Resumo: A Neuropsicopedagogia se constitui como novo campo do conhecimento voltado a pensar e a agir sobre as dificuldades de aprendizagem. Este artigo está fundamentado em publicações da literatura bibliográfica de autores renomados que convergem para o ensino da leitura e da escrita com crianças em idade de aprendizagem escolar, sendo a escola o espaço institucional propício para ser desenvolvida uma prática Neuropsicopedagógica. Este artigo aborda a importância do Neuropsicopedagogo na instituição escolar como auxiliar na superação dos problemas de aprendizagem. O referencial teórico adotado para argumentação e confrontação dos dados obtidos é respaldado nas idéias de vários autores onde se enfatiza as contribuições e as limitações ainda existentes na práxis Neuropsicopedagógica. Não existe aprendizagem que não passe pelo cérebro, compreendendo a ciência a neurociência e a neuroaprendizagem; conhecer o funcionamento do Cérebro e do Sistema Nervoso é fundamental para entender o processo da aprendizagem. A plasticidade neural é maior nas regiões cerebrais encarregadas da aprendizagem e as áreas do córtex cerebral são simultaneamente ativadas durante esse processo; fatores importantes que devem ser conhecidos pelos profissionais da educação. Os professores terão mais sucesso na arte de ensinar estudando como o cérebro aprende.

Palavras-chave: Neuroaprendizagem, Dificuldades de Aprendizagem, Aprendizagem significativa, Córtex Cerebral.

1. Introdução

A Neuropsicopedagogia é um campo do conhecimento que interage de modo coerente com outros conhecimentos e princípios de diferentes partes das Ciências Humanas: Psicológicas, Pedagógicas, Sociológicas, Antropológicas, entre outras, desconstruindo o fracasso escolar, entendendo o erro apresentado pelo indivíduo no processo de construção do seu conhecimento, da aprendizagem significativa e suas interações como fator importante no desenvolvimento das habilidades cognitivas.

Desta forma, o profissional da Neuropsicopedagogia assume papel de importância na abordagem e solução do problema da dificuldade de aprendizagem na fase de alfabetização. Como aprender a ler é para a criança enfrentar novos desafios em relação ao conhecimento linguístico, esta tarefa se torna complexa exigindo um trabalho de equipe multidisciplinar cujo objetivo é identificar quais as causa das dificuldades de aprendizagem onde a etiologia da problemática pode ser fundamentada nos vários tipos de transtornos biopsico e sociofamiliar.

As dificuldades existentes neste processo são esperadas, pois a relação do sucesso na aprendizagem da leitura e das habilidades intelectuais deve ser considerada. Crianças que apresentam grandes habilidades intelectuais, com certeza terão maiores facilidades para aprender a ler e escrever, ao compararmos com as que têm menores habilidades.

Outro fator a ser considerado é a aprendizagem significativa onde os novos conhecimentos que se adquirem relacionam-se com o conhecimento prévio que o aluno possui, cabe ressaltar que este é um processo dinâmico em que o novo conceito formado passa a ser um novo conhecimento que pode servir de futuro ancoradouro para novas aprendizagens (AUSUBEL et al., 1980; MOREIRA, 1999a, 1999b).

O conhecimento pré-existente na estrutura cognitiva do aluno, Ausubel denominou subsunçor, ou seja, subsunçor é todo o conhecimento prévio do aprendiz que pode servir de ancoragem para uma nova informação relevante para o mesmo; desse modo, existindo uma relação substantiva entre os dois temos a aprendizagem significativa, sem dúvida alguma, um procedimento pedagógico eficaz a ser utilizado em educação. Alguns educadores defendem que os alunos devem aprender significativamente.

O conhecimento de linguagem oral que a criança já trás consigo é extremamente importante para seu aprendizado. Pesquisas bibliográficas mostram que este conhecimento deve ser aproveitado pelo educador como forma de interação verbal. O aprendizado deve acontecer nos três espaços da criança: Escola, família e sociedade.

Muitas vezes, se supõe, que os problemas socioeconômicos da atualidade e a desestrutura familiar (separação/divórcio) impede a presença ativa dos pais na escola aumentando assim o índice de indisciplina, dificuldades educacionais e, consequentemente a isso, a evasão escolar, problemas que poderiam ser amenizados se a família interagisse mais na vida escolar dos filhos.

Comete-se um erro grave quando se pensa que a aprendizagem começa na idade escolar; a verdade é que antes de entrar na escola a criança já desenvolve hipóteses e tem certo conhecimento sobre o mundo, apresentando assim um conteúdo significativo no contexto da aprendizagem.

Sabe-se que a influência familiar é fator determinante e decisivo na aprendizagem dos alunos. Pais ausentes, que nunca se interessam pelo dia-a-dia dos filhos, tanto no âmbito escolar como sociofamiliar, expõe estas crianças a conviverem com sentimentos de desvalorização e carência afetiva, gerando desconfiança, insegurança, improdutividade e desinteresse, e consequentemente deixando marcas profundas nestes alunos, que futuramente encontrarão mais dificuldades no processo pedagógico da aprendizagem escolar.

A responsabilidade que a sociedade coloca na escola vem desencadeando a inversão de valores. Muitos pais acham que a educação familiar não tem relação com a educação escolar, quando na verdade é justamente o contrário, ou seja, a educação escolar que é um complemento da educação adquirida na família.

2.  Alfabetização Com Auxílio da NeuroPsicoPedagogia

O processo da alfabetização engloba o desenvolvimento de um conjunto de competências que farão fluir o ler e escrever, obedecendo a uma sequência pré-estabelecida por um currículo de alfabetização, que direcionará o aprender a aprender (metacognição).

Segundo Vygotsky, (1988), na etapa inicial da escolarização o aluno está aprendendo a ler; a prioridade, a atenção e o esforço se concentram em quebrar, decifrar o código alfabético, entender o que significam os sinais gráficos, e que palavras querem representar, esta é a etapa do aprender a ler. Na segunda etapa o aluno já decodifica as palavras sem esforço e é capaz de lê-las com fluência, ele vai ler para aprender: aprender o significado das palavras, os conceitos transmitidos num determinado texto, descobrindo novos horizontes. O professor possui papel ativo, sendo capaz de desafiar o aluno para que este se sinta cada vez mais hábil ao realizar uma tarefa considerada difícil.

Os educadores detêm o conhecimento, sendo preciso usar diferentes estratégias (metodologias) para alcançar os objetivos propostos, pois os educandos ao serem alfabetizados se diferenciam no que se refere ao tempo e espaço.

2.1 O quê Fazer com Alunos que Parecem não Aprender?

Autores renomados ensinam que vários aspectos merecem ser considerados, mas um deles é fundamental: essas crianças precisam de acompanhamento diferenciado e próximo. Mesmo que contem com a ajuda dos colegas nas propostas em duplas, é indispensável a intervenção direta e constante do professor. O apoio será importante, em certos momentos, para incentivá-los a continuar manifestando suas ideias. A relação que se estabelece com a criança e com o que ela produz é fundamental para que ela se sinta capaz de aprender. Em outros momentos, porém, cabem intervenções mais explícitas para que fiquem atentas às características do sistema de escrita.

A escola como modo de socialização específico e como lugar onde se estabelecem as formas específicas de relações sociais; ao mesmo tempo que transmite os saberes, os conhecimentos, está fundamentalmente ligada as formas de exercício do poder. Isto não é somente verdade da escola: todo modo de socialização, toda forma de relação social implica ao mesmo tempo na apropriação de saberes (constituídos ou não como tais como saberes objectivados, explícitos, sistematizados, codificados) e a aprendizagem de relações de poder. (Vincent, 1994, p.14)
Ainda segundo Gimeno Sacristán (2000, p.211), (...) um método se caracteriza pelas tarefas dominantes que propõe a professores e alunos. Um modelo de ensino, quando se realiza dentro de um sistema educativo se concretiza numa gama particular de tarefas que tem um significado determinado. Uma jornada escolar ou qualquer período de horário diário é uma concatenação singular de tarefas dos alunos e do professor.

Por essa óptica, afirma o autor, o número, a variedade e a sequência de tarefas, bem como as peculiaridades na sua aplicação e no sentido que elas assumem para professores e alunos, junto com sua coerência dentro da filosofia educativa adaptada, definem a singularidade metodológica que se pratica em classe.

2.2 Jogos Educativos

Por que utilizar jogos educativos no processo ensino aprendizagem?  Piaget e Vygotsky são unânimes em suas teorias sobre a importância da utilização dos jogos no processo de ensino aprendizagem.

Para Piaget ( 1978, p. 370 ) os jogos tem dupla função:

  • Consolidam as estruturas já formadas (aprendizagens significativa)
  • Dão prazer e/ou equilíbrio emocional à criança. Ele classifica os jogos em várias fases de acordo com as estruturas mentais. As crianças do Ensino Fundamental I (6 a 10 anos) se encontram nas fases pré-operatório e operatório concreto, tornando-se imprescindível o contato com o objeto de aprendizagem o que é favorecido através da utilização de jogos.

Vygotsky (2001, p. 59-83 e p. 119-142), realça a influencia do lúdico no desenvolvimento infantil, por meio deles as crianças aprendem a agir, tem a curiosidade estimulada e adquirem iniciativa e autoconfiança, proporcionando o desenvolvimento da linguagem, do pensamento e da concentração.

O processo de compreensão da natureza alfabética do sistema de escrita desenvolve nas crianças mecanismos de leitura e de escrita de palavras. Apesar de muitas delas aprenderem esses mecanismos com relativa facilidade, o desenvolvimento das habilidades relacionadas à leitura e à escrita de palavras leva tempo e requer treino por parte das crianças. Para isso, um conjunto de atividades de leitura e escrita de palavras e frases deve fazer parte do planejamento pedagógico das professoras desde o primeiro ano do Ensino Fundamental.

3. A Contribuição dos Pais na Aprendizagem de Alunos que Apresentaram Baixo Rendimento Escolar

Sabendo que as dificuldades de aprendizagem e de comportamento vêm crescendo assustadoramente nas escolas, muitos pesquisadores têm direcionado as suas pesquisas para este tema, enfocando a importância da família na aprendizagem escolar. Os resultados obtidos deixam claro que a família tem uma influência muito grande no desempenho escolar dos filhos, podendo intervir no sentido de motivar os alunos para frequentarem a escola, bem como auxiliá-los no desenvolvimento de suas competências e habilidades, através de um relacionamento amigável com os colegas e professores.

Segundo vários autores, os pais precisam estar envolvidos com os filhos e com a escola, tendo conhecimento das dificuldades de aprendizagem enfrentadas pelas crianças para poder ajudá-las visando um desenvolvimento global, onde esteja incluída e educação escolar, a social e a formação intelectual do aluno. FUNAYAMA (2005, p. 27-28) nos diz que existem pais que infantilizam a criança e o problema, não se preocupando com as dificuldades dos filhos.

SMITH; STRICK (2001, p. 17) nos dizem ser extremamente importante que o pai de crianças com dificuldades de aprendizagem se alie a escola, para que possam trabalhar um plano de desenvolvimento apropriado, voltado para estes alunos, no intuito de garantir as necessidades educacionais de seus filhos. Acreditando que com o passar dos anos o problema se resolverá automaticamente, esses pais só procuram ajuda especializada quando a situação se agrava e o nível de conhecimento e aprendizagem se apresentam muito abaixo do esperado, podendo ser obrigados a repetir o ano letivo. Os pais precisam se conscientizar, que se a criança tem dificuldades para realizar suas tarefas, precisando da ajuda ou da confirmação de outras pessoas, e se junto a isso apresentar algum problema de relacionamento com os colegas, é necessário que procurem ajuda, para que sejam analisados os motivos que levam a este comportamento e assim evitar futuros problemas educacionais dos filhos.

Os filhos só seguirão as regras se entenderem o motivo delas. Do mesmo modo, só respeitarão os limites que conhecerem. Caso contrário, farão tudo a seu modo. Por meio de regras claras e bem estabelecidas em casa, o filho saberá exatamente qual é a forma correta de falar, de pensar, de raciocinar e de agir em cada caso, isso dará a ele segurança e tranquilidade. Ter limites bem definidos fará com que ele saiba até que ponto pode ir, e isso lhe trará responsabilidade e caráter.

As autoras SMITH; STRICK (2001, p. 36) ainda nos dizem que as crianças com dificuldades de aprendizagem, podem ser brilhantes, criativas e talentosas em outras áreas, mas em nossa sociedade, onde se valoriza muito o desempenho escolar, estas crianças sentem-se fracassadas, principalmente se comparando com as crianças que apresentam um melhor desenvolvimento cognitivo, criando assim um bloqueio cada vez mais acentuado no seu processo de aprendizagem. Paralelo à sociedade, que busca cada vez mais o êxito profissional e a competência a qualquer custo, a escola também segue esta concepção. Aqueles que não conseguem responder às exigências da instituição podem sofrer com um problema de aprendizagem. A busca incansável e imediata pela perfeição leva à rotulação daqueles que não se encaixam nos parâmetros impostos.

Para evitar que o aprendizado escolar se torne um paradoxo, os pais têm a responsabilidade e o dever de traçar as regras e os limites, em casa, no intuito de que seus filhos aprendam o respeito e cresçam conhecendo valores éticos e morais. Assim, é preciso entender: há uma grande diferença entre criança “ativa” e criança “mal-educada”. Crianças precisam ter vivacidade, devem brincar, perguntar e até mesmo fazer bagunça. O problema surge quando essas atitudes passam dos limites, quando o filho não respeita aquilo que os pais consideram o mais correto para ele. Os pais têm o dever de educar os filhos. Isso significa, inicialmente, impor as regras essenciais ao seu bom convívio em casa e, em seguida, na sociedade como um todo. Estabelecer horários e agir de modo que deixe claro para as crianças a existência de autoridade e de limites dentro de casa, ajuda a desenvolver elementos fundamentais na formação do caráter.

TIBA, (2002, p.183) nos diz que se houver uma parceria entre família e escola, se as duas partes falarem a mesma linguagem e apresentarem valores semelhantes a criança aprenderá sem grandes conflitos. È importante ressaltar que o papel que a família representa na educação da criança é fator primordial na formação da auto-estima, e conseqüentemente na aprendizagem do educando, oportunizando-lhes o crescimento como sujeitos capazes de auxiliar na construção de uma sociedade livre e democrática. Quando a família não demonstra interesse nos filhos e na sua vida escolar, a criança não consegue progredir nos estudos, portanto, as crianças aprendem a comportar-se em sociedade ao conviver com outras pessoas, principalmente com os próprios pais. A maioria dos comportamentos infantis é aprendida por meio de imitação, da experimentação e da invenção.

A criança precisa receber regras claras e objetivas, que premiam a boa conduta e disciplinam a má, sem gritos nem agressões, apenas fazendo com que as regras sejam respeitadas. Existe uma diferença entre castigo e disciplina. Castigo é punição, agressão, enquanto disciplina é ensino. Educar é transmitir vida. Fazer ameaças às crianças também não resolve, pois nem sempre os pais as cumprem, o que acaba ocasionando perda de autoridade. Assumir a autoridade não tem nada a ver com gritos ou uso de violência. Não é esse o caminho para educar. É preciso ser firme no momento de mostrar os limites às crianças, mas também ser amoroso na hora certa para que elas saibam que as regras lhe estão sendo impostas porque você as ama.

4. Neurociência: Compreendendo o Funcionamento do Sistema Nervoso

A Neurociência busca compreender o funcionamento do sistema nervoso, integrando suas diversas funções (movimento, sensação, emoção, pensamento, entre outras). Sabe-se que o sistema nervoso é plástico, ou seja, é capaz de se modificar sob a ação de estímulos ambientais. Esse processo, denominado de plasticidade do sistema nervoso, ocorre graças à formação de novos circuitos neurais, à reconfiguração da árvore dendrítica e à alteração na atividade sináptica de um determinado circuito ou grupo de neurônios. É essa característica de constante transformação do sistema nervoso que nos permite adquirir novas habilidades psicomotriciais, cognitivas e emocionais, e aperfeiçoar as já existentes.

O Sistema Nervoso Central é constituído pelo encéfalo e pela medula espinhal, tem um papel fundamental no controle dos sistemas do corpo. As principais partes do encéfalo são: cérebro, tálamo, hipotálamo, mesencéfalo, ponte, cerebelo e a medula oblonga. O cérebro é o centro de controle do sistema nervoso, é a parte mais desenvolvida e a mais volumosa do encéfalo, ele recebe aproximadamente 20% de todo o sangue que é bombeado pelo coração. Apresenta duas substâncias diferentes: uma branca que ocupa o centro e outra cinzenta, que forma o córtex cerebral. O córtex cerebral está dividido em mais de 40 áreas funcionalmente distintas, sendo que cada uma delas controla uma atividade específica. O cérebro se divide em duas metades, o hemisfério esquerdo e o hemisfério direito. O lobo frontal é o responsável pela cognição, o aprendizado.

Segundo a Psicopedagoga Maria Irene Maluf em entrevista a Direcional Educador: "O estudo das neurociências deveria ser aplicado nos cursos de especialização de professores". Defende que "não existe aprendizagem que não passe pelo cérebro, a ciência a neurociência e a neuroaprendizagem, através de neuroimagens, são elementos importantes para evitar o fracasso escolar". Afirma que conhecer o funcionamento do cérebro e do Sistema Nervoso é fundamental para entender o processo da aprendizagem.

Maluf, (2005), destaca a necessidade de ajustes às características etárias especificas dos alunos para atingir o sucesso escolar. A plasticidade neural é maior nas regiões cerebrais encarregadas da aprendizagem e as áreas do córtex cerebral são simultaneamente ativadas durante a aprendizagem, fatores importantes que devem ser conhecido pelos profissionais da educação. Os professores terão mais sucesso na arte de ensinar estudando como o cérebro aprende e utilizando estes conhecimentos na educação (grifos da autora).

Maluf, (2005), defende que o sucesso escolar depende do apoio familiar como sustentáculo biológico, social e emocional da criança. O apoio aos professores e à escola é indispensável para ajudar no desenvolvimento da capacidade de aprender e alcançar a condição de autonomia, objetivo maior da educação.

Conhecer o funcionamento cerebral é fundamental para compreender como se dá a aprendizagem de todas as pessoas, em todas as idades e situações, especialmente na escola, frente à educação formal. Mas é importante ressaltar que como a Neurociência cognitiva objetiva estudar e estabelecer relações entre cérebro e cognição principalmente em áreas relevantes para a educação, o diagnóstico precoce de transtornos de aprendizagem está entre as prioridades da Neuroaprendizagem, o que revelará também melhores métodos pedagógicos de desenvolver a aquisição de informações e conhecimentos em crianças com transtornos e dificuldades do aprender, assim como a identificação de seus estilos individuais de aprendizagem no contexto escolar. Isso tudo deve-se primordialmente às descobertas neurocientíficas em torno  de como se desenvolvem a  atenção, a memória, a linguagem, a emoção e cognição, o que traz valiosas contribuições para se alcançar a educação. (MALUF, 2005).

Diante desse complexo sistema neural é que a estrutura pedagógica escolar deve  apresentar seu conteúdo programático, sua dinâmica de grupo com a classe e sua dinâmica individual com alunos que apresentam diversidade cognitiva à maioria dos alunos. A didática deve ser direcionada e seletiva procurando compreender se a dificuldade de aprendizagem tem alguma ligação com o ambiente sociofamiliar ou trata-se de um fator de distúrbio neurológico.

5. Considerações Finais

Considerando a teoria e a dinâmica pedagógica apresentada pelas obras literárias dos autores consultados, cresce a necessidade de reconhecer a importância e incorporar o conhecimento do funcionamento do sistema nervoso e seu desenvolvimento, na prática pedagógica do educador. Analisar a utilização dos recursos Neurocientíficos da Neuropsicopedagogia como fator de identificação das dificuldades na aprendizagem escolar, verificando junto aos professores e coordenadores a estruturação pedagógica, material e metodológica, respeitando o desenvolvimento e as diferenças cognitivas dos alunos.

Nessa perspectiva, as experiências, saberes e conhecimentos construídos na educação infantil, supõe-se, sobretudo, servir de parâmetro para as práticas e as intervenções pedagógicas que se pretende construir no novo Ensino Fundamental. Uma questão a ser considerada refere-se ao respeito a essa criança e a seu tempo de vida. Segundo os autores consultados, a escolarização obrigatória não pode dar excessiva centralidade aos conteúdos pedagógicos em detrimento do sujeito e de suas formas de socialização. Essa proposição ganha especial destaque, principalmente se considerarmos as características das sociedades contemporâneas onde a aprendizagem significativa (subsunçores) propicia maior desenvolvimento cognitivo.

Por outro lado, não podemos perder de vista o direito desse segmento da população ao conhecimento, em particular, o direito de acesso à linguagem escrita. A criança é um sujeito que interage com outros grupos sociais e com suas produções simbólicas, e a linguagem escrita é uma dessas produções com as quais as crianças têm, desde muito pequenas, uma familiaridade e uma curiosidade para conhecer e dela se apropriar.

Entretanto, as famílias e os profissionais da educação sabem que assegurar o aprendizado da leitura e da escrita tem sido um dos maiores desafios para a escola, principalmente considerando que a educação integral deve acontecer nos três espaços da criança: escola, família e sociedade.

Sobre o Autor:

José Roberto Teruel - Assistente Social, psicopedagogo, Neuropsicopedagogo, Pós-graduado em Dependência Química & Saúde Mental e Justiça Restaurativa.

Referências:

AUSUBEL, David. Aprendizagem Significativa, ed. Moraes, 1982; São Paulo/SP.

FUNAYAMA, Carolina Araújo Rodrigues. Problemas de Aprendizagem: Enfoque Multidisciplinar. Campinas, SP: Editora Alínea, 122 p. 2ª edição. 2005.

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