Resumo: Este trabalho tem por objetivo discorrer sobre a Educação Profissional no contexto da Educação à Distância, buscando analisar o olhar dos alunos sobre o curso Programa Profuncionário ofertado pelo IFBA no município de Seabra, BA. Desta maneira, este estudo se justifica tendo por intuito entender como os alunos estão visualizando até o presente momento o Curso Técnico de Formação para os Funcionários da Educação no que se refere às quatro habilitações previstas: Secretariado Escolar, Multimeios Didáticos, Alimentação Escolar e Infraestrutura Escolar. Assim, foram usados como subsídio os estudos dos materiais didáticos do próprio Profuncionário e algumas leituras de teóricos, como: Lévy (1993), Santaella, (2002), Nogueira (2009), dentre outros. Deste modo constatamos que a relevância da EAD torna-se cada vez mais significativa, representada pela ascensão da oferta e aceitação da modalidade na região, levando novos grupos da população a formar-se ou atualizar-se profissionalmente devido às rápidas mudanças em todas as esferas do conhecimento, sobretudo, no contexto do sistema educacional. Além disso, notamos ainda que a grande maioria dos alunos valorizam os conhecimentos aprendidos durante as aulas e salientam a importância da formação profissional que estão tendo através do Profuncionário na modalidade EAD, apresentando um panorama positivo em relação aos cursos oferecidos.

Palavras-chave: Educação Profissional, Educação à Distância, Profuncionário.

1. Introdução

Atualmente, a sociedade brasileira vivencia rápidos processos de transformações observáveis em seus diversos segmentos: familiares, econômicas, políticas, sociais, tecnológicas e culturais. Diante disso, sabemos que estes processos de mudanças advêm das relações capitalistas, acarretando inúmeros impactos nos variados contextos da sociedade.

Neste sentido, refletir sobre a Educação Profissional no âmbito da Educação à Distância (EAD), especialmente no que diz respeito aos processos sistemáticos de formação continuada, é, portanto, levar em consideração que as escolas também precisam estar preparadas para acompanhar de forma consciente estas transformações, as quais veem exigindo dos profissionais de educação múltiplos conhecimentos que lhes permitam uma prática consciente, reflexiva, dinâmica e inovadora.

Sabemos que a Educação Profissional constitui-se uma forma de ensino que tem como filosofia oferecer um curso profissionalizante de ensino médio que possa capacitar e habilitar os educandos a serem técnicos específicos em determinadas áreas. Desse modo, o Profuncionário constitui-se também como um programa que tem como finalidade proporcionar “formação profissional, em nível médio à distância aos funcionários que atuam nos sistemas da educação básica pública” (BRASIL, 2012), habilitando-os a exercer como técnicos em uma das quatro profissões da educação escolar básica.

Nesta perspectiva, este trabalho tem por objetivo discorrer sobre a Educação Profissional no contexto da EAD, buscando analisar a percepção dos alunos sobre os cursos do Profuncionário ofertados pelo IFBA no município de Seabra, BA. Desta maneira, este estudo se justifica tendo por intuito entender como os alunos estão assimilando até o presente momento o Curso Técnico de Formação para os Funcionários da Educação no que se refere às quatro habilitações previstas: Secretariado Escolar, Multimeios Didáticos, Alimentação Escolar e Infraestrutura.

Para tanto, propusemos aos 70 alunos pertencentes ao quadro discente, um convite para participar, através da aplicação de questionário, fornecendo contribuições para obtermos os dados necessários para uma análise e contemplação deste estudo.

Desta forma, a metodologia aqui apresentada está baseada numa abordagem qualitativa de natureza exploratória, que utiliza a pesquisa bibliográfica, desenvolvida através da pesquisa e análise acerca de diversas fontes – livros, artigos, etc. – que versam sobre o assunto aqui abordado.

E para sustentar as ideias e reflexões aqui apresentadas, foram usados como subsídio os estudos dos materiais didáticos do próprio Profuncionário e algumas leituras de teóricos, como: Lévy(1993), Santaella, (2002), Nogueira (2009),dentre outros que contribuíram para a produção desse trabalho acadêmico que está dividido em três seções que abordam sobre as seguintes especulações: Entendendo a educação profissional no contexto da educação à distância; Profuncionário: política afirmativa de formação da identidade dos profissionais da educação; O olhar dos alunos sobre o curso do Profuncionário ofertado pelo IFBA, município de Seabra, BA.

Quanto às considerações finais, estas apresentam alguns resultados no que diz respeito ao objetivo deste artigo e as críticas construtivas pertinentes à apreciação da análise em questão.

2. Entendendo a Educação Profissional no Contexto da Educação à Distância

Vivenciamos momentos de ressignificação das funções socioculturais, políticas e pedagógicas. Sabemos que é cada vez maior a responsabilidade das escolas públicas com a formação integral dos educandos de todas as camadas sociais, para que eles reconheçam seus direitos e deveres e saibam participar com autonomia das deliberações na comunidade escolar. Contudo, para que isto de fato ocorra é necessário que todos os trabalhadores que fazem parte do contexto educacional tenham uma formação que os habilitem atuar nesta empreitada e se sentir verdadeiros educadores do processo educativo.

No cenário contemporâneo, a educação profissional surge como um caminho que vem alargando e favorecendo diversas formações técnicas a inúmeros trabalhadores que precisam de conhecimentos específicos voltados para o saber científico e tecnológico e para a valorização da profissão. Consequentemente, para facilitar o acesso destes trabalhadores nos cursos de formação técnica, crescem as oportunidades de qualificação profissional e educação formal em universidades e institutos através da modalidade EAD.

  Diante disso, sabe-se que os progressos tecnológicos marcam de forma significativa diferentes conjunturas da sociedade, sobretudo, o contexto educacional. A aplicabilidade dessas tecnologias na educação e a inclusão dos meios de comunicação social e interativos passam a alterar o espaço educacional no que se refere ao ambiente de sala de aula. Além disso, a educação, especialmente a online, assume uma importante função neste processo de modificações, por sua competência de abranger as Tecnologias da Comunicação e da Informação (TICs) que facilitam as aprendizagens exigidas na contemporaneidade.

Para Pierre Lévy (1997), as Tecnologias da Infor­mação e Comunicação apresentam uma nova forma de pensar o mundo e de imaginar as relações com o conhecimento.

Nesta perspectiva, essa realidade pode ser entendida pelo fenômeno da cibercultura que determinam novos caminhos e perspectivas de aprendizagem e socialização mediada, sobretudo, pelo ciberespaço e pelos espaços virtuais de aprendizagem. Também chamada de cultura recente, a cibercultura é a cultura embasada pelas tecnologias digitais, ou seja, uma forma de cultura que passou a existir junto ao desenvolvimento das tecnologias digitais.

Para Lúcia Santaella, a cibercultura é entendida como “(...) quaisquer meios de comunicações ou mídias são inseparáveis das suas formas de socialização e cultura que são capazes de criar, de modo que o advento de cada novo meio de comunicação traz consigo um ciclo cultural que lhe é próprio” (SANTAELLA, 2002, p. 45-46).

Portanto, podemos dizer que a cibercultura é o que se vive atualmente: cartões inteligentes, voto eletrônico, home banking, inscrições via internet, pages, palms, imposto de renda via rede, etc. Nesse contexto, as tecnologias inteligentes possibilitam novas formas de construção de conhecimentos e de socialização de saberes e ampliam a produção de informação colaborativa.

Neste contexto, concernente à educação, sabe-se que o fenômeno da cibercultura, potencializado pelo uso das TICs criaram, criam e criarão novos espaços do conhecimento.

Em primeira instância, a EAD apoiou-se em materiais impressos. Em seguida, unificados a estes, sobrevieram o rádio e a televisão. Consequentemente, com o aparecimento da informática, a educação a distância também unificou o computador, e ultimamente a tecnologia de multimeios.

Sabe-se que uma das principais finalidades da EAD é promover um ensino inovador e de qualidade, por sua sistematização e recursos didáticos instrucionais e de multimídia organizados por profissionais competentes em cada assunto e frequentes avaliações do próprio sistema para diagnosticar e analisar a aquisição dos objetivos da instituição e dos cursos ministrados.

A EAD é um meio de educação onde o espaço da sala de aula deixa de ser real para tornar-se virtual. É importante ressaltar que esse tipo de modalidade educativa torna-se real devido às possibilidades interativas que a rede oferece. Os recursos técnicos de comunicação (impressos, áudios, vídeos), franqueados a boa parte da população, têm permitido o grande aumento da educação à distância e se transformado em propagadores da igualdade de oportunidades de acesso ao conhecimento e da democratização das possibilidades da educação.

Para Suzuki (2009, p.97) “a utilização integrada de todas as mídias eletrônicas e impressas pode ajudar-nos a criar todas as modalidades de curso necessárias para dar um salto qualitativo na educação continuada, na formação permanente de educadores, na reeducação dos desempregados”. Neste sentido, pensar a educação profissional no contexto da educação à distância é perceber que esta modalidade tem apontado amplas possibilidades de democratização dos saberes.

Tais tecnologias, com suas interconexões interativas, estruturam a participação conjunta de estudantes e professores na construção de conteúdos de aprendizagem, ou seja, em um processo autoral. Chats, fóruns, listas de discussão, ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) são, atualmente, interfaces que transitam na educação presencial, mas principalmente na EAD.

Lévy (2001) ressalta que quanto mais o ciberespaço se universaliza, ou seja, quanto mais interconectado e interativo, menos totalizável ele se torna, uma vez que cada conexão adicional e cada sujeito anexado à rede lhe atribuem mais distinção, mais variedade de opiniões, e consequentemente maior possibilidade de construção de conhecimento. O universo do ciberespaço os conceitos de interatividade, hipertexto e simulação ganham potencialidade por conta da flexibilidade do digital.

Dessa maneira, acredita-se que a educação profissional oferecida pela modalidade à distância possibilita aos educandos do Profuncionário diversas novidades nas formas de comunicação, produção e divulgação da informação, as quais incluem intercâmbios sociais e abrem espaços para outras formas de aprendizagem. Além disso, o aproveitamento das tecnologias intelectuais pode instaurar uma nova ótica sobre as relações entre docentes e discentes, bem como na própria produção do conhecimento tendo em vista o de preparar estes profissionais para se tornarem capazes de construir uma prática integradora e inovadora, ajudando-os a desenvolver competências e saberes.

3. Profuncionário: Política Afirmativa na Formação da Identidade dos Profissionais da Educação

Por muitos e muitos anos os funcionários da educação, sobretudo, àqueles ligados à área de apoio sempre foram vistos como meros coadjutores que estavam destinados simplesmente a desempenharem o seu papel, a saber, o de não educar, tarefa esta restrita somente aos docentes em sala de aula.

Fica evidente que a ideologia que permeava a identidade dos profissionais que compunham o quadro de funcionários das escolas públicas no Brasil antes da implantação do Profuncionário pautava-se em uma perspectiva totalmente desvalorizada e desacreditada quanto a atribuir a estes funcionários a posição de profissionais da educação.

Neste contexto, o Profuncionário surge como resposta aos anseios das lutas em defesa da profissionalização e da redefinição das identidades profissionais dos funcionários que fazem parte das escolas públicas. Além disso, “introduz, de fato, uma mudança na legislação educacional e o reconhecimento do funcionário, transformando num vir a ser educador” (BRASIL, 2012, p.100).

Conforme explicitado no Caderno de Orientações Gerais do Profuncionário a implantação do Profuncionário se deu em 2006 em regime de colaboração com diversos sistemas de ensino. No entanto, anterior a este período, o Ministério da Educação (MEC), através do Departamento de Articulação e Desenvolvimento dos Sistemas de Ensino – DASE, tomou como uma de suas políticas públicas a valorização dos funcionários da educação.

Em 2005, o Ministério da Educação em consonância com o Conselho Nacional de Educação (CNE) já articulavam medidas para incorporar às Diretrizes Curriculares Nacionais uma 21ª Área profissional: a de Serviços de Apoio Escolar, com sugestão de habilitação em Secretariado Escolar, Alimentação Escolar, Multimeios Didáticos e Infraestrutura Escolar e Ambiental, como podemos observar:

O parecer CNE/CEB n° 16/2005, aprovado em 03/08/2005 e homologado pelo Ministério de Educação em 26/10/2005, contribuiu efetivamente para a realização do Profuncionário – Curso Técnico de Formação para Funcionários da Educação, buscando unir as dimensões técnicas e pedagógicas imprescindíveis para a formação humana, comprometida, ética e profissionalmente com a construção de uma educação de qualidade para todos (BRASIL, 2012, p.5).

O acontecimento que possibilitou a elaboração de um documento orientador das ações do Programa Profuncionário numa perspectiva de compreensão nacional refere-se ao Seminário Nacional sobre Política de Valorização de Trabalhadores em Educação – Em Cena os Funcionários de Escola. Deste modo, através deste acontecimento a política de valorização dos funcionários da educação compôs o programa de ações articuladas em três perspectivas: “a) reconhecimento das novas identidades funcionais; b) oferta de escolarização, formação inicial e continuada; c) estruturação de planos de carreira e implementação de piso salarial”. (BRASIL, 2012, p.29).

Os princípios norteadores que dão ao Programa Profuncionário a nomenclatura de política afirmativa para a formação de identidades dos funcionários da educação estão contidos na Constituição da República Federativa do Brasil, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n°9.394/96) e no Plano Nacional da Educação – PNE – (Lei n° 10.172/20010). No entanto, o referencial maior do Profuncionário está contido no art. 61 da LDB, nos termos da Lei n° 12.014, de 6 de agosto de 2009, que consagrou os funcionários de escola, completamente habilitados e efetivados como profissionais da educação.

Nesta acepção, o Programa procura oferecer a estes profissionais uma formação técnica que tenha em vista o entendimento de questões voltadas para:

Um conjunto de atividades teórico-práticas, investigativas e reflexivas. Tais atividades apontam para a aquisição e construção crítica de conhecimentos, habilidades e valores que podem contribuir para que os funcionários da educação se tornem educadores competentes e se qualifiquem como pessoas, como cidadãos e como gestores de um determinado espaço escolar, definindo novos perfis profissionais [...] (BRASIL, 2012, p. 50).

Neste aspecto, entende-se que o Programa Profuncionário possibilitou uma democratização e consolidação a respeito da identidade do profissional de educação, oportunizando a estes uma valorização e reconhecimento no mercado de trabalho e no âmbito educacional.

No que se refere à compreensão de identidade de acordo com Abádia (2012) em “Educadores e educandos: tempos históricos”, pode-se dizer que esta surge das práticas histórico-culturais dos grupos ou das classes profissionais em torno de um objeto social que os integram num todo ou que os fazem característicos numa dada sociedade. Neste sentido, a autora ressalta quatro elementos imprescindíveis que contribuem de fato para dar visibilidade à identidade profissional:

1- Objeto social que os unificam e que os distinguem dos outros; 2- Símbolos, significados e código de linguagens comuns; 3- Posição social e reconhecimento da sociedade; 4- As experiências e as práticas profissionais de organização social no mundo do trabalho (BRASIL, 2012, p.99).

Em 2012, o MEC, através da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica - Setec fortalece e amplia o Programa Profuncionário, com o intuito de desenvolver ações concretas para criar estruturas promotoras da valorização, tendo em vista contribuir para amortizar a dívida histórica do país para com os funcionários que fazem parte da esfera de educação básica pública.

Isto nos leva a compreender que o Profuncionário significa verdadeiramente o reconhecimento da profissão e direito à profissionalização dos trabalhadores da educação. Uma conquista que verdadeiramente é fruto de um contexto árduo e conflituoso dos trabalhadores da educação em negociação com os poderes públicos, o qual perdurou durante décadas sendo repensado e questionado recentemente através das políticas afirmativas de valorização do trabalhador da educação.

4. O Olhar dos Alunos Sobre o Curso do Profuncionário Ofertado pelo IFBA, Município de Seabra, BA

A cidade de Seabra está situada na Chapada Diamantina e compreende  uma população de aproximadamente 41.815 mil habitantes [01]. É um município que possui uma localização geográfica central e estratégica em relação às demais cidades da região, situada a 830m de altitude acima do nível do mar, tendo um clima seco e sub-úmido.

No que se refere à educação de Ensino Básico, o município de Seabra dispõe de diversas instituições públicas municipais, estaduais e privadas localizadas na sede e nos distritos, sendo que somente seis unidades escolares oferecem o Ensino Médio, a exemplo do Colégio Raio de Sol (RDS) e do Educandário São Francisco de Assis (ESFRA), instituições privadas, Centro Educacional de Seabra (CES) e o Colégio Estadual Letice Oliveira Maciel (CELOM), instituições públicas.

Com relação à educação profissional, o município dispõe do IFBA, um instituto que tem como missão “promover a formação do cidadão histórico-crítico, oferecendo ensino, pesquisa e extensão com qualidade socialmente referenciada, objetivando o desenvolvimento sustentável do país” [02].Deste modo, oferece di versos cursos profissionalizantes e a uma perspectiva futura de oferta cursos de Nível Superior. Com relação à educação de nível superior, a cidade possui um câmpus da Universidade  do Estado da Bahia –UNEB (Câmpus XXIII), que oferece o curso de Letras, dentre outros. Além da UNEB, existem algumas extensões de IES privadas que implantaram polos no Município, como é o caso da Faculdade João Calvino, com um polo presencial que oferece cursos de Filosofia, Geografia e História, e outras IES que implantaram polos de Educação a Distancia (EaD): a UNOPAR, a FTC e a UNIFACS.

Antes de atender ao objetivo a que se pretende este trabalho, reconhecemos, de imediato, quão é demasiada a tarefa de abordar questões tão instigantes como a análise proposta, estudo que poderá se aprofundar em um momento posterior.

Nesta perspectiva, optou-se pela entrevista semiestruturada que acordam perguntas fechadas e abertas, onde o entrevistado tem a possibilidade de proferir sobre o assunto proposto. Para tanto, como instrumento de coleta de dados preferimos utilizar somente o questionário. Esta escolha deu-se ao fato de não dispormos de tempo suficiente para analisarmos com maior ênfase os dados obtidos utilizando outros mecanismos que fornecem subsídios para a coleta de pesquisa, como é o caso da entrevista, observação, análise documental, estudo de caso, etc. O questionário foi aplicado nos quatros Cursos do Profuncionário: Secretaria Escolar, Multimeios Didáticos, Alimentação Escolar e Infraestrutura Escolar.

Foram entregues aos alunos que fazem parte do Profuncionário em seus respectivos cursos, 70 formulários para que os mesmos respondessem as seguintes questões:

  1. Diante do que já foi exposto no curso do Profuncionário, você já notou que o seu comportamento ou de outras pessoas envolvidas em seu ambiente de trabalho teve mudanças? Se sim, quais?
  2. Você acha que pelo fato desse Curso do Profuncionário ser desenvolvido de firna semi presencial tem prejudicado o seu conhecimento nas disciplinas estudadas? Explique.
  3. Quais as maiores dificuldades que vocês encontraram ou encontram no curso do Programa Profuncionário?
  4. Dentro das suas expectativas de aprendizagem do Curso do Profuncionário tem lhe proporcionado um aprendizado de qualidade?

Entretanto, dos formulários entregues aos 70 alunos, somente 60 discentes devolveram os formulários com os questionamentos respondidos. Assim sendo, fazendo a análise dos dados, com base na percepção dos alunos, constatamos que na primeira questão 100% dos alunos disseram que já notaram modificações no comportamento, bem como nas relações interpessoais no trabalho em virtude da formação oferecida no Profuncionário. Isto pode ser percebido na fala do aluno A:

(Aluno A) - Sim, sobre o meu comportamento houve mudanças no diálogo e na interação com os colegas e também teve uma melhora na convivência com as crianças do meu ambiente de trabalho, por ex: quando uma professora coloca uma criança de castigo ou desestimulando a criança por algo que não seja necessário, eu interfiro falando que a maneira de agir não é essa e lembro assim das coisas que aprendo no curso e vou colocando aos pouco em prática.

Ao analisarmos as respostas sobre o questionamento 1percebemos que todos os alunos (60) dizem ter modificado sua prática em seu ambiente de trabalho. Fragmentando e analisando esses dados em proporção por turma, constatamos o seguinte resultado:

Gráfico 01 - Questão 01

Gráfico 01 - Questão 01

Nesta amostragem representada pela quantidade de resposta de 60 alunos em seus respectivos cursos, onde 20 representam o curso SE, 20 o curso MD, 10 o curso AE e 10 o curso IE, todos afirmaram haver uma modificação positiva na prática profissional. Podemos descrever isto mais detalhadamente na fala do aluno B: “Depois que entrei no curso a cada dia que se passa, os novos conhecimentos ajudam-me a encarar meus afazeres cotidianos com mais segurança. Percebo isso também com relação aos meus colegas”.

Referindo-se ao questionamento 2, a grande maioria dos alunos disseram não haver problemas na aprendizagem das disciplinas pelo curso ser à distância, ao contrário, boa parte dos entrevistados salientaram que o fato do curso ser à distância não tem interferência negativa para o aprendizado das disciplinas, como podemos perceber nas seguintes falas dos alunos C e D e logo mais no gráfico abaixo:

(Aluno C): Acho que não, independente do curso ser à distância ou não, quem escolhe se quer aprender somos nós mesmos.

(Aluno D): Não, o que essa modalidade exige é um pouco de mais autonomia e dedicação por parte do aluno.
Gráfico 02 - Questão 02

Gráfico 02 – Questão 02

Interpretando o gráfico acima, notamos que dos 20 alunos questionados do curso SE, todos acreditam que não há problema com relação ao curso do Profuncionário ser oferecido à distância no que se refere à absorção dos conhecimentos para o aprendizado das disciplinas. Com relação à turma MD constatamos que dos 20 alunos questionados, somente 01 acredita haver problemas com esta modalidade de educação para o aprendizado do conhecimento trabalhado nas disciplinas. Podemos perceber isto na seguinte fala do aluno E:

(Aluno E) Acredito que sim, pois o tempo é muito pouco para tantas atividades. Toda semana tem muita atividade e muito conteúdo para estudar, quase não dar tempo para fazer as coisas, além disso, tem um relatório que precisa entregar sempre no fim da disciplina. Desse modo, penso que se tivéssemos mais aula, como é na modalidade presencial, acredito que aprenderíamos mais.

Na turma AE, observamos que, dos 10 alunos questionados, apenas 02 também afirmaram que o curso do Profuncionário, pelo fato ser oferecido a distância, prejudica de alguma forma o aprendizado das disciplinas. Isto fica evidente nas falas dos alunos F e G.

(Aluno F):Penso que sim, pois o Profuncionário pelo fato de ser EAD é só uma vez na semana. Não dar para acompanhar tantas informações e atividades em um único dia.

(Aluno G): Sim, acho muito pouco só uma aula com tantas atividades e conhecimentos difíceis. Pensei até em desistir, mas só não o fiz devido à motivação de minha tutora.

Na turma IE dos 10 alunos questionados, somente um único aluno também acredita que pelo fato do Profuncionário ser oferecido pela modalidade EAD, isto pode prejudicar o aprendizado das disciplinas.

Sobre o terceiro questionamento, quando argumentados sobre quais as maiores dificuldades que os alunos encontraram ou encontram no curso Profuncionário, averiguamos que a maioria das dificuldades refere-se exclusivamente à questão do transporte para locomoção deste nos encontros presenciais, uma vez que o polo IFBA - Seabra fica distante do centro da cidade. Outras dificuldades assinaladas pelos alunos referem-se à falta de domínio da informática e ao acesso à internet de qualidade para a realização dos trabalhos. Percebemos melhor estas informações no gráfico a seguir:

Gráfico 03 - Questão 03

Gráfico 03 – Questão 03

Analisando estas informações, averiguamos que a dificuldade maior dos alunos é mesmo com relação ao transporte. Isto fica perceptível nas seguintes considerações:

(Aluno H): A informática e o transporte. Porque o ônibus para levar os alunos para o campus do IFBA Seabra sai do centro e a maioria estudantes moram afastados do ponto.

(Aluno I): No meu ponto de vista a maior dificuldade que tenho é o manuseio no computador, pelo fato de não saber muito mexer.

Sobre o quarto e último questionamento percebemos que todos os alunos (100%) acreditam que o Profuncionário tem lhe proporcionado um aprendizado de qualidade. Isto é aparente na análise das respostas em apresentadas no gráfico.

Gráfico 04 - Questão 04

Gráfico 04 – Questão 04

Neste contexto, analisamos que alguns contradizem, justamente aqueles alunos que responderam ao questionamento 02, pois os mesmos questionamentos possuem uma analogia entre o sentido de seu enunciado. Desta forma, concluímos que há alunos que manifestaram no questionamento 02 um ponto de vista negativo, pelo fato da oferta dos cursos do Profuncionário ser à distância e, no questionamento 05, um posicionamento positivo com relação a um aprendizado de qualidade oferecido à distância.

Essa averiguação nos leva a supor que não houve um pleno entendimento por parte destes alunos com relação aos enunciados, uma vez que os mesmos dão margem para respostas semelhantes, e não opostas.

Atendendo, portanto, ao objeto que se pretende este estudo, compreendemos de maneira ampla que os discentes do Profuncionário, município de Seabra, BA, tem um olhar positivo com relação à oferta dos cursos. Em linhas gerais, notamos ainda que a grande maioria destes alunos valorizam os conhecimentos aprendidos durante as aulas e salientam a importância da formação profissional proporcionada pelo Profuncionário na modalidade semi presencial.

5. Considerações Finais

Concluindo, entendemos que estamos diante de uma realidade em que a EAD ascende de modo imprescindível, contemplando necessidades específicas da formação profissional, valorizando, inclusive, aspectos sociais em localidades das mais remotas, em consonância às necessidades do mundo contemporâneo globalizado. Diante disso, novos grupos da população buscam formar-se ou atualizar-se profissionalmente devido às rápidas mudanças em todas as esferas do conhecimento, sobretudo no contexto do sistema educacional.

Destarte, notamos que o Profuncionário como formação profissional oferecido por meio da EAD vem oferecer e apresentar diversas contribuições, mostrando que a partir dessas contribuições nasce um novo universo, o qual se desfaz os obstáculos de deslocamento e presença física de seus sujeitos e abrem-se conveniências interativas para a comunicação nas ferramentas peculiares da virtualidade para a construção de inúmeras aprendizagens.

Referências:

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