Segundo Skinner (1957) o comportamento verbal é um comportamento operante, que ocorre quando um indivíduo se comporta e existe a mediação do outro.

Segundo Skinner (1957) o ouvinte responde aos estímulos verbais produzidos pelo falante. O indivíduo é falante ao comportar-se verbalmente perante o outro e torna-se um ouvinte ao comportar-se funcionalmente a estímulos verbais produzidos por outros indivíduos.

O comportamento verbal constitui uma resposta que ocorre sob efeito de múltiplas causas, como comportamento operante o comportamento verbal pode ser explicado a partir da análise de uma contingência de 03 termos. As diferentes características das relações entre os 03 termos é que caracterizam os diferentes operantes verbais.


Como principais operantes verbais tem-se:

Mando- operante verbal pelo qual a comunidade verbal é capaz de dar ordens, fazer pedidos, identificar reforços necessitados pelas pessoas, fazer perguntas, dar conselhos e avisos, pedir atenção de alguém, etc.

O repertório de mando (assim como outros operantes verbais) é construído em situações em que um operante verbal emitido sob privação ou estimulação aversiva foi seguido de uma mesma conseqüência reforçadora.

SD(OE)->  R(falante)->   C(especifica)/(ouvinte)


O mando especifica seu reforço, enquanto os outros operantes verbais (tato, ecóico, intraverbal, textual...) são relativamente independentes de qualquer operação estabelecedora. O controle antecedente é exercido por estímulos antecedentes específicos e emitem reforçador não-específico.


Tato- permite que a comunidade verbal tome contato, indiretamente, através do comportamento verbal do falante, com vários aspectos do ambiente físico e cultural. O tato é controlado por estimulo discriminativo não-verbal, tendo como conseqüência o reforço generalizado(tato puro). Porem pode ficar sob controle de um antecedente e de uma operação estabeledora, neste caso também é um mando(tato impuro).

Segundo Skinner o tato seria o operante verbal mais importante devido ao controle exercido por um estimulo antecedente não verbal estabelecido por uma comunidade reforçadora. O tato beneficia o ouvinte porque amplia a sua interação com o meio, possibilitando o ouvinte ter contato com um estimulo, mesmo na ausência dele, a partir da resposta do falante. E beneficia em relação a aprendizagem, como por exemplo a criança tatear cores, letras, números.

SD(ñ verbal)->

R(verbal)(falante)->

C( reforço generalizado)

Além deste conceito há também o tato autodescritivo, comportamento verbal emitido por um individuo controlado por outro comportamento emitido pelo mesmo.

 Ecóico- condição prévia necessária para o estabelecimento de outros tipos de operantes verbais. É controlado por estimulo discriminativo verbal apresentado por outro falante e por reforço generalizado. O estimulo discriminativo e a resposta verbal correspondem  ponto-a-ponto. O individuo atua como ouvinte e como falante.

SD(verbal)(falante)->

R(verbal)(ouvinte)->

C(não especifica)

R=SD


Intraverbal- O intraverbal diferencia-se do tato basicamente por causa dos estímulos discriminativos que controlam cada um dos dois, no caso do primeiro, o discriminativo é verbal e no segundo não-verbal.

SD(verbal)(falante)->

R(verbal)(ouvinte->

C( não especifica)

SD≠R

Adquirindo um repertorio intraverbal fica mais fácil adquirir outros comportamentos verbais e não-verbais. Quando um individuo adquire um repertorio intraverbal, aumenta a força de suas respostas verbais, pois estas ficam sob controle de uma diversidade de estímulos verbais que são produzidos pela comunidade.

Após esta apresentação breve dos principais operantes verbais pode-se notar que o que  diferencia o comportamento verbal em relaçao a outros operantes é que  as relações entre a conseqüência provida pelo ambiente e a resposta são mediadas por pessoas. A função do comportamento verbal relaciona-se a vida do homem em sociedade.

Cada operante verbal exerce um controle funcional independente. Portanto adquirir um operante verbal pode ser requisito para aquisição de outro operante verbal, não necessiariamente torna a pessoa apta a emitir todos os operantes a partir da aprendizagem de um.

Em se tratando de ensino a crianças com desenvolvimento atípico é muito comum a falta de habilidade de lidar com operantes verbais. Dentre os vários manuais utilizados, Fazzio notou a falta de homogeneidade entre os programas de ensino, alguns priorizam iniciar os treinos com comportamentos nos quais o individuo atua como falante, em outros que o individuo atue como ouvinte.

Porem todos envolvem inicialmente treinos mais simples, com topografias menores e poucas relações de controle de estímulos envolvidos e vai se estendendo para treinos mais complexos com topografias maiores e mais relações de controle de estímulos envolvidos. O que se faz essencial neste aspecto é considerar o repertorio de cada individuo, para organização e planejamento dos treinos dos operantes.