Resumo: Este artigo foi escrito com o objetivo de contribuir com a discussão sobre a perversão na teoria psicanalítica, propondo a adoção do conceito de “posição perversa”, separando assim o conceito de perversões de normas de caráter biológico ou estruturais. A partir do conceito kleiniano de posição se propõe a “posição perversa” como conjunto de defesas do ego, sempre incluso a denegação, contra a ansiedade causada pela inveja.

Palavras-chave: Perversão, Parafilia, Norma, Libido, Pedofilia, Masoquismo, Voyerismo, Estrutura perversa, Posição perversa.

1. Introdução

Até que ponto a sexualidade humana, em toda a sua amplitude, deve ou não ser considerada perversão. No inicio do seculo XIX a homossexualidade era considerada uma forma de perversão, o que o fez sair dessa lista? O que torna a necrofilia uma perversão? Como permitir a satisfação da libido sem esbarrar no perverso? É importante que o leitor esteja familiarizado com alguns conceitos em psicanálise, como complexo de Édipo (FREUD, 1924), castração, inconsciente psicanalítico, recalque, ensaios sobre a sexualidade (FREUD, 1905) e fases libidinais em Freud.

Antes de iniciarmos nossos estudos sobre Libido e Perversão, nos cabe, primeiro, conceituá-los de forma etimológica: LIBIDO: - Freud mencionou o termo libido pela primeira (FREUD, 1894), como sendo "... a tensão sexual física aumenta a certo nível e desperta a libido psíquica". Aqui a libido é tomada enquanto quantidade, podendo ser suficiente ou insuficiente, entretanto, ela já é claramente definida como psíquica. Novamente o termo Libido volta a ser usado [01] (FREUD, 1905) como "força quantitativamente variável que poderia servir de medida do processo e das transformações que ocorrem no campo da excitação sexual" [02] (FREUD, 1920). NORMA: - É o termo utilizado por Freud, no inicio século XIX e, em suas descobertas psicanalíticas, para designar o sexo entre pênis-vagina. Nessa época a cultura implicava a manutenção e longevidade da família. Por isso o sexo pênis-vagina era um ato considerado de pessoas normais.

A partir desse ponto vamos traçar um panorama sobre o tema antes de colocarmos nossa tese principal.

Perversão [03]

Freud denomina que toda criança é perversa polimorfa, ou seja, obtém prazer de outras formas que não sejam através da norma. Assim, para Freud [04], tudo que se relacionasse com o prazer libidinal, porém sem obter tal prazer a partir do contato pênis com vagina, seria considerada perversão, ou seja, de forma sintética, perversão era considerado como “desvio sexual”, “aberração” e “inversão sexual”, cuja causa estaria em uma fixação infantil em um estágio prégenital da organização libidinal, que impede as diversas correntes da sexualidade de se organizarem sob o eixo ordenador da genitalidade. Mais tarde, com o desvendamento da lógica do fetichismo, a recusa ao Complexo de Édipo articula-se à consequente dissociação (Spaltung) do ego, esclarecendo a atitude ambígua do sujeito da perversão diante da realidade da castração. 

Um bebê, cujo mundo é composto por objetos bons e maus (KLEIN, 1997) que, se em determinado estágio onde o bebê passa a perceber o objeto bom e mau como único, o mesmo estaria no que Melanie Klein chamou de “posição depressiva”, onde aparecerão os sentimentos de culpa por odiar o objeto e ao mesmo tempo de reparação por tentar “consertar” o objeto que, além de ser mau, é bom.
Para se satisfazer o bebê ou a criança pode se utilizar de objetos transicionais, o que para Winnicott era uma forma de perversão. O uso de objetos transicionais, sendo uma phantasia, poderia evoluir para um fetiche. Dentre vários conceitos definidos por Robert Stoller [05], Joyce McDougall [06], Janine Chasseguet-Smirgel [07], Masud Khan [08], Meltzer [09] e outros, sabemos que a perversão é a negação à castração, ou seja, a negação de algo que está lá, mas o sujeito nega-se a vê-lo.

Parafilia

É o termo utilizado para um padrão de comportamento sexual onde o foco do prazer está não na copula ou ato sexual em si, mas nas preliminares ou jogos sexuais. Também é considerado parafilia os desvios no objeto do desejo sexual e não somente no ato sexual.

Dentre as parafilias podemos citar alguns exemplos como, exibicionismo (exposição dos genitais), fetichismo (uso de objetos inanimados), frotteurismo (tocar e esfregar-se em uma pessoa sem o seu consentimento), pedofilia (foco em crianças pré-púberes), masoquismo sexual (ser humilhado ou sofrer), sadismo sexual (infligir humilhação ou sofrimento), fetichismo transvéstico (vestir-se com roupas do sexo oposto), voyeurismo (observar atividades sexuais), zoofilia (ato sexual com animais); necrofilia (cadáveres); escatologia telefônica (telefonemas obscenos); parcialismo (foco exclusivo em uma parte do corpo); coprofilia ou excrementofília (obtenção de prazer durante a evacuação das fezes ou com a sua manipulação); clismafília (prazer obtido com a aplicação de líquidos dentro do reto, através do ânus ou introdução de objetos estranhos); urofilia (prazer e excitação sexual obtido com o contato pelo corpo ou ingestão de urina); cunilíngua (ato de praticar sexo oral aplicando a língua na vúlva e/ou clitóris); felaçcoão (sexo oral feito no genital masculino); anilíngua ou anilingus (significa literalmente o intercurso da língua de alguém com o ânus de outrem); dendrofília (relação sexual com plantas ou frutas); acrotomofilia (preferência sexual por pessoas que tenham alguma parte de seus corpos amputada); erotofonofilia (a excitação ocorre com a possibilidade de matar o companheiro, coincidindo essa morte com o próprio orgasmo); gerontofília (atração sexual por pessoas idosas).

Em determinadas situações o comportamento parafílico pode ser considerado uma perversão ou anormalidade do individuo. Nesses casos vemos a pulsão sexual se voltando para objetos e necessidades sexuais diferentes da, socialmente aceita, norma.

A homossexualidade passou a ser uma orientação sexual mesmo que não estando no padrão sexual determinado pela norma (sexo pênis-vagina) desde 1973 pela Associação Americana de Psiquiatria. Assim se veem como orientação sexual, a bissexualidade, a heterossexualidade e a assexualidade.

Fetichismo

O fetiche se dá, de acordo com Freud (FREUD, 1927, p.155), pela não aceitação da falta de pênis na mulher (especificamente a mãe) quando da diferença anatômica dos sexos pela criança que posteriormente é perdido. O menino se recusa a tomar conhecimento do fato de ter percebido que a mulher não tem pênis, pois se há uma castração ele mesmo sofreria perigo de ser castrado, logo, devido ao medo de sua castração com base nas mulheres o menino se defende com o fetiche, que é um substituto do pênis da mulher perdido (FREUD, 1927, p.155). A pulsão sexual, neste contexto se volta para um objeto ou parte do corpo de uma mulher.

O fetichismo pode estar ligado à perversão, pois a fantasia da mulher com pênis simboliza dentro deste contexto a negação à castração; ainda neste exemplo, o travesti representa esta fantasia de negação à castração. Através de um deslocamento, o desejo pelo pênis passa para alguma outra parte do corpo do ser, ganhando este um contexto libidinal. Exemplo: O homem que possui satisfação sexual pelo pé da mulher. Este obtém seu prazer libidinal à partir deste contato com esta parte do corpo, que passa a simbolizar o pênis imaginário da mulher. Assim, o lugar onde este pênis imaginário foi parar (pé, mão, cabelo, etc.), entende-se por fetiche.

Sadismo e masoquismo

Na teoria de Freud, o masoquista articula a posição do sujeito entre a castração (FREUD, 1905), a sexualidade e o gozo (FREUD, 1900). Sua satisfação é de ordem pulsional e não homogênea. Pela falta que os individuo sente de si mesmo, se coloca na posição de objeto para com o outro (FREUD, 1901). Freud entende o masoquismo como a pulsão de morte que volta para si mesmo se misturando a libido e direcionada para o individuo.

O masoquismo no indivíduo abriga atitudes passivas na vida erótica e usa o corpo como objeto passivo de obtenção de prazer. Freud aponta a castração e o sentimento de culpa como responsáveis pelo direcionamento da pulsão sexual em sentir dor ou humilhação.

Freud também afirma que no caso dos masoquistas (e também dos sádicos) a zona erógena é a pele, e que o masoquista busca o retorno dessa pulsão, daí a necessidade do outro na relação, que funcionará como suporte ou apoio dessa relação. Enquanto o sadismo representa a parte ativa desta pulsão, o masoquismo corresponderia a parte passiva.

O sádico busca obter prazer, direcionando sua pulsão sexual, para a dor ou humilhação do outro. Com isso, o sádico busca também o controle e subjugação do outro. Assim como no masoquismo, o sadismo contém dentro de sua pulsão sexual a pulsão de morte (FREUD, 1915), neste caso ligada a libido porem direcionada para o exterior do indivíduo.

Freud distingue três tipos de masoquismos (FREUD, 1923): o erógeno (descrito acima), o feminino (FREUD, 1919) e o moral (que é a base do sentimento de culpa). Como nem o sadismo, nem o masoquismo estão a serviço da reprodução, são inclusos na categoria da perversão e são os termos mais eloquentes da erotização da pulsão de morte.

Exibicionismo e Voyerismo

Nessas duas classificações parafílicas, segundo as mesmas estruturas dos masoquistas e sádicos, o olho, ao contrário da pele, assume a area erógena como componente da pulsão sexual.

Pedofilia

Dentre os tipos de perversão encontramos uma das mais polêmicas características de desvio, é a pedofilia.

“A pedofilia faz parte de um grupo de preferências sexuais chamado Cronofilia, junto a Nepiofilia, Hebefilia Efebolfilia, Teleiofilia e Gerontofilia. Se caracteriza pela atração sexual de um individuo adulto por uma criança ou adolescente, ou pela atração de um adolescente para uma criança pré-pubere; porem a determinação e acusação de um pedófilo se dá especificamente pela cultura e leis onde ele está inserido. Por exemplo, alguns países permitem o relacionamento a partir de uma idade mínima (12 anos em Angola, Filipinas e México, 13 na Espanha e Japão, 14 no Brasil, Portugal, Itália, Alemanha, Áustria e China, 15 na França, Suécia, Dinamarca e Grécia, 16 em Noruega, Reino Unido e Holanda)” (MOREIRA, 2010).

“A criança tida como objeto de desejo do adulto representa uma fantasia sexual de origem edípica, onde a pulsão de domínio desempenhava um papel preponderante na organização pré-genital” (HISGAIL, 2007). A criança nessa fase fantasia ser coadjuvante na relação sexual dos pais, desta forma conceitos como incesto, limites e busca por dominação acabam sendo recalcados ao inconsciente. Uma fixação à fase pré-genital é observada. Por isso esses impulsos inconscientes retornam na adolescência ou na idade adulta. Há casos em que o indivíduo pedófilo não se julga em condições de manter relacionamentos sexuais com pessoas adultas, por medo gerado pela fixação pré-genital. No jogo da pedofilia, o pedófilo sente um prazer no poder e na subjulgação do menor, e isso justifica o ato em si.

O abuso prolongado de uma criança acarreta na perda brutal de sua auto-estima, podem perder a capacidade de manter relacionamentos harmônicos, se voltarem para a prostituição ou se tornarem pedófilas. Há estudos recentes que mostram que não é um padrão que crianças abusadas se tornem, necessariamente,  pedófilas também.

Estima-se que há dois grupos de pedófilos, os estruturados, fixados ou preferenciais que atuam sempre com crianças. E os pedófilos abusadores, oportunos, regressivos ou situacionais que agem dependendo do ambiente e as condições em geral; esse grupo possui família e tem preferência sexual por adultos porém em períodos de estress acaba cometendo tal ato com menores da própria família. Não possuem várias vitimas como no grupo anterior.

Há correntes de ativismo pró-pedofilia, onde seus crentes exigem a redução da idade legal para caracterização de pedofilia a pedem a aceitação da pedofilia como uma orientação sexual e não mais como um distúrbio psicológico. Particularmente eu penso que se a criança não tem sua psiquê preparada para o ato sexual e não possui mecanismos psíquicos e físicos para decider se quer ou não participar de tal ato, o mesmo se constitui em um abuso, independente de ser pedófilo ou não.

Posição perversa

Infelizmente, esses modelos sempre retornam para uma lógica biológica-social que acabam eclipsando a escuta clínica. Esses modelos carecem de uma independência, quer seja do modelo grego platônico-aristotélico onde a liberdade do homem é vivida como tragédia, quer seja do modelo romano, onde é a lei o que torna o homem um cidadão, um sujeito e ficamos em um pêndulo biológico-estruturalista.

M. Klein em seu artigo “Contribuições ao conceito maníaco depressivo” introduz em psicanálise de uma forma mais contundente o conceito de posição, que pode ser definido como as defesas que o ego utiliza frente a uma angústia definida. Ao longo de seu trabalho ficaram definidas duas posições clássicas – a esquizo-paranoide e a depressiva. Na posição esquizo-paranoide a angústia é a persecutória e na depressiva a perda do objeto bom.

Ao longo do desenvolvimento da psicanálise outras angústias foram pontuadas, como a angústia do vazio, o medo do colapso, dos estados mentais insuportáveis entre outros. Novas propostas também sugiram no que tange às posições como a posição narcisista proposta por David Zimerman (ZIMERMAN, 2004).

Propõe aqui a utilização da posição perversa como uma das possibilidades do ego frente à angústia causada na presença da inveja, e seus desdobramentos. Nesse sentido propomos o uso do termo angústia narcísica para definir tal angústia. Ela deve ser entendida como a angústia do ego frente a presença de sua dependência em relação ao Outro. Não se trata, portanto de uma angústia de aniquilamento, persecutória ou de perda de objetos, e possui um caráter específico. 

Quanto às defesas do ego utilizadas pode-se citar a denegação (Verleugnung) como característica principal dessa posição. A relação com a realidade pode ser mais ou menos comprometida no que tange ao uso da onipotência, da cisão e da idealização. O objeto da denegação sempre é a falta e seus representantes instintuais, como o seio nos casos mais agudos e os pênis (falo) nos casos menos agudos. O caso da denegação do seio por enquanto é teórica e dependeria ainda de investigações futuras. No caso da denegação do falo essa é bem conhecida  na literatura psicanalítica, sendo o fetichismo um dos casos mais bem trabalhados por esse conceito.

Seguindo a trilha teórica da denegação do seio, talvez se consiga entender que a denegação da alteridade do Outro como elementos pertencente a perversão (ESCLAPES, 2013) seja um caso desses. Negando a subjetividade do Outro e sua alteridade, este pode ser reduzido ao estatuto de um objeto e a partir daí a dependência do ego em relação a ele ser negada.

É importante aqui fazer uma distinção entre o que se chama de posição perversa e a perversão como um estado sexual da mente (MELTZER, 1979), ainda que os termos guardem similaridade. O ponto principal é o uso mesmo do conceito de posição e na centralidade da angústia. Agora, o maior ponto de divergência é que em Meltzer a diversidade sexual continua sendo trabalhada como um ponto fora da norma como algo que continua imaturo:

“Antes de terminarmos esse capítulo, é preciso dizer uma palavra sobre a antiga terminologia descritiva. Das muitas palavras usadas, somente ‘sádico’ e ‘masoquista’ encontram um lugar na classificação dos estados da mente. O resto, homossexual, heterossexual, travesti, felácio, fetichismo, lesbianismo, etc. deve ser considerado como puramente descritivo de atos sexuais. Nosso índice de termos metapsicológicos restringir-se-ia  aos seguinte: ativo-passivo, masculino-feminino, delineações de zona, bom-mau, dentro-fora, externo-interno, sádico-masoquista, neurótico-psicótico, adulto-infantil. Por exemplo, o estado mental subjacente a um ato descritivamente homossexual em um homem poderia ser visto como: passivo feminino vaginal infantil. Assim, seria um ato de polimorfismo infantil imaturo ...”(MELTZER, 1979)

Relação entre as posições Esquizo-Paranoide, Depressiva e Perversa

Sendo a posição perversa uma defesa contra a inveja possui características próprias em na sua relação com as demais posições, em função de algumas características, a saber:

  1. Preponderância da inveja o que dificulta a percepção do valor do Outro;
  2. Horror à dependência, que tem impacto na transferência no tratamento, sendo elemento constitutivo da reação terapêutica negativa (ROSENFELD, 1988).
  3. Na posição perversa não existe um superego, mas tão somente o ideal do ego, não existindo, portanto,  a culpa, mas um sentimento de não conseguir ter atingido seus objetivos narcísicos. Essa angústia é radicalmente diferente da culpa que tem sua relação com a destrutividade em relação ao Outro. Quando esse ideal é espelhado pelo Outro é possível alguma conexão, mas esta se dá sempre a partir do narcisismo.
  4. Incapacidade ou grande dificuldade de acesso à gratidão. O Outro sempre continua devendo algo à esse sujeito, nunca lhe é o suficiente, de forma que não necessita em nenhum ponto a gratidão ou consideração.
  5. Suas qualidades são sempre superiores aos Outros, de forma a negar a dependência e o valor do Outro.
  6. Suas necessidades e desejos sempre estão acima do Outro, tendo em vista o caráter narcísico da posição, e o Outro é um objeto para se atingir a satisfação.

Outros elementos poderiam ser elencados, mas o importante é frisar que essa a posição perversa faz fronteira com a posição esquizo-paranoide, mas jamais com a posição depressiva, tendo em vista a preponderância da inveja, da voracidade, da ausência de gratidão e de culpa. Um risco em alguns casos é a regressão de uma eventual posição depressiva para a esquizo-paranoide e desta para a perversa, formando a partir daí um encastelamento do ego entre a esquizo e a perversa, como defesa contra a posição depressiva. Uma outra possibilidade é uma flutuação entre as três posições.  Talvez possa se dizer que a posição perversa seja uma solução para o não atravessamento da posição depressiva, sem ter que pagar os custos da posição esquizo-paranoide.

Conclusão

O conceito de perversão é um dos temas mais controversos em psicanálise e de tempos em tempos passa por uma revisão, tendo em vista sua permeabilidade com as normas sociais. Qualquer mudança nas normas sociais implica em uma mudança na sua constituição. Também é um conceito que no sentido contrário é utilizado por movimentos sociais para justificar suas práticas morais e políticas, independente do espectro político.

O conceito de “posição perversa” retira essa permeabilidade tornando o conceito de perversão mais objetivo e claro, não sujeito a leituras morais, estruturalistas ou biológicas, com consequente ganho na prática clínica.

Sendo uma das posições possíveis, um sujeito pode no mesmo dia flutuar entre as posições esquizo-paranóide, depressiva, narcisista e perversa, devendo o analista identificar as defesas do ego que estão sendo utilizadas em relação a uma angústia. Esse conceito também amplia e vem de encontro aos estudos que relacionam a inveja com a perversão, bem como suas interfaces com os narcisismos, como os de Hanna Segal, John Steiner e Donald Meltzer entre outros.

Sobre o Artigo:

Artigo apresentado na I Jornada Diversidade Sexual e Psicanálise do Instituto Sándor Ferenczi em 09/11/2013 no auditório da Livraria Martins Fontes Paulista.

Sobre os Autores:

Elson Alexandre Esclapes - É psicanalista e Diretor da Escola Paulista de Psicanálise e Coordenador do Instituo Sándor Ferenczi

Marcelo Manzano - Aluno do programa de Formação em Psicanálise da Escola Paulista de Psicanálise.

Referências:

COSTA, C. R. Outros olhares sobre a perversão - Wikipsicopato. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/psicopatologia/wiki/index.php/Outros_olhares_sobre_a_pervers%C3%A3o>. Acesso em: 24 out. 2013.

FREUD, S. Rascunho E. Rio de Janeiro: Imago, 1894. v. 1

FREUD, S. A interpretação dos sonhos. Rio de Janeiro: Imago, 1900. v. 4/5

FREUD, S. Psicopatologia da vida cotidiana. Rio de Janeiro: Imago, 1901. v. 6

FREUD, S. Os três ensaios da sexualidade. Rio de Janeiro: Imago, 1905. v. 7

FREUD, S. Os instintos e suas vicissitudes. Rio de Janeiro: Imago, 1915. v. 14

FREUD, S. Uma criança é espancada - uma contribuição ao estudo das origens das perversões sexuais. Rio de Janeiro: Imago, 1919. v. 17

FREUD, S. Além do princípio do prazer. Rio de Janeiro: Imago, 1920. v. 18

FREUD, S. O problema econômico do masoquismo. Rio de Janeiro: Imago, 1923. v. 19

FREUD, S. A dissolução do Complexo de Édipo. Rio de Janeiro: Imago, 1924.

FREUD, S. Fetichismo. Rio de Janeiro: Imago, 1927. v. 21

HISGAIL, F. Pedofilia: um estudo psicanalítico. São Paulo: Iluminuras, 2007.

KLEIN, M. The psycho-analysis of children. London: Vintage, 1997.

MELTZER, D. Estados sexuais da mente. Rio de Janeiro: Imago, 1979.

MOREIRA, A. S. Pedofilia - Aspectos Jurídicos e Sociais. São Paulo: Cronus, 2010.

PIRES, A. L. DE S. et al. Perversão - Estrutura ou montagem? Disponível em: <http://www.cbp.org.br/artigo17.htm>. Acesso em: 24 out. 2013.

ROSENFELD, H. Impasse e Interpretação: fatores terapêuticos e antiterapêuticos no tratamento psicanalítico de pacientes neuróticos, psicóticos e fronteiriços. Rio de Janeiro: Imago, 1988.

ROSSONI, S. Perversão pela escola inglesa. Disponível em: <http://www.apsicanalise.com/blog-psicanalise/141-psicanalise-e-zen-budismo>. Acesso em: 24 out. 2013.

ZIMERMAN, D. E. Manual de técnica psicanalítica: uma re-visão. Porto Alegre: Artmed, 2004.