Resumo: este trabalho tem por objetivo desenvolver o conceito de corpo, sujeito e sua relação com a cultura. Para tal, tentaremos tomar como base alguns questionamentos como: o que tá significando a palavra corpo? Até onde o culto a beleza pode nos levar? O que é o corpo afinal?

Palavras-chave: Abordagem Centrada na Pessoa, Corpo, Sujeito, Cultura.

1. Introdução

1.1 Corpo e Cultura

O corpo na nossa cultura vem se tornando cada dia mais um foco de modificações. A mídia a cada dia impõe mais estereótipos de força e magreza. Mas, afinal, o que é o corpo? Segundo Foucault (2011, pag. 134 apud FOUCAULT 1989): o corpo é o local onde se manifestam os efeitos do poder e também território para resisti-lo. Suas considerações permitem verificar o modo como as relações de poder moldam e adestram os corpos para o consumo diário no mundo moderno. Os nossos gestos, as expressões do nosso corpo, a nossa capacidade de falar, pensar e conhecer. A forma como sentimos, pensamos, desejamos, tudo isso é o corpo.

1.2 O Culto ao Corpo Perfeito

O culto ao corpo não é algo recente. Já na antiguidade, os gregos viam o corpo como algo muito importante, tanto quanto o intelectual e para ambos já buscavam a perfeição.

A diferença não é algo aceitável no nosso meio cultural, mas isso não é algo que vem do hoje, do presente, que surgiu agora, no século XXI. Essa questão nos fez lembra o Mito de Procusto, que representa muito bem a intolerância do sujeito com seu semelhante.

Brandão (1986) dizia que Procrusto era um bandido que vivia numa serra chamada Serra de Elêusis. Na sua casa existia uma cama de ferro, que era compatível ao seu tamanho e sempre convidava os viajantes que por ali passavam, oferecendo-lhes hospedagem em sua casa. Se os mesmo fossem altos demais Procrusto amputava o excesso de comprimento para ajustá-lo em sua cama e os que tinham uma estatura menor eram esticados até atingirem o tamanho ideal para ele, porém, suas vítimas nunca se ajustariam, pois o que ninguém sabia era que Procrusto tinha duas camas de tamanhos diferentes.

É comum dizermos, na nossa cultura, vivemos um culto ao corpo, mas isso não é verdade. O que se tem valorizado é a imagem do corpo, anabolizantes, botox, silicone, cirurgia plástica, lipoaspiração, o photoshop, porque, aquela imagem de corpo que aparece muitas vezes, não é o corpo que foi fotografado. A tortura que muitos vivem para não ter celulite, para ser magro, não pode ser visto como valorização do corpo. Para ser bonito não é necessário passar fome, ficar horas e até dias sem se alimentar. A obesidade fará com que o indivíduo não seja reconhecido pela sociedade, como sujeito, como pessoa? O que é isso que a gente valoriza tanto e que a gente chama de corpo?

Hoje o que se constitui é um corpo fascista, aquele desejo de se anular diante do desejo do outro. A luta que as pessoas têm é de se transformar em outra coisa que não seja ela mesma, fugindo do desafio maior que é entrar em contato consigo mesmo e TORNAR-SE PESSOA para ser um estereotipo, uma proposta da sociedade.

E toda a nossa cultura é contrária a esse movimento, pois, crescemos e estudamos focados o tempo inteiro, em ter as coisas. Você precisar estudar para ser alguém, mas ser alguém não significa ser O SER, ser alguém significa ter um corpo perfeito, magro e sarado, ter um bom emprego, uma boa casa, que vai ter dinheiro, roupas, que vai ter coisas caras.

1.3 Libertação do Determinismo da Estética Corporal

As pessoas têm se violentado fisicamente e psiquicamente em busca dessa perfeição corpórea porque, na verdade, o que falta é uma educação que forneça o autoconhecimento, a autonomia, a compreensão de si mesmo e do mundo que habita em cada um. Não há em nossa cultura uma educação que visa desenvolver a capacidade crítica das pessoas, que favoreça o aluno a capacidade de manifestar suas ideias e partir de então expressar sua corporeidade.

“Descobri que sou mais eficaz quando posso ouvir a mim mesmo aceitando-me, e posso ser eu mesmo, de modo que sei melhor do que antigamente o que estou sentindo num dado momento”. (ROGERS, 2014, p.20).

2. Conclusão

Conclui-se que a concepção de corpo em nossa cultura, hoje, está ligada ao nosso processo de educação que desde muito cedo estabelece padrões estéticos que estimula homens e mulheres a busca pelo corpo perfeito. Não há em nossa cultura nenhum movimento que visa o autoconhecimento, logo, não aprendemos no nosso processo de educação a cuidar das nossas emoções e por isso não sabemos lidar com as nossas insatisfações, nossas diferenças, nossos limites e acabamos por ser uma proposta da sociedade e suas exigências.

Referências:

ROGERS, C. R. Tornar-Se Pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

Foucault, Michel. Sexualidade, corpo e direito. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2011.

BRANDÃO, Junito de Souza. Dicionário mítico-etimológico da mitologia grega. Petrópolis: Vozes, 1986.