Resumo: A educação, de maneira geral vem sendo discutida amplamente e, reconhecida como um dos fatores principais para um bom desenvolvimento de um País. Em relação à educação familiar, verifica-se que é na família que o indivíduo começa a conhecer e constituir os seus valores que influenciam diretamente em sua convivência social. Com efeito, sabe-se que a educação dos filhos é complexa e uma tarefa difícil para os pais. Muitos não sabem como lidar com as situações deparadas no meio familiar, e acabam recorrendo aos castigos físicos como práticas educativas frente à indisciplina e a agressividade. A presente pesquisa buscou identificar as relações entre as práticas educativas de pais, com palmada ou diálogo, com as consequências nos comportamentos de crianças do Centro Educacional Fé e Alegria Paroquial Bernardo Sayão da cidade de Gurupi-TO. Participaram como sujeitos de pesquisa 43 pais ou responsáveis pelas crianças indicadas pela coordenação da escola, quanto aos índices de comportamentos agressivos e não agressivos apresentados pelas crianças na escola. Assim, os dados foram coletados inicialmente junto à coordenação da escola e posteriormente foi realizada a entrevista na escola e em domicílio, conforme disponibilidade do participante. Os resultados possibilitam observar que existem diferenças significativas na maneira de educar entre os grupos, sendo que no grupo das crianças consideradas agressivas, elas recebem uma série de influências ambientais e sociais que estão diretamente ligados ao comportamento agressivo da criança na escola como: a escolaridade dos pais/responsáveis, o nível sócio econômico familiar, a composição familiar, a ausência dos pais/responsáveis em casa, outras referências de educação, a maneira de corrigir e a falta do diálogo. Existe assim, relação entre a maneira de educar com os comportamentos agressivos e não agressivos apresentados na escola.

Palavras-chave: Família, Educação Infantil, Comportamento

1. Introdução

Sabe-se que a educação de maneira geral vem sendo discutida largamente e ficando conhecida como um dos fatores primordiais para o desenvolvimento de um país. A educação começa em casa e se estende para comunidade. É um assunto que abrange a sociedade de modo geral e deve ser essencial no contexto familiar, uma vez que é na família que o indivíduo começa a conhecer e constituir os seus valores que influenciam diretamente em sua convivência social.

A educação aplicada aos filhos é um fenômeno que acompanha a sociedade desde os primórdios e, nessa perspectiva alguns autores, abordam que a prática educativa acompanha os valores, as tradições e a forma ideal para quem educa. Para Oliveira e Caldana (2004), a educação constitui-se dentro de um contexto sócio-cultural-histórico que pode influenciar no estabelecimento da conduta de uma criança em sua vida adulta.

Embora a educação dos filhos seja complexa para os pais, os mesmos devem educa-los de modo que sirvam de referências positivas para os filhos. Muitos pais não conseguem lidar com as situações e acabam recorrendo aos castigos físicos como práticas educativas frente à indisciplina e a agressividade. Atitudes como essa vêm sendo discutidas, pois, dependendo da gravidade, pode ser considerada violência doméstica. E assim, surge à cogitação de como essas práticas educativas podem trazer consequências positivas ou negativas para desenvolvimento da criança, sendo elas com palmada ou diálogo.

Segundo Oliveira e Caldana (2009), a violência geralmente está presente em casos diversos inclusive no meio familiar. É uma prática usual entre pais e responsáveis com a finalidade de fazer com que filhos os obedeçam. Essa postura que emerge das dimensões culturais e sociais constituídas. Muitos pais receberam esse tipo de criação e mantém a mesma postura de seus progenitores.

Algumas medidas legais vêm contribuindo para inibição desse problema. O (ECA) Estatuto da Criança e Adolescente deixa claro em seus artigos os direitos da criança e do adolescente sobre o desenvolvimento saudável, coibindo a criança de qualquer tipo de violência (BRASIL, 1990).

Em 2003 foi publicado, um projeto de lei nº (2654/2003) que dispõe sobre a alteração à Lei nº (8069/90) do Estatuto da criança e do adolescente, adicionando artigos mais rigorosos que discorrem que a criança não poderá ser submetida a qualquer forma de punição, em casa, na escola, em qualquer situação ou lugar. Projeto pelo qual foi nomeada Lei da palmada. Essa lei proíbe qualquer tipo de violência contra a criança, contida ou incontidamente, mesmo com fins pedagógicos (BRASIL, 2003).

Diante desse contexto, o presente estudo justifica-se por abrir a compreensão que a educação dos filhos é ampla e complexa em suas dimensões e consequências, onde a importância dessa dimensão é necessária para a harmonia familiar e uma vida social menos conturbada, sendo que as mesmas podem influenciar na vida adulta da criança. Esse assunto abrange informações relevantes nas áreas afins, como a jurídica, social, saúde e pedagógica.

O estudo buscou identificar as relações entre as práticas educativas de pais, com palmada ou diálogo, com as consequências nos comportamentos de crianças do Centro Educacional Fé e Alegria Paroquial Bernardo Sayão da cidade de Gurupi-TO, no ano de 2012. Buscou-se ainda descobrir quais as práticas educativas os pais mais utilizam na educação dos filhos, analisando se as mesmas contribuem para comportamentos agressivos e não agressivos de crianças na escola e apontando as situações que podem contribuir para a utilização de práticas educativas diferentes.

2. Revisão da Literatura

O presente estudo realizará uma revisão de literatura permeada no desenvolvimento da criança, contexto familiar e escolar.

2.1 A Criança em Desenvolvimento

O desenvolvimento da criança se dá de forma gradativa sofrendo modificações de acordo com o meio que se está inserido. Dessa maneira, torna necessário estudar esse desenvolvimento para compreender as características que localizam nesse processo, situando as relações entre os eventos do ambiente e o comportamento humano (CÓRIA-SABINI, 2001).

Nesse sentido, D’Andreia (2006) diz que deve ser considerado o contexto, história pessoal do indivíduo e hereditariedade no estudo da personalidade, que somados com o meio formam a personalidade. Assim, o meio em que se está inserido é a fonte que poderá afetar as fases do desenvolvimento e a personalidade da criança.

O autor ainda cita a fase de latência, como o período que vai dos 05 (cinco) até aos 10 (dez) anos de idade, onde a criança volta-se para a escola, as amizades, os jogos e outras atividades. Passam também a compreender que os pais não são tão sábios quanto pensavam, que mentem e que erram, sentindo-se desprotegidos, dessa maneira passam a dialogar mais com amigos e professores.

Reconhecendo ainda a fase de latência, o autor coloca como particularidade da fase, a entrada na escola. Os pais se sentem aliviados ao entregarem os filhos para a escola, deixando sob-responsabilidade somente da escola a tarefa de educar.

Por outro lado, Piaget (2005) coloca que o desenvolvimento psíquico da criança começa quando nasce, e termina na idade adulta onde é uma equilibração progressiva, caminho que avança um estágio de menor equilíbrio para um maior equilíbrio.

Em relação à infância o autor relata que vai dos 07 (sete) aos 12 (doze) anos, também enfatiza que essa fase é marcada pelo o início da ida para a escola, fase reconhecida, como decisiva no desenvolvimento mental da criança. A afetividade na segunda infância sofre alterações profundas, assinalada pela aparição de novos anseios morais, por um arranjo da vontade, que leva a uma melhor coerência do eu e a uma regulação da vida afetiva.

Acrescenta-se também a esse contexto, as ideias de Vygotsky (1998), onde destaca a qualificação humana para a linguagem, a qual capacita às crianças fornecerem instrumentos auxiliares na solução de tarefas difíceis precisando de ajuda de outras, de adultos ou até mesmo de crianças maiores, caracterizando assim a zona de desenvolvimento proximal, favorecendo também a inter-relação. Portanto, aquilo que a criança pode fazer com ajuda hoje, ela será capaz de fazer sozinha amanhã.

Assim, de acordo a ideia do autor, por meio das experiências repetidas a criança aprende mentalmente a planejar sua atividade. Ao mesmo tempo ela precisa da ajuda de outra pessoa, de acordo com as requisições do problema proposto. A capacidade que a criança tem de controlar o comportamento de outra pessoa torna-se parte indispensável de sua atividade prática.

Portando, a idéia do autor nos permite entender que antes de controlar o próprio comportamento, a criança dá início ao controle do ambiente com ajuda da fala. Isso determina novas relações com o ambiente, além de um novo arranjo do próprio comportamento. Dessa forma, mais tarde dará o intelecto que compõe a base do trabalho produtivo e o uso de instrumentos, ou seja, a criança fala enquanto age regida para a solução do problema. As tarefas práticas são definidas através da fala e através dela adquirem a capacidade de ser tanto sujeito como objeto de seu comportamento.

Em relação ao aprendizado, Vygotsky (1998), aponta que é mais do que habilidade para pensar, é a aquisição de muitas competências especializadas para pensar sobre várias coisas. O aprendizado não modifica a competência global de focar, desenvolve assim várias aptidões de focalizar a atenção sobre várias coisas.

2.2 Contexto Familiar

O contexto familiar é influenciador na vida de qualquer ser humano seja para comportamentos favoráveis ou desfavoráveis. Desta forma, se faz necessário estudar a educação familiar para que se possa haver um conhecimento acerca do tema no geral.

2.2.1 Educação Familiar

A educação segundo Brandão (1993, p.13) incide em lugares onde não há escola, já que por toda parte pode haver “redes e estruturas sociais de transferência de saber de uma geração a outra, onde não foi sequer criada a sombra de algum modelo de ensino formal e centralizado. A educação aprende com o homem a continuar o trabalho da vida”. Dessa maneira acontece em qualquer lugar ou situação, não somente nas escolas, dependerá assim de haver relações presentes nas situações. Isso se pode verificar na educação familiar.

A educação familiar tem se modificado aos longos dos anos, dessa forma Caldana (1998), em pesquisa com pessoas nascidas entre 1895 e 1919, com o objetivo de descrever a sua infância, revela que a educação era voltada para a obediência, todos sabiam o que deveriam cumprir e assim faziam os pais, dessa maneira não eram aborrecidos. Tal situação que se difere muito dos tempos atuais, vê-se que muitos filhos sabem o que é certo e errado, e fazem muitas vezes o errado em função de outras situações.

Ainda segundo a pesquisa da autora, havia uma distância significativa entre pais e filhos, a figura do pai era vista como um ser superior e os filhos não deveriam entrar em assuntos de adultos. A disciplina era estabelecida tanto pelo pai, quanto pela mãe, porém a mãe era mais flexível em relação ao pai, este que tinha a figura de durão e bravo. A atenção para com os filhos dependia do tempo que se dispunha, os pais ocupados em suas tarefas não tinham tempo para voltar-se a atenção para os filhos, fazendo com que os filhos experimentassem de modo significante essas restrições. Contexto que muito se vê na sociedade atual, reflexos assim de uma educação voltada por valores patriarcais e influenciada pelas atribuições diárias da sociedade moderna.

Somado a essa questão Biasoli-Alves; Caldana; Dias da Silva (1997) analisaram em seus estudos que a Família Cristã mostra uma evolução na forma de conceber a educação da criança e a orientação dos pais. Segundo a pesquisa, na década de 30, ela passa pela visão paradisíaca da infância, na década de 50 atinge o conceito de que educar é preparar para o futuro. Em 80, é enfatizado que a perspectiva de uma boa educação está em cumprir o critério de “construir” um indivíduo adulto que se aproxime do ideal, ou seja, uma pessoa independente, capaz, competitiva, profissionalmente realizada e emocionalmente “equilibrada”. E, para que isto aconteça é imprescindível à ajuda do profissional, visto como possuidor de informações fundamentadas na pesquisa científica. Assim passou-se a avaliar a participação de profissionais na educação dos filhos, que podem contribuir de forma significativa para um bom desenvolvimento físico, social e mental da criança para que a mesma possa ser reconhecida em suas especificidades.

De acordo com Wagner et al. (2005), com as evoluções e atribuições atualizadas, com o ingresso da mulher no mercado de trabalho, a família tem ganhado um perfil diferente, em relação a divisão de afazeres e educação dos filhos. Importantes fenômenos e movimentos sociais, e a participação das mulheres no sistema financeiro familiar acabaram surgindo novo perfil familiar. Distinguindo da família habitual em que o homem era o provedor e a mulher responsável pelos cuidados dos filhos e da casa.

Desse modo, segundo o autor, ainda mostra mudanças relativas nesse processo, às distribuições das funções familiares em um grupo de estudo, são iguais entre pais e mães. Contudo, muitas famílias ainda exibem particularidades presentes da família habitual, considerando ainda que os valores históricos permanecem presentes nas famílias atuais.

Vale-se então considerar ainda, segundo o autor, a situação de cada família e, como essas enfrentam suas crises, considerando seus valores, crenças, atitudes e repartições de tarefas e papéis. Assim, a maioria das famílias já percebeu que as atribuições de educar os filhos não está sujeita somente a mãe, mas também ao pai, e a participação de alguns profissionais, proporcionando uma parceria mútua e continua.

Além disso, tem-se verificado em muitas pesquisas, as práticas usadas pelos pais, na maneira de disciplinar os filhos. Essas práticas, segundo pesquisa de Moreira; Biasoli-Alves, 2006, tem menos influência do contexto cultural, sendo que a grande influência está sendo verificada através do nível educacional. Contudo, as mães desta pesquisa exibem discrepâncias entre o valor ideal de educação com a que realmente adota. Entretanto, a pesquisa aponta que o sistema educacional relatado pelas mães, está o carinho, cuidado e um moderado nível de autoridade, exigência, liberdade e punição. A maioria das mães avalia ser flexível e relatam que a educação recebida pelos seus pais e mães foi mais severa. Apesar de muitas mães avaliarem que a educação dos filhos na sociedade atual deve ter alguns princípios norteadores muitas ainda não fazem assim.

Os autores acrescentam a este fato, as famílias que arranjam cooperadores na tarefa de educar os filhos, o que pode interferir positivamente ou negativamente, nesse processo. Apesar disso, os pais necessitam sair para trabalhar. Dentre os ajudantes estão às creches, escolas, empregadas domésticas, babás e avós. Assim, é importante avaliar as consequências que a criança poderá sofrer, por estar tendo distintas referencias de educação (MOREIRA; BIASOLI-ALVES, 2007).

A forma de educar as crianças, atualmente, dependerá assim de situações presentes na família. Por não ser uma atribuição fácil, muitos pais tem utilizado algumas práticas educativas, não favoráveis, resquícios da educação recebidas pelos seus pais. Assim, os pais têm encontrado dificuldades em acertar de maneira eficaz no processo de educação. Conforme pesquisa, mães relatam que alguns comportamentos são difíceis de lidar e mostraram oscilações em empregar a punição física. Em relação a ameaçar e amedrontar os filhos as mães não mencionaram os resultados negativos desta tática. Evidenciaram ser natural a utilização da violência física e psicológica contra a criança. Essas práticas teriam intuito de educar, embora, manifesta culpa e mal-estar por bater nos filhos (OLIVEIRA; RABUSKE; ARPINI, 2007).

Percebe-se que o castigo físico está presente nas famílias como forma de fazer as crianças obedecerem, tal situação, coloca em relevância a importância de políticas públicas de saúde voltadas para essa área. Uma vez que é um problema emergente e que requer intervenções tanto nas crianças quanto nos pais ou responsável (DANOSO; RICAS, 2009).

Em relação ao conhecimento sobre a violência infantil, Biscegli et. al. (2008) coloca que os pais e responsáveis tem conhecimento satisfatório sobre violência infantil, porém, aqueles de instituição pública apresentaram pior desempenho nas questões relacionadas à educação familiar. Assim, os pais conhecem a violência infantil, mas não conseguem lidar de maneira diferente, passando a recorrer às ações que trazem o resultado imediato. Evidenciando com isso, a importância de orientar os pais com recursos eficazes em disciplinar os filhos.

As pesquisas na área vêm trazendo resultados relevantes, incluindo que a educação familiar sofre influência do contexto sócio-histórico-cultural dos níveis de escolaridade dos pais e outras situações. Entretanto, essas pesquisas são de suma importância, uma vez que, podem contribuir para o desenvolvimento de ações voltadas para área, ações essas, que podem envolver o poder público, a esfera jurídica, a área educacional e intervenções psicológicas nas famílias. Sendo que essas pesquisas levam a tona questões relacionadas à violência doméstica conta a criança e o adolescente e como a mesma é caracterizada, pois, ela tem se tornado uma prática presente nas relações familiares, por isso, é de suma importância conhecer a violência doméstica e suas consequências.

2.2.2 A Violência Doméstica e Suas Conseqüências

Os maus-tratos contra a criança existem desde a Antiguidade, as famílias empregavam punições rigorosas para as crianças que desobedeciam (BIASOLI-ALVES, 2002).

Desse modo, Azevedo e Guerra (1995) colocam que a violência doméstica é todo ato ou omissão cometidos por pais, parentes ou responsáveis, contra crianças ou adolescentes, sendo capaz de causar prejuízo físico, sexual ou psicológico à vítima. Desconsiderando assim, as condições peculiares desta fase do desenvolvimento. Quando a violência acontece à família passa ser um ambiente perigoso para a criança. Entre as explicações dos pais em violentar os filhos, encontra-se a visão de corrigir os comportamentos desfavoráveis.

Diante do exposto, devem-se analisar as consequências dessa forma de educar. Pois, de acordo com Santos e Ferriani (2007), com a presença da violência doméstica, praticada principalmente pela mãe, a criança é agressiva na escola como uma forma de reprodução de comportamento. Mantendo assim a mesma sempre em ambientes de risco durante várias fases da vida. Verifica-se dessa forma grande consequência sofrida pela criança violentada.

Em um estudo de Abramovitch; Maia; Cheniaux (2008) apresentam diagnóstico de transtornos de déficit de atenção e comportamento disruptivo (TDACD) estão mais expostas ao abuso físico intra-familiar do que crianças com outras patologias, mesmo considerando os fatores de risco que concorrem para a doença mental.

Nesse sentido, Day et. al. (2003) coloca algumas manifestações psicológicas decorrentes da violência física, em relação as perdas imediatas, estão: pesadelos repetitivos, ansiedade, raiva, culpa, vergonha, medo do agressor e de pessoa do mesmo sexo, quadros fóbico-ansiosos, depressivos agudos, assim como queixas psicossomáticas, isolamento social e sentimentos de estigmatização.

Quanto aos danos tardios, a autora coloca o aumento significativo na incidência de transtornos psiquiátricos, pensamentos invasivos, ideação suicida, dissociação afetiva, fobias mais agudas, níveis intensos de ansiedade, medo, depressão, isolamento, raiva, hostilidade e culpa, cognição distorcida, tais como sensação crônica de perigo e confusão, pensamento ilógico, imagens distorcidas do mundo e dificuldade de perceber realidade, redução na compreensão de papéis complexos e dificuldade para resolver problemas interpessoais.

A autora coloca que não existem muitos estudos relacionados aos efeitos psicológicos na população, entretanto, destaca que na população carcerária, há uma grande porcentagem de indivíduos com história de violência na infância e que estes tendem a apresentar mais problemas psiquiátricos, tais como transtorno de estresse pós-traumático, depressão maior, transtornos de personalidade múltipla, transtornos de personalidade borderline, abuso de substância e comportamento antissocial.

Os aparecimentos da violência física conforme Day et. al. (2003) deixam marcas visíveis, sendo a que pele é o local mais acometido. A lesão pode ocorrer desde vermelhidão, equimoses ou hematomas, até queimaduras de 1º a 3º grau. Dentre os aparelhos utilizados para espancar crianças, estão à vara, fios, cinto e a mão do agressor.

Segundo a autora uma das consequências mais graves da violência física contra a criança é a Síndrome do bebê sacudido (Shaken Baby Syndrome). Conhecida por lesões de gravidade variável, que ocorrem quando uma criança pequena é violentamente sacudida, podendo com isso, causar cegueira ou lesões oftalmológicas, atraso no desenvolvimento, convulsões, lesões da espinha, lesões cerebrais, culminando com a morte.

Desse modo, as pesquisas a respeito das consequências na saúde da criança sugerem que a intensidade do problema dependerá de diversos fatores, tais como o desenvolvimento psicológico e a habilidade intelectual da criança, vínculo afetivo com o agressor, a representação do abuso, a permanência do mesmo e a natureza da agressão (REICHENHEIM; HASSELMANN; MORAES, 1999).

Diante do exposto, percebe-se a urgência em intervenções que mude essa realidade, pois a criança é um ser frágil, especial, que demanda atenção, cuidado e carinho. É um problema que deve ser estudado e trabalhado visando à diminuição dos casos. Caso contrário, teremos adultos descomprometidos totalmente na sociedade. Um fator importante na mudança da educação permeada de punições físicas é o diálogo na família, este que pode ser determinante na resolução de conflitos que geram violência.

2.2.3 O Diálogo na Família

Segundo o dicionário Luft (1921, p. 244) o diálogo é “fala entre duas pessoas ou várias pessoas, escrito em forma de diálogo”. Assim, com o diálogo e com a conversa muitos problemas podem ser resolvidos, porém não é o que as pessoas muitas vezes fazem.

Dialogar então, não requer sintonia e um objetivo comum entre os que dialogam, não se refere somente um momento onde as pessoas envolvidas apenas fazem comunicados umas as outras ao invés de se comunicarem, de ouvir e serem ouvidas. O diálogo é um encontro onde haja a reflexão e a ação, uma troca entre os que dialogam, ouvir e ser ouvido, aceitando a individualidade do outro e não tentar introduzir sua ideia no outro (FREIRE, 1980).

Assim sendo, conforme o autor, o diálogo se mantém do amor, da humildade, da esperança, da fé, da confiança. Configura-se então, uma relação de simpatia entre ambos. E é nesse contexto que a comunicação e a aprendizagem acontecem.

Com o diálogo, muitos pais não conseguem o que espera, assim utilizam para tentar conter os filhos a violência física e verbal, gritando e ameaçando. Nas classes médias, as práticas de educação atuais, visam que a criança sobressaia e se dê bem no confronto com os outros de sua idade. Dessa maneira ela fica envolvida em atividades fora de casa, que requer dedicação e competitividade, e assim como os pais têm um conjunto de tarefas, como cumprir horários, tornando mais dona de seu tempo, dessa maneira passa seu tempo longe da família (BIASOLI-ALVES, 2002).

Dessa forma, Bee (2003) coloca que há algum tempo textos e livros de aconselhamento aos pais sobre seu papel como modeladores da criança, em socializar para adaptar seu comportamento para se ajustar as expectativas às regras da sociedade. Assim, faz parte da natureza das crianças fazer coisas que seus pais não querem que ela faça e recusar a satisfazer aos pedidos ou as exigências. Desde o início os pais se defrontam com a tarefa de controlar o comportamento do filho.

Para a autora, o elemento de controle consistência das regras que é deixar claro para as crianças as consequências de desobedece-las ou obedece-las e depois fazer de maneira consistente. Complementa dizendo que as crianças de famílias com regras consistentes são mais ajustadas e mais seguras de si mesmas, e é menos provável que se tornem delinquentes ou apresentem problemas de comportamentos expressivos se comparadas às crianças de famílias menos consistentes.

Associado a isso, Skinner (1976) coloca, já na década de 1950, mostrava-se contrário ao uso da punição corporal para ensinar comportamentos adequados. Embora a punição corporal produzisse efeito imediato que mantivesse a utilização desta prática educativa, há efeitos nocivos, tais como emoções de raiva e medo e comportamentos de esquiva diante da pessoa que pune. Assim, o resultado imediato desse tipo de punição não surtirá efeitos em longo prazo, e sim possibilitará problemas nas inter-relações familiares.

Nesse sentido, Aratangy (2003), coloca que são as contingências da realidade que definem o estabelecimento de limites na educação. Portanto, desde o nascimento, o ser humano vive o adiamento da satisfação de suas necessidades e aprende a tolerar a frustração. Dessa maneira, os pais devem estabelecer limites desde os primeiros anos de vida de acordo com a realidade da família, para que quando os filhos crescerem não encontrem problemas quanto à disciplina.

Quanto à questão da liberdade na educação dos filhos, a autora ressalta que essa deve ser conquistada por meio de competências, ou seja, conhecendo os limites da criança. Deve-se então, educar com limites verdadeiros e não arbitrários e também educar para o exercício pleno de liberdade, a autora complementa ainda, que é produtivo deixar que os filhos descubram se estão errados.

Para Guilhardi (2002), se os pais forem bem orientados, poderão criar contingências amenas para seus filhos, permitindo a eles o desenvolvimento de capacidades tais como, dialogar, cooperar, tomar iniciativas, inter-relação afetiva com as outras pessoas, bem como sentimentos de bem-estar, autoestima, autoconfiança, de responsabilidade, tudo isso de maneira equilibrada para si, e harmônica para com as pessoas que as cercam no presente, e aquelas que virão fazer parte de seu círculo de convivência no futuro.

Para Maldonado (1997), a maneira como esses pais de hoje foram criados, algumas vezes, pode causar dificuldades na educação de seus filhos. Alguns acreditam que o rigorismo é a forma de lidar com as crianças na modernidade, enquanto outros julgam que se deve cultivar a permissividade, já que foram educados com muita rigidez e criaram verdadeira aversão a esse modelo. Assim, a visão patriarca vem sendo modificada e muitas vezes mantida.

Portanto, segundo o autor, os indivíduos encaram a vida de diferentes maneiras, a visão de mundo que cada um desenvolve é, pelo menos em parte, transmitida aos filhos por meio do convívio diário. Daí, a importância de os pais estarem revendo seus comportamentos e se darem conta de que são modelos para seus filhos. Mesmo a criança formando sua própria visão de mundo, a partir de sua própria experiência e de outras influências, o modo de vida dos pais também é fator bastante relevante.

Dessa maneira, a instabilidade do comportamento dos pais com relação a punir ou não seus filhos, provocam, nos mesmos, comportamentos desajustados, não sabendo o que é certo ou errado. A criança fica, muitas vezes, perdida sem saber como se comportar frente às situações e, em outros casos, passa a generalizar a falta de limites para todas as situações, desrespeitando tanto as regras familiares quanto as sociais. Observa-se então, a importância de modelos de educação serem repensados, já que não existe um modelo definitivo de como educar os filhos. Geralmente, na prática, a maneira de educar está vinculada às próprias experiências dos pais, bem como às necessidades impostas pelas contingências presentes na modernidade (ALMEIDA, et al, 2006).

Segundo Arantangy (2003), a eficiência dos pais está em transmitir aos filhos a contestação entre o que é certo ou não, adequado ou inadequado, essencial ou supérfluo, sem ter medo que essa postura faça com que os filhos desenvolvam um sentimento de aversão ou se distanciem deles próprios. Cabe aos pais a tarefa de fazer com que seus filhos se situem no mundo real, pois, fora de casa os mesmos encontrarão essas situações, que terão que resolver (ARANTANGY, 2003).

Em resumo, a educação dos filhos com base em propósitos dialógicos, comparada com a educação permeada pela punição física, encontra-se com resultados mais satisfatórios. Cabe então, aos pais repensarem suas práticas educativas, assim estarão contribuindo positivamente no desenvolvimento da criança e passando viver a relação com o filho de maneira prazerosa, contribuindo com o bem estar da família e assegurando os direitos da criança e/ou adolescente, pois estes são configurados em forma de lei e o desrespeito aos mesmos podem trazer consequências que envolvem instâncias jurídicas, isso pode por consequência, distanciar os pais dos filhos, impossibilitando a oportunidade de mudança em seus atos punitivos e na relação familiar saudável.

2.2.4 O Direito da Criança e do Adolescente

A criança e o adolescente são conhecidos em suas particularidades pelo fato de saber que são fases distintas da vida humana que demandam atenção e cuidado, uma vez que pessoas adultas estão sendo formadas para assumirem responsabilidades futuras, com isso, seu direito se dispõe visando o bem estar dos mesmos.

Contudo, para a consideração destes direitos, a criança teve historicamente que passar por banalidades. Durante o século XX, passa a ser valorizada e protegida, onde seus direitos básicos passam ser reconhecidos e a criança passa ter atenção especial, com suas especificidades com direitos próprios (MARCÍLIO, 1998).

Parafraseando o autor, entende-se que a valorização da criança foi muito tardia. A mesma surgiu a partir da conscientização sobre a característica infantil, isso levou muitos estudiosos a pesquisarem e conhecerem melhor todo o processo de desenvolvimento infantil e as práticas educativas usadas pelos pais e suas relações com o comportamento dos filhos.

Neste contexto, surge o debate sobre o uso da punição corporal, prática utilizada nos tempos passados e até os dias atuais.

Em relação a isso, pesquisa realizada por Weber, Viezzer e Brandenburg revela que a maioria absoluta das famílias com crianças e adolescentes já utilizaram ou ainda utilizam punições corporais, especialmente tapas e palmadas, como uma prática educativa (WEBER; VIEZZER, BRANDENBURG, 2004).

O Estatuto da criança e do adolescente dispõe os direitos inerentes à criança, na qual, um deles diz respeito ao bem estar dos mesmos. A lei coloca que a fase da criança se estende até os doze anos de idade, tendo direito fundamental, sem prejuízo integral, permitindo por meio da lei, o bem estar físico, mental, moral, espiritual e social, com desenvolvimento sadio e harmonioso e a condições dignas de existência (BRASIL, 1990).

Em relação ao papel da família o estatuto coloca que é dever do estado e da família assegurar os direitos, ou seja, a saúde, alimentação, educação, convivência familiar, entre outros. Coloca também que nenhuma criança poderá ser submetida a negligencia, violência, discriminação, caso ocorra, o autor será punido na forma da lei (BRASIL, 1990).

Por ser um assunto que vem sendo bastante discutido em suas dimensões, e pelo fato de o ECA- Estatuto da Criança e do Adolescente – e da Constituição Federal estarem sendo questionados, considerando que violência doméstica não vem sendo combatida, assim, outro projeto de lei vem ganhando espaço na qual o mesmo enfatiza que os avanços da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente, não estão conseguido romper com o paradigma de educar a criança com palmadas ou mesmo espancamentos (BRASIL, 2003).

O projeto de lei nº 2654 /2003 da Deputada Maria do Rozário, dispõe sobre a alteração da Lei 8069/1990 (Estatuto da criança e adolescente), e da Lei 10406/2002 (Novo Código Civil), estabelecendo de forma aberta e especifica que a criança e o adolescente não poderão ser submetidos a qualquer forma de punição corporal, moderadas ou imoderadas, sob qualquer argumentação, ainda que pedagógicos (BRASIL, 2003).

Esse projeto de lei pondera que o uso da violência moderada é implicitamente permitida. O novo Código Civil que entrou em vigor em 2003 determina que perderá por ato judicial o pátrio poder, o pai ou a mãe que castigar imoderadamente o filho. Dessa maneira, percebe-se que o castigo moderado é admitido (BRASIL, 2002).

Nesse contexto, o Código Penal de 1940, coloca que, o crime de maus tratos, é para quem colocar em perigo a vida ou a saúde da pessoa sob autoridade, guarda ou vigilância, com fins educativos. Portanto, há que diferenciar a prática abusiva e não abusiva dos meios de correção, posto que apenas a primeira é punível (BRASIL, 1940).

Assim, estes dispositivos legais, na prática têm sido utilizados para o fim de contribuir para a cultura que ainda aceita e tolera o uso da violência moderada contra criança e adolescente, sob a alegação de propósitos pedagógicos, na medida em que se pune apenas o uso imoderado da força física. Além disso, há dificuldade em se traçar limites entre um castigo moderado e um castigo imoderado, o que tem propiciado abusos (BRASIL, 2003).

Contudo, em um estudo realizado por Santos & Chaves (2010), revela que as crianças conhecem seus direitos, sendo que os mais reconhecidos pelas crianças são: o direito à alimentação, o direito de brincar e o direito à educação. O reconhecimento da proibição do trabalho fica em segundo plano e o reconhecimento do direito a não violência física fica em terceiro plano. Percebe-se, as crianças estão sendo informadas sobre o direito.

Diante desse contexto, pode-se considerar que a lei está envolvida no contexto familiar, o que poderá causar alguns transtornos. Ressalta-se, portanto, o espaço que é aberto dentro deste contexto, sendo intervenções psicológicas na família, tais intervenções podem contribuir significantemente nas mudanças de atitudes tanto dos pais como dos filhos.

2.2.5 Intervenções Psicológicas na Família

Lembrando que o papel do psicólogo dentro desse contexto é necessário, por se tratar de um profissional que atua nas relações comportamentais do ser humano. Em se tratando de violência cometida.

Desse modo, a Psicologia Jurídica refere que a função do profissional psicólogo consiste em “interpretar a comunicação inconsciente que ocorre na dinâmica familiar e pessoal. Seu objetivo é destacar e analisar os aspectos psicológicos das pessoas envolvidas [...] a fim de auxiliar o juiz na tomada de decisão” (SILVA, 2003, p.39).

Dessa maneira, o CRAMI (Centro Regional de Atenção aos Maus-tratos na Infância), faz atendimento psicossocial á vítimas de violência doméstica, realizando ações preventivas, que lhes possibilite defesa e proteção incondicional (CRAMI, 2011).

Os resultados do acompanhamento realizado pelo CRAMI na intervenção proporcionou interrupção ou diminuição na intensidade da violência. Observa-se, portanto, que a intervenção junto a essas famílias pode ter resultados satisfatórios, desde que a violência possa ser compreendida em seus vários aspectos, ou seja, um sintoma presente no grupo familiar modelado por dificuldades de diferentes naturezas: cultural, social, econômica e das relações interpessoais (BRITO, et al, 2005).

Somado a essa questão está o CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) que oferta serviços especializados e continuados a famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de direitos, como a violência física, psicológica e sexual, entre outros. Os serviços prestados objetivam para a construção de um espaço de acolhida e escuta qualificada, fortalecendo vínculos familiares e comunitários, priorizando a reconstrução de suas relações familiares. Dentro de seu contexto social, deve focar no fortalecimento dos recursos para a superação da situação apresentada (BRASIL, 2010).

Assim o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) que segundo a Política Nacional de Assistência Social (PNAS/2004), tem como premissa essencial atuar com famílias e indivíduos em seu contexto comunitário, visando à orientação e o convívio sociofamiliar e comunitário, objetivando a prevenção do não rompimento dos vínculos familiares, isso que pode ser trabalhado nos grupos de convivência, atendimento e acompanhamento familiar, visitas domiciliares, encaminhamento, acolhida, entre outros (PNAS, 2004)

Portanto, as famílias têm condições de serem atendidas por esses programas, que atendem toda e qualquer classe, atuando na prevenção e promoção da saúde da família.

Muitas famílias no intuito de disciplinar os filhos ou até mesmo tentando entendê-los recorrem a livros de orientação. Em uma análise feita na literatura recente publicada no Brasil, segundo Longo (2005), coloca que embora tenha predominado um discurso contrário à punição corporal doméstica de crianças, e adolescentes, existem autores com grande aceitação junto ao público de pais e educadores leitores que defendem argumentos favoráveis a tais práticas, apropriando-se ativamente de modelos pedagógicos e psicológicos.

De acordo com a pesquisa, autores dos manuais pesquisados, vêm de diversas áreas do conhecimento e tiveram em sua formação influências de múltiplas correntes psicológicas, pedagógicas, filosóficas, teológicas e mesmo do senso comum, onde seus argumentos aparecem impregnados dessas diversas concepções rearticuladas. Trata-se de modelos de pensamento, influenciando as concepções ou discursos desses autores em relação às práticas educativas infantis com enfoque de interesse na questão das punições corporais. Dessa maneira estão sendo fornecidos a pais materiais com discursos baseados em preceitos.

Por outro lado, Pinheiro et. al. (2006) verificou em seu estudo que um programa para ampliar o repertório de habilidades sociais educativas dos pais de crianças em situação de risco foi bem acertado, observando-se melhoras significativas nos comportamentos. Os dados apontaram dificuldades rotineiras na tarefa de educar. Os resultados indicam que os pais não somente modificaram seus comportamentos, mas, também, foram positivamente reforçados com essa mudança, ao constatarem alterações nos comportamentos de seus filhos.

Portando, as intervenções realizadas nas famílias contribuem relativamente para uma boa harmonia familiar e para a distinção do que é responsabilidade da família e o que é responsabilidade da escola. Frente a isso, se faz necessário conhecer a escola e suas atribuições.

2.3 A Escola e Suas Atribuições

As relações entre as famílias e a escola são fundamentais, devendo haver trocas significativas, visando o bem estar do filho, com o objetivo de melhorar o desempenho escolar. Quando isso não acontece, os professores procuram aos pais, que sentem frustrados e impotentes, principalmente quando os filhos exibem dificuldades de aprendizagem e de comportamento, com as quais eles não conseguem lidar, atrasando os outros alunos, influenciando no rendimento e nos resultados (CARVALHO, 2004).

Ainda segundo o autor, os professores, na maioria das vezes, culpam a família e a ausência dos pais diante do caso, porque também são cobradas pelo sistema. Sabe-se que muitos pais deixam a tarefa de ensinar para os professores, porém as relações entre pais e mães e filhos em casa podem ser mais agradáveis e relaxadas quando não envolvem exigências escolares, testes e dever de casa. Dessa maneira a participação da família permitirá um aprendizado mais expressivo. A família que participa e que dá exemplos, consequentemente terão filhos mais aplicados e interessados nas atividades escolares.

Quando isso não ocorre, conforme Cavalcante (1998) torna uma situação difícil, que prejudica o processo de aprendizagem, onde questões como pobreza e violência podem estar presentes nessas famílias, interferindo assim no processo de ajuda. Situações que podem ser causadoras de alguns comportamentos dos alunos. Portanto, a tarefa de ensinar principalmente nas escolas públicas é uma missão desafiadora.

Diante disto, Friend e Cook (1990) definem a colaboração como uma posição de relações entre parceiros, harmonizados em um sistema de tomada de decisões, objetivando com isso, o bem comum. Os pais dessa maneira deverão ser uma das partes, talvez a principal dessa parceria. Apesar de algumas peculiaridades existentes nas famílias, a participação dos pais, não poderá ser descartada em qualquer hipótese, principalmente nos primeiros anos escolares.

Contudo, muitas barreiras ainda são formadas para a não colaboração, Cavalcante (1998) coloca que a escola não tem capacidade para afetar de maneira positiva as famílias, muitas escolas acreditam que crianças que vem de famílias disfuncionais ou falhas são impossibilitadas ou desmotivadas, e destinadas a falhar na sua escolaridade, tendo o seu futuro já predeterminado na sociedade.

Dessa maneira, a família que está por trás do sucesso escolar, conta com uma mãe em tempo integral ou aquelas que trabalham muitas horas fora de casa, e quando chega ou nos finais de semana exerce o papel de professora dos filhos em casa, ou contratando professoras particulares para as chamadas aulas de reforço escolar e até mesmo psicólogas e psicopedagogas, nos casos mais difíceis (CARVALHO, 2000).

O estudo realizado pelos autores citados abaixo, mostrou que os pais querem saber mais sobre como a escola funciona, e desejam também conhecer as regras que a escola utiliza para, por exemplo, corrigir o comportamento das crianças e por último gostariam de saber como agir conjuntamente para resolver e evitar problemas (BHERING; SIRAI- BLATCHFORD, 1999).

Nesse contexto, segundo Aquino (1998) surge o aluno problema que são de origem de distúrbios, de natureza cognitiva ou de natureza comportamental onde são denominados muitas vezes como indisciplinados, virando um dos principais desafios para o trabalho docente. Dessa maneira, estão considerando que se o aluno aprende é porque o professor ensina, se ele não aprende é porque não quer ou porque apresenta algum tipo de distúrbio, carência ou falta de pré-requisito. O autor questiona tal afirmação, considerando como desculpa para o fracasso escolar e ainda coloca que a escola deve enfrentar o momento como uma oportunidade para a escola se afirmar, desenvolvendo ações que visam equacionar e suplantar a situação problema.

O autor levanta ainda, hipóteses explicativas da questão disciplinar, que segundo ele, são versões diagnósticas usadas atualmente, fundamentadas em evidencias erradas, não podendo apoiar, nem na teoria nem na prática, que as crianças padeçam de falta generalizada de regra e de limite.

Desse modo, a escola deve encarar a situação como excelentes elementos para o trabalho em sala de aula. O autor questiona que seria mesmo verdadeira a afirmação que os alunos sem limites é fruto da permissividade dos pais. Segundo ele, é muito comum imaginarmos que a criança mal-educada em casa converte-se automaticamente em aluno indisciplinado na escola. Afirma que isso nem sempre é verdadeiro, que é possível generalizar esse diagnóstico para justificar os diferentes casos de indisciplina. Enfatiza também que há uma evidência conclusiva de que alunos indisciplinados com alguns professores podem ser bastante colaboradores com outros.

Dessa maneira, o contexto escolar envolve várias questões a serem discutidas e, é através delas que poderão ser levantadas algumas realidades importantes que devem ser estudas e questionadas.

3. Metodologia

A caracterização desta pesquisa quanto à abordagem do problema é de origem qualitativa e quantitativa através de estudo exploratório, sendo que nesse tipo de pesquisa pode ser utilizada uma variedade de técnicas e procedimentos. Nesse sentido, conforme Silva e Menezes (2005, p. 20) a pesquisa qualitativa considera que há uma “relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, que não pode ser traduzido em números”. Assim são observados os fenômenos naturalmente onde acontecem. Ainda, segundo as autoras, a pesquisa quantitativa, “considera que tudo pode ser quantificável, o que significa traduzir em números opiniões e informações, requer o uso de recursos e de técnicas estatísticas”.

Dessa forma, a pesquisa é exploratória visando adequar o problema com objetivo de torná-lo explícito ou a construir hipóteses. Sendo assim, envolve o levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas que tiveram conhecimentos práticos com o problema pesquisado e análise de exemplos que estimulem a compreensão (GIL, 1991).

O município de Gurupi conta com 66 escolas, sendo, 23 estaduais, 17 municipais e 26 particulares. Dentre estas, 30 escolas atende o Ensino Fundamental do 1° ao 5° ano.

Para selecionar a escola para a pesquisa foi feito um levantamento de dados junto à Diretoria Regional de Ensino (DRE) sobre as escolas que atendem o Ensino Fundamental do 1° ao 5° ano na cidade de Gurupi-TO. Assim as escolas foram numeradas, e foi realizado um sorteio, onde, a escola sorteada foi o Centro Educacional Fé e Alegria Paroquial Bernardo Sayão.

O público-alvo dessa pesquisa foram pais de alunos do 1° ao 5° ano do Ensino Fundamental com idade entre 7 e 12 anos, que funciona no período vespertino. A escola conta com 240 alunos matriculados do 1° ao 5° ano do Ensino Fundamental no período vespertino.

Os pais desses alunos foram selecionados conforme a indicação da coordenação da escola. os critérios de escolha utilizados pelas Coordenadoras e pela equipe de pesquisa dizem respeito aos alunos que apresentam índices de agressividade e aqueles que não apresentam esse comportamento na escola.

Os critérios de inclusão da pesquisa foram: Pais ou responsáveis de alunos do 1° ao 5° ano do Ensino Fundamental do período vespertino, com idade entre 7 e 12 anos, indicados pela coordenação, que apresentam comportamento agressivo e não agressivo, que desejem participar da pesquisa.

Os critérios de exclusão foram: Pais ou responsáveis de alunos do 1° ao 5° ano do Ensino Fundamental do período vespertino, que não forem indicados pela coordenação. Pais ou responsáveis de alunos de outros anos dos períodos matutino e noturno. Pais ou responsáveis de alunos do 1° ao 5° ano do Ensino Fundamental que forem indicados pela coordenação, que apresenta comportamento agressivo e não agressivo, que não desejem participar da pesquisa. Pais ou responsáveis de alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental que não foram encontrados pelos telefones e endereços disponibilizados pela escola. Pais ou responsáveis de alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental que tenha sido transferido da escola.

A presente pesquisa foi realizada por amostras não probabilística intencionais que segundo Silva e Menezes (2005 p.32) são “escolhidos casos para a amostra que representem o “bom julgamento” da população/universo”.

A escolha dos alunos foi realizada pela coordenação que indicou 24 alunos com maiores índices de agressividade e 24 alunos que não apresentam esse comportamento na escola.

Dentre os 24 alunos que foram indicados com maiores índices de agressividade, 01 aluno foi transferido, 01 responsável não quis participar e 01 responsável não foi encontrado pelos telefones disponíveis, como também, pelo endereço informado pela secretaria da escola. Em relação aos alunos indicados que não apresentam comportamentos agressivos, 01 responsável não quis participar e 01 responsável não foi encontrado pelos telefones e endereço.

Portanto fizeram parte dessa pesquisa 43 responsáveis pelos alunos indicados pela coordenação da escola.

A pesquisa foi realizada na escola Centro de Educacional Fé e Alegria Paroquial Bernardo Sayão da cidade de Gurupi-TO, que se encontra no endereço Av. Maranhão, 1327 Centro CEP 77.410-020.

Primeiramente, foi realizado um contato com a escola através de seu responsável para a autorização da pesquisa no local e levantar informações pertinentes e condizentes com a pesquisa.

Posteriormente, o projeto foi enviado para Plataforma Brasil e aprovado pelo número de parecer 115.743. Após a aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa, os trabalhos de coleta de dados foram iniciados.

Foi feito o levantamento dos telefones de contato dos pais, onde foram esclarecidos para os mesmos os objetivos da pesquisa, e assim solicitados a comparecer na escola para a entrevista, que foi realizada com o responsável pelo aluno individualmente e em uma sala reservada. Os pais que não se dispuseram comparecer na escola, com a devida autorização dos mesmos, a pesquisadora foi até a residência para então realizar a coleta de dados.

A presente pesquisa apresentou risco mínimo, pois foi realizada apenas entrevista, uma vez que foi mantido o sigilo absoluto quanto à identificação dos participantes conforme a resolução nº 196/96. O principal risco foi em relação ao constrangimento dos pais em responder alguma questão, porém, esse risco foi minimizado, uma vez que a entrevista aconteceu em uma sala reservada na própria escola ou na residência do responsável, caso ainda persistisse o constrangimento, a entrevista poderia ser interrompida sem nenhuma perda ao entrevistado.

Os benefícios foram maiores do que de qualquer tipo de constrangimento que pudesse ter acontecido, pois os sujeitos envolvidos foram os maiores beneficiados no que se refere aos resultados da pesquisa, onde os mesmos podem servir como alerta para políticas voltadas de educação familiar favorecendo assim a inter-relação entre pais, alunos e professores.

Os dados colhidos foram submetidos à análise qualitativa segundo os princípios da análise de conteúdo, que de acordo com Severino (2007), é uma metodologia de tratamento e análise de informações que trata de compreender criticamente o sentido manifesto ou oculto das comunicações, buscando captar o significado das mensagens.

Nesta análise qualitativa foram seguidos os passos propostos por Minayo (2007): 1) Ordenação dos dados: mapeamento dos dados; 2) Classificação dos dados: que consiste na leitura exaustiva do material para identificação de temas relevantes e estabelecimento de categorias temáticas; 3) Análise final: que é a realização de articulações entre os dados e as referências teóricas adotadas.

A análise quantitativa foi realizada e apresentada em gráficos e tabelas processadas no Microsoft Office Excel.

4. Resultados e Discussão

A pesquisa realizada no Centro Educacional Fé e Alegria Paroquial Bernardo Sayão da cidade de Gurupi-TO, no ano de 2012, teve como objetivo identificar as relações entre as práticas educativas de pais, com palmada ou diálogo, com as consequências nos comportamentos de crianças.

As entrevistas ocorreram durante 18 (dezoito) dias, sendo que foram realizados mais de um encontro conforme a disponibilidade dos entrevistados. Conforme apresentados na metodologia foram entrevistados 43 (quarenta e três) responsáveis pelas crianças indicadas, sendo que 21 (vinte e um) responsáveis por crianças consideradas agressivas (Grupo 01) e 22 (vinte e dois) responsáveis para as crianças consideradas não agressivas (Grupo 02).

Os resultados serão apresentados conforme a sequência temática das perguntas da entrevista realizada, sendo assim: Identificação dos Participantes, Situação Socioeconômica e Profissão, Composição Familiar e Dinâmica Familiar.

4.1 Identificação dos Participantes

Os responsáveis pelas crianças consideradas agressivas (Grupo 01) foram: 76% mãe, 10% avó, 9% pai e outros 5% monitora da Casa de Passagem [1], já os responsáveis pelas crianças consideradas não agressivas foram: 91% mãe, 5% avó e 5% pai, conforme visualiza nas figuras abaixo:

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Gráfico 01. Responsável do grupo 01

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Gráfico 02. Responsável do grupo 02

Fonte: Dados Primários

Conforme figuras acima, pode-se constatar que a maioria dos responsáveis, tanto do grupo 01 quanto do grupo 02, foram mães.

À faixa etária dos responsáveis do grupo 01 foram: 48% dos responsáveis tem de 30 à 40 anos, 24% de 20 à 30 anos, 14% de 40 à 50 anos e outros 14% de 50 à 60 anos. No grupo 02 verifica-se que 73% dos responsáveis tem de 30 a 40 anos, 14% de 20 à 30 anos, 9% de 50 à 60 anos e 4% de 40 à 50 anos, conforme figuras abaixo:

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Gráfico 03. Faixa etária do grupo 01

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Gráfico 04. Faixa etária do grupo 02

Fonte: Dados Primários

Nota-se que no Grupo 01, 48% dos responsáveis têm faixa etária de 30 a 40 anos de idade, e uma porcentagem considerável 24% de responsáveis com idade entre 20 e 30 anos. No Grupo 02, 73% têm idades de 30 a 40 anos e 14% entre 20 e 30 anos. Destaca-se aqui que a diferença do Grupo 01 em relação ao Grupo 02 no que se refere a faixa etária é de 20 a 30, 40 à 50 e entre 50 e 60 anos é relevante, abrindo um espaço para discutir e verificar se o fator “idade” dos pais e/ou responsáveis influencia no comportamento agressivo da criança.

Em relação a escolaridade dos responsáveis do grupo 01 foi verificado que 52% tem o Ensino Médio completo, 19% Ensino Fundamental incompleto, 09% superior incompleto, 05% Ensino Médio incompleto, 05% Ensino Fundamental completo, 05% pós graduação e 05% analfabeta.

No grupo 02, verificou-se que 64% dos responsáveis tem Ensino Médio completo, 14% Ensino Médio incompleto, 09% Ensino Superior completo, 09% Ensino Fundamental incompleto e 04% Ensino Superior incompleto.

A escolaridade dos grupos, se concentra a maior parte no ensino médio completo conforme figuras abaixo mostram.

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Gráfico 05. Escolaridade do grupo 01

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Gráfico 06. Escolaridade do grupo 02

Fonte: Dados Primários

Esse resultado revela que não há diferença significativa entre os grupos quanto ao nível de escolaridade, isso pode estar associado ao fato de a pesquisa ter sido realizada numa escola pública e o nível socioeconômico considerado baixo.

Neste aspecto é importante colocar o que Maldonado e Willians (2005) perceberam em suas pesquisas que estudava comportamentos agressivos de crianças na escola, onde foi identificado que as famílias das mesmas caracterizaram-se por serem de baixa renda e sendo que os pais não completaram o ensino fundamental na maioria dos casos.

Casarin e Ramos (2007) destacam a respeito do papel da família na educação escolar dos filhos, independente do nível de escolaridade dos pais e/ou responsáveis estes devem compartilhar da função educacional junto a escola, ressaltando que nenhum possa fazer o serviço da outra, mas cada uma cooperando mutuamente.

Ainda estudando Casarin e Ramos (2007) eles colocam que nos dias atuais, os pais deixam muito a desejar no acompanhamento dos filhos, pois exige prática e conhecimento e em muitas situações os pais se deparam em seus limites devido ao nível de escolaridade que possuem.

4.2 Situação Socioeconômica e Profissão

Na entrevista foi perguntado sobre a renda familiar, no grupo 01, 72% tem renda de 0 a 2 salários mínimos, 19% de 2 a 4 salários mínimos, 5% 8 a 10 salários mínimos e mais 5% renda municipal [2]. Assim como no grupo 01, o grupo 02 se concentra a maior parte com renda de 0 a 2 salários mínimos sendo 59% dos entrevistados, 36% com renda de 2 a 4 salários mínimos e 5% com renda de 4 a 6 salários mínimos.

As figuras abaixo apresentadas trazem o nível socioeconômico das famílias:

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Gráfico 07. Renda do grupo 01

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Gráfico 08. Renda do grupo 02

Fonte: Dados Primários

O resultado demonstra que o nível socioeconômico das famílias entrevistadas, na maior parte, é de classe social baixa, sendo que a porcentagem no grupo das crianças consideradas agressivas foi de 71% em oposição a 59% do grupo das crianças consideradas não agressivas tem renda de 0 a 2 salários mínimos. Outro fator que é importante ser destacado é o de que apenas 19% dos membros do Grupo 01 tem renda de 02 a 04 salários mínimos e 36% do Grupo 02 possuem a mesma renda, sendo tal porcentagem com uma diferença de elevada importância e ainda apresenta 5% com renda municipal. Esses resultados levam a discussão de como o nível socioeconômico pode influenciar nos comportamentos apresentados pelas crianças.

Bandura; Azzi; Polydoro (2008) na teoria da aprendizagem social compreende a agressividade humana na medida em que focaliza o papel do ambiente social na aquisição, manutenção e modificação das respostas agressivas. É possível compreender que de acordo com o meio social em que a criança está inserida a sua conduta pode ser estabelecida, modificada ou modelada, portanto, se na família ela não possui uma base social econômica segura à probabilidade de ser uma criança agressiva é maior do que em crianças que tenham uma base social segura.

Citando Maldonado e Willians (2005) na pesquisa realizada sobre comportamentos agressivos de crianças na escola, obtiveram resultados que as famílias das mesmas, além do baixo nível de escolaridade também se caracterizavam com baixa renda.

Nota-se, portanto que o meio em que a criança vive é um fator que pode influenciar a agressividade, a escola e a família não podem ficar de braços cruzados sem fazer nada que venha favorecer a socialização e a recuperação de valores essenciais para que a criança possa viver em sociedade sem causar problemas para si e para os que convivem com ela (SILVEIRA, 2003)

As profissões dos responsáveis foram conforme mostra a tabela 01:

GRUPO 01

GRUPO 02

02 Do Lar

02 Recepcionista

02 Dona de bar

02 Diarista

02 Doméstica

01 Monitora

01 Motorista

01 Comerciante

03 Autônomo

01 Estudante

01 Promotora de Vendas

01 Fisioterapeuta

01 Vendedora

01 Agente de Saúde

05 Do Lar

02 Auxiliar de Serviços Gerais

02 Salgadeira

02 Estudante

01 Representante comercial

01 Licenciada em Química

01 Secretária

01 Garçonete

01 Recepcionista

01 Pedagoga

01 Auxiliar de abate

01 Moto táxi

01 Costureira

01 Balconista

01 Diarista

Tabela 01: Profissões dos responsáveis entrevistados.

Fonte: Dados Primários

É notável que no Grupo 01 a maioria dos entrevistados exerça profissões fora de casa, sendo assim, é possível verificar, que devido ao fato da não presença do responsável em casa, torna-se necessário a ajuda de outras pessoas para cuidar da criança, tal situação pode estar relacionada com os comportamentos agressivos emitidos na escola.

Ao encontrar tais resultados se torna importante destacar o que coloca Wagner et. al. (2005), com as evoluções e atribuições atualizadas, como o ingresso da mulher no trabalho, a família tem ganhado um perfil diferente, em relação à divisão de afazeres em educar o filho. Importantes fenômenos e movimentos sociais, as maiores participações das mulheres no sistema financeiro familiar acabaram dispondo um novo perfil à família.

Já no Grupo 02, a maior parte dos entrevistados é Do Lar, ou seja, o responsável tem rotina diária em casa, não exerce uma profissão fora do lar. Sendo assim isso nos recorre a lembrar de que, tal grupo, é o das crianças consideradas não agressivas, percebe-se assim que a presença do responsável influencia na emissão de comportamentos favoráveis das crianças.

Ainda de acordo com a pesquisa de Wagner et. al. (2005) muitas famílias ainda exibem particularidades presentes na família tradicional, considerando ainda que os valores históricos permaneceram. Vale destacar que essas famílias enfrentam suas crises considerando seus valores, crenças, atitudes e repartições de tarefas e papéis. Assim, a maioria percebe que as atribuições de educar ou não filhos, não esta sujeita somente a mãe, mas também ao pai e a participação de alguns profissionais, proporcionando uma parceria mútua e continua.

4.3 Composição Familiar

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Gráfico 09. Composição familiar do grupo 01

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Gráfico 10. Composição familiar do grupo 02

Fonte: Dados Primários

Em relação a esse fator, a composição do grupo familiar das crianças indicadas; no grupo 01, 52% responsáveis disseram que as crianças convivem com familiares, ou seja, não convivem com a mãe, é criado pela avó, por mãe solteira, separada ou mãe que convive com companheiro, 43% dos responsáveis disseram que a família é composta por pai e mãe e 05% dos responsáveis disseram que a criança convive com várias crianças e equipe sem parentesco (Casa de Passagem). No grupo 02, 64% dos responsáveis disseram que as crianças convivem com pai e mãe e apenas 36% das crianças convivem com familiares. Segue figuras para visualização:

Os resultados revelam que nas famílias onde as crianças são consideradas agressivas, a composição familiar é diferente do que é colocado como “normal” pela sociedade, ou seja, a família é reconstituída, não sendo formada apenas por pai, mãe e filhos. Já no grupo 02, as famílias são compostas na maior parte por pai, mãe e filhos. Tal resultado demonstra que nas famílias reconstituídas existe uma probabilidade maior de as crianças apresentarem comportamentos agressivos.

Com isso, Bossa (1998) faz uma importante colocação dizendo que mais do que responsáveis pela qualidade de vida dos filhos, os pais são construtores do aparelho psíquico dos seus filhos. Nascendo numa condição de total incompletude, o ser humano depende totalmente dos adultos que estão a sua volta, especialmente de seus pais ou daqueles que fazem função paterna e materna. Embora trazendo uma carga genética que também interfere no seu destino, o fator genético será menos influente quanto mais influente for a educação.

Nota-se, portanto que a família sendo reconstituída ou não, ela exerce fundamental importância no desenvolvimento psíquico da criança e, que independente da composição familiar, àqueles que exercem o papel de educador que estimula e favorece um espaço com práticas educativas saudáveis ao desenvolvimento da criança, poderá apresentar comportamentos favoráveis.

Na realização das entrevistas, ocorreram a presença de responsáveis pela criança, como avós e monitora da casa de passagem, para selecionar o número de filhos dos entrevistados foram considerados apenas os filhos, quando os responsáveis foram pai e mãe das crianças indicadas. Conforme mostra tabela a seguir:

GRUPO 01

GRUPO 02

01 monitora da casa de passagem

02 avós

01 avó

Tabela 02: Responsáveis pelas crianças indicadas que não são pai ou mãe

Fonte: Dados Primários

No grupo 01, 33% dos responsáveis tem 03filhos, 34% tem 2 filhos, 11% tem 01 filho, 11% tem 04 filhos e 11% tem 5 filhos. No grupo 02, 52% dos responsáveis tem 02 filhos, 19% tem 03 filhos, 19% tem 01 filho e 10% tem 4 filhos. Conforme pode ser visualizado nas figuras a seguir:

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Gráfico 11. Número de filhos do grupo 01

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Gráfico 12. Número de filhos do grupo 02

Fonte: Dados Primários

Nota-se que no grupo 01 existe uma porcentagem maior em relação ao Grupo 02 no que se refere ao número de 03 crianças na família. No grupo 02 apresentou uma porcentagem maior no que se refere ao número de 02 filhos. Esse resultado revela que nas famílias onde o número de filhos é maior pode haver uma maior ocorrência de comportamentos agressivos apresentados pelas crianças.

As crianças indicadas pela escola para participação da pesquisa em relação ao gênero do Grupo 01, 86% são do sexo masculino e 14% do sexo feminino. Já no Grupo 02, 59% são do sexo feminino e 41% do sexo masculino.

Conforme figura abaixo:

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Gráfico 13. Sexo das crianças indicadas do grupo 01

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Gráfico 14 Sexo das crianças indicadas do grupo02

Fonte: Dados Primários

Como pode ser visto nas figuras acima, no grupo das crianças consideradas agressivas 86% são do sexo masculino e no das consideradas não agressivas, apenas 59%. A pesquisa revela que existe uma maior probabilidade da existência de comportamentos agressivos nas crianças do sexo masculino.

Em relação esse fator, pode-se considerar o que Oaklander (1980, p. 347) coloca sobre o sexismo enfatizando que, “as meninas são frequentemente encorajadas pela sociedade e família a desenvolver apenas aquilo que é rotulado como feminino, e os garotos são encorajados a desenvolver apenas o que é considerado masculino”.

Desta maneira, a autora destaca ainda que a sociedade tende a colocar como o certo, os meninos serem fortes, brincar somente brincadeiras que não demonstrem sensibilidade, os pais tendem a estabelecer formas de agir no sentido de que menino não pode brincar as mesmas brincadeiras que as meninas, por esse fator, a influência dos meninos em serem agressivos é na maioria das vezes é aprendida, ela acontece de maneira gradual e de acordo com o meio ambiente e não pelas suas dificuldades internas.

4.4 Dinâmica Familiar

Os dados aqui apresentados, dizem respeito à dinâmica familiar, ou seja, como é a relação dos membros da família uns com os outros e também com as outras pessoas que foram inseridas na família para ajudar a cuidar dos filhos, quais as formas de correção são utilizadas frente a comportamentos agressivos.

No grupo 01, 33% das crianças são cuidadas por avós, 14% por irmãos, 10% por tios ou tias, 9% não recebem ajuda, 9% por vizinha, 5% fica sozinho, 5% por madrinha e 5% por sobrinho. Conforme figura:

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Gráfico 15. Pessoa que ajuda cuidar enquanto trabalha do grupo 01

Fonte: Dados Primários

Já no grupo 02, 45% das crianças são cuidadas pela avó, 41% não recebe ajuda, 5% fica sozinho, 5% por irmãos e 4% por madrinha. Conforme visualiza na figura abaixo:

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Gráfico 16. Pessoa que ajuda cuidar enquanto trabalha do grupo 01

Fonte: Dados Primários

As figuras mostram que tanto no grupo 01 quanto no grupo 02, a pessoa que mais ajuda a cuidar das crianças é a avó, porém, no grupo 01 apresenta uma variedade maior de outras pessoas que ajudam a cuidar. Estes resultados revelam que as crianças agressivas recebem uma gama maior de influências educativas.

Moreira; Biasoli-Alves (2007) acrescenta a este fato, que as famílias que arranjam cooperadores na tarefa de educar os filhos podem interferir positivamente ou negativamente, nesse processo. Com os pais saindo para trabalhar é necessária a existência de ajudantes, podendo ser creches, escolas, empregadas domésticas, babás e avós. Assim é importante avaliar as consequências que a criança poderá sofrer por estar tendo distintas referencias de educação.

No que diz respeito à maneira de corrigir quando o filho faz algo de errado, foi possível constatar aqueles que citaram somente uma maneira de corrigir e outros que citaram duas, três, e todas as maneiras optativas colocadas nas entrevistas, assim foram criadas categorias com duas, três e todas as opções conforme tabela de dados:

CATEGORIAS

GRUPO 01

GRUPO 02

Uma categoria:

Deixa de castigo

01

 

Diálogo

 

04

Duas categorias:

Diálogo/ Retira algo que gosta muito

02

09

Diálogo/ Palmada

02

02

Palmada/ Castigo

01

 

Castigo/ Retira algo que gosta muito

02

01

Palmada/ Retira algo que gosta muito

 

01

Três categorias:

Diálogo/ Deixa de castigo

/ Retira algo que gosta muito

02

01

Diálogo/ Palmada/ Retira algo que gosta muito

02

03

Diálogo/ Palmada/ Deixa de castigo

04

 

Palmada, Deixa de castigo, Retira algo que gosta muito

01

 

Todas categorias:

Diálogo/ Palmada /Deixa de castigo/ Retira algo que gosta muito

04

01

Tabela 03: Maneiras de corrigir quando o filho faz algo de errado

Fonte: Dados Primários

No Grupo 01 os resultados apresentados foram na maior parte, em três categorias, em que está incluso o uso da palmada, os responsáveis colocaram que tentam conversar primeiro, caso não resolva, recorre a palmada, ainda colocaram que recorre à palmada no extremo e na hora da raiva.

Veja alguns relatos na integra:

“Se teimar bato”, “No limite, bato”, “Na hora da raiva, bato”, “Acho que é certo conversar e bater”, “As vezes tem que bater”, “ Estava batendo vi que não resolvia e que se fosse bater, batia muito, agora deixo de castigo” (Relatos Grupo 01).

Ao perguntar sobre a utilização do castigo, retirada de algo que gosta muito e sobre o tempo que isso ocorre, a maioria dos responsáveis disseram que depende do que a criança faz e não tem um período de tempo determinado.

“Tiro passeio e TV por um mês”, “Escreve em uma folha frente e verso o que fez de errado”, “Tiro rua, brinquedo, tiro tudo por um mês mais ou menos” (Relatos Grupo 01).

Sobre os objetos que utilizam para bater foi colocado o “cipó” o “chinelo” e o cinto, sobre o castigo foi colocado que a criança fica de joelho.

“Já aconteceu de ter que bater de chinelo”, “Fica de joelho 15 minutos” (Relatos Grupo 01).

Algumas mães colocaram ainda seus sentimentos em relação à atual situação. Alguns relatos na integra:

“Me sinto julgada pelos professores”, “Me sinto perdida e preocupada com as reclamações da escola”, “Sinto ser culpada por não conseguir educar”. “ Já pensei até em tirar da escola” (Relatos Grupo 01).

Entre os relatos alguns entrevistados disseram que o filho já passou por psicólogo ou pretende procurar a ajuda deste profissional.

No grupo 02 foi colocado pelos responsáveis que já aconteceu de bater, porém, isso seja difícil de acontecer.

“É difícil eu bater, mas quando precisa sim, mas sem espancar”, “Ameaço de bater, fica com medo e obedece”, “Em alguns momentos extremos bato”, “Se for necessário bato”, “Se não resolver, a palmada por último”, “Tem que ser amigo do filho”, “Ele é um menino sentimental, pede perdão, beija”, ”Coloco para pensar” “É difícil fazer algo errado”, “Mostro o que é certo e errado” (Relatos do grupo 02).

Sobre o tempo para o castigo e para retirar algo que gosta muito, também disseram que depende do comportamento.

“Ajudam em casa como castigo”. “Retiro algo que gosta por uma semana mais ou menos”, “Deixo meia hora de castigo” (Relatos do grupo 02).

Todos do Grupo 02 disseram que não tem recebido ou nunca recebeu reclamações da escola por mau comportamento. Esses resultados se identificam com a pesquisa que revelou relatos de mães que fazem uso de objetos para castigar as crianças, tais como, cinto ou chinelo, sem visivelmente discriminar tal prática com um exemplo de violência contra as mesmas (MALDONADO; WILLIAMS, 2005).

Outros pesquisadores (Azevedo & Guerra, 2001; Straus, 2000) colocam que o uso de punição corporal é, muitas vezes, embasado em crenças e normas culturais presentes na rede social que consideram o uso como uma forma aceitável de disciplina e refletem um desconhecimento da legislação em vigor, como o atual Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) e a Lei da Palmada que está em trâmite de aprovação (2654/2003).

A forma de educar as crianças, atualmente, dependerá de situações presentes na família. Por não serem uma atribuição fácil, muitos pais/responsáveis têm utilizado essas práticas educativas não favoráveis sucedidas da educação dos seus pais. Assim, os pais têm encontrado dificuldades em acertar de maneira eficaz no processo de educação (OLIVEIRA; RABUSKE; ARPINI, 2007).

Ao ser perguntado sobre quem costumam mais corrigir os filhos, alguns responsáveis colocaram que além dos pais, outras pessoas também corrigem, no grupo 01 a pessoa que mais corrige é a mãe sendo 33% no total, 14% mãe e avó, 14% mãe e pai, 09% avós, 05% pai, 05% outros, 05% pai e avó, 05% mãe, pai e outros, 05% mãe e outros e 05% mãe, pai e avós, foram colocados como pessoas que mais corrige. Conforme figura abaixo:

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Gráfico 17. Pessoa que corrige mais do grupo 01

Fonte: Dados Primários

Constatou-se que a pessoa que mais corrige é a mãe. Ao ser questionado sobre como esta correção era feita, as respostas foram variadas, como a tentativa de conversar, batendo, colocando de castigo e tirando algo que gosta. Já as avós, também tentam conversar chamando a atenção, dá agrados, dá palmada, coloca de castigo, tira algo que gosta. O pai conversa, bate, briga, deixa de castigo, protege, tira a autoridade da mãe. O companheiro só conversa e passa para mãe. As irmãs passam tudo para mãe e coloca de castigo. A madrinha só conversa mostra o que certo e errado.

No grupo 02, a pessoa que mais corrige é a mãe e mãe e pai no total de 27% cada, 14% avós, 14% pai, 09% mãe, pai e avós, 04% mãe e avó e 05% mãe e outros foram colocados como pessoas que mais corrige.

Conforme figura abaixo:

image

Gráfico 18. Pessoa que corrige mais do grupo 02 Fonte:

Dados Primários

No grupo 02, verifica-se dentre as respostas, sobre como cada um corrige, constatou- se que a mãe conversa, às vezes, perde a paciência, dá palmada, ameaça de tirar algo e retira o que gosta. Já o pai é durão, rígido, conversa, ameaça de bater, não interfere no que a mãe fala, dá apoio, é amoroso. A avó conversa, dá bronca, retira o que gosta. A madrinha conversa e o padrasto também conversa.

Comparando os resultados do grupo 01 e 02 constatou-se que no grupo 01 a mãe foi a mais citada como quem mais corrige, sendo assim, a responsabilidade de educar acaba recaindo somente a ela, em contraposição, no grupo 02 tanto o pai quanto a mãe participam junto do processo de correção dos filhos, o que influencia diretamente na menor ocorrência de comportamentos agressivos da criança.

Verificando os resultados do Grupo 02, Bee (2003) coloca que nas famílias consistentes onde pai e mãe participam juntos da educação colocando regras e consequências de desobedece-los ou obedece-los e fazer de maneira consistente, é menos provável que os filhos se tornem delinquentes ou apresentem problemas de comportamentos significativos se comparados com crianças de famílias menos consistentes.

4.4.1 Influências no Modo de Educar e Sentimentos Acerca de Serem Pais Educadores

Na realização da entrevista, foi investigado se os pais utilizam alguma forma de educar das que os seus pais repassaram quando estes eram crianças. Foram identificados alguns princípios e valores transferidos.

No grupo 01, foram citados os seguintes: honestidade, respeito, falar a verdade, não mexer no que é do outro, valorizar o que recebe, caráter, não sair de casa sem falar, não comer sem pedir, estudar, não ficar na rua, obedecer, responsabilidade, carinho e amor para com os outros, colocar para fazer tarefas, ajudar em casa, não sair sem permissão, ser trabalhador e não fumar. Três participantes disseram não seguir princípios dos pais, colocando que era diferente e citou também que os pais batiam muito.

No grupo 02, foram citados os seguintes princípios: não pegar o que é do outro, respeitar os mais velhos, o diálogo, fazer as refeições na mesa, ajudar as pessoas, arrumar a cama, o respeito, falar a verdade, honestidade, obediência, fazer a tarefa de casa, não sair para casa dos vizinhos, ir para a escola todos os dias, ajudar em casa, não pegar o que achar na rua, responsabilidade, ser educado, não entrar nas conversas dos adultos, cumprimentar as pessoas, tratar bem o outro. Cinco responsáveis disseram não seguir os princípios dos pais por ser uma época diferente e pelo fato de terem apanhado muito e não acharem correto corrigir batendo.

Segundo Maldonado (1997), a maneira como esses pais de hoje foram criados, algumas vezes, pode causar dificuldades na educação de seus filhos. Alguns acreditam que o rigorismo é a forma de lidar com as crianças na modernidade, enquanto outros julgam que se deve cultivar a permissividade, já que foram educados com muita rigidez e criaram verdadeira aversão a esse modelo. Assim, a visão patriarcal vem sendo modificada e muitas vezes mantida.

Em relação, a como os responsáveis se consideram como educadores das crianças, no Grupo 01, 57% se considerava flexíveis e 43% se consideram rígidos. Já no Grupo 02, 55% se consideram rígidos e 45% se consideram flexíveis. Conforme visualiza nas figuras abaixo:

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Gráfico 19. Como o responsável se considera do grupo 01

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Gráfico 20. Como o responsável se considera do grupo 02

Fonte: Dados Primários

As figuras mostram que no grupo das crianças consideradas agressivas 57% dos responsáveis se colocaram como flexíveis e, estes afirmaram que tal fato é a raiz dos problemas, pois ficam com pena, e acabam retirando do castigo antes do tempo determinado. O fato de os responsáveis serem flexíveis pode estar relacionado com o tempo do castigo, pois o mesmo é longo e não tendo controle, logo, eles voltam atrás, isso pode ser verificado nos relatos:

“Tiro passeio e TV por um mês”. “Tiro rua, brinquedo, tiro tudo por um mês mais ou menos”. (Relatos Grupo 01).

No Grupo 02, 55% dos responsáveis se consideram rígidos e 45% se consideraram flexíveis.

Estes resultados revelam que a forma com que os responsáveis se consideram, no caso dos flexíveis, pode estar associada à agressividade apresentada pelas crianças, onde a flexibilidade pode levar a perda da autoridade, fazendo com que a criança se sinta capaz de fazer o que quer, pois nada irá acontecer.

Diante disso, conforme pesquisa de Oliveira; Rabuske; Arpini (2007), mães colocam que alguns comportamentos difíceis de lidar, mostrando oscilações em empregar a punição e ainda ameaçam e amedrontam os filhos, as mães não mencionaram os resultados negativos desta tática. Evidenciaram ser natural a utilização da violência física e psicológica contra a criança. Essas práticas teriam o intuito de educar, embora, manifesta culpa e mal-estar por bater nos filhos.

Dessa maneira, a instabilidade do comportamento dos pais com relação a punir ou não seus filhos, gera neles, comportamentos desajustados, não sabendo o que é certo ou errado. A criança por sua vez fica, muitas vezes, perdida sem saber como se comportar frente às situações e, em outros casos, passa a generalizar a falta de limites para todas as situações, desrespeitando tanto as regras familiares quanto as sociais.

Observa-se então, a importância dos modelos de educação ser repensados, já que não existe um modelo definitivo de como educar os filhos. Geralmente, na prática, a maneira de educar está vinculada às próprias experiências dos pais, bem como às necessidades impostas pelas contingências presentes na modernidade (ALMEIDA ET. AL. 2006).

Portanto, a eficiência dos pais está em transmitir aos filhos a contestação entre o que é certo ou não, adequado ou inadequado, essencial ou supérfluo, sem ter medo que essa postura faça com que os filhos desenvolvam um sentimento de aversão ou se distanciem deles próprios. Cabe aos pais a tarefa de fazer com que seus filhos se situem no mundo real, pois, fora de casa os mesmos encontrarão essas situações, que terão que resolver (ARANTANGY, 2003).

4.4.2 Identificação do Diálogo na Família

Sobre se há um momento especifico de diálogo entre a família e como isso acontece, verificou-se que no grupo 01, reúnem somente com quem aprontou ou está com o problema, onde essa reunião acontece na frente da televisão. Outros disseram que o diálogo é feito, contando histórias, vendo filmes, outros não especificaram a situação, mas disseram que conversam, sobre drogas, sobre a escola e sobre como foi o dia.

No grupo 02, alguns relatos foram do tipo, não reuni por ser difícil juntar todos por causa da correria, quando acontece é porque aconteceu algo na escola. Sendo assim, o diálogo é feito junto a outras tarefas, como citado, na hora do almoço, na casa dos avós, não tem um horário certo e nem específico para a prática do diálogo, este acontece onde houver a necessidade de falar algo.

Diante dos resultados, pode-se perceber que as famílias não dispunham de um tempo específico apenas para dialogar, esta prática acontece junto a outras tarefas do dia-a-dia, isso demonstra que não ocorre à prevenção, á informação do que é certo ou errado, o diálogo ocorre depois que o comportamento desfavorável foi apresentado pela criança.

Nesse sentido, Freire (1980) diz que dialogar não requer sintonia e um objetivo comum entre os que dialogam não se refere somente um momento onde as pessoas envolvidas apenas fazem comunicados umas as outras ao invés de se comunicarem, de ouvir e serem ouvidas. O diálogo é um encontro onde há reflexão e a ação, uma troca entre os que dialogam, onde se ouve e é ouvido, aceitando a individualidade do outro e não tentar introduzir sua ideia no outro.

O autor coloca ainda, que o diálogo se mantém do amor, da humildade, da esperança, da fé, da confiança. Configura-se então, uma relação de simpatia entre ambos. E é nesse contexto que a comunicação e a aprendizagem acontecem.

Assim, as famílias devem exercitar o diálogo com os filhos, repensando suas práticas educativas, pois dessa maneira estará contribuindo positivamente no desenvolvimento da criança e passando viver a relação com o filho de maneira prazerosa, contribuindo com o bem estar da família e assegurando os direitos da criança e/ou adolescente.

4.4.3 Identificação das Dificuldades na Educação dos Filhos:

As dificuldades encontradas na educação dos filhos podem ser visualizadas na tabela abaixo:

Grupo 01

Grupo 02

Influencia de outras crianças Desobediência

Desinteresse em ir para escola Vida financeira

Falta de tempo

A fase da adolescência Ausência do pai Amizades

Ansiedade

Falta de concentração Reclamações dos professores Compra do material

Muitos monitores com diferentes maneiras de educar

Ausência, trabalha o dia inteiro Convivência com a mãe dependente química

Falta do diálogo O namoro

As brigas entre irmãos As reclamações da escola

Convívio com os colegas

No momento não tem dificuldades A falta do pai

O computador

Algumas leis, como a que não pode trabalhar

Falta de tempo

Por hoje ser mais liberal O que a rua ensina

O voltar atrás Autoridade deles TV

Tabela 04: Dificuldades na educação

Fonte: Dados Primários

Diante das dificuldades relatadas, pode-se verificar que no grupo 01 ocorreram variedades de dificuldades em comparação com o grupo 02, tal situação pode estar associada com os comportamentos agressivos emitidos na escola.

Contudo, Friend e Cook (1990) colocam que mesmo com as dificuldades a participação dos pais não poderá ser descartada, principalmente nos primeiros anos escolares, assim, os pais devem colaborar com a escola, como uma posição de relações entre parceiros, harmonizados em um sistema de tomada de decisões, objetivando um bem comum, tornando as partes, talvez a principal dessa parceria.

Desse modo, pode-se compreender que as dificuldades na educação dos filhos, tendem aparecer com o tempo em decorrência do processo gradual do desenvolvimento, onde o ambiente estará a todo o momento influenciando nessa educação. Contudo, os pais ou responsáveis devem exercer sua função de maneira consciente e consistente das consequências que poderão aparecer ao longo da vida, porém, adotando essa postura estarão seguros de que pôde proporcionar uma influencia positiva, dessa maneira os mesmos estarão garantindo os direitos das crianças e contribuindo para um bem estar físico-psico-social para esse novo adulto.

5. Conclusão

Ao iniciar os trabalhos para a realização desta pesquisa, buscou-se levantar algumas problemáticas que atualmente vem sendo percebidas nas famílias no que se refere à educação dos filhos. Assim, procurou verificar quais dificuldades os pais têm em corrigir os filhos e que práticas educativas têm sido utilizadas. Perante o senso comum, usualmente, o método mais utilizado pelos pais para inibição dos comportamentos inadequados está sendo a punição física. Somado a este fato também foi considerado que está em fase de aprovação o polêmico projeto de lei, Lei da palmada, que proíbe esses pais de castigarem seus filhos.

Diante desse contexto, surgiu o objetivo desta pesquisa que foi o de identificar as relações entre as práticas educativas de pais, com palmada ou diálogo, com as consequências nos comportamentos de crianças do Centro de Educacional Fé e Alegria Paroquial Bernardo Sayão da cidade de Gurupi - TO.

Para tal busca foi investigado junto a pais de crianças de 7 a 12 anos quais práticas educativas estão sendo utilizadas na educação dos filhos, buscando identificar, as práticas que contribuem para comportamentos agressivos e não agressivos das crianças na escola, favorecendo com dados sobre as situações que podem contribuir para a utilização de práticas educativas diferentes.

Os objetivos da pesquisa foram alcançados, uma vez que foram identificadas as relações entre as práticas educativas dos pais, com os comportamentos agressivos e não agressivos emitidos pelos filhos na escola. Foi possível constatar também as práticas que são mais utilizadas pelos pais e como às mesmas podem estar influenciando nos comportamentos dos filhos. Foi possível ainda, apontar através da comparação dos grupos pesquisados, as situações que podem estar contribuindo para a utilização de práticas educativas diferentes.

Os dados possibilitaram observar que existem diferenças significativas na maneira de educar entre os grupos, sendo que no grupo das crianças consideradas agressivas elas recebem uma série de influencias ambientais e sociais que estão diretamente ligados a comportamentos agressivos na escola, como: a escolaridade dos pais/responsáveis, o nível sócio econômico familiar, a composição familiar, a ausência dos pais/responsáveis em casa, outras referências de educação, a maneira de corrigir e a falta do diálogo. Concluindo, portanto, que existe relação entre a maneira de educar com os comportamentos agressivos e não agressivos apresentados na escola.

As maiores dificuldades encontradas na pesquisa está relacionada ao deslocamento dos responsáveis até a escola para a realização da entrevista. O responsável que não se dispôs a comparecer na escola, com sua devida autorização, a pesquisadora teve que dirigir até seu domicílio.

Os benefícios desta pesquisa poderá contribuir para a implementação de políticas voltadas para a família e para profissionais que trabalham diretamente com a educação de crianças, e ainda, levar aos responsáveis a repesarem suas práticas atuais de educação, pois é na família que o indivíduo se constitui, e uma vez bem informada, modelada e consciente poderá educar satisfatoriamente.

Com a realização desta pesquisa tornou-se percebível que a educação dos filhos é complexa que envolve vários aspectos relevantes que ainda são defasados em pesquisas, e que precisam ser investigados, para que assim possa ser analisados, podendo intervir ativamente na realidade existente.

Frente a isso, se destaca a importância da existência e do papel do psicólogo, atuando nas famílias, nas escolas, nas instituições sociais e no âmbito jurídico. Tal profissional entra em cena como orientador nessas relações comportamentais, buscando interpretar a comunicação inconsciente, nos diferentes contextos familiar, pessoal, escolar e social.

Ressalta-se, que o profissional da psicologia independente da corrente psicológica que utilizar em suas intervenções, deve proporcionar em sua atuação profissional apoio aos envolvidos no processo. Enfatizando também, para que haja eficácia no trabalho é necessário haver cooperação mútua, no caso das dificuldades dos pais em educar e nas influências dessa educação no comportamento das crianças na escola, o treinamento de outras habilidades em educar, a criação de grupos de pais, grupo de professores, ora juntos, ora separados, pode favorecer significadamente em um resultado satisfatório na busca de práticas educativas que contribuam para o desenvolvimento da criança.

Outro fator de fundamental importância nos dados encontrados na presente pesquisa foi no que se refere ao nível socioeconômico das famílias, onde apareceu uma diferença significante entre os grupos quanto à renda mensal familiar, nesse contexto destaca-se a atuação dos profissionais dos CRAS – Centros de Referência de Assistência Social, com a presença do psicólogo, onde são realizadas intervenções nas famílias que estão em situação de vulnerabilidade social, sendo trabalhados os fortalecimentos dos vínculos familiares, buscando a prevenção da ruptura destes vínculos. Portanto, é um trabalho de prevenção que deve acontecer antes da violação ou rompimento do vínculo, ainda assim, os CREAS – Centro de Referência Especializado de Assistência Social que trabalham neste nível superior, quando o direito já foi violado, o vínculo já foi rompido, a violência já se instalou.

Vale salientar que, no grupo das crianças consideradas agressivas, uma mora na Casa de Passagem que abriga crianças e adolescentes com medida de proteção por motivo de abandono ou violação de direitos, cujas famílias ou responsáveis encontram-se temporariamente impossibilitados de cumprir a função de cuidar e proteger. Esse fato só comprova a importância da convivência familiar e as consequências decorrentes dessa ausência.

Nota-se, portanto, que há uma necessidade da realização de um trabalho em rede, ou seja, um trabalho onde na sociedade em geral (educação, assistência social, conselhos tutelares, casas de passagem, ministério público, defensoria pública, entre outros órgãos governamentais e não governamentais) se interajam, se comuniquem e busquem soluções juntos. Isso ocorrendo, haveria uma revisão geral das práticas educativas. Os pais teriam um espaço de apoio, discussão e elaboração, e consequentemente, colocando em prática, provavelmente as crianças apresentariam comportamentos favoráveis ao seu desenvolvimento psicossocial.

Sobre os Autores:

Valéria Barreira Brito - Acadêmica do Curso de Psicologia – Centro Universitário UNIRG, Gurupi/TO

Anita Coelho dos Santos - Professora Orientadora, Curso de Psicologia – Centro Universitário UNIRG, Gurupi/TO).

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