Sobral (2010, p. 581) “O estresse é uma condição dinâmica na qual um indivíduo é confrontado com uma oportunidade, exigência ou recurso com relação a alguma coisa que ele deseja e cujo resultado é percebido, simultaneamente, como importante e incerto”. “O stress é definido como uma reação física e emocional às demandas adversas impostas a um organismo por condições difíceis chamadas estressores, que podem incluir ruídos, relações familiares ruins, excesso ou insatisfação no trabalho” (GUIMARÃES, 2009, p. 56).

Chama-se estresse um estado de tensão que causa ruptura no equilíbrio interno do organismo. E quando ocorre o desequilíbrio, os especialistas chamam de homeostase, considerado como uma fase inicial do estresse. Para buscar o equilíbrio novamente e restabelecer a homeostase interior é necessário um esforço especial, considerado uma resposta adaptativa do ser humano (LIPP, 2000).

O estresse, ainda pode ser compreendido como uma “síndrome específica, constituída por todas as alterações não-específicas, produzidas num sistema biológico” (SELYE apud CODO; SORRATO; MENEZES, 2004, p. 281). Para estes mesmos autores, é justamente esse caráter inespecífico presente na definição de estresse que explica a grande difusão do conceito. Por isso, “Hans Selye definiu o estresse como a resposta inespecífica do corpo a qualquer coisa que lhe seja solicitada. Isso significa que os estressores podem ser as coisas boas e ruins, ambas eliciam as mesmas reações fisiológicas” (GREENBERG, 2002, p. 5).

Quem descreveu pela primeira vez a reação do corpo ao estresse foi o pesquisador Walter Cannon, como resposta de fuga ou luta, quando o corpo prepara- se ao ser confrontado. Em sequência a esse estudo, o endocrinologista, Hans Selye realizou pesquisas com ratos e concluiu que não importava a origem do estresse, o corpo reagia da mesma forma. Assim, resumiu a reação ao estresse como um processo de três fases, chamado de Síndrome de Adaptação Geral. As três fases são: i) reação de alarme, ii) fase da resistência e iii) fase da exaustão (GREENBERG, 2002). As duas primeiras fases seriam comuns a todo ser humano ao longo da sua vida. Assim, ninguém pode viver sem nenhum grau de estresse pela demanda constante e necessária aos ajustes às atividades e necessidades do dia a dia (CODO; SORRATO; MENEZES, 2004).

É possível fazer uma analogia da Síndrome de Adaptação Geral com os ciclos da vida, onde a fase de alerta pode ser comparada com a infância, porque existem poucas resistências e reações excessivas ao ambiente. Na fase da resistência, pode- se comparar com a vida adulta, com maior capacidade de resistência às adversidades da vida. E por último, a velhice seria representada pela fase da exaustão, fase esta acrescentada pelos estudos de Lipp, caracterizando-se como período em que ocorre degradação das capacidades físicas e mentais do indivíduo (MELEIRO apud LIMA, 2004; LIPP, 2000).

Embora Selye tenha identificado três fases do estresse, Lipp (2000) no decorrer da padronização do Inventário de Sintomas de Stress para Adultos propôs uma quarta fase, “fase da exaustão” (LIPP; MALAGRIS, 2015, web). Então, nesse modelo, o desenvolvimento do estresse passaria a ter 4 fases distintas: alerta, resistência, quase-exaustão e exaustão. De acordo com Lima (2004, p.7), “A fase de quase- exaustão caracteriza-se por um enfraquecimento do indivíduo, que não está conseguindo adaptar-se e resistir ao estressor”. Nessa fase, segundo Lipp e Malagris (2015, web), “[...] a pessoa ainda consegue trabalhar e atuar na sociedade até certo ponto, ao contrário do que ocorre em exaustão, quando a pessoa para de funcionar adequadamente [...]”.

Com base nas referências, é possível entender que o estresse gera uma desordem  interior,  com  manifestação  automática  de  respostas  adaptativa de enfrentamento, que gera um desgaste de energia física e mental. Porém, segundo Lima (2004), o conceito de estresse foi propagado de forma errônea pelos meios de comunicação, mostrando-o como uma doença que afeta o homem moderno. Na realidade, não é algo novo e nem criado, sempre existiu desde a época das cavernas, onde o homem primitivo desenvolvia mecanismos quando precisava enfrentar ou fugir de grandes animais ou de situações percebidas como ameaçadoras.

Para esse estudo, o estresse será considerado não como algo atual, mas sim que está com mais frequência sendo mencionado pelos profissionais, independente de sua atuação, que para alguns causa efeitos negativos e para outros funciona como propulsor de grandes conquistas.

Nessa conjuntura, em geral o estresse é discutido num contexto negativo, mas não é necessariamente ruim, também tem seu lado positivo. Para Robbins, Judge e Sobral (2010, p. 581) “[...] “muitos profissionais veem as pressões do excesso de carga de trabalho e do cumprimento de prazos como desafio positivo que melhora a qualidade de seu trabalho e aumenta sua satisfação profissional”.

Para Lipp e Malagris apud Lima (2004, p.4) “O vocábulo stress é polivalente, o que gera certa dificuldade conceitual entre os pesquisadores e muitas distorções ao público leigo. É ao mesmo tempo usado como estímulo, causa, efeito e reação”. Apesar das divergências, as conceituações parecem convergir para o mesmo sentido, qual seja, o sentido de ajuste, sendo o estresse apontado como resultado de um estado de desequilíbrio.

2.2 Estresse no Trabalho

O estresse, compreendido como uma reação, “[...] passa a ser um possível indicador de consequências do trabalho sobre os trabalhadores, que podem estar sofrendo em decorrência das condições e características de sua atividade [...]” (CODO; SORRATO; MENEZES, 2004, p. 282).

Como definição do estresse ocupacional, Jones e Kinman apud Sadir e Lipp (2009, p. 115) referenciam:

O estresse ocupacional pode ser definido com ênfase nos fatores do trabalho que excedem a capacidade de enfrentamento do indivíduo (estressores organizacionais) ou nas respostas fisiológicas, psicológicas e comportamentais dos indivíduos aos estressores.

Nesse mesmo sentido, em termos conceituais, para Cooper e Willian apud Lima (2004, p. 12), “o stress ocupacional é resultante de uma capacidade inadequada de lidar com as fontes de stress presentes nos contextos de trabalho e, que traz, como consequências, doenças mentais, físicas e organizacionais”. O foco principal dos pesquisadores no campo do estresse organizacional está voltado em identificar os estressores organizacionais, ou seja, quais as condições, eventos ou circunstâncias que mais afetam os trabalhadores. Nesse sentido, Reis, Fernandes e Gomes  (2010, p. 715) apontam que “ao se considerar que o estresse tem etiologia múltipla, têm-se formulado e validado diferentes modelos para explicar suas causas e, na atualidade, tem crescido a preocupação com os fatores psicossociais no trabalho”.

Para esses mesmos autores, os fatores psicossociais do trabalho representam um conjunto de percepções e experiências, consistindo em interações entre o trabalho, ambiente laboral, condições da organização e as características individuais do trabalhador (REIS; FERNANDES; GOMES, 2010).

A preocupação com os efeitos do estresse ocupacional atingiu um ponto marcante, quando, em 1999, vários países adotaram medidas antiestresse no trabalho (LIPP apud ZANELLI, 2010). Nesse mesmo ano, o Instituto Americano de Segurança e Saúde publicou recomendações de ações sobre o estresse ocupacional, reforçando que a natureza do trabalho está mudando vertiginosamente e que medidas devem ser tomadas a fim de prevenir o impacto do estresse não só dos trabalhadores, mas também na sociedade em geral (ZANELLI, 2010). Várias foram as medidas realizadas sobre o antiestresse no referido ano, entre elas, pode-se citar, documentos publicados, acordos realizados entre as categorias de trabalho, resoluções sobre o estresse no trabalho, resultados de pesquisas publicadas por cientistas sobre as consequências do estresse ocupacional.

Um exemplo mais específico dessas medidas foi o país da Bélgica que reconheceu a importância da prevenção do estresse ocupacional através da criação do Conselho Nacional do Trabalho Belga, que foi um acordo entre os empregadores e líderes trabalhistas sobre a prevenção coletiva do estresse ocupacional. No acordo, definiram o estresse como “um estado de desconforto, de sensação negativa experimentado por um grupo de trabalhadores, acompanhado de queixas ou disfunções físicas e mentais e/ou sociais” (LIPP, 2015, web). O acordo enfatiza que as ações de prevenção coletiva do stress competem às empresas, que teriam a responsabilidade de:

    • Analisar a situação de trabalho existente;
    • Detectar os estressores ocupacionais;
    • Avaliar os riscos destes estressores;
    • Tomar as medidas de prevenção ou tratamento.

A ideia básica do Conselho Nacional do Trabalho da Bélgica é que o empregador deve tentar adaptar o trabalho ao trabalhador (LIPP, 2015, web).

No Brasil, segundo Lima (2004, p. 17), “[...] atualmente o estresse e a qualidade de vida têm recebido atenção de pesquisadores brasileiros, principalmente das grandes instituições como a PUC-Campinas, a USP-São Paulo, a UFMG e UFRGS”. Na realidade do mundo do trabalho, com a intensificação de mudanças tecnológicas, pressões por resultados, concorrência globalizada e desemprego estrutural, em todos os níveis hierárquicos, estão associadas às pressões dentro das organizações. Evidências têm sido constatadas por meio de diversas pesquisas publicadas em diferentes categorias profissionais que trabalhadores estão tendo dificuldades de reconhecer, refletir e agir em benefício da própria saúde e do bem- estar coletivo (ZANELLI, 2010).

Parece que se começa a entender a responsabilidade do mundo corporativo por parte substancial do estresse experimentado por um adulto em função do número de horas despendidas dentro das organizações, da sobrecarga que em geral se coloca no trabalhador e das exigências das tarefas que no mundo moderno se tornam mais e mais complexas (ZANELLI, 2010, p. 14).

O estresse pode ser observado por diversas maneiras, como pressão alta, úlceras, irritabilidade, dificuldade para tomar decisões rotineiras, perda de apetite, propensão a acidentes entre outros sintomas. Esses sintomas podem ser enquadrados em três categorias: sintomas físicos, psicológicos e comportamentais. Dentre esses, a insatisfação no trabalho é o efeito psicológico mais simples e frequente (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL, 2010).

Para Laccana (2015, web) “As chefias devem analisar os sintomas físicos apresentados pelo funcionário que podem caracterizar sinais de estresse como cefaléia, insônia, dores no corpo, palpitações, fadiga, alterações gastrointestinais, tremores [...]”. “O stress, mesmo não representando uma doença em si mesmo, é responsável direta ou indiretamente por mais de 80% das doenças típicas da modernidade” (LADEIRA apud LIMA, 2004, p. 3). Lembrando, que o estresse sempre existiu,    porém na atualidade há maior incidência de doenças associadas a ele.  Os

sintomas físicos normalmente estão associados com outros sintomas psíquicos tais como baixo nível de concentração e memória, perda do humor, depressão, raiva, medo, confusão e irritabilidade.

3.3 Fontes Potenciais de Estresse

O que gera o estresse é chamado de estressor ou fonte de estresse. Segundo Lima (2004) o estresse advém mais frequentemente do trabalho como principal fonte, seguido da família, da infância e das relações interpessoais. E o somatório das fontes estressoras é mediado por dois fatores: a vulnerabilidade física e emocional e o repertório de condições de enfrentamento.

Para uma maior identificação e facilitar a compreensão, Lipp (2000) dividiu os estressores em duas categorias: fontes externas e fontes internas.

As fontes externas são constituídas de tudo aquilo que ocorre na vida das pessoas e que vem de fora do organismo, por exemplo, o trabalho, a falta de dinheiro, perdas, assalto, falecimento, entre outros. Já as fontes internas são o que se refere ao modo de ser da pessoa, as crenças, valores, modo de agir. Para Lima (2004, p. 5) “[...] os estressores internos são reproduzidos e criados pelo próprio indivíduo, e aprendidos ao longo da vida. Podendo ser exemplificados pela maneira de interpretar, sentir, pensar e reagir às situações vivenciadas [...]”.

A partir da divisão dessas categorias, identifica-se que os estressores externos são mais fáceis de serem identificados, já os internos por se tratarem daquilo que está dentro do ser humano, dependerá de uma análise mais ampla e subjetiva. Importante ressaltar que, identificar o fator estressor não garante condições suficientes de enfrentamento, pois sabe-se que as pessoas apresentam diferentes formas de respostas, algo que pode ser muito difícil de superar para uma, pode ser enfrentado facilmente por outra. Nesse sentido, afirma Guimarães (2009, p.56) que “um fato estressor para uma pessoa pode ser neutro para outra; ou pode ser estressor para uma pessoa em certas circunstâncias, mas não em circunstâncias diferentes”.

Logo, “não só o acúmulo de problemas leva ao stress, mas os fatores internos, entre eles o modo como interpretamos determinados eventos, o modo como pensamos sobre as situações, a vida, o mundo e as pessoas” (ALCINO, 2000, p. 31). “Tanto fatores externos (condições de trabalho) quanto exigências físicas e mentais da atividade (organização do trabalho) podem estar entre os estressores responsáveis pelo stress decorrente do trabalho” (CARAYON; SMITH; HAIMS apud SADIR; LIP, 2009, p. 115). Para Lipp apud Sadir e Lipp (2009, p. 115):

Os efeitos negativos do stress têm levado pesquisadores a investigarem os fatores precipitantes do stress na sociedade moderna. Sabe-se que o stress tem várias etiologias, tanto em fatores externos criadores de tensões patológicas, como fontes internas capazes de atuarem como geradores de estados tencionais significativos.

Nesse sentido, em uma análise voltada ao contexto do trabalho é possível afirmar que o estresse não possui uma única fonte estressora, que sofre implicações de vários fatores e condições e que pode ser dividido em externo e interno. “A sobrecarga de trabalho e na família, o relacionamento com a chefia, a autocobrança, a falta de união e cooperação na equipe, o salário insuficiente, a falta de expectativa profissional e também o meio social podem ser causadores de stress” (NÉRI apud SADIR; LIPP, 2009, p. 115). Da mesma forma que as incertezas ambientais afetam o modelo de estrutura organizacional, elas também estão relacionadas diretamente com os níveis de estresse dos funcionários da organização (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL, 2010, p. 583).

Para Lipp (2015, web) “é atribuído três transformações como principais fatores que mais afeta o estresse no trabalho, são eles: globalização, computereização/informatização e mecanização na produção de serviços e produtos”. Essas transformações apresentadas por Lipp (2015, web) como principais fatores, reforçam as consequências da evolução tecnológica. Nesse sentido, nota-se que:

Aceleração no ritmo da produção provocada pela introdução de novas tecnologias na organização de trabalho, por exemplo, contribui para a emergência das emoções de ansiedade e estresse, o que coloca em risco a médio e longo prazos tanto a saúde do trabalhador quanto a da própria organização (ZANELLI, 2010, p. 208).

Para essa análise, julga-se relevante a apresentação de dados resultantes da pesquisa realizada por Sadir e Lipp (2009). A pesquisa teve a participação de 144 adultos na condição de estarem inseridos no mercado de trabalho, que responderam um questionário constituído por uma lista de fontes de estresse do trabalho. Os participantes assinalaram quais fontes possuíam no seu trabalho, assim como a intensidade em que as percebiam. Essa intensidade variava de 1 a 5, sendo 5 a de maior intensidade e, consequentemente, maior nível de estresse para a pessoa.

Quadro 1 - Fontes de stress no trabalho

  • Excesso de atividades
  • Conflitos de interesses e valores 3 Dificuldades interpessoais
  • Ruídos no ambiente de trabalho
  • Dificuldade em lidar com cobranças
  • Pessoas desorganizadas ou sem preparo 7 Falta de planejamento
  • Falta de cooperação
  • Falta de reconhecimento do funcionário 10 Dificuldade em lidar com chefe

11 Problemas com recursos para trabalho

12 Problemas administrativos

Fonte: (SADIR; LIPP, 2009, p.118).

Para Robbins, Judge e Sobral (2010) são três as categorias de fontes potenciais do estresse, são elas: ambiental, organizacional e individual. Os fatores ambientais estariam relacionados a incerteza econômica, incerteza política e mudança tecnológica. Já os fatores organizacionais se enquadrariam as demandas de tarefas, demandas de papéis e demandas interpessoal. Por fim, os fatores individuais estariam relacionados aos problemas familiares, problemas econômicos e personalidade.

Os estressores são classificados em várias categorias, mas os predominantes são: o relacionamento interpessoal, que é a interação entre os pares, subordinados e superiores, entre clientes e fornecedores e repetição de tarefas com pressões de tempo, este que pode ser classificado em quantitativo e qualitativo. No primeiro caso, diz respeito quando o número excessivo de tarefas ultrapassa a disponibilidade do trabalhador e, no segundo caso é quando o trabalhador se depara com demandas que estão além de suas habilidades ou aptidões (LACCANA, 2015, web).

Se for realizado um levantamento das situações que mais provocam estresse, notar-se-á que a maior parte delas se refere à interação com outras pessoas (BARBOSA, 2000, p. 99). Fazendo uma correlação com a categoria organizacional citada por Robins, Judge e Sobral (2010) e da classificação de Laccana (2015) com a pesquisa realizada por Sadir e Lipp (2009), apresentada anteriormente, confirma-se a conexão da teoria versus prática, através dos resultados destacados que estão diretamente ligados às fontes estressoras organizacionais.

2.4 Consequências do Estresse

É de conhecimento que o estresse, dependendo do seu nível, traz implicações para a saúde, tanto física como emocionalmente, afetando diretamente a qualidade de vida. Especialistas apontam que o excesso de estresse causa o desgaste físico e/ou mental, além de contribuir para o envelhecimento precoce e uma série de outras doenças.

“O estresse na sociedade preocupa devido às suas consequências para a saúde, a qualidade em nível pessoal e também devido às implicações que tem as empresas e para a sociedade” (LIPP apud SADIR; LIPP, 2009, p. 115). O estresse não causa doença, mas ele propicia o desencadeamento daquelas para as quais a pessoa já tinha uma predisposição ou, ao reduzir a defesa imunológica, ele abre espaços para que doenças oportunistas se manifestem. Com o estresse, a pessoa sente-se exaurida, depressiva, sem energia, com crises de ansiedade e desânimo, autodúvida, inabilidade de concentrar-se no trabalho (LIPP, 2000).

Como consequência, pode desencadear problemas de saúde, emocionais e interpessoais, principalmente o isolamento social, devido à irritação e falta de paciência com as pessoas (FERREIRA; ZAVODINI apud SADIR; LIPP, 2009). As situações estressantes representam para o trabalhador menor satisfação no trabalho, maior tensão e baixa autoestima (CORREA; MENEZES apud SADIR; LIPP, 2009).

Para Guimarães (2000, p. 55), “Uma pessoa não alcança o desempenho total ou pleno, conforme seu potencial, se estiver em situação de estresse. A resposta estressada, desprazerosa, leva a pessoa a fazer escolhas pobres, menos elaboradas”. Diante disso, pode considerar-se que o estresse impacta diretamente na vida profissional e pessoal de um indivíduo. Como se sabe, o estresse está associado a diversos problemas físicos e emocionais. Aprender a reconhecer os sinais e sintomas manifestados pelo corpo é importante para a busca de um tratamento especializado.

2.5 Estratégias de Enfrentamento para Redução do Estresse no Ambiente de Trabalho

Estratégias de enfrentamento podem ser definidas como um “conjunto de esforços que os indivíduos desenvolvem para lidar com os estressores, que são avaliados por ele como excessivos ou acima das suas potencialidades” (LIMA, 2004,

p. 7). Não são poucas as empresas que vem adotando estratégias como alternativa de contribuir para o bem estar do seu trabalhador. “O interesse das organizações é evidenciado pelo crescente número de programas no local de trabalho projetados para promover a segurança, a saúde e redução do estresse no trabalho” (KRUMM, 2005, p. 278).

As empresas estão cada vez mais pressionadas a promover constantes mudanças de modernizações e reestruturações através de vários modelos de gestão de pessoas que são introduzidos no ambiente de trabalho, como a Reegenharia, a Qualidade Total e a inserção de programas, com o objetivo de elevar a Qualidade de Vida no Trabalho, diminuir o nível de estresse e melhorar a relação do ser humano (LIMONGI-FRANÇA apud LIMA, 2004).

“Apesar dos estressores que influenciam o cotidiano organizacional, algumas mudanças no ambiente organizacional podem produzir resultados mais rápidos e eficazes na promoção da saúde” (STOKOLS apud SADIR; LIPP, 2009, p. 115). Com relação à saúde do trabalhador, dois programas básicos de atenção podem ser desenvolvidos. Um, centrado nas manifestações da pessoa, estimulando a aprendizagem, por parte do trabalhador, de estratégias de enfrentamento das condições e agentes estressores, objetivando resgatar respostas negativas associadas aos resultados de estresse. No outro, os programas são voltados no contexto do trabalho, da organização, procurando a modificação na situação em que se desenvolvem as atividades, aspectos da cultura, gestão e estratégias organizacionais (GARROSSA-HERNANDÉZ et al. apud ZANELLI, 2010).

Nesse sentido, também os autores Robbins, Judge e Sobral (2010) trazem duas abordagens como forma de administrar o estresse, a abordagem individual e a abordagem organizacional. Na primeira forma, o próprio trabalhador pode assumir a responsabilidade de reduzir o nível de estresse através de estratégias individuais através da implementação de técnicas de administração do tempo, aumento de exercícios físicos, relaxamento e expansão da rede social. Na abordagem organizacional, demandas de tarefas e papéis são controlados pelos gestores e podem ser modificados através de estratégias que incluem a melhoria no processo de seleção e colocação de pessoal, treinamento, fixação de objetivos realistas, maior envolvimento de funcionários, redesenho do trabalho, melhoria na comunicação organizacional, implantação de programas corporativos de bem-estar, entre outras.

Quando o indivíduo coloca-se responsável por suas escolhas e pelo o que lhe acontece, está relacionado positivamente com a sua capacidade de lidar com as situações de pressão. Para Lipp (2000), quando se consegue utilizar as estratégias de enfrentamento para reestabelecer a ordem interior, o estresse é eliminado e volta- se ao normal. A volta ao equilíbrio pode ocorrer pelo término da fonte de estresse ou, mesmo em sua presença, quando se aprende a lidar com ela adequadamente. De acordo com Guimarães (2000), existem várias formas de enfrentar um estressor que incluem sua remoção, negação, reavaliação e fuga. Alguns estressores não podem ser removidos, porque são externos, independem da vontade ou ação da pessoa atingida. Entretanto, quando o controle do estressor está ao alcance da pessoa, como no caso de estressores associados a fontes internas, ele pode ser atacado de frente, reavaliado e removido, pois acreditar no controle e poder de decisão sobre o próprio destino é um forte redutor de estresse.

Segundo Cooper e Willians apud Lima (2004, p.6) “Já existem evidências científicas de que quanto maior o controle percebido pelo indivíduo sobre os eventos de sua vida, menor será a sua reação ao stress”. Ao contrário disso, o indivíduo crê que não tem nenhuma influência sobre as condições ou fatos de sua vida, que é o destino ou o acaso que determina as circunstâncias, o que contribuí para que este indivíduo se sinta incapaz, impotente de enfrentar e modificar respostas, está mais orientado para uma condição externa. De acordo com Kompier e Kristensen (2003, p.44):

[...] até certo ponto a popularidade das estratégias individuais para reduzir estresse pode ser explicada pelo fato de que alguns estressores são intrínsecos ao trabalho. Treinar os empregados a lidar com essas demandas é importante provavelmente porque isso aumenta sua sensação de controle. Essas medidas preventivas não deveriam, entretanto, tornar-se substitutas para a análise de risco e para o replanejamento do trabalho ou ser uma desculpa para deixar o ambiente de trabalho como ele é [...].

Nesse sentido, pesquisadores reconhecem e reforçam a prática da abordagem individual como estratégia para reduzir o estresse, a despeito, não se deve ser a única alternativa, também se deve ter um olhar atento às condições e estruturas organizacionais. Por isso, as empresas devem investir nos programas de   qualidade

de vida como forma de minimizar as variáveis do trabalho. Estes programas devem contemplar educação e treinamento permanente em todos os níveis; ações educativas de higiene mental, que potencializem a motivação do trabalhador; ginástica laboral, compreendida como um instrumento diário de melhoria física do trabalhador; e dinâmicas de grupo, que envolve o processo de vivência, desenvolvendo habilidades de lidar com determinadas situações causadoras de fontes de estresse.

“As intervenções focadas no trabalhador podem também contribuir para a prevenção de doenças, ao atuarem como ferramenta auxiliar em programas multidisciplinares de promoção de saúde no ambiente organizacional” (SADIR; LIPP, 2009, p. 115). É importante considerar que toda intervenção com o intuito de reduzir o estresse no trabalho deve, primeiramente, ter uma avaliação das necessidades do trabalhador. Dessa forma, aumenta as chances de eficácia de qualquer estratégia de redução. Importante ressaltar que, da mesma forma que o estresse é um processo personalizado, também acontece com a forma de enfrentamento, em que as técnicas e intervenções devem ser adequadas às individualidades das pessoas.

4. Conclusão

O estresse é caracterizado por respostas do organismo diante de fatores estressores. Atribuiu-se fases de desenvolvimento do estresse, de acordo com as características e intensidade que pode ser identificado como alerta, resistência, quase-exaustão e exaustão. Os estressores são cumulativos, ou seja, é um processo que a cada novo fator faz crescer o nível de estresse no indivíduo.

O estresse ocupacional ou do trabalho é uma reação do trabalhador às características do seu ambiente, que, de uma forma ou de outra, funcionam como ameaças. Diante desse aspecto, avaliar o nível de estresse enfrentado por um trabalhador requer um olhar atento, pois com base em algumas definições apresentadas, sabe-se que o estresse oriundo do trabalho pode ser a empresa e a própria pessoa como fontes estressoras e que as manifestações do estresse afetam a qualidade de vida e contribuem para a origem de várias doenças. A despeito disso, a empresa tem um papel importante na redução ou elevação do estresse de seus colaboradores, sobretudo, dos estressores organizacionais, apesar de, a relação trabalho/estresse não ser direta, pois há variáveis que interferem na relação.

Dentre os estressores organizacionais, a sobrecarga de trabalho é uma das principais fontes, caracterizada pelo excesso de atividades, desempenho de papéis e atribuições designadas, que possivelmente está relacionado também com o ritmo de produção acelerado, globalização e tecnologia. Outro estressor apontado com grande relevância são problemas de relacionamento interpessoal, que é a interação das pessoas no ambiente de trabalho, seja com os pares, subordinados, superiores, clientes ou fornecedores.

São vários os estudos que enfatizam as consequências negativas dos problemas de relacionamento interpessoal, nenhuma empresa se isenta da necessidade de ter que administrar conflitos. Sabe-se, que muitas pessoas são afetadas por esses estressores, tanto da sobrecarga de trabalho como problemas de relacionamento interpessoal e que o estresse é desencadeado tanto por fatores externos quanto internos. No primeiro caso, o replanejamento de tarefas, definição de atribuições, reestruturação organizacional, são exemplos de algumas ações que competem mais à empresa, caracterizando-os como fatores externos. Por outro lado, o relacionamento interpessoal estaria mais voltado a fatores internos, ou seja, a forma como cada indivíduo mantém seus relacionamentos, com base em seus valores pessoais, traços da personalidade e crenças.

É certo que, a cultura organizacional é um aspecto a ser considerado, pois também favorece para a qualidade dos relacionamentos organizacionais, todavia, as características pessoais se sobrepõem, pois está mais direcionada na forma como cada indivíduo enfrenta e administra seus problemas de relacionamentos, condição estritamente ligada às características pessoais. Muitas são as estratégias que estão sendo utilizadas para amenizar o estresse, tanto com foco individual como organizacional. As empresas estão mais atentas a essa questão, mais conscientes que o estresse pode afetar a produtividade, a imagem da empresa, a perda de clientes, a influência negativa para outros trabalhadores, entre outras implicações. Para isso, vem desenvolvendo ações que estimulem o enfrentamento de situações estressores, seja na forma preventiva preparando os trabalhadores para evitarem as manifestações de estresse, seja na forma de enfrentamento, empoderando-os para saberem lidarem com as situações estressoras. Pois quando o controle do estressor está ao alcance da pessoa, torna-se um forte meio para redução de estresse.

É questionável quanto a efetividade desse tipo de ação quando aplicado na coletividade, por se tratar de questões subjetivas e com diferentes características individuais de respostas, mas reconhece-se que é um esforço válido e que traz resultados significativos, mesmo na maioria das vezes sendo imensurável, uma vez que fica difícil de saber quantas situações de estresse ou sintomas serão amenizados a partir de um reposicionamento de postura quanto ao enfrentamento do estresse. Mas é possível alcançar indicadores mais abrangentes que confirmam a contribuição de ações no sentido de redução do estresse, até mesmo indicadores de número de atestados médicos, controle do absenteísmo e taxa de rotatividade são parâmetros poderosos que validam as ações implementadas. Sabe-se que alguns trabalhos são estressores em si mesmos e diante dessa condição, faz muito sentido ensinar aos trabalhadores a lidar com as condições necessárias do trabalho. O estresse nem sempre é algo negativo, pelo contrário, também é considerado como positivo, está presente nos momentos de emoções, de prazer e realizações. Entretanto, a representação social do estresse é focado como algo negativo, que traz sofrimento, desgaste, insegurança e ansiedade e, é dessa maneira que também é referenciado no contexto organizacional.

Por isso, como continuidade desse estudo, sugere-se um maior aprofundamento do tema através da execução de um estudo bibliométrico, que dará uma base dos estudos e pesquisas já realizados sobre o estresse. Conforme definiu Pritchard apud Lima (1984), “bibliometria é uma análise quantitativa de variáveis do discurso, é o "tratamento quantitativo (matemático e estatístico) das propriedades e do comportamento da informação registrada". Dessa forma, os registros se mostrarão muito válidos para conhecer o que já foi pesquisado, discutido e publicado sobre tal assunto. Ainda, sugere-se uma pesquisa que pode ser realizada através da aplicação de testes com o objetivo de avaliar o nível de estresse de trabalhadores, identificando fontes estressoras, que podem ser agrupados por categoria, a fim de associar possíveis fontes estressoras em comum correlacionando com os cargos ocupados. Um instrumento interessante que pode ser utilizado para tal proposta de pesquisa é o Teste de Lipp – ISS (Inventário de Sintomas de Stress), criado pela especialista Marilda Emmanuel Novaes Lipp [01]. O teste fornece uma medida objetiva da sintomatologia do estresse e avalia se o indivíduo possui algum sintoma de estresse ou até mesmo se está propenso a este.

Faz-se necessário que cada vez mais haja uma preocupação em discutir sobre o estresse, sobretudo, no ambiente de trabalho, que se mostra como um dos espaços mais afetados. Por conseguinte, conhecer as possíveis fontes, correlações associadas e formas de enfrentamento. Desse modo, a elaboração deste estudo visou a conceituação ampla de termos e aspectos inerentes ao estresse, considerando em especial o ambiente organizacional. Além disso, as sugestões apresentadas, com certeza, podem ser utilizadas para futuras pesquisas, contribuindo também de forma empírica e não somente teórica.

Sobre os Autores:

Idiane Detono Tomazini - Pós-Graduanda Lato Sensu MBA em Gestão de Pessoas pela Universidade Alto Vale do Rio do Peixe – UNIARP. Especialização em Recursos Humanos e Psicologia do Trabalho. Graduada em Administração e Psicologia. Professora do curso de graduação em Administração da Universidade Alto Vale do Rio do Peixe – UNIARP e dos cursos de Processos Gerenciais da Faculdade de Tecnologia Senac de Caçador

Orientadora: Scheine Neis Alves da Cruz De Bastiani - Mestre em Administração, pela UNISUL – Universidade do Sul de Santa Catarina. Professora do curso de graduação em Administração da Universidade Alto Vale do Rio do Peixe – UNIARP e dos cursos de Processos Gerenciais e Gestão da Qualidade da Faculdade de Tecnologia Senac de Caçador

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