A terapia comportamental converteu-se em um movimento visível no princípio dos anos 60, nesse período, a terapia comportamental havia se convertido num movimento formal, estendendo-se as idéias através de diversos desenvolvimentos, incluindo diferentes enfoques para proporcionar unidade ao campo. Esses denominadores consistiam em um enfoque para o tratamento que se apoiava na aprendizagem, como um ponto de partida conceitual, e nos métodos objetivos ou experimentais de investigação (Caballo, 2003).

A análise do comportamento e o behaviorismo radical, que é sua teoria, dão ênfase à determinação ambiental. O sujeito na terapia comportamental é um sujeito ativo, na noção de comportamento operante é o ambiente que responde, com referência a que o sujeito adapta-se sucessivamente ao continuar atuando de novo. Se o sujeito é ativo, ele pode aprender formas mais diferenciadas, discriminadas e sutis. (Caballo, 2003)

Fases do Processo de Avaliação Comportamental

O número de passos referentes à realização da avaliação comportamental varia de acordo com os autores, mas eles apresentam em comum, a seleção e descrição dos comportamentos problema, seleção das técnicas de intervenção com as quais se atuará sobre os comportamentos descritos na etapa anterior, avaliação dos efeitos provocados pela intervenção realizada.

Motivo da consulta

Essa fase é a menos estudada no processo de avaliação comportamental, o que frequentemente se recomenda é pedir ao paciente que dê exemplos do problema do qual se queixa, ou de coisas que deveriam acontecer para que o mesmo melhorasse (Hayes e Nelson, 1986)

Segundo Baer (1982) é necessário atentar para o entendimento da descrição completa de quais podem ser as queixas e demandas do paciente e de seu ambiente.

Estabelecimento das metas do tratamento

Segundo Rosen e Proctor (1981) os resultados finais fazem referência aos critérios utilizados para considerar o tratamento um sucesso. É necessário que estes resultados tenham validade clínica e social. Nessa primeira etapa deve-se também verificar as variáveis das quais dependem as últimas metas do tratamento, além de análise dos comportamentos-problema e o estudo os objetivos terapêuticos.

Análise do comportamentos-problema

O ponto de vista do paciente ou dos outros usuários da psicoterapia, os problemas que se apresentam como queixas e demandas (Caballo, 2003). As queixas costumam fazer referências aquilo que vai mal e que quer eliminar, ao que cause problemas, ao negativo e incomodo. As demandas, por sua vez, fazem referência aquilo que se quer adquirir, ao positivo. As demandas nem sempre coincidem com a eliminação do que constitui uma queixa.

O estudo dos objetivos terapêuticos

Os comportamentos-meta ou objetivo constituem aquela classe de comportamentos para a qual se direciona ou, sobre a qual se centraliza a intervenção terapêutica (Evans, 1985). Depois de modificados os comportamentos-objetivo, supõe-se que deverão ter ficado igualmente satisfeitas as queixas e demandas do paciente (Baer, 1982).

Critérios para escolha do tratamento adequado

Supõe-se que a avaliação deve sinalizar de algum modo, qual será o tratamento mais adequado. Isto supõe a existência de um sistema de conhecimentos que permite saber, através do conhecimento do diagnostico, se existe ou não tratamento e no caso de existir, qual seria o apropriado. A análise funcional e a estratégia clássica em terapia comportamental, unindo avaliação e tratamento, isto e, para concluir o tratamento adequado a partir dos dados da avaliação.

Avaliação dos resultados

Há varias razões para se indicar a avaliação sistemática dos resultados (Hayes e Nelson, 1986) dentre as principais encontram-se: a avaliação nos dá informações referentes a magnitude e direção de mudanças, assim como, em que medida se esta caminhando em direção a consecução das ultimas metas do tratamento, permitindo com isto a correção das falhas ou deficiências observadas(avaliação formativa); quando a avaliação e realizada após a finalização da intervenção, seja depois da mesma, seja durante o período de acompanhamento, permite apreciar o grau com o qual as ultimas metas de tratamento foram alcançadas e avaliar se o tratamento pode ser considerado ou não um sucesso, em que medida o seria e referente a qual dos critérios que foram utilizados(avaliação normativa); a realização de avaliações sistemáticas e cuidadosamente efetuadas faz avançar as ciências clinicas e contribui para o aumento de nossos conhecimentos técnicos aplicados.

Os comportamentos-objetivo, sobre os quais e realizada a intervenção, habitualmente são escolhidos pelo terapeuta comportamental, freqüentemente em consenso com o paciente, sobre a base de sua consideração como comportamentos adaptativos, ou seja, sobre a base de sua adequação para atingir as ultimas metas do tratamento.

A comparação do estado do paciente, em cada um dos comportamentos escolhidos como objetivo de intervenção, e sua situação nos mesmos, durante a linha de base e própria das aproximações, centralizadas no problema e mais do que uma avaliação da melhora ou eficácia, supõe uma avaliação do impacto do tratamento.

Para Citar: MELO, Maria A. S. A Clínica Comportamental. Disponível em: <http://artigos.psicologado.com>

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