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Resumo: Este artigo aborda um estudo sobre a sexualidade do idoso na contemporaneidade, com o objetivo de compreender as percepções da sociedade com relação a essa sexualidade na terceira idade nos dias atuais. A metodologia utilizada foi baseada em uma pesquisa bibliográfica, para oferecer ao leitor um panorama desse tema tão importante que, por vezes, representa lacunas teóricas e vivenciais em si mesmos.   Hoje é fato que envelhecimento mundial é um fenômeno que tem sido muito discutido na última década, sobretudo por seu significativo crescimento. A sexualidade é um fator que ocorre naturalmente na vida do ser humano, independente da idade, é um elemento básico da personalidade que determina no individuo um modo particular e individual de ser uma forma de expressão que se adquire e se aperfeiçoa durante a vida inteira. Há um número inimaginável de indivíduos idosos que se sentem ser algo anormal expressarem as necessidades sexuais. Um dos grandes problemas para a permanência dessa percepção da assexualidade do idoso está ligado aos modelos de referências que as pessoas adquirem no decorrer da vida. Contudo, é possível atingir a velhice de forma saudável, expressando a sexualidade, elemento por vezes negligenciado pelos próprios idosos.
Palavras-chave: envelhecimento; idoso; sexualidade.

Introdução

Os idosos constituem um contingente cada vez maior na sociedade. O crescimento do número de pessoas acima de 60 anos é um fenômeno mundial que vem crescendo no Brasil e no mundo. Pesquisas têm sido realizadas em diversas áreas, pois há necessidade de conhecer a população idosa que aumenta a cada dia.

A escolha do tema para estudo se deu a partir de uma experiência com um grupo de senhoras de Biodança em Teresina-PI, quando cursava a disciplina de Psicomotrocidade, tendo uma delas relatado que aos 72 anos a dança mudara sua vida principalmente no aspecto sexual.

De acordo com Covey (1989) inúmeros mitos, atitudes sociais e estereótipos negativos são atribuídos aos idosos, mas os mais intensos são aqueles ligados à sexualidade, dificultando qualquer manifestação desta área em suas vidas.

Para Santos (2003) o idoso não perde a sexualidade, mas a redescobre, e nessa perspectiva se deve olhar as possibilidades criativas construídas pelo corpo vivido de vivenciar essa sexualidade.

A pesquisa, de caráter bibliográfica teve como objetivo geral compreender as percepções da sociedade sobre a sexualidade na terceira idade nos dias atuais.  Os objetivos específicos consistiram em analisar, como o idoso é visto na sociedade no que diz respeito a sua sexualidade, compreender as percepções da sociedade sobre a vida sexual do idoso nos dias atuais e verificar as novas implicações sociais no contexto da sexualidade na terceira idade.

A relevância desse trabalho reside numa reflexão na área da ciência da psicologia sobre as novas formas de se ver e pensar a sexualidade do idoso, além de servir como norte para a terceira idade na busca de uma vida saudável, uma melhor qualidade de vida, incluindo o sexo como parte desse processo.

Para a pesquisa bibliográfica foi necessário uma revisão do tema escolhido através de artigos científicos, livros e as obras de Freud.

Velhice e o Processo do Envelhecimento

Em todo o mundo, o número de pessoas com 60 anos ou mais está crescendo mais rapidamente do que o de qualquer outra faixa etária. Sendo assim, percebe-se uma necessidade de explorar cada vez mais vários aspectos na velhice, como o da sexualidade na terceira idade, como a sociedade a percebe e compreende nos dias de hoje.

Labronici (2002) ressalta que o fenômeno de envelhecimento da população é local e global, e apresenta um índice de crescimento progressivo desencadeando novas exigências sociopolíticas e econômicas.

De acordo com Goldfarb (1998) as limitações corporais e a consciência da temporalidade passam a ser problemáticas fundamentais na velhice e no processo do envelhecimento humano, e aparecem de forma reiterada no discurso dos idosos, embora possam adquirir diferentes nuances e intensidades dependendo da sua situação social e da própria estrutura psíquica.

Sant'anna (2003) coloca que o envelhecimento é um conceito multidimensional que, embora geralmente identificado com a questão cronológica, envolve aspectos biológicos, psicológicos e sociológicos. Além disso, as características do envelhecimento variam de indivíduo para indivíduo (dentro de determinado grupo social), mesmo que expostos às mesmas variáveis ambientais.

De acordo com Veras (1994) o corpo e tempo se entrecruzam no devir do processo do envelhecimento, e como conseqüência disso, nascerá à diversa velhice e sua conseqüente múltipla representação.

Um conceito mais recente que define a velhice como uma fase do processo evolutivo, vem substituindo na maioria das sociedades o antigo significado do envelhecer, conceito que trazia toda uma carga de negatividade. A velhice não se constituía objeto de preocupação social. Atualmente a velhice passa a ser objeto de cuidado e atenção especiais, que eram certamente inexistentes nos últimos dois séculos. (BIRMAN, 1995).

A mudança que vem se observando nas relações que a sociedade estabelece com a velhice, não se verifica apenas pela mudança de valores, mas pelo aumento da esperança de vida devido ao progresso da medicina que com todo o seu aparato tecnológico enfrenta as doenças crônicas favorecendo a longevidade e contribuindo dessa forma como um dos fatores para o aumento significativo da população idosa.

Idades da Velhice

No Brasil, de acordo com o Estatuto do Idoso (2003) e a Organização Mundial da Saúde, a definição de idoso inicia aos 65 anos nos países desenvolvidos e aos 60 anos nos países em desenvolvimento.

Segundo alguns estudos, outros eventos, relacionados à vida pessoal, familiar e profissional servem de pontos de referência para mudanças. Desta forma, o envelhecimento humano pode ser compreendido como um processo complexo e composto pelas diferentes idades: cronológica, biológica, psicológica e social.

Idade cronológica

Andrews (2000) afirma que é absurdo insistir que a idade cronológica deve fazer parte da identidade. Ela, assim como outros aspectos de identidade, compreende dimensões objetivas e subjetivas.

Hoyer e Roodin (2003) citam que a idade cronológica refere-se somente ao número de anos que tem decorrido desde o nascimento da pessoa, portanto não é um índice de desenvolvimento biológico, psicológico e social, pois ela por si só não causa o desenvolvimento. A idade é meramente um marcador aproximado do processo que influencia o comportamento ao longo do tempo.

Idade biológica

A idade biológica é definida pelas modificações corporais e mentais que ocorrem ao longo do processo de desenvolvimento e caracterizam o processo de envelhecimento humano, que pode ser compreendido como um processo que se inicia antes do nascimento do indivíduo e se estende por toda a existência humana.

As mudanças e as perdas fazem parte do envelhecimento. A partir dos 40 anos, a estatura do indivíduo diminui cerca de um centímetro por década, principalmente devido à diminuição da altura vertebral ocasionada pela redução da massa óssea e outras alterações degenerativas da coluna vertebral. A pele fica mais fina e menos elástica e com menos oleosidade. A visão também declina, principalmente para objetos próximos. A audição diminui ao longo dos anos, porém normalmente não interfere no dia-a-dia. Com o envelhecimento, o peso e o volume do encéfalo diminuem por perda de neurônios, mas, apesar desta redução, as funções mentais permanecem preservadas até o final da vida (COSTA & PEREIRA, 2005).

Idade social

A idade social é definida pela obtenção de hábitos e status social pelo indivíduo para o preenchimento de muitos papéis sociais ou expectativas em relação às pessoas de sua idade, em sua cultura e em seu grupo social, assim como também se relaciona com as idades cronológica e psicológica (SCHROOTS & BIRREN, 1990).

Neri (2001) afirma que a idade social diz respeito à avaliação do grau de adequação de um indivíduo ao desempenho dos papéis sociais e dos comportamentos esperados para as pessoas da sua idade em um dado momento da história de cada sociedade.
Percebe-se que a idade social corresponde, assim, aos comportamentos atribuídos aos papéis etários que a sociedade determina para os seus membros. A cultura tem um importante papel nesse aspecto, pois define como uma sociedade vê os idosos e o processo de envelhecimento.

Idade psicológica

Hoyer e Roodin (2003) definem a idade psicológica como as habilidades adaptativas dos indivíduos para se adequarem às exigências do meio. As pessoas se adaptam ao meio pelo uso de várias características psicológicas, como aprendizagem, memória, inteligência, controle emocional, estratégias de coping etc. Há adultos que possuem tais características psicológicas com graus maiores que outros e, por isso, são considerados "jovens psicologicamente", e outros que possuem tais traços em graus menores e são considerados "velhos psicologicamente".

Neri (2001) define a idade psicológica como "a maneira como cada indivíduo avalia em si mesmo a presença ou a ausência de marcadores biológicos, sociais e psicológicos da idade, com base em mecanismos de comparação social mediados por normas etárias" (p.43).

O julgamento subjetivo, a estimação da duração de eventos ou a quantia de tempo decorrida compõem este conceito de idade psicológica, que se correlaciona diretamente com a idade cronológica e o meio.

Mudanças Naturais do Sexo na Terceira Idade

Fraiman (1994) comenta que as mudanças que ocorrem na vida sexual durante o amadurecimento e o envelhecimento são em muitos aspectos, como o social e psicológico positivas. Isso não quer dizer que a vida sexual de uma pessoa idosa seja melhor do que de uma pessoa jovem, mas significa que a vida sexual deste idoso é melhor em muitos aspectos do que quando ele era jovem.

Durante o processo de envelhecimento do Ser Humano ocorrem alterações a diversos níveis: fisicos, biológico, psicológico e sócio-cultural. Estas alterações são factores determinantes para a expressão comportamental da sexualidade.

Mudanças nos Aspectos Físicos

Na perspectiva da mudança corporal, Geis (2003) comenta que o tempo deve ser compreendido como um continuum, no qual o ser humano apresenta-se em constante desenvolvimento, e não envelhecendo. Assim, não devemos focar para as perdas, mas sim para a conquista e redescoberta de um novo corpo que somos e seremos vivendo um novo mundo a cada amanhecer que se inicia.

De acordo com Leite (1996) o treinamento físico pode imediatamente produzir uma profunda melhora nas funções essenciais para aptidão física do idoso colaborando para que haja menor destruição de células e fadiga, e o segredo de uma vida longa e sadia é, na verdade, uma fórmula simples, que combina a relação apropriada dos ancestrais, boa sorte e em grande parte adoção de um estilo de vida sadio.

Na terceira idade, as mudanças hormonais e físicas decorrentes do processo de envelhecimento, não ocasionam a diminuição da libido, motivo pelo qual o idoso tem a sua sexualidade contemplada nessa dimensão. Isso significa que, apesar das mudanças nos padrões de resposta sexual entre homens e mulheres durante a trajetória existencial, eles permanecem presentes (KOLONDY, MASTERS, JOHNSON, 1982).

É sempre importante sublinhar as grandes diferenças individuais aos efeitos da idade na capacidade sexual. De um modo geral, é bom ter em mente que, na ausência de doenças, apesar das mudanças fisiológicas e anatômicas produzidas na idade avançada, tanto os homens como as mulheres podem continuar desfrutando das relações sexuais (SCHIAVI, 1995 - RICHARDSOM, 1995).

Mudanças nos Aspectos Sociais e Psicológicos

De acordo com Papalia & Feldman (2006) o envelhecimento é visto em diversas culturas como indesejável. Os estereótipos refletem idéias errôneas comuns, como: as pessoas idosas são doentes, são rabugentas e excêntricas. Esses estereótipos são prejudiciais e geram uma imagem distorcida da velhice, pois se sabe que a maioria dos idosos não é doente, além de apresentarem dimensões de personalidade que teceram ao longo de toda a vida.

Por outro lado, Andrews (1999) cita que o envelhecimento social deve ser entendido como um processo de mudanças de papéis sociais, no qual são esperados dos idosos comportamentos que correspondam aos papéis determinados para eles. Há papéis que são graduados por idade e que são típicos desta parte da vida. Diferentes padrões de vestir e falar são esperados de pessoas em diferentes idades, e o status social varia de acordo com as diferenças e de acordo com a idade.

Zimerman (2000) entende que envelhecer pressupõe alterações não apenas físicas como também psicológicas e sociais em cada indivíduo particularmente. Tais alterações são naturais e gradativas e avançam precocemente ou não de acordo com as características genéticas e o modo de vida de cada um. O envelhecimento sob o aspecto psicológico, pode-se afirmar que as relações sociais para o idoso são umas válvulas de escape e esperanças de vida plena.

Em relação à relevante sexualidade as modificações e mudanças também ocorrem. A sexualidade, reação física e emocional ou psicológica ao estímulo sexual, está além do impulso e do ato sexual. Para muitos idosos oferece a oportunidade não apenas de expressar paixão, mas afeto estima e lealdade. A sexualidade da mulher é menos atingida que a do homem, e esta possui uma estabilidade sexual maior e usufrui melhor das preliminares, enquanto o homem deseja a ereção para ter prazer. A mulher é menos sensível à aparência de seu parceiro, e o envelhecimento deste, pouco interfere na vida sexual (BEAUVOIR, 1990). 

Entende-se que a sexualidade apesar de suas mudanças nos aspectos sociais e psicologicos, é o processo do nosso ser onde expressamos através das nossas manifestações de ser homem ou mulher, masculino ou feminino; é a forma como pensamos, sentimos e expressamos a cerca do nosso género, dos nossos órgãos sexuais, do nosso corpo, das nossas auto-imagens e das nossas preferências.

A Sexualidade na Terceira Idade

A sexualidade na velhice é um tema comumente negligenciado pela medicina, pouco conhecido e menos entendido pela sociedade, pelos próprios idosos e pelos profissionais da saúde (STEINKE, 1997).

Segundo Risman (2005) a falta de informações sobre o processo de envelhecimento, assim como as mudanças da sexualidade na velhice, tem contribuído para manutenção de preconceitos e, consequentemente trouxeram muitas estagnações das atividades sexuais.

Segundo Garcia & Galvão (2005) a sexualidade na terceira idade está intimamente relacionada a uma boa qualidade de vida. A sexualidade é um fator que ocorre naturalmente na vida do ser humano, é um elemento básico da personalidade que determina no individuo um modo particular e individual de ser uma forma de expressão que se adquire e se aperfeiçoa durante a vida inteira.

A sexualidade não se restringe aos impulsos sexuais, nem aos órgãos sexuais, ou ao mero ato sexual, portanto, trata da interação harmoniosa da genitalidade, da afetividade e da relação interpessoal, motivo pelo qual não é um meio de prazer apenas, é uma linguagem do ser humano, do corpo (VIDAL, 2002).

Ao mergulhar na história, para amplia-se a compreensão de como se deu a construção da sexualidade, percebe-se que seu significado vai modificando-se nos diversos contextos históricos. Ora apresentava-se carregada de repressão, preconceitos, mitos e tabus, ora com liberdade sexual (LOPES & MAIA, 2000).

De acordo com Oliveira (2000) o que se observa é que, de alguma forma, havia razões para tal proposição, mas que por outro lado, apresentava-se preconceituosa e discriminatória em relação ao idoso, uma vez que nessa sociedade ele era valorizado porque, ao possuir experiência e sabedoria, transmitia as tradições para os mais jovens.

Em um contexto cultural, a sexualidade era permitida apenas para a procriação, e os indivíduos mais velhos que não poderiam mais desenvolver a sua prole eram tidos como sofredores, visto que possuíam o desejo, mas não teriam a permissão de exercê-lo. Esse aspecto retrata algumas formas de preconceito visto ainda hoje (RISMAN, 2005).

De acordo com Santos (2003) é nesta concepção que a sexualidade do idoso se construiu razão pela qual carrega o peso da discriminação devido à existência da construção social de estereótipos assexuados representando o envelhecimento, de forma que, o exercício dos relacionamentos afetivos e sexuais torna-se prejudicado e de alguma forma reprimido, criando dificuldades em perceber e permitir o exercício da sexualidade após o período de procriação.

Considerando que a sexualidade também é um fenômeno psíquico, e como tal faz-se necessário esboçar o desenvolvimento psicológico do ser humano na compreensão do psicanalista Sigmund Freud (1969) em obras psicológicas completas, volume III, que no final do século XIX e início do XX, se preocupou em investigar a sexualidade. De acordo com Freud sua manifestação está presente em todas as fases do desenvolvimento humano sob uma multiplicidade de formas, é a libido, ou seja, a energia sexual em diferentes partes do corpo.

A revolução sexual inicia-se no período moderno e Snoek (1981) a divide didaticamente em três fases: a primeira chamada de revolução dos artistas e dos cientistas (1870-1914) na qual a sexologia dá os seus primeiros passos e já se falava na libertação da mulher; a próxima é chamada de revolução da elite intelectual (1918-1940), momento no qual as relações matrimoniais e várias outras relações sobre sexualidade, passaram a ser questionadas da forma como vinham sendo desenvolvidas, ou seja, foi um momento em que vários pensadores refletiram sobre o tema sexualidade; a última fase denominada de revolução sexual das massas populares (1945 até hoje) veio derrubar praticamente todos os tabus a respeito da sexualidade.

Na existência de percepções positivas e negativas na fase da velhice, Libman (1989) comenta que, atualmente, os gerontologistas estão trabalhando para a quebra ou diminuição dos preconceitos de conotação negativa e dos estereótipos que são atribuídos aos idosos, sua sexualidade e como o de serem degenerativos.

Ainda segundo a autora, é importante tomar cuidado, pois nesses combates podem surgir os chamados “contramitos”, que são imagens superotimistas do idoso, igualmente não-realistas. Neste caso, o importante não é a criação dos “contramitos” e, sim, demonstrar e permitir que o idoso manifeste sua sexualidade sem culpa, sem considerar que esta atitude ou sentimento seja percebido como anormais.

Para Damrosch e Fischman (1985) esses sentimentos de anormalidade diante de seus desejos sexuais podem prejudicar o comportamento dos idosos e acrescentam que “As atitudes culturais que denigrem a idade [...] prevalecem tanto que há um número inimaginável de indivíduos idosos que sentem ser algo anormal expressarem as necessidades sexuais” (p. 852).
Esse modelo de referências, como diz Libman (1989) estão voltados normalmente para o que à sociedade classifica como adequado à faixa etária em que o indivíduo está. Neste caso, os idosos, automaticamente, acabam rotulando-se também como sendo um grupo de características negativas, uma vez que as pessoas de meia-idade já estão apresentando dificuldades sexuais, sem verificar suas próprias potencialidades.

Segundo Butler e Lewis (1985) afeto, calor e sensualidade não precisam se deteriorar com a idade, e na verdade, podem até aumentar. O sexo na velhice é emocional, envolve tanto a parte física como a comunicação, é aprendido e menos instintivo, possibilita novas experiências criativas e exige sensibilidade.

Semelhante ao processo de envelhecimento acredita-se que a sexualidade é uma temática carregada de diversos tabus, mitos, como também mudanças naturais no processo “envelhecer”.

Segundo Monteiro (2002) em relação a essa condição, afirma que os idosos correm os riscos de terem diminuída sua auto-estima, entendendo que cada vez mais se apresentam desinteressantes; assim, passam a negar o desejo e a sexualidade.

Muitos idosos, infelizmente, deixam de ter relações sexuais com suas parceiras por medo, vergonha (dentre outras possibilidades), acreditando-se impotentes. Segundo Vasconcellos (2004, p. 414), “com sua auto-estima baixa, ficam receosos de não conseguir uma ereção e acabam evitando ter relações para não serem confrontados com a frustração”.

Remédios, como, por exemplo, o citrato de sildenafil (Viagra), para os homens, e reposição hormonal, para as mulheres, são poderosos coadjuvantes nas relações dos casais na terceira idade. Contudo, é importante destacar que a motivação para o sexo depende mais da saúde mental, da disposição para o ato e da qualidade de vida dos componentes da relação que da própria musculatura enrijecida (REIS, 2000).

A Sociedade, a Sexualidade e o Idoso

A sexualidade na velhice é um tema comumente negligenciado pelas diversas áreas da saúde, pouco conhecido e tampouco compreendido pela sociedade, pelos próprios idosos e pelos profissionais da saúde (STEINKE, 1997).

Segundo Neri (1993) a imagem do idoso na sociedade tem vários elementos que são apontados como determinantes ou indicadores de bem-estar na velhice: longevidade; saúde biológica; saúde mental; satisfação; controle cognitivo; competência social; produtividade; atividade; eficácia cognitiva; status social; renda; continuidade de papéis familiares e ocupacionais, e continuidade de relações informais em grupos primários.

O aumento da faixa populacional considerada idosa tem exigido das sociedades e do poder público um novo e sensível olhar sob a forma de investimento em políticas sociais que contemplem o idoso em suas necessidades biopsicossociais.

A sociedade e o estado não podem mais ignorar o idoso, que se tornou ator na cena política e social, redefinindo imagens estereotipadas nas qual a velhice aparece associada à solidão, doença, viuvez e morte, enfatizando essa fase de vida como uma condição desfavorável, muitas vezes indesejada (LIMA, 2001).

Alferes (1996) afirma que a sexualidade é tida, simultaneamente, como um dos principais elementos da interação humana e também como um dos principais vetores na estruturação das relações íntimas.

Conclusão

A idéia de uma visão mais positiva e produtiva para o envelhecimento começa a ganhar força nos dias atuais e é resultado de diversos fatores, dentre os quais se destaca o crescimento do número de idosos no mundo inteiro. Ainda há a necessidade de uma educação da sociedade neste sentido, porque do contrário, somente quando as outras gerações entrarem para a velhice elas provavelmente passam a reivindicar para si mesmas o direito à sexualidade na meia-idade e na velhice.

De acordo com Butler & Lewis (1985) para quem se fecha incapaz de se transformar ou evoluir, restam apenas à solidão e o vazio. Mesmo pessoas que nunca se casaram, ou nunca tiveram uma vida sexual plena, podem e devem procurar parceiros para iniciar uma relação, pois "amor e sexo sempre estão presentes para serem redescobertos, intensificados ou mesmo apreciados pela primeira vez, não importando a idade que se tenha".

A vivência da sexualidade pode se manifestar em todas as idades e cada pessoa tem uma maneira própria de expressar a sua, considerando que recomendar um "sexo novo para os velhos" é uma oportunidade de expressar carinho, afeto, admiração por alguém; é auto-afirmação de si, de seu corpo, auto-estima elevada, bom humor, melhor qualidade de vida.

Em resposta aos objetivos desta pesquisa percebe-se que com relação  a sexualidade na terceira idade,  defronta-se com uma série de preconceitos e tabus ainda existentes, a sexualidade nem sempre é tratada com abertura, a sociedade, muitas vezes, teme a idéia de que pessoas mais velhas possam ter vida sexual ativa, prevalecendo a idéia de que essas pessoas são seres assexuados influenciando de forma negativa a vida do idoso.

O sexo na terceira idade não é culturalmente aceito pela sociedade, um ato de afeto e carinho entre dois idosos, como, um beijo, é capaz de provocar atitudes de reprovação e em alguns casos até poderá a vir a ser evitado, o idoso poderá vir a sofrer pressões e rejeições da sociedade e até mesmo da família.

Todavia, a idéia de uma visão mais positiva e produtiva para o envelhecimento, incluindo a sexualidade como relevante, começa a ganhar força nos dias atuais e é resultado de diversos fatores, dentre os quais se destaca o crescimento do número de idosos no mundo inteiro.

Sobre os Autores:

Magda Maria Silva Tavares - Acadêmica de Psicologia da Faculdade Integral Diferencial - FACID. Artigo originado do Trabalho de Conclusão de Curso de Psicologia.

Valéria Sena Carvalho - Psicóloga, professora Mestra da Faculdade Integral Diferencial – FACID, Teresina-PI

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