Resumo: Esta revisão bibliográfica busca analisar os aspectos vinculados a questão da obesidade, bem como relacioná-la com a prática profissional da psicologia no tratamento desse transtorno. Visto que, são muitas as implicações sofridas pelos indivíduos que estão com o distúrbio da obesidade. São discutidos aspectos conceituais e causais das síndromes metabólicas, além do transtorno do sono que predispõe ao aumento excessivo do tecido adiposo. Por apresentarem incidência crescente, esse transtorno demanda um acompanhamento psicológico em seu tratamento, contribuindo dessa forma, para a compreensão dos fatores emocionais que estão intimamente ligados ao distúrbio alimentar da obesidade. Fala-se em causas fisiológicas quando o aumento de peso é decorrente ou provocado por alguma alteração hormonal. Levando-se em conta alguns fatores envolvidos como genéticos ou ambientais que estão relacionados na fisiopatologia da obesidade. Objetivo: Abordar os aspectos inflamatórios da obesidade e as complicações psicológicas e metabólicas associadas.

Palavras-chave: Obesidade, Fatores metabólicos, Fatores psicológicos, Distúrbios do sono, Terapia Cognitivo-Comportamental.

1. Introdução

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) verificou-se que o número de pessoas que tem problemas por comer a mais do que deveriam ultrapassou o número de pessoas que passam fome (SANTIAGO, 2002). Muitos casos de obesidade estão ligados ao tipo exógeno, ou seja, é causada pelo excesso de alimento, onde em grande parte desse distúrbio o paciente passa a entender com o tratamento terapêutico, que seu excesso de peso pode está intimamente ligado como resultado de um descontrole de sua ansiedade.

O objetivo dessa pesquisa é analisar os impactos psicológicos que envolvem o processo da obesidade, levantando fatores internos e externos que a determinam. O estudo trata-se de uma pesquisa bibliográfica, elaborado através de coleta de dados em literaturas específicas relacionadas ao tema proposto. De cunho explicativo, fazendo um levantamento sob o ponto de vista de diversos autores, de dados epidemiológicos, fatores, consequências e tratamento da obesidade. Levando-se em conta dois tipos de classificações referentes ao processo que identificam aos aspectos: endógenos e exógenos.

 A obesidade endógena pode ser causada por fatores psicológicos ou metabólicos, sendo definida como a expansão do tecido adiposo branco. É um tipo especial de conjuntivo onde se observa predominância de células adiposas, também chamada adipócitos. As secreções de diferentes hormônios estão positivamente relacionadas com a quantidade desse tecido, com distúrbios do sono e com transtornos relacionados ao estresse que é uma reação do organismo devido a fatores psicológicos, físicos e hormonais que ocorre quando surge a necessidade de uma adaptação grande a um evento ou situação de importância.  Passando, dessa forma, a ter uma enorme influência sobre o peso corporal, seja pelo aumento do cortisol circulante no sangue ou da quantidade de alimento ingerida, que o indivíduo obeso passa a usá-lo como mecanismo antiestresse e por conta disso, passa a sofrer as consequências desse processo. Que por muitas vezes, pode está diretamente ligado a sua origem comportamental e ambiental. Favorecendo assim, a obesidade exógena que é causada pelo excesso de alimento.

Nesse sentido, a Psicologia vem demonstrando bastante eficácia no tratamento com indivíduos que estão com sobrepeso. Segundo (Duchesne, 1995) “a terapia cognitivo-comportamental desempenha uma importante função na adesão ao tratamento e no controle dos episódios de comer excessivo”. Com um enfoque voltado para trabalhar o pensamento distorcido sobre a ingestão alimentar, o peso e a imagem corporal, e dessa forma, demonstrando que é possível modelar os hábitos alimentares dos pacientes, modificando por alimentos mais saudáveis.

De acordo com Perez (2004), a terapia cognitivo-comportamental é uma psicoterapia de curto prazo, que enfoca vários aspectos do problema, pensamentos distorcidos como a auto-avaliação centrada no peso e forma do corpo, baixa auto-estima, perfeccionismo, hábitos alimentares inadequados, fatores que precipitam o “ataque de comer” e os sentimentos relacionados.

A Psicologia usando suas técnicas da TCC (Terapia Cognitivo Comportamental) vem demonstrando bastante atuação nessa categoria de transtornos alimentares, pois muitos dos portadores dessa patologia vêm apresentando perturbações comportamentais e conflitos psíquicos relacionados à alimentação. Segundo o autor Wrigth (2008, p. 184) “a abordagem da TCC é necessariamente multimodal e inclui aconselhamento nutricional, além da psicoeducação, automonitoramento e intervenções cognitivas e comportamentais”. Sabemos que, tanto os fatores ambientais quanto os genéticos estão muito ligados. Se o indivíduo tiver uma predisposição genética ou metabólica inclinada para obesidade, então o estilo de vida moderno como a ingestão de alimentos industrializados como fast foods, congelados, ricos em sódio, refrigerantes, doces e frituras são algumas modalidades que contribuem para o estilo de vida sedentário. Desta forma, é válido restsaltar, quais são as implicações sofridas pelos indivíduos que estão com o transtorno da obesidade?

2. Fatores Endógenos (Metabólicos) e Exógenos

De acordo com Gill (1946), ao estudarmos a pessoa obesa, precisamos entender que a comida é mais do que uma necessidade orgânica para ela. Com toda probabilidade, diz o autor, a comida constitui a sua fonte principal de satisfação para uma variedade de interesses. A obesidade cria uma enorme carga psicológica, ou seja, fatores como o descontrole, ansiedade e depressão. Muitas vezes, acomete o indivíduo levando-o a um desânimo e insegurança fazendo-o pensar, muitas vezes que não irá conseguir chegar ao objetivo tão desejado.

Sendo assim, Destacar a importância do profissional Psicólogo que atende pessoas acometidas de obesidade, se torna uma condição de suma Importância. Segundo Kaplan e Kaplan (1957) “há dois tipos de obesidade: (1) exógena ou comum, conhecida, ainda, como primária ou nutricional; (2) endógena ou metabólica, conhecida, também, como secundária”. Sabemos que, os aspectos endócrinos tem uma participação muito grande no indivíduo obeso, podemos citar alguns hormônios que estão relacionados a essa enfermidade: melatonina, leptina, grelina, insulina, hormônio do crescimento, ou GH, adiponectina e cortisol. Sendo que neste último, está relacionado ao stress que de uma forma geral, faz com que o organismo libere maiores quantidades do hormônio Cortisona pela Glândula Supra Renal. É justamente este excesso de Cortisona ou cortisol liberado que podem levar ao Aumento de Peso. Ele é sintetizado a partir do colesterol na camada exterior do córtex das duas glândulas adrenais, que se situam no abdómen, acima da região dos rins.

A produção do cortisol é extremamente alta no período da manhã, para que assim, nosso organismo possa assimilar os nutrientes necessários que nos darão disposição durante o dia. Mas se o indivíduo estiver passando por um período de estresse, imediatamente é acionado em outros horários, que são prejudiciais ao organismo. A psicologia irá conduzir esse paciente com técnicas específicas para que haja uma psicoeducação destinada ao controle do estresse. Quando o paciente fica muito tempo sem se alimentar, o cortisol “avisa” o organismo que a ingestão dos nutrientes está baixa. Dessa forma, o corpo entende que a queima de calorias deve ser reduzida. Portanto, a obesidade pode ser definida como uma doença multifatorial, onde aspectos hereditários, metabólicos, ambientais, comportamentais e psicológicos interagem de um modo ainda não totalmente compreendido para alguns. Duchesne (2001) aponta que:

A obesidade associa-se a vários estressores interpessoais e à diminuição da autoestima. Além disso, a obesidade é fator de risco para diversas patologias, tais como: doenças cardiovasculares, diabetes, certos tipos de câncer, hipertensão arterial, dificuldades respiratórias, distúrbios do aparelho locomotor e dislipidemias.

O tecido adiposo é considerado uma estrutura endócrina que produz a leptina, um hormônio que sinaliza ao cérebro quanto de gordura o corpo possui e a adiposina que é a proteína secretada pelo Tecido Adiposo Branco (TAB). É necessário o reconhecimento do tecido adiposo como endócrino para o entendimento de parte dos processos relacionados com a obesidade e a resistência a insulina. O excesso de tecido adiposo visceral está associado às complicações da síndrome metabólica incluindo obesidade visceral, resistência insulínica, dislipidemia e hipertensão como um conjunto crítico de fatores.

Segundo Taubes (2015), “quanto mais carboidratos comemos, e quanto mais doces e fáceis de digerir eles são, mais insulina é secretada, o que significa que o nível de insulina em nossa corrente sanguínea é maior, assim como a gordura que retemos em nossas células adiposas”. Sua produção se torna possível logo após as refeições, desta forma as células se beneficiam da glicose que é contida nos alimentos ingeridos. Só que esse hormônio, quando em excesso no organismo causa sensação de fome e neste caso, nos pacientes obesos se torna bastante perigoso. Pois estimula a produção de células gordurosas, o papel desse hormônio (insulina) é avisar ao cérebro que há alimento suficiente no organismo, regulando os níveis de açúcar no sangue, quando elevada cronicamente, ou seja, quando se dá o fenômeno da resistência à insulina, existe um impedimento não deixando a gordura sair do estoque, ou seja, no tecido adiposo.  

 Dessa forma, acaba retendo liquido, elevando a produção de colesterol, a pressão arterial, podendo ocasionar um acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática). Podendo deixar um abalo psicológico muito grande devido ao indivíduo com sobrepeso não saber como lidar com a situação. Alguns sinais secretados proporcionalmente à quantidade de tecido adiposo, representados pelos hormônios insulina e a leptina, fazem o controle do estoque energético. O hormônio grelina influencia e muito no fator emagrecimento, ele é produzido no estômago, justamente quando está vazio. Durante o dia, se o estômago estiver sem o alimento é enviado sinais avisando que estamos com fome, diminuindo a queima de gordura do tecido adiposo. À noite, com o estômago vazio, estimula a produção do hormônio do crescimento, ou GH, tem efeito lipolítico (queima de gorduras) e antilipogênico (evita o acúmulo de gordura corporal) atua no ganho de massa muscular e inibe a enzima lipoproteína lipase, retirando gorduras do tecido adiposo.

Segundo Dâmaso, 2001:

A obesidade pode resultar de fatores endógenos ou exógenos. A obesidade de origem endógena representa 5% ou menos dos casos na atualidade, podendo ser de origem hereditária/congênita, psicogênica, medicamentosa, neurológica e endócrina. Por outro lado, a obesidade exógena pode representar 95% ou mais dos casos, e sua origem está relacionada a fatores ambientais, culturais, sociais e emocionais, mas, principalmente, devido a hipoatividade (sedentarismo), e aos maus hábitos alimentares (inadequação entre qualidade, quantidade e alto consumo de fast-food).

Entender o envolvimento do papel da adipocinas no tecido adiposo de obesos no organismo é de extrema importância, pois ela desencadeia ações de caráter pró-inflamatório ou anti-inflamatório. Para que assim possamos agregar conhecimento do funcionamento de como se regulam as principais doenças crônicas dos seres humanos associados à obesidade. A síntese deste hormônio se dá pelos adipócitos brancos. Sua função anti-inflamatória e protetora da ateroesclerose, possui ação reguladora da ingestão de alimentos, gasto de energia e de uma série de processos metabólicos, bem como o metabolismo glícidico e lipídico. Porém, é diminuída na presença de obesidade.

Em indivíduos saudáveis, a concentração plasmática de adiponectina é alta, porém, em obesos, a adiponectina encontra-se em baixas concentrações o que acaba refletindo numa menor degradação de triglicerídeos e, portanto, num acúmulo maior de gordura no corpo. O excesso de peso é considerado o principal determinante de risco da Síndrome Metabólica, entretanto, a distribuição corporal da gordura é mais importante do que seu excesso. Podendo estar presente no corpo em formas diferenciadas. Sendo assim, em duas principais formas caracterizadas por Androide e Ginecoide. A chamada distribuição androide de gordura corporal é caracterizada pelo acúmulo de gordura no tronco e depósito de gordura visceral. Segundo o autor Slywitch (2014) as duas formas são definidas por:

Androide, ou tipo maçã: a gordura se concentra majoritariamente na região do abdome e do tronco. É a famosa “barriguinha de chope”. Esse tipo de concentração de gordura é pior que o Ginecoide, pois se correlaciona ao aumento de risco de doenças cardiovasculares, diabetes, pressão alta, assim como elevação do nível de triglicérides e de colesterol.

A descoberta da obesidade como doença inflamatória tem despertado interesse para  manipulação farmacológica e genética da inflamação, abrindo portas para inovação terapêutica. Torna-se necessário prevenir ou controlar a inflamação crônica comum na obesidade visceral, reduzindo, assim, os efeitos da elevação das adipocinas inflamatórias. Certamente, alguns indivíduos possuem predisposição genética para inflamação e resistência insulínica, características comuns na obesidade visceral. Isso porque a gordura abdominal, ou obesidade da parte superior, ou obesidade do tronco também chamado “gordura de obesidade central” tem consequências metabólicas mais intensas do que a gordura localizada em áreas periféricas que são predominantes nas coxas ou quadris.

Em outras palavras, se dois indivíduos têm exatamente o mesmo peso, sendo que uma delas possui o seu tronco no “formato maçã” terá um maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares bem maiores do que aqueles pacientes que possuem “formato pêra”. A medida da cintura está totalmente inclusa no critério da síndrome metabólica, e são vários fatores associados que contribuem para o desenvolvimento deste distúrbio como a genética, problemas de ordem emocional, incluindo também o sedentarismo proveniente de uma alimentação ocidental típica – frituras, refinados, refrigerantes dentre outros.

É válido ressaltar, que a obesidade não é sinônimo de aumento de peso. E sim com o aumento da quantidade de gordura. Ou seja, é o acumulo de tecido adiposo além do que é considerado “normal” dentre as exigências da OMS referente à idade, sexo e tipo físico do indivíduo. Um dos requisitos disponibilizados é a tabela chamada de IMC, que exemplifica o Índice de massa corporal do indivíduo.

O Índice de Massa Corporal (IMC), adotado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é considerado prático e muito útil nas pesquisas de classificação da obesidade, razão pela qual tem sido bastante utilizado. É obtido dividindo-se o peso do indivíduo pela sua altura ao quadrado: P/A2. A classificação é definida da seguinte forma: 25 - 29,9: Grau I- obesidade leve ou sobrepeso; 30 - 30,9: Grau II- obesidade moderada; 40 ou +: Grau III- obesidade severa ou mórbida. Porém, se faz necessário conhecer o tamanho da circunferência da cintura para que tenha um acompanhamento do grau da obesidade e acompanhar até que ponto o excesso de peso está influenciando os aspectos psíquico-emocionais desse paciente. 

Os fatores genéticos ou ambientais estão envolvidos na fisiopatologia da obesidade, que só se desenvolve quando a ingestão alimentar está em excesso em relação ao gasto energético. A explicação para o crescimento da obesidade enquanto doença inflamatória deve-se certamente em boa parte à mudança do seu padrão alimentar e à tendência secular em preferir os alimentos ricos em gorduras e muito pobres na ingestão de fibras entre outras vitaminas.

Como podemos analisar, são inúmeros fatores envolvidos na etiologia da obesidade, porém todos eles convergem para o único ponto: o desequilíbrio. As calorias ingeridas diariamente ultrapassam o gasto energético do indivíduo que está com sobrepeso favorecendo o aumento do tecido adiposo. No entanto, esse balanço energético sofre influência de fatores ambientais, comportamentais, psicológicos, fisiológicos e genéticos.  

Para Berg (2008), do ponto de vista psicológico, a obesidade é uma expressão física de um desajustamento emocional. É de extrema importância à compreensão da psicodinâmica da obesidade, do tratamento psicológico e da participação do psicólogo em equipes multiprofissionais que prestam serviços e atendimentos a obesos nos mais diversos contextos que interferem na saúde dos indivíduos, tanto física quanto psicologicamente. A questão que envolve esse contexto é um assunto extremamente complexo e muito discutido. Pois, o Transtorno da obesidade necessita de um enfoque e um acompanhamento terapêutico bastante abrangente. Nesta abordagem psicoterapêutica torna-se fundamental compreender não apenas o que acontece no emocional dessa pessoa, mas também o que ocorre no organismo. Segundo Nunes (2010):

A obesidade decorre da interação entre fatores de inclinação genética, culturais, hábitos alimentares com teor calóricos, distúrbios de ordem metabólica, distúrbios de ordem psicológicos e problemas familiares. Contudo, é possível reduzir essas influências mudando a cultura alimentar através da terapia cognitivo comportamental. Nem sempre a pessoa é obesa porque come muito, mas porque come mal, descontando sentimentos com alimentos de alto valor calórico. Sabemos que, a ingestão incorreta de produtos calóricos, mesmo em pouca quantidade, leva ao aumento de peso. E não há distinção de classe social, pois hoje os alimentos mais baratos são os industrializados, com alto índice de açúcar, gordura e sódio.

3. A Influência que a Alteração do Padrão Habitual de Sono Exerce no Aparecimento da Obesidade

Existe uma forte ligação entre o transtorno do sono e a obesidade. Algumas literaturas explicam que reduzir o tempo de dormir tornou-se um hábito bem frequente e cada vez mais comum na atualidade. O autor Casper (2015, p.227), Explica que:

Uma pesquisa na faculdade de Medicina da Universidade Wake Forest descobriu que dormir uma média de, no máximo, cinco horas gera o aumento da perigosa gordura visceral (abdominal), que pode levar à obesidade, à resistência à insulina e ao diabetes, condições que aumentam o risco de demência.

A relação sono X obesidade está relacionada intimamente com um hormônio chamado melatonina, que é produzido pela glândula pineal, situada no centro do cérebro, esse hormônio já é conhecido há tempos por seu papel na regulação do sono. Seu papel também exerce uma ação fundamental no controle da fome, no acúmulo de gorduras e no consumo de energia. Alterações dos hormônios leptina e grelina são consideradas um importante mecanismo capaz de desajustar o organismo como um todo. Trazendo problemas emocionais, devido às alterações do sono e favorecendo o ganho de peso. Dada à importância dos hormônios mencionados serão abordadas ações fisiológicas que interferem no Psicológico relacionando ambas com o sono.  A hormona Melatonina regula o ciclo de produção de hormônios como o cortisol, que atua muitas vezes em nosso emocional principalmente quando estamos em situações de estresse. A grelina e a leptina, por sua vez, responsável pela regulação da fome e o hormônio do crescimento (GH) inicia seu pico de produção durante a primeira fase do sono profundo, aproximadamente meia hora após um indivíduo dormir.

O GH ocorre durante a fase do sono profundo, aproximadamente meia hora após uma pessoa dormir. Se tornando muito importante na quebra de gordura, transformando-as em energia, ajudando a manter o tônus muscular e evitando o acúmulo de gordura.  Mas, para ter uma boa produção desse hormônio é necessário dormir o tempo recomendado para cada idade. E, se possível, no período que antecede o horário das 23 horas, já que o pico da produção do hormônio do crescimento é por volta de 1 hora da manhã. Indivíduos que dormem pouco reduzem drasticamente o tempo de sono profundo e, consequentemente, a fabricação do hormônio do crescimento também é afetada. Segundo, Cronfli (2002):

A longo prazo, a privação do sono pode comprometer seriamente a saúde, uma vez que é durante o sono que são produzidos alguns hormônios que desempenham papéis vitais no funcionamento de nosso organismo. Por exemplo, o pico de produção do hormônio do crescimento (também conhecido como GH, de sua sigla em inglês, Growth Hormone) ocorre durante a primeira fase do sono profundo, aproximadamente meia hora após uma pessoa dormir. 

Como podemos perceber, o sono é essencial para que ocorra a homeostase de todas as funções fisiológicas e psicológicas do organismo. Dessa forma, um padrão adequado de sono torna-se fundamental para o controle da massa corporal, e portanto, um sono de qualidade deve está diretamente ligado aos fatores de  tratamentos e preventivos da obesidade. Durante o período do sono ocorrem vários processos metabólicos que, se alterados,  pode afetar o equilíbrio de todo o organismo a curto, médio e longo prazo. Resultando, assim, no aumento do peso entre outras patologias associadas. É durante o período do sono que o organismo libera maior dose de leptina, hormônio que controla a sensação de saciedade e mantém as pessoas longe dos ataques às geladeiras durante a madrugada.

Dormir menos do que o necessário resulta em menor vigor físico, envelhecimento celular precoce, maior vulnerabilidade a infecções, obesidade, hipertensão e diabetes. Pois, a falta de sono inibe a produção de insulina que é o hormônio que retira o açúcar do sangue pelo pâncreas, além de elevar a quantidade de cortisol, o hormônio do estresse, favorecendo alterações repentinas de humor, associando a redução da tolerância à glicose podendo dessa forma, ter consequências negativas para o corpo e para o cérebro.

As Fases importantes do Sono

Fase 1

Período em que ocorre a sonolência e indução do sono. O hormônio da Melatonina é liberada;

Fase 2 

Período do sono leve. Nesta fase, diminuem os ritmos cardíacos e respiratórios. Os músculos relaxam e cai a temperatura corporal;

Fases 3 e 4 

Acontece o sono profundo. Pico de liberação do GH (hormônio do crescimento) e da leptina. Cortisol (hormônio da tristeza e do estresse) começa a ser liberado (excretado);

Sono *REM

Quando acontece o pico da atividade cerebral, nesse período ocorrem os sonhos. O relaxamento muscular atinge o máximo, voltam a aumentar as frequências cardíaca e respiratória.

Fonte: TRUCOM, Conceição. 2010 (Adaptada em 05/11/15)

* REM (Sigla em inglês para movimento rápido dos olhos).

A leptina também é secretada durante as fases 3 e 4 do sono. Indivíduos que costumam em suas rotinas permanecerem acordados até muito tarde produzem menor quantidade desse hormônio, desencadeando a fome noturna correndo o risco dos exageros nas ingestões dos alimentos.

O estresse é o estado de tensão emocional que produz um estado psicológico desagradável caracterizado por irritabilidade, distúrbio do sono e do apetite, dificuldade na concentração e preocupação exagerada com relação a situações triviais. Em geral, há queda no rendimento, com diminuição da memória e impotência sexual. Pode ser desencadeado por uma situação súbita (um assalto, por ex.) ou por situações conflitantes contínuas e seguidas.

O sono contribui para o bem-estar mental e emocional. Uma boa rotina para manter o sono a noite traz muitos benefícios e evita diversos distúrbios na questão do ganho de peso e doenças psicológicas, além de melhorar a nossa disposição, concentração, aprendizagem, humor, produtividade e sensação de bem-estar.

4. A Terapia Cognitivo Comportamental (TCC)

As linhas terapêuticas em psicologia são baseadas em abordagens teóricas e técnicas psicoterapêuticas que condizem com essas teorias. Dentre elas está a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) que é apontada como uma estratégia bastante eficaz no tratamento dos indivíduos com excesso de peso e utilizada em inúmeros transtornos e problemas de ordens psicológicas.

Observou-se que muitas pessoas que desenvolveram obesidade possuíam dificuldades interpessoais, níveis de ansiedade altos além da baixa autoestima. A TCC prioriza a reestruturação cognitiva para a obtenção de mudanças comportamentais e emocionais, ensina o indivíduo a se tornar o seu próprio terapeuta preparando-o para lidar com as situações que poderão surgir no andamento do processo para a perda de peso.

A Terapia Cognitiva Comportamental foi criada no ano de 1956 pelo médico psicoterapeuta Aaron Beck e posteriormente adaptada por pesquisadores do mundo inteiro. Conforme afirma o autor (Rangé et al., 2011):

Vários estudos demonstram que a TCC auxilia pessoas que enfrentam as mais diversas adversidades, incluindo depressão, ansiedade, transtornos alimentares, obesidade, tabagismo e comportamentos adictos. Segundo essa linha terapêutica, Parte-se do princípio que indivíduos obesos ou com sobrepeso possuem pensamentos relacionados a crenças disfuncionais acerca da alimentação e do peso.

 A condução terapêutica induz o aprendizado para o paciente de maneira que o mesmo possa fazer o reconhecimento entre o pensamento o afeto e a conduta possível ao paciente, bem como a verificação de evidencias prós e contras sobre a confiabilidade ou utilização de pensamentos automáticos e crenças nucleares  negativas que são nossas ideias e conceitos mais enraizados acerca de nós mesmo, dos outros e do mundo. Dessa forma, a condução para o ponto de partida para o emagrecimento pressupõe mudança de hábitos comportamentais, implicando o indivíduo para uma modificação de seus pensamentos disfuncionais e a necessidade de alterações cognitivas. Esta técnica tem o objetivo de ajudar o paciente a identificar, explorar e modificar seus pensamentos, suas emoções e o seu comportamento diante da demanda apresentada pelo paciente.

Esta abordagem consiste em ensinar o paciente a monitorar seus pensamentos automáticos negativos que influenciam no processo do seu aumento de peso. Ensina-o a reconhecer as conexões entre cognição, afeto e comportamento e a examinar as evidências a favor e contra seu pensamento automático distorcido. Uma das técnicas utilizada na condução terapêutica é O RPD (Registro de pensamentos disfuncionais) que é realizado onde o paciente descreve a situação em qual momento se sentiu emocionalmente mobilizado, o pensamento que se sucedeu à situação (RANGÉ, 2011).

O tratamento para a obesidade deve está baseado em quatro pontos distintos: induzir o paciente a adesão de uma reeducação alimentar, fazê-lo descobrir alguma modalidade de práticas relacionada a atividades físicas que lhes seja prazerosa e é claro, trabalhar terapeuticamente sua mudança de pensamento em relação à obesidade. O importante é estimular o paciente a ter autonomia para que gradativamente ele possa desenvolver habilidades para que o mesmo possa proceder se colocando como seu próprio terapeuta. E assim identificar os estímulos que antecedem o comportamento compulsivo na ingestão inadequada de alimentos, as estratégias dessa terapia cognitivo-comportamental são utilizadas visando à modificação de hábitos prejudiciais ao paciente.

Com uma programação adequada ao paciente obeso que sofre com dificuldades para dormir, a Psicologia poderá orientá-lo para que o seu tratamento possa vir a alcança êxito. Fazendo uma avaliação abrangente dos seus hábitos, atitudes e conhecimentos sobre o sono faz parte da psicoeducação da TCC. Fazendo uma combinação de técnicas comportamentais, cognitivas e educativas, como por exemplo: terapia de controle de estímulos, reestruturação cognitiva, restrição do sono, monitoramento diário do sono, higiene do sono, manejo de fadiga, estresse e treinamento de relaxamento.

O tratamento com a Terapia Cognitivo-Comportamental é uma das técnicas terapêuticas auxiliares para o controle de peso. Baseia-se na análise e modificação de comportamentos ou pensamentos disfuncionais associados ao estilo de vida do paciente. O objetivo é construir junto ao indivíduo que está com sobrepeso à implementação de estratégias que auxiliam no controle de peso, reforçando a motivação com relação ao tratamento e principalmente evitar a recaída e consequentemente o ganho de peso indesejado novamente. O autor Leahy (2006) afirma que:

A recaída pode ativar sentimentos de desesperança e autocrítica. Pensamentos comuns incluem: “já que isso não deu certo, talvez fosse melhor eu desistir” e “sou um fracasso”. Esta resposta crítica é especialmente provável nos transtornos de substâncias, como beber, fumar e comer compulsivamente.

Desta forma, a TCC irá trabalhar com várias técnicas de acordo com a história do paciente. Identificando as possíveis distorções cognitivas desses indivíduos, pensamento do tipo distorcido relacionado à desqualificação dos aspectos positivos conseguidos no processo da perda de peso durante e após o tratamento.

5. Considerações Finais

Por meio desta revisão, foi possível observar que a obesidade é o resultado de diversas interações, nas quais chamam a atenção os aspectos genéticos, metabólicos, ambientais, comportamentais e psicológicos. Sabemos que, são muitas as implicações que o indivíduo pode sofrer devido ao excesso de peso. Não é possível estudar o distúrbio da obesidade de forma tão somente isolada.

Portanto, torna-se fundamental a compreensão não apenas do que acontece no emocional desse indivíduo, mas também o que ocorre no organismo: uma vez que é preciso conhecê-lo como um todo e o mesmo deve ser visto e compreendido como tal. Partindo-se do pressuposto que o indivíduo é um ser que sente e se alimenta.

A Psicologia vem se empenhando através de técnicas com o objetivo de ajudar o paciente a identificar, explorar e modificar seus pensamentos, suas emoções e principalmente o seu comportamento diante da demanda apresentada pelo paciente, fazendo com que o indivíduo preste atenção nas escolhas que direcionam sua vida. Os aspectos psicológicos na obesidade são resultantes de um processo que envolve todo o contexto de vida do indivíduo, atuando sempre na relação com o alimento.

Embora a obesidade seja uma condição física e metabólica presente na história humana desde o princípio, somente nas últimas décadas houve uma atenção maior para o acúmulo exagerado de peso como um problema real de saúde pública. Entendemos que, não se trata apenas em promover uma conscientização à população em relação a esse distúrbio, mas sim, propor uma reflexão do porque do aumento desse transtorno e quais dificuldades emocionais estão envolvidas nesse processo que por muitas vezes envolvem sentimentos preenchidos pelos excessos que desencadeiam o excesso de peso desordenado ou colocam os seus problemas para serem canalizados a diversos tipos de compensações advindas de alimentos de alta complexidade calóricas.

Sobre o Autor:

Lucidalva de Souza Brito Oliva - Graduanda do Curso de Psicologia do Centro Universitário Estácio FIB da Bahia.

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