Resumo: Este trabalho aborda a importância da arte como método terapêutico. Para isso, foi feito um breve resgate da história da loucura em consonância comas artes, demonstrando as diferentes bases do tratamento disponibilizado a tais pacientes. Ressaltando como a forma de tratamento está intimamente relacionada à maneira como a loucura era percebida em cada época, como também que esta, em seu conceito e terapêutica foi objeto de estudo ao longo dos anos. Além disso, o artigo abordar a discussão acerca da relação entre os distúrbios mentais e a o potencial criativo dos pacientes portadores dos mesmos, com base em pesquisas recentes e estudos que sustentam essa íntima relação, bem como os paradigmas e controvérsias que a cercam, além de relacionar esses estudos e pareceres à adoção da arte como alternativa e complemento terapêutico e aos novos olhares sob os quais os portadores de sofrimento mental possam ser observados pela sociedade que o cerca.

Palavras-chave: Loucura, Arte, Terapia, Reforma Psiquiátrica, Integralização, Esquizofrenia, Criatividade.

1. Introdução

Este trabalho aborda a importância da arte como método terapêutico aplicado na recuperação de pacientes portadores de sofrimento mental, como ela foi percebida e introduzida no imaginário social ao longo dos tempos. Para isso, foi feito um breve resgate da história da loucura em consonância comas artes, demonstrando as diferentes bases do tratamento disponibilizado a tais pacientes que pairou sobre o pensamento moral, violento e excludente à caminho do humanizado e em liberdade, conforme visava a Reforma Psiquiátrica no Brasil.

Além disso, objetiva-se também que uma nova visão acerca da arte como terapia seja suplantada, para que possa ser estabelecido até qual ponto o tratamento não medicamentoso deve ser estabelecido, e se essa modalidade terapêutica apresenta alguma relação genotípica com o maior poder criativo percebido em pacientes portadores de sofrimento mental. Isso foi feito através de uma revisão bibliográfica por meio de artigos selecionados dos endereços eletrônicos Scielo, PubMed e Medline

A forma de tratamento está intimamente relacionada à maneira como a loucura era percebida em cada época, assim cada distorção ou percepção inapropriada depositada sobre a condição do paciente assim diagnosticado, acarretava em uma intervenção conforme o entendimento individual. Dessa forma, a loucura, em seu conceito e terapêutica foi objeto de estudos ao longo dos anos.

Muitos são os transtornos atuais relacionados ao psíquico humano, no entanto, o grande desafio da área médica atualmente trata-se da consolidação de uma intervenção integralizada, na qual o corpo clínico seria uma equipe multidisciplinar: fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros, médicos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos. Logo, estaria cada um com seu saber, porém, aplicando-o em conjunto em pró da reabilitação do indivíduo. 

2. Desenvolvimento

2.1 - A loucura percebida ao longo dos anos e a introdução de novas terapêuticas:

Na Grécia antiga, segundo Foucault (1979), a percepção de um comportamento e fala estranha apresentada por certos indivíduos, nãos os classificavam como loucos, mas sim pessoas que apresentavam poderes sobrenaturais, ou até mesmo aqueles que seriam capazes de prever acontecimentos. Assim, esses indivíduos não eram privados de sua liberdade, sendo apresentação, apenas da outra face do ser humano. Tal visão permaneceu até a antiguidade clássica (SILVEIRA e BRAGA, 2005).

Com o passar dos anos, a loucura e o misticismo foram separadas, colocando os ditos loucos como seres demoníacos, grotescos e de pouco valor social. Assim, tais indivíduos eram vistos na Idade Média, sendo ao final desse período, privados de sua liberdade, como maneira de manter a ordem pública. Eram encaminhados aos antigos leprosários e manicômios todo tipo de marginalizado social, isto é, loucos, prostitutas, homossexuais, vagabundos, alguns leprosos, etc. Ao retê-los em tais instituições, não se visavam, inicialmente, aplicar nenhuma técnica terapêutica para que tais indivíduos pudessem se recuperar e, posteriormente, serem reinseridos na sociedade.(SILVEIRA e BRAGA, 2005)

No século XVIII, conhecido como o século das luzes, período de grande avanço técnico – científico, a sociedade passou a questionar algumas práticas religiosas, como colocar a razão como centro dos estudos. Dessa maneira, os loucos ou desrazoados, como eram vistos, tornaram-se objeto de saber para medicina, ganhando o status de doença a ser curada (ARAÚJO, CÂMARA e XIMENES, 2012)

Grandes hospitais foram construídos, e neles internados os ditos “loucos”. Apesar de poderem sofrer intervenção médica, tais indivíduos recebiam além de tratamento medicamentoso, tratamento moral, que reunia cuidados como sangrias, expurgos, banhos de água fria, celas forte, isolamento etc. Logo, a visão terapêutica dessa época mais se assemelhava as aplicadas nas grandes prisões: o isolamento e a contenção. Os tratamentos pelos quais os indivíduos internados eram submetidos, só ampliavam o sofrimento próprio como de seus familiares, que muitas vezes recebiam a notícia de falecimento de seu parente, ao invés da cura almejada pela ciência, além disso, a exclusão passou a ser parte da história dessas pessoas, visto que passavam sua vida nessas instituições, saindo delas apenas mortos (ARAÚJO, CÂMARA e XIMENES, 2012).

Com uma técnica de tratar nada humanitária, uma percepção dos loucos como um ser inconveniente e perigoso, surge então, em alguns países, como EUA, França e Itália, movimentos questionadores do modelo hospitalocêntrico, indicando uma necessidade de reformulação da assistência ao portador de sofrimento mental, como passou a ser denominado o doente mental (ROTELLI e AMARANTE, 1992, p. 44).

No Brasil, assim como na Europa, os ditos “loucos”, como qualquer marginalizado, eram retidos em grandes instituições, sendo a partir de 1940, adotadas terapias com eletrochoques, cirurgias neurológicas e outras como as descritas anteriormente. Insatisfeitos com a condição em que tais indivíduos estavam submetidos, em 1970 surgiu um movimento liderado por trabalhadores de saúde mental no Brasil, questionando a assistência psiquiátrica estabelecida no país, que desde a Colônia era hospitalar-manicomial, com a criação do 1º manicômio em 1852 na cidade do Rio de Janeiro, e posteriormente em outros estados brasileiros-Bahia, São Paulo, Minas Gerais, etc (HIRDES, 2008; GUIMARÃES et al.,2010; BEZARRA 2007).

Tal processo foi desconstruindo o imaginário social de que os ditos loucos deveriam viver em reclusão, porém ainda permanece na sociedade moderna, os ideais que consideram a loucura um objeto de intervenção médica, psiquiátrica e/ou psicológica, sendo esta legitimada a mera doença a ser tratada por especialistas. Apesar disso, a queda do modelo hospitalocêntrico e a aprovação da lei 10.216 que regulamentou a assistência psiquiátrica no Brasil, em 2001, após diversas conferências em território nacional, trouxeram para o portador do sofrimento mental diferentes serviços substitutivos, como a criação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), e adesão, por exemplo, da arte como terapia para tais indivíduos, sendo esse o enfoque no prezado artigo. (HIRDES, 2008; GUIMARÃES et al.,2010; BEZARRA 2007).

A reforma Psiquiátrica no Brasil, portanto, permitiu compreender e trabalhar o indivíduo de forma integral na sua própria comunidade, corroborando para a aceitação de tais indivíduos como uma maneira de estar no mundo, e entender suas formas de sofrimento, aproximando-os da sociedade e melhorando sua condição de vida (CEDRAZ e DIMENSTEIN, 2005). Dessa forma, pode, assim, abrir espaço para a mudança no modelo tradicional centrado no médico e na doença, introduzindo práticas que os tirassem do quadro de isolamento e promovesse o exercício de cidadania através de métodos que os reconhecessem como sujeitos de direitos (AMARANTE, 1995).

Assim, a partir do processo da Reforma Psiquiátrica Brasileira, buscou-se a promoção de movimentos sociais e aprovação de projetos de lei, sobretudo a Lei nº 8080, que dispõe do Sistema Único de Saúde que fortaleceu a implantação desses novos métodos. Outros marcos na implantação de políticas de atenção à saúde mental são: a criação do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), como já foi dito, no qual o tratamento se baseia, não mais pelo conceito de cura, mas pelo conceito de reabilitação psicossocial, no qual o indivíduo antes excluído e alienado de suas possibilidades, pode se tornar sujeito de sua própria história (Goldberg, 1996) e a Lei 10.216/2001 , também conhecida como Lei Paulo Delgado, que regulamenta os direitos dos pacientes em sofrimento psíquico e propõe que os tratamentos no campo da saúde mental sejam os menos invasivos possíveis.

Nessa perspectiva, a utilização da arte como forma de tratamento ganha respaldo na lei. Diante disso, buscou-se uma forma diferenciada de lidar com a relação saúde-doença, demarcada no processo de desinstitucionalização. E, nesta perspectiva, a promoção da saúde está diretamente ligada à criação de espaços de cidadania que permitam a participação e integração do indivíduo, bem como a construção do seu próprio estado de saúde. A arte, neste contexto, tem papel fundamental, pois auxilia na integração e no restabelecimento do paciente, bem como na sua relação com a sociedade, criando espaços de diálogo e laços de solidariedade (HIRDES, 2008; GUIMARÃES ET AL.,2010; BEZARRA 2007).

Dessa forma, a saúde abre a possibilidade de participação social, integrando a expressão criativa do indivíduo, permitindo momentos de vinculação e contato. Segundo estudos atuais (ARAÚJO, CÂMARA e XIMENES, 2012; COQUEIRO, VIEIRA e FREITAS, 2010; VASCONCELOS e GIGLIO, 2007; ANDRIOLO 2006; MILLANI e VALENTE, 2008; LIMA E PELBART 2007; SIMON 2015; SIMON e KOVÁCS, 2015) a arte atua no estabelecimento da saúde do indivíduo, fortalece a capacidade de auto-regulação e resiliência dos usuários e não somente colabora no desaparecimento dos sintomas de doenças.

No Brasil Ulysses Pernambucano foi o precursor ao escrever, em 1923, “Manifestações artísticas nos alienados”, trabalho conclusão do curso de Medicina, abordando a associação entre a arte e a terapia, sendo base para diferentes estudos em todo o território nacional. No âmbito da arteterapia, Nise da Silveira foi a maior referencia do século XX no que tange a inserção da técnica no campo da psiquiatria. Dentre as suas contribuições, merece destaque o Museu de Imagens do Inconsciente, localizado no estado do Rio de Janeiro, onde as obras produzidas pelo estúdio de modelagem e pintura eram preservadas e utilizadas como instrumento de compreensão do universo esquizofrênico pela sociedade. Nise possibilitou uma melhor percepção acerca da doença mental, permitindo através de conceitos como a catarse e o método da associação livre, exteriorizar aquilo detinha o real sofrimento do paciente  (COQUEIRO, VIEIRA e FREITAS, 2010; SANTOS 1994)

Para a Associação de Arteterapia do Estado de São Paulo (AATESP), a arteterapia permite que o afeto represado, como também os medos e dificuldades individuais presentes sejam subtraídos da condição de portador de sofrimento mental do paciente, permitindo uma melhor qualidade de vida para o mesmo.

A arte, portanto, assume efeito intrínseco na recuperação da relação portador- sociedade como do indivíduo, sendo bem apresentada pelo estudo comandado pela Universidade Federal do Ceará, que analisa essa perspectiva através do Projeto Arte e Saúde, instituído no CAPS de Fortaleza, aonde vem sendo desenvolvido um trabalho que integra arte à saúde mental, buscando dinamizar terapias, utilizando diferentes formas de expressões artísticas e envolvendo uma gama de profissionais como artistas, arteterapeutas, arte-educadores e profissionais de saúde mental especializados em arteterapia. Como lembra Coqueiro e Fernandes (2009), a minimização dos fatores negativos de ordem afetiva e emocional que naturalmente surgem com a doença, tais como: angústia, estresse, medo, agressividade, isolamento social, apatia, entre outros. Além disso, os resultados foram satisfatórios, considerando o pequeno tempo de realização do trabalho, o que enfatiza o potencial dessa terapêutica.

Algo semelhante também é realizado na Hungria, com a Equipe da Fundação Moravcsik, a comunidade criativa Budapest Art Brut Galeria, que atende pacientes com diferentes transtornos psíquicos e promove a PsychArt24, uma maratona de arte, que permite a integração entre indivíduos e sua expressão através da arte, onde as melhores obras são escolhidas e expostas para o público. O evento visa reduzir o preconceito contra os portadores de sofrimento mental (SIMON, KOVÁCS,2015).

2.2 A relação entre psicopatologia e a criatividade artística:

As investigações e controvérsias acerca da associação feita entre portadores de psicopatologias, sobretudo pode-se citar os esquizofrênicos, e a capacidade de criação artística teve inicio desde os primórdios da Grécia Antiga e tem alavancado discussões que perduram até os dias atuais. Historicamente, na Grécia antiga, a loucura não era designada como uma doença ou um fator negativo que retirasse do indivíduo a aceitação social, pelo contrário, ela era considerada algo sobrenatural, na qual, por meio do delírio podia-se ter acesso às verdades divinas, sendo, portanto, considerada um privilégio. Platão referiu-se à inspiração poética como loucura divina, enquanto Aristóteles chegou a afirmar que nunca houve um grande gênio sem uma dose de insanidade (ARISTÓTELES, 1998; PESSOTI, 1995).

Paulatinamente a loucura se afasta da ideia de detentora da verdade pregada pela Antiguidade Clássica (SILVEIRA e BRAGA, 2005).  Porém, não só através da literatura histórica, como também estudos de cunho científico fornecem indícios de que a produção artística nos seus diferentes âmbitos pode estar associada a determinados transtornos psicóticos (RESENDE, 2008). Existem diversos estudos que analisam essas contradições e alguns que, de fato, sugerem essa íntima relação entre o comportamento denominado esquizotípico em artistas (KAUFMAN e PAUL, 2014 ; KELLER e VISSCHER , 2015;  ABRAHAM, 2015; CARSON 2011; SON et al., 2015; BARRANTES, 2004; FISHER at al., 2004; NETTLE, 2006; NETTLE e CLEGG, 2006; OTSUKA e SAKAI, 2004; RYBAKOWSKI, et al., 2006).

A esquizofrenia é uma doença mental, geralmente crônica, que relaciona uma predisposição genética que requer ativação intrapsíquica e interpessoal (PULL, 2005). Emil Kraepelin e Eugen Bleuler foram importantes nomes na descrição da demência precoce e no conceito de esquizofrenia.

Conforme relatado por Silva (2006), os primeiros sinais e sintomas da doença aparecem, sobretudo no decorrer da adolescência ou no começo da idade adulta, podendo ser de início repentino ou aparecer lentamente. Os sinais e sintomas mais marcantes e característicos são alucinações, delírio, transtornos de pensamento e fala, perturbações do afeto e das emoções além dos déficits cognitivos. Todavia, sintomas pouco expressivos como perda de energia, interesse e fatigabilidade podem preceder os quadros mais clássicos.

A ligação entre psicose, sobretudo com a esquizofrenia e criatividade ainda é muito discutida, havendo posicionamentos contrários, que alegam que a as evidências não são suficientes e claras para embasar essa conexão, porém, existem pesquisadores que já estão convencidos diante das evidências. Assim, serão apresentadas as duas vertentes, explanando as informações que já foram obtidas na bibliografia atual e, para isso, deve-se ressaltar que essa relação ganhou ênfase com a divulgação de um estudo do genoma, em que mostrava uma discreta relação entre ambas (ABAHAM, 2015). 

Em um estudo desenvolvido por pesquisadores do King's College em conjunto com a empresa irlandesa Decode Genetic foi utilizado listas de integrantes das associações nacionais de artistas visuais, atores, dançarinos, músicos e escritores da Islândia e dados dos estudos feitos com mais de 150 mil pessoas não irlandesas nos quais identificaram uma série de variações genéticas ligadas ao desenvolvimento de esquizofrenia e transtorno bipolar. Nesse trabalho, ao associar essa pontuação com o levantamento do genoma dos irlandeses, verificou-se que era possível prever quais indivíduos pertenceriam às associações artísticas da Islândia.

O mesmo teste foi realizado com dados de cerca de 35mil pacientes de estudos semelhantes desenvolvidos na Suécia e na Holanda, determinando, mais uma vez, quais  destas pessoas faziam parte de associações artísticas em seus países.  Segundo as análises dos cientistas, os integrantes das associações artísticas islandesas tinham uma chance 17% maior de ter algumas variantes genéticas associadas à esquizofrenia e aos transtornos bipolares do que a população em geral, enquanto suecos e holandeses esse número chegou a 25%. O estudo foi publicado na Revista Nature Neuroscience (MACDONALD, F. 2015).

Além dessa pesquisa, Burch at al. (2006), usaram testes de criatividade e de personalidade em uma amostra de artistas visuais e em outra de não artistas e, ao compará-las, encontraram mais traços esquizotípicos  no grupo de artistas, indicando maior vulnerabilidade para a esquizofrenia em relação às outras pessoas, como foi também sugerido pela pesquisa islandesa, em 2015.

Os estudos, porém, são criticados por falta de evidência empírica, pelos diferentes tipos de transtornos mentais e suas características, da criatividade não estar relacionada apenas a determinadas profissões, aos vieses no processamento de informações e na relação construída entre a loucura e a criatividade com base nesses dados ( ABRAHAM, 2015).

Abraham et al. (2007) ao estudarem funções da cognição criativa na esquizofrenia, distinguiram que algumas funções cerebrais pobres podem ser vantajosas na habilidade de dar resposta criativa, porém apenas em certo ponto, uma vez que prejuízos maiores são prejudiciais no desempenho criativo. Porém, não só fatores intrínsecos ao próprio desenvolvimento de um transtorno psíquico favorecem processos criativos, segundo Berrante (2004), existem outras variáveis individuais e ambientais que atuam diretamente em cada pessoa, determinando seu potencial criativo.

Dentro dessas discussões acerca da arte e criatividade relacionada às psicopatologias, a hipótese de que esses transtornos podem motivar os indivíduos a se envolver em atividades criativas (FORGEARD e ELSTEIN, 2014) merece ser explorada pois vai ao encontro da arte terapia, que hoje é difundida pelo mundo como já mencionado no artigo.

3. Conclusão

O conceito de loucura evoluiu ao longo das décadas e, juntamente a ele, evoluíram as formas de lidar com aquele que é portador de sofrimento mental. Nesse contexto, a arte tem ganhado respaldo por unir a expressão do potencial criativo à integração dessas pessoas. As linguagens da arte como teatro, dança, fotografia, artesanato, pintura, dentre outros, expressam as diversas dimensões de sua vida cotidiana comunitária, sendo capaz de estimular o apoio mútuo e solidário tanto na rede de saúde como na comunidade, permitindo diversas expressões e possibilitado espaços de criação, afetividade e fortalecimento da relação sociedade e portador de sofrimento psíquico.

Ainda que existam controvérsias no que tange a relação genética entre distúrbios mentais e criatividade, as pesquisas são de suma importância, já que permite que os olhares se voltem para a inserção da arte no tratamento dessas pessoas, podendo motivá-las a despertar esse lado criativo mais aguçado, segundo os estudos e, permitindo também que a sociedade volva os olhos de uma maneira diferente para esses pacientes, vendo neles um potencial dentro do seu distúrbio, e não só um fator limitante, excludente e alienador.

Sobre os Autores:

COELHO, F.S.Z. - Discente de medicina da faculdade Faminas-BH.

SOUSA, A.P. - Discente de medicina da faculdade Faminas-BH.

NUNES, E.M. - Psicanalista. Doutor em Ciências da saúde pela faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

LIMA, F.O. - Psicóloga do departamento de psicologia do Colégio Técnico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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