Resumo: Um dos assuntos humanos importantes, entre outros, é a comunicação interpessoal sem verbalizações. A pessoa está envolvida independentemente se consciente ou não, em algum tipo de transação espacial. Essa comunicação acontece na inter-relação da pessoa com o ambiente/espaço, tendo em vista refletir algum aspecto da existência dessa pessoa, quer seja o estado de humor, o que se pretende atingir com essa relação, que tipos de pessoas estão envolvidas nessa relação, o que esse ambiente representa para ela, qual o nível de identificação dela com esse ambiente, até onde as outras pessoas podem chegar de acordo com as delimitações espaciais feitas por essa ela.Todos esses aspectos dizem respeito ao conceito de comportamento socioespacial humano, fenômeno estudado pela Psicologia Ambiental. Não obstante, as dificuldades na moradia de rua são apresentados alguns desses comportamentos, uma vez que as pessoas envolvidas nela, não são diferentes de outras pessoas que não fazem parte da mesma.Este trabalho traz o comportamento socioespacial humano fazendo uma interface deste, com essa moradia. Primeiramente, é desenvolvido o conceito de moradia, de rua, como também são pontuadas algumas dificuldades enfrentadas pelas pessoas que a constituem. No segundo momento, são apresentados de forma sintética alguns conceitos da Psicologia Ambiental, os quais são utilizados no decurso da comunicação. Por fim,de forma didática, esses conceitos são contemplados em sua relação com os comportamentos apresentados nesse contexto social, através daquilo que é impresso publicamente.

Palavras-chave: Comportamento Socioespacial Humano-Pessoa, Moradia de Rua, Inter-relação

1. Introdução

Como moradia de rua, configura-se pessoas cuja renda per capita é inferior à linha de pobreza - inferior à de uma pessoa ou família que não tem condições de obter osrecursos necessários para viver - que não possuem domicílio, pernoitando em logradouros, albergues ou qualquer outro espaço que não tenha finalidade de habitação.São pessoas que vão perdendo processualmente os vínculos sociais, ocupacionais e familiares, desembocando, consequentemente, na situação de rua.

Segundo Oliveira (2007), por conseguinte, a rua passa a ganhar mais importância, por ela se tornar, além de abrigo, o espaço de relações pessoais e ocupacionais. Uma vez que, segundo a autora, a vivência nas ruas se passa a tornar um modo de vida, para os que a têm como habitat natural e estabelece com ela uma complexa rede de relações.

Entretanto, nessa vivência, existem inúmeras dificuldades, tanto na relação interpessoal, como também no que se refere à negligencia do poder público quanto ao tema. A moradia de rua propicia, uma vulnerabilidade a todos os tipos de violência, um exemplo desta, especificamente a violência física, estampa-se na reportagem apresentada pelo Jornal de Brasília no dia (02/08/13), onde fora mostrado a brutalidade contra uma pessoa em situação de rua, a qual, teve seu corpo incendiado enquanto dormia.Outro tipo de vulnerabilidade, e muito frequente, é a patológica.

Como cita Vieira (2004, p. 94) “De forma geral, o indivíduo vai sofrendo um processo de depauperamento físico e mental em função da má alimentação precárias condições de higiene [...]”. O estigma da delinquência e marginalidade é um produção significativa, no que se refere às dificuldades encontradas nessa moradia, algo que implica na inclusão dessas pessoas em relações sociais igualitárias.Como fora visto na reportagem do Globo Repórter, no dia (10/05/2013), Pedro Bassan, jornalista da emissora Rede Globo de Televisão, fez uma matéria sobre as condições de vida de uma pessoa em situação de rua. Em entrevista com Renato Giannattasio - pessoa em situação de rua – o entrevistando apresentou uma das dificuldades encontradas nas ruas, o preconceito e a discriminação: “As pessoas ficam olhando, criticam, olham para você com cara de nojo”.

Pode-se fazer uma classificação das categorias de condição de rua. Vieira (2004),aponta três denominações que representam esta situação. A primeira, refere-se ao ficar na rua, algo que possui um caráter ocasional, refletindo um estado de poucas condições de recursos e de contemplação nas políticas sociais; a segunda refere-se ao estar na rua, consistindo em uma situação ainda recente da pessoa, onde ela adota a rua para pernoitar e a rua não mais representa uma ameaça, embora quando possível, procuram pensões ou vagas em albergues;a terceira é o ser da rua, algo permanente, as dificuldades aumentam e a pessoa acaba tornando a rua um espaço de moradia. Ainda com Vieira (2004), independente das denominações, o que as unifica refere-se ao fato de que a pessoa utiliza a rua como moradia ou abrigo, independentemente.Um aspecto relevante a ser apontado, que está subjacente à essa classificação,sobretudo a do ser da rua,é a acomodação (por uma série de fatores) das pessoas que se encontram nessa situação à moradia de rua.Segundo Oliveira (2007, p. 03):

É importante destacar que quanto mais tempo a pessoa passa na rua “mais estável” fica sua situação.[...] Ela passa a desenvolver um modo de vida próprio, ou seja, desenvolve formas específicas de garantir a sobrevivência, de conviver, de ver o espaço privado e o mundo.

Passando a desenvolver comportamentos nessa moradia, com vistas a comunicação de valores e através da criação de normas de convivência. Assim, na medida em que a pessoa é um ser-da-rua, ela absorve esse contexto e é modificada, passando a significá-lo e, a partir dessa significação, passa a modificá-los para uma melhor adaptação de sua existência nesses locais. No âmbito da Psicologia Ambiental, este tipo de comportamento se denomina socioespacial humano, algo que acontece na inter-relação pessoa/ambiente.A moradia de rua é um fenômeno psicossocial, nela ocorre inúmeros fenômenos psicológicos que merecem uma análise sistemática bidirecional (pessoa/ambiente), passando muitas vezes passam despercebidos, uma vez que a Psicologia Clássica não enfatiza o ambiente nesta dimensão, diferentemente dos estudos da Psicologia Ambiental.

Como resultado, utilizando-se de conceitos específicos elucidados por esses estudos, a presente comunicação visa contemplá-los de forma didática, por meio de uma revisão de literatura, tendo como objeto de estudoo comportamento socioespacial humano no âmbito da moradia de rua,analisando tais conceitos através daquilo que é impresso publicamente nesse contexto.

2. Psicologia Ambiental: Definição, Conceitos e Objeto de Estudo

A Psicologia Ambiental é um estudo envolvido com a inter-relação entre o comportamento e o ambiente(FISHER; BELL; BAUM, 1984).Esse ambiente engloba tanto a dimensão física e natural, como a construída. Segundo Moser (1998), a especificidade da Psicologia Ambiental é a de analisar como a pessoa avalia e percebe o ambiente e, concomitantemente, como ele está sendo influenciado por esse mesmo ambiente.Ela trata também de certas temáticas bem específicas, que podem ajudar a elucidar o entendimento por qual motivo que se fala em Psicologia Ambiental, em relação a sua importância.Sendo objeto de estudo, ela busca – como citado anteriormente – a inter-relação entre pessoa e ambiente e a influência mútua desta relação.

Serão apresentados de maneira sucinta neste artigo, conceitos específicos da Psicologia Ambiental, referentes ao tema abordado em sua demanda. Uma vez que são inúmeros os conceitos desenvolvidos por esses estudos, não competindo todos, aos aspectos tratados na presente comunicação.

2.1 Comportamento Socioespacial Humano: são comportamentos que “ditam” as “contingências” de um determinado contexto ou situação. Ou seja, é aquilo que sinaliza a inter-relação. Essa inter-relação, para Pinheiro e Elali (2011, p. 144) “[...] refletem o ânimo afetivo, o status das pessoas envolvidas e a natureza da interação social pretendida/obtida, correspondendo ao que entendemos como comportamento socioespacial humano”.

O estudo do espaço na vida da pessoa é muito importante, pois, como já fora visto em estudos da Psicologia clássica, especificamente Piaget, a pessoa percebe o espaço a partir da localização de objetos em sua inter-relação, como também ela se orienta e percebe o ambiente a partir de seu próprio corpo. A organização perceptiva do espaço é útil para se adaptar ao mesmo e ajustá-lo. Para que haja esta organização é necessário além da pessoa saber sobre a natureza dos objetos, saber também sua localização.

Essa organização dar-se-á a partir do desenvolvimento representativo da pessoa de seu corpo, e de sua orientação no espaço.Sendo essa representação espacial dependente de fatores biológicos, e também, o que a relação experiencial pode oferecer à pessoa, no sentido de quais formas ela permite que a pessoa possa conhecer o espaço. O comportamento espacial humano é considerável, entre outros, em dois aspectos, o primeiro se refere à possibilidade de comunicação interpessoal por ele oferecida; o segundo, refere-se, como já foi citado, a um mediador da interação pessoa/ambiente. Com base nele, foram desenvolvidos alguns conceitos importantes na comunicação interpessoal e nas relações socioambientais:

2.1.1 Espaço Pessoal: fronteira subjetiva em torno da pessoa, ajudando a regular o espaçamento entre os indivíduos. Esse espaço é (re)definido constantemente, pois ele é singular, histórico e cultural. A invasão desse espaço se dá tanto fisicamente como invisivelmente (sons, cheiros, etc.)

2.1.2 Proxêmica: essa abordagem contempla o inerente dinamismo perceptivo da pessoa. Nela, o espaço pode ser classificado como de características fixas (uma casa), semifixas (algo que se mecha, um mobiliário por exemplo), informais (distância mantida na relação interpessoal). Essa distância, a qual corresponde mais que os aspectos métricos, pode ser classifica em íntima, pessoal, social e pública.

2.1.3 Territorialidade: espaço físico delimitado. É a associação contínua de uma ou mais pessoas com um lugar específico.

2.1.4 Aglomeração: não se trata de densidade física. Trata-se da invasão do espaço pessoal da pessoa.

2.1.5 Privacidade: forma de preservação e defesa da intimidade. É um recurso que a pessoa a partir dele, pode refletir sobre que aspectos do ambiente físico e social são seus e quais não são. Podendo assim, imprimir duas formas de preservação dessa intimidade, sendo a primeira a fuga física; e, a segunda, exibição agressiva (ocupar um espaço evitando que alguém o ocupe concomitantemente).

Outros conceitos desenvolvidos pela Psicologia Ambiental, os quais estão envolvidos nas relações socioambientais e interpessoais, e se relacionam com o comportamento socioespacial humano, serão trazidos à discussão. Como é o caso do espaço e lugar e identidade de lugar.

Espaço e lugar: o espaço caracteriza-se pelo aspecto físico do ambiente, sem qualquer vínculo afetivo; o lugar, por sua vez, se refere à um espaço acoplado de sentidos atribuídos pelos seus usuários.

Identidade de lugar: subestrutura dinâmica da identidade pessoal, constituída de significantes (comportamentos cognitivos, materiais e atos de investimento emocional) visando à satisfação de uma necessidade por parte da pessoa. Tem como função principal a criação de um pano de fundo interno que sirva de alento e proteção à auto identidade. A identidade é um processo contínuo que diferencia o eu do não eu, essa diferenciação se dá através de questões como “quem sou eu”, relacionando-se com “onde estou”. Essa relação imprime a bidirecionalidade da pessoa/ambiente.

3. Desenvolvimento do Comportamento Socioespacial no Âmbito moradia de Rua

Uma temática de muita ênfase em Psicologia Ambiental é o espaço físico. A pessoa se comporta, independentemente do espaço que ela se encontra. O espaço físico é o local onde a pessoa desemboca seus comportamentos, ele é iminentemente dependente da pessoa para existir. Como afirma Moser (1998), ao citar o método de Barker, excetuando que o espaço físico não existe se não houver pessoas dentro dele.  O conceito de espaço, dentro da Psicologia Ambiental, se refere a qualquer ambiente físico que não tenha representação afetiva para a pessoa. Segundo Cavalcante& Nóbrega(2011), o espaço é neutro e não se atribui significado. A priori, quando a pessoa desemboca na situação de rua, a rua é apenas um espaço, ela não possui significados imediatos, ela ainda não relacionou de forma subjetiva com esse espaço.

Em contrapartida, o lugar é um espaço acompanhado de significados. O lugar ganha importância para além dos seus limites físicos. Com o desenvolvimento das relações interpessoais na moradia de rua, o que era apenas um espaço, transforma-se em lugar. A pessoa se apropria da rua como um todo. Como afirma Bachelard(1958, p. 47), “o espaço habitado transcende o espaço geométrico”.

Os seres humanos se relacionam um com os outros e estabelecem relações específicas com o seu ambiente. Dentro dessa relação, encontra-se a dimensão da territorialidade.As pessoas em situação de rua, habitam geralmente algum espaço privado. A priori, esse ambiente até então temerário, é apenas um espaço, pois como já foi citado, a moradia de rua ainda não foi estabelecida, ou seja, ainda não foi criada uma rede de significações. Alguns espaços habitados coletivamente, onde as pessoas vão estabelecendo com eles um vínculo de moradia, como no caso de um viaduto, se torna um território/lugar quando, por sua vez, elas delimitam esse território, e mantém com ele uma associação contínua de significados. Ao passo que, mediante a criação de um território com normas pré-estabelecidas, no caso de alguns lugares de moradia de rua, o comportamento das pessoas são modelados em função dessas normas.Nesse território, as pessoas desenvolvem comportamentos que comunicam suas necessidades.

Num território que serve de moradia de rua, pode se perceber, por exemplo, alguns desses tipos de comportamentos, como é o caso da abordagem proxêmica. Essa abordagem implicana classificação dada pela pessoa aos objetos que faz parte do seu ambiente. Essa classificação se dá em três aspectos, os de características fixas, semifixas e informais. Os de características fixas é especificamente o lugar que ela vive, voltando com o caso do viaduto, esse ambiente (o viaduto) é fixo, ele não se locomove. Como semifixas poder-se-á citar o papelão que essa pessoa dorme sobre, ele é móvel, ela poderá leva-lo para o lugar que ela compreender como apto. Os informais, se referem aos que não têm forma física, ou seja, aqueles que a pessoa expressa para comunicar algo. Um exemplo deste, é visto no atendimento de algumas ONGs, quando vão in loco prestar assistência alimentação. Ao se aproximar da pessoa em situação de rua, esta, se retira, indicando que não quer ser atendida, mantendo assim, uma distância com o prestador do serviço. Essa distância, vale salientar, não se refere à questão métrica, mas sim a algo pessoal, subjetivo.

Por uma série de variáveis, essa pessoa que se retirou não optou pelo contato. Nesse caso, uma destas variáveis se refere a outro conceito específico de comportamento socioespacial humano, que é oespaço pessoal.Ele é muito importante de ser avaliado na comunicação interpessoal, uma vez que, quando se trata de medidas assistencialistas prestadas por ONGs ou movimentos sociais, um dos grandes problemas é não levar em consideração a subjetividade de cada pessoa que está vivenciando a situação de rua.Alguns atendimentos feitos por algumas ONGs, são durante o horário em que algumas dessas pessoas estão dormindo, se recusando, assim, a receber o serviço. Esse horário, pode ser caracterizado como o espaço pessoal destas pessoas, as quais não gostam de tê-lo invadido.É importante destacar que não só as ONGs, mas também, sobretudo, as políticas públicas. Pois tais políticas, em sua grande maioria são embasadas meramente em um cunho sociológico e econômico, negligenciando o aspecto psicossocial.

O conceito de espaço pessoal se relaciona de forma muito íntima com outro tipo de comportamento socioespacial humano, o de privacidade. Esse último, especificamente, é importante nas relações socioambientais. Para Tuan (1983, p. 68) “Na presença de outros, os pensamentos recuam devido ao fato de que outras pessoas projetam seus próprios mundos na mesma área”. Explicitando então comportamento de se retirar da pessoa em situação de rua, como foi citado.Segundo Pinheiro &Elali(2011, p. 154) “A privacidade constitui, então, um recurso para o indivíduo refletir sobre sua interação com os demais e ponderar sobre contatos futuros”.Esse tratando da moradia de rua, privacidade é um grande desafio, levando em consideração um território com várias pessoas nessa condição, onde as delimitações e os aspectos socioambientais, não oferecem um espaço para a pessoa refletir, fazer algo que é íntimo, como ir ao banheiro e fazer orações.

Nessa perspectiva, existem duas formas de preservar a privacidade, segundo Sommer (1973 apud PINHEIRO; ELALI, 2011), a primeira é a fuga física, algo que consiste em a pessoa se retirar do lugar para outro, a fim de desenvolver o que lhe é de vontade. A segunda é a exibição agressiva, a qual se dá quando a pessoa confronta a situação, procurando ocupar o lugar sozinho, evitando a presença do outro. A exibição agressiva é muito vista dentro da moradia de rua, em muitos desses casos quando a pessoa se sente invadida, é gerado um confronto de violência física entre os moradores de rua, necessitando em alguns casos, da intervenção da polícia.

Essa invasão corresponde, dentro da Psicologia Ambiental, ao conceito de aglomeração, outro conceito importante nas relações socioambientais. Aglomeração, segundo Pinheiro e Elali (2011), não é densidade física, mas sim, a invasão do espaço pessoal, do lugar e/ou da privacidade do outro.

Muitos desses casos ocorrem no Juazeiro do Norte, uma região de grande movimentação de pessoas de várias cidades, devido aos aspectos religiosos que os permeia. A moradia de rua dessa região, aproveita-se dessa característica, saindo para pedir, e com isso, manter sua subsistência. Nesse comportamento de pedir, é desenvolvido além da delimitação de um território, o lugar de cada pessoa para executar tal prática.Lá, é muito corriqueiro ver alguns casos de aglomeração, chegando ao ponto de violência quando essa ocorre, uma vez que se delimita o lugar de trabalho, a presença de uma indesejável nele, torna-se uma aglomeração.

A identidade de lugar é outro conceito de comportamento socioespacial humano. A moradia de rua, depois de um certo momento se torna cômoda. Em muitos casos, as pessoas por direito e por se identificarem, não querem sair da situação de rua quando são a elas oferecida uma oportunidade de mudança. Através de uma interação processual com esse lugar, elas criam uma subestrutura da identidade pessoal, compostas de significantes e investimentos emocionais,com vistas a suprir suas necessidades.

4. Considerações Finais

Foram analisados os múltiplos comportamentos produzidos na moradia de rua, permitindo a compreensão de uma pessoa ativa em sua relação com o ambiente. Percebeu-se que, face às mudanças ambientais, o comportamento se modifica produzindo novas mudanças ambientais. Nessa dimensão, o comportamento socioespacial humano tem um papel preponderante à criação e compreensão das relações interpessoais e socioambientais desse segmento social.A moradia de rua aparece como espaço vivo, tomando formas subjetivas diferenciadas, sendo apresentadas através das várias configurações que caracterizam a inter-relação pessoa/ambiente.

O grupo compreende que quanto à questão metodológica na perspectiva da Psicologia Ambiental, o trabalho prático é mais demandado por essa ciência, sobretudo, no que se refere ao tema proposto. Pois, a carência de trabalhos científicos e literatura específica, acerca do assunto, dificulta a pesquisa acadêmica, fazendo-se necessário a observação in loco. O grupo também entende que a importância de estudos relativos às pessoas em situação de rua em sua inter-relação dinâmica com o ambiente onde vive, dar-se principalmente no auxílio em projetos e programas de políticas públicas mais efetivas, que levem em consideração o sujeito como um todo.

Algo que não foi tratado de forma ímpar na presente comunicação, é o prisma ponderável acerca de considerarmos todo processo, que se refere à iniciativa de novos projetos sociais e políticos os quais poderão radicalizar um proveito mais humano e integrador àquele que é vítima da exclusão social. Se é importante a pessoa nos seus condicionamentos ambientais, digamos positivamente, importante tanto quanto é a estrutura social benéfica ao todo dessa pessoa, pois, é inconcebível qualquer que seja a realidade ressaltada pela pessoa em sua privacidade, sem considerar o conjunto externo cultural consolidado socialmente.

Por último, um viés significativo para o grupo, foi amadurecer a percepção por parte deste, no que concerne o ambiente nas relações construídas no aqui e agora. Como também, a importância do ambiente construído afetivamente pelo indivíduo, sabendo que o primeiro ambiente que ele experienciou, é marco também decisório em todo seu existencial e subsequente.

Sobre os Autores:

Tarciana Elias Cavalcante - Orientadora – Professora Ms. Tarciana Elias Cavalcante

Alexandre Barbosa da Silva - Estudante de graduação em Psicologia do 7º período das Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão – FAINTVISA.

Dinamérico Vicente de Paula - Estudante de graduação em Psicologia do 7º período das Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão – FAINTVISA.

Ritamar Maria da Silva - Estudante de graduação em Psicologia do 7º período das Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão – FAINTVISA.

Rosedite Tenório de Oliveira - Estudante de graduação em Psicologia do 7º período das Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão – FAINTVISA.

Sergio Luiz Mendonça de Arruda - Estudante de graduação em Psicologia do 7º período das Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão – FAINTVISA.

Stanley Sidney Pinheiro Rodrigues - Estudante de graduação em Psicologia do 7º período das Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão – FAINTVISA

Referências:

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BACHELARD, G. Poética do espaço. Rio de Janeiro: Martins Fontes, 1958.

FISHER, J. D; BELL, P. A; BAUM, A. Enviromental Psychology. 2. ed. New York: Holt, Rinehart and Winstson, 1984.

G1 Globo.com. Disponível em: <http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2013/05/pedro-bassan-dorme-sob-marquises-e-experimenta-dificuldades-de-quem-nao-tem-quase-nada.html>. Acesso em: 25 set 2013.

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MOSER, G. Psicologia ambiental. Estudos de Psicologia, Evento, v. 03, n. 1, p. 121-130, ago. 1998. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/pe/v15n1/a04v15n1.pdf>. Acesso em: 20 out 2013.

OLIVEIRA, M. M. O discurso e a prática da economia solidária. In: Encontro Internacional de Economia Solidária, 5.São Paulo, 2007. Os desafios enfrentados pela população de rua de juiz de fora frente à proposta da economia solidária.São Paulo: Nesol, 2007. p. 01-12.

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VIEIRA, Maria Antonieta da Costa. Et al. População de rua quem é, como vive,como é vista.3.ed. São Paulo: Hucitec,2004.