Resumo: Este artigo propõe-se a examinar a articulação entre a clínica psicanalítica e o trabalho com crianças autistas, utilizando a psicanálise como referencial teórico. O estudo é fruto de um trabalho de pesquisa suscitado pela clínica do autismo. A investigação parte da premissa de que há um sujeito no autista, ainda que não apareça como tal e apresenta uma abordagem indagando se há trabalho possível na clínica psicanalítica com esses sujeitos. Conta ainda com o exemplo de Naoki Higashida, que escreve o próprio livro em busca de dar respostas à sua forma tão peculiar de vida. Sob esse aspecto são apresentadas algumas possibilidades de trabalho clínico com crianças autistas.

Palavras-chave: Autismo, Criança, Clínica, Psicanálise.

1. Introdução

Partindo do pressuposto do trabalho clínico analítico com o autista, este estudo se propõe a apresentar algumas questões sobre o sujeito no autismo e sua relação com o Outro, reconhecendo que sua constituição sempre se dá a partir dessa relação com o Outro, tendo como ponto de partida a questão da responsabilidade de cada um por sua posição de sujeito.

Diante dessa clínica que chama o sujeito a se responsabilizar por sua posição e antes de ingressar no problema de forma ao leitor poder compreender o processo de pesquisa como uma totalidade, são apresentados algumas investigações sobre o autismo, na vertente psicanalítica, alcançadas através de extensa revisão na literatura.

Assim, uma questão que se impõe: o que pode um analista diante do autismo? Qual o trabalho clínico que a psicanálise desenvolve com esse sujeito? Posteriormente, apresenta-se o relato e análise do livro de Naoki Higashida, intitulado “O que me faz pular”, o autor é um autista de treze anos que atenta, assim como a Psicanálise, que o saber da criança autista sempre provém de si mesma e não de métodos educadores sistematizados.

Diante da psicanálise ser uma clínica do sujeito, essa aposta em seu advento no autismo sustenta a possibilidade de um trabalho clínico que respeita o modo de ser de cada um, descaracterizando o “normal” e o “fora dos padrões”.

2. Implicações para uma Possível Direção do Tratamento

Na direção oposta à concepção deficitária do autismo, o discurso psicanalítico vai tomar a criança autista como sujeito. Isso implica dizer que, mesmo que ainda não falem, os autistas são afetados pelo campo da linguagem.

Muitos psicanalistas se deparam com estas crianças na clínica e procuram sistematizar suas experiências através de relatos de casos, da construção de hipóteses para sua causalidade e da apresentação de propostas de trabalho. Entretanto, dentro de uma mesma orientação teórica, como vimos anteriormente, encontramos posições divergentes.

O trabalho de pesquisa em psicanálise se constrói a partir da postura de não recuar frente aos impasses e obstáculos na clínica, mas de transformá-los em questões, fazendo assim avançar a teoria. A pesquisa em psicanálise, é desse modo, indissociável da clínica.

Considerando que o autismo se constitui como “uma questão aberta”, que guarda um mistério a ser decifrado, ela chama os psicanalistas a desenvolverem propostas inovadoras em seu percurso com esses sujeitos. Mas confiamos que para isso se faz necessária à construção de um arcabouço teórico rigoroso e consistente que possa sustentar a direção do tratamento nesta clínica.

Nesta clínica, portanto, o analista deve encontrar uma direção de tratamento que permita a criança realizar a operação necessária para se produzir como sujeito.

Ansermet (2003) aponta que a psicanálise ainda que seja uma clínica que pretenda apreender o sujeito pela escuta, deve considerar que “[...] para acender à dimensão subjetiva, a atenção deve incidir sobre o que não pode ser dito[...]” (ANSERMET, 2003, p. 09). Ele compara o lugar do médico e o do analista dizendo que o médico opera a partir do lugar de mestre, mas que a posição do analista difere disso porque não há conhecimento prévio sobre o sujeito. Assim, a clínica analítica se orienta em direção a uma “[...] possível liberdade significante” (ANSERMET, 2003, p. 09).

Assim, uma das particularidades da clínica psicanalítica com crianças autistas é justamente oferecer essa direção psicanalítica que se relaciona diretamente com a fala onde, muitas vezes, essas crianças não falam ou cuja fala indica um discurso totalmente literal do Outro.

Sendo assim, como pode um analista se fazer incluir no trabalho que a criança realiza, se esta não lhe dirige nenhum apelo e qualquer demanda do Outro é vivida como intrusiva? De onde pode operar um analista nesta clínica?

O comportamento dessas crianças descritos na literatura psiquiátrica como estereotipados, repetitivos e sem sentido, se enuncia, do ponto de vista da psicanálise, como uma atividade que obedece a uma lógica de extremo rigor. Estas crianças trabalham para introduzir uma barra no Outro que se constitui como desregulado e sem lei, por falha na operação da metáfora paterna e da não inscrição da Lei no lugar do Outro.

Por exemplo, será que em relação aos movimentos estereotipados do autismo é possível seguirmos outra direção? Isto é, em lugar de tentar eliminá-los com a medicação, como faz hoje a psiquiatria, não poderíamos acolhê-los?

Se há trabalho, existe a possibilidade do analista vir a se incluir nessa atividade que a criança já realiza para produzir-se como sujeito. Trata-se do trabalho com uma criança imersa na linguagem, mas fora do discurso, uma vez que o autista não faz laço social.

O trabalho com essas crianças é efetivamente delicado, permeado pela construção de um lugar subjetivo à seu tempo, decorrente de um longo percurso de trabalho e marcado por constantes idas e vindas. Do analista, este trabalho requer mais que em qualquer outra clínica, tolerar o tempo de movimento dessas crianças, suportando sua “falta de resposta” e principalmente preservar-se da ansiedade de querer essas respostas quando a criança demonstra algum “retorno”.

O que o analista pode, então, fazer? Colocar-se como parceiro do autista, onde um saber pode se localizar e se fixar [...]. Para tanto, deve encarnar, para ele, um Outro vazio de saber [...] que se apresente dócil em relação ao seu olhar e à sua voz [...] (PIMENTA, 2003, p. 121).

Do ponto de vista da psicanálise, a direção do tratamento só pode ser decidida na singularidade de cada caso. Partir da concepção do autismo como sendo um déficit cognitivo ou interativo, ou como decorrente de uma fixação num período primário do desenvolvimento, ou até mesmo como uma deficiência genética ou biológica que se atribui ao âmbito familiar, leva, certamente, a um tipo de orientação de trabalho que não é a da psicanálise. Esta parte ao contrário, da ideia de que os fenômenos descritos na literatura psiquiátrica sobre o autismo revelam uma resposta desses sujeitos frente ao Outro.

O analista não esta preocupado em normatizar, “pedagogizar”, pelo contrario, quer fazer surgir a singularidade. O analista, em seu desejo, coloca a criança autista ao trabalho dela, apostando na possibilidade de que uma alteridade possa aí se constituir, nesse lugar onde até então tudo era indiferenciado.

Se aquilo que nós analistas, de Francês Tustin a Rosine Lefort, conseguimos obter na clínica do autismo é o estabelecimento, em graus variáveis, de alguma alteridade para o sujeito, não foi isso que Lacan propôs como a própria definição do desejo do analista, ou seja, o desejo de obter a diferença pura? (RIBEIRO, 2001, p.09).

Diante das experiências clínicas com esses sujeitos, pode-se perceber que a posição do analista não é a de compreender, de demandar, de querer que a criança faça isso ou aquilo. Trata-se, do oposto, de posição esvaziada de saber, que implica ignorar aquilo que sabe, promovendo um corte com a via “pedagogizante” à direção do tratamento com o autista.

Na direção oposta ao plano da psiquiatria, que utiliza os sintomas que se apresentam em cada caso tentando generalizá-los em classificações nosológicas, a direção do tratamento a que a psicanálise se propõe é a de procurar a particularidade de cada sujeito em suas variadas e estranhas formas de manifestação.

Trata-se de uma aposta de tratamento que procura auxiliar essas crianças no trabalho que realizam na tentativa de sair do lugar de objeto de gozo do Outro para se constituírem como sujeitos. Na oposição ao discurso universalizante da ciência, o que se busca é a dimensão do sujeito em suas peculiaridades.

A posição radical que essas crianças ocupam as impedem de estabelecer qualquer demanda. Porém o analista pode trabalhar de maneira que essa demanda não surja a partir de seu lugar, possibilitando um manejo que se mostra imprescindível no estabelecimento de contato com esse autista. Exemplificando tal atitude, Vorcaro (1999) ressalta que “[...] trata-se de acolher a criança sem gozar às suas custas e sem se colocar como objeto de seu gozo”. Ou seja, ali onde o Outro deixa de ocupar o lugar de demanda para a criança autista, ela já não se sente invadida, e assim algum trabalho pode ser possível.

Diante do trabalho com essa criança, espera-se que o analista não fique à espera de algo que o sujeito apresente, uma resposta ao tratamento, um sinal de “melhora” ou algo semelhante, já que qualquer interferência maior vinda do Outro, instalada na figura do analista pode ser vivenciada como enorme recusa e invasão.

Há que se encontrar a medida para que do analista o sujeito possa manter a boa distancia, evitando horrores da transferência com um Outro não-barrado [...] a criança autista não suporta a voz, o olhar do analista. Tais objetos – o objeto voz e o objeto olhar – furam o corpo próprio ali onde não há demanda por falta de mediação. (ALBERTI, 1999, p.07).

Nesta clínica, portanto, acredita-se que nosso maior trabalho é encontrar essa medida, que permita a criança realizar a operação necessária para produzir-se como sujeito de sua própria história. Na singularidade de cada caso pode-se extrair a lógica dessa medida que desencadeará o trabalho que cada criança realiza, para só assim podermos nos deixar regular por esse trabalho.

No caso das crianças autistas, o gozo do Outro aparece como uma intrusão no corpo. Uma palavra pode desencadear uma automutilação, por exemplo, como recurso extremo no sentido de descompletar, esvaziar o Outro de gozo, que tanto o cobra. Esses sujeitos como vimos no capítulo anterior, estabelecem regras, rituais, repetições de atividades que devem ser mantidas iguais para tratar o excesso sem barreiras do Outro. Esse trabalho exaustivo para a criança tem que ser repetido incessantemente, pois ela fica condenada a tratar o Outro sem descanso, devido a sua falta de inscrição no simbólico e seu “[...] terrível acesso ao real” (LAURENT, 2014, p.45). Desse modo, pode-se pensar que diferentemente da neurose, onde o analista confronta o sujeito com o real, no autismo a posição do analista seria a de acolher as tentativas do sujeito de dar significado ao real.

Se a interpretação no tratamento com os neuróticos se dá através do intervalo entre os significantes, o par de significantes (S1 – S2), no tratamento com os autistas pode-se pensar diferente, considerando que nesses sujeitos não há a falta, não havendo falta, há a presença o tempo todo. Devido a ausência desse intervalo no autismo, se tratando de um S1 sozinho, como proporam o casal Lefort (1990), as palavras vindas de um Outro são muito “pesadas”, a ponto de o sujeito não se sentir a vontade com elas, por exemplo. Importante também lembrar, que sobre o autismo, Lacan (1975) afirma que “[...] são simplesmente pessoas para as quais o peso das palavras é muito sério e que não estão facilmente dispostas a estar à vontade com essas palavras [...]” (LACAN, 1975 apud AZEVEDO, 2011, p.124).

 Ainda sobre a questão, Pimenta (2003) também atesta: “O analista deve converter-se em um novo parceiro do sujeito, porém fora de toda reciprocidade imaginária e, mais ainda, sem a função de interlocução”. (PIMENTA, 2003, p.120).

Podemos observar que a tática na direção do tratamento com os autistas, consiste, em vez de interpretar, notificar a mensagem do sujeito. Tal constatação se aproxima do que Lacan formulou em seu Seminário, livro 3, As psicoses como secretário do alienado em 1955: “Pois bem, não só nos passaremos por seus secretários, mas tomaremos ao pé da letra o que ele nos conta – o que até aqui foi considerado como coisa a ser evitada [...]” (LACAN, 1955 apud AZEVEDO, 2011, p.132).

A partir dessa concepção, a direção do trabalho não é o da interpretação do comportamento ou das coisas que a criança diz, já que o simples fato de se dirigir à criança uma palavra já pode ser vivido como persecutório. Interpretar seria constatar a presença do Outro do saber, que no caso da psicose é identificado como o Outro que goza do sujeito como objeto, tão terrivelmente sentido pelo autista.

A intervenção do analista na clínica da psicose, mais particularmente na clínica com as crianças autistas, não se faz a partir da interpretação, ou de uma palavra que levaria o sujeito a continuar associando, construindo um saber que seria sua própria interpretação, como na clínica da neurose.

Como não se ocupar, então, dessas crianças e ao mesmo tempo lhes dirigir uma palavra que não seja vivida de forma avassaladoramente intrusiva para elas? Este é o desafio implicado na clínica com essas crianças.

Ao mesmo tempo em que parece não se interessar pela presença do Outro, não respondendo e não aceitando essa presença, a criança autista o vê como abusivamente presente e invasor. Sendo assim, podemos pensar que uma condição necessária para o trabalho clínico com ela, seria  deixar esse Outro, na figura do analista, se deixar regular pelas construções que a criança já realiza para tratar esse Outro desmedido, representando para a criança, como uma alteridade alternativa ao seu Outro “terrível”, a construção de uma alteridade que permita à criança regula-la à seu modo. Parece necessário que a iniciativa fique do lado da criança.

Pode-se constatar que uma observação feita por analistas que trabalham com crianças autistas é a de que se nos ocuparmos dela de forma distraída, se estivermos entretidos com alguma outra coisa sem nos dirigirmos a ela de forma direta, essas crianças podem responder de forma diferente, já que qualquer demanda ou endereçamento à ela pode ser vivido como invasor e provocar o desencadeamento de uma crise.

Acreditamos, portanto, que [...] no tratamento destas crianças, é a de se colocar numa posição de presença ausente, dirigindo à criança uma espécie de oferta sem demanda, evitando, inicialmente lhe dirigir diretamente uma palavra, ou o olhar. Haverá que se inventar, a cada caso, uma forma particular de se fazer isto a partir do que nos indica cada criança em sua singularidade (RIBEIRO, 2013, p.91).

A questão que podemos nos colocar à reflexão do ponto de vista da direção do tratamento seria de que lugar “operar”, já que essa criança não dirige ao Outro nenhum apelo e qualquer demanda é vivida como intrusiva.

Laurent (2014) em seu livro “A batalha do autismo”, discorre sobre os diferentes métodos comportamentais usados nesses sujeitos onde não é possível detectar de nenhuma forma o aparecimento e consentimento dos mesmos que é submetido à revelia das estatísticas de sucesso no tratamento com autistas.

Porém, ele diz que o adversário mais resoluto das técnicas comportamentais não são os psicanalistas (LAURENT, 2014, p. 136), e sim os próprios autistas. Em seu livro há o testemunho de Michelle Dawson, autista que se tornou pesquisadora no Canadá. Participa de uma equipe de pesquisa em Montreal e tem publicado um artigo de 2004, intitulado “O mau comportamento dos comportamentalistas – Problemas éticos da indústria ABA – autismo”. Nele Dawson faz duras críticas aos objetivos conformistas dos programas e técnicas comportamentais que visam somente a extinção da maneira original de ser dos autistas. Em seu entendimento o autismo está para além do comportamento e reivindica os “sucessos” experimentados pelos comportamentalistas, alegando serem suas praticas “[...] uma conjunção de ética lamentável com desonestidade científica” (LAURENT, 2014, p.139).

Falar dessa aprendizagem repetitiva e mecanicista nos métodos experimentais do comportamento faz clarear ainda mais a direção de tratamento que a psicanálise dá ao sujeito autista. Essa epistemologia comportamental surge num trabalho contra a vontade do sujeito, impondo “transformações” no modo de agir da criança, suprimindo suas condutas que são, na verdade, suas defesas, o que o sujeito tem de mais precioso e particular é tomado dele sem a menor consciência por parte do terapeuta de que há ali um sujeito muito sensível e com singularidades muitas vezes indescritíveis.

É possível acreditar que o autista tem muito a perder se submetidos à toda prova a qualquer tratamento que não vise sua relação com o Outro e suas devidas particularidades. A falsa ciência “observável e objetivável” não trabalha com o tempo da criança autista, e sim com o resultado aparente que pode ser apresentável aos pais e a comunidade, como forma de terapia de sucesso que se realiza em pouco tempo para a inserção do autista na “normalidade” com os pares.

Maleval (2011) ao escrever “O que há de constante no autismo?” defende a concepção de que o “[...] autismo não é alguma coisa que a pessoa tem. Não há uma criança normal escondida atrás do autismo [...] O autismo é uma maneira de ser, não é possível separar o autismo da pessoa [...]” (MALEVAL, 2011, p.03).  Segundo ele, ainda que isso fosse possível, a pessoa que ficaria sem o autismo não seria mais a mesma do início. E o que vemos constantemente resistir no discurso da ciência é o contrario, é a tentativa de extrair esse sujeito do “lugar onde o autismo se instalou”, através de técnicas incisivas do comportamento que aparentam dar bons resultados.

O testemunho de Dawson é claro quanto a essas questões, levados ao extremo em terapias comportamentais cegas, são forçados a saírem de sua borda, que é tudo que esses sujeitos têm para fazerem um limite mínimo entre ele e o Outro, que servem de fronteira e proteção quanto ao Outro invasor. Ela diz:

Os terríveis sofrimentos das primeiras semanas de ABA não se devem ao fato de sermos extraídos de nossos supostos mundos privados. É mais plausível que os choros, os gritos pungentes e as fugas sejam os de uma criança que se rebela ao ser forçada de maneira repetitiva a abandonar seus pontos fortes (LAURENT, 2014, p.141).

Aqui pode-se perceber a distinção entre o “vazio de saber” que a psicanálise propõe ao tratar o sujeito autista e o “saber implícito” dos educadores e terapeutas comportamentalistas. Diante dessas experiências clínicas, podemos entender que o analista deve operar com seu ser, não querendo ensinar, compreender, demandar ou mesmo querer que a criança fale, diga algo, responda ao tratamento, mas operar de um lugar vazio de conhecimento na tentativa de fazer aparecer à sua própria maneira o sujeito em questão, o sujeito do autismo.

3. Um Meio para Falar – O Relato de Naoki Higashida em “O Que Me Faz Pular”

Reconhecer a criança como sujeito envolve identificar suas potencialidades e os variados fatores que compõem a situação de seu sofrimento, buscando soluções em conjunto com ela. Abrir espaço para o saber das crianças autistas implica ajudá-los na sua singularidade, com tudo aquilo que os afeta em particular.

Ao mesmo tempo, ao escutar a criança em sua singularidade, abre-se um espaço para que o sujeito possa se expressar. Lacunas discursivas, repetições sintomáticas, ambiguidades, contradições e acontecimentos inesperados são pontuados na intenção de elaborar alguma hipótese sobre o funcionamento da criança. Nesse processo, a criança é colocada na posição de falante, reconhecida como sujeito capaz de assumir um discurso próprio e particular, demonstrando qual é sua inscrição subjetiva e o seu funcionamento psíquico.

Acreditar nessa possibilidade é considerar a relevância que fala Lacan, na Conferência em Genebra em 1975: “[...] os autistas não conseguem ouvir o que temos a lhes dizer porque eles não nos escutam, mas deve existir seguramente alguma coisa para lhes dizer”. Assim não podemos dizer que os autistas estejam fora da linguagem, pois eles são “verbosos”, ou seja, a linguagem para eles não serve à comunicação, muitas vezes a fala não passa de um automatismo mental.

É assim, que Naoki Higashida, treze anos, autista e autor do livro “O que me faz pular” convida o leitor a imaginar uma vida cotidiana em que sua capacidade de falar lhe seja tirada. Explicar que está cansado, com fome ou com dor está tão além dos seus limites quanto conversar com um amigo.

Seu livro fora composto por cinquenta e oito perguntas simples, perguntas que frequentemente são feitas pela maioria das pessoas que desconhecem o autismo e o modo de seu “funcionamento”. O livro, no entanto, vai além de fornecer informações, oferece uma prova de que, encerrado no corpo aparentemente incapaz do autista, está um sujeito que quando colocado em condições em que suas invenções são valorizadas e não tomadas como obstáculos a seu desenvolvimento, torna-se possível para ele, não sair do seu autismo, mas de seu mundo imutável e seguro, abrindo-lhe um possível acesso à vida social.

Naoki, segundo o prefácio do livro, “sofre” de autismo severo. Preso em seu mundo individual, muitas vezes ele exibe comportamentos vistos como estranhos, peculiares, “inadequados”. Seja repetindo palavras e frases aparentemente sem sentido ou evitando contato visual com outras pessoas, tem uma enorme dificuldade de se comunicar e de socializar. Com apenas treze anos, escreveu “O que me faz pular”, um relato íntimo e penetrante que explica o modo de agir muitas vezes desconcertante das crianças autistas. Naoki nasceu no Japão em 1992 e foi diagnosticado com “tendências autistas” em 1998. Depois disso, passou a frequentar escolas para estudantes com necessidades especiais, formando-se em 2011. Já publicou diversos textos de ficção e não ficção e ganhou prêmios literários. Ele também dá palestras sobre autismo e mantém um blog.

A possibilidade de “dar voz” à fala de Naoki só veio através de uma via não pedagogizante de intervenção e educação, através de uma aposta no sujeito feita graças à determinação de sua mãe e de uma professora da escola. Naoki aprendeu a se expressar apontando as letras em uma espécie de teclado de papelão, e desde então o que tem a dizer traz uma certeza para a compreensão da singularidade que tanta caracteriza o sujeito autista em todas as suas formas.

Naoki conseguiu se expressar não através de uma aprendizagem sistematizada, que não leva em consideração as “obsessões” e estereotipias do sujeito autista, onde a fonte da mudança do seu comportamento estaria nas mãos da educadora ou da mãe, mas sim através da sensibilidade do método que leva em consideração a subjetividade que ele expressava, apostando na responsabilidade do sujeito para uma possível independência onde a mudança seja inerente à criança, onde o saber responsável por essa mudança estaria do lado do sujeito autista.

Partindo da concepção psicanalítica os sintomas que o sujeito autista apresenta não são falhas a serem suprimidas e sim respostas vindas dele, assim, partimos desse sintoma para a intervenção, propiciando, por meio do trato com essa criança, um contexto em que novas respostas possam surgir. A fala de Naoki vai ao encontro dos princípios da Psicanálise.

Uma aproximação puramente educativa do autismo repousando sobre o saber do educador, sem dar lugar à subjetividade e às escolhas do autista, melhora geralmente o comportamento social, mas não permite obter uma capacidade de levar em conta a falta de garantia do Outro com o que todo sujeito deve compor para aceder a certa autonomia e se sentir responsável por seus atos, aponta Maleval (2011, p. 29).

Por mais úteis e bem-intencionados que sejam os métodos de aprendizagem alguns encontram limites. Sua eficácia é geralmente limitada à aquisição de uma competência específica, visada pela intervenção estudada, de modo que ela não implica uma mudança significativa do funcionamento do sujeito autista que se beneficia da intervenção. “São os sujeitos concernidos pelo autismo que podem nos ensinar mais, pois possuem um precioso saber sobre eles mesmos” (MALEVAL, 2011, p.30). É justamente isso que propõe o autor do livro Naoki Higashida. Desejoso e capaz de dizer o que seria a melhor forma de compreender e até mesmo ajudar as pessoas a lidar com o autismo, produz relatos e respostas lúcidas e claras acerca de si mesmo.

A melhor proposta para lidar com essas crianças autistas seria a que não sacrificasse a individualidade e a liberdade da criança em função da ideia que pais e professores tem dos valores e da subjetividade dos autistas. Temple Grandin (1997, p.114 apud Maleval, 2011, p.31) confirma tal ideia ao dizer: “As pessoas que mais me ajudaram foram as mais criativas e menos apegadas às convenções”. A constatação de Grandin nesse relato orienta claramente em direção aos tratamentos que sabem levar em conta a afetividade do sujeito autista e sua capacidade de mobilizar seus próprios recursos criativos para construir os modos de estabilização que lhe são próprios.

A orientação que a Psicanálise lacaniana usa para a clínica com autistas estabelece que o analista ocupe um lugar de não saber diante do que lhe apresenta o autista, para que seja possível ajudá-lo em seu trabalho incessante de regulação do Outro.

Ansermet (2003), baseando-se na conferência de Lacan sobre o sintoma, admite que os autistas também têm algo a nos dizer, ainda que seja indizível. Esse indizível deve ser tomado como uma forma de dizer, e o escutar, como parte da fala.

No início do livro, logo na primeira pergunta, Naoki responde como ele consegue escrever através do método que aprendeu. Ele inicia “[...] você pode achar que a fala é a única forma de demonstrar seus pontos de vista e intenções, mas existe outra maneira de dizer o que se quer sem usar o sistema nervoso vocal” (HIGASHIDA, 2014, p.27).

Partindo da indicação essencial de Lacan que faz do autista não ser mudo, mas um personagem “antes de tudo verboso”, Maleval (2011) se dedica a demonstrar como a preocupação de cortar a linguagem da enunciação aparece como uma constante no autismo, tanto na escuta, quanto na fala.

Quando o sujeito autista procura se comunicar, ele o faz, tanto quanto possível, de uma maneira que ele não põe em jogo nem seu gozo vocal, nem sua presença, nem seus afetos. Se há uma constante discernível em todos os níveis do espectro do autismo, ela reside na dificuldade do sujeito em tomar uma posição de enunciador. Ele fala [...] na condição de nada dizer. (MALEVAL, 2011, p. 07).

Desse modo, Maleval localiza a constante maior do funcionamento autístico, que Naoki explicita claramente em suas palavras, que é proteger-se de toda emergência angustiante do objeto voz, de sua própria voz, pela fala ou pelo mutismo, e da voz do Outro, ao evitar a interlocução. Naoki continua “[...] não conseguir falar significa não compartilhar o que a gente sente e pensa [...]. Para mim, a prancha de alfabeto não é só uma ferramenta para organizar frases: é como eu comunico aos outros o que quero e preciso que eles entendam”. (HIGASHIDA, 2014, p.28).

Ainda para Maleval a posição do sujeito autista parece se caracterizar por não querer ceder quanto ao gozo vocal, o que compromete a inscrição do sujeito no campo do Outro. Como resultado disso, a incorporação do Outro da linguagem pelo sujeito não se opera, fazendo muitas vezes que a percepção que ele tem do mundo pareça muito caótica, pois se encontra lotado de um gozo não regulado pelo simbólico. A cerca disso, Naoki exemplifica “Para mim, era muito difícil agir como uma pessoa normal. Até hoje eu não consigo “fazer” uma conversa de verdade”. (HIGASHIDA, 2014, p.21).

É uma constante maior do funcionamento autista se proteger de toda emergência angustiante do objeto voz, a palavra pode os interessar mas na condição de que ela não seja portadora de sua voz, não se trata de uma recusa de comunicar, mas aceitar falar com seus afetos é também aceitar os constrangimentos da linguagem, “[...] a verborragia autista é um exercício tranquilizador da palavra sem voz” (MALEVAl, 2011, p.33).

É possível perceber nitidamente esse ponto no livro de Naoki, no segundo e sétimo capítulos quando este responde às perguntas: “Por que as pessoas com autismo falam tão alto e de forma estranha?” e “Por que você fala de um jeito tão peculiar?”, ao que Naoki responde:

As pessoas sempre dizem que, quando falo comunico comigo mesmo [...]. É uma daquelas coisas que não consigo controlar. Com certeza existem momentos em que acho o som da minha voz reconfortante, quando digo palavras familiares ou frases fáceis de falar. Quando minha voz estranha é acionada, é quase impossível de segurar, e se eu tento é doloroso, quase como se eu estrangulasse minha própria garganta. Eu ficaria bem com essa voz sozinho, mas tenho consciência que ela incomoda outras pessoas. (HIGASHIDA, 2014, p. 29).

A representação mais clara de uma voz artificial, particular e sem expressividade que Maleval tanto aborda nos sujeitos autistas é possível identificar na “estranheza” da voz emitida por Naoki causada às outras pessoas, mas que “confortavelmente” o protege de ceder à alienação de seu ser na linguagem, de ceder ao objeto de seu gozo vocal.

O ponto comum dos modos de “não-expressão” do sujeito autista reside na recusa de investir qualquer engajamento que seja considerado íntimo demais. O ato de falar pode engajar a troca do objeto maior de seu gozo e pode ser experimentado como mutilação, causando grandes sofrimentos ao sujeito. Como Naoki mesmo relatou, ele ficaria muito bem com essa voz se estivesse sozinho no mundo, para ele essa voz representa uma proteção contra o Outro sentido tantas vezes como um invasor.

A extrema dificuldade não de adquirir uma linguagem, mas de tomar uma posição de enunciação é uma constante no autismo, a dissociação entre a voz e a linguagem é clara. Naoki exemplifica novamente: “No caso, as palavras que queremos dizer e aquelas que conseguimos dizer nem sempre coincidem” (HIGASHIDA, 2014, p.41). A linguagem, não estando investida pelo gozo vocal, é vivida por estes sujeitos como um objeto sonoro que eles não percebem que sirva à comunicação. “Quando existe uma discrepância entre o que penso e o que digo é porque as palavras que saem da minha boca são as únicas que consigo acessar naquele momento” (HIGASHIDA, 2014, p.41), a cisão entre a voz e a linguagem é experimentada como enigmática e dolorosa, mas ela se impõe frequentemente.

Maleval nos indica que encontramos nos sujeitos autistas, para os quais muitas vezes a palavra é devastadora, uma constante da relação com a linguagem, como já dito anteriormente: a retenção do objeto de gozo vocal, a recusa a assumir voz enunciativa na fala, o mutismo, ecolalias, falas sem afeto, monólogos sem endereçamento, entre outros. As regras da linguagem aparecem sem nenhuma opacidade para o autista, não há nenhuma perda na palavra que representa a coisa dita.

Em outro ponto no livro de Naoki podemos perceber que ele põe em questão, talvez de maneira indireta como o autismo tem sido visto predominantemente como um distúrbio e um déficit cognitivo. Na pergunta de número vinte e quatro, Naoki, responde de forma esclarecedora como não há uma pessoa escondida por trás da “doença” autismo. À pergunta “Você gostaria de ser ‘normal’?”, o autor rebate:

E durante muito e muito tempo eu também queria mesmo ser normal. Eu achava que a melhor coisa que poderia acontecer na minha vida era ser igual aos outros. Mas agora, mesmo que criem um remédio para curar o autismo, acho que vou querer continuar do jeito que sou [...] Veja bem, para nós o autismo é normal, então não temos como saber o que os outros chamam de ‘normal. (HIGASHIDA, 2014, p.83).

Maleval (2011) também fala a respeito desse ponto: “O autismo é uma maneira de ser. Ele é invasivo; ele tinge toda a experiência, toda sensação, percepção, pensamento, emoção, todos os aspectos da vida” (MALEVAL, 2011, p.03). Ele ainda cita em seu texto que mesmo Temple Grandin, que concebe o autismo como uma doença genética, mesmo ela afirma: “se eu pudesse, num estalar dos dedos, parar de ser autista, eu não o faria porque eu não seria mais eu mesma. Meu autismo integra quem eu sou” (MALEVAL, 2011, p.03).

A maior luta que a própria psicanálise se impõe com os sujeitos autistas é que eles possam assumir um lugar na cultura, distinta da ordem deficitária incapacitante. Que eles possam encontrar modos de viver, longe dos imperativos e ideais de felicidade e normalidade. Acreditamos que a psicanálise por apostar numa ética do desejo, oferece um trabalho digno, e precisa lutar em sua defesa, para não ser aniquilada pelas fórmulas pré-fabricadas de vida e ordem social.

O campo de interesse da psicanálise de orientação lacaniana foca na posição subjetiva do sujeito em relação ao Outro, ressaltando a singularidade de caso a caso, privilegiando o trabalho do sujeito se constituir na linguagem, e não, necessariamente, no desenvolvimento maturacional do organismo.

A prática psicanalítica com o autismo, não está inerte à espera da descoberta científica etiológica, nem da descoberta milagrosa de medicamento, até porque nenhum medicamento sozinho ensinará uma criança a se inserir na linguagem e a construir laços sociais. A psicanálise aposta na existência de um sujeito, aposta em uma ética, para além do bem comum, numa ética do desejo, ao fazer emergir sujeitos dotados de singularidades ofuscadas pelo discurso universal.

Entre manuais classificatórios e abordagens teóricas eis que surge também uma nova terminologia: Transtorno de Espectro Autista, que serve para designar os mais variados tipos existentes. Segundo Laurent (2011):

Esse "espectro dos autismos", expressão que atualmente se utiliza nas classificações em psicopatologia, ampliou-se a tal ponto, que, em 20 anos, o número de sujeitos incluídos nessa categoria foi multiplicado por 10, atingindo uma frequência de uma em cada 150 crianças. Se forem incluídos nesses espectros os qualificados de "atípicos", o numero tornar-se- á ainda maior, o que faz com que, hoje em dia, mundialmente, o numero de sujeitos autistas possa dobrar, dependendo dos itens considerados pertinentes. Um especialista calculou que, se essa categoria continuar crescendo nessa velocidade, dentro de 10 anos, uma em cada 50 crianças será considerada autista". (LAURENT, 2012. p 18).

O que está em jogo é uma ideologia acerca do que se espera de uma criança, na dimensão dos ideais que o mercado de consumo, isto é, os laboratórios, associados a terapêuticas cognitivas comportamentais, que se apoiam em um mapeamento cerebral, onde a preocupação é o mau funcionamento do órgão e não na posição que o sujeito tem na vida. O sofrimento é reduzido a alterações químicas e estruturais.

4. Considerações Finais

Estimulada pelos impasses e questões que a clínica psicanalítica enfrenta ao tentar conduzir o tratamento com os sujeitos autistas, fomos levados ao trabalho de pesquisa que culminou com a escrita dessa monografia.

É a partir da ética da psicanálise que pudemos ver na estranheza do comportamento das crianças autistas um trabalho, uma tentativa de dar alívio e direção à um gozo não localizável que se impõe sob as formas de estereotipias, automutilações, entre outros, e nos surpreender com as construções e invenções singulares de que essas crianças são capazes para dar conta deste excesso que as invade.

Nessa pesquisa, partimos da pergunta a respeito de como pensar o trabalho clínico psicanalítico com as crianças autistas, questão preliminar a todo tratamento possível das mesmas, e chegamos a algumas indicações sobre uma possível direção de tratamento a partir de uma prática clínica que vise a singularidade e o respeito ao sujeito.

Partindo da hipótese que o autista possui sua condição de sujeito, ainda que muitas vezes não apareça como tal, pode-se apostar na possibilidade de um trabalho clínico psicanalítico e somente a partir do caso a caso, é possível sim fazer emergir esse sujeito.

Vimos que a condição primeira para que alguém possa se incluir no tratamento do Outro que as crianças autistas realizam diz respeito ao não-saber. Manter um lugar vazio de saber é fazer com que ninguém além da criança se coloque como o detentor do seu saber, do seu conhecimento.

Dessa forma, parece ser possível encontrar um lugar para o analista no tratamento da criança autista que não seja o de se ocupar da criança, mas de ocupar-se junto dela, como seu parceiro no tratamento do Outro sem lei.

Lacan, em seu ensino, não se ocupou amplamente do autismo, entretanto, teceu importantes e pontuais comentários acerca do tema. Cabe-nos ressaltar que todos os seus comentários apresentam um ponto em comum: a singularidade apresentada por estas crianças em relação à linguagem. Os enunciados de Lacan partem da clínica e são respostas dadas aos seus interlocutores frente às crenças que situam a criança autista no pré-verbal e não na linguagem.

Podemos verificar, ainda, com a história de Naoki a importância que o consentimento dado pelo sujeito autista a qualquer tipo de intervenção e tratamento é primordial para o sucesso ou não desse processo. O saber a despeito da educadora e da mãe esteve sempre do lado de Naoki, o que só auxiliou em suas próprias produções como sujeito, valorizando sua singularidade.

Podemos, ainda, perceber que a aridez da clínica do autismo convoca o analista a trabalhar com o não-saber, com a surpresa, tomando as manifestações apresentadas por essas crianças como ato, como produções que, de alguma forma, buscam alguma inscrição significante. O analista deve ter sua presença vazia de qualquer demanda, possibilitando a essas crianças também experiências com a linguagem.

Quando tratamos do autismo em Psicanálise, nos deparamos com a impossibilidade e os limites, com a ordem muitas vezes do indizível, mesmo estando o autista no âmbito da linguagem. Assim, a experiência que a clínica nos impõe está desde sempre demarcada pela dimensão do impossível, do não-sentido e do não-saber. A teoria, por sua vez, nos parece ser uma construção que tenta dar sentido ao real da experiência psicanalítica, produzindo uma amarração simbólica e imaginária dessa experiência.

O autismo é ainda uma questão nova, e muito trabalho há que ser percorrido, mas que essa clínica mesmo com suas “pedras e flores”, possa ser percorrida pelo analista com a dignidade merecida, e que haja sempre aposta no trabalho possível com aquele que tantas vezes é tomado como impassível de qualquer trabalho: o sujeito autista.

Sobre o Autor:

Fernanda Marchi de Sousa - psicóloga graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Psicóloga clínica atende pela abordagem em Psicanalítica.

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