Resumo: O presente trabalho de pesquisa e revisão bibliográfica exploratória deseja trazer uma reflexão introdutória, buscando compreender sobre as condições facilitadoras proposta na ACP, como estas possam contribuir para uma aprendizagem significativa. O objetivo principal de pesquisa é conhecer os principais conceitos da abordagem, e como estes colaboram para o autoconhecimento, e aprendizagem com prazer. A motivação e escolha do tema apresentado foram por acreditar neste  jeito de atuação, e na abordagem. E também ao observar o desafio em sala de aula, quanto ao crescente desinteresse de alunos pelos conteúdos pragmáticos dentro dos limites do ensino. Diante desta demanda em sala, surgiu a curiosidade em conhecer este fenômeno. A metodologia utilizada  foi usada obras clássicas traduzidas, alguns artigos ligados ao tema articulado, um DVD da coleção pensadores com a biografia do autor desta abordagem centrada. Quantos aos impactos esperados a visão foi tecer novos horizontes e perspectivas que venham facilitar cada vez mais o trabalho do professor e também ir de encontro às necessidades do aluno. Inicialmente, o primeiro capítulo vem mostrar de maneira introdutória a ACP, já o segundo capítulo vem mostrar a visão da aprendizagem significativa, sua importância nesta abordagem. Por fim espera-se que este tema de pesquisa suscite novas compreensões e novos trabalhos que viabilizem melhorias a aprendizagem.
                     
Palavras-chave: Abordagem Centrada na Pessoa, Condições facilitadoras, aprendizagem significativa.

Introdução

O presente trabalho de revisão bibliográfica de cunho exploratório  busca trazer uma reflexão introdutória em compreender como as condições facilitadoras pela Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), contribuem para o processo de crescimento, por meio da aprendizagem significativa. Desta forma, o objetivo geral desta pesquisa foi conhecer os principais conceitos vinculados na abordagem de Carl Rogers, refletindo como estes colaboram para a aprendizagem significativa.

Diante do exposto, esta pesquisa teve como objetivo refletir e descrever os principais conceitos da ACP, em compreender como as condições facilitadoras auxiliam na aprendizagem do aluno. A partir disto, buscou-se no pensamento de  Carl Rogers conhecer as bases que fundamentam sua abordagem, através  da leitura de suas obras traduzidas e de seus seguidores, bem como, a aprendizagem significativa e seu impacto no crescimento pessoal do aluno.

Mediante esta compreensão, a Abordagem Centrada na Pessoa veio trazer uma proposta distinta, que auxilia nas relações humanas, com as quais veio possibilitar a autonomia do cliente tanto em terapia, quanto no trabalho de sala de aula pelo professor. Trouxe também a humanização, desenvolvimento através de atitudes como a consideração positiva incondicional, empatia, e autencidade como modo de agir, forma de atuação, ou seja, um jeito de ser. Tais atitudes concebem o crescimento, que vale dizer que, sua missão visa facilitar a realização das potencialidades humanas existentes.

A primeira compreensão vista das atitudes facilitadoras, é a congruência, ou autencidade, que retrata a capacidade do terapeuta ser original com seus sentimentos em relação a seu cliente. É necessário repassar ao cliente tudo que o terapeuta capta, sente do seu cliente de forma cuidadosa, delicada, que venha permitir mostrar seu interesse a pessoa do cliente, nesta relação, trazendo assim para dentro desta relação o amadurecimento e aceitação entre ambos. Nesta relação o psicoterapeuta precisa estar inteiro, seus sentimentos precisam ser vistos  e presentes fortalecendo esta relação autentica.

A segunda atitude facilitadora é aceitação positiva incondicional, é uma maneira usada pelo psicólogo em considerar seu cliente sem julgamentos, aceitar seus sentimentos, opiniões e pensamentos que possam surgir seja como for. Vale dizer que, aceitar nem sempre é concordar, mas diante da demanda é acolher, respeitar e compreender o outro tal como ele é, sem restrições e sem julgar. Pela aceitação positiva se acredita, confia no potencial da pessoa a partir de sua experiência, é desprender-se de suas “verdades” autoreguladoras aprendidas. Aceitar o outro é o psicólogo acolher as experiências do cliente dando-lhe apoio.

A terceira atitude facilitadora é usar de uma compreensão empática,  afetuosa, que define a ideia de se colocar no lugar do outro, ouvir-lhe, atentar aos sentimentos e significados dados as experiências vividas, e apresentar a pessoa em conflito seu próprio discurso, sua comunicação lhe apropriando da própria escuta e fala. De forma empática, acompanhar o cliente, é adentrar no seu mundo subjetivo, sem preconceitos, por de lado o próprio eu, mostra-lhe segurança, e não  surpreender com nada que o cliente fale.

A abordagem centrada na pessoa não é uma técnica, não existe uma sequencia prévia definida. Segundo o autor desta abordagem é um jeito de atuar, e em acreditar genuinamente no potencial humano de existir, sendo que caso fosse uma forma técnica, perderia a autencidade que esta abordagem propõe. A relação da terapia consiste numa relação profunda entre duas pessoas no caso terapeuta- cliente, nesta relação não existe melhor ou pior. O terapeuta que segue a ACP age como facilitador, auxiliando a pessoa a buscar seu próprio caminho, com responsabilidade, sabendo que todo ser humano deve ser tratado com um ser de valor.

O interesse e motivação quanto à escolha deste tema deram-se, por acreditar neste jeito ser, que propõe esta abordagem. O tema em questão surgiu pela observação frente ao desafio visto em sala de aula, quanto ao crescente e assustador desinteresse dos alunos pelos conteúdos pragmáticos oferecidos. Diante desta demanda, surgiu a partir dela uma curiosidade em conhecer sobre este fenômeno recorrente que tem afetado a aprendizagem, e também dificultado o trabalho do professor neste espaço.

Como impacto esperado frente esta temática de pesquisa, viu-se como uma proposta em rever, observar e repensar novas possibilidades, tecer novos horizontes, bem como, trazer nova perspectiva que possam instigar despertar a curiosidade de outros estudantes de Psicologia, em percorrer novos caminhos que viabilizem o resgate da aprendizagem significativa nas suas diversas áreas de trabalho. Refletir sobre  melhorias que habilitem  adequadamente a     aprendizagem através de novas pesquisas. Este material de pesquisa encontra-se dividido em dois capítulos. O primeiro capítulo aborda de maneira introdutória o histórico da abordagem centrada na pessoa, seus principais conceitos tais como, a tendência atualizante, o self, e o self ideal, campo experiencial, as condições facilitadoras.  Para efeito de busca, foi utilizada obras de Carl Rogers, Araújo e Viena, Moreira, Kinget e Wood.

O segundo capítulo de maneira sucinta pontua como é observada a aprendizagem significativa, através de diferentes pensadores ligados ao tema. Em seguida, será mostrada a importância da aprendizagem significativa, frente à experiência trazida do aluno, e atuação do professor neste espaço. Quanto à metodologia utilizada buscou-se nesta pesquisa de revisão bibliográfica  dialogar com as obras do norte americano Carl Rogers e seus seguidores, bem como, fundamentar este trabalho, visando uma melhor compreensão sobre a temática exposta. Sabendo que, os princípios expostos nesta abordagem são relevantes por auxiliarem e possibilitaram sua utilização em várias áreas do conhecimento tais como: psicologia, educação, grupos ao qual circulam relações humanas.

A construção deste trabalho de pesquisa foi organizada a partir de algumas obras clássicas de Carl Rogers, entre artigos científicos ligados ao tema. Para início de consulta, foi feito leituras em livros do próprio autor, seus seguidores e artigos.  Foi utilizado o DVD: integrante da Coleção Grandes Educadores, referente à bibliografia do autor – o escolhido entre a coleção foi, o DVD da Drª Ana Gracinda Queluz, psicóloga escolar. Para que fosse possível organizar as ideais foram utilizados, alguns artigos científicos do (BVS-PSI) através dos diretórios: ACP, Aprendizagem Significativa, Condições Facilitadoras, Empatia, Congruência, Tendência Atualizante. Para obter uma melhor compreensão do tema, foi tomado como fonte de inspiração metodológica tecer um diálogo com as obras, traduzidas  de modo, a construir uma leitura a partir de outros seguidores do mesmo assunto, e possibilitar um melhor entendimento a esta questão.

Objetivos

Objetivo Geral

  • Compreender como a Abordagem Centrada na Pessoa contribui para a aprendizagem significativa.

Objetivos Específicos

  • Examinar os principais conceitos da abordagem centrada na Pessoa dialogando com as obras de Carl Rogers e seus seguidores.
  • Refletir como as condições facilitadoras desta abordagem podem contribuir na aprendizagem significativa.

Metodologia

Segundo Gil (2002), para que seja possível avaliar a qualidade dos resultados de uma pesquisa, tornar-se necessário saber dados e fontes de informações onde foram obtidas, bem como os procedimentos adotados em base de análise e interpretação. A presente pesquisa de revisão bibliográfica de cunho exploratório  tem como objetivo refletir sobre os principais conceitos da Abordagem Centrada na Pessoa, bem como, esta colabora para uma aprendizagem significativa. Esta pesquisa consiste em mostrar a importância da aprendizagem significativa que auxilia de maneira empática, na vida humana e no crescimento pessoal.

A construção deste trabalho de pesquisa compreende em partes feitas em livros do próprio autor Carl Rogers e artigos científicos. Para inicio de consulta foram analisadas algumas obras clássicas do autor traduzida tais como; Um jeito de Ser (1983), Liberdade Para Aprender (1971), Psicoterapia e relações Humanas (1975), Terapia Centrada no Paciente (1974), Tornar-se Pessoa (1961), De Pessoa Para Pessoa (1977) entre outros colaboradores do mesmo tema de pesquisa. O foco maior dado em pesquisa foi sobre aprendizagem significativa, sendo que a aprendizagem acontece em vários momentos da vida humana, ao falar de significativa significa dizer que não é acumular conhecimentos e sim, algo que transcenda, e possibilite prazer ao processo de aprender e existir.

Também como material de pesquisa foi utilizado o DVD de Ana Gracinha Queluz Garcia - doutora em Psicologia escolar, uma pequena biografia de Carl Rogers em atenção a Educação, a autora do DVD mostra a proposta criativa articulada por Ana Queluz ao falar sobre violência escolar onde leciona. Para que fosse possível organizar as ideias em pesquisa foram utilizados artigos do BVS-PSI, através dos diretórios: ACP, Aprendizagem Significativa, Empatia, congruência, Tendência Atualizante. O tempo de construção e leitura dada a esta pesquisa deu- se entre, Fevereiro á Maio de 2015.

Capítulo 1 - Breve histórico da Abordagem Centrada na Pessoa com suas principais teorias

Araújo e Vieira (2013) expressam que Carl Rogers psicólogo norte americano, destacou-se ao ser pioneiro na teoria. Fez grandes contribuições no campo psíquico com seu trabalho, ao privilegiar as relações humanas. Desenvolveu sua teoria através da observação e experiência clínica. A partir disso surge nesta época como terceira força uma psicologia distinta, dando início à psicologia humanista. Sabendo que, nesta época a psicanálise e behaviorismo predominavam na metade do  século XX. Rogers trouxe um modo de atuar, que diferenciava com as ideias da época, suas intervenções não diretivas possibilitavam a autonomia do cliente.

Moreira (2007) reconhece que Carl Rogers trouxe á psicologia uma relevância ao enfatizar as relações humanas na terapia. Suas ideias fortalecia a importância de considerar a experiência do cliente como sendo um processo contínuo, não estático. A maneira de abordar de Rogers transcende a própria teoria, pelo fato de possibilitar resgatar o respeito humano, não apenas na terapia, mas também em todo seguimento que trabalha com as relações interpessoais. Tudo isto visa compreender o outro, inclinar-se ao mesmo, proporcionando assim seu crescimento.

Boainain (1998), sobre a psicologia humanista, aponta que esta teoria trouxe ao campo terapêutico uma aproximação maior entre terapeuta-cliente.  Esta interação do terapeuta de fato possibilita um bom desempenho nesta clinica mediante a presença autêntica, expressiva, livre de julgamentos, livre de máscaras. Por meio desta observação, admite-se que esta troca só é possível entre pessoas sinceras. Esta relação de troca mútua não acontece de maneira rígida e sim fluida. As condições facilitadoras vieram trazer um trabalho diferente do modelo Behaviorista e Psicanalítico. A psicanálise trazia o papel transferencial com projeções, regressões a ser interpretado, o Behaviorismo utilizavam estímulo e resposta em sua maneira de trabalhar.

No entanto, Wood (1994) menciona que Rogers foi um psicólogo de destaque na abordagem que criou. Em sua época, sua popularidade não era nada diante das realizações que fez. Entre 1940-1970, suas ideias foram formuladas, fluíram e logo após foram reformuladas. Ao considerar a pessoa como centro, trouxe este pensamento  para  sua  prática  clínica  que  resultou  numa  forma  distinta  em  seu

trabalho. Ao compreender e organizar sua prática em acompanhar o cliente, suas intervenções vieram possibilitar o crescimento pessoal, e saúde psíquica com seu jeito de atuar.

1.1 A importância da tendência atualizante na ACP

Quanto à tendência atualizante, Moreira (2007) argumenta:

Rogers conceitua a tendência atualizante como intrínseca e inerente à pessoa, ao considerar o homem como seu próprio arquiteto. Sua proposta psicoterapêutica visa proporcionar condições facilitadoras a pessoa para  que ela utilize plenamente seus recursos. Refere-se a este modelo de pessoa como a que exerce completamente as potencialidades de seu organismo, sem deixar de evoluir. A tendência atualizante faria brotar a enorme capacidade de aprendizagem e criatividade da pessoa, quanto este se encontra em uma atmosfera politicamente facilitadora (p. 184).

Kinget (1975),enfatiza que o organismo humano se modifica por ter uma tendência natural a desenvolver suas potencialidades humanas existentes. Para  que, a potencialidade natural do sujeito venha surgir, é preciso que exista um clima de liberdade experiencial favorável. O clima favorável possibilitará ao organismo a  se recompor e refazer. Este conceito aponta a noção de que é possível o ser humano mudar o pensamento e comportamento. Considera que a tendência à atualização faz parte do mundo existencial de cada ser humano.

Carrenho; Tassinari; Pinto (2010) os autores reiteram que essa concepção ao dizer que, na teoria rogeriana os seres humanos possuem capacidade natural de autodireção. Esta capacidade visa suprir suas reais necessidades, sendo que, se faz necessário compreender as demandas trazidas pelo cliente. Os autores observam que, todos os seres humanos são influenciados mediante a ação do ambiente em que vivem. Por meio desta compreensão apresentada , quando existe um fenômeno dado uma imposição, o ser humano se distancia verdadeiramente do que é, ou deseja.

Os autores argumentam quanto à atualização humana, caso esta atualização sofra um desajuste, possivelmente irá desaguar no comportamento causando algum problema. Quando a pessoa sofre imposições sejam de que ordem for, distancia-se do seu verdadeiro jeito de ser, possivelmente entra em conflitos. É importante entender, quando isto acontece, a pessoa acaba por distorcer a visão que tem de si mesma, e do mundo que lhe cerca. A partir disto, surgem problemas que podem causar sofrimento emocional (CARRENHO; TASSINARI; PINTO, 2010).

Santos (2005), ao dar sua contribuição sobre o mesmo assunto citado acima, expressa que ao ser dado as condições favoráveis, apropriadas ao ser humano, este por sua vez irá fazer suas escolhas de maneira positiva e construtiva. Ao fazer sua escolha tanto em terapia, quanto em sala de aula possivelmente possibilitará desenvolver na pessoa do cliente sua autonomia. Estar motivado é o ponto chave da questão, por possibilitar esta atualização fluir e acontecer. Só que, quando a pessoa é sensível ao meio que o cerca, dependendo deste meio as condições podem fluir ou serem reprimidas.

Segundo Gomes (2011), mediante as condições desenhadas por Rogers, percebe-se que, o campo de atuação do psicólogo torna-se positivo quando existe o ambiente próprio que possibilita a atualização da pessoa. Caso este clima não seja adequado, autêntico não é possível fingir o que não acontece. Do mesmo modo, acontece com a empatia, congruência, consideração positiva. O autor comenta que não existe uma “técnica rogeriana”, e sim um jeito de ser do psicólogo, uma maneira de atuar diferenciada, com as quais cada facilitador atuará segundo seu jeito de ser.

Segundo o autor supracitado é pontuado que, Rogers veio influenciar várias áreas humanas tais como: psicologia, pedagogia, serviço social na visão da ACP. O autor comenta que esta abordagem auxilia na relação consigo mesmo, com os outros a sua volta. Tal abordagem é aplicável em toda relação interpessoal. Diante das condições apresentadas, considera-se que o organismo humano sempre irá buscar manter-se em saúde e bem estar, é o mesmo que dizer que este organismo tende a atualizar-se sempre. De certa forma, é um jeito natural humano de sobreviver, organizar-se frente aos impactos e adversidades existenciais (GOMES, 2011).

Gomes (2011),reforça o que foi supracitado ao expressar que, Rogers ao centrar sua teoria na pessoa, veio mostrar sua crença no potencial que cada ser humano possui. Esta forma de ver o ser humano compreende que existe uma capacidade natural no sujeito em utilizar sua autonomia pelo viés da autocompreensão. Diferentemente de outras teorias e modelos de atuação dentro da psicologia, isto não significa dizer que esta abordagem seja a melhor entre outras, significa dizer que, é mais uma forma importante de atuar, e mostrar entre tantas outras um modo de ser e trabalhar.

A tendência a atualização é a mais fundamental do organismo em sua totalidade. Preside o exercício de todas as funções, tanto físicas quanto experienciais. E visa constantemente desenvolver as potencialidades do individuo para assegurar sua conservação, seu enriquecimento levando em conta as possibilidades e os limites do meio.  O termo “enriquecido” pode  ser entendido no sentido geral, envolvendo tudo aquilo que favoreça o desenvolvimento integral do individuo. Além disso, este termo deve ser entendido no sentido fenomenológico, portanto subjetivo. O que a tendência atualizante procura atingir é aquilo que o sujeito percebe como valorizador ou enriquecedor-não necessariamente o que é objetiva e intrinsicamente enriquecedor (KINGET; ROGERS, 1975, p.41).

1.2 Acerca do Self e Self Ideal

Fontana (2002) ao expressar sobre self é o autoconceito que a pessoa tem de si mesmo, sua base está ligada ao campo da experiência que passaram pelos estímulos tanto do tempo presente quanto do futuro. O self é o processo de reconhecimento que possui possibilidade de mudanças. A flexibilidade é que fundamenta a teoria rogeriana pelo qual o self saudável é aquele que está pleno e consciente. O self ideal é um conjunto de características pelo qual o ser humano gostaria de ter, é uma visão ideal de si mesmo. Entre o self e o self ideal existe um indicador de insatisfação podendo ser um obstáculo ao desenvolvimento pessoal.

Fatores externos podem contribuir para a dificuldade do novo aprendizado, Carl Rogers centraliza no eu (self) do cliente, aborda principalmente a percepção. A aprendizagem precisa fazer sentido, em respeito ao simbolismo em relação as necessidades internas do cliente. Por isso, a aprendizagem na perspectiva de Rogers oferece liberdade para o cliente buscar o conhecimento, ampliá-lo de forma que seja interessante, motivadora, mediante suas vivências pessoais e focaliza a questão social também. Entende que, o cliente esta inserido na sociedade, que possui dependência numa relação com o outro, através desta relação construir seu self real (GLASER, 2011, p.77).

Forista (1972),argumenta que, o self irá fixar uma informação aprendida partindo de uma realidade. Sendo esta realidade boa ou não, processará uma experiência, na qual o cliente poderá ou não acolher. O organismo irá acionar a confiança ou falta de confiança vista no comportamento. Na aprendizagem quando o organismo sente ameaças, o self sentirá o impacto seja positivo ou negativo. Tanto o terapeuta quanto o educador precisa proporcionar um ambiente facilitador que traga fluidez.

Quanto mais o eu da pessoa for ameaçado, mais a pessoa exibirá um comportamento neurótico defensivo, e sua maneira de ser e comportar-se ficará constrangido. Quanto mais o eu for livre de ameaças, mais o indivíduo exibirá um comportamento afirmador do eu, e mais ele exibirá  a necessidade e a execução de um comportamento participante. Uma ansiedade específica só irá resolver se o cliente perder o medo de ser a potencialidade específica a respeito daquilo por que está ansioso (FORISTA, 1972. p. 170).

1.3 Alguns aspectos do campo da experiência

Fontana (2002) analisa a importância da experiência do cliente neste contexto de autoconstrução. Segundo o autor, o ser humano em geral possui dentro de si necessidades básicas orgânicas de sobrevivência como, alimentos, abrigo entre outras coisas mais. E também os seres humanos possuem sentimentos, emoções e sensações a serem também consideradas como base do funcionamento psíquico. A pessoa quando recebe algum tipo de acolhimento, desenvolve dentro de si um quadro mental congruente como alguém merecedor.

Rogers (1974), ao tomar ciência do ponto de vista do cliente, expressa que refletir sobre suas experiências, possibilita um olhar e atitude diferenciada que, irá transmite um cuidado ao cliente. O papel do psicólogo nesta abordagem é apoiar e ajudar. Este tipo de cuidado é importante. Sabendo que, o cliente sofre durante o processo terapêutico para reorganizar o seu eu. Esta relação terapêutica, tão importante, acaba por trazer sentido e segurança ao cliente em conflito.

Vê-se que, na experiência do cliente, de modo particular se os problemas foram explorados em profundidade, a única parte estável da experiência é a hora fixada para o contato com o terapeuta. Neste sentido, a terapia centrada no cliente é experimentada como apoio, como uma ilha de constância no mar de dificuldades caóticas, embora seja de “apoio” ou de aprovação no sentido superficial. É esta constância e esta segurança que permitem ao cliente fazer a experiência da terapia (ROGERS, 1974.p. 82).

Forista (1972), vem apontar que quando ocorre um conflito na mente humana, este conflito pode afetar de forma direta, quanto indireta a vida da pessoa. Isto quer dizer que na maioria dos casos as palavras podem gerar conflitos tanto quanto as ações postas. O campo da experiência é abastecido por crenças, valores, que são aquecidos por sentimentos, emoções que podem atuar no comportamento. A experiência pode fermentar o sujeito através do temor, excitação, alegria ou desprazer. O autor considera que todo organismo opera de forma dinâmica e organizado. Diante isto, o organismo desorganizado experimenta variações no campo fenomenal causando alterações na pessoa.

1.4 Principais condições facilitadoras.

La Rosa (2003), ao discorrer sobre as condições facilitadoras, comenta que, as três condições da abordagem centrada na pessoa são de ordem psicológica e afetiva. Sendo que, tais condições permitem, não apenas o psicólogo, mas o educador revelar-se com entusiasmo, empatia, congruência e sentimentos positivos e permitindo-lhes aproximar-se do cliente. Na prática este trabalho faz toda diferença, requer um ambiente verdadeiro, com aceitação, apreço, confiança nesta relação. As condições facilitadoras na educação requer que, o educador demonstre que aceita seu aluno tal como ele é. Ao aceitar o aluno como ele é, tanto psicólogo quanto o professor, são percebidos nesta abordagem como profissionais libertadores.

Wood (1994), quanto ao clima facilitador da teoria rogeriana, o autor expressa que o clima facilitador permite, tanto o cliente na terapia, quanto ao aluno em sala de aula, estarem mais próximos de seus facilitadores.  Rogers, ao criar sua teoria  trouxe um diferencial por meio da sua prática clinica. O autor articula que quando existe este clima de troca, esta troca torna-se calorosa, possibilita o outro a se trabalhar melhor. Ao passar compreensão e segurança ao cliente faz com que, a pessoa perceba que é aceita tal como ela é. Sendo assim, possivelmente, o cliente irá abandonar suas resistências, e perceber o sentido desta comunicação.

Rogers e Kinget (1975) ao apontarem sobre as condições facilitadoras nomeiam seis condições, entretanto destacam três destas condições que são empatia, congruência e aceitação incondicional como as mais importantes. Para que possa ocorrer o clima facilitador, o terapeuta precisa desenvolver habilidades que tragam fluidez na relação com seu cliente. As três condições são vistas como elementos importantes para que haja elaboração do cliente diante de sua problemática. É Interessante pontuar que, tanto na relação pais-filhos, professor-aluno ou em grupo, sendo que tais condições podem movimentar o potencial de cada pessoa de maneira diferente.

Silva e Aquino (2004) expõem que Rogers trouxe para a psicologia uma proposta distinta e inovadora, ao qual vem ressaltar a pessoa como centro  na terapia. Rogers reconhece a importância das experiências do cliente que foram acumuladas ao longo da vida. Tais experiências irão facilitar ou inibir o crescimento do sujeito em terapia, que procura por ajuda. Para acontecer um crescimento significativo, se  faz  necessário  um  clima   facilitador.  Este clima propõem as condições necessárias que possibilitem uma mudança construtiva de vida são elas: autenticidade, empatia, consideração positiva incondicional que serão citadas a seguir.

A importância da congruência dita na teoria de Rogers:

Se o terapeuta adotar internamente em relação ao seu cliente uma atitude de profundo respeito, aceitação total do seu cliente tal como ele é, de confiança nas suas potencialidades para resolver os seus próprios problemas; se essas atitudes estiverem impregnadas de suficiente calor  para se transformarem numa simpatia ou afeição profunda pela pessoa; se atingir um nível de comunicação onde o cliente possa se perceber que o terapeuta o compreende e os sentimentos que esta a experimentar ele o aceita, a partir dai inicia a terapia (ROGERS, 1997, p.76).

Rogers e Rosenberg (1977) argumentam que quando o psicólogo é autentico, ele é conhecido como alguém genuíno, coerente ou transparente ao seu cliente. Desta forma o psicólogo age de maneira sincera, real consigo mesmo e com o seu cliente, esta relação terapêutica rompe com as barreiras pessoais e interpessoais “[...] a importância do terapeuta, pois seus verdadeiros sentimentos e atitudes são comunicados ao cliente de algum modo, deliberado ou não [...]” (p. 51).

Sobre a condição empática, Rogers e Rosenberg (1977, p.69) comentam que:

Deveríamos reexaminar e reavaliar uma maneira muito especial de ser em relação à outra pessoa, e que tem sido chamada de empática. Creio que geralmente damos muito pouco valor a um elemento extremamente importante, tanto para a compreensão da dinâmica da personalidade como para a produção de mudanças na personalidade e no comportamento.

Kinget (1975), ao falar sobre “empatia”, expõe que este termo criado pela psicologia Rogeriana, transmite uma capacidade do psicólogo ou educador em fazer emergir o mundo interno do cliente. Sando assim, o terapeuta participa da experiência trazida pelo cliente-aluno, pelo qual ocorrerá uma troca, disposição e comunicação verbal e não verbal. Isto implica dizer que, ser empático é ter a capacidade, seja terapeuta ou educador, de se colocar no lugar do outro. É se inclinar e perceber o mundo a partir da visão do cliente.

Araújo e Freire (2014), ainda sobre a empatia expressam que este termo é considerado como sendo a capacidade em se colocar no lugar do outro. Ser empático é escutar atentamente, por meio de uma escuta acolhedora que permeia um clima de consideração positiva. O psicólogo por meio da empatia, e escuta acolhedora é visto como alguém interessado no que o cliente traz. A escuta oferece qualidade, que auxilia a perceber o campo fenomenológico a ser compreendido. A empatia está aliada á autenticidade em perceber o cliente como ele se percebe.

Quanto à aceitação incondicional positiva os autores Carrenho, Tassinari e Pinto (2010, p.80) comentam:

Congruência, sem a capacidade de ter uma consideração incondicional positiva, certamente me faria expressar o que sinto ou minhas percepções de forma descuidada ou a partir de determinado ponto de vista que não seja o da própria pessoa, me faria cair no golpe das verdades absolutas. Aceitar o outro incondicionalmente é termos a capacidade de enxergarmos essa pessoa como única, é ter a certeza de que as verdades são relativas e que as minhas verdades servem apenas a mim. É ter a capacidade de crer no outro ainda que ninguém creia. É ter confiança nessa pessoa que busca ajuda, ainda que ninguém confie. É também ter a chance de me despir dos meus conceitos e preconceitos para estar com ela.

Glaser (2011) explica que o olhar cuidadoso da abordagem centrada na pessoa trazida por Rogers, entre terapeuta-cliente, configura um caminho que comporta mudanças de cunho significativo. Esta nova direção permite ao cliente mediante ação positiva incondicional que, ele sinta-se aberto, aceito e construa uma nova experiência de vida. Por intermédio desta nova maneira de observar a si e ao mundo se faz necessário, que o cliente não sinta que seu novo comportamento não seja algo ameaçador. Agindo assim, o psicólogo faz com que o cliente sinta-se parte de sua autorealização.

Morato (1999),argumenta sobre a importância da experiência humana trazida no trabalho terapêutico de Rogers e sua atuação clinica. A autora considera o  campo experiencial, ou seja, a história de vida do cliente como bagagens de suas vivências e conflitos. O facilitador seja em terapia, ou em sala de aula precisa assegurar um ambiente propício por meio da atenção, consideração positiva incondicional e autencidade. Fazendo assim este ambiente é enriquecido em promover mudanças significativas.

O facilitador da aprendizagem (Rogers, 1971, p.106) expressa em dizer:

Talvez a mais básica dessas atitudes essenciais seja a condição de autencidade. Quando o facilitador é uma pessoa real, se apresenta tal como é, entra em relação com o aprendiz, sem ostentar certa aparência ou fachada, tem muito mais probalidade de ser eficiente. Isto significa que os sentimentos que experimenta estão ao seu alcance, estão disponíveis ao seu conhecimento, que ele é capaz de vivê-los, de fazer deles algo de si, e, eventualmente,  de  comunica-los.  Significa  que  se  encaminha  para    um encontro pessoal direto, com o aprendiz, encontrando-se com ele na base de pessoa-a-pessoa. Significa que esta sendo ele próprio, que não se está negando.

Crema (1995) também menciona sobre a considerável atuação do facilitador dizendo que, seja psicólogo ou professor, estes irão prepararem o solo fértil na mente, pelo qual o ser humano irá atualiza-se, dando espaço a sua própria saúde pessoal, liberando forças internas dentro do próprio organismo.

Neste sentido não há um terapeuta; há um facilitador, deste clima favorável e de terreno fecundo a partir do qual cada um cresce por si mesmo, como qualquer planta. O facilitador é um “jardineiro” de seres humanos  (p.42).

Já Glaser (2011) coloca o jeito de ser do facilitador como algo relevante, de excelência, de destaque, por possibilitar um ambiente favorável ao crescimento natural humano. O autor destaca que, todo ser humano se difere um do outro, e para obter sucesso seja na terapia, ou em sala de aula, é preciso conhecer bem o cliente- aluno, sua forma de existir, bem como cada um funciona no mundo. Ao centrar-se  na pessoa, irá acontecer dentro de cada ser uma abertura, aproximação pelo qual o muro de autoproteção é dissipado, dando assim lugar a um novo modo de existir.

Capítulo 2 - Aprendizagem Significativa

Franco (2009) exprime sobre o conceito de aprendizagem considerando ser um tema que possui uma grande amplitude. Conceituar aprendizagem é dizer que por meio dela acontece um processo causador de mudanças que podem ser boas ou não. O aprendizado dar-se quando o terapeuta- educador vão ao encontro da pessoa. Ao inclina-se as experiências que foram acumuladas ao longo da vida, tanto terapeuta-educador precisam reconhecer as bases que fortalecem a construção do eu de cada pessoa, e seu funcionamento. Tais experiências envolvem fatores, cognitivos, emocionais, efetivos, neurológicos, relacionais e ambientais a serem compreendidos.

Engers e Morosini (2007) explanam ao pontuar que aprendizagem ela acontece em todo tempo da vida. Sendo que, tem um significado social, cultural, familiar pelo qual se constrói a base humana. Toda e qualquer aprendizagem não é separada da vida humana, ela acontece em diferentes momentos, forma de interesse e necessidades. Ao trazer condições favoráveis ao aprendizado, é possibilitar um sentido a vida. Neste contexto um ambiente acolhedor tem uma dinâmica importante para que ocorram mudanças significativas.

Helena e Abrahão (2008) percebem que a aprendizagem significativa vai depender do ambiente adequado para acontecer. Quando existe uma consideração positiva afetuosa envolvida, tudo se torna mais fácil. Os autores chamam a atenção ao dizer que, todo ser humano é movido por diferentes interesses e desejos. Compreendem que, tais interesses movimentam a realizar tarefas das mais diversas. Entendem que, o desejo é complexo, tem procedimentos, são independentes, e que é preciso entendê-los. Faz-se necessário descobrir onde mora tais interesses na pessoa. Ao descobrir tal recurso, exige que exista um clima favorável para o ensino acontecer de forma prazerosa.

Para Morato (1999), um dos aspectos importantes que chama atenção à questão da aprendizagem significativa é que o professor em sala de aula tenha uma melhor compreensão do seu aluno, bem como, este aluno chega para aprender.   Isto evolve sua atuação empática em sala de aula, quando ao repassar conteúdos. Mediante esta colocação é necessário que esta proposta venha contemplar o lado cognitivo, e também afetivo que estão envolvidos neste processo. Esta atuação  não envolve apenas a educação, mas também diferentes trabalhos que atuam com cuidado humano.

Para La Rosa (2003) tanto a verdade, o afeto, o amor, são observados como apoio, amparo e suporte para que o aluno tenha saúde psíquica e provoque mudanças de vida. A aprendizagem significativa envolve curiosidade para expandir novos conhecimentos, ideais e ampliar a real potencialidade do aluno. O professor nesta abordagem é o facilitador que fornece estratégias, propicia liberdade para que esta aprendizagem significativa aconteça.

Rogers (1971, p.5), comenta que em aprendizagem:

Os elementos envolvidos em tal aprendizagem significativa ou experimental. Tem ela a qualidade de um envolvimento pessoal- a pessoa, como um todo, tanto sob o aspecto sensível, quanto sob o aspecto cognitivo, inclui-se no fato da aprendizagem. É ela autoiniciante. Mesmo quando o primeiro  impulso ou estímulo vem de fora, o senso de descoberta, do alcançar, do captar e do compreender vem de dentro. É penetrante. Suscita modificação no comportamento, nas atitudes, talvez mesmo até na personalidade do educando. É validada pelo educando. Este sabe se está indo ao encontro das suas necessidades, em direção ao que quer saber, se a aprendizagem projeta luz sobre a sombria área de ignorância da qual tem ele experiência. O lócus da avaliação, pode se dizer, reside, afinal, no educando. Significar é a sua essência. Quando se verifica a aprendizagem, o elemento de significação desenvolve-se, para o educando, dentro da sua experiência como um todo.

Cipriano (2007) explica sobre aprendizagem significativa ao argumentar que na abordagem centrada é disponibilizado ao aluno ao mesmo se desprender, sentir- se seguro, confiar mais em si mesmo, fazer descobertas, bem como usar de autocrítica. O aprendiz é convidado a expressar-se sem qualquer julgamento prévio depreciativo. Dessa forma, isto possibilita para que o aluno faça suas próprias escolhas e seja incluído na formulação de si mesmo, tornando-se autor de sua própria existência, isto demanda em sua autonomia e sentido de vida.

No entanto, Silva (2004) aponta o campo experiencial da pessoa dizendo que, é por meio da relação terapeuta-cliente, professor-aluno, na qual for aplicada esta abordagem é importante compreender que, tanto cliente ou aluno, carregam em si mesmas experiências que foram acumuladas de maneira próprias. Esta pessoa se movimenta mediante sua forma interna de ser, pelo qual sua realidade interna irá guia de seu comportamento. Tal vivência observada remete ao campo fenomenal, entender a história de vida ajuda compreender como o Eu da pessoa se comunica.

La Rosa (2003) também observa o campo das experiências e percepções humanas, incluindo que estão ligados ao campo fenomenológico existencial que, por meio deste campo atuam as ideias e comportamento do ser humano. A ideia de Rogers veio somar em áreas distintas, tanto na terapia clinica, como na educação. Para que ocorra uma aprendizagem significativa é preciso haver interesse do facilitador em proporcionar um envolvimento pessoal com seu aluno em  acolher  suas experiências dando melhor significado. Para acontecer uma  boa  aprendizagem é preciso depositar no aluno confiança que este possa aprender por  si mesmo.

A educação por meio desta perspectiva é vista como um processo de diferenciação crescente no campo fenomenal do aluno. A diferenciação é algo que só pode ser realizada pelo próprio aluno. Ninguém o pode substituir. Como um organismo vivo que procura nesses campos os meios para se mantiver e progredir, diferencia unicamente aqueles aspectos que são necessário, úteis na realização desse objetivo. As modificações do campo não precisam ser motivadas. De fato, não se podem impedir. Como organismo vivo tende ao crescimento, desenvolve-se exige apenas meios, oportunidades praticáveis e sociais aceitáveis para isto acontecer e desenvolver-se (ROGERS, 1974.p.379).

La Rosa (2003) sobre a terapia centrada na pessoa, o autor aponta que quando existe apreço, aceitação, confiança esta disposição é observada pelo aluno, pelo qual o mesmo sente que o professor se mostra interessado pelo que este aluno sente. O professor que manifesta tal apreço deve aceitar os momentos difíceis, apáticos, conflitosos do aluno até chegar à aplicação do saber. Isto demanda aceitação ao aluno como ele é, sabendo que existem possibilidades a serem desenvolvidas. Quando o professor compreende, valoriza a potencialidade do aluno, este aluno por fim irá mudar significativamente. Por meio desta pratica o professor torna-se agente libertador e aprendizagem flui.

Para La Rosa (2003), comenta sobre aprendizagem significativa dizendo ser um processo que começa com o nascimento e só finda com a morte. Isto quer dizer que em todo momento o ser humano está de alguma forma aprendendo. À medida que vai adquirindo um aprendizado seu comportamento vai sendo modelado por meio de sua ótica de mundo. O homem interage com várias direções, na escola, sociedade, família entre outros, toda esta organização irá compor um rico repertório da sua experiência.

Gohn (2003) considera que a autoaprendizagem acontece mediante característica que foram acumuladas, aprendidas pelo aluno. Quando o aluno tem interesse na disciplina, este irá relacionar sua necessidade em aprender, frente às informações que ligam seu presente no seu dia-a-dia. Desta forma, o aluno irá procurar registros na própria vida o que venha possibilitar a aquisição da própria aprendizagem. Sabendo que o próprio aluno irá reunir em si mesmo as condições precisas para sobressair-se e crescer.

A aprendizagem centrada no aluno compreende o ser humano como aquele que tem um potencial para atualizar seu próprio conhecimento. Existe dentro de  cada pessoa uma força motriz interior para atualizar-se, esta força é alimentada pelo próprio dinamismo que cada pessoa possui. As escolhas feitas ao longo da vida do aluno podem fazer surgir o potencial humano existente. [...] Tudo o que podemos fazer é manter os procedimentos autodidáticos do aluno no bom caminho, ou recoloca-los em sua necessidade [...] (GOHN, 2003, p. 31).

Rogers (1971) chama atenção sobre a aprendizagem ao apontar que, a mesma vai de encontro à realidade de vida de cada pessoa. Esta realidade poderá ser a mola propulsora de ações dinâmicas, ou não. Isto implica dizer que, cada ser humano reagirá de maneira diferente. A aprendizagem significativa molda-se ao interesse pessoal de cada aluno. Este modelo de aprendizagem tem por finalidade o envolvimento da pessoa, seu jeito de ser no mundo, em seus aspectos sensíveis, cognitivos, afetivo, ela é autoiniciante, possibilita o senso de descoberta.

Pourtois e Desmet (1997),chamam a atenção sobre a importância da aprendizagem, ao comentarem que, em meio a relação professor-aluno, esta  relação pode possibilitar autodescoberta e mudança no aluno. É através desta relação que, tal relação possibilita uma autodescoberta. O próprio aluno é convidado a descobrir-se pela facilitação do professor em sala, o que o próprio aluno deseja, necessita. Para os autores o saber só é bem adquirido quando é fonte de desejo e esforço do próprio aluno. Sendo que o professor tem por trabalho tornar esta conquista possível.

Segundo Rogers (1971), a aprendizagem significativa está relacionada ao princípio da autosatisfação. O que enriquece tal aprendizagem configura-se  na forma de ensinar, em possibilitar que aconteça uma mudança significativa no aluno, sua forma de perceber a este processo que o envolve. Quando o aluno sente-se ameaçado surgem dentro dele reações que o reprimem, quando isto acontece o professor não chega ao objetivo esperado. Uma aprendizagem ameaçadora não contribui com um resultando positivo. Ao contrário disso, o apoio, a compreensão empática atua de maneira assertiva em remover o temor e a repressão.

Queluz (1984) chama a atenção sobre liberdade experiencial ligada ao tema aprendizagem significativa, bem difundida pelo autor da abordagem centrada na pessoa, ao dizer que a diretividade sai de cena, dando espaço a liberdade de  escolha que todo ser humano possui. Sobre o conceito de liberdade, expressa que este termo é essencial, importante nesta abordagem. Sendo que, refere-se à  escolha do próprio caminho, direção de vida. O termo liberdade experiencial na atuação do psicólogo ou professor, ou em qualquer área das relações humanas buscarem trazer uma nova maneira peculiar ao dizer que, cada um tem seu tempo e momento. A escolha é subjetiva, esta ligada ao aqui e agora, é feita de maneira consciente responsável e pessoal.

Queluz (1984) aponta a aprendizagem significativa como algo ligado ao desejo, interesse do aluno. Carl Rogers por meio de sua prática como psicólogo observou que toda pessoa é consciente de si mesma, conhecedora da sociedade  em que vive. A autora também comenta que, todo ser humano vive em estado de aprendizagem contínua. Faz-se necessário, considerar a história de vida do aluno, sendo que, cada experiência é um elemento cheio de conteúdos que foram construídos de maneira positiva ou não. O professor precisa se inteirar da realidade que afeta o aluno, e atuar livremente ao lado desse aluno, aumentando assim o interesse em aprender.

O professor precisa entender os problemas que ocorrem com a aprendizagem, usar essas dificuldades de forma positiva, como estimulo para um novo passo, evitando que, de uma simples dificuldade, se crie bloqueios á aprendizagem. Num ambiente livre de ameaças, onde a curiosidades seja estimulada, onde a criança possa agir com confiança e coragem, e entender que erros são comuns, ela poderá desempenhar-se cada vez melhor (QUELUZ, 1984.p.13),

Rogers (1971), assim expressa sobre aprendizagem comentando que, é um processo está ligado ao ser humano, enquanto ele existir. O professor em sala precisa dar conta que, o aluno aprende tudo que perpassa seu interesse, necessidade e refere-se ao desejo de cada um. Por este motivo, a passividade, falta de compreensão vivida em sala de aula, possibilita o desinteresse do aluno, sendo o desinteresse o maior inimigo de uma aprendizagem positiva. É de suma  importância que o professor ache o fio condutor que desperte a curiosidade do aluno, reformule seu conhecimento, permitindo em si mesmo uma maior aproximação frente  ao aluno.

Queluz (1984) explana a aprendizagem significativa argumentando ser um processo dinâmico, e não estático que requer interesse, concentração, empenho e motivação do próprio aluno. A motivação é pessoal, por esta razão é importante a relação professor-aluno em sala de aula. Sendo esta relação ancorada na participação e cooperação entre professor-aluno, o resultando é enriquecedor. Nesta abordagem o aluno tem participação ativa e interventiva na escola. Isto, portanto não significa dizer que, o professor abdique de sua responsabilidade, mas permite ao aluno ter um papel ativo na construção da sua própria aprendizagem, sendo corresponsável pela mesma.

Considerações Finais

Toda e qualquer área do conhecimento humano percebe-se que, vem recheada de concepções tanto, históricas, culturais, sociais, econômicas e políticas que refletem e influenciam nas experiências de cada ser humano no mundo. O ensino atual seja público ou privado está enriquecido de ofertas com disciplinas variadas, que viabilizam o despertar do aprendiz. A educação sofre com variadas mudanças na sociedade, mediante interesses que influenciam de alguma forma a comunicação em geral.

Os conteúdos pragmáticos apontam anos a fio, para a questão que estejam sempre adequados ao currículo exigido, só que a sociedade está em constantes mudanças de valores, pelo qual o ensino muitas vezes precisa ajustar-se a realidade corriqueira atual. No entanto, acompanhar as mudanças nem sempre é uma tarefa das mais fáceis, por implicar em meio a estas tarefas interesses distintos, de um  lado vemos o professor em suas demandas e do outro lado o aluno na mesma situação, ambos ligados no mesmo ambiente e distinto em suas necessidades e atuações.

O convite possível e especial de Carl Rogers em sua abordagem centrada na pessoa é: “aprender a aprender,” e adaptar-se, mudar. Diante do exposto ao leitor, o que sinaliza é repensar sobre este dizer, que venha diminuir esta falta de interesse que gera perdas na educação construtora do futuro. A abordagem  centrada na pessoa possibilita inclinar-se, tecer novas possibilidades e direções,  bem como trazer um significado que mude a vida pelo pensamento e ações positivas, ou seja, uma aprendizagem que seja por interesse e prazer e não por imposições.

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