Resumo: A questão central da qual buscamos neste projeto foi analisar o papel do psicólogo do trânsito no município de Gurupi-TO. Assim como, descrever habilidades e competências dos psicólogos do trânsito segundo o Conselho Federal de Psicologia, investigar os métodos e técnicas que são utilizados pelos psicólogos no trânsito nesta cidade. Nessa pesquisa, foi realizada uma entrevista com uma psicóloga que trabalha na Clínica de Médicos e Psicólogos do Detran, no município  de Gurupi-TO, situado na Rua 09, esquina com a Avenida Mato Grosso.  A metodologia utilizada foi a pesquisa de campo e descritiva. Onde através  da coleta de dados procurou-se analisar os dados obtidos com o que preconiza o Conselho Federal de Psicologia. Com tal estudo conclui-se que os psicólogos do trânsito no munícipio de Gurupi-TO, estão focados diretamente na avaliação psicológica de candidatos a CNH (carteira nacional de habilitação) ao invés de educação no trânsito e implantação de políticas públicas.

Palavras-chave: Trânsito, Acidente, Psicologia do Trânsito, Avaliação Psicológica.

1. Introdução

A Psicologia é uma ciência que visa buscar recursos, procura compreender o ser humano, o seu comportamento, para facilitar o convívio consigo próprio e com o outro (FERNANDES, 2008).

Tal ciência divide-se em várias áreas, Psicologia educacional, Psicologia jurídica, Psicologia do trabalho, Psicologia do esporte, Psicologia social, Professor de Psicologia (ensino de segundo grau), Professor em psicologia (ensino superior), Psicologia clinica e dentre elas existe a Psicologia do trânsito. É de fundamental relevância que o Psicólogo do Trânsito em sua avaliação colete e interprete informações psicológicas, resultantes de um complexo conjunto de procedimentos que possam avaliar o comportamento do individuo, onde poderá qualificar a aptidão do candidato a carteira nacional de habilitação (CNH), auxiliar na prevenção de acidentes e políticas públicas (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, 1992).

As acadêmicas do 5° período do curso de Psicologia do Centro Universitário UNIRG, cursando a disciplina estágio básico II, realizaram uma pesquisa no período de fevereiro a junho deste ano, ou seja, de 2010, na clínica de médicos e psicólogos do trânsito no município de Gurupi-TO. Onde foi realizada uma entrevista com uma psicóloga que atua neste local, com o intuito de identificar algumas características, opinião, métodos e técnicas que são utilizados.

Tal projeto teve como objetivo geral analisar o papel do Psicólogo do Trânsito no Município de Gurupi-TO, e como objetivos específicos descrever habilidades e competências dos psicólogos do trânsito segundo o Conselho Federal de Psicologia; investigar os métodos e técnicas que são utilizados pelos psicólogos no trânsito na cidade de Gurupi-TO; comparar o preconizado pelo Conselho Federal com o que é realizado no Município.

Com base no dados obtidos pode-se perceber que a psicóloga  está diretamente voltada a realizar apenas testes, e avaliar os perfis dos candidatos a carteira nacional de habilitação. Apesar de ter uma visão sistêmica da atuação e das devidas funções que o psicólogo do trânsito deve ter.

2. O Que é o Trânsito

O trânsito é o conjunto de deslocamentos diários de pessoas pelas calçadas e vias; é a movimentação geral de diferentes tipos de veículos e pedestres. O trânsito ocorre em espaço público no qual visa o movimento de múltiplos interesses, atendendo às necessidades de trabalho, saúde, lazer e outros, sendo muitas vezes necessidades conflitantes ou não. Assim, para garantir o equilíbrio entre esses interesses coletivos é que se fundam acordos sociais, que são dotados de normas, regras e sinais que, sistematizados, formam as leis (TOLENTINO, 2006).

Rozestraten apud Madeira (1988) afirma que o trânsito é “o conjunto de deslocamentos de pessoas e veículos nas vias públicas, dentro de um sistema convencional de normas, que tem por fim afirmar a integridade de seus participantes”.

3. Meios de Transportes Desde os Primórdios e seus Avanços

Desde os primórdios, o ser humano procurou atender suas necessidades de sobrevivência criando diversos instrumentos para facilitar sua vida. Assim, percebe-se que ao longo da história o homem andou por longas distâncias, e o meio de locomoção mais antigo e simples era o próprio ato de ambular. Com o passar do tempo, adaptou-se maneiras que facilitassem o transporte de seus pertences e suprimentos. Aos poucos a necessidade e a comodidade, aliaram-se a sua capacidade intelectual e este começou a criar e criar diferentes alternativas de transportar seus suprimentos e pertences.  O primeiro meio de transporte mais conhecido foi o trenó, primeiramente puxado pelas próprias mãos e mais tarde com a “Revolução agropastoril”, este passou a utilizar animais para puxar víveres e elementos (MEDEIROS, 2009).

O desenvolvimento nos meios de transporte desencadeou toda uma série de outras revoluções tecnológicas. O homem passou a se locomover para qualquer lugar, seja para ir para ao trabalho, para casa, ou até mesmo para cruzar todo o planeta, em uma viagem de avião. Ainda mais do que isso, pois passou a ser capaz avaliar até mesmo uma pequena componente do espaço (SOUZA, 2002).

Percebe-se com o desenvolvimento à medida que novos transportes foram sendo implantados e introduzidos nas sociedades, o tráfego ficava cada vez mais complexo, em razão das vias não terem sido esquematizadas para o crescente número de automóveis em circulação. Portanto, coube aos administradores e representantes das cidades, encontrarem medidas e alternativas que viabilizassem a continuidade do tráfego, uma vez que pouco a pouco a circulação se tornava necessário à vida das pessoas. (MEDEIROS, 2009)

4. Sinal de trânsito

Os sinais de trânsito passar a existir a partir da necessidade, de controlar o tráfego de automóveis devido ao elevado número do mesmo. É por meio da sinalização do trânsito que se norteia, indica, informa, regula e controla a circulação de pedestres e automóveis pelas vias terrestres (PACIEVITCH, 2008).

O Código de Trânsito define que sempre que se fizer indispensável, serão colocadas nas vias sinais de trânsito. Os sinais de trânsito são rotulados em verticais (placas de sinalização), horizontais (como faixa de pedestre, por exemplo), luminosos (semáforo), sonoros (silvos de apito, que variam de acordo com a duração e a quantidade), gestos do condutor e do agente de trânsito (sinais realizados com os braços) e dispositivos de sinalização auxiliar (cones, cavaletes).

Semáforos: sua função é controlar, ao mesmo tempo, o fluxo de automóveis e pedestres, controlar apenas o fluxo de veículos ou apenas o fluxo de pedestres (PACIEVITCH, 2008)

5. História da Psicologia

A palavra psicologia deriva-se da junção de duas palavras gregas psiché que significa mente e logos que significa alma. Definida como a ciência que se concentra no comportamento, nos processos mentais e as interações dos organismos com o seu ambiente (DAVIDOFF, 2001).

Comportamento, portanto é aplicado para designar uma ampla escala de atividades (BRAGHIROLLI, 1990).

Já no que se relaciona aos processos mentais, estes são a maneira como que a mente humana funciona, pensa, planeja, tira conclusões, fantasia e sonha.

Sabe-se que o comportamento humano não pode ser totalmente compreendido  sem que se compreendam esses processos mentais, já que tais processos mentais são a sua base (DAVIDOFF, 2001).  

Bleger apud Braghirolli (1990) assinala que a Psicologia não é a ciência apenas das revelações psíquicas observáveis e nem apenas dos fenômenos mentais, mas envolve o estudo de todas as manifestações do ser humano.

Na história da psicologia foram desenvolvidas algumas escolas de pensamento, onde casa uma delas com um protesto efetivo ao que precedia. Ao surgirem, cada uma dela usava um modelo mais antigo como referência ao se opor e a partir da qual ganhar força.  

O nascimento da psicologia como disciplina autônoma ocorreu em meados de 1879, em Leipzig, com a criação por Wundt do primeiro laboratório exclusivamente dedicado aos estudos psíquicos passando a ser considerada ciência, pelo simples fato de os cientistas se dedicarem experimentalmente (TELES 1999, p. 13).

Para Wundt apud Braghirolli (1990) o objeto da Psicologia era a análise da experiência consciente (ou conteúdo mental) nos comportamentos básicos, e a resolução dos princípios pelos quais estes dados simples se relacionam para constituir a experiência complexa.

Durante a história da psicologia percebe-se que é de fundamental relevância considerar em que a disciplina surgiu e ampliou forças sociais, econômicas e políticas que caracterizam diferentes épocas.

 A psicologia não estuda apenas o comportamento humano. Estuda ainda o comportamento animal, pois este estudo oferece subsídios interessantes na compreensão das bases do comportamento do ser humano (TELES 1999, p. 15).

6. Psicologia do Trânsito e o Papel do Psicólogo do Trânsito

A denominada psicologia do trânsito surge, então, da necessidade buscar mais segurança para o trânsito, colaborando para o bem-estar das pessoas em seus deslocamentos (ROZESTRATEN, 1988).

A Psicologia do Trânsito surgiu como conseqüência de abundantes pesquisas em centros, institutos, laboratórios de pesquisa nas últimas duas décadas. Podemos defini-la como o estudo do comportamento dos participantes do trânsito, entende-se por trânsito o conjunto de deslocamentos dentro de um sistema regulamentado (ROZESTRATEN, 1981).

Ao falar a respeito de Psicologia do trânsito logo se questiona qual a proximidade de ambos, qual seu efeito, como funciona, o que estuda, e mais uma série de perguntas. Com efeito, a psicologia do transito vem como uma proposta de estudar o comportamento do ser humano envolvido no trânsito, e quais fatores levam a determinadas atitudes, o perfil do motorista, dos pedestres, dos passageiros, dos ciclistas, e até mesmo de instrutores e engenheiros de trânsito. A psicologia do trânsito investiga o comportamento dos participantes do trânsito indistintamente, não excluindo ninguém. Ela é uma das Psicologias aplicadas mais abrangente e mais ampla, incluindo muito mais categorias de indivíduos do que a Psicologia Escolar, a Psicologia Organizacional e a Psicologia Clínica (ROZESTRATEN 1988).

No Brasil, a história da psicologia no trânsito inicia na década de 1920, quando as primeiras aplicações de instrumentos psicológicos por profissionais não psicólogos, cujos quais tinham o intuito de eleger os condutores de trens em São Paulo (CONSELHO NACIONAL DE TRÂNSITO, 2004).

Hoje em dia, a avaliação psicológica apresenta-se também como uma exigência obrigatória em outras situações específicas, como no caso de condutores infratores da legislação vigente no trânsito, envolvidos em acidentes graves, conforme a Resolução n° 80/1998 do Conselho Nacional de Trânsito (1998), e mais recentemente, em caso de renovação da CNH dos condutores profissionais, como estabelecido pela Resolução n° 168/2004 (CONSELHO NACIONAL DE TRÂNSITO, 2004).

Segundo Rozestraten (1981) este tipo de Psicologia estuda, portanto o comportamento dos pedestres de todas as faixas etárias, dos motoristas em geral, do motoqueiro, do ciclista e passageiros, ou seja, de todos os participantes do tráfego tanto aéreo, marítimo, fluvial e ferroviário. De modo geral, no entanto, a Psicologia do Trânsito se restringe ao comportamento dos usuários das rodovias e das redes viárias urbanas. Este comportamento, sendo bastante complexo pode incluir processos de atenção, de detecção, diferenciação, percepção, de tomada, processamento de informações, de memória a curto e a longo prazo, de aprendizagem, de conhecimento de normas e de símbolos, e de motivação. O comportamento no trânsito é algo que compreende as reações de todas as pessoas que se movimentam, independente da faixa etária, condição sócio-econômica, nível de instrução, sexo ou profissão. É um campo que envolve gama de fatores complexos, e por isto mesmo não muito fácil de ser estudado.

A Psicologia de Trânsito passou a ser definida como uma área da Psicologia que investiga os comportamentos humanos no trânsito, os fatores e processos externos e internos, conscientes e inconscientes que os provocam ou os alteram(ROZESTRATEN, 1988)

Segundo Noronha apud Poli (1999) a Psicologia de Trânsito e a Avaliação Psicológica são áreas afins, uma vez que essa última consiste em um processo técnico-científico de coleta de dados, estudos e interpretação de informações a respeito dos fenômenos psicológicos, realizado por meio de estratégias psicológicas, técnicas e instrumentos que permitem um conhecimento de capacidades cognitivas e sensório-motoras, membros sociais, emocionais, afetivos, motivacionais, aptidões específicas e indicadores psicopatológicos.

A Psicologia do trânsito nada mais é que um ramo da psicologia experimental que investiga, avalia e estuda os comportamentos humanos de deslocamentos individual ou coletivo em função de um conjunto de normas, regras, leis ou convenções que visam afirmar a integridade e a segurança daqueles que se locomovem tanto em ambiente natural quanto construído.

Entende que o trânsito é composto pela interação entre três grandes subsistemas: o homem, a via e o veículo. Além disso, percebe-se que uma locomoção segura e organizada envolve três elementos principais:  engenharia, educação e policiamento/legislação (MOREIRA, 2006).

De acordo com Rozestraten (1988) a Psicologia do Trânsito não se limita exclusivamente ao exame psicotécnico ou psicológico do motorista. Psicologia do Trânsito é o estudo científico do comportamento dos usuários, fiscais, construtores e mantenedores das vias públicas relacionados com o trânsito.

A real dificuldade da Psicologia de Trânsito é a relação entre fenômenos e processos psicológicos e acidentes. Sabe-se que é extremamente complexo conseguir dados válidos sobre acidentes e o comportamento que os precedem. Os registros são muito superficiais quando se reportam aos fenômenos psicológicos subjacentes ao comportamento antecedente ao acidente ou à pertinência de causas. Assim, descrições de registros policiais, tais como: "o carro bateu em um poste" são comuns, mas limitados para análise (HOFFMANN, 2005).

O Conselho Federal de Psicologia juntamente com o Departamento de trânsito, organizaram o Código Brasileiro de Ocupações (CBO) que tem por finalidade a identificação das ocupações no mercado de trabalho, para fins classificatórios junto aos registros administrativos e domiciliares.

O papel do psicólogo no trânsito é desenvolver uma pesquisa científica no campo dos processos psicológicos, psicossociais e psicofísicos relacionados ao problema do trânsito. Além disso, tal profissional realiza exames psicológicos de competência profissional em candidatos a habilitação para dirigir veículos automotores, assessora no processo de preparação e fundação de sistemas de sinalização trânsito, de maneira especial no que se refere a assuntos de comunicação, recepção e retenção de dados, participa de equipes voltadas à precaução de acidentes de trânsito, desenvolvem, na esfera de sua aptidão, estudos e projetos de instrução de trânsito, colabora nos estudos e pesquisas relacionados ao comportamento humano individual ou coletivo na situação de trânsito. Notadamente nos complexos urbanos, analisa as decorrências psicológicas do alcoolismo e de outros distúrbios nas situações de trânsito. Assim, aplica e analisa novas técnicas de mensuração da competência psicológica dos condutores, bem como contribui com a justiça e proporciona quando solicitado laudos, pareceres, depoimentos, servindo como instrumento comprobatório para melhor aproveitamento da lei e justiça, além disso, atua como perito em exames de motoristas objetivando sua readaptação ou reabilitação profissional. Sendo que dentro destes, surgiu à avaliação psicológica destinada aos candidatos a carteira nacional de habilitação (CNH) (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA 1992).

7. Avaliação Psicológica de Candidatos à Carteira Nacional de Habilitação

A partir da necessidade de qualificação e normatização de procedimentos relacionados a pratica da avaliação psicológica de candidatos  a CNH e condutores de veículos, foi aprovado um manual para esta avaliação no dia 20 de dezembro de 2000, onde pretende suprir uma lacuna quanto á normatização de procedimentos relacionados a prática da avaliação psicológica (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, 2000).

Instrumentos de avaliação psicológica: Apresentando um variado elenco de instrumentos psicológicos, incluindo testes psicológicos, questionários, entrevistas, observações situacionais, técnicas de dinâmica de grupo, dentre outros.

Entrevista psicológica: é uma conversação dirigida a um propósito definido de avaliação. Sua função é prover o avaliador de subsídios técnicos acerca da conduta do candidato, completando os dados obtidos pelos demais instrumentos utilizados.

Condições do aplicador: Uma avaliação psicológica, além de ser bem fundamentada em instrumentos válidos, requer profissionais psicólogos que sejam competentes para a sua devida aplicação. Isto significa que estes profissionais devem ser qualificados e treinados com embasamentos teóricos e práticos para este objetivo.

Mensuração e avaliação: Os resultados dos testes psicológicos são interpretados através de um conjunto de normas obtidas a partir de amostras de padronização. A amostra de padronização ou normativa constitui-se um grupo representativo de pessoas nas quais o teste foi aplicado.

Laudo psicológico: O laudo psicológico nada mais é que o documento de registro das informações obtidas na avaliação psicológica e deverá se arquivado junto aos protocolos dos testes, para em seguida, ser emitido um parecer final em documento próprio. Tal laudo deve ser conclusivo e se restringir às informações estritamente à solicitação, com a finalidade de preservar a individualidade do candidato (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA 2000).

8. Metodologia

O tipo de pesquisa na qual realizado pesquisa de campo e descritiva, pois Segundo Gil (2002) nesse tipo de pesquisa o investigador preocupa-se com a pesquisa de campo e o aprofundamento das questões propostas, visa estudar um único grupo ou comunidade. Ela procede à observação de fatos, bem como também fenômenos, à coleta de dados referentes aos mesmos e, finalmente, à análise e interpretação desses daos, com base em uma fundamentação teórica consistente e real, objetivando assim compreender e explicar o problema pesquisado.

O tipo de pesquisa que se classifica como "descritiva". Tal pesquisa tem o intuito buscar a resolução de situações conflitantes e problemas, melhorando assim as práticas  por meio da observação, análise e descrições objetivas por meio de entrevistas técnicas e validação de conteúdo. Tem  por finalidade analisar, observar e registrar os fenônemos sem, entretanto, entrar no mérito de seu conteúdo.

A pesquisa foi realizada na Clínica de Médicos e Psicologia no Trânsito.Localizado na Rua 08 esquina com a Avenida Mato Grosso no município de Gurupi-To. Onde o sujeito entrevistado foi uma Psicóloga do trânsito, no município de Gurupi-To. Para execução do projeto será realizada uma entrevista semi-estruturada  com a psicóloga, que trabalha na clinica de médicos e psicólogos do trânsito no municipio de Gurupi-TO.

Os procedimentos para a coleta de dados, ocorreu somente após aprovado pelo Comite de Etica em Pesquisa do Centro Universitário Unirg, as acadêmicas entraram em contato com a psicóloga examinadora do Detran, que com agendamento previo, (por telefone) na clínica de médicos e psicólogos do Detran,  onde as acadêmicos realizaram uma entrevista semi estruturada, na própria clínica, com orientação da supervisora.

Onde a importância deste estudo se dê, pois no término da pesquisa poderá contribuir dados concretos sobre como o trabalho do psicólogo está funcionando no Município e ao compará-lo com o preconizado pelo Conselho Federal de psicologia, poderá subsidiar possíveis adequações, levando em consideração que os acidentes de trânsito é uma das principais causas de mortes no país. Saber como o psicólogo está atuando e como poderá atuar é de fundamental importância. 

Os resultados alcançados são os seguintes: identificar métodos e técnicas de intervenção dos psicólogos do trânsito em Gurupi-To e compará-los com o preconizado pelo Conselho Federal de psicologia, com o intuito de fornecer subsídios para a análise do trabalho do psicólogo do Trânsito no Município.

Os incômodos que poderá sentir com a participação são os seguintes: nenhuma alteração física, uma provável inibição, mínimo desconforto. Os possíveis riscos à saúde física e mental são: mínimos, pois se referem aplicação de entrevista semi estruturada. Os benefícios que deverão esperar com a participação, mesmo que não diretamente são: compreensão do trabalho desenvolvido pelo psicólogo do trânsito no Município.

Após a coleta de dados os mesmos foram analisados de forma qualitativa, que passou por uma análise de argumentação, com a organização das unidades de respostas em categorias e embasando com outras pesquisas realizadas sobre a temática.

9. Resultados e Discussão          

No dia 27 de abril de 2010, as acadêmicas encaminharam-se  a Clínica de Médicos e Psicólogos  do Trânsito no município de GURUPI-TO, onde realizaram uma entrevista com a Psicóloga que trabalha na clínica, objetivando analisar o papel do Psicólogo do Trânsito no Município de Gurupi-TO, confrontando com o que preconiza o Conselho Federal de Psicologia.

Ao ser questionada sobre a avaliação psicológica, em se tratando de métodos e técnicas utilizadas a mesma respondeu que na avaliação que é realizada pela Clínica em Gurupi, os profissionais utilizam Entrevista, Testes Psicométricos e Projetivos. Diante da resposta da psicóloga entrevistada, é válido citar conforme a portaria do CFP resolução nº012/00 de 20 de dezembro de 2000, a qual preconiza que os instrumentos psicológicos são bastante variados, incluindo teste psicológico, questionários, entrevistas, observações situacionais, técnica de dinâmica de grupo dentre outros, no entanto os instrumentos de avaliação psicológicos mais conhecidos são os testes psicológicos e as entrevistas psicológicas, os quais são utilizados na clinica de Gurupi.

Em relação à contribuição do psicólogo do trânsito sobre à prevenção de acidentes de trânsito e implantação de políticas públicas no município de Gurupi TO, a psicóloga respondeu que a contribuição é nas disciplinas ligadas a área de comportamento que são ministradas nas aulas técnicas.

Porém o Conselho Federal de Psicologia preconiza que o psicólogo do trânsito, desenvolva pesquisas cientifica no campo dos processos psicológicos, psicossociais e psicofísicos relacionados ao problema do trânsito, assessora no processo de elaboração e implantação de sistemas de sinalização de trânsito, participando de equipes multiprofissionais voltadas à prevenção de acidentes de trânsito, estuda as implicações psicológicas do alcoolismo e outros distúrbios nas situações de trânsito, avalie a situação causa-efeito na ocorrência de acidente; aplique e avalie novas técnicas de mensuração da capacidade psicológica dos motoristas, servindo como instrumento comprobatório para melhor aplicação da lei e justiça.

Quando questionada se os psicólogos do trânsito no município de Gurupi-TO desenvolve na esfera de sua competência estudos e projetos de educação de trânsito, a mesma disse que não são realizados nem estudos e nem projetos. Mais tem conhecimento sobre as funções e atribuições que o Conselho Federal de Psicologia preconiza ao profissional psicólogo do trânsito, sendo realizar exames psicológicos de aptidão profissional em candidatos a habilitação para dirigir veículos automotores (“Psicotécnicos”), desenvolva, na esfera de sua competência, estudos e projetos de educação de trânsito, contribua nos estudos e pesquisas relacionados ao comportamento individual e coletivo na situação de trânsito, especialmente nos complexos urbanos, colabora com a justiça e apresenta, quando solicitado, laudos, pareceres, depoimentos.

A psicóloga disse que neste município não e avaliado a relação causa-efeito de acidentes de trânsito, levando atitudes-padrão nos envolvidos nessas ocorrências e sugerindo formas de atenuar as suas incidências, porque segundo ela o psicólogo do trânsito deveria estar inserido nos órgãos do DETRAN que visa às políticas públicas, sendo que neste município há uma carência de psicólogos no DETRAN.

Acrescentou ainda que as dificuldades encontradas pelos psicólogos do trânsito neste município estão relacionadas no envolvimento da categoria que é precária, dificultando ações coletivas ligadas à prevenção. Divergindo do que a psicóloga entrevistada relatou, Hoffmann (2005) acrescenta que as dificuldades da Psicologia de Trânsito é a relação entre fenômenos e processos psicológicos e acidentes. Sabe-se que é extremamente complexo conseguir dados válidos sobre acidentes e o comportamento que os precedem. Os registros são muito superficiais quando se reportam aos fenômenos psicológicos subjacentes ao comportamento antecedente ao acidente ou à pertinência de causas.  Exemplos de registros que se reportam apenas as causas físicas, dificultando as avaliações dos fenômenos psicológicos assim, as descrições de registros policiais, tais como: "o carro bateu em um poste" são comuns, porem limitados para análise.

A psicóloga concorda em parte que os psicólogos do trânsito no município de Gurupi-TO, atuam como preconiza o Conselho Federal de Psicologia utilizando os métodos e técnicas disponíveis dizendo que se faz as avaliações conforme a portaria referente à este tipo de avaliação, acrescentando que a falha esta na falta de atuação na avaliação das políticas públicas,  pois não tem psicólogo atuando nessa área, somente em avaliação para obtenção da CNH.

Portanto a psicologia com sua participação profissional no pós-acidente busca contribuir com a diminuição dos comportamentos disfuncionais, devolvendo ao trânsito, um indivíduo mais consciente e multiplicador da responsabilidade da ação de estar no trânsito.

Percebe-se que a psicologia do trânsito no municipio de GURUPI-TO, está diretamente voltada a realizar apenas testes, e avaliar os perfis dos candidatos a carteira nacional de habilitação. Ficando claro que os mesmos não desenvolvem projetos educação no trânsito e nem implementação de politicas públicas. Onde a contribuição dos psicólogos em relação a educação no trânsito é nas disciplinas ligadas a área de comportamento que são ministradas nas aulas técnicas.

A mesma tem uma visão sistêmica da atuação e das devidas funções que o psicólogo do trânsito deve ter, como um todo desde as possibilidades e às exigências como e recomendado pelo Conselho Federal de Psicologia.

O município de Gurupi-TO, necessita contar com profissionais psicólogos do trânsito para atuarem no DETRAN, onde ocorreria diversos benefícios na prevenção de acidentes e políticas públicas no trânsito onde contemplariam todas as dimensões necessárias a atualidade, uma vez que apontariam diretrizes específicas voltadas para a sinalização, fiscalização e educação ajudando a evitar e atenuar a incidência de acidente.

10. Considerações Finais

O estudo da atuação do Psicólogo do trânsito na cidade de GURUPI-TO, possibilitou as acadêmicas uma visão mais ampla e tornou possível o conhecimento tanto da área de atuação quanto das funções e atribuições do psicólogo do trânsito. Onde se percebe os tipos de serviços prestados pelos psicólogos que atuam nesta área. Por meio dos dados obtidos foi possível constatar que o profissional psicólogo do trânsito no município de GURUPI-TO tem um conhecimento vasto sobre o que preconiza o Conselho Federal de Psicologia, e, no entanto estão atuando somente no processo de avaliação. Considerando o numero reduzido de profissionais e a falta de articulação do setor, fica a desejar que o processo educação no trânsito, e implementação de políticas públicas seja realizado.

Segundo o Conselho Federal de Psicologia cabe ao psicólogo do trânsito, desenvolver pesquisa cientifica relacionado ao problema do trânsito e ao comportamento individual e coletivo na situação de trânsito, realizar exames psicotécnicos, laudos, pareceres, depoimentos. Participa com equipe interdisciplinar no assessoramento, elaboração e implantação de sistemas de sinalização de trânsito, avalia a relação causa-efeito em situações de acidentes de trânsito.Sugestiona-se que, apesar das diversas funções que o psicólogo do trânsito pode exercer, seria viável que os mesmos, desenvolvam projetos de educação no trânsito, implementação de políticas publicas, devido à violência e as imprudências cometidas pelos condutores no trânsito desta cidade, como também que tenha um psicólogo no DETRAN neste município.Com mais profissionais exercendo na área e com psicólogos no departamento de trânsito, atuando diretamente com prevenção de cidentes e implementação de politicas públicas, seria de grande valia pois os mesmos poderiam planejar, elaborar, desenvolver e coordenar  programas educativos de trânsito e campanhas educacionais ministrando assim palestras e cursos no âmbito da legislação e educação de trânsito.O psicólogo do trânsito não tem a função de julgar, punir ou condenar os indivíduos causadores ou vítimas de acidentes, mas sim, desempenhar o papel de orientador na re-organização de comportamento em desajuste, buscando diminuir o número de acidentes ocorridos diariamente, tem como objetivo auxiliar o acidentado na percepção de si mesmo como sujeitode seus processos, inclusive o de estar no trânsito, com tudo o que isso possibilite de confortável ou traumático.

Sobre os Autores:

Laiana Melo de Araújo - Acadêmica do Curso de Psicologia do CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIRG.

Andréia Pinto Prevedello de Figueredo - Acadêmica do Curso de Psicologia do CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIRG.

Sara Morganna Batista Maciel - Acadêmica do Curso de Psicologia do CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIRG.

Amélia Carvalho de Araújo - Acadêmica do Curso de Psicologia do CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIRG.

Maria do Socorro Barbosa Castro - Acadêmica do Curso de Psicologia do CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIRG.

Referências:

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