1. Introdução

O termo família pode ser pensando a partir de diversos aspectos: como unidade doméstica, garantindo as condições materiais necessárias à sobrevivência, como instituição, referência e local de segurança, como formador, divulgador e contestador de um amplo conjunto de valores, imagens e representações, como um conjunto de laços de parentesco, como um grupo de afinidade, com variados graus de convivência e proximidade e de várias outras formas. Há uma pluralidade de formas e sentidos para a palavra família, construída com o aporte das Ciências Sociais e podendo ser pensada sob os mais diversos enfoques através dos diferentes referenciais acadêmicos.

Segundo Roudinesco (2002), podemos distinguir três momentos na evolução da família. Num primeiro momento, a família tradicional ou patriarcal assegurando a transmissão do patrimônio. Em uma segunda fase, a família moderna, fundada no amor romântico, reforçando os sentimentos e desejos. No terceiro momento, a família contemporânea compreendida como aquela que se funda a partir da união estável com relativa duração onde dois indivíduos estabelecem acordos com o objetivo de buscar realizações pessoais, sobretudo, no campo afetivo-sexual.

Por anos a mulher viveu submissa ao homem e isso era explicado de forma biológica, como se a mulher tivesse, por natureza, o corpo mais fraco. De acordo com McGoldrick (2008), as expectativas em relação às mulheres estavam vinculadas aos cuidados com o outro, as mulheres tinham que cuidar do marido, dos filhos e dos idosos, não possuindo vida própria, pois toda sua vida era regida pela figura masculina, primeiro o pai depois o marido, sendo seu desenvolvimento vinculado ao destes. A mulher dentro da família era a responsável por manter os relacionamentos afetivos familiares, assim, também como em estabelecer os rituais em relação à religião, festas comemorativas e por conservar as tradições.

Resgatando um pouco a história da mulher e da família brasileira, Rocha-Coutinho (1994), ainda nos mostra uma organização patriarcal não restrita a família. O autoritário pater-familias do Brasil colônia dominava tudo: economia, sociedade politica, seus parentes e agregados, seus filhos e suas esposas. O comportamento da mulher variava segundo a classe social a que pertencia. O elo dessas mulheres com o mundo público era feito pelos mascates ou quitandeiras que traziam ao domicílio aquilo de que necessitassem. Com a chegada da corte portuguesa, há uma mudança no comportamento dessas mulheres que agora são mais frequentemente vistas em espaços públicos, principalmente as mais abastadas sem, no entanto, abandonar suas funções de procriadoras e administradoras do lar. Os discursos da época tentavam legitimas tais atitudes e os olhos acostumavam-se a ver um maior número de mulheres em espaços públicos. A saída da casa para a rua intensificou-se no século XIX com a industrialização, quando se percebe, mais uma vez, o discurso e a política contraditórios do Estado com relação à mulher: de um lado reforçando sua presença no lar e, de outro, guardando-a como exercício de reserva a fim de participar quando necessário do mercado de trabalho e colaborar com o crescimento da nação.

Segundo Rocha-Coutinho (1994), com o advento da modernidade a mulher transforma-se em um ser doce, espera-se dela o recato, o comedimento, suas ambições não ultrapassam o limite do lar, é o amor materno que vai alicerçar as ações tomadas no interior da casa em relação aos filhos e marido, é onde reinará absoluta, detendo um poder especial, não explícito e que, ironicamente acaba por confinar-lhe ainda mais a esse espaço por ser a imprescindível educadora dos filhos, administradora do lar, não podendo ser negligente, sob pena de ser punida socialmente. Para isso seus desejos são, grande parte das vezes esquecidos. “... os comportamentos de subordinação femininos ficam então emaranhados no cotidiano dessas mulheres como forma natural...” (p. 39).

Diante disso, o foco desse estudo é o papel da mulher na contemporaneidade, tendo em vista seu papel de transmitir a lei e o desafio de ser uma mãe suficientemente boa.

Atualmente, vivemos numa sociedade em que o papel da mãe e do pai parecem confundir-se. Já não se distinguem as funções de um e do outro. Um pai em casa que materna, muda as fralda, uma mãe que vai trabalhar e fica horas fora de casa ou uma mãe que cria seus filhos só e tem que lidar o ser mãe que nutri e que protege, como também ser a figura da lei.

A entrada das mulheres no mercado de trabalho gerou mudanças na estrutura familiar, a estrutura tradicional do pai que trabalha fora, da mãe que ficava em casa e dos filhos, está tornando-se rara. Atualmente, o modelo de família patriarcal está mudando e dando lugar ao modelo matriarcal.  O sistema de famílias regidas pelo pai, que caracterizou nossa cultura, causou danos para os homens e para as mulheres, este sistema está em transformação, pois a figura paterna vem perdendo seu papel nas famílias. Portanto, ainda há falhas na divisão de afazeres domésticos, mesmo que a mulher trabalhe fora, ficando uma responsabilidade maior para a esposa. (MCGOLDRICK, 2008, p.30 a 60)

Em uma família monoparental, duas funções se destacam diante a mulher, o da mãe que cuida e o da mãe que introduz a lei. Lacan (1999), afirma que a mãe é a introdutora do pai para fazer limite e função da lei, ou seja, ela preparará o campo simbólico dessa criança para que esse pai real seja tido como a lei. Mas quando esse pai real não existe ou de alguma forma se faz ausente, como na família monoparental, aí então essa mãe precisará ser a introdutora de si mesma, sendo ela mesma a metáfora paterna.

O cuidado suficientemente bom derivado de um ambiente facilitador, segundo Winnicott (1983), refere-se à oferta de condições físicas e psicológicas que beneficiam o desenvolvimento do bebê. Para ele durante a fase de dependência absoluta, no início da vida, a mãe suficientemente boa promove condições de confiabilidade permitindo que se estabeleça segurança para o bebê poder ir se integrando e constituir-se no mundo. É essa confiança gerada pelo ambiente facilitador (a mãe), que possibilita na visão winnicottiana, o amadurecimento saudável.

A problematização desse tema surgiu do interesse pela temática Família e pelas teorias de Winnicott no decorrer da graduação, bem como na observação da realidade contemporânea acerca da mulher e da sua família.

   Compreender o funcionamento da mulher na família monoparental é fundamental, de modo que, como profissionais de Psicologia, seja possível prevenir ou intervir nas diversas problemáticas do ciclo dessa estrutura familiar. E também ampliar o entendimento do indivíduo que é constituído pelos aspectos biológicos, psicológicos e sociais.

O objetivo geral desta produção teórica é refletir sobre o papel materno na sociedade contemporânea e a expectativa social, ressaltando a família monoparental a luz da psicanálise. Especificamente os objetivos são Compreender a configuração da função paterna na contemporaneidade; Investigar as alterações do papel materno nas novas configurações familiares; Discutir as possibilidades de atuação do psicólogo no atendimento a famílias ou assuntos familiares.

A pesquisa deve ser considerada um procedimento formal, com método de pensamento reflexivo que requer um tratamento científico, e se constitui no caminho para se conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais. (MARCONI e LAKATOS, 2010).

O método de pesquisa utilizado foi o bibliográfico, que, segundo Marconi e Lakatos (op. cit.) trata-se do levantamento da bibliografia publicada, em materiais como livros, revistas, publicações avulsas e imprensa escrita. E pretende colocar o pesquisador em contato direto com tudo aquilo que foi escrito sobre determinado assunto.

Os principais teóricos abordados na produção textual foram: Lacan, Winnicott, Jung, dentre outros.

O Primeiro capítulo explora a função do pai acerca da compreensão Psicanalítica e sua função no mundo contemporâneo.

O Segundo capítulo aborda o funcionamento da Família Monoparental e a psicodinâmica do lugar que a mulher ocupa nessa configuração familiar: O arquétipo da mãe que nutri e protege; A mãe como figura de lei e A mãe suficientemente boa, bem como uma reflexão acerca das possibilidades de intervenção do psicólogo em casos ou situações relacionados a essa temática.

2. Função Paterna e sua Configuração Contemporânea

Neste capítulo serão abordadas a compreensão da Psicanálise acerca da função do pai e as configurações da função paterna no mundo contemporâneo. Para pensá-las é importante lembrar que, na teoria psicanalítica, o pai surge como um operador simbólico a-histórico, como mostra Dor (1991), uma vez que o pai e sua função integram uma história mítica, uma suposição universal.

Nesse percurso, para compreendermos o pai, seu papel e suas significações, em Psicanálise, é interessante voltar-se às ideias de Freud (1913), em Totem e Tabu, onde ele aborda as questões culturais e sociais usando recursos mitológicos para explicar seus conceitos.

Nessa obra Freud cita que a cultura do totem marca a passagem entre a era dos homens primitivos e a era dos heróis e deuses. Reunindo o conceito psicanalítico com as ideias totêmicas e o mito da Horda Primeva, é que Freud (1913), tenta constituir uma compreensão da sociedade humana, do totem, da exogamia e de sua ligação primitiva.

Fazendo referência a Darwin, Freud escreve sobre o pai da horda primeva, como sendo um homem tirânico que domina para si todas as mulheres e expulsa seus filhos quando crescidos, impedindo-os de se satisfazerem sexualmente. Freud diz (1913/1978, v.XIII, P. 170):

“Certo dia, os irmãos que tinham sido expulsos retornam juntos, mataram e devoraram o pai, colocando assim um fim à horda patriarcal. Unidos, tiveram a coragem de fazê-lo e foram bem sucedidos no que lhe teria sido impossível fazer individualmente. Selvagens canibais como eram, não é preciso dizer que não apenas matavam, mas também devoravam a vitima. O violento pai primevo fora sem duvida o temido e invejado modelo de cada um do grupo de irmãos: e, pelo ato de devorá-lo, realizavam a identificação com ele, cada um deles adquirindo uma parte de sua força. A refeição totêmica (...), seria assim uma repetição e uma comemoração desse ato memorável e criminoso, que foi o começo de tantas coisas: da organização social, das restrições morais e da religião.”

Freud (1913) alega que uma vez realizado o crime primordial, os irmãos entenderiam que nenhum deles poderia tomar o lugar do pai, uma vez que o ciclo se repetiria indefinidamente. A opção para impedir o fato, consistiu em determinar que todas as mulheres cobiçadas não pertenceriam a ninguém, estabelecendo a regra da exogamia e sua versão psíquica seria o tabu do incesto. “Desta maneira, salvaram a organização que os tornara fortes” (FREUD, 1913, p.172).

Dor (1991), pontua que esse homem que tinha todas as mulheres e que garantia o poder sobre elas, representa aquele em que não há restrição das exigências sexuais, o possuidor do falo, que não é castrado. O fato desse homem não ser castrado levaria os outros a certa ambivalência: a inveja por esse homem que possui o falo, pelo vigor, que lhe permite ser o detentor de todas as mulheres e, por isso, o anseio de matá-lo para tomar o seu lugar. Entretanto, quando, em uma cerimônia canibalesca, ingerem a carne do tirano, vivenciam uma identificação com ele, uma forma de encarnar os seus atributos, santificam-se por essa absorção e reforçam assim sua identificação com ele, como se pudessem absorver a vida sagrada e identificar-se com o tirano.

O pai, uma vez morto, transforma-se em totem e, posteriormente, em deus. Freud (1913), diz que é desta maneira que a moral se assenta sobre dois tabus derivados do Complexo de Édipo, coincidentes com os dois desejos reprimidos: homicídio para com o pai e o incesto para com a mãe, que visa precisamente impedir a repetição do crime originário.

Neste sentido, Freud (1913/1978, p.173) acrescenta:

O sistema totêmico, foi, por assim dizer, um pacto com o pai, no qual este prometia-lhes tudo o que uma imaginação infantil pode esperar do pai – proteção, cuidado e indulgência – enquanto que, por seu lado, comprometiam-se a respeitar-lhe a vida, isto é, não permitir o ato que causara a destruição do pai real.

Dor (1991), afirma também que é na dialética edipiana, em que ocorre a instituição do pai simbólico a partir do pai real, que a função paterna vai desempenhar uma influência na construção psíquica da criança. O pai, enquanto função simbólica, é estruturante, de modo que o exercitar de sua função ressoa na formação psíquica da criança e no seu processo de desenvolvimento.

É sobre o “pai morto” enquanto “pai simbólico” que Lacan (1958/1990), vai entrelaçando os textos freudianos. Surge o começo do significante do Pai, enquanto autor da Lei, que está ligado à morte do mesmo.

Neste sentido afirma Lacan (1958/1990, p.563):

Esse assassinato é o momento fecundo da dádiva através da qual o sujeito se liga à vida e à Lei, o Pai simbólico, como aquele que significa essa lei, é realmente o Pai morto.

Logo, além de uma essencial função de normatização, o complexo de Édipo origina a estrutura moral do sujeito, suas relações com o real e também com sua ascensão ao sexo (LACAN, 1990).

Lacan (1958) e Freud (1923 e 1917) discutem a função do pai na estrutura psíquica, sendo que Lacan, com seus estudos voltados à linguística, enfatiza que o pai é uma metáfora, é um significante que vem no lugar de outro significante, sendo esse o seu papel de intervir no Complexo de Édipo, nomear o desejo da relação mãe e filho, significar o desejo materno pela presença paterna.

“A criança está, com efeito, cativa num certo modo de relação com a mãe, diante da qual o pai como pai real, é estranho. De resto, esta relação é chamada, apropriadamente, de relação fusional, na medida mesma em que nenhuma instância exterior é suscetível de poder mediatizar seus móbeis do desejo. A indistinção fusional entre filho e mãe resulta, pois, essencialmente do fato de que o filho se constitui como único objeto que pode satisfazer o desejo da mãe.” (DOR, 1991, p.46).

Nessa relação entre a mãe e o filho, o pai real está fora, principalmente, pelo fato do filho estar identificado ao seu falo. O pai real se edifica em pai simbólico quando estiver atribuído falicamente. Assim, nesse período pré-edípico, a criança é o objeto fálico da mãe e é a castração que vai consentir a entrada na relação triangular em que esta vai causar uma identificação fálica com o pai, na qual este é edificado em sua função simbólica. Quando a criança compreende que esse pai adquire uma integração significativa, diante do desejo da mãe, ela questiona sua identificação imaginária com o objeto de desejo da mãe e ingressa em um período de incerteza em relação ao seu desejo, e é essa incerteza que a faz confrontar-se com a castração da instância paterna.

Freud (1925[1924]) também destaca que quando o menino, que tem orgulho do seu pênis, nota a região genital de uma menina e assim percebe a falta do pênis em uma pessoa igual a ele, imagina a perda de seu próprio órgão genital, de modo que a ameaça da castração começa a ganhar efeito.

Agora, porém, sua aceitação da possibilidade de castração, seu reconhecimento de que as mulheres eram castradas, punha fim às duas maneiras possíveis de obter satisfação do complexo de Édipo, de vez que ambas acarretavam a perda de seu pênis – a masculina como uma punição resultante e a feminina como precondição. (FREUD, 1925[1924] /1996b, p. 196, v. XIX).

Deste modo, podemos considerar como Freud (1925[1924]) apresenta, que, segundo a criança vai notando a presença desse pai e que este é alguém que tem direito ao desejo da mãe, é que vai se estabelecendo uma rivalidade fálica, na qual a figura paterna é investida pela criança como um rival perturbador. A criança, consecutivamente, passa a estabelecer uma figura do pai como um pai privador, interditor e frustrador. Diante à incerteza da identificação fálica com a mãe, em que a criança é o falo para ela, é que se estabelece o que Lacan (1958) chama de pai imaginário, uma instância mediadora no processo de edificação do pai real em pai simbólico.

O outro na díade fusional mãe-criança é o pai, e a presença deste a lança perante da Lei do Pai, que pela privação, interdição e frustração, a criança descobre que a mãe é dependente do desejo do pai e, portanto, o desejo da criança por ela se funde com o desejo do pai, colocando-a em contato com a lei do desejo do outro, ao qual todos somos submetidos. Desse modo, a mãe também é submetida à instância paterna, já que a Lei do Pai é a que faz o intermédio de seu próprio desejo.

Segundo Dor (1991), a Lei do Pai é aquela que regula o desejo que a mãe tem de um objeto que não é mais só a criança, mas o que o pai supostamente possui. A mãe depende desse objeto de desejo que ela não tem, mas que o outro possui e, por isso, está submetida à instância paterna. É com o reconhecimento da falta ou ausência materna que se vai processar um novo movimento do objeto fálico e é assim que o pai simbólico toma o seu lugar, edificando-se enquanto pai, aquele que supostamente tem o falo.

O desejo da mãe é substituído pelo desejo de obter o falo, abdicando o objeto inicial, recalcando seu desejo primitivo por este. É essa elaboração de um novo significante, substituto do desejo pela mãe, um significante que substitui outro significante, que Lacan (1958) nomeia metáfora paterna, chamando este novo significante de Nome- do- Pai.

Portanto, segundo Freud (1925[1924]) e Lacan (1958), é com a vivência edípica que se estabelece o processo de estruturação psíquica. Pelos amores edípicos e todas as suas vicissitudes, o sujeito vai negociar sua relação com o falo e sua relação com o desejo e com a falta.

Ao viver a castração e a renúncia dessa mãe fálica, a criança se sustenta no imaginário de ser castrado, ou não, vive a angústia da ameaça da castração e, por este meio, segundo Dor (1997), surgem algumas construções defensivas, que tenta neutralizar essa angústia. São essas defesas que confirmam as construções psíquicas frente à incidência da castração, que vão nortear o processo de estruturação psíquica.

Ao sujeitar-se à Lei, inscrita pela função paterna, a criança torna-se sujeito, cidadão da lei social, tornando possível lidar com as renúncias de seus desejos inconscientes, mesmo que procurem continuamente burlá-los, pelo meio da própria ordenação da comunicação que na linguagem se opera, a transmissão da função paterna. Logo, trata-se “de buscar manter o irredutível da função paterna, visto ser mediante esse ponto que o desejo advém para cada um de nós” (SANTIAGO, 1997, p.39).

Birman (2006), mostra que o pai ocupa na teoria psicanalítica, primeiro o lugar do pai protetor, pai simbólico, que, ao constituir a castração a todos consente que vivamos em sociedade e, posteriormente, com a modificação do discurso psicanalítico, um lugar de falha e falta. Nessa alteração, relacionada à modificação da sociedade, da entrada para a era moderna, o pai passa de uma posição de poder absoluto para um poder relativo, de protetor à falha.

Tradicionalmente, na família, o lugar do pai assegurava-se a partir de um lugar de enunciação, na contemporaneidade tem-se declarado impessoais, em que o saber passa a valer para todos, como indica o discurso científico, anulando o valor de uma verdade singularizada. Segundo Petri (2008), enquanto o lugar ocupado pelo saber paterno passa por uma deflação, há uma inflação do saber conferido à ciência, um saber acéfalo.

Lebrun (2004), considera que o discurso da ciência, que subverteu intensamente o equilíbrio até então em jogo na família, surgiu para acabar de vez com o poder da autoridade paterna, proporcionando um deslocamento do posicionamento de autoridade para o de responsabilidade.

O referido autor avalia que desde que a autoridade da Igreja passou a ser contestada pela da ciência, a legitimidade que a onipotência de Deus liberava passou a ser interrogada pela legitimidade tolerada pela cientificidade: foi “o início do fim de uma le-gitimidade fundada na autoridade do enunciador em benefício de uma legitimidade fundada na autoridade concedida pela coerência interna dos enunciados” (Lebrun, 2004, p. 53).

O próximo passo neste progresso da ciência foi a chegada do ‘tecnocientífico’, aponta o autor, processo “que impõe suas leis próprias vinculando implicitamente seus pressupostos e altera, por isso, tanto o bom senso quanto o sentido do limite” (p. 67-8).

Lebrun (2004), ainda acentua que o lugar central que a ciência acabou tomando na sociedade causa uma organização social sem referência, já que tudo se equivale na medida em que novas marcações ainda não foram validadas. Diante disso, ressalta também a dificuldade crescente em exercer a autoridade aos filhos. Essa dificuldade, segundo ele, não deixa de estar relacionada com o fato de que se espera a ajuda do social: espera-se que o social venha aprová-los em seu dizer. No entanto, complementa, que esta dificuldade em exercer a autoridade contaminou primeiramente o social.

De forma geral, o referido autor afirma que a entrada da ciência moderna gradativamente invalidou o argumento da autoridade. Restou tão somente a autoridade dos enunciados, que procura o sonho de fazer desaparecer o registro da incerteza, “de nos livrar do mal-estar inerente à existência, de nos curar de sermos humanos” (p. 157). Segundo o autor, este movimento primeiramente abala a posição daquele que sempre teve a incumbência de sustentar a enunciação, o pai. E em segundo lugar nos transmite um novo modelo de configuração: dirigir-se ao saber como ao pai. Ou seja, estamos diante de uma sociedade que adotou a ciência no lugar da função paterna.

Segundo Romanelli (2002), as relações de autoridade e poder na família necessitam se constituir como dados ordenadores da cena doméstica, determinando arranjos hierárquicos, direitos e deveres característicos, porém desiguais. A autoridade dizer respeito a experiências comuns vividas no passado e seu exercício visa conservar arranjos hierárquicos já estabelecidos e que fazem parte da tradição de gerência no interior de um grupo ou associação. No entanto, segundo este autor, a velocidade das mudanças que atinge a família tornam o saber acumulado pelo pai impróprio para fazer face a novas condições, que não foram vividas por ele e sobre as quais sua experiência é nula, de modo que, muitas vezes os filhos transmitem aos pais saberes e novos modelos de conduta.

Em síntese, pode-se dizer, de acordo com Julien (1997), que o declínio do pai e/ou da paternidade na sociedade dá-se por meio de uma tríplice na figura do pai, como: a política, a religiosa e a familiar. Política, porque a partir do século XVIII a sociedade se baseia sobre a fraternidade e não mais sobre a paternidade. O significado de “ser-pai” a partir de uma autodenominação perde suas implicações na sociedade ocidental. O pátrio poder fica restrito ao poder do homem dirigido a uma única mulher e aplicado sobre os filhos.

Religiosa, pois o pai perde sua soberania, uma vez que ele mesmo necessita respeitar as leis impostas pela Igreja. O pai passa de soberano para servidor. “A Igreja saberá lhe relembrar: da lei, o pai, não é o legislador, mas o representante, e no caso de conflitos com a Igreja educadora do jovem cristão, o pai deve saber se submeter.” (JULIEN, 1997, p. 41).

Familiar, segundo o mesmo autor, por que “ser-pai” faz referencia a um ato de soberania. A paternidade se fundava como ato político e religioso. A filiação dirigia a pessoa à uma ordem de origem que o denominava filho de uma determinada família. No entanto, com o acrescentamento científico, principalmente no que tange aos avanços da inseminação artificial, a mulher não necessita mais do encontro sexual com o homem para se tornar mãe. Assim, a criança passa a ser somente filha da mãe, perdendo o pai o seu direito à filiação.

Diante disso o que a Psicanálise tem a dizer sobre o pai frente a todas essas alterações da família e da sociedade? A família por muito tempo foi lida e interpretada pela Psicanálise através do lugar do pai. Roudinesco (1998), afirma que Lacan acreditava que a “[...] psicanálise nascera, em Viena, de um sentimento de declínio da imago paterna e da vontade freudiana de revalorizá-la.” (ROUDINESCO, 1998, p.542).

Lacan (1958/1990), diz a respeito do pai, “a questão de sua posição na família não se confunde com uma definição exata do seu papel normatizador. Falar de sua carência na família não é falar de sua carência no complexo.” Essencialmente, a sua função no complexo é o interdito da mãe, é barrar o desejo imperativo materno. É aí que o pai se une à lei primordial da interdição do incesto. Ele é o incumbido de representar essa proibição. O interdito é esse que o pai sustenta, dirigindo à mãe e à criança ao mesmo tempo.

Esse é o elemento decisivo na construção do sujeito humano, que se estrutura pela função paterna.

Assim, a função paterna é marcada a partir de três vetores, a mãe, a criança e por qualquer pessoa ou coisa que consiga exercer a função essencial da interdição no lugar de pai real. Dizer que no mundo contemporâneo se abstrai dessa função é dizer que a estrutura da subjetividade em nossos dias está destinada a uma marginalização. De acordo com Brousse (2007), a consequência do declínio da função paterna para os sujeitos é que eles não se tornam sujeitos desejantes, mas tornam-se sujeitos ameaçados frente ao próprio desejo.

Portanto, mesmo no mundo atual, nas diversas configurações familiares, a função paterna se compõe e se mantém como vetor na composição psíquica dos sujeitos. Porém, ela não se baseia apenas através do vetor do pai biológico, mas através da pluralização dos nomes do pai e essencialmente através do pai real, que segundo Laurent (1997, p. 129), é o único a suportar “[...] não ser o único a fazer a lei.”

3. Alterações do Papel Materno nas Novas Configurações Familiares

Este capítulo tem como objetivo aprofundar a compreensão do funcionamento da família monoparental, bem como abordar a partir da perspectiva sistêmica e psicodinâmica o lugar que a mulher ocupa nessa configuração familiar.

Passaram-se os séculos e com eles, mudanças significativas na família descrevem a história atual. A família contemporânea tem instituído formas particulares de organização, não apenas se limitando à família nuclear (pai, mãe e filhos dos mesmos pais), mas, a uma forma característica e decorrente da modernidade, onde casais se unem e se desunem por várias vezes e passam a conviver ou não, com filhos de antigas relações conjugais e filhos que nascem de suas novas relações (WAGNER, 2002).

Hintz (2001), ressalta que com a família contemporânea surgem novas configurações familiares, levando em consideração que o contexto social atua de modo significativo no desenvolvimento e transformação da mesma. Diante disso a referida autora cita as seguintes configurações: Famílias Reconstituídas, que são remanescentes de recasamento, trazendo filhos do primeiro casamento. A mesma é composta por filhos do casal atual e filhos do(s) outro(s) casamento(s), que podem levar o casal atual a uma série de conflitos; Famílias de Uniões Consensuais, originada em sua maioria por divorciados ou viúvos, casais que preferem morar juntos sem formalizar suas uniões ante ao matrimônio legal, preferindo morar em casas separadas; Família constituída por casais sem filhos por opção, proveniente de casais que dão preferência ao crescimento profissional, social e a independência financeira, sem optar por filhos; Famílias Unipessoais, (Meler, apud HINTZ, 2001) descrita como uma designação para aquelas pessoas que escolhem um lugar físico individual. São inúmeras as razões para essa constituição, dentre elas oportunidade de trabalho fora do domicílio, independência individual, onde não fazem trocas emocionais compartilhadas; Família por Associação, que são formadas por amigos sem vínculo de parentesco, onde as pessoas optam por formar uma rede fundamentada na amizade; Família Homoafetiva, formada por casais homossexuais instituídas por uma união estável entre pessoas do mesmo sexo, com questões complexas difíceis de serem assimilável, mediante os preconceitos, coações, mitos e realidades que cercam estes casais; e por fim, a família mais importante para o desenvolvimento deste trabalho, a Família Monoparental, que pode ser originária de divórcio ou separação, onde um dos pais toma para si o cuidado dos filhos e o outro não é eficaz na parentalidade, ou famílias onde um dos pais é viúvo ou solteiro. Algumas das complexidades encontradas por essa família é de um genitor assumir as funções que normalmente seriam assumidas por ambos os genitores. “Isto pode acontecer também, quando frente às características da personalidade de cada um dos membros do casal, a mulher assume a liderança da família com o pleno consentimento do companheiro” (HINTZ, 2001, p. 14).

A expressão “Família Monoparental”, teve sua origem na França, na metade dos anos setenta, usado para designar as unidades domésticas em que as pessoas vivem sem cônjuge, com um ou vários filhos (VITALE, 2002, apud, OLIVEIRA, 2009).

Apesar de todos os avanços que envolvem a vida familiar, Oliveira (2009, p.75) afirma que:

“A desvalorização do trabalho da mulher ainda ocorre nitidamente, principalmente entre as pessoas que não possuem acesso às políticas públicas, à escola e as condições dignas de sobrevivência, fatos estes que propiciam à mulher a má remuneração por sua mão de obra. Paralelamente à má remuneração, existe também a má formação para as tarefas a serem realizadas, justamente pelos fatores anteriores citados.”

Ainda segundo a referida autora, essa mulher desvalorizada no mercado de trabalho, ao chegar em sua casa assume uma dupla ou tripla jornada de trabalho. Na contemporaneidade, ainda existe a discussão sobre as competências da mulher no cuidado de sua família, sendo esta geradora de sustento, e a capacidade do homem na administração, com maior independência, apresentando um estigma de que famílias monoparentais femininas não têm condições de proporcionar cuidados e proteção a seus membros. “Esse pensamento, porém, está sendo redefinido, existem inúmeras famílias em que a mulher exerce papel central na economia doméstica. São as famílias chefiadas por mulheres.” (SOARES, 2002, apud, OLIVEIRA, 2009).

Para Moura e Araújo (2004), o papel paterno sofreu, a partir do século XVIII, alterações definidas pelo forte declínio de seu valor fazendo com que, nas várias camadas da sociedade, a ausência paterna e descumprimento de suas funções fossem progressivamente sendo assumidas pela figura materna.

A partir destas reflexões, consideramos importante destacar estas diversas atribuições e as possibilidades de intervenções junto às famílias nos seguintes tópicos.

3.1. O Arquétipo Materno

Hall, Lidzey e Campbell (2000), ao considerar que todos os seres humanos sempre tiveram mães, ressalta que toda criança nasce inclinada a compreender e a reagir a uma mãe, portanto, o conhecimento da mãe, particularmente adquirido é a realização de um potencial herdado, que foi perpetuada pelas experiências da raça.

Diversos autores descreveram o quanto é importante para o desenvolvimento da criança a relação que se estabelece com a mãe, ou uma figura que a substitua. Melanie Klein, Winnicott, Spitz, Anna Freud entre outros autores, utilizaram-se de termos variados para abordar o tema.

Jung (2000), elaborou muito material direcionado ao tema da mãe, porém a predominância da mãe pessoal nas teorias psicológicas o impressionava bastante. Em seus textos Jung busca ir mais adiante desta visão personalista, pois como ele afirma:

“Para ir direto ao assunto, a minha concepção difere da teoria psicanalítica em princípio, pelo fato de que atribuo à mãe pessoal um significado mais limitado. Isso significa que não é apenas da mãe pessoal que provém todas as influências sobre a psique infantil descritas na literatura, mas é muito mais o arquétipo projetado na mãe que outorga á mesma um caráter mitológico e com isso lhe confere autoridade e até mesmo numinosidade.” (JUNG, 1973[2000], p. 93).

Ainda que Jung deixe claro que a mãe pessoal também interfere no desenvolvimento, ele amplia essa visão incluindo a interferência do arquétipo materno.

Jung (1973), vem refletir sobre o arquétipo materno e os símbolos que há em torno dele, no que se refere ao inconsciente coletivo e seus arquétipos. Segundo ele o inconsciente coletivo é formado numa proporção mínima, por conteúdos pessoais, que não são conquistados individualmente, são na sua natureza os mesmos em qualquer lugar, não variando de homem pra homem. Esse inconsciente é como o ar que respiramos que é igual em todo lugar, respirado por todo mundo, mas não pertence a ninguém. Seus conteúdos, chamados arquétipos, são condições da formação psíquica em geral.

Ainda segundo o referido autor, os conteúdos do inconsciente coletivo são modelos prévios da formação psíquica em geral, ou seja, algo que é transmitido de geração a geração, introjetado pela memória dos indivíduos de maneira universal. Deste modo, há uma ideia que permeia o inconsciente coletivo. Essa universalidade não é suficiente, por si só, para dar continuidade ao inconsciente coletivo, sendo necessário que seja reforçado pelas experiências de cada indivíduo Nesse sentido o que o torna mais apto são os modelos precedentes herdados por cada um particularmente. Deste modo, o inconsciente coletivo influencia o desempenho de um povo e possui uma estrutura definida a partir dessas experiências coletivas e individuais chamadas de arquétipos.

“O inconsciente coletivo é uma parte da psique que pode distinguir-se de um inconsciente pessoal pelo fato de que não deve sua existência à experiência pessoal, não sendo, portanto uma aquisição pessoal. Enquanto o inconsciente pessoal é constituído essencialmente de conteúdos que já foram conscientes e, no entanto desapareceram da consciência por terem sido esquecidos ou reprimidos, os conteúdos do inconsciente coletivo nunca estiveram na consciência e, portanto não foram adquiridos individualmente, mas devem sua existência apenas à hereditariedade. Enquanto o inconsciente pessoal consiste em sua maior parte de complexos, o conteúdo do inconsciente coletivo é constituído essencialmente de arquétipos.” (JUNG, 1973 [2000], p. 53).

Fadiman e Frager (1986), destacam que o arquétipo materno envolve não somente a mãe real de cada indivíduo, mas também todas as figuras de mãe, figuras nutridoras (Vênus, Virgem Maria e mãe Natureza) e símbolos de apoio e nutrição (a Igreja e o Paraíso), mas que em algum período da história também possuiu aspectos negativos. Na idade média, por exemplo, o arquétipo mãe estava consolidado na imagem da bruxa. Desta forma, cabe questionar que lugar tem o arquétipo materno na sociedade contemporânea?

Além do contexto histórico, duas funções se sobressaem se tratando do arquétipo materno que são: nutrir e proteger. O primeiro, nutrir, revelado pela deusa Vênus, tida também como a Mãe Terra ou ainda Mãe Natureza, de onde vem o sustento de um povo e o segundo termo, proteger, apoiado pela imagem religiosa da Virgem Maria introduzida pela Igreja, com a função de interceder pelos seus filhos, protegendo-os de todo o mal (FADIMAN; FRAGER, 1986).

3.2. A Mãe Como Figura de Lei

De acordo com o modelo hegemônico de família nuclear, Romanelli (2002) afirma que a autoridade masculina se legitima no prover financeiro da família, no conhecimento adquirido, nas posições hierárquicas de marido e de pai, e na maneira de representar a unidade doméstica. A esses aspectos que se referem socialmente à autoridade, juntam-se a dimensão cultural das representações dos atributos do masculino e da autoridade, assim como o campo da política e das ideologias.

Ainda sobre o autor citado, a ênfase, na supremacia masculina como autoridade de família, não deve obscurecer a autoridade da mãe enquanto figura da lei, lei esta, que Hélio Pelegrino (1987 apud Féres- Carneiro, 1999), afirma que desempenha o seu potencial de interdição e, mas, traz em si uma potencia de proteção.

Lacan (1999), afirma que a mãe é responsável por introduzir o nome do pai para fazer limite e função da lei, ou seja, ela preparará o campo simbólico dessa criança para que esse pai real seja tido como a lei. Mas quando esse pai real não existe ou de alguma forma se faz ausente, como na família monoparental, aí então essa mãe precisará utilizar de outras instâncias enquanto lei que estabelece o limite necessário, sendo ela mesma a metáfora paterna.

Eis o desafio: atender ao inconsciente coletivo enquanto arquétipo, com a função de nutrir e proteger, e ainda ser ela a figura da lei. Para corresponder esse desafio, a mãe necessitará ter vencido um complexo antes instaurado, o complexo de castração. No tempo final desse complexo, a mesma tem três saídas para o complexo de castração, terminando no nascimento do complexo de Édipo: 1- ausência de inveja do pênis; 2- vontade de ser dotada do pênis do homem; 3- vontade de ter substitutos do pênis (ter um filho), sendo essa a saída mais saudável, uma vez que o filho torna-se o falo imaginário da mãe e identifica-se com esse falo, ou seja, nesse sentido, podemos compreender que simbolicamente o filho aceita esse lugar para preencher o desejo materno de ter o falo (NASIO, 1997).

Para Nasio (1997), a castração tem como característica fundamental a separação entre a mãe e a criança. Em geral, a castração é feita pelo pai que aí está

como a lei de interdito do incesto, pois indica à mãe que ela não pode retornar o filho para seu ventre, e ao filho, que ele não pode possuir a mãe, ou seja, castra o grande Outro materno de ter o falo e castra a criança de ser o falo. Destaca-se também que o ato de castração mesmo assumido pelo pai, na realidade não é obra de uma pessoa física, mas sim da ação simbólica da fala paterna, é obra da lei à qual o pai mesmo como sujeito está submetido. Deste modo, observa-se a importância dessa mãe de se reconhecer como castrada para que a ideia absoluta de possuir o falo não impeça esse corte.

O mesmo autor ainda afirma que na percepção lacaniana a castração não se define apenas pela verificação de uma falta na origem da inveja do pênis na menina, ela se determina, fundamentalmente, pelo afastamento entre a mãe e a criança, logo, a castração é o corte causado por um ato que divide e dissocia o vínculo imaginário e narcísico entre a mãe e o filho.

3.3 A Mãe Suficientemente Boa

Segundo Winnicott (1983), o cuidado suficientemente bom derivado de um ambiente facilitador, refere-se à oferta de condições físicas e psicológicas que auxiliam no desenvolvimento do bebê. Para ele ao longo da fase de dependência absoluta, no início da vida, a mãe suficientemente boa oferece condições de confiabilidade possibilitando que se estabeleça segurança para o bebê poder ir se integrando e constituir-se no mundo. É essa confiança gerada pelo ambiente facilitador (a mãe), que permite, na visão winnicottiana, o amadurecimento saudável.

Celeri (2005), cita que o bebê no início da vida está num estado de fusão com a mãe, sendo totalmente dependente da provisão física e emocional que ela lhe disponibiliza. A autora ainda lembra três pontos no processo de desenvolvimento emocional do bebê: 1- a Hereditariedade: impulsos biológicos para a vida, para o crescimento e para o desenvolvimento; 2- o Ambiente: cuidado materno, que pode sustentar, falhar ou traumatizar; 3- e no meio, o Bebê, crescendo, vivendo e acumulando experiências. No início a mãe suficientemente boa é o ambiente adequado e a autora aponta que este ambiente, quando suficientemente bom, permite o processo de maturação, isto é, o desenvolvimento do ego e seus mecanismos de defesa, o desenvolvimento do self, a história do id, das pulsões e de suas vicissitudes.

Para Winnicott, segundo Bleichmar e Bleichmar (1992), o que capacita a mãe a favorecer estes cuidados iniciais é um estado psicológico vivido nos últimos meses da gestação e primeiras semanas após o parto, denominado preocupação materna primária. A mãe obtém, por meio dessa sensibilidade, uma habilidade ímpar de se identificar com as necessidades do bebê e esse arranjo característico alcança sua máxima intensidade subitamente depois do parto e a tendência é diminuir pouco a pouco à medida que a criança cresce.

Celeri (2005) assegura que ao longo dos primeiros contatos entre a mãe e o bebê, uma relação de ego entre os dois se constitui. Essa relação favorece a identificação do bebê com sua mãe, embora que, do ponto de vista do bebê, ainda não há nada além dele próprio, pois a mãe é parte dele mesmo. Essa capacidade materna institui de forma natural um ambiente denominado por Winnicott (2001), de holding, cuja tradução para o português é sustentação ou colo. O holding é a soma dos cuidados físicos, da proteção da sustentação que a mãe oferece para a criança na etapa onde ela ainda desconhece a existência de tudo que não seja ela mesma. Para Celeri (2005), o papel de holding relaciona-se à confiabilidade, do bebê para com a mãe, e responsabilidade, da mãe para com o bebê. O holding satisfatório não pode ser ensinado, uma vez que se baseia na capacidade da mãe se identificar com o bebê. É pelo meio do holding adequado que a mãe: Protege o bebê de agressões fisiológicas, considerando a sensibilidade cutânea, auditiva, visual e do órgão vestíbulo-coclear; Protege o bebê de invasões ambientais, uma vez que ela sabe da falta de conhecimento de qualquer coisa que não seja ele mesmo; Protege o bebê de acidentes e acasos capazes de levá-lo a um sentimento de confusão e angústia; Permite ao bebê uma mudança gradativa entre o estado calmo e o estado excitado, entre o sono e o estado desperto etc.; Institui uma rotina característica para o bebê, transformando-a a cada dia na medida em que ele cresce e se desenvolve física e psiquicamente.

Considerando que o bebê, no início da vida, está num estado fusional com a mãe, sendo totalmente dependente da provisão física e emocional que ela lhe proporciona e fundamentado no pensamento winnicottiano, Celeri (2005) afirma que:

“Para desempenhar essa tarefa, a mãe, permanecendo adulta, assume a vulnerabilidade do bebê, passando a necessitar, ela própria, de amparo. É o pai da criança, sua família ou o ambiente social próximo que assumem a função de ajudá-la a deixar-se envolver pela experiência de saber quais são as necessidades do bebê, nos menores e mais sutis detalhes, chegando próximo de se perder nessa identificação.” (CELERI, 2005, p. 30).

É essa relação fusional que no tempo adequado necessita ser castrada, para que essa mãe seja de fato suficientemente boa e não perfeita. Moura (2008), afirma que se no início a tarefa da mãe é adequar-se de modo absoluto às necessidades do bebê, em seguida, será fundamental que ela possa promover um fracasso gradativo da adaptação para que o desempenho mental do bebê se desenvolva adequadamente.

3.4. Intervenção Junto à Família

Após discorrer sobre o papel da mulher na família contemporânea, é importante também compreender as possibilidades de intervenção do psicólogo nesse contexto, e a contribuição da terapia, para a saúde mental da família.

Osório (2009), afirma que os primeiros registros da terapia familiar foram do atendimento ao Pequeno Hans realizado por Freud em 1909. O processo terapêutico ocorreu através do pai da criança e apresentou mudanças relevantes na dinâmica familiar. A partir desse referencial surgiram estudos apontando a necessidade do trabalho com a família para apoiar a psicoterapia com as crianças.

Segundo Cordioli (1998), o movimento da terapia familiar surgiu após a Segunda Guerra, num contexto de crise, em que as pessoas estavam chocadas frente ao processe de destruição recente, e mais conscientes das contradições e interdependência econômica e ecológica. Nesse período, as Ciências Humanas, como um todo, preocuparam-se em aprofundar os conhecimentos sobre as relações entre o indivíduo e o contexto.

A terapia familiar se desenvolveu nos Estados Unidos na década de 50, entretanto foi a partir da década de 80, como cita Waldemar (apud CORDIOLI, op. cit.), que a tentativa de síntese e integração tornou-se mais clara. Com isso, segundo Sluzky (apud CORDIOLI, 1998), o indivíduo voltou a ganhar destaque dentro do contexto familiar.

No desenvolvimento da terapia com famílias, integraram-se várias técnicas oriundas de diversas escolas. Nesse tipo de intervenção psicoterapêutica, valorizou-se cada vez mais a função e a pessoa do terapeuta como parte do sistema terapêutico.

No que se refere ao psicólogo clínico na comunidade, segundo Mejias (1995 apud Costa, 2004), esse profissional vem buscando dar respostas adequadas à construção de sua atuação no mercado de trabalho, uma atuação profissional mais voltada para o grupo, para a prevenção, com abordagens sociais e/ou institucional frente à comunidade onde essa família está inserida.

Segundo Costa (2004) Calil (1987) e Minuchin (1982), para os terapeutas familiares sistêmicos, a família é considerada um sistema aberto, em que o comportamento de uns influenciam o comportamento dos outros em uma percepção circular (retroalimentação), em que transformações acontecem constantemente até mesmo para a preservação do modelo relacional (transformação), e sempre haverá a busca por conservar um equilíbrio (homeostase).

O interesse pela terapia de família geralmente ocorre por meio de seus membros que se reconhecem necessitados de tratamento, ou que pedem ajuda para outro membro familiar, definido como problemático. No primeiro encontro, em geral, o problema que era considerado como sendo de um indivíduo, passa a ser percebido como influenciando e influenciado por todos. Durante o processo de tratamento da família podem surgir necessidades de encaminhamentos para avaliação com outros especialistas e/ou de entrevistas individuais, estas necessidades ficam mais evidentes quando existem segredos na família como, por exemplo, nas situações de adoção, maus-tratos e conflitos desencadeados por casos extraconjugais (CORDIOLI, 1998).

De acordo com a terapeuta da linha sistêmica Satir (apud OSÓRIO, 2009), a tarefa terapêutica consiste, sobretudo, na proposta da ajudar a família a construir uma nova linguagem através do qual os envolvidos sejam capazes de checar suas percepções com o outro, enxergar a percepção do outro sobre si mesmo, reconhecer seus medos e suas expectativas em relação ao outro, enviar para o outro mensagem clara, com alto grau de congruência entre o verbal e o não-verbal.

Com relação aos trabalhos com a família junto à comunidade, Pluymaekers (1989 apus Costa, 2004), enfoca a importância da rede social na abordagem de problemas no campo da exclusão social. Este trabalho de rede é importante na medida em que mantém as pessoas e famílias conscientes da dimensão coletiva, das implicações socioeconômicas dos problemas, no sentido de questionar os trabalhos sociais que visam a ajudar, mas terminam por acelerar a exclusão dos envolvidos no problema.

Uma das particularidades da clínica com família é a ênfase em buscar a mobilização dos aspectos saudáveis do grupo, como também, muitas vezes, redefinir o sintoma como uma tentativa de conservar e proteger a família. (CORDIOLI, 1998).

Minuchin (apud CORDIOLI, 1998), afirma que esse trabalho está bastante focado no presente, onde o terapeuta deverá usar de ferramentas que contribuam para que apareçam, os problemas interacionais sentidos pela família.

É importante que seja estabelecida e solidificada a aliança terapêutica, e, para isso, o terapeuta utiliza-se de sua personalidade, do seu “self”, em vários níveis, procurando criar um clima de empatia e confiança. (CORDIOLI, 1998)

A revisão teórica é essencial para o profissional que trabalha com famílias, mas é necessária, sobretudo, a abrangência do olhar que lhe permita apreender o fenômeno das interações humanas, para além da lógica da unidade. (FÉRES-CARNEIRO, 2001).

De acordo com a autora citada anteriormente, o estudioso da clínica, principalmente que trabalha com famílias, precisa revisar suas concepções, não apenas com o embasamento teórico, mas com uma ampliação do olhar que lhe permita apreender o fenômeno das interações humanas, para além da lógica da unidade.

Outro grupo de técnicas, predominantemente verbais, orienta-se no sentido de melhorar a comunicação e resolver problemas específicos. Objetivam compreender as queixas principais, segundo visão de cada membro da família. Procuram-se identificar objetivos comuns, aliviar conflitos e estabelecer novas pautas de relacionamento. (CORDIOLI, 1998).

Yalom (2006), ressalta que o terapeuta deve estimular os pacientes a assumirem responsabilidades sobre a sua vida e suas vontades. É a partir do momento em que a família e seus membros assumem sua função em criar a complexa condição da sua própria vida que, estes compreendem que eles, e somente eles, tem o poder de modificar essa situação. Diante desse raciocínio, o referido autor destaca que ao apresentar conselhos ou prescrever determinados desempenhos, ele não busca apoderar-se “da decisão do paciente, mas o faz para dar uma sacudidela num padrão arraigado de pensamento ou de comportamento”. (YALOM, 2006, p. 141). Desse modo, ao invés de estabelecer suas próprias ideias e concepções, o terapeuta constrói, junto à família, elementos para que possam melhor lidar com as circunstâncias do cotidiano.

Portanto, por meio das questões apresentadas nesse capítulo, pode-se concluir que cada encontro terapêutico deverá favorecer a participação conjunta. Neste sentido, podemos compreender que o terapeuta com seus próprios recursos, além de suas técnicas, poderá auxiliar a família a descobrir suas próprias soluções rumo à autonomia na resolução de seus problemas. Desta forma, a terapia familiar precisa reconhecer e respeitar os diversos arranjos familiares que se apresentam na sociedade contemporânea, desconstruindo, junto às famílias, mitos e verdades absolutas que existem em nossa sociedade.

5. Considerações Finais

Debruçar-se sobre o tema família, bem como assuntos que perpassam por essa temática, é de grande relevância para melhor compreender os fenômenos que ocorrem nas suas diversas fases e as repercussões na personalidade de cada indivíduo.

No que se refere à família monoparental e o lugar que a mulher ocupa nessa configuração familiar, avaliando os aspectos culturais aqui envolvidos, observa-se que a mãe da sociedade contemporânea, dispõe de uma força coercitiva no sentido de que se espera dela que nutra e proteja seu filho, ou seja, espera-se que enquanto mãe, ela cuide, proteja e eduque a criança. É esse pensamento que vem sendo sustentado pelo inconsciente coletivo. Deste modo, de forma geral, quando se escuta a palavra mãe, surge a ideia de outros adjetivos como carinho, cuidado, amparo e afeto. Sendo assim, parece ser mais “aceitável”, mais fácil para a mulher ser a mãe do inconsciente coletivo, pois, culturalmente existe essa imposição associada ao papel materno.

Outra questão que norteia a problemática aqui proposta é a da função paterna e a função materna, pois socialmente já estão determinadas as competências tidas como masculinas e femininas. Mediante o ponto de vista psicanalítico, a função paterna e a função materna transcorrem pelo campo simbólico, seja na metáfora paterna, seja na introdução da lei instaurada pela mãe.

A compreensão do papel feminino na sociedade contemporânea é fundamental, pois, o que se pode compreender a partir da leitura é que esse papel vem se transformando desde os primórdios até hoje, antes era unicamente voltado para o espaço doméstico, evoluindo ao longo da história para o mercado de trabalho. Diante desses fatos, cabe cogitar sobre essas mães que adotam cargos de liderança no trabalho, que supervisionam grupos e lideram homens a elas subordinados, se veem diante a necessidade de no lar também serem essa figura de autoridade. Embora não seja esse o foco deste trabalho, nos efeitos que essas modificações trazem para essas mulheres, no que se refere à figura masculina que estabelece a dinâmica familiar de cada uma delas, mesmo que este recuse esse lugar, a figura masculina ali está.

Considerando que não há uma definição unânime sobre o conceito de família e considerando que o que existe é uma definição social que marca os indivíduos que constituem laços sanguíneos ou afetivos dentro de um mesmo grupo de dependência, colabora para existência de novas configurações familiares, onde a família enquanto grupo social passou do funcionamento patriarcal para matriarcal.

A família tradicional, a partir dos anos 60, deixou de ser padrão, e o declínio acelerado da autoridade paterna, somado ao crescimento da autonomia feminina marcam as famílias contemporâneas, especificamente a família monoparental, sustentada pela mãe. Outro ponto importante para relevância deste trabalho é quando, diante às características da personalidade de cada um dos membros do casal, a mulher lidera a família com o pleno consentimento do companheiro.

Nesse contexto matriarcal, surge então o olhar psicanalítico desse trabalho baseando-se na ideia lacaniana da mãe enquanto responsável pela introdução da lei, preparando o campo simbólico da criança, sendo a mãe introdutora de si mesma na ausência do pai. De modo que quando essa mãe está introduzindo, assegurando a vivência da interdição, ela mesma já estaria sendo a lei. Por isso, ela precisa ter vencido seu complexo de castração e reconhecer-se castrada. Reconhecer que não pode tornar o filho ao seu ventre e assim fazer a proibição do incesto. Isso se torna possível graças ao fato de que a castração não é fruto de uma pessoa física, o pai, mas sim uma ação simbólica da fala a qual todos estão submetidos.

É de suma importância que essa mãe se reconheça como castrada para que a ideia absoluta de ter o falo (o filho) não seja empecilho para esse corte. Mas esse corte deve estabelecer-se de maneira gradativa, o que da margem ao pensamento winnicottiano, sobre a relação fusional que ocorre desde o início da vida do bebê, na fase em que há uma fusão da criança com a mãe, em que o bebê está numa total dependência da provisão física e emocional que a mãe proporciona. É essa fusão que, no tempo certo, deve ser castrada. Se no início a função da mãe é adaptar-se às necessidades do bebê, após esse período é de grande importância que ela permita um fracasso sucessivo dessa adequação para que a função mental desse bebê se desenvolva de maneira saudável. Isso pressupõe numa cisão na ideia dessa criança ser o falo dessa mãe e na ideia onipotente dessa mãe em possuí-lo.

Analisando as novas configurações familiares e os desafios atrelados ao papel materno na contemporaneidade, pode se considerar de grande relevância a teoria de Winnicott que considera como possibilidade de equilíbrio para um melhor desempenho da função materna a posição da mãe suficientemente boa. Pondo essa teoria winnicotiano no contexto das famílias contemporâneas, bem como na família monoparental feminina, cabe adicionar a esse holding, ou seja, a essa preocupação materna primária, a necessidade dessa mãe também ser a lei simbólica. Deste modo, para ser de fato suficientemente boa, ela necessita ser também a própria lei. Assim surgiu o tema deste trabalho: Família monoparental e o desafio da mãe suficientemente boa, para debater justamente o desafio que as mães têm em ser ao mesmo tempo, o arquétipo mãe que nutre e protege e a lei simbólica, sendo assim, instigada a ser suficientemente boa.

Ao fim deste trabalho é evidente a importância que a terapia da família possui ante as configurações familiares cada vez mais pluralizadas e complexas. Independente de abordagem, o profissional precisa dar valor e respeito a essas famílias e ajuda-las a conquistar e reconquistar relações mais harmoniosas, respeitosas e saudáveis entre os membros.

Por fim, entende-se que as diferentes configurações familiares, especialmente aqui as famílias monoparentais, perpassam por diversos conflitos e problemas. Cabe assim, ao terapeuta co-construir junto a essas famílias e a comunidade na qual ela está inserida, novas opções possíveis, gerando a mudança da história que contam e que se baseiam, em como se reconhecem e em como reconhecem o mundo.

Sobre o Autor:

Ísis Mota Nascimento de Farias - Psicóloga com atuação no SUAS sendo psicóloga de CRAS e fazendo palestras em Escolas. Esse artigo foi seu trabalho de conclusão de curso.

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