Resumo: O trabalho a seguir conta à história de uma jovem de 30 anos, surpreendida pela gravidez inesperada. A narrativa perpassa pela dificuldade da jovem em ser aceita gravida e assumir esse papel de mãe, em função das dificuldades encontradas por ela na gestação e durante os cuidados do recém-nascido. A gestação da jovem traz impactos no arranjo familiar e ao mesmo tempo permite ao casal traçar um novo planejamento de vida, para receber o novo membro familiar e inclui-ló na rotina. O estudo de caso permite ao leitor compreender como a sexualidade é inserida na vida das mulheres, como se da essa relação mãe bebê, e traz novos significados sobre a gestação, ressaltando os papeis e responsabilidades da família. Para se construir um novo contexto histórico é indispensável contar com o olhar humano, para os casos de gestação.

Palavras-chaves: Gravidez. Relação mãe bebê. Papeis. Responsabilidades.

Abstract: The work then hasthe story of a young 30 years old, surprised by the unexpected pregnancy. The arrativeis embraced by the difficulty of the young to be pregnantacceptand assume this role of mother, because of the difficulties encountered byit during pregnancy and for the new born care. The gestation of the young bring simpacts in family arrangementand at the sametime allows the couple to chart a new life planning, to welcome the new family member and includes sponger outine. The case studyallows the reader tounderstand howsexuality is inserte din the lives of womens, as ofthis mother baby relationship, and brings new meanings about pregnancy, emphasizing the roles and family responsibilities. We understand that to build a new historical context is essentialto rely on the human eye, in cases of pregnancy.

Keywords: Pregnancy. Baby-mother relationship. Roles and responsibilities.

1. Introdução

O objetivo deste estudo de caso e compartilhar a experiência do atendimento Psicológico na abordagem psicanalítica acerca da constituição da afetividade na relação mãe e bebê, trazendo os relatos do caso, juntamente com a teoria. Ressaltando que o caso refere se ao vinculo do conhecimento, este olhar que permite ao Terapeuta Familiar investigar e melhor compreender as particularidades. A gestação é considerada um período de expectativas e ensaios para o que está por vir, é vista, como uma fase na qual os relacionamentos anteriores são reelaborados, e a satisfação dos desejos são confrontados, possibilitando o reconhecimento da nova realidade.

A paciente Lourdes que dá vida a este estudo de caso foi surpreendida pela chegada da noticia da gravidez. Recém-casada, em Londres longe de sua família e da cidade natal. Eles começam os preparativos para a chegada de Diego construindo no imaginário como seria a criança. Segundo Hortein (1994). O bebê imaginário representa os processos conscientes e inconscientes colocados em jogo durante a gestação. Pensando a gestação do plano biológico, com a lenta transformação das células em ser humano, essas células desde o início representam o corpo imaginado que precede a criança. Sendo assim na medida em que a gestação evolui no psiquismo da mãe, uma preparação para entrar em relação com a criança que está para nascer.

Diante de algumas contingências apresentadas pela criança no pós-parto a família em estudo vê-se frente a desafios antes não vivenciados, assim são forçados a regressar para o Brasil conforme relato da mãe. “Diego nasceu apresentando dificuldades para mamar, diagnosticado com refluxo, assim como família decidimos regressar para o Brasil e procurar tratamento para o refluxo e o apoio familiar para enfrentar o novo papel, mãe”. (RELATO DA MÃE)

 O estudo desta temática surge a partir do interesse pela busca de compreensão do universo das gestantes, o cuidado da mamãe e bebê. Este trabalho foi desenvolvido d dentro do período estágio obrigatório no curso de graduação em psicologia, onde os alunos do curso fazem atendimentos em clinica social. Foi nesse momento, que a família em questão, foi inserida nesse contexto, especialmente a criança aqui objeto deste estudo. Esta experiência foi muito significativa, aspecto que se tornou relevante para a escolha da construção deste artigo como trabalho de conclusão de curso em nível de pós-graduação Lato Sensu Terapia Familiar e Sexologia.

2. Autores e Suas Contribuições

A gestação é considerada um período de expectativas e ensaios para o que está por vir, é compreendida, como uma fase na qual os relacionamentos anteriores são reelaborados, e a satisfação dos desejos são confrontados, possibilitando o reconhecimento da nova realidade. Hortein (1994), bebê imaginário representa os processos conscientes e inconscientes colocados em jogo durante a gestação. Pensando a gestação do plano biológico com a lenta transformação das células em ser humano, essas células desde o início representam o corpo imaginado que precede a criança.

 E esse corpo imaginado que permitirá que a futura mãe invista libidinalmente no seu bebê, reconhecendo-o como um corpo separado do dela, dando conta de que o feto que está sendo gerado será um novo sujeito, com características próprias a serem descobertas. O bebê é dotado de sentimentos e emoções, que ela no papel de mãe, terá que decodificar suas necessidades para satisfazê-lo, ou seja, o bebê é um sujeito com suas próprias necessidades.

Aqui retoma se a ideia freudiana sobre a necessidade que os movimentos representativos têm de se apoiar, num primeiro momento nas funções corporais. (FREUD 1971) todo trabalho imaginativo sobre o futuro bebê durante a gravidez se apóia nas modificações corporais progressivas, reforçando as fantasias presentes desde antes da concepção. Assim a possiblidade de pensar um corpo para o filho ocorre, também, pela capacidade de a mãe representar as suas modificações corporais e dar-lhes um sentido para além do entendimento concreto. Havendo uma capacidade de a mãe simbolizar as modificações físicas em função de uma produção subjetiva, haveria a garantia, desde o início, de o bebê se inserir em uma cadeia geracional.

Sendo portador de uma história, o bebê teria ao seu encargo a montagem de um futuro, a partir das pistas oferecidas pela mãe, que lhe diga respeito. Nesta percepção, Aulagnier (1994), teoriza que o sujeito é constituído pela linguagem, as frases evocadas por mulheres grávidas sobre os movimentos fetais tendem a dar forma e sentido ao que é percebido, o que sustenta a capacidade representativa materna que insere o feto em uma cadeia geracional, posicionando-o como sujeito diferenciado. A personificação do feto se da a medida em que os pais escolhem o nome do bebê, suas roupas, modificam a casa.

Em geral as mães atribuem ao bebê imaginado características físicas e psíquicas que o familiarizam, fazendo parte deste o início daquela família em particular. Neste sentido Cramer (1992), coloca que o movimento imaginativo possibilita acionar o apego primordial. Os desejos narcisistas dos pais são fundamentais para a construção do bebê imaginado. São os desejos narcisistas colocados no bebê imaginando que preparam a mãe para se vincular a seu futuro bebê, acreditando que o mesmo é a coisa mais preciosa e importante de sua vida.

Esta construção possibilita que a mãe suporte as demandas constantes do recém-nascido, em função desse deslocamento do narcisismo que aconteceu na gravidez. O bebê é colocado no lugar daquele que virá superar as frustrações que ela e o marido passaram ou estão passando. E comum neste período que as grávidas fiquem sensibilizadas com questões que digam respeito à gravidez, assim como que relembrem fatos aparentemente esquecidos de sua história. Isso faz com que a gravidez seja um momento privilegiado para o ressurgimento de neuroses infantis ou mesmo de experiências do início da sua vida.

Para Bydlowski (2000), o bebê assumi o papel de reparados das representações ou fantasias no imaginário materno, o lugar ideal oferecido ao bebê está basicamente relacionado com o lugar que a mãe gostaria de ocupar. O bebê imaginado se constitui em fonte de muitos momentos de vida psíquica da gestante. É ele que alimenta seus sonhos, e o sonho possibilita a personificação do feto, que a libido da mãe é despejada. Então pode-se conceber o bebê imaginado como uma primeira inserção da criança no mundo imaginário da mãe. Então a mãe é surpreendida pela chegada de um bebê que não corresponde completamente a aquilo que a mãe esperava.

Para Soler (1995), a maternidade pode repousar sobre a substituição da criança ao falo, pode também dar lugar ao horror do reencontro com o real. Se por um lado, a criança, ao nascer, substitui o objeto para sempre perdido, por outro, o aparecimento real de uma criança oferece à sua mãe um espelho real do objeto que a mãe foi e que é impossível de alcançar. Assim, há na mãe, um gozo a mais, que nenhum homem tem e que não é o gozo da mulher, mas o gozo da mãe, a entrada do pai nesta relação pode romper com este impasse.

Lacan (1975), monstra que a mãe se ocupara dos seus filhos, para não poder responder ao enigma do feminino, uma mulher pode tentar responder sendo A mãe. A introdução da versão do pai permitirá a limitação do gozo materno, pois o condensador do gozo é a criança. É esta limitação que determinará a transmissão da função paterna. Assim sendo a única garantia da função paterna é de que um pai só terá direito ao amor e ao respeito, se estes estiverem orientados, no sentido de destina-lo a mulher, que cause o seu desejo.

Continua Lacan (1975) questionando o que faz com que ser pai e ser homem se conjuguem, pois é o desejo de um homem por uma mulher, colocada no lugar de objeto causa de desejo que vai veicular a função paterna e transmitir a castração, responsável pela constituição do sujeito desejante. Portanto tem se um homem que coloca a mulher como objeto causa de desejo e a mulher que o faz em relação à criança. A mãe, está dividida entre ser mãe para a criança e mulher para o homem, ilustra o que não está inscrito no simbólico. O significante d´A mulher e seus reflexos na criança.

Sauret (1997), completa dizendo que não é possível predizer, tal pai, tal mãe, tal filho. A resposta do sujeito tem a ver com a insondável decisão do ser e não com os tipos psicológicos que são o do pai e da mãe. Tem a ver com o tipo do Outro com o qual ele se confronta. Isto independe do esforço pedagógico ou da atenção dada aos filhos pelos pais. Para a psicanalise, o eu importa não é o nome e sobrenome de cada sujeito, e sim o particular dele, que é o gozo e de como esse gozo particular faz sentido para cada um.

Sauret (1997) conclui que durante a prática clínica com crianças, a condução da análise está localizada na resposta da criança ao desejo do outro, não se trata de realizar uma longa anamnese com os pais ou exame psicológicos com a família, muito menos culpabilizar a mãe ou o pai pela sua ineficiência como pais. Para tanto a clínica busca localizar qual é a sua resposta de sujeito do casal.

A clínica psicanalítica com criança intervém no processo de subjetivação, deste sujeito em fase de estruturação, que necessita de outro para se constituir. Neste sentido, a posição psicanalítica é ouvir as demandas e discursos sobre a criança, para então entrelaçar os sintomas da criança às fantasias parentais e então intervir como um elemento separados, deslocando as demandas dos pais e os sintomas da criança. Esta prática é marcada pela posição de dependência estrutural da criança frente a seus cuidadores.

Mannoni (1967) ressalta que cada autor psicanalítico defende sua tese sobre a clínica infantil, mas ressalta que o endereçamento do sintoma infantil com um apelo de reconhecimento ao pai, ela também insiste na necessidade do analista não se deixar seduzir pela criança, e sim intervir no nível da realidade, afinal o sintoma é uma linguagem a ser decifrada. Portanto o individuo propõe sua questão por intermédio dos pais, para eles ou contra eles, cabendo aos pais identificar o significado para o bebê.

Baldo (1992), propõe um percurso interessante ao diferenciar a demanda parental e social da demanda da criança, para então operar uma clínica do sujeito. O autor parte do princípio de que as demandas da criança não partem somente dos pais, mas da sociedade como um todo, que exige que a criança opere em um padrão ideológico, seja esta ideologia política, religiosa, social, pedagógica e por que não psicológica. Se a criança não integra ao gozo social, seguindo o sistema de valores, ela é trazida ao analista pelos pais, que esperam o restabelecimento do gozo narcísico e depositam nos analistas a chance de moldar a criança.

Para não ser excluído do círculo social, a criança que responde ao que é desejado pelos pais tem seu esforço recompensando através de gratificações e promessas, ou seja, a criança tem duas demandas para sincronizar à demanda parental de restabelecimento de um gozo narcísico e à demanda social de se identificar a um modelo estabelecido por um sistema de valores, sejam eles familiares, escolares, morais, nacionais, religioso, entre outros. Quando a criança escolhe escapar de tantas demandas e expectativas por meio da subversão à norma, ela é colocada à margem da escola, da família, dos sistemas sociais.

O analista tem o papel de interagir a criança com a sua ideologia, colocando se numa posição ortopédica, se referindo a ética do desejo, procurando elaborar junto aos pais e à criança esta demanda socializada como uma não-demanda analítica ou propondo ao responsáveis analise quando a criança não apresenta questões a serem trabalhadas. Com os pais o atendimento propiciará a elaboração de um trabalho de luto, pela perda da ilusão de que a criança real poderia corresponder à imagem da criança narcísica do desejo, da criança que os pais desejariam ter sido, mas não fora, e que esperavam resgatar através de seu filho.

Retomando a noção freudiana sobre a prematuração biológica do ser humano que faz com que o bebê necessite de ajuda para reduzir as tensões pulsionais de seu aparelho psíquico e que estabeleça uma relação de dependência afetiva a seus cuidadores como garantia de sobrevivência física e psíquica. Ferenczi (1933) apontou para a dissimetria estrutural entre criança e o adulto, indicando a diferença entre o mundo infantil e o mundo adulto reside na introdução traumática para as crianças da sexualidade adulta no universo infantil.

Laplance (1992) completa a falta de Ferenczi e enfatiza como a natureza essencialmente traumática da sexualidade humana conduz a criança a construir sua teoria sexual infantil. O trauma, portanto, decorre do significado atribuído pelo adulto à criança e da impossibilidade desta de responder a eles, gerando um conflito de línguas e fazendo com que seja necessário um tempo de adaptação para que os significados traumáticos sejam simbolizados. Há efeitos na clínica não só da função paterna enquanto representante da lei e da cultura mas efeitos da intrusão dos pais em sua dimensão imaginária.

Os autores contemporâneos Santos e Moura (2001) reforçam que somos sujeitos de relação, de confronto, de emoção, construindo as histórias e a cultura da qual fazemos parte, na permanente dialética entre produtor e produto. E através dessa ótica podemos pensar a relação mãe-bebê não mais como uma relação naturalizada, dada a priori, mas sim como uma importante relação construída por ambos, que se modifica histórica e culturamente. Da mesma forma, a entrada na escola é um processo dinâmico e único para cada um dos seus personagens, sejam eles mãe, bebê, educadores e família.

Para Nunes (2003) continua sendo indispensável que as futuras mamães e pais, sejam orientadas pelas suas mães, tias ou pessoas mais próximas, para que qualquer insegurança pessoal deva ser trabalhada e estabilizada assim que as primeiras dificuldades aparecerem. Como se diz “ não basta ser pai, tem que participar!”, “ não basta colocar o filho na cama pra dormir, tem de embalar e contar estórias, ninar”, “ não basta dar o peito ou a mamadeira, tem de amamentar, olhar, sentir, curtir, sorrir e amar”.

Além da intromissão na dimensão imaginária, contaminados pela ideologia social e por uma demanda primordialmente narcísica. São estes efeitos que determinam a singularidade da clínica com crianças. Os sintomas infantis são uma confirmação do fracasso do ideal de seus pais, uma maneira da criança denunciar sua não conformidade ao ideal social de que toda criança tem quer ser feliz, inteligente e comportada, demonstrando, através de seu sintoma, sua própria subjetividade.

Portanto o discurso dos pais é uma força matriz para investigar a constituição psíquica, e a criança deve ser ouvida como sujeitos de seu próprio discurso, em que a construção sintomática traz a marca da função simbólica dos pais. Isso significa reconhecer a ligação fundamental entre a criança e seus cuidadores, a fim de delimitar um espaço no qual os pais e a criança possam diferenciar suas questões, imprimindo um cunho singular e único às suas narrativas. A seguir a história de Lourdes, seu filho e esposo ilustram a teoria apresentada.

3. Contação de História

Lourdes é nome fictício dado a paciente atendida no estágio do curso de Psicologia da Faculdade Pitágoras de Uberlândia, na abordagem Psicanalítica, atendida no segundo semestre de 2012. Lourdes fez a inscrição do filho Diego, com seis anos na Clínica de Psicologia, seguindo as orientações da coordenação e dos professores do colégio. As queixas registradas na ficha pela mãe foram que o filho era muito inseguro, chorava com frequência por qualquer motivo, tinha dificuldades para se relacionar com os colegas de classe, não gosta de se alimentar, não gostava de ir ao colégio dizendo que a professora era chata com ele.

Nos primeiros encontros a mãe (Lourdes) com 30 anos e seu esposo Paulo com 28 foram convidados para uma conversa sobre a criança, investigando o histórico do garoto, chamou a atenção algumas falas, nas quais, Diego era filho único, só ia ao banheiro na companhia da mãe alegando que via monstros no caminho, não comia alimentos sólidos, chorava quando precisa tomar banho, quando ia dormir, quando ia para a escola, não conseguia acompanhar o ritmo dos colegas de sala quando alguma atividade em grupo era proposta, era lento para copiar e responder as tarefas, a preocupação com o quadro da criança era clara pelo casal, que procuraram a Clínica em busca de respostas para o sofrimento dos pais em não saber lidar com a criança.

O casal ao comentar sobre a gestação. Relatam que saíram de Uberlândia, recém-casados, para tentar a vida em Londres. Segundo eles ambos não podiam ter filhos, ela por ter ovários policísticos e ele por não ter espermas o suficiente para fecundar um ovulo. Durante dois anos de trabalho juntaram dinheiro para comprar uma casa e um carro popular no Brasil, fizeram muitas viagens, conheceram lugares lindos. Até Lourdes passar mal ir ao medico e confirmar a gestação. A notícia pegou o casal de surpresa, Lourdes preferiu compartilhar com a família a noticia da gestação, cuidar da saúde do bebê e da futura mãe e juntamente com Paulo começarem os preparativos para a chegada do bebê.

Paulo trabalhava em dois restaurantes, enquanto Lourdes fazia faxinas. Com o passar dos meses a gestante começou a se sentir dores fortes na barriga e ter sangramentos frequentes, o que a fez procurar o hospital, sua gestação foi classificada como gravidez de risco, a orientação médica foi prescrita para que a jovem permanecesse em repouso. Assim Paulo assumiu as despesas da casa e os cuidados com Lourdes. A jovem se deprimiu com a impossibilidade de trabalhar, passou dia após dia em casa sem poder fazer esforço físico, num país distante da família, sem amigos, esperando a chegada não programada do herdeiro.

Lourdes reconheceu a cumplicidade do esposo durante a gestação, mas algo faltava pra ela. Logo Diego nasce loiro dos olhos azuis como do pai, parecia um bebe de propaganda, saudável. O parto da jovem foi complicado, demorou muito, mas ambos passavam bem. Lourdes sentia se incapaz de cuidar do filho. Diego apresentou nos primeiros dias de vida uma dificuldade para mamar, não conseguia sugar o leite materno. A mãe a todo o momento se perguntava o que havia de errado para Diego não conseguir se alimentar. A criança chorou compulsivamente dia e noite. Ao procurar um pediatra teve a noticia de que o filho estava com refluxo e que teria que mamar um leite em pó receitado, os demais cuidados foram assimilados pelo jovem casal. Diego não ganhava peso, mamava pouco e continuava chorando.

Foi então que Lourdes pediu ao marido para voltar ao Brasil e ficar com a mãe, para aprender como cuidar do bebe. Paulo concordou em continuar trabalhando e garantir o sustento da família, enquanto Lourdes e Diego passavam uma temporada com a sogra. Quando a jovem chegou à casa da mãe, começou a se sentiu melhor, protegida, acolhida, sabia que poderia contar com a experiência dela para cuidar de Diego que estava com apenas três meses de vida. Logo as receitas caseiras começaram a fazer efeito, Diego crescia forte e saudável, Lourdes conseguia respirar despreocupada com o desenvolvimento do filho, ao compartilhar com o esposo os avanços na saúde de Diego ele concordou em voltar definitivamente para Brasil.

Ao chegar a Uberlândia, Paulo providenciou a compra da casa, um carro e o financiamento de um terreno para investimento futuro, contando com o fundo de reserva financeira e dentro dos sonhos do casal. Paulo retomou a antiga profissão de marceneiro, preferiu que sua esposa continuasse cuidando do filho e não trabalhasse, embora o refluxo tivesse estabilizado, ele temia por uma recaída. Queria que seu filho fosse bem cuidado. Quando Diego completou três anos Lourdes sentia falta do trabalho remunerado, estava cansada de ser apenas do lar, mulher e mãe, fez a inscrição do filho na escolinha do bairro e no ano seguinte foi contemplada com a vaga.

Foi então que o filho começou a frequentar o colégio e apresentar os sintomas que a levaram a procurar a clínica de Psicologia. Lourdes relata que sofreu muito nos primeiros anos de vida do filho, mas que estava aprendendo a conciliar o trabalho do lar, os cuidados com o filho e o trabalho como faxineira. Pra ela o filho vem em primeiro lugar sempre. Foi então que Lourdes descreveu a rotina dela com a criança, café da manhã na cama, comida bem cozida e dada na boca, levava o filho no banheiro para conferir se ele se limpava corretamente e se o banho era bem tomado, levava o filho na porta da sala de aula e o buscava no mesmo lugar.

A mãe trabalhava fora no período em que Diego estava no colégio, fazia a tarefa quando ele não queria fazer, ele era seu companheiro para ver novelas, ela acrescenta que Diego estava respondendo muito e sendo mal educado. Uma superproteção dominava a relação mãe e filho, Diego era rodeado por mimos e caprichos que quase o sufocava, incapacitando seu desenvolvimento como criança. No termino do terceiro contato com o casal, os pais foram informados que a criança seria atendida sem os pais, propondo um atendimento lúdico propiciando a interação como o terapeuta, diante disso houve propostos da mãe, sob a alegação que o garoto não ficaria com a terapeuta.

Na semana seguinte Diego e Lourdes foram recebidos na porta da clínica, a criança já aguardava com seus brinquedos, foi esclarecido que sua mãe o aguardaria na recepção,entrando na sala ele se senta no chão e a brincadeira inicia com os carrinhos, bonecos de super-heróis, um quadro mágico. Quando questionado se sabia por que estava na clínica e ele disse que sim, para ser igual às outras crianças, e que ele seria ajudado, diante desta resposta foi indagado quem lhe dera essa informação, e a resposta foi simples   a professora. Então ele seguiu falando da escola, que gostava das aulas, mas que a professora cobrava muito que ele escrevesse rápido.

A conversa segue com o garoto contando o que fazia em casa, com a mãe, e ele me relata que ajudava a mãe a cuidar da casa, assistia televisão com a mãe, fazia compras com a mãe, dizia que a mãe cozinhava muito bem, mas não deixava ele comer sozinho sempre colocava a comida na boca dele, para ser mais rápido e não sujar a roupa nem a mesa. Continuou relatando que a mãe o olhava no banheiro para que ele não fizesse bagunça e tomasse banho rápido. Disse também que todos dormiam no mesmo quarto em duas camas, na cama de casal dormia Diego e sua mãe e na cama de solteiro Paulo, perguntei por que ele dormia com a mãe e a criança respondeu que ela tinha medo de dormir sozinha e que gostava de dormir abraçada com ele desde quando ele era pequeno.

Feito o acordo sobre o sigilo das sessões, explico a Diego que só iria conversar com Lourdes o que fosse permitido pelo rapaz e assim foi feito, após algumas semanas volto a falar com a mãe para compartilhar o andamento da investigação sobre a necessidade de Diego fazer ou não psicoterapia. Esclareci que Diego é um rapaz em processo de desenvolvimento, normal e saudável, com todas as possibilidades de ser um adulto dentro da normalidade, para tanto seria necessário que Lourdes desse espaço para Diego ser autônomo, escritor de sua própria história, pois Diego estava passando por um processo de subjetivação, e que a sustentação dessas mudanças seriam a mãe e o pai, para que ela pudesse olhar para o filho e reconhecer que ele estava crescendo e que não era mais o bebê dela.

Lourdes começou a chorar copiosamente, o silêncio invadiu o consultório, ofereci um lenço e aguardei ela se recuperar. Ela diz então ele é normal, não tem nenhum problema psicológico. Então a convido para fazer terapia para que ela consiga lidar com o processo de crescimento do filho, e outras questões pessoais que ela julgar necessárias. Faço uma breve explanação sobre o que é a Psicoterapia, sobre os benefícios do tratamento para quebrar os paradigmas que ela trazia sobre a profissão. Lourdes “ficou aliviada em saber, que não são só os “loucos” que precisam de acompanhamento psicológico, os “ normais” também. Ela reconheceu que andava muito nervosa e que o marido reclamava com frequência de seus gritos e da falta de paciência com Diego e com ele.

Acordos de horário e data para os atendimentos, iniciasse os trabalhos. Lourdes fala sobre a infância, ela começa dizendo que viveu com seus pais e as duas irmãs mais velhas até seus Dezoito anos de idade. O pai era muito ruim com elas e a mãe sofriam agressões físicas e psicológicas por parte do Pai quando este ingerira bebida alcóolica e se tornava agressivo. Lourdes revive as vezes que o pai chegava em casa bêbado e passava as mãos sobre suas partes intimas, alegando estar dando um beijo de boa noite para ela. Lourdes relata que aprendeu a dirigir carro e moto com o pai, que ele a levava para estradas distantes e ela tinha muito medo de que o pior acontecesse, mas estes assuntos não eram proibidos de serem comentados em família.

Ela se sentia sozinha, achava as vezes que estava imaginando coisas que não haviam acontecido. Acrescenta que a irmã mais velha apresentou lúpus na adolescência, conheceu um rapaz em pouco tempo se casou e mudou para o Distrito Federal. Lourdes, e a irmã do meio não suportavam mais as agressões do Pai e convenceram a mãe de fugirem, com o esforço e trabalho de todas conseguiram se sustentar. Lourdes se propôs a passar uma temporada na casa da irmã mais velha, o lúpus havia fragilizado seu sistema imunológico e uma pneumonia se instalou, Lourdes acompanhou seus últimos dias de vida, fragilizada volta para a casa da mãe em Uberlândia.

Conheceu Paulo, o namoro durou um ano, Lourdes a pedido da mãe liga para o pai a fim de ganhar a benção para o casamento, para sua surpresa seu pai disse que ela não prestava pra nada, que não seria feliz com ninguém, que não seria uma boa mulher e muito menos uma boa mãe. Mesmo assim Lourdes se casou e deixou o País para tentar a vida. Dois anos após o retorno de Lourdes ao Brasil, a mãe da jovem veio a óbito num acidente de moto. No velório Lourdes se surpreendeu com a presença do pai, tentou agir naturalmente, mas a raiva pelas agressões do pai veio à tona, Lourdes chorou pela vida que ela a mãe e a irmã levaram durante a infância e adolescência.

Quando pergunto sobre sua relação com o esposo, ela me diz que gosta do marido, que teve muito dificuldade no começo do relacionamento para sentir prazer, para se relacionar sexualmente, pois tudo lembrava as agressões do pai. Diego segundo Lourdes solicitava muito a atenção da mãe por esta razão Paulo concordou em deixar o filho dormir com a mãe. Perguntei por que ela ainda continuava com este comportamento se Diego já tinha seis anos de idade, se ela não sentia falta de dormir com o marido e em que horas eles namoravam, a resposta foi surpreendente, prefiro dormir com Diego, as relações sexuais acontecem quando Diego está no colégio, ou durante a noite na sala.

Perguntei sobre a disposição da casa, ela me diz que tem 2 quartos, sala, 2 banheiros, copa, cozinha, lavanderia, garagem para 2 carros, então pergunto por que o Diego não ocupa o outro quarto e ela me diz que se sente mais confortável dormindo com ele, pois não precisaria sair de madrugada para ir no outro quarto se ele tiver pesado a acordar chorando. Pergunto que tipo de programa Diego assiste, ela me disse filmes de terror, desenho de luta, novela, tem o habito de dormir tarde por isso estuda à tarde pra não ter dificuldades pra levantar cedo. Questiono quais as atividades Diego faz com o pai, ela me diz que tudo é responsabilidade dela que Paulo não tem atitude pra nada.

Completou dizendo que Paulo gosta de luta livre, mas que Diego demonstrou interesse em lutar e Paulo achou uma ótima oportunidade de se exercitar, mas era Lourdes quem levava o filho e o acompanha, às vezes falava com o professor quando acha que o treino estava pesado, todas as rédeas eram dela, portanto ir para a luta é um programa a três. Pergunto quais são os hobbies de Lourdes, ela dizia que só vai à igreja e na academia com Diego, e que não faz nada sozinha, nem sai só ela é o marido por falta de tempo. Uma vez no mês vai ao centro da cidade para pagar as contas, vai ao supermercado sozinha para ser mais rápida.

4. Teoria e Prática

Ao trabalhar os conceitos que Lourdes apreendeu na infância e que ressoavam na vida adulta, com a intenção de construir um futuro mais prazeroso para ela a família. Reforçando a ideia de que ela não era mãe por isso existia, é sim que ela é mulher é que poderia ter diversos papeis desde que ela escolhesse, executando com mais leveza sua rotina. Que suas mudanças de comportamento resultariam em alterações positivas na família toda. E que a psicoterapia permitiria novos conceitos e comportamentos que a dariam apoio ao filho em pleno crescimento.

A escritora Badinter (1987) relata o amor materno não é apenas um instinto, uma tendência feminina inata, que existe uma variabilidade do sentimento, de acordo com a cultura, os valores, as ambições e as frustrações da mãe, portanto o amor materno não constitui um sentimento inerente à condição da mulher, ele não é um determinismo, mas algo que se adquire. Lourdes não havia planejado ter Diego, foi surpreendida pela noticia da gravidez, teve muitos contra tempos durante a gestação, achou que não seria capaz de cuidar do filho, mas superou as adversidades e se tornou mãe.

Para Rodrigues( 1999) amamentação é o elo que une o bebê com a mãe, é que após o nascimento o bebê se sente protegido quando está em contato com o calor do corpo da mãe e suja seu leite. O leite materno é a fonte ideal para a criança, devido a sua qualidade nutricional, contêm proteínas, gorduras, hidrato de carbono, minerais e vitaminas, além das imunoglobulinas, linfócitos e outras células de defesa presentes no leite ele protege a criança contra infecções, mas existem casos em que a mãe não produz leite, outros que o bebê não consegue si alimentar, mas que a mãe pode estabelecer contato com a criança dando leite na mamadeira, o gesto é o mais importante, olhar para a criança, envolve lá nos braços, dar atenção como Lourdes fez.

Sobre o refluxo é necessário compreender que o esôfago é um tubo muscular que conduz os alimentos da boca ao estômago, na parte inferior esta o esfíncter que se abre para a passagem do alimento e se fecha para que o alimento não volte. Quando o esfíncter é fraco ou imaturo que é o caso dos bebês, ele não segura o alimento no estômago, o alimento acaba voltando para o esôfago na forma de regurgitação ou vômito. Nos bebês o nome deste refluxo e gastroesofágico devido à imaturidade do esfíncter esofagiano. É chamado de refluxo fisiológico, isto é, que faz parte do desenvolvimento infantil.

Diego até os seis meses passou pelo desconforto do refluxo, mas não se pode desconsiderar que o bebê se comunica por meio do choro, mamada, sono, são demonstrações de que ele está bem, satisfeito, organizado, seguro, tranquilo ou não, o que em excesso ou em falta incomoda a mãe, no período de adaptação do bebê e da mãe. Tanto o acolhimento dos pais, quanto a proteção e a nutrição e a separação mãe-filho são fatores desencadeantes de boa formação da personalidade, ou seja, os momentos de iniciativas e descobertas vão permitir o desenvolvimento da autoconfiança da criança e do início de sua autonomia. Para se ter Saúde Mental é necessário que o bebê e a criança pequena tenham uma relação calorosa, íntima e contínua com a mãe, de forma prazerosa e satisfatória para ambos.

Lourdes preferiu se anular para cuidar do filho, colocando ele numa relação triangular, Lourdes - Paulo – Diego, ao ponto do filho estar no papel de “esposo”, como companhia para ir ao mercado, ver novelas e filmes, com a tarefa de contribuir com as tarefas domésticas e até dormir na mesma cama. Diego é convidado para participar inclusive das discursões do casal. Lourdes tem tanto medo de perder o espaço de mãe que não permiti ao esposo cuidar do filho, ser presente, exemplo para o filho. Ela isola inconscientemente Paulo da atividade que poderia estreitar os laços entre eles que é a ida para a academia e de fazer outros passeios que pai e filho fazem. Melhorar com isso o dialogo entre os mesmos.

A Teoria do Apego de Bydlowski (2000) que pontua a tendência para se estabelecer fortes relações de apego. No caso apresentado Lourdes se apegou tanto ao filho que não o permite crescer, dormir num quarto sozinho, realizar tarefas simples sozinho, assumir sua individualidade, o apego traz a insegurança e resistência para de Diego e a insegurança para mãe e o distanciamento do pai. A forma que a criança tem de externar esta resistência e chorando, não querendo ir ao colégio, respondendo a mãe, sendo agressivo e criando histórias que possam justificar seus comportamentos.

A psicoterapia trouxe a Lourdes à consciência de que durante o desenvolvimento de uma criança é normal comportamentos agressivos, choro. Que Diego precisava de um espaço só dele um quarto, ser aceito como criança não uma miniatura de adulto. Que a ele cabe o aprendizado por meio de erros, acertos. E que Lourdes não deixara de ser mãe, é que ela contribuirá com o crescimento do filho, sendo seu continente, presente, amiga durante as etapas de desenvolvimento.

Que não há formula de se criar filho, que cada um é um, por isso seu acompanhamento é importante tanto quanto o do pai. Permitir ao pai ser pai, ter seus momentos com Diego, sem sua presença. A vida intima do casal é assunto apenas do casal e que filho não participa de brigas.

Nos encontros seguintes Lourdes apresentava seus progressos como troféus e o tratamento avançando. A primeira conquista foi convencer o filho de que ele já era um rapaz é que não precisa dormir mais com a mãe. O quarto vago passou a ser o quarto de Diego, como Paulo é marceneiro, permitiu a Diego escolher os móveis, a posição em que eles ficariam e ajudou a construí lós o que tornou mais prazeroso para o garoto participar da construção do quarto e rendeu assunto no colégio do menino. Quando o filho chorava por algo Lourdes passou a só acolher o garoto quando ele parava de chorar para eu eles pudessem conversar. Paulo passou a buscar o filho no colégio alguns dias da semana e iam sozinhos para academia.

À psicoterapia permite a Lourdes tomar consciência de seus atos contatos, ressignificar eventos da vida, atribuindo sentido e significado. O tempo que Lourdes dedicava exclusivamente ao filho passou gradativamente a ser destinado aos cuidados com a sua saúde, aparência, descanso e lazer. Durante a psicoterapia Lourdes começou a investigar umas manchas na pele a suspeita era que fosse Lúpus, enquanto aguardava o resultado, Lourdes teve tempo de se envolver com outras atividades que tinha vontade de fazer e não tinha tempo como aprender a costurar, fazer parte do grupo de mulheres da igreja.

Lourdes aos poucos compreendia que não deixava de ser mãe, só por que dividia as responsabilidades da criação do filho com o pai. E que dizer não ao filho também fazia parte da educação. As atitudes simples que Lourdes tomava via as diferenças no comportamento do filho. Diego aos poucos foi se identificando com sua autonomia, indo ao banheiro sozinho, comendo com suas próprias mãos, escolhendo a roupa que iria usar e se vestindo sozinho, não chorando para ir ao colégio nem por motivos irrelevantes, associando o quarto como seu espaço privado, com moveis novos, televisão, vídeo game, horários definidos para estudar, brincar, arrumar o quarto, essas responsabilidades e a rotina faziam bem ao amadurecimento de Diego.

Quando Lourdes sentiu a evolução do filho, outra demanda veio à tona, o relacionamento conjugal. Lourdes veio de uma família tradicional, em que se aprendia a cuidar da casa, do marido e dos filhos. Porém desde a notícia da gravidez ela se afastou do marido, pelo mito de que gravida não podia ter relação sexual. Com o tempo eles passaram a ser irmãos não mais marido é mulher. Após o nascimento do filho, Paulo silenciou-se na relação, contentando se com o pouco contato que tinha com a esposa e com as tarefas domésticas que ela desempenhava de forma impecável.

5. Considerações Finais

A história de Lourdes em sua gestação inesperada, evidenciando que a relação mãe e bebê ainda está sendo construída tanto pelos estudiosos quanto pelos profissionais envolvidos no atendimento familiar e principalmente pelas mães. A muito que se entender sobre os cuidados com a gestação e com as etapas de desenvolvimento da criança, visto que este desenvolvimento tem como base a relação estabelecida pela mãe (papel de mãe, cuidadora (o)) libidinosamente falando, com a sua função de sustentar, nutrir, “ lamber a cria” e educar.

Cabe ressaltar que Lourdes, mesmo atordoada com seu novo papel social “ ser mãe”, no seu tempo procurou por atendimento psicológico, afim de no primeiro momento cuidar do filho, com o passar das sessões com o garoto e suas orientações, foi possível fazer com que ela compreendesse que era ela os sintomas de Diego, e ela era que precisava de atendimento.

A Psicoterapia deu a paciente Lourdes um espaço para reflexão dos múltiplos papeis desenvolvidos por Lourdes, mulher, mãe, esposa, e como transitar de forma saudável para a família. Na qual Diego passa a ter os pais como continente, permitindo do garoto se desenvolver como jovem, com princípios e valores a fim de direcionar suas escolhas. Paulo e Lourdes enfim conseguiram dividir a educação do filho e voltar a ser um casal.

 Ainda há muito o que se avançar nos estudos sobre as construções familiares e na preparação dos profissionais da saúde para multiplicar o conhecimento sobre os cuidados durante a gestação e durante as etapas do desenvolvimento dos filhos, bem como receber estes pacientes de forma humana. Com o mínimo possível de pré-conceito, acerca das novas configurações familiares.

Sobre os Autores:

Carolyne Ieza Nascimento - Aluna do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Terapia Familiar e Sexologia da Faculdade Shalom de Ensino Superior – FASES.

Marília das Graças Nascimento Maruyama - Professora e Orientadora do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Terapia Familiar e Sexologia da Faculdade Shalom de Ensino Superior – FASES. Mestre em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia.

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