Resumo: Estudos sobre a bioenergia, a energia humana, têm sido realizados desde tempos imemoriáveis, alguns datados há mais de 5 000 anos. Mencionada na Psicologia através dos primeiros estudos de Freud, posteriormente, seguido de perto por estudiosos como Reich, Lowen, dentre outros não menos importantes. Carl Jung recomendou aos estudantes de medicina, psiquiatria e psicologia que estudassem o tema energia. Intuito que sempre depara com a física clássica, a ciência tradicional, sua visão linear e objetiva para estender-se à física quântica de tempos mais modernos e então ampliar holisticamente a visão aos territórios de possibilidade da medicina energética, medicina vibracional. Longe de o conhecimento sobre as energias humanas estagnar caminha-se para à Conscienciologia, uma ciência voltada ao estudo da consciência e a utilização da Técnica de EV, o Estado Vibracional. Esse último como possível forma de adquirir e manter o estado de equilíbrio energético do indivíduo e, consequentemente, a saúde e bem-estar. A intrínseca desse conjunto de informações sobre bioenergia, energia humana, tornou-se alvo e motivação da busca de conhecimento do assunto em que a autora se empreendeu e que resultou na confecção do artigo. O presente trabalho utilizou da pesquisa bibliográfica a título de aprendizagem e sem a pretensão de esgotar o assunto.

Palavras-chave: Bioenergia, Energia Humana, Medicina Vibracional, Psicologia, EV.

1. Introdução

O fato que motivou a confecção desse  artigo foi a vontade de estudar e conhecer um pouco mais sobre o tema bioenergia, a energia humana, assunto presente na história da humanidade há mais de 5 000 anos, entretanto, desconhecido de muitos.

Utilizou-se da revisão de bibliográfica com realização da leitura de livros, pesquisa em artigos científicos, busca em site da Internet e meios apropriados ao desenvolvimento do trabalho. A bioenergia, a energia humana, diferentemente rotulada através dos séculos, Cristo chamou-a de “luz”; os russos, em suas pesquisas psíquicas, denominaram de energia “bioplâsmica”; Wilhelm Reich, de” energia orgone”; os iogues da Índia Oriental, de “pran” ou “prana”; manuscritos alquimistas falam de “fluido vital”; Bruner chamou-a de energia “biocósmica”; Hipócrates, de (vis medicatrix naturae) “força vital da natureza”, dentre muitas outras denominações. É relatada por diversos autores mais atuais como energia cósmica, força vital ou simplesmente “a energia” e, recentemente de energia consciencial pela Conscienciologia, uma ciência que estuda a consciência.

Na justificativa desse empenho encontra-se o inegável fato de que estamos imersos num oceano de energia sendo o próprio homem constituído de energia. Conforme o apurado nos estudos conclui-se que a estrutura fisiológica dos seres vivos, incluindo os seres humanos, interage o tempo inteiro com esse oceano bioenergético absorvendo, processando e exteriorizando energias. Dentre vários processos pode formar campos energéticos, impregnar ambientes com suas bioenergias pessoais, efetuar trocas de energias com outras pessoas. Muitos permanecem desconhecendo esta realidade bioenergética, sendo por ela afetados, tanto para obter como para perder a saúde.

Este trabalho, portanto, justifica-se por estarem as questões das bioenergias, as energias humanas, relacionadas as possibilidades múltiplas de o homem atingir um estado de saúde nos aspectos biopsicossociais, grande objetivo da sociedade contemporânea.  Acrescenta-se ainda o fato de a Psicologia ser a ciência que estuda o comportamento humano, de forma que um estudante desse curso cabe empreender-se constantemente em pesquisas e estudos que levem tanto ao autoconhecimento quanto ao conhecimento interdisciplinar e multidimensional da natureza humana.  Outro ponto é por estarem as questões das bioenergias, as energias humanas, relacionadas as possibilidades múltiplas de o homem atingir um estado de saúde nos aspectos biopsicossociais, grande objetivo da sociedade contemporânea. A abertura de uma janela, uma porta, uma fresta em direção a novos paradigmas holísticos e menos entrincheirados em visões estreitas foi particularmente o aporte a que se chegou com o artigo.

Norteou o mesmo a seguinte problemática: Muitos cientistas renderam-se as evidencias proposta pela física, inclusive a quântica, de que os seres humanos são construídos na sua materialidade por energia vibrando numa determinada frequência, portanto, um entrave, um bloqueio desse estado vibracional poderia produzir diversos desequilíbrios em sua manifestação material, orgânica, biológica. O que afeta o corpo afeta a mente e vice versa, o psiquismo por meio dos sentimentos, pensamentos e emoções afeta o corpo. Dentro do novo paradigma proposto pela física referente às energias humanas, a Psicologia tem utilizado esse aspecto no tratamento dos clientes?

2. Conceituando Bioenergia, Energia Humana

Tem coisas que se parece saber o que é, mas necessitando falar sobre para os outros percebe-se que não se sabe de fato, ou pelo menos não se internalizou ainda o conceito dessa coisa que se quer descrever. Em relação à bioenergia, energia humana, não é diferente, nesse sentido, expor o conceito pode ser o melhor a ser feito.

Rego (1989: 2) relata que o conceito de bioenergia teve origem na teoria psicanalítica. Freud, em seus primeiros escritos aborda o fato de que algo se distinguia nas funções mentais, uma carga de afeto ou soma de excitação englobando todas as características de uma quantidade (ainda que não tivesse como medi-la), passível de aumento, diminuição, deslocamento e descarga. Algo que se espalha sobre os traços mnêmicos das representações como uma carga elétrica dispersa pela superfície de um corpo. Posteriormente, ao escrever “A Interpretação dos Sonhos”, ele refere-se a uma catexia hipotética de energia psíquica. Freud seria seguido de perto por vários outros autores na abordagem da questão da bioenergia, muitos depois dele passam a estudar a energia e também colaboram com suas descobertas sobre o assunto.

O tema energia deve ser do interesse dos estudantes da medicina, psiquiatria e psicologia como sugere Carl Jung, não sendo estranho, portanto, que vários autores investiguem os diversos conceitos sobre bioenergia, desde aqueles trazidos pelas religiões, milenares como hinduísmo (hatha yoga), taoísmo (tai chi chuan) e budismo (kum-nye) aos das psicoterapias alternativas promovidas por Reich (Orgônio), Lowen (bioenergética), o vitalismo da ciência, dentre outros. Rego, depois de analisá-los conclui que:

“O conceito de bioenergia não é específico das psicoterapias reichianas (principal foco de seus estudos), mas tem conexões com muitas outras técnicas curativas atuais, e também com as medicinas tradicionais de vários povos e épocas. Neste sentido, acredito que a elucidação do enigma das bioenergias passa pelo intercâmbio e pelo diálogo entre as psicoterapias reichianas e as demais abordagens “energéticas” do ser humano e da vida.
O fundamental nessa questão é que somos “curadores”. E como tal, temos não só o direito, mas principalmente o dever de buscar conhecer tudo que possa nos auxiliar nessa difícil tarefa. Encontramos coisas válidas na ciência, na arte, na religião, na filosofia, na política, no esporte e isso sem esgotar as possibilidades da experiência humana.” (REGO, 1989, p. 15)

A bioenergia, energia cósmica, força vital, éter do espaço, dentre outras denominações, refere-se ao que simplificando podemos chamar de “a energia”. Antes porém de assim concluir, Gordon (1978) chama-a de força vital, um campo de energia circulando e penetrando o corpo. A corrente que anima a vida e é direcionada naturalmente pela inteligência do corpo, uma realidade fisiológica no corpo. Diferentemente rotulada através dos séculos, Cristo chamou-a de “luz”; os russos, em suas pesquisas psíquicas, denominaram de energia “bioplâsmica”; Wilhelm Reich, de” energia orgone”; os iogues da Índia Oriental, de “pran” ou “prana”; manuscritos alquimistas falam de “fluido vital”; Bruner chamou-a de energia “biocósmica”; Hipócrates, de (vis medicatrix naturae) “força vital da natureza”, dentre muitas outras denominações.

Gordon, preferiu utilizar apenas o termo “energia”. E dizer que ela flui através do corpo como por meio de um sistema circulatório invisível, carregando toda célula no seu percurso. E que tal corrente de energia pode tornar-se enfraquecida e parcialmente bloqueada devido ao cansaço. Situa que energia é energia. Não existe energia má, e sim, bem ou mal dirigida. A polaridade é a responsável por direcionar a força vital ao longo do trajeto natural para diluir os “nós” de energia produzidos pelos excessos físicos e emocionais. a polaridade constitui um relaxamento curador em todos os níveis. A ciência da Acupuntura, por exemplo, trabalha com a localização desses pontos e a estimulação deles através de agulhas de forma a restaurar a corrente de energia.

O Dr. Randolph Stone (1890), citado por Gordon (1978:26), integrou o conhecimento adquirido sobre polaridade em uma Terapia de Polaridade e trabalhou nessa direção por 60 anos. O equilíbrio de energia com polaridade recarrega de força vital uma pessoa. Isso equilibra os campos de aura sutis eletromagnéticos à volta do corpo resultando em relaxamento e equilíbrio, a pessoa sente-se melhor. “A força vital irá somente onde ela é necessária para causar transformações necessárias.” Um ponto destacado é o de que a força vital não faz diferenciação entre dor física e dor emocional. Ambas são simplesmente expressões de energia bloqueada.

Nesse sentido, considera-se oportuna uma fala do autor de que “não é preciso que você acredite que este sistema vá funcionar, a fim de experimentá-lo profundamente. Você não precisa acreditar no oceano para ficar molhado, no entanto, você precisa pular nele.” Estudar o assunto, buscar o conhecimento antes de simplesmente refutar, convém a todos nós, de forma que abordar o tema energia humana cumpre aqui o papel desse “pulo no oceano” proposto por Gordon. Dele o convite à reflexão e abertura de mente:

“Um filme exposto, revelado e fixado não mais será sensível à luz. Então, deixe de lado conceitos expostos, revelados e fixos, e receba esta dádiva. No momento, esvazie sua taça a fim de que ela possa ser preenchida.” (GORDON, 1978:18)

3. A Energia Através da História

A história da humanidade evidencia registros a respeito da existência de uma energia sutil perceptível no corpo humano, nos animais e plantas. Conhecimento com origem em tempos imemoriais e, sempre vinculados à religiosidade e ao misticismo. Relatos de práticas de xamãs manipulando forças invisíveis em rituais podem ser encontrados nas sociedades primitivas. Sacerdotes do antigo Egito eram mestres da ciência oculta e profundos conhecedores, dominadores da energia sutil. Magos e feiticeiros existiam espalhados por diversos países do mundo antigo e o trabalho deles envolvia lidar com essas forças invisíveis.

Brennan, nesse sentido, reporta-se à História da investigação científica no campo da energia humana e relata que os místicos, embora não tenham falado de campos de energia nem de formas bioplásmicas possuem tradições condizentes com as observações que os cientistas só agora entraram em contato. Neste ponto, ela descreve as experiências oriundas das práticas religiosas nas quais a oração e a meditação leva ao estado de consciência ampliada e o religioso declara enxergar luz em torno das pessoas.

Ela retoma a tradição espiritual indiana, de mais de 5.000 anos, assentada sobre a existência de uma energia universal constituinte da vida, o prana. Os chineses que no terceiro milênio a.C. diziam de uma energia vital por eles denominada de Chí e que compõe e impregna toda matéria animada e inanimada. Seu equilíbrio ou desequilíbrio por meio das forças yin e yang resulta na saúde ou moléstia, e norteiam os princípios da antiga arte da acupuntura. Após cinco séculos a acupuntura foi aperfeiçoada pelo Imperador Hoang-Ti, seu objetivo era o de promover o reequilíbrio do fluxo de energias Chí (qui), através de canais energéticos (nadis, meridianos).

Outros autores defendem ideia similar, Capra (1989) diz que os conceitos da física moderna frequentemente mostram a existência de paralelos com as ideias expressas nas filosofias religiosas do Extremo Oriente. Paralelos pouco discutidos por enquanto, algumas contribuições oriundas da cultura da Índia, China e Japão podem ser destacadas as que derivam do hinduísmo, budismo e taoísmo. Segundo Capra, pode se dizer que de modo geral a física moderna conduz a uma visão de mundo similar aquelas sustentadas pelos místicos de todos os tempos e tradições (CAPRA,1989: 15).

Dziemidko (2000:14) discorrendo sobre energia e cura energética, diz que a energia do corpo é aquilo que anima, dá vida ao corpo físico. O que em outras culturas é conhecido como energia vital, ou “força vital”, de reconhecimento na filosofia e nas curas tradicionais. O chinês lança mão de três palavras para referir-se aos aspectos diferentes dessa energia: Chi, Jing e Shen; os indianos a denominam de prana, palavra usada por eles também para respiração e espírito.  “O uso dessas palavras tem milênios, mas tem sido menosprezada, nos últimos séculos em nossa cultura, em nome do progresso científico.” 

Ela salienta o fato de que antigos textos religiosos dos hindus, da filosofia chinesa, estarem cheios de referências que só agora através da luz das modernas teorias da física começam a ser compreendidas. Há milênios, os místicos descrevem experiências de ver o Universo sob a forma de ondas.  As teorias mais progressistas da física estão se aproximando dessas ideias. Por trás de tudo existe uma força inexplicável – o vácuo quântico --   Sentimos a substância que nos dá a qualidade de vida o tempo todo, é ela que ativa nosso pensamento, emoções e ações, agindo como a eletricidade, visto que ao fluir por nós ela faz as coisas funcionarem. Idêntico ao que faz a eletricidade, quando flui, cria m campo energético. Campo esse que os terapeutas percebem ao redor e permeando o corpo humano (DZIEMIDKO, 2000: 25-37).

4. Energia, do Misticismo à Física Moderna

Uma boa forma de trazer a abordagem do tema energia do universo religioso e místico para o da física, talvez seja o de buscar um pensamento de Heisenberg, pois, palavra por palavra nele encerra-se a intenção desse escrito. Assim vejamos o que ele disse:

Na história do pensamento humano os desenvolvimentos mais fecundos ocorrem, de um modo geral, quando duas correntes totalmente distintas se encontram. Estas correntes podem radicar em zonas bastante diferentes da cultura humana, em tempos ou meios culturais diferentes, ou até em diferentes tradições religiosas, assim, se de fato se chegar, a encontrar, ou seja, se de fato são pelo menos aparentadas que uma verdadeira relação possa ter lugar, só se pode esperar que novos e estimulantes progressos se sigam (WERNER HEISENBERG apud CAPRA, 1989).

Segundo esse autor a influência da física moderna ultrapassou a influência da tecnologia e atingiu patamares referentes ao domínio do pensamento e cultura, onde deu lugar a uma revisão profunda da existente concepção de universo e da nossa relação com ele. O século XX através da exploração do mundo atômico e subatômico desvelou uma insuspeitada limitação das ideias clássicas. Uma revisão radical de muitos conceitos básicos levando a outro modo de pensar sobre o tempo, espaço, causa e efeito. Tais elementos fundamentavam nossa visão do mundo ao nosso redor e, com sua radical transformação, consequentemente, toda nossa visão do mundo começou a mudar (CAPRA, 1989: 14).

Para ele a física moderna tem por base as teorias da relatividade e a quântica, conduzindo a uma nova visão da natureza, essa agora é mais sutil, sagrada e ‘orgânica”. O ideal de uma descrição objetiva da natureza precisa ser abandonado junto com os principais conceitos da visão newtoniana. Mas, a nova física traz paradoxos difíceis de ser aceitos de imediato, levou muito tempo para chegar-se a perguntas certas e evitarem contradições. Houve grande dificuldade em aceitar a não solidez dos átomos, o fato de que não eram indestrutíveis e sim constituídos por vastas regiões de espaço no qual partículas extremamente pequenas se moviam. Dependendo da perspectiva, as unidades subatômicas apareciam ora como ondas ora como partículas, ou seja, possuíam uma dupla natureza.

Dentro dessa direção diz Heisenberg que o século XIX foi direcionado por uma confiança crescente no método científico, na racionalidade precisa e no ceticismo contra tudo que diferisse desse esquema fechado da época. Cita como exemplo o caso da religião. Esclarece que a física moderna em certo ponto reforçou este comportamento cético, mas em conjunto a essa posição, endereçou sua atitude cética contra a superestimação dos conceitos tidos como precisos e, até mesmo contra o ceticismo.

Ao propor que se fosse cético a respeito de qualquer tipo de ceticismo, segundo ele, a física moderna pode ter aberto uma porta de condução a uma visão mais ampla referente a relação entre mente humana e a realidade. Tal abertura, em certa medida, poderia propiciar a reconciliação entre as tradições passadas e as novas linhas de pensamento.  Com isso, seria mais fácil a adaptação ao conceito quântico da realidade. A física moderna, embora somente uma parte, é muito marcante para o processo histórico geral que tende a uma ampliação do nosso mundo presente (HEISENBERG, 1987: 151-154).

O desenvolvimento maior acontece com Max Planck e sua descoberta de que a energia irradiada por um corpo quente não era emitida continuamente, mas sob a forma de “pacotes de energia”. Einstein denomina esses pacotes de energia de “quanta” e reconhece neles o aspecto fundamental da natureza. Postula a respeito da luz e da irradiação eletromagnética – o quanta de luz, origina o nome da teoria quântica (CAPRA, 1989:51).

Físicos das décadas de 1920 e 1930 confirmaram que a matéria é na verdade uma forma de vibração de onda, aquilo que a física quântica chama de “dualidade onda-partícula”.  Tais insights permitem um entendimento totalmente novo do nosso corpo, pois, além da sua forma física material, o corpo é um campo de energia dinâmica e pulsante. Intrínseco ao nosso ser material existe o que poderia ser denominado de “corpo mecânico quântico”, que é processo, energia e inteligência puros. Nesse último, teríamos suficiência ou insuficiência de energia e através dele a possibilidade de solucionar a ausência de energia.

Chopra (1998:12-13) relembra que com exceção dos físicos quânticos estamos acostumados a pensarmos o corpo físico como algo sólido e a mente como imaterial, uma forma de pensar que dificulta a compreensão de que mente e corpo pode interagir um com o outro.  Mas que tão logo se compreenda que a estrutura aparentemente material do corpo é simplesmente pura energia, fica claro que o pensamento e a matéria são essencialmente semelhantes. Para física quântica, por exemplo, não existe muita diferença entre as flutuações de pensamento que surgem dentro do campo unificado e as vibrações de onda originadoras das partículas que constituem o corpo humano. Em síntese, seus pensamentos são eventos quânticos, vibrações sutis do campo, influenciando profundamente todas as funções do seu corpo.

5. Medicina Energética e Medicina Vibracional

Das ideias newtonianas e cartesianas, de um universo concebido como máquina, funcionando à semelhança de um relógio, conduzindo a uma visão reducionista em que o todo pode ser estudo através de suas partes com objetividade e neutralidade – à noção de quantum de Max Plank, do princípio da relatividade de Albert Einstein, e do princípio de incerteza de Werner Heisenberg, a credibilidade da ciência moderna, realista, materialista, se vê abalada em alguns de seus dogmas (GOSWAMI, [2000: 41-52] apud Rovai, 2011;13-14).

Torna-se possível tecer novas propostas de modelo para os saberes, a medicina, por exemplo, em consonância com as descobertas da Física Quântica propõe a medicina vibracional. A Medicina Vibracional – uma medicina para o futuro é um conceito lançado pelo médico Richard Gerber com o objetivo de uma nova abordagem para pensar a saúde e a doença. De suas pesquisas ele conclui pelo pressuposto de que o organismo humano não é só matéria – corpo físico --- mas também energia. Segundo ele: p.21 de Rovai:

A medicina vibracional ou energética finalmente encontrou validação, na ciência moderna graças à nova visão einsteiniana da matéria como energia, especialmente quando esse conceito é aplicado aos estudos dos sistemas biológicos enquanto campos interativos de energia. Em outras palavras, o ponto de vista einsteiniano considera os seres humanos a partir de uma perspectiva dimensional superior, de acordo com a qual eles são formados por diversos campos de energia contidos um no outro (GERBER, 2007: 407).

A Dra. Dziemidko diz que energia nos remete a um conhecimento milenar das antigas tradições místicas, mas também nos trazem de encontro ao conhecimento científico. Ambos os conhecimentos permitem que se extaria uma definição para energia, de como ela, ora vida, é sentida pelo corpo e como pode curar. Tem-se inclusive uma descrição da natureza do campo sutil de energia que parece envolver o corpo físico das pessoas e como esse campo energético pode ativar o processo de cura (2000: 12).

Segundo a autora, pesquisas médicas mostram que um terço dos pacientes reclama de “falta de energia”. Na linguagem cotidiana não “ter energia” serve para descrever sentimentos de mal-estar, falta de envolvimento emocional ou cansaço. Porém, mesmo sendo comum esse tipo de queixa de “falta de energia” a medicina ortodoxa pouco compreende dela, visto que a tem ignorado e desconsiderado, pois, a considera irrelevante. Entretanto, diferente disso a medicina energética que, baseia seus tratamentos na ideia de que a manifestação primária da doença ocorre devido a uma perturbação do estado energético de uma pessoa, existe total relevância na queixa da “falta de energia”. Definida pelo dicionário como potência, força ou vitalidade, a energia tem exatamente esses significados na cura e na medicina energética.

Chopra fala sobre a ausência da energia e diz que a fadiga é a ausência da energia física, intelectual e emocional, e a fadiga crônica uma ausência prolongada dessa energia, vem de encontro ao propósito dessa escrita sobre energia humana, e, sua possível atuação sobre a saúde do ser humano, vista sob a lente da Psicologia. Para explanar sobre a energia ilimitada presente no mundo biológico tanto quanto no universo físico, recorre aos especialistas no assunto: os físicos, e a afirmativa deles de que o universo nada mais é do um campo dinâmico e pulsante de uma avassaladora energia (CHOPRA, 1998:7).

Para ele problemas de saúde sem respaldo físico deixam evidente uma forte influência de fatores emocionais e psicológicos. Em testes psicológicos de depressão ou ansiedade realizados, 80% delas apresentaram resultados acima do normal, evidenciando a conexão mente/corpo. Sinalizando que a mente e as emoções podem ser fonte importante de energia, podendo inclusive esbanjá-la com graves consequências para a saúde. O sono parece ser insuficiente para renovar as energias diminuindo a capacidade de concentração e prejuízo da memória de curto prazo.

A solução para o problema, segundo o autor, é sempre a mesma: mais energia.  Seria necessário ter a habilidade de recorrer ao campo natural de energia circundante. De Einstein aos físicos quânticos da atualidade, comprova-se que tudo no universo adquire vida através de flutuações em um campo unificado de energia e inteligência. Temos uma única fonte de energia subjacente a tudo e por meio da qual todos os fenômenos ganham vida, inclusive os seres humanos. Somos verdadeiras concentrações de energia e inteligência no campo universal e temos no nosso corpo a mesma inteligência e energia que governam o universo, num continuum com a natureza. Einstein revelou o poder dos átomos, e afirmou que a matéria nada mais é do que energia disfarçada de forma diferente.

Da combinação de evidencias objetivas de observações cientificas com experiências subjetivas, a ciência pode deduzir a passagem dessas mudanças no cérebro aos efeitos nos corpos sutis. Quando os terapeutas descrevem as mudanças sentidas por eles no fluxo de energia e nos corpos sutis, geralmente, têm-se mudanças correlativas e observáveis pelos cientistas no EEG. Lembrando ainda que por um lado a ciência descarta as experiências subjetivas, entretanto, é ingênuo pensar que os cientistas podem ser totalmente objetivos.

É impossível ao ser humano normal agir sem ser subjetivo. “O mundo objetivo da ciência é um mundo teórico não-real”, mesmo que tentem convencer aos demais de que somente o analisável e explicável sejam reais e o restante, ilusão (DZIMIDKO, 2000: 21-22)

“O aumento do interesse pelas curas energéticas não se deve apenas à desilusão com a ciência médica (nem sempre justificável), mas também com a percepção intuitiva de que falsas crenças, respostas emocionais negativas crônicas e falta de ligação com algo maior que nós mesmos estão por trás das causas de muitas tensões e doenças.” (DZIEMIDKO, 2000: 23)

As exposições do médico e pesquisador Richard Gerber sobre medicina vibracional conduzem a uma nova maneira de pensarmos a respeito da saúde e doença. Sua visão é a de um funcionamento do corpo humano levando em consideração uma constituição desse por múltiplos sistemas energéticos que se influenciam reciprocamente. Sua proposta alavanca nosso modo de pensar para um modelo além do utilizado pela medicina tradicional, numa compreensão de que nossos pensamentos e emoções afetam a nossa fisiologia e que outras possibilidades que não somente das da alopatia podem ser agentes eficazes de cura.

Numa síntese sobre os novos princípios energéticos para uma nova era, Gerber coloca que a medicina vibracional é um campo direcionado para a compreensão da energia, das vibrações e da forma como elas interagem com a estrutura molecular e o equilíbrio orgânico. Tal campo tem evoluído lentamente, mas a medicina está no limiar da descoberta de um misterioso mundo de energias invisíveis passiveis tanto de ajudar no diagnóstico quanto na cura de doenças. Além disso, poderá levar os pesquisadores à uma nova compreensão dos potenciais ocultos da consciência. O primeiro desses universos misteriosos a serem por eles explorados deverá ser o do nível de energia etérica. Onde poderão descobrir que o corpo etérico é responsável pelo crescimento e desenvolvimento, bem como, pela disfunção e a morte de todos os seres humanos. Portanto, atingirão a compreensão de é nesse nível – nível etérico – que muitas doenças se originam (Idem, p. 54)

Este descortinar do campo etérico tornar-se-á uma possibilidade de os cientistas no papel de pesquisadores esclarecidos começarem a reconhecer a dimensão espiritual dos seres humanos e as leis de expressão da força vital podendo assim culminar numa visão holística. Nela os médicos poderão reconhecer a necessidade de uma integração entre corpo, mente e espirito como origem de uma boa saúde. A percepção de que a energia e matéria do nível etérico de vibração possuem efetiva participação no controle da expressão da força vital por meio de diferentes aspectos da natureza poderá conduzir a medicina a desvelar como o corpo etérico afeta o estado de saúde e de doença. Mais para o futuro o reconhecimento da importância dos estados de consciência ganhará importância. Avanços tecnológicos permitirão através da eletrografia a detecção dos campos energéticos sutis presentes nas pessoas. Da aprendizagem e uso mais pleno dos potenciais naturais ocultos da mente humana chegar-se-á mais perto do acesso aos elementos energéticos sutis do universo multidimensional (GERBER, 2007: 55).

Quanto a influência das emoções, se até recentemente a medicina tradicional subestimava seus efeitos, hoje, cada vez mais médicos holísticos e, mesmo os ortodoxos, reconhecem que o estresse emocional contribui expressivamente para a produção de doenças. Entrelaça essa informação a de que os conflitos emocionais, os sentimentos de impotência e a falta de amor por si mesmo podem agir nocivamente sobre o funcionamento dos chacras. Em decorrência de os chacras serem fornecedores de energia sutil aos diversos órgãos do corpo, os bloqueios e conflitos emocionais podem levar a um fluxo anormal e com o passar do tempo gerar doenças de maior ou menor gravidade em qualquer dos órgãos fisiológicos.

Gerber diz que “nossas doenças frequentemente são um reflexo simbólico de nossos próprios estados internos de intranquilidade emocional, bloqueio espiritual e desconforto.”  Segundo ele da conscientização de que nossas emoções e nível de sintonia interna favorecem a manutenção da saúde ou a ocorrência de doenças conduzirá a um comportamento mais responsável para consigo e com os outros. Através da medicina vibracional irão poder aprender métodos para modificar padrões disfuncionais de comportamento, pensamento e sentimento no intuito de atingirem o bem-estar. Cita a proliferação de cursos ensinando a redução de estresse, mas salienta que o relaxamento é apenas a ponta do iceberg, visto ser a mudança dos componentes psicoespirituais mais profundos que deixaram o indivíduo vulnerável à doença. (Idem, p.386-388).

Portanto, quando uma doença se manifesta foi porque o fluxo natural de energia vital através de nossos corpos multidimensionais foi restringido. A boa saúde implica no fluxo livre e constante de energia através de cada um dos diversos níveis simultâneos de processamento interno. Se ocorre qualquer tipo de bloqueio e isso prejudicar o fluxo de energia em algum nível do sistema, advém a doença. Logo, um adequado output de energia no nível da estrutura energética emocional é fundamental para atingir-se e manter um elevado grau de bem-estar.

Destaca ainda que nos anos vindouros, cerca de vinte anos, testemunharemos a criação de toda uma nova disciplina científica relacionada com as aplicações da energia à consciência e a fisiologia sutil humanas. Lembra que quando Einstein expos pela primeira vez as suas teorias radicais, foi considerado louco, e que também os defensores da fisiologia energética e vibracional sofrem seus reverses atualmente. Foram necessários mais de sessenta anos para as ideias de Einstein serem validadas e ele ser reconhecido um gênio. Os pioneiros da medicina vibracional também enfrentam obstáculos e passa por um crescimento penoso. Sua proposta de evolução para os modelos científicos almeja chegar a novos sistemas de medicina energética sutil cujo alvo além de aliviar os sintomas, também trata as causas emocionais, mentais, bioenergéticas ambientais, sutis e espirituais das enfermidades (GERBER, 2007: 407- 410).

6. Bioenergia, Energia Humana e a Psicologia

Autores como Goswami (2006: 27), citado por Rovai (2011) afirmam que o paradigma de “uma nova ciência dentro da consciência [...] integra a física, a psicologia e a espiritualidade”. Ressalta-se que o atual contexto da Psicologia enquanto ciência do estudo do comportamento humano coloca em questionamentos muitos dos seus pressupostos. O século XX trouxe novas teorias sobre a visão de homem e de mundo, assim como da compreensão do desenvolvimento e da aprendizagem humanos. Contudo, o campo do saber da Teoria Quântica não tem uma relação explicita e influente no que diz respeito às renovações do saber da Psicologia. Ainda que o conhecimento, as descobertas da Física Quântica tenham afetado praticamente todas as áreas do conhecimento e contribuído para se repensar o modelo da ciência clássica, aberto caminho para a criação de um novo paradigma científico e, consequentemente, de uma psicologia de natureza quântica – há pouca referência às influencias da física quântica na área da psicologia.

Os estudos de Reich, eram baseados na psicanálise de Freud e tiveram origem no conceito de “libido” para expressar uma “energia real que flui no organismo e é organizada segundo leis que se aplicam à estrutura de caráter do paciente, de acordo com uma economia tal que o sistema permite liberar ou conter montantes dessa energia”. De suas observações relacionadas à capacidade para fluir física e emocionalmente e a descarga de sentimentos e sensações durante o ato sexual, formulou a teoria do orgasmo e sua ligação com a enfermidade e a saúde. O trabalho dele sobre a ciência da energia orgônica será desenvolvido e ampliado pela análise bioenergética de Lowen e por Pierrakos, médico e diretor do Instituto de Análise bioenergética (PIERRAKOS, [p. 13-20]).

Já Lowen empreendeu-se no que chamou de “nova busca em psicoterapia”, em novas formas de psicoterapia, devido aos trabalhos desenvolvidos em outros continentes, assim como, na própria demanda dos clientes. Um número cada vez maior de pessoas interessadas em ampliar suas possibilidades de experiência, suas capacidades de contato com elas mesmas, com os outros e com os acontecimentos. Sua busca por novas formas de atuar junto ao cliente foi dedicada às novas gerações de psicólogos e psiquiatras em formação, contudo, também extensiva ao interesse crescente do público em geral pelas contribuições que a psicoterapia, um ramo da psicologia, tem a proporcionar à vida do homem atual. Lowen definiu desse modo sua busca por novas respostas e caminhos que levassem o homem a ampliar suas possibilidades, e, para fazê-lo, na década de 1940, baseou-se no trabalho de Wilhelm Reich. Através do conhecimento adquirido com Reich, seu professor e analista, do curso ministrado por esse, sobre Análise do Caráter, uma referência sobre à identidade funcional do caráter de uma pessoa versus sua atitude corporal ou couraça muscular, somado a diversos outros conhecimentos que Lowen chegou à bioenergética. Nesse sentido, a fala de Chopra é complementar ao dizer:

O impulso em direção à totalidade é um direito humano inato e natural, visto que dentro de cada um de nós existe a possibilidade da totalidade e o profundo desejo de alcançá-la. Totalidade significa estar completamente integrado, sem qualquer sensação de estar separado, fragmentado ou limitado. Significa viver uma alegria natural.” (CHOPRA, 1998:128).

Os psicólogos modernos referem-se a Totalidade como um estado de “auto realização”. Aquilo que o psicólogo Abraham Maslow, segundo Chopra (1998), descreveu como sendo caracterizada pela criatividade, pela sensação de liberdade interior, pela satisfação, energia e espontaneidade. E que para Maslow era uma meta natural na evolução de cada pessoa atingir esse estado, o de “auto realização”.

Conforme Goswami (2011) a maior parte da biologia e da psicologia, além de, virtualmente, todas as nossas ciências sociais, são praticadas assentadas em base newtoniana. A qual deu origem a vários preconceitos resistentes, como o determinismo, a objetividade forte e o materialismo – inegavelmente adequados quando investiga-se a ordem do mundo exterior. Mas com oposta atuação em relação à espiritualidade, cuja base repousa sobre a realidade interior. Entretanto, a aparente posição irreconciliável entre ciência e espiritualidade pode agora ser repensada, visto que as mudanças ocorridas na ciência através da substituição da física clássica pela nova física denominada mecânica quântica. Depois de sete décadas criou-se um novo paradigma e, com ele abriu-se uma janela, uma janela visionária, no dizer de Goswami, por meio da qual se pode reconhecer que a consciência (base do Ser e fonte da criação) tem um papel definitivo na configuração da realidade (p. 16 a 20).

Cabe ressaltar que o novo paradigma, ao contrário da física clássica e também da mecânica quântica, ambos fundamentam sobre uma mudança continua e material, a nova física traz o conceito de quantum, que significa uma quantidade discreta e descontinua. Seus postulados fazem cair por terra diversos dogmas da física newtoniana, maxwelliana e einsteiniana, um conglomerado de dogmas metafísicos a partir da objetividade, do monismo materialista e reducionismo, do determinismo, continuidade e localidade. Uma ciência para a qual tudo mais era epifenomenalismo, para ela apenas o material era real (p.20- 23).

Contudo, sob a lente de um olhar atento, ao fazer-se uma profunda sondagem, como fez o físico Capra (1975) diz Goswami, percebe-se a existência de paralelos entre os conceitos da ciência moderna e das tradições espirituais. O fato de a ciência moderna comportar-se desse modo, talvez esteja dizendo que ela seja espiritualizada na medida necessária. Neste sentido, há abertura para uma reconciliação entre espiritualidade e ciência, pois, esta última tem lançado mão do uso de metáforas semelhantes na elucidação de seus conceitos. A exemplo da proposta de Capra e de outros que enunciaram uma nova e ecológica visão do mundo, na qual Deus está imanente em toda parte, todas as coisas estão interconectadas e vivas em espírito – não comporta pensar em termos divisivos e reducionistas da ciência newtoniana, tampouco a postulação de um ser transcendente (p.29).

A janela visionária aberta sete décadas depois da mecânica quântica, de 1920, traz uma matéria descrita como ondas de possibilidade, na qual calcula-se possíveis eventos para os elétrons e a probabilidade de cada um desses eventos, sem determinar um evento real, único, oriundo da observação sobre o mesmo. Com isso culminaram na questão: “quem ou que provoca o “colapso” da onda de probabilidade no elétron real, no espaço e tempo reais, num caso de observação?” Goswami destaca que foram necessárias sete décadas para que se enxergasse aquilo que ele denominou de janela visionária, cuja consequência é reconciliar ciência e espiritualidade – a ideia alteradora do paradigma – a de que o agente que transforma a possibilidade em ato é a consciência. Visto ser inegável que sempre que observamos um objeto, nós vemos um ato único, e não o espectro inteiro de possibilidades. Isso faz da observação consciente uma condição para suficiente para o colapso da onda de possibilidade.  Para iniciar o colapso é preciso um agente que esteja fora da jurisdição da mecânica quântica. Para o matemático John Von Neumann (1955) “só existe um agente nessas condições: a consciência”, lembra Goswami. (p.31-32)

Fortes evidências demonstram que a cura e a saúde são afetadas pelas emoções. Também causam prejuízos à saúde os problemas referentes à autoimagem negativa e de autoestima, pois, bloqueiam o chacra do coração e funcionamento do timo, e assim, diminuem as defesas imunológicas. Resultando em fragilidade para o organismo que fica vulnerável às doenças provocadas tanto por agentes externos quanto internos e, pode ocasionar, inclusive, sérios problemas de aprendizagem, devido a bloqueios cognitivos (ROVAI, 2011: 21-22).

As tentativas de superar o modelo vigente de ciência mecanicista devido às limitações por ele apresentado descortinou novos horizontes, um exemplo, é a abordagem sistêmica da psicologia. Sua concepção de doença mental é de total compatibilidade com as noções gerais de saúde como um fenômeno multidimensional -- inclui aspectos físicos, psicológicos e sociais interdependentes – engloba vários campos de interação.

Através da abordagem sistêmica uma nova psicologia com perspectiva holística e dinâmica se apresenta, nela as funções da psique não podem ser entendidas e reduzidas a elementos isolados. O organismo humano passa a ser considerado um todo integrado cujos fenômenos mentais só ganham compreensão se entendidos dentro do contexto total do sistema corpo/mente. Conforme essa nova orientação, a psique é vista como um sistema dinâmico que envolve funções associadas ao fenômeno da auto-organização – remete, portanto, a um fluxo de energia que reflete uma inteligência intrínseca – comparável ao conceito sistêmico de “mentação”, no qual a psique tanto pode criar como curar a doença.

Nesse sentido, Rovai nos diz que aí está o reconhecimento de que a situação psicológica do indivíduo não pode ser separada do seu ambiente emocional, social e cultural, e que o sofrimento mental decorre do colapso das relações sociais. Além de esclarecer que segundo os moldes de adaptação da abordagem sistêmica bootstrap (um conceito da teoria quântica) à compreensão da psique humana, pode não existir uma teoria capaz de explicar o espectro total de fenômenos psicológicos, precisando os psicólogos de se contentar, tal como os físicos, com uma rede de modelos interligados (ROVAI, 2011:29).

7. Considerações Finais

Este artigo apresentou questões relevantes para o entendimento da bioenergia, da energia humana, conforme sua trajetória na história da humanidade datada de milênios atrás aos tempos atuais, de forma a propiciar conhecimento referente aos usos que se tem feito dela. Abordou a refutação da ciência convencional e a possibilidade de uma futura interligação entre aspectos subjetivos e objetivos enquanto elementos complementares e não necessariamente excludentes. Dedução possível após estudar os novos rumos trazidos pela física quântica, pelo uso da bioenergia, a energia humana, pela medicina energética e vibracional, além da abertura de espaço para as psicoterapias complementares no SUS e, consequente, por profissionais de diversas áreas, principalmente, da psicologia.

O material de confecção do trabalho é totalmente de origem da pesquisa bibliográfica disposto de forma a permitir um possível diálogo entre os diversos autores referenciados. Posteriormente a aprendizagem oriunda da leitura e reflexão passou pelo crivo da análise compreensiva da autora e devolvida em termos de consideração final.

Quando um assunto interessa e sabe-se pouco, ou nada, sobre ele, uma boa alternativa é a pesquisa, o estudo do tema. Embora isso de imediato não torne ninguém um perito pelo menos tira um pouco do véu da ignorância. A bioenergia, a energia humana, diz respeito a um lado bioenergético do ser humano, ao que parece, de suma relevância para entendê-lo em sua totalidade. O homem que já foi visto como mera máquina de funcionamento bioquímico adquire nesse viés uma complexidade subatômica e passa a ser visto como pura energia sob o domínio da consciência. Do seu autoconhecimento e autodomínio de suas próprias energias advém sua condição de saúde e bem-estar ou ao contrário, seu estado de adoecimento físico, mental e emocional. De sua interação energética com ele mesmo, com os outros e com o meio resulta sua posição biopsicossocial, a co-criação da realidade circundante. Ignorar esse aspecto bioenergético de sua existência é permanecer como o homem que desconhece a si mesmo. Ignorar elimina possibilidades, fecha portas e caminhos ainda não percorridos.

A Psicologia na posição de ciência que estuda o comportamento humano precisaria estar atenta aos aspectos multidimensionais que atuam influenciando o modo de se portar desse mesmo ser humano. Carl Jung (1875 – 1961), médico e pensador suíço, pai da psicologia analítica, deixou aos estudantes de medicina, psiquiatria e psicologia o convite para os estudos da energia humana.  Muitos psicólogos voltaram seu olhar sobre a questão da bioenergia e das energias humanas, porém, esse feito sempre esteve limitado pela não aceitação da ciência convencional e ditames da física em voga.

Aceita-se razoavelmente bem a existência de algumas energias, isso hoje é visível quando a população, ainda que sem entendimento de como se dá o processo da conversão de energia, aceita e colabora doando energia cinética para que conversão em energia elétrica. Brinquedos foram criados para explorar este aspecto durante o lazer de crianças e adultos e tornou-se uma realidade em diversos cantos do mundo. Uma criança pula corda ou joga bola por meia hora e pode usufruir depois de aproximadamente três horas de iluminação elétrica resultante de sua brincadeira, ou pode ainda recarregar a bateria de aparelhos celulares, tablete dentre outros eletrônicos.

Entretanto, a abordagem de que é constituído por uma energia sutil, uma energia vital parece causar o impacto da estranheza e da não aceitação numa grande maioria. Um conhecimento datado de vários milênios, propagado por diversas culturas e civilizações, de utilização de algumas medicinas como a homeopatia, a acupuntura, a medicina energética e a medicina vibracional, por exemplo, continua alvo de descrédito e desmerecimento. Longe de ser uma ousadia, talvez seja um dever perguntar por que tanta refutação em cima de um conhecimento devido a sua característica subjetiva, quando a própria ciência tradicional já possui sapiência de que a objetividade total é impossível para o ser humano. A matéria como algo sólido, palpável e de concretude indiscutível perdeu-se nas lagunas da possibilidade subatômica, da não localidade, da dualidade e da incerteza.

Contudo, pelo dizer de vários autores existe atualmente uma caminhada rumo a uma visão holística e ecológica da vida humana e planetária e essa varre para longe a estreita carceragem mental em que se viveu por mais de trezentos anos. Isso não significa dizer que os conhecimentos da era newtoniana deixam de ter valor, mas sim que sofreram uma reformulação e ampliação. O século XX permite tecer novas propostas de modelo para os saberes, da medicina e psicologia, por exemplo. Mas o conhecimento não atingiu patamar estacionário e, portanto, novas janelas descerram a cortina e abrem passagem para os feitos da bioenergia, da energia humana através da consciência no século XXI.

Sobre o Autor:

Geni Aparecida do Carmo Cruz - Graduanda do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Campus Coração Eucarístico.

Referências:

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CAPRA, Fritjof. O tao da física. Editorial Presença. Porto, Lisboa, 1989.

CHOPRA, Deepak. Energia ilimitada: o programa completo mente/corpo para vencer a fadiga crônica. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. P. 7- 13 e 128.

DAVIDSON, John. Energia sutil: como se manifestam as energias que estão além da nossa percepção normal e como podemos fazer uso delas. Círculo do Livro S.A. – São Paulo, 1987.

DZIEMIDKO, Helen E. O livro completo da medicina energética.  Editora Manole LTDA. – São Paulo, SP: 2000.

GERBER, Richard. Medicina Vibracional – uma medicina para o futuro. São Paulo: Cultrix, 2007.

GORDON, Richard. A cura pelas mãos ou a prática da polaridade. Editora Pensamento: são Paulo, 1978. P. 18 -

GOSWAMI, Amit. A janela visionária – um guia para a iluminação por um físico quântico. 11ª Ed. -- São Paulo: Cultrix, 2011.

HEISENBERG, Werner. Física e filosofia. 2ª Ed. Brasília, DF: Editora Universidade de Brasília, 1987.

LOWEN, Alexander. Bioenergética. São Paulo: Summus, 1982. (Novas buscas em psicoterapia: v. 15)

MANN, Willian Edward. Orgônio, Reich & Eros: a teoria da energia vital de Wilhelm Reich. São Paulo: Summus, 1989.

REGO, Ricardo Amaral. Conceitos de bioenergia. Disponível em: http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&ved=0CCMQFjAB&url=http%3A%2F%2Fwww.ibpb.com.br%2FConceitos_bioenergia.doc&ei=- hZ7VKSjC8OlNtmqgXg&usg=AFQjCNHeGNkxCFUrtFCt5ctb56pey8vTnQ&bvm=bv.80642063,d.eXY Acesso em: 18/01/2015

ROVAI, Esméria. Física quântica, psicologia e educação: as relações entre essas áreas. Monografia apresentada como trabalho de conclusão do Curso Gestão e Aplicação de Terapias holísticas Vibracionais. Centro Universitário Estácio / Uniradial, São Paulo, 2011.Disponivel em: < http://terapiascomplementares.blog.br/home/wp-content/uploads/PSICOLOGIA-E-FISICA-QUANTICA.pdf > Acesso em: 19/01/2015