Resumo: Os acidentes de trânsito trazem várias consequências para as vítimas, familiares e outros indivíduos que convivem com este tipo de fatalidade, tanto nos campos físico, psicológico, econômico, político, social, cultural, causando muitos óbitos, incapacidades permanentes e temporárias, alto dispêndio de recursos financeiros, problemas psicológicos e pessoais. Portanto, o estudo de pesquisa bibliográfica tem por objetivo descrever quais os impactos dos acidentes de trânsito para o funcionamento psicológico nas vítimas acidentada, compreender os custos econômicos, sociais e pessoais destes agravos e por fim entender a atuação do psicólogo do trânsito na prevenção contra os acidentes. As fontes de pesquisa utilizada foram livros e artigos científicos gratuitos, como Scientific Electronic Library Online (SCIELO), Literatura científica e técnica da América Latina e Caribe (LILACS), Google acadêmico, Rede Psicologia (RedePsi), Biblioteca virtual em saúde (BV-Saúde), Biblioteca virtual em Saúde (BIREME) e literatura científica e técnica da América Latina e Caribe (LILACS). De acordo com os objetivos propostos nesta pesquisa e com os teóricos citados neste estudo fica comprovado que os acidentes de trânsito gera um grande impacto para sociedade, fazendo com que os Examinadores Peritos do Trânsito repensem sobre sua atuação na prevenção contra os acidentes.

Palavras-chave: Saúde Pública, Avaliação Psicológica, Motoristas.

1. Apresentação

Os acidentes de trânsito estão entre as principais causas de morte no mundo, além de ser apontado como um importante problema de saúde pública deixam sequelas com implicações físicas e psicossociais para os envolvidos.

Segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA); Departamento Nacional de Transportes (DNT) e Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP) (2006), no Brasil, os acidentes de trânsito, apresentam custos sociais, ambientais, psicológicos, financeiros e um alto índice por leitos hospitalares, gerando assim impacto psicológico nos acidentados e seus familiares, além das faltas relacionadas ao trabalho, às indenizações e os gastos materiais que geram esses acidentes. Entretanto estima-se que os custos com os acidentes nas rodovias brasileiras sejam de R$ 22 bilhões, o que representa aproximadamente 1,2% do PIB brasileiro.

De acordo com Otto e cols (1993) os acidentes de trânsito têm sido apontados como uma problemática da vida urbana e da civilização gerada pelo ingresso dos veículos automotores no dia-a-dia das vidas das pessoas, além dos aspectos que envolvem a poluição ambiental, a engenharia do trânsito e a qualidade de vida dos envolvidos, serem um dos grandes fatores que contribuem com os acidentes.

Marín-León (2003) considera os acidentes de trânsito um problema de saúde pública, mas afirma que tem recebido uma atenção limitada, gerando assim uma necessidade de estudos, programas educativos e políticas de saúde que tenham por objetivo a prevenção.

Sendo assim a pesquisa surgiu de uma percepção de que os acidentes de trânsito trazem importantes implicações tanto para os indivíduos como para a sociedade. As sequelas, as deficiências físicas decorrentes dos acidentes trazem prejuízos financeiros, familiares e profissionais para o indivíduo e gastos hospitalares, diminuição da produção e custos previdenciários para a sociedade.

Esses aspectos nos induzem a alguns questionamentos. Quais são os impactos dos acidentes de trânsito para o funcionamento psicológico nas vitimas acidentadas? Alguns impactos que são eles: dificuldade das vítimas em retomarem com as atividades sociais e profissionais, quadro clínico de transtorno de stress pós-traumático e do desenvolvimento de fobias, medo e ansiedade em relação ao comportamento de dirigir, entre outros.

O estudo de pesquisa bibliográfica tem por objetivo descrever quais os impactos dos acidentes de trânsito para o funcionamento psicológico nas vítimas acidentada, compreender os custos econômicos, sociais e pessoais destes agravos e por fim entender a atuação do psicólogo do trânsito na prevenção contra os acidentes.

2. Fundamentação Teórica

2.1 Psicologia do Trânsito

Silva (2012) relata que a prática do psicólogo teve início a partir do primeiro código nacional de trânsito, surgindo assim à lei dos exames para obtenção da carteira nacional de habilitação, que tem o objetivo de investigar as condições mínimas das capacidades físicas e psíquicas dos motoristas. Depois de oito meses, surgiu um novo decreto-lei, n° 3.651 que alterou o código em algumas partes, criando o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), órgão normativo e consultivo que coordena atualmente o Sistema Nacional de Trânsito (SNT), responsável pela elaboração das regulamentações do trânsito (CONTRAN, 1941).

Em 1940 foi promulgado outro decreto-lei, n° 9.545, que ocasionou um grande impacto para o psicólogo, abordando a carteira nacional de habilitação e a prática da atividade do motorista, onde indicava regras para o exame médico (físico e mental) dos candidatos, neste documento salientava que deveria ser organizada pela junta médica, um conjunto de testes para o exame psíquico, sem caráter eliminatório, até que fossem normatizadas as médias normais do perfil psicofisiológico do condutor (CONTRAN, 1946).

Depois de muitas mudanças em 1962, a profissão de psicólogo foi regulamentada no Brasil, dando início ao movimento de criação do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e dos Conselhos Regionais de Psicologia (CRPs). A Psicologia do trânsito foi uma das primeiras áreas de atuação do psicólogo desde o início do reconhecimento da Psicologia no País (CONTRAN, 1966).

Silva e Gunther (2009) relatam que algum tempo depois, no âmbito da legislação de trânsito, foi instituído o segundo Código Nacional de Trânsito reorganizando, desta forma, o Sistema Nacional de Trânsito e criado os Departamentos de Trânsito (DETRANs) como parte desse sistema. Ficando designado ao Estado brasileiro implantar o seu próprio DETRAN, e que os serviços psicotécnicos fossem obrigatório.

A década de 80 foi marcada por uma grande preocupação com o direito a livre locomoção, aos serviços de transporte de passageiro e ao transporte escolar. Na década de 90, a Associação Brasileira de Psicologia do Trânsito foi convocada, junto a outras entidades, pelas instâncias superiores do trânsito para discutir e avaliar o Sistema Nacional de Trânsito, conforme a Ata n° 3.681, da 26ª reunião ocorrida no Ministério da Justiça (CONTRAN, 1988).

Em 1997 foi instituído o Código de Trânsito Brasileiro, que repercutiu no trabalho do psicólogo antes mesmo de entrar em vigor. No período de 1995 á 2003 o Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, vetou alguns artigos, inclusive o que recomendava a obrigatoriedade do exame psicológico ao candidato à carteira nacional de habilitação (Contran, 2002). Mas o Conselho Federal de Psicologia e os Conselhos Regionais de Psicologias se reuniram e conseguiram garantir que o veto fosse excedido por nova lei que incluiu o exame, demonstrando a força política dos psicólogos (Conselho Federal de Psicologia, 2011).

Depois das grandes manifestações realizadas pelos psicólogos peritos do trânsito, para garantir seus direitos à avaliação psicológica para licença de habilitação foi regulamentava na resolução n° 80 de 19 de novembro de 1988, que dispunha sobre os exames de aptidão física e mental e os exames de avaliação psicológica, a resolução, também relata sobre o credenciamento que deve ter o Curso de Capacitação para Psicólogo Perito Examinador, sendo a carga horária de 120h (CONTRAN, 1988).

 Em 2001, foi promulgada a Lei n° 10.350 que estabelece que a avaliação psicológica deve ser realizada no ato da renovação sempre que o condutor se submeter a atividade remunerada ao veículo (Ministério da Saúde e Secretaria de Vigilância em Saúde 2001).

Contran (1998) cita as resoluções sobre o trabalho do psicólogo perito do trânsito, destacando a resolução nº 51, de 21 de maio de 1998 que dispõe sobre os exames de aptidão física e mental e os exames de avaliação psicológica, que foi alterada pela resolução nº 80, de 19 de novembro de 1998. Já em relação à resolução nº 267, de 15 de fevereiro de 2008, que estabelece as normas e procedimentos para a formação de condutores de veículos automotores e elétricos, a realização dos exames, a expedição de documentos de habilitação, os cursos de formação, especialização e reciclagem.

 Dispondo sobre o exame de aptidão física e mental, a avaliação psicológica e o credenciamento das entidades públicas e privadas. A resolução nº 283, de 01 de julho de 2008, altera a resolução nº 267/2008, apenas o art. 18.  Em relação à resolução nº 327, de 14 de agosto de 2009, alterou a resolução nº 267, a alínea “b” do inciso I do art. 16.  Depois surgiu a resolução nº 300, de 04 de dezembro de 2008, que estabelece os procedimentos para submissão do candidato a novos exames para que possa voltar a dirigir quando condenado por crime de trânsito ou quando envolvido em acidente grave.

Neste mesmo ano entrou em vigor a resolução n° 267, que institui os seguintes processos psíquicos a serem avaliados: personalidade, atenção, inteligência e a memória. Quanto ao resultado da avaliação, o indivíduo poderá ser avaliado: apto, inapto temporário ou inapto (CONTRAN, 2008).

De acordo com Silva (2012), em 2004, entrou em vigor a resolução do CONTRAN n° 168, que instituem normas e procedimentos para a realização dos exames para obtenção da carteira nacional de habilitação, aonde relata que, após o devido cadastramento dos dados informativos do indivíduo no Registro Nacional de Condutores Habilitados (RENACH), seguirá com a realização da avaliação psicológica, exame de aptidão física e mental, curso de aula teórico técnico, exame teórico técnico, curso de prática de direção veicular e exame de prática de direção veicular.

A resolução constitui ainda que a avaliação psicológica será exigida quando o candidato for obter autorização para conduzir ciclomotor (ACC), obtenção da Carteira Nacional de Habilitação; renovação caso o motorista exerça serviço remunerado de transporte de pessoas ou bens; substituição do documento de habilitação obtido em país estrangeiro, ou por solicitação do perito examinador (SILVA, 2012).

Portanto avaliação psicológica é um processo técnico exigido pela legislação brasileira do trânsito. Esta atividade é definida por meio de regras específicas como as Resoluções do Conselho Federal de Psicologia de nº 007 de 2003 e a 007 de 2009 (Conselho Federal de Psicologia, 2011). O processo de avaliação psicológica é amplo, envolve informações que são coletadas por meio das estratégias a serem utilizadas, como, a saber, entrevista psicológica, testes psicológicos, observações técnicas que o psicólogo julgar importante serem consideradas (Conselho Federal de Psicologia, 2007).

O psicólogo atua dentro da responsabilidade e compromissos com a promoção da cidadania, seguindo os princípios fundamentais da profissão onde se pode citar. 1. O trabalho do psicólogo é amparado nos valores da Declaração Universal dos Direitos Humanos e baseado nos princípios do respeito, promoção da liberdade, dignidade, igualdade e na integridade do ser humano. 2. O psicólogo trabalha com a promoção da saúde e a qualidade de vida dos indivíduos e da sociedade, contribuindo para o desaparecimento da negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. 3. O psicólogo atua embasado na responsabilidade social, avaliando as críticas e a realidade política, econômica, social e cultural. 4. O psicólogo age de acordo com a responsabilidade profissional, contribuindo dessa forma, para o desenvolvimento da Psicologia como campo científico de conhecimento e de prática. 5. O psicólogo promoverá informação, conhecimento da ciência psicológica, serviços e aos padrões éticos da profissão a população. 6. O psicólogo zelará para que o exercício profissional seja efetuado com dignidade, rejeitando situações em que a psicologia esteja sendo aviltada. 7. O psicólogo trabalha com os princípios de seus exercícios profissionais, posicionando-se de forma crítica e em consonância com o código ética do psicólogo (Conselho Federal de Psicologia, 2005).

O psicólogo tem por dever contextualizar a realidade de cada candidato, levando em consideração o próprio ato de dirigir, o tipo de veículo (passeio, de transporte de carga e de transporte coletivo), além de todas as circunstâncias externas imagináveis de serem avaliadas neste candidato. Os autores acrescentam ainda, que existem as variáveis que podem atrapalhar no desempenho da atividade de dirigir um veículo, como o uso de álcool, de substância psicoativa e outras, assim como patologias orgânicas que podem acarretar alterações na conduta e comportamento que interferem na ação de dirigir (Mariuza & Garcia, 2010).

De acordo com o £ 1º artigo 13 da Lei 4.119/62 os testes psicológicos é um meio de observação, onde é realizado registro de amostras de comportamentos e respostas de pessoas com a finalidade de descrever ou mensurar características e processos psicológicos, exposto no ser humano, como por exemplo, nas áreas emoção, cognição, motivação, personalidade, psicomotricidade, atenção, memória, percepção, entre outras (Conselho Federal de Psicologia, 2003).

Os psicólogos peritos examinadores de trânsito utilizam testes psicológicos, que foram desenvolvidos para investigar características consideradas indispensáveis aos candidatos à obtenção da Carteira Nacional de Habilitação, características estas, exclusivas e fundamentais para decisão técnica quanto à capacidade ou não deste indivíduo em conduzir um veiculo automotor (MARIUZA e GARCIA, 2010). O processo de avaliação psicológica realizada no contexto do trânsito, além de complexo e com objetivo específico, avalia sujeitos que se encontram em distintas fases da vida. Assim sendo o processo de avaliação abrangerá sujeitos que estão na adolescência à terceira idade, com suas diferentes características e culturas, com valores próprios e enraizados (Conselho Federal de Psicologia, 2007).

Silva e Alchieri (2010) compreendem que o intuito da avaliação psicológica no trânsito é constatar as condições mínimas dos candidatos que anseiam conduzir um veículo automotor com segurança. O Contran (1998) na resolução nº 80/98 do Código de Trânsito Brasileiro relata que a avaliação psicológica é investiga as características psicológicas, como por exemplo, a percepção, tomada de decisão, motricidade e nível mental; equilíbrio psíquico, excitabilidade, ausência de quadro patológico, controle adequado da agressividade e da impulsividade, equilíbrio emocional e ajustamento pessoal-social; e por último as habilidades específicas, que prevê avaliação dos tempos de reação, atenção concentrada, rapidez de raciocínio e relações espaciais.

2.2 Acidentes De Trânsitos

De acordo com Mantovani (2003) e Cubas (2009), os acidentes de trânsito estão entre as principais causas de morte no mundo, se encontrando na 9ª posição e, com os atuais níveis de crescimento, com possibilidade de chegar à 6ª posição até 2020, sendo considerada uma das maiores causas de morte no mundo. No Brasil, o aspecto legal referente à prevenção de acidentes está contido no artigo do Código de trânsito Brasileiro (CTB) e no decreto. O artigo 78, da Lei nº 9.503 de 23 de setembro de 1997, que dispõe por meio do seguro obrigatório de danos pessoais causados por veículos automotores de vias terrestres (DPVAT) (GONÇALVES; MORITA e HADDAD, 2007).

Fundamentado nesse aspecto legal, o Ministério da Saúde, Secretaria de Assistência a Saúde e Secretaria de Vigilância em Saúde, com o repasse dos recursos do seguro obrigatório de danos pessoais causados por veículos automotores de vias terrestres (DPVAT), criaram a Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por acidentes e violências, conforme a Portaria MS/GM nº 737 de 16 de maio de 2001. O plano de redução da mortalidade por acidentes de trânsito mobiliza a sociedade e promove a saúde de acordo com a Portaria MS nº 334 de 19 de fevereiro de 2002, e a Politica Nacional de Promoção da Saúde, Portaria MS/GM nº 687 de 30 de março de 2006, publicada no Diário Oficial da União, seção 1 nº 63 de 31 de março de 2006 (Ministério da Saúde e Secretaria de Vigilância em Saúde, 2001).

Segundo Rozestraten (1988) os acidentes de trânsito acontecem na maioria das vezes, por consequência de vários fatores, em que pode citar os humanos, veículo e ambiente. Por essa razão, as causas dos acidentes de trânsitos podem ter origem no sistema homem; via e veículo que, em ocasiões normais, funciona sem nenhuma dificuldade.

De acordo com Cruz (2013) os fatores humanos que geram os acidentes estão ligados à formação insatisfatória dos envolvidos, ligados com a imperícia, inabilitação, inexperiência entre outras, ou às suas condições físicas e psicológicas adversas, como o cansaço, sonolência, estresse, agressividade, euforia, pressa e desatenção. Causas que geram o cometimento de erros no trânsito por parte dos seus usuários.

Ferraz e cols (2012) ressaltam alguns fatores que atrapalham de forma negativa no trânsito, como o cansaço a sonolência, que diminuem a capacidade física e mental dos motoristas e interferi na resposta à (1) situação de risco; (2) o comportamento perigoso, que incide em dirigir sem respeitar as leis de trânsito e o bom senso; a falta de habilidade, originada pela ausência de treinamento, inexperiência e/ou incapacidade por doenças, idade avançada; desvio de atenção, como procurar/pegar objetos no chão do carro, bolsa; não ver e não ser visto fato que pode estar associado à deficiência visual, condições ambientais; propaganda comercial na lateral da pista que pode desviar a atenção dos condutores.

Vasconcelos (2005) relata que, existe discrepância entre os técnicos e especialistas em relação às causas dos acidentes de trânsito. No entanto o autor concorda que o fato dos acidentes raramente ter uma única causa, aponta para o fator humano como sendo o maior culpado pelos acidentes. Dentre os fatores considerados desencadeadores dos acidentes, o autor menciona o ambiente inadequado de circulação, tanto em relação aos veículos quanto a pedestres e ciclistas; o uso de álcool ou de outras drogas por interferirem nos reflexos dos condutores e, até mesmo, dos outros usuários da via; a velocidade excessiva, em razão de a energia cinética aumentar exponencialmente com a velocidade; as condições da pista e da sinalização estão por traz dos grandes acidentes; por último, o estado de manutenção dos veículos, especialmente com relação aos freios e suspensão.

Além disso, Oliveira e Mello (2008) ressaltam que os acidentes de trânsito, é uma das principais causas de óbito, mas, também são os responsáveis pela ocorrência de morbidade, como as lesões em variados graus de extensão e proporção, incapacidades permanentes e temporárias, sequelas, dor e sofrimento para as vítimas e seus familiares. Esses acidentes provocam prejuízos e acometem especialmente os jovens em idade produtiva.

Os acidentes e as violências são efeitos de ações ou omissões humanas e de regulamentos técnicos e sociais, o acidente é compreendido como um episódio não intencional e evitável, podendo dessa forma ocasionar lesões físicas e/ou emocionais no ambiente familiar, social, trabalho, trânsito, escola, esporte e lazer. Essa política ostenta que tais acontecimentos são, em maior ou menor grau, previsíveis e prevenidos (CONTRAN, 2001). Dessa forma os acidentes têm sido apontados como um importante problema de saúde pública, representando uma perda de aproximadamente três anos na expectativa de vida dos habitantes de países em desenvolvimento (OTT e COLS, 1993).

De acordo com Tolentino (2013) os acidentes de trânsito trazem impacto na sociedade, economia e saúde, gerando sobrecarga dos serviços de saúde com alta demanda de profissionais de saúde, leitos hospitalares e unidades de terapia intensiva.  No Brasil, de acordo com pesquisas realizadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Ministério dos Transportes e do Departamento de Polícia Rodoviária Federal (DPRF), Ministério da Justiça (2010) ocorreram 182.900 acidentes nas rodovias federais, sendo que 102.896 feridos e 8.616 mortes, desde total 1.514 foram de colisões frontais com vítimas mortas e 10.534 colisão traseira com vítimas feridas e a grande maioria do sexo masculino onde representam cerca de  276.687 envolvidos nos acidentes de trânsitos.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), (2004), realizaram pesquisas sobre os custos de acidentes em estradas, as estatísticas demostraram um gasto total de 5,3 bilhões de reais numa abrangência de 49 aglomerados urbanos brasileiros, fora as despesa de acidentes ocorridos em estradas.

Estudos realizados entre 2004 e005 pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), juntamente com a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), com apoio do DENATRAN, Ministério da Saúde, Ministério dos Transportes e outros, apontam alguns dados sobre as despesas sociais dos acidentes de trânsito, onde se pode citar, as pessoas envolvidas, feridas, mortos, pessoas sem ferimento algum e/ou terceiros (pedestres); os veículos, parcial ou inteiramente destruídos, com pequenos ou nenhum dano; a via e ambiente, mobiliário, propriedades públicas ou privadas, clima, iluminação; o aparato institucional e os aspectos socioambientais, legislação, fiscalização, administração da via e seu entorno, entre outros.

Existem ainda outros gastos envolvidos como, atendimento pré-hospitalar; atendimento hospitalar; atendimento pós-hospitalar; perda de produção; remoção/translado; gasto previdenciário; danos materiais aos veículos; perda de carga; remoção/pátio; reposição; processos judiciais; atendimento policial; danos à propriedade pública e privada (ZiMMERMAN, 2008).

De acordo com a pesquisa realizada por Souza e cols (2010) sobre os acidentes de trânsito, 52,0% dos acidentados que sobreviveram possuíam algum dependente e 32,0% alegaram-se casados. Tais informações revelam que além do sofrimento que o acidente provoca, existe ainda a probabilidade dos familiares serem prejudicados pelo risco de morte ou perda de renda e emprego pela vítima.

Dos 84,0% que afirmaram trabalhar anteriormente ao acidente, 7,0% perderam o emprego e 28,0% passaram a receber renda inferior. Das pessoas que foram prejudicadas pela redução de seus lucros, mais da metade (51,0%) relataram a perda de 100,0% de seu rendimento mensal. Os acidentes de trânsito trazem várias consequências aos acidentados tanto de forma física, psicológica, econômica, política, social, cultural. Além do imenso número de mortes, incapacidades permanentes e temporárias, altas despesas financeiras, problemas psicológicos e pessoais, além da dor e do sofrimento das vítimas, familiares e de outras pessoas que convivem com este tipo de fatalidade (FILHO, 2012).

Ainda o mesmo autor ressalta que os acidentes trazem problemas em relação às despesas com o tratamento, gastos financeiros provocados pelos estragos aos automóveis próprios ou de terceiros, transtornos familiares e prejuízo de dependentes. As sequelas físicas tais como dor crônica, fibromialgia e outras, podem ser parte de um mecanismo complicado envolvendo relações entre experiências anteriores, respostas agudas ao stress pós-traumático, comportamentos pós-acidente, suas consequências cognitivas e psicossociais, com possíveis influências em regiões cerebrais de processamento da dor, configurando um modelo biopsicossocial (FILHO, 2012).

Pires e Maia (2004) relatam que os acidentes, também, podem dar origem a outros transtornos psicológicos, entre as quais se podem citar os sinais de perturbação aguda de stress, ansiedade generalizada, ansiedades específicas e fobias.  De acordo com Magalhães (2006) os transtornos de stress pós-traumático é um conjunto de variáveis psicológicas, tais como; dissociação persistente; sintomas de ansiedade e depressão e ruminação de ideias, acompanhada de irritabilidade e interpretação negativa da situação. Com relação ao stress pós-traumático, este pode ser conceituado como uma síndrome que pode acontecer da exposição a um trauma, com o aparecimento de agravo no campo psicológico tanto para os que são diretamente atingidos, ou para os que presenciam o acontecimento (PIRES e MAIA, 2004).

Magalhães (2006) relata que o transtorno de stress pós-traumático nas vitimas que sofreram acidente de trânsito, em geral, apresentam perda na adaptação psicossocial pós-acidente, com indícios depressivos e ansiedade que reforçam a percepção de estar doente. Tais manifestações nas vitimas acidentadas faz com que elas tenham dificuldade na retomada das atividades sociais e profissionais.

Ainda Magalhães (2006) destaca as precárias condições de disponibilidade de suporte social e de programas de reabilitação apontando assim a atenção para necessidade de investimentos em programas especializados que tenham por finalidade a reabilitação psicossocial.

Marin-León e Queiroz (2001) realizaram um estudo sobre a qualidade de vida dos acidentados onde indicaram que as vítimas de acidentes de trânsito em geral apresentaram detrimentos após o acidente. Destacando os prejuízos na qualidade de vida pós acidente a gravidade do trauma, a presença de sintomas de ansiedade e depressão e a diminuição do convívio social e familiar com dificuldade de retorno ao trabalho. Tais estudos citados anteriormente pelos autores tiveram por base identificar as consequências dos acidentes de trânsito para a adaptação psicossocial e a qualidade de vida dos envolvidos, identificando o impacto negativo destes para os acidentados, tanto no seu funcionamento psicológico como na qualidade de vida.

Scarpelini (2001) avaliou em sua pesquisa as consequências psicossociais dos acidentes de trânsito para os envolvidos, constataram que tanto os motoristas quanto os passageiros apresentaram prejuízo quanto ao seu bem estar geral pós-acidente, sobretudo pela dificuldade de desenvolver estratégias de enfrentamento que beneficiem a adaptação psicossocial por meio da retomada de atividades rotineiras.

Zimmerman (2008) ressalta que, em relação aos danos psicológicos causados nas pessoas que sofreram acidente de trânsito é variável, podendo ser leve, com alterações reativas na dinâmica de personalidade ou na vida social, sexual, afetivo emocional e profissional. O grave pode corresponder, em alguns casos, a manifestação de episódios depressivos graves com sintomas psicóticos, como alucinações, ideias delirantes, lentidão psicomotora, podendo evoluir. Levando o indivíduo a um comprometimento nas atividades sociais normais tornam-se impossibilitadas, causando deste modo o risco de morte por suicídio. Cruz (2013) compreende que os acidentes de trânsito, além das mortes, ocasionam morbidade, ou seja, gera deficiências em virtude das lesões causadas nos sobreviventes.

As indenizações por invalidez pagas pelo seguro DPVAT demonstram que os acidentes de trânsito estão aumentando o número de pessoas com deficiência no Brasil, pois em 2013 o crescimento no pagamento das indenizações por invalidez permanente foi maior que a registrada em 2012. Aponta, também, que, as indenizações pagas pelo seguro em 2013 registraram um crescimento de 45% do que em 2012 (DPVAT, 2014).

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Ministério dos Transportes e do Departamento de Polícia Rodoviária Federal (DPRF), Ministério da Justiça (2010), revelam que os acidentes acontecem com um grupo de indivíduos jovens, em que os mesmos acabam adquirindo deficiência física, e por esta razão saem do mercado de trabalho em plena capacidade produtiva. Esse fato gera custos para a sociedade como internações hospitalares, tratamento, reabilitação, até mesmo custos previdenciários, gerando um número preocupante de deficiências adquiridas. Além do impacto na família que muitas vezes se desestrutura por causa da nova realidade (CRUZ, 2013).

Croce (2004) relata que as deficiências adquiridas são aquelas contraídas ao longo da vida. Ou seja, a pessoa não nasceu deficiente, mas passou a ser deficiente devido a um motivo externo, fazendo membro de uma estatística que afeta não só o vitimado, mas também, toda a sua família ocasionando consequências que vão além dos danos materiais e ambientais causado pelo acidente. Cruz (2013) em sua pesquisa descreveu que os vitimados e vitimizados sofrem em razão das sequelas físicas ou psicológicas deixadas pelas lesões corporais que foram causadas pelos acidentes. Os acidentes de trânsito são produtores de lesões corporais que podem deixar sequelas irreversíveis, afetando a vítima, a família e, de certo modo, toda a sociedade em virtude dos custos sociais resultantes da reparação do dano físico ou mental causado pelo mesmo. Os custos ambientais e materiais podem ser mensurados e comprovados através dos números. No entanto, a perda de vidas ou de qualidade de vida não pode ser mensurada pelas indenizações, pois não há dinheiro que pague a vida ou a saúde de uma pessoa.

A lesão corporal é um dano causado por alguma pessoa à integridade de outra pessoa. Croce (2004) conceitua a lesão corporal como todo e qualquer dano originado à normalidade do corpo humano, tanto do ponto de vista anatômico, quer do fisiológico ou mental. Alcântara (1982) destaca que as lesões corporais podem atingir o corpo, a mente e alterar o funcionamento perfeito da saúde da pessoa.

Koizumi (1992), Resende e Sousa (2009) e DNIT (2009) em suas pesquisas descrevem que as lesões mais frequentes, provocadas por acidentes de trânsito, são: fraturas e luxações de membros e pelve; ferimentos de superfície externa; lesões medulares; lesão cerebral; lesão ortopédica e lesão neurológica.

Cruz (2013) compreende que os traumatismos na cabeça e pescoço são avaliados como uma forma grave de lesões, em virtude de sua letalidade e sequelas, pois, quando não mata deixa o acidentado com sequela motora, tais como, paraplegia e tetraplegia, isto é, a sequela do traumatismo de cabeça e pescoço geralmente conduz o acidentado para as estatísticas dos deficientes físicos. Esse tipo de lesão acontece mais nos acidentes com moto ou bicicleta e nos atropelamentos.

Das lesões corporais geradas pelos acidentes de trânsito podem derivar sequelas, visíveis ou invisíveis, que de acordo com Cruz (2013) essas consequências podem interferir no retorno das atividades diárias e dependendo da gravidade da lesão e das sequelas, pode nem existir a possibilidade de retorno. Os acidentes de trânsito, conforme Mello e Laurenti (1997) representam uma carga social, não somente pelas perdas de vidas e sequelas, mas também pelos custos diretos e indiretos que trazem para sociedade.

De acordo com Cruz (2013), as pessoas que sobrevivem dos acidentes de trânsito e adquiram alguma deficiência física vivem um sofrimento diário, principalmente se as sequelas são para a vida toda. Quem se torna uma pessoa deficiente tem todo um sofrimento psicológico a ser trabalhado. Por vezes sente-se responsável pela sua sobrevivência, ou ainda, pela carga que acredita ter-se tornado para seus familiares.

Em uma pesquisa realizada pela Febraban (2006) sobre a população com deficiência no Brasil, foi constato que em uma amostra 1.200 pessoas que passaram por um acidente de transito, 34% dos indivíduos adquiriram deficiências, isto é, da amostra estudada 408 acidentados adquiriram algum tipo de deficiência. Desta forma, 308 acidentados tornaram-se deficientes físicos; 60 tornaram-se deficiente visual e, 40 acidentados tornaram-se deficientes auditivos.

Pires (2008) avalia que anualmente são contabilizados, no Brasil, mais de 100.000 indivíduos que possuem deficiências temporárias ou permanentes, originadas por acidentes de trânsito. Fato confirmado por meio das estatísticas da seguradora que administra o seguro DPVAT, que expõe que é crescente o número de pagamento de indenizações por invalidez permanentes pagas em virtude de acidentes de trânsito. A faixa etária que mais se envolve em acidentes são as pessoas jovens, fato preocupante, pois, analisa que o acesso pleno na força de trabalho se dê aos 20 anos de idade e o horizonte produtivo presumido alcance até a idade de 64 anos. Deste modo, as vítimas de acidente de trânsito estão na faixa etária de pessoas economicamente ativa (CRUZ, 2013).

Deste modo o mesmo autor define que a deficiência física adquirida em consequência das lesões corporais geradas pelo acidente de trânsito é uma sequela visível, as sequelas acontecem alterações bruscas na vida pessoal, profissional e familiar dos vitimados, causando perdas de rendimentos futuros em virtude da perda da capacidade de trabalho.

Pela estimativa do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte - DNIT (2008) em termos econômicos, os custos das lesões geradas pelos acidentes de trânsito são estimados em 1% do Produto Interno Bruto - PIB dos países de baixa renda, 1,5% dos de média e 2% dos de alta renda.

Além disso, há de se avaliar que não é exclusivamente o vitimado que sofre com a deficiência adquirida. A partir do período da comprovação da deficiência, começa uma etapa que gera revolução e mudança no âmbito familiar, sendo que, em alguns casos acontece a desorganização e ruptura, e em outras pode haver reorganização, união e fortalecimento (CAVALGANTE, MORITA e HADDAD, 2009).

Outra implicação está pautada com os traumas psíquicos, analisados sequelas invisíveis. Conhecidos na ciência médica como Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT). Almeida (1998) afirma que perturbações mentais provindas de traumas psíquicos também podem ser consideradas lesões. Evangelista e Menezes (2000) analisam que o dano psíquico existe quando o evento desencadeante, no caso o acidente, provoca efeitos traumatizantes na organização psíquica ou no repertório de comportamentos da vítima.

No acidente de trânsito a reação ao estresse pode ser vivida como uma experiência traumática. Há pessoas mais vulneráveis para viverem situações de traumas do que outras. Para o IPEA (2006) os impactos do estresse pós-traumático de um acidente na pessoa vitimada e nas suas relações familiares e sociais, embora sejam de difícil quantificação, necessitam ser identificados e caracterizados, pois evidenciam a amplitude da violência dos acidentes.

O Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT) é caracterizado por reações a um evento que causa estresse, que seja ameaçador e/ou catastrófico, que traga sério dano a si ou a outros, com impossibilidade de defesa, resultando em forte estresse e ocasionando sempre um prejuízo nas atividades usuais da pessoa (DSM-IV/1994 e CID 10/1998).

Os estudos sobre Sequelas Invisíveis dos Acidentes de Trânsito (Cavalcante, Morita e Haddad, 2009) revelam que o Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT) é uma resposta, neuroquímica e neurofisiológica, docérebro ao perceber que está em perigo. Essa resposta fisiológica faz com que haja liberação de hormônios e permita reação de sobrevivência. Os acidentes de trânsito são acontecimentos traumáticos, desencadeando respostas de medo intenso ou culpa que podem culminar em excitamento, experienciação, dissociação e hipervigilância (CRUZ, 2013).

Estima-se que 11,5% dos acidentados de trânsito desenvolvam Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT), e que três milhões de pessoas envolvidas em acidentes rodoviários, estima-se que entre 8 e 40% das vitimas terão transtorno de estresse pós-traumático no primeiro ano após o acidente (RAIA, 2009).

Para Cruz (2013) muitas pessoas acidentadas e suas famílias, vão necessitar de uma intervenção psicológica focada em ajudá-las a dar sentido a suas vidas, buscando resinificar o que as experiências traumáticas lhes ensinaram acerca da vida, bem como suporte social e oportunidades para aprender a lidar com a situação. Isto reafirma que os acidentes de trânsito não ocasionam apenas feridas no corpo, mas gera consequência que podem destruir planos, inviabilizar projetos, desestruturar famílias e especialmente acabar com a vida dos vitimados sobreviventes.

Consequentemente os acidentes de trânsito podem afetar, não só a capacidade de locomoção, mas também abalar o psicológico do vitimado. Essas inquietações interferem na vida pessoal atrapalhando o convívio social, visto que, profissionalmente comprometem a capacidade laboral para o desempenho de atividades que possam relembrar o ocorrido, e na família podem acarretar desestruturação em virtude das modificações de humor do vitimado ou da condição financeira (CRUZ, 2013).

2.3 A Atuação do Psicólogo no Contexto do Trânsito na Prevenção Contra os Acidentes

Pettengil e Armôa (2011) ressaltam em sua pesquisa que a Psicologia do Trânsito e a Psicologia da Saúde estão interligadas, visando à prevenção de acidentes e comportamentos de risco à segurança viária, promovendo a promoção de comportamentos seguros e a proteção da qualidade de vida, do bem-estar e da saúde dos indivíduos, onde podemos citar três níveis, o primário que é as ações que buscam prevenir que os indivíduos se envolvam em acidentes de trânsito.

O secundário trata-se das pessoas que já sofreram acidentes, mas buscam por meio da prevenção minimizar os comportamentos que estejam afetando à sua segurança; com isso, são tomadas providências para a melhoria de sua qualidade de vida, como, encaminhamentos a outros profissionais da área da saúde quando necessário; já o nível terciário, ajuda os sujeitos que sofre de sequelas biopsicossociais, devido os acidentes de trânsito que exiba comprometimento na funcionalidade do seu corpo.

Pettengil e Armôa (2011) explicam que a prevenção primária, é uma ação que expõem as pessoas à ocorrência de acidentes, mas ao mesmo tempo promove um comportamento seguro no trânsito. A prevenção secundária esta baseada no sentido de se evitar a evento de novos acidentes ou comportamentos que infrinja as leis no trânsito, como a recorrência de infrações por parte do indivíduo. Já o nível terciário está relacionado a ações voltadas às consequências dos acidentes para a qualidade de vida do indivíduo.

Perfeito e Hoffmann (2003) indicam algumas ações preventivas aos acidentes de trânsitos, onde se podem citar três instâncias: a Ergonomia/Engenharia e seu papel na manutenção dos veículos, a Fiscalização/Controle policial que inibe os comportamentos de riscos dos cidadãos nas vias e a Educação, em que o psicólogo do trânsito, pode colaborar para o desenvolvimento de outros profissionais com objetivo de prevenção no trânsito.

De acordo com Pettengil e Armôa (2011) em relação ao papel do psicólogo perito examinador do trânsito, está relacionado com a psicologia da saúde. A partir do momento que o psicólogo utiliza os testes e demais procedimentos técnicos de avaliação que visa na identificação de fatores de risco à segurança das pessoas no trânsito, e detecta capacidade de atenção e senso perceptivo prejudicado, ou problemas elevados de ansiedade, esse indivíduo possivelmente apresenta manifestações de comportamentos impulsivos no trânsito.

O Conselho Regional de Psicologia da 9° região Conselho Regional de Psicologia (2012) explica que o psicólogo especialista em psicologia de trânsito:

“Procede ao estudo no campo dos processos psicológicos, psicossociais e psicofísicos relacionados aos problemas de trânsito; realiza diagnósticos da estrutura dinâmica dos indivíduos e grupos nos aspectos afetivos, cognitivos e comportamentais, colabora na elaboração e implantação de ações de engenharia e operação de tráfego; desenvolve ações sócio-educativas com pedestres, ciclistas, condutores infratores e outros usuários da via; desenvolve ações educativas com: diretores e instrutores dos Centros de Formação de Condutores, examinadores de trânsito e professores dos diferentes níveis de ensino; realiza pesquisas científicas no campo dos processos psicológicos, psicossociais e psicofísicos, para elaboração e implantação de programas de saúde, educação e segurança do trânsito” (p.75).

Quando o psicólogo perito-examinador do trânsito detecta indícios na avaliação do sujeito, onde o mesmo pode representar perigo para sociedade na direção veicular, e resolve encaminhá-lo a outros profissionais de saúde, ele está colaborando na prevenção de acidentes quanto na qualidade de vida e bem-estar deste indivíduo (PNETTENGIL e ARMÔA, 2011).

De acordo com Vieira e cols (2010) a intervenção educativa e psicológica é fundamental no período em que o indivíduo esteja passando pelas intervenções médicas relacionadas aos acidentes de trânsitos, como forma de prevenção desencorajando o mesmo a não infringir novas leis, principalmente nos episódios em que fica evidenciada a participação direta do sujeito, com o uso de bebida alcoólica e direção, o não uso de instrumentos de proteção como o cinto de segurança, capacete, o desrespeito às regras e demais normas de trânsito, entre outros.

Pettengil e Armôa (2011) contextualiza que o psicólogo perito-examinador do trânsito, por meio das avaliações psicológicas tem a chance de identificar as pessoas que ainda não se envolveram em acidentes, entretanto apresentam várias multas por infrações de trânsito. A partir desse ponto o psicólogo do trânsito oferece a estes indivíduos um ambiente para discussão dos motivos que provavelmente originaram tais infrações, auxiliando os mesmos a refletirem sobre os cuidados com a própria saúde a sua segurança e a dos demais no trânsito.

Vieira e cols (2010) em seus estudos constataram que o acompanhamento psicoterapêutico e o suporte socioambiental, favorece na recuperação das lesões físicas, a cicatrização satisfatória referente à cirurgia e o tratamento fisioterápico dos acidentados.

O psicólogo do trânsito desempenha uma função muito importante na técnica de reabilitação de indivíduos que vivenciam tais experiências, principalmente porque está ligada com a psicologia da saúde gerando, desta forma, a promoção/prevenção de saúde e bem estar dos cidadãos (PETTENGIL e ARMÔA, 2011).

3 Considerações Finais

Os acidentes de trânsito geram um número muito alto de vítimas a todo o momento, mas é uma área que no nosso país carece de investigação, em particular no que se refere ao impacto psicológico. As repercussões podem transformar o funcionamento habitual das vítimas dos acidentes, dadas as incontestáveis consequências nas áreas mais diversificadas. O impacto social, laboral, econômico e litigioso que estes episódios trazem para a vida do indivíduo, suas famílias e para a própria sociedade é considerável.

A investigação do fenômeno mostra que os acidentes de trânsito representam um significativo peso econômico e social arcado por toda sociedade. Os números das estatísticas oficiais apontam que os acidentes são responsáveis, dentre as causas externas, pelo maior número de internações, representando altos custos hospitalares, perdas materiais e custos previdenciários. Além desses custos que podem ser representados estatisticamente, existe um ônus invisível, que não pode ser mensurado através dos números, o sofrimento das vítimas e de seus familiares.

O trânsito apresenta demandas próprias que exigem intervenções específicas, fazendo com que os profissionais que trabalham neste campo tenham de desenvolver estudos próprios para ele, pois o trânsito possui uma realidade particular, necessitando, assim, de profissionais que também a conheçam.

Ou seja, a redução do número de acidentes e mortes decorrentes do mesmo só irá acontecer quando houver uma conscientização, que comece de dentro para fora, de toda população brasileira que o trânsito é um espaço público e coletivo, em que todos precisam se respeitar para torná-lo mais seguro. Isto se dará com mudanças de cultura e consequentemente de comportamento por meio da educação deste a fase infantil e por meio das intervenções do psicólogo que tem ser voltada para estas questões. 

Os acidentes de trânsito é um assunto pouco explorado pelo psicólogo. Esta atividade, pesquisa psicológica ligada ao trânsito, talvez seja uma das mais fundamentais para consolidar a atuação dos psicólogos neste campo, justamente por ser ela que dá maior sustentação a todas as outras.

Sobre os Autores:

Verônica Pinheiro Martins - Graduada em Psicologia pelo Centro Universitário UNIRG – Conclusão em 2013; Pós- Graduada em Psicologia Hospitalar. IEP – Conclusão em 2012; Pós-Graduada em Gestão de Pessoais. IEP- Conclusão em 2012; Pós-Graduada em Perícia em Trânsito. INCURSOS – Goiânia – GO – Conclusão em 2015. Especialista na área do trânsito. Experiência como profissional na área social e atualmente exerce sua profissão em consultório.

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