Resumo: Este estudo tem como objetivo discutir e compreender o conceito das Personalidades Auto-realizadoras, baseado na teoria de Abraham Maslow. Para elaboração deste trabalho foram cumpridas algumas etapas como a escolha do tópico discursivo, desenvolvimento do plano de trabalho e levantamento bibliográfico. Podemos ter em vista que desde o nosso nascimento, as necessidades estão sempre presentes e prontas para serem supridas. Seja ela a necessidade fisiológica, de afeto ou de segurança, variando de impulsos mais fortes aos mais fracos. Portanto, quanto mais assertivos formos em relação a predição do comportamento das pessoas através do estudo da personalidade, melhor será o entendimento acerca das ações humanas.

Palavras-chave: Abraham Maslow, Personalidades, Auto-Realização.

1. Introdução

A abordagem humanista visa o sujeito como centro importante de seus próprios interesses e valores. É nessa perspectiva que Abraham Maslow desenvolve sua teoria da hierarquia das necessidades, tendo a auto-realização como objetivo parcialmente primordial de cada sujeito.

Pode-se ter em vista que desde o nosso nascimento, as necessidades estão sempre presentes e prontas para serem supridas. Seja ela a necessidade fisiológica, de afeto ou de segurança, por exemplo, variando de impulsos mais fortes aos mais fracos. É através desses “impulsos das necessidades”, que nos guiamos e consequentemente somos afetados em nossas ações perante um dado estímulo de uma situação. Segundo Schultz e Schultz (2011), hierarquia das necessidades é uma combinação de necessidades inatas, desde a mais forte até a mais fraca, que ativa e direciona o comportamento. Conforme dito na citação, as necessidades são inatas, porém, em contrapartida é válido lembrar que a forma de nos comportar é determinada tanto por variáveis pessoais/inatas como também por situacionais.

No decorrer de seus estudos, Maslow deixa claro que para se auto-realizar não significa necessariamente ser de classe socioeconômica alta, pois há outras formas e meios de conquistar e vivenciar a auto-realização. Cabe, por oportuno, destacar dois itens da teoria de Maslow, na qual Schultz e Schultz (2011) diz que, metanecessidades são estados de crescimento ou existência em direção aos quais os auto-realizadores se desenvolvem. Isso implica aparentemente que, a metanecessidade está sujeita a satisfação do indivíduo sem intenções terceiras de querer algo em troca, pois o sujeito pensa no prazer e bem-estar que a atitude vai lhe causar.

Diferentemente da metapatologia, como explica Schultz e Schultz (2011), metapatologia é um impedimento do autodesenvolvimento relacionado ao fracasso em satisfazer as metanecessidades. Dar-se a entender então que, pessoas com metapatologia sentem-se obrigadas a sempre conseguir o que desejam. Sua “motivação” em realizar um comportamento sempre está relacionada com a intenção de ganhar ou ter algo em troca.

Por fim, é importante salientar que a teoria criada por Abraham Maslow apesar de ter recebido muitas críticas a respeito da metodologia usada (com pessoas saudáveis e sem serem de experimentos clínicos) e também por buscar e tornar mais evidente esse lado bom que temos a desenvolver, e não frisar apenas nos defeitos e patologias. Ele contribuiu com novo olhar humanista para área da Psicologia esclarecendo em um horizonte mais amplo e diferenciando quais causas podem influenciar e se manter na personalidade do sujeito e como isso reflete na forma com que ele irá reagir e se relacionar perante os estímulos internos e externos ocorridos diariamente.

É com o intuito de conhecer um pouco mais o que são as personalidades auto-realizadoras e quais problemas permeiam esse ideal, que desenvolvemos o presente artigo, tendo como objetivo discutir e compreender o conceito das Personalidades Auto-realizadoras, baseado na teoria de Abraham Maslow, mostrando também algumas especificidades mediante esse estudo e deixando um ponto de vista a respeito do que ele ansiava ao efetuar esse conceito.

2. Pesquisando as Personalidades Auto-Realizadoras

Abraham Maslow acreditava que as pessoas se desenvolvem ao longo de vários níveis até atingir seu pleno potencial. Poucos alcançam o nível mais elevado de desenvolvimento, e estes são denominados auto-realizados. O maior interesse de Maslow voltava-se para as personalidades mais desenvolvidas. Maslow considerava que as personalidades auto-realizadas são como faróis que orientam a humanidade rumo ao seu pleno potencial (CLONINGER, 1999).

Segundo a Hierarquia das Necessidades proposta por Maslow, a necessidade na categoria mais alta é a de auto-realização. Nesse modelo hierárquico, as necessidades mais inferiores dos indivíduos devem ser amplamente satisfeitas para que as necessidades nas categorias superiores passem a ter importância (FRIEDMAN E SCHUSTACK, 2004).

Pirâmide das Necessidades de Maslow

Figura 1 - Pirâmide das Necessidades de Maslow

Fonte: site.suamente.com.br

Investigaremos as Necessidades de Auto-realização para compreendermos as Personalidades Auto-realizadoras. Conforme nos apresenta Schultz e Schultz (2011), Maslow compreende Auto-realização como a necessidade mais elevada em sua hierarquia, o desenvolvimento mais completo do Self, depende da realização e cumprimento máximos de nossos potenciais, talentos e capacidade. Ainda que uma pessoa tenha satisfeitas todas as outras necessidades na hierarquia, se não estiver auto-realizada, ficará impaciente, frustrada e descontente.

A auto-realização não esta limitada a celebridades intelectuais e criativas. É importante desenvolver os próprios potenciais no mais alto nível possível, em qualquer que seja a missão escolhida. “Um músico precisa compor, um pintor, pintar, um poeta, escrever (...) para enfim, ficarem em paz” (MASLOW, 1970b, apud SCHULTZ e SCHULTZ, 2011 p. 267).

Personalidades auto-realizadoras diferem das outras em termos de motivação básica. Em sua teoria Maslow propôs que auto-realizadores possuem a chamada metamotivação, também conhecida como (motivação B ou do SER), nada mais é que maximizar o potencial pessoal, em vez de esforçar-se por um objetivo particular.

Outro modo como Maslow abordou o problema de definir o que é a auto-realização foi investigando as necessidades especiais, também chamadas de metanecessidades (estados de crescimento ou existência em direção aos quais os auto-realizadores se desenvolvem), que direcionam a vida dos auto-realizadores. O fracasso em satisfazê-lo é danoso e produz um tipo de metapatologia (um impedimento do auto-desenvolvimento relacionado ao fracasso em satisfazer as metanecessidades). Eis o que os auto-realizadores precisam em suas vidas para serem felizes:

Tabela 1 – Metanecessidades x Metapatologias

Fonte: SCHULTZ e SCHULTZ , 2011

 

Metanecessidades

Metapatologias

Verdade

Desonestidade

Beleza

Feiúra ou vulgaridade

Unidade, completude, transcendência de opostos

Arbitrariedade ou escolhas forçadas

Vitalidade

Morte ou mecanização da vida

Singularidade

Uniformidade

Perfeição e necessidade

Descuido, inconsistência ou acidente

Justiça e ordem

Injustiça e ausência de leis

Simplicidade

Complexidade desnecessária

Riqueza

Empobrecimento ambiental

Ausência de esforço

Esforço excessivo

Auto-suficiência

Dependência

Sentido

Ausência de sentido

Segundo Schultz e Schultz (2011), pessoas auto-realizadoras são preocupadas em satisfazer o seu potencial, em conhecer e entender seu meio, estão preocupadas em enriquecer a vida por meio de ações que aumentem a tensão para experimentar uma variedade de eventos estimulantes e desafiadores. Estão em um estado de “SER”, espontâneo, natural e alegremente expressando a sua completa humanidade.

Algumas condições para satisfazer as necessidades de Auto-realização:

  • Estar livres de restrições seja imposta pela sociedade ou por nós mesmos;
  • Estar com as necessidades de ordem inferiores totalmente satisfeitas;
  • Estar seguro de nossa auto-imagem, de nossos relacionamentos, ser capaz de amar e de ser amado;
  • Ser realista, conhecer nossos pontos fortes e fracos, virtudes e vícios.

Maslow discorre a respeito do seu conceito sobre personalidades auto-realizadoras como exemplares modelos de boa conduta, vidas representativas que refletem os valores instintóides mais elevados. Admite ainda que personalidades entregues a seus próprios recursos “crescerão”.

De acordo com Maslow, os auto-realizadores parecem seres perfeitos, mas possuem falhas e imperfeições, em alguns momentos podem ser rudes, cruéis, vivenciar dúvidas, conflitos e tensões, porém com bem menos frequência que as pessoas comuns. 

Durante o desenvolvimento de sua teoria, Maslow não encontrou muitos exemplos de personalidades auto-realizadoras, avaliou que seria em média 1% ou menos da população, porém descreve algumas características que fazem parte dessas personalidades. Maslow selecionou um grupo de personalidades e estabeleceu uma lista de qualidades que pareciam características dessas pessoas, em oposição à grande maioria das pessoas comuns (SCHULTZ e SCHULTZ 2011).

Características das Personalidades Auto-realizadoras:

  • Percepção clara da realidade;
  • Aceitação de si, dos outros e da natureza;
  • Espontaneidade, simplicidade e naturalidade;
  • Dedicação a uma causa;
  • Independência e necessidade de privacidade;
  • Vigor de apreço;
  • Experiências místicas ou culminantes;
  • Interesse Social;
  • Relações interpessoais profundas;
  • Tolerância de aceitação dos outros;
  • Criatividade e originalidade;
  • Resistência a pressões sociais.

Algumas personalidades que possuíam essas características eram figuras históricas, outras eram pessoas que Maslow conhecia. As pessoas escolhidas eram aquelas que se encaixavam no padrão de auto-realização. Maslow então estudou suas biografias e escritos, e os atos e palavras daquelas que ele conhecia pessoalmente.

As experiências culminantes são comuns para pessoas plenamente auto-realizadas. Essas pessoas estão espiritualmente satisfeitas ou preenchidas - estão bem com elas mesmas e com os outros, são afetuosas e criativas, realistas e produtivas. Essas pessoas auto-realizadas se conhecem de fato e aceitam-se como são, costumam ser independentes, espontâneas e brincalhonas. Elas conseguem estabelecer relacionamentos profundos e íntimos com outras pessoas e geralmente amam a humanidade (FRIEDMAN E SCHUSTACK, 2004).

Exemplos de personalidades históricas auto-realizadas identificadas por Maslow:

Personalidades Auto-realizadas

Realizações

Albert Einstein

Usou seu gênio criativo para reconsiderar suposições fundamentais sobre tempo e espaço.

Eleanor Roosevelt

Demonstrou interesse por todos os seres humanos e empenhou-se para ajudar a melhorar a vida humana.

William James

Como fundador da Psicologia, instituiu uma nova perspectiva criativa.

Baruch Spinoza

Desafiou a ortodoxia religiosa de sua época ao propor idéias consideradas heréticas.

Abraham Lincoln

Lutou por um conceito moral de liberdade a um custo pessoal bastante alto.

Thomas Jefferson

Foi o arquiteto e o filósofo de um novo modo de governar, fundamentado em princípios democráticos.  

Pablo Casals

Tornou-se o que muitos acreditavam ser o maior violoncelista do século XX.

George Washington Carver

Demonstrou grande criatividade e espírito empreendedor frente à adversidade e discriminação.

Tabela 2 – Personalidades Auto-realizadas

Fonte: Friedman e Schustack, 2004

Muitas pessoas não conseguem atingir o nível de auto-realização pelo fato que, quanto mais elevada for à necessidade na hierarquia proposta por Maslow, mais fraca ela será. Podemos citar como exemplo que pais hostis e desdenhosos tornam difícil para uma pessoa satisfazer as necessidades de amor e estima. Em um nível inferior, condições econômicas de pobreza podem tornar difícil satisfazer necessidades fisiológicas e de segurança. Educação inadequada, bem como práticas impróprias na infância, podem frustrar o impulso para a auto-realização na idade adulta.

Vejamos o que nos diz Schultz e Schultz (2011) a respeito desse conceito:

A auto-realização exige coragem. Mesmo quando as necessidades inferiores já tenham sido satisfeitas, não podemos cruzar os braços e esperar ser arrastados em direção ao êxtase e à satisfação por algum caminho coberto de flores. O processo de auto-realização exige esforço, disciplina e autocontrole. Assim, para muitas pessoas, pode parecer mais fácil e seguro aceitar a vida como ela é, em vez de procurar novos desafios. Os auto-realizadores testam a si mesmos constantemente, abandonando rotinas seguras, comportamentos e atitudes familiares (SCHULTZ e SCHULTZ, 2011, p. 273).

Portanto, a necessidade de auto-realização é a mais elevada, por isso é a menos potente, sendo assim, facilmente inibida. Em casos citados acima, a auto-realização pode não emergir ou assume uma importância menor na vida do indivíduo, privando-o de atingir o mais elevado nível de sua personalidade.

3. Conclusão

Há muito a Psicologia estuda e reflete acerca da ação humana, e as teorias da motivação proporcionam um grande leque de conclusões em relação à mesma. Por essa razão faz-se conciso conhecer as variáveis que levam o indivíduo a um grau satisfatório no que concerne a auto-realização, visto que o ser humano está sempre em busca de auto-realizar-se.

Maslow descreveu em sua teoria de pesquisa a partir de uma pirâmide, as necessidades das pessoas de maneira hierárquica, ou seja, das necessidades mais inferiores até o nível mais alto possível a auto-realização, quando se sentirá completa e estas se diferem justamente devido ao fato de pertencerem a diferentes níveis. Entretanto para conseguir o desenvolvimento pleno é preciso identificar e retirar os empecilhos que impedem nosso desenvolvimento. 

As necessidades de auto-realização são àquelas necessidades de cada pessoa em realizar o seu próprio potencial e de autodesenvolver-se continuamente. As necessidades auto-realizadoras, surgem a partir do momento em que as demais necessidades: fisiológicas, de segurança, de amor e de estima, foram pelo menos parcialmente supridas, então se passa a um segundo estágio, uma busca em constante em suprir um sucessivo desejo de desenvolver potencialidades, transcender ao comum. E estas, continuam a ser sentidas indefinidamente, e não há como atendê-las plenamente, pois elas sempre o atraem a se tornar o mais “completo” possível.

Quando ocorre o contrário, e o indivíduo não consegue suprir suas necessidades inferiores, até certo nível, por consequência também não conseguirá dedicar-se integralmente ao desenvolvimento de seus potenciais, ou seja, não estará enquadrado no grupo de pessoas que se apresentam dentro dos padrões concernentes as necessidades de auto-realização.

De acordo com definição de Maslow sobre as pessoas auto-realizadas, essas apresentam percepção objetiva de realidade, plena aceitação da própria natureza, compromisso e dedicação a algum tipo de trabalho, simplicidade e naturalidade do comportamento, necessidade de autonomia, privacidade e independência, experiência de "pico" ou místicas intensas, atitude de criatividade e um alto grau de interesse social. Não apresentam neuroses. Geralmente estão na meia idade ou em faixa etária superior e representam cerca de 1% da população.

O estudo da personalidade procura explicar particularidades humanas que influenciam o comportamento e desse modo contribui enquanto padrão pessoal de referência para a compreensão de tudo aquilo que ocorre tanto no ambiente como dentro de si mesma.  Assim, quanto mais conhecimento da personalidade entre pessoas em seus respectivos padrões de referências pessoais, maior será a probabilidade de uma comunicação bem sucedida. Quanto mais assertivos formos em relação a predição do comportamento das pessoas através do estudo da personalidade, melhor será o entendimento a cerca das ações humanas.

O encorajamento do desenvolvimento individual é uma possibilidade, porta de entrada para o desenvolvimento de uma boa formação da personalidade do indivíduo que apreende através das situações de auto-realização, meios para crescer no que se refere à esfera da realização da conquista de suas potencialidades.

Sobre os Autores:

Alcione Maria de Lima Silva - Academica do 5º período do Curso de Graduação em Psicologia da FAINTVISA – Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão – PE.

Cleonice de Arruda Rodrigues - Academica do 5º período do Curso de Graduação em Psicologia da FAINTVISA – Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão – PE.

Cristina Maria de Albuquerque - Academica do 5º período do Curso de Graduação em Psicologia da FAINTVISA – Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão – PE.

Maria José da Silva - Academica do 5º período do Curso de Graduação em Psicologia da FAINTVISA – Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão – PE.

Orientador: Professor Carlos Antonio de Sá Marinho

Referências:

CLONINGER, S. Teorias da Personalidade. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

FRIEDMAN, H.S; SCHUSTACK, M.W; Teorias da Personalidade clássica a pesquisa moderna. São Paulo: Prentice Hall, 2004.

SCHULTZ, D. SCHULTZ, S.E. Teoria da Personalidade. 2 ed. São Paulo: Learning, 2011.

Utilização de Sites:

PEDRASSOLI, Alexandre. Maslow e as pessoas auto-realizadoras. Disponível em <http://www.buscadorerrante.com/wp/2009/maslow-e-as-pessoas-auto-realizadoras/>

A Pirâmide de Maslow – Fonte: <http://www.gueb.org/motivacion/La-Piramide-de-Maslow> Disponível em  <http://site.suamente.com.br/a-piramide-de-maslow/>