4.2                     Avalie este Artigo:

A psiquiatria é considerada um ramo da medicina. BAUMGART (2006) cita Bercherie – “Fundamentos da clínica - apresentando uma espécie de evolução dos conhecimentos da área, dividindo-a em fases.

No século XIX, psiquiatria começou a tomar uma forma que nós podemos reconhecer. O próprio termo “Psiquiatria” foi usado pela primeira vez no início de 1800; “psicose” tomou o lugar de “lunação” e “insanidade”, esse último servindo agora principalmente como termo legal nos tribunais. A Psiquiatria conquistou uma posição mais firme como um ramo da medicina; avanços na neurologia reduziram um pouco o mistério do cérebro e suas subdivisões anatômicas; a perseguição de “bruxas” se tornou uma raridade” (Stone, 1999)

A primeira delas denominada “Psiquiatria clínica” tem como representantes maiores Philippe Pinel e Jean Esquirol, responsáveis em grande parte pela caracterização da loucura. Pinel escreveu “Tratado médico-filosófico sobre a alienação mental ou a mania” (1801) introduzindo a alienação no campo da medicina, é responsabilizado ainda por liberar os loucos das correntes sendo considerado “pai da psiquiatria”.

Na segunda etapa denominada de “Fundamentos da Nosologia Clássica” tem-se uma maior densidade dos estudos e descrições das doenças mentais fundamentando a nosologia (tudo o que se refere à caracterização da enfermidade, freqüência, características da população, etc). Esta seria o aporte que passa o conhecimento sobre a doença, “escrevem o nome das patologias”. Entre os representantes mais significativos encontram-se Bayle, Falret, Morel e Kahlbaum.

Na terceira fase chamada de “Psiquiatria Clássica” tem-se uma forte influência de Kraepelin. A teoria que domina e orienta os psiquiatras da época está baseada no arco-reflexo e tem como nomes importantes da época Krafft-Ebing e Schule de origem alemã. Os alemães desse período fundam novas classificações substituindo, por exemplo, a terminologia “alienação mental” cunhada pelos franceses por “psicose”. Kraeplin é um grande responsável pela classificação e descrição de várias enfermidades mentais, base da atual taxonomia utilizada. Foi o primeiro a sistematizar muitos dos conceitos já existentes. A importância de sua obra não se resume às teorias, foi responsável também pela forma de organização que perdura ainda em muitas instituições psiquiátricas.

Finalmente, na fase denominada pelo autor de “Psiquiatria moderna” tem-se a “era psicodinâmica” onde ficam em evidência os estudos da origem dos fenômenos mentais e da-se importância aos acontecimentos e reações em  situações que poderiam vir a desencadear patologias. O acontecido, o vivido e a reação da pessoa frente o vivido tomam tornam-se alvo de atenção. São nomes representativos dessa época Sérieux, Babinski, Janet, Jaspers, Minkowski e Breuler.

Historicamente, as escolas psiquiátricas de maior relevância tem sido a francesa e a alemã. A alemã busca dar conta da etiologia, patogenia e características do quadro clínico, curso e prognóstico. Kraeplin é um dos grande nomes. A escola francesa dá ênfase aos critérios sindrômicos e tem Esquirol como grande representante.

A Psiquiatria desde o princípio vem se preocupando com a construção de nomenclaturas, responsáveis pela introdução de uma ordem estruturadora do desenvolvimento conceitual e teórico da mesma. A noção de sintoma é de importância dado que dá ao médico o sinal para reconhecer a enfermidade (Baumgart, 2006). Os sintomas são entidades nosológicas e a partir deles podem-se definir subtipos. São considerados análogos às enfermidades físicas. Entre os ordenamentos nosológicos atuais tem-se a DSM-IV e a CID-10.

Karl Jaspers, psiquiatra fenomenólogo, se colocou contra a excessiva objetividade característica da psiquiatria francesa (em contraposição à psiquiatria alemã que se preocupava majoritariamente com articulações teóricas). As entidades nosológicas seriam fundamentalmente a existência do homem. Em seu livro intitulado Psicopatologia Geralpsicologia compreensiva, explicativa e fenomenológica. Onde afirma que dentro de sua perspectiva teórica “todo o trabalho se relaciona com um caso particular".

Não obstante, para satisfazer a exigência decorrente dos casos particulares, o psiquiatra lança mão, como psicopatologista, de conceitos e princípios gerais (JASPERS; 1913, p.11) dando grande contribuição para a oficialização da psicopatologia como ciência.

Há que se pautar a diferenciação entre psiquiatria e psicopatologia. A Psiquiatria, segundo Paim, seria “um ramo da clínica médica aplicada que tem por objetivo a prevenção primária, o tratamento e a assistência aos doentes mentais” (1993, p. 9). Ainda segundo o mesmo autor,  o objetivo maior da Psicopatologia seria o conhecimento puro, tendo como fim último o estudo da vida psíquica considerada anormal de forma independente dos problemas clínicos.

Desde meados do século XIX até início do século XX houve notório impulso da Psiquiátrica devido ao enfoque biológico que a medicina e as ciências biológicas de forma geral estavam ganhando com os estudos neutológicos.

Gustav Fechner foi um grande nome de destaque nesse período bastante citado ainda nos manuais de história de Psicologia por seus feitos na área da Psicologia experimental, contribuindo posteriormente para o reconhecimento dessa como ciência. Outros nomes da Alemanha do século XIX foram Meynert, Wernicke, Herbart a Alzheimer, dentre outros muitos.

Nesse período de marcante “biologização” busca por categorização das enfermidades, surge Freud com a Psicanálise que sob a influência das idéias de Charcot, Breuler e alguns outros inaugura a área do saber que o meio de forma imponderável estava pedindo - foi instrumento de seu tempo. Sua teoria, fruto em grande parte de seu contexto sócio-histórico, abalou diversos paradigmas que estavam sendo estruturados em sua época e apesar de ser um ramo de conhecimento à parte é considerado um marco na história da Psiquiatria.

Referencial Teórico

BAUMGART, Amália. Lecciones introductorias de psicopatologia. 2ª edição. Perspectiva: Buenos Aires, 2006.

JASPERS, Karl. Psicopatologia Geral – Psicologia compreensiva, explicativa e fenomenológica. 8ª edição. Atheneu: São Paulo, 2003.

PAIM, Isaías. Curso de Psicopatologia. 11ª edição. E. P. U: São Paulo, 1993.

STONE, H. Michael. A cura da mente – a história da psiquiatria da antiguidade até o presente. Artmed: Porto Alegre,1999.