Avalie este Artigo:

Resumo: A adolescência é uma etapa da vida na qual a personalidade está em fase final de estruturação e a sexualidade se insere nesse processo, sobretudo como um elemento estruturador da identidade do adolescente. Esta pesquisa tem o objetivo de estudar os motivos que levam os adolescentes meninos a terem sua iniciação sexual na adolescência média. Como eles já são considerados biológica e fisicamente preparados para ter uma vida sexual ativa, este trabalho tem como foco os aspectos (implicações, consequências,) psicológicos do início sexual nesta fase da vida. Nesse sentido, foram entrevistados quatro adolescentes com idade entre catorze a dezessete anos, que já tiveram relação sexual. O método utilizado para a interpretação dos dados foi o psicanalítico, que se originou na prática clínica, no qual as hipóteses foram formuladas a posteriori, a partir do próprio ato de pesquisar, baseado na transferência. Aprendemos desde criança a cultura em que estamos inseridos, portanto os adolescentes do sexo masculino também aprendem desde crianças que tem que ser os exemplos, tem que serem como a sociedade os molda. Por meio das entrevistas, constatou-se que os adolescentes ainda sofrem muita pressão social e familiar para dar início a sua vida sexual.

Palavras-chave: Adolescente, Iniciação sexual, Aspectos psicológicos.

1. Introdução

A adolescência é uma etapa da vida na qual a personalidade está em fase final de estruturação e a sexualidade se insere nesse processo, sobretudo como um elemento estruturador da identidade do adolescente. Segundo Osório (1992, p. 75):

A sexualidade é um tema que está presente no cotidiano de grande parte da sociedade. Vemos isso quando esta é utilizada pelos programas de televisão, rádio e pelos filmes como forma de atrair o público, além de ser usado para vendas de bebidas alcoólicas, veículos automotivos e alimentos.

Por isso, a importância de pesquisar o assunto reside na possibilidade de abordar a sexualidade de forma mais tranquila com os adolescentes, mantendo um diálogo franco e entendendo as manifestações dessa sexualidade aflorada, próprias da idade.

Esta pesquisa tem por objetivo estudar os motivos que levam os adolescentes meninos a terem sua iniciação sexual, sendo que eles não são considerados biologicamente e fisicamente precoces. Na adolescência média, delimitada entre os catorze e os dezessete anos, eles já são considerados preparados para terem uma vida sexual ativa. Assim, este estudo terá foco no psicológico dos meninos na adolescência média, com o intuito de conhecer um pouco mais da realidade em que se insere a sociedade atual. Nesse contexto, problemas relativos à sexualidade são muito frequentes e acompanhar, desde cedo, o processo de desenvolvimento pode ajudar os adolescentes a prevenirem problemas futuros: abuso sexual, gravidez não desejada, promiscuidade ou dificuldades sexuais propriamente ditas, (impotência sexual, ejaculação precoce).

É importante ressaltar que, desde o nascimento, meninos e meninas já recebem mensagens sobre seu papel sexual na sociedade e, assim, constroem sua identidade. Knobel (1992 apud CANO; FERRIANI; GOMES, 2000, p. 22):

Aponta que é a partir do instante em que o indivíduo se integra à sua genitalidade, que esta passa a dominar sua conduta e aspirações. Entrar no mundo adulto, desejado e temido, significa para o adolescente ir, gradativamente, se desprendendo de sua condição de criança. Esse é considerado o momento crucial na vida do homem, pois constitui a etapa decisiva de um processo que começou com o nascimento.

Com esta pesquisa, podem-se fornecer maiores informações aos profissionais interessados, no que se refere ao comportamento do adolescente homem, que é constantemente influenciado pelas mudanças ocorridas na sociedade em que vive. Além disso, podem-se usar os conhecimentos produzidos para divulgar ou sugerir reflexões aos interessados como também contribuir socialmente, uma vez que esse tema, mesmo sendo tabu em nossa sociedade, é de grande interesse daqueles que convivem com adolescentes do gênero masculino.

2. Fundamentação teórica

2.1 Adolescência

A adolescência é uma etapa de vida que se estende da infância à idade adulta. Inicia-se com a puberdade, isto é, com os primeiros sinais de maturação sexual, o que, em termos de idade, varia conforme os sexos, o clima, o meio e a cultura. Na sociedade ocidental, a média de idade ronda os doze, treze anos nas moças e cerca de um ou dois anos a mais nos rapazes. Aberastury e Knobel (1981) relatam que esse também é um período de contradições, confuso, ambivalente, doloroso, caracterizado por dissensões com o meio familiar e social, e que esse quadro é frequentemente confundido com crises e estado patológico.

Nessa época longa de transição entre a infância e a idade adulta, as crianças consideram-se parte da família de seus pais. Esses pais sentem-se preparados para exercerem seus papéis familiares. Entre essas duas faixas etárias, estão os adolescentes, ainda fortemente ligados aos pais, mas dos quais parecem querer emancipar-se. Estão a afirmar a sua independência, tarefa por vezes penosa e pouco apoiada pelos mais velhos. E s os veem deixando de se comportarem como crianças cumpridoras e obedientes, ao mesmo tempo em que não se comportam ainda como adultos responsáveis. Essa atitude paterna e materna encontra paralelo no modo de sentir paradoxal do filho, que se acha demasiado velho para ser tratado como criança e demasiadamente novo para assumir os deveres de um adulto (PAPALIA; OLDS, 2000, p. 108).

2.2 Época de mudanças

A entrada em funcionamento dos mecanismos hormonais determina o crescimento rápido do corpo e o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários. Simultaneamente, os jovens desenvolvem uma nova forma de pensar. As operações formais conferem-lhe a capacidade de efetuar uma descolagem mental do concretamente vivido para a esfera do abstratamente imaginado.

Conforme Baptista Neto; Osório, (2000) o pensamento dos adolescentes acusa, no começo dessa fase, marcas de egocentrismo, levando a crer que as experiências por que passam são tão únicas que muito dificilmente alguém poderá entendê-los, sentindo-se incompreendidos. Nesse sentido, poucos são os jovens que buscam orientação e respaldo psicológico para se iniciarem sexualmente. Contudo, mesmo num corpo sadio, a sexualidade é influenciada pela tensão emocional como ansiedades e angústias. Então, quando o adolescente não está preparado para manter relações sexuais, sua ocorrência pode causar-lhe danos biológicos, como os contágios por infecções sexualmente transmissíveis, ou mesmo psicológicos.

Sobre a questão do adolescente OUTEIRAL (1982, p. 1) fala:

De acordo com a lei 8.069/90 do Estatuto da Criança e do Adolescente, adolescente é a pessoa com idade entre doze e dezoito anos. Já para a Organização Mundial da Saúde, a adolescência compreende a faixa etária entre os dez e vinte anos. Didaticamente, a adolescência pode ser dividida em três etapas. A primeira é chamada “adolescência inicial”, dos dez aos catorze anos, caracterizada essencialmente por transformações corporais e suas consequências psíquicas. Em seguida, vem a “adolescência média”, entre os catorze e os dezessete anos, caracterizada por questões relativas à sexualidade, especialmente a definição da orientação sexual. A última etapa é a “adolescência final”, entre os dezessete e os vinte anos, quando se estabelecem novos vínculos com os pais, envolve a questão profissional, a aceitação de um esquema corporal novo e dos processos psíquicos do mundo adulto.

2.3 O Descobrimento da Sexualidade

Segundo Tiba (1994, p. 35), “para virar” adolescente é necessário que o relógio biológico dispare para que os hormônios comecem a agir. Isto ocorre nas meninas entre nove e dez anos e nos meninos entre onze e doze.”

Quando esse relógio dispara, é com a hipófise que a ação começa. Ela é uma pequena glândula situada na parte inferior do cérebro que tem inúmeras funções, sendo uma delas a de produzir os hormônios responsáveis pelo crescimento físico – os somatotróficos; e os hormônios que promovem o amadurecimento das características sexuais secundárias – os gonadotróficos.

A espermarca, ou primeira ejaculação propriamente dita, ocorre naturalmente durante a noite, quando o menino está dormindo, ou por meio da masturbação e, este ato é o que dará início à busca do prazer sexual. Tiba (1994, p. 45) cita as fases da masturbação:

Começando pela simples vontade de deixar o pênis ereto sem a obtenção do prazer, passando pela produção de lubrificantes e, posteriormente, a formação dos espermatozóides e busca do prazer. Essa fertilidade descoberta pelos garotos dá, em sua maioria, uma sensação de onipotência.

Após essa fase masturbatória, pode ocorrer o primeiro episódio de amor que costuma ser de grande intensidade. Há a possibilidade de acontecer o “amor à primeira vista” que, às vezes, pode não ser correspondido ou ignorado pela pessoa amada.

Com as meninas já é diferente. Tiba (1994) realça uma importância menor, se considerada a fase masturbatória dos meninos – a pornografia, as fantasias sexuais e masturbatória. Ele ressalta que elas se excitam quando é exercitada a sua afetividade, ou seja, quando são amadas e cortejadas.

A evolução sexual, desde o autoerotismo até a heterossexualidade, pode descrever uma variação permanente entre a atividade de caráter masturbatória e o começo do exercício genital, que tem características especiais nessa fase do desenvolvimento. Assim, os adolescentes sentem necessidade e, muitas vezes, curiosidade, de um contato genital de caráter exploratório e preparatório do que a verdadeira genitália pró-criativa, a qual só acontece com a correspondente capacidade de assumir o papel paternal, no início da vida adulta. Ao aceitar sua genitália, o adolescente começa a buscar um parceiro para, então, dar início aos contatos superficiais, os carinhos que caracterizam a vida sexual dos adolescentes.

Durante a puberdade, os jovens são impedidos de atingir uma vida sexual real e a masturbação é proibida. Talvez até mais importante que isso, a sociedade em geral torna impossível, aos adolescentes. Por causa desse estilo de vida antinatural, torna-se especialmente difícil aos adolescentes ultrapassarem sua ligação infantil com os pais (WILHELM, 2008).

2.4 O Adolescente na Visão Psicanalítica

“No início do século XX, o período da adolescência começou a ser identificado como uma passagem marcada por tormentos e conturbações vinculadas à emergência da sexualidade”, concepção afirmada por Baptista Neto e Osório (2000 p. 59). Estes também, apesar de concordarem com a universalidade dos comportamentos pertencentes aos adolescentes, acrescentam que a crise de identidade dos mesmos só tem sentido naqueles que pertencem a uma classe social elevada, pois não têm a necessidade de lutar para sobreviver; mesmo assim, os autores entendem essas crises, entre elas, a rebeldia.

Baptista Neto e Osório (2000) ressaltam a necessidade de não classificar a adolescência como uma etapa onde a crise e a turbulência são suas essências, pois, assim sendo considerada, pode-se correr o risco de rotular de patológico o adolescente que não tiver o comportamento rebelde ou aquele que não apresenta dificuldades pertencentes à síndrome do adolescente. Sob outra perspectiva, há sérios riscos em considerar-se normal o jovem que apresente excessivo “estado de adolescência”, ignorando, assim, uma patologia grave que necessite de tratamento. Aberastury e Knobel (1981 p. 68) dizem que:

[..] muito difícil assinalar o limite entre o normal e o patológico na adolescência, e considera que na realidade, toda a conturbação deste período da vida deve ser considerada como normal, assinalando também que seria anormal a presença de um equilíbrio estável durante o processo adolescente.

O autor Knobel, (1992, p. 29), relata:

[..] o jovem excessivamente retraído, que não alterna momentos de reflexão com estudos e saídas deve ser motivo de preocupação dos pais, assim como aquele que faz da busca por uma relação com o sexo oposto uma obsessão. Para aquela autora, moratória social vai além do conteúdo manifesto em uma situação mais profunda. Acontece que, a própria criança precisa de tempo para fazer as pazes com seu corpo, mas ela só chega a esta conformidade mediante um longo processo de luto, por intermédio do qual, não só renuncia a seu corpo de criança, mas abandona a fantasia do onipotente e da bissexualidade base de sua vida masturbatória.

2.5 As Fases da Sexualidade Infantil e o Complexo de Édipo

“Até o final do século passado, havia a noção de que o sexo era um instinto que despertava com a puberdade e tinha como objetivo a reprodução. O sexo era entendido em termos da sexualidade genital do adulto. Já a sexualidade infantil era negada ou considerada como anomalia” (NASIO, 1999. p. 60).

As pulsões sexuais remontam a um ponto longínquo na infância. Tem uma história que pontua o desenvolvimento do corpo da criança. Sua evolução começa desde o nascimento e culminam entre os três e cinco anos, com o aparecimento do complexo de Édipo, o qual marca o apego da criança aquele dos pais que é do sexo oposto e sua hostilidade para com o do mesmo sexo. A maioria dos acontecimentos sobrevindos durante esses primeiros anos de vida são surpreendidos por um esquecimento que Freud chama de amnésia infantil. “Podem-se destacar sucintamente três fases na história das pulsões sexuais infantis: a fase oral, em que a zona dominante é a boca, a fase anal em que é o ânus que prevalece, e a fase fálica, com a primazia do órgão genital masculino” (NASIO, 1999 p. 60).

2.5.1 Fase Oral

 A fase oral abrange os primeiros seis meses do bebê. Nessa fase, a boca é a zona erógena preponderante e proporciona ao pequeno não apenas a satisfação de se alimentar, mas, sobretudo, o prazer de sugar, isto é, de pôr em movimento os lábios, a língua e o palato, numa alternância ritmada. Quando é empregada a expressão “pulsão oral” ou “prazer oral”, deve-se afastar qualquer relação exclusiva com o alimento. “O prazer oral é fundamentalmente o prazer de exercer uma sucção sobre um objeto que se tem na boca ou que se leva à boca, e que obriga a cavidade bucal a se contrair e a relaxar sucessivamente.” (NASIO, 1999, p. 61).

2.5.2 Fase anal

A fase anal desenvolve-se durante o segundo e o terceiro anos. Nessa fase, o orifício anal é a zona erógena dominante. Do mesmo modo que se distingue o prazer de comer orgânico do prazer de defecar, aliviando-se de uma necessidade corporal, distingue-se o prazer sexual do de reter as fases para, em seguida, expulsá-las bruscamente. A excitação sexual da mucosa anal é provocada, antes de tudo, por um ritmo particular do esfíncter, quando ele se contrai para reter e se dilata para evacuar. “Originalmente, conhecemos apenas objetos sexuais: a psicanálise nos mostra que a quem acreditamos apenas respeitar e estimar podem, para nosso inconsciente, continuar a ser objetos sexuais.” (NASO, 1995, p. 40).

2.5.3 Fase fálica

Como afirma Nasio (1999, p. 63):

[...] a fase fálica procede ao estado final do desenvolvimento sexual, isto é, organização genital definitiva. Entre a fase fálica, que se estende dos três aos cinco anos, e a organização genital propriamente dita, que aparece quando da puberdade, intercala-se um período chamado de „latência‟, durante o qual as pulsões sexuais são inibidas.

No curso da fase fálica, o órgão genital masculino, pênis, desempenha o papel dominante. Na menina, o clitóris é considerado, segundo Freud cita no livro de um atributo fálico, fonte de excitação. No começo dessa fase fálica, meninos e meninas acreditam que todo o ser humano tem ou deveria ter um “falo”, a diferença entre os sexos. Homem/mulher é, então, percebido pela criança com oposição entre os possuidores do falo e os seres privados do falo (castrados). Depois, a menina e o menino seguirão vias diferentes até a aquisição de sua identidade sexual definitiva na época da puberdade. Esses caminhos são diferentes porque o objeto fantasiado (falo) com o qual a pulsão fálica se satisfaz assume, num e noutro, valores distintos. Para o menino, o objeto da pulsão, ou seja, o falo é a pessoa da mãe, ou melhor, a mãe fantasiada (NASIO, 1999, p. 63).

O garotinho entra no Édipo e começa a manipular seu pênis, entregando-se ao mesmo tempo a fantasias ligadas a sua mãe. Depois, sob efeito combinado da ameaça de castração proferida pelo pai e da angústia provocada pela percepção do corpo feminino, privado de falo, o menino acaba renunciando o objeto mãe. O afeto em torno do qual o Édipo masculino se organiza, culmina e chega ao desenlace é a angústia; a chamada angustia de castração, isto é, o medo de ser privado daquela parte do corpo que, nessa idade, o menino tem por objeto mais estimável: seu pênis/falo (NASIO, 1999, p. 64).

O medo de alguma coisa acontecer ao pênis, órgão sensível e prezado, chama-se angústia de castração. Isso merece atenção visto que possui papel significativo no desenvolvimento total do menino, podendo influenciar positiva ou negativamente a sua formação. É só a alta catexia narcisística do pênis, nesse período, que explica a eficácia da angústia de castração; bem como a eficácia de seus precursores nas angústias oral e anal, que se dá ou pela perda do seio ou das fezes. “A angústia de castração no menino do período fálico pode comparar-se ao medo de ser comido do período oral, ou ao medo de ser despojado do conteúdo corporal do período anal; é o medo retaliatório do período fálico, que representa o clímax dos temores fantásticos de lesão corporal” (PEREIRA, 2001, p. 75).

2.6 Instintos

Instintos são pressões que dirigem um organismo para determinados fins particulares. Quando Freud usa o termo, ele não se refere aos complexos padrões de comportamento herdados dos animais inferiores, mas aos seus equivalentes humanos. Tais instintos são a suprema causa de toda atividade. O pai da psicanálise reconhecia os aspectos físicos dos instintos como necessidades, enquanto denominava seus aspectos mentais de desejos. Os instintos são as forças propulsoras que incitam as pessoas à ação (ADLER, 2005).

Nesse contexto, todo instinto tem quatro componentes: uma fonte, uma finalidade, uma pressão e um objeto. A fonte é quando emerge uma necessidade, podendo ser uma parte ou todo corpo. A finalidade é reduzir essa necessidade até que nenhuma ação seja mais necessária, é dar ao organismo a satisfação que ele deseja no momento. A pressão é a quantidade de energia ou força que é usada para satisfazer o instinto e é determinada pela intensidade ou urgência da necessidade subjacente. O objeto de um instinto é qualquer coisa, ação ou expressão que permite a satisfação da finalidade original (ADLER, 2005, p. 1).

3. Método

Foram entrevistados quatro adolescentes de um curso de aprendizagem industrial do extremo-oeste catarinense com idade entre catorze a dezessete anos, que já tiveram relação sexual, os quais se posicionarão sobre o assunto. Primeiramente, apresentou-se e explicou-se para os adolescentes o sentido do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Esse documento foi levado para os pais ou responsáveis dos entrevistados com o objetivo de consentirem em relação à realização da pesquisa, assinando-os. Após a aprovação, as entrevistas foram gravadas e posteriormente transcritas. Foi utilizada uma entrevista semi-estruturada, elaborada conforme o referencial teórico utilizado para fundamentar esta pesquisa. Além disso, vale ressaltar que foram escolhidos nomes fictícios para os participantes a fim de mantê-los anônimos.

O método utilizado para a análise dos dados foi o psicanalítico. Este método foi criado por Freud, que, insatisfeito com o método sugerido pela ciência moderna e tendo como objeto de estudo o inconsciente, precisava de um novo método para trabalhar com algo novo como a psicanálise (CORRÊA; HAUSEN, 2007).

A transferência é o centro do tratamento psicanalítico, e é ela que vai permitir o acesso ao inconsciente (PALOMBINI, 1999). Autores como Birman (1992), Palombini (1999) e Iribarry (2003) a consideram também o núcleo do método de pesquisa psicanalítica. Dessa forma, nesse método de pesquisa trabalha-se com o material sem hipóteses prévias, tornando-se imprescindível manter uma relação transferencial com o texto (IRIBARRY, 2003; CORRÊA; HAUSEN, 2007).

No princípio, as ideias devem conter certo grau de indefinição, e ainda não é possível pensar em uma delimitação clara de seu conteúdo. “[...] Em rigor, essas ideias iniciais possuem o caráter de convenções. Entretanto, é preciso que não tenham sido escolhidas arbitrariamente, e sim determinadas pelas relações significativas que mantêm com o material empírico” (FREUD, 1915, p. 145).

“É na relação transferencial que o desejo de um dos sujeitos encontrará mediação pela presença do outro.” (PALOMBINI, 1999). Assim, o pesquisador psicanalítico é o primeiro sujeito de sua pesquisa, não devendo manter uma neutralidade, mas deixar-se seduzir pelo texto, deixando-o falar e atribuir suas questões, seus furos, suas falhas, do mesmo modo que se faz com o paciente (GARCIA-ROZA, 1991; IRIBARRY, 2003; CORRÊA; HAUSEN, 2007). Por fim, “o pesquisador consegue resultados melhores de sua pesquisa a partir do momento em que está usando métodos próprios do campo no qual está trabalhado e que lhe viabilize o uso de uma estética peculiar.” (CORRÊA; HAUSEN, 2007, p. 24).

4. Discussão dos Dados

O ser humano passa por diversas mudanças biológicas e psicológicas durante o seu desenvolvimento, estabilizando-se apenas ao morrer. E a fase que contém mais mudanças é aquela em que deixa de ser criança para ser adulto: essa é a adolescência, um caminho no qual não se é nem um nem outro. Nesse processo, desde o nascimento, a sexualidade é manifestada. Ela faz parte da existência humana; sendo assim, ela acompanha o indivíduo no construir de sua história. O aumento do interesse sexual coincide com o surgimento dos caracteres sexuais secundários. Esse interesse é influenciado pelas profundas alterações hormonais desse período da vida e pelo contexto psicossocial. “O prazer resultante do ato sexual diferencia o ser humano do restante dos animais. Ele é o único ser que, objetivamente, pode ter relação sexual só pelo prazer e não com finalidade reprodutiva” (TAQUETTE, [200-], p. 1).

O primeiro adolescente entrevistado, de quinze anos, autodenominou-se Tigre. Quando questionado por que da escolha, relatou as qualidades que esse animal possui semelhantes às dele: feroz, cuida bem dos seus filhos, agilidade e inteligência. Em relação ao adolescente, Tigre se considera carinhoso com os amigos e parentes, é um menino de sorriso fácil, educado e com jeito malandro. Já o segundo participante escolheu o nome fictício de Escorpião, por ser seu signo. Quanto às semelhanças entre o entrevistado e o animal, afirmou que é a tranquilidade, a qual é alterada quando alguém o provoca – da mesma forma que o animal – tornando-se uma pessoa explosiva. Como o próprio adolescente de dezessete anos afirmou, todo mundo tem seus limites. Escorpião é calmo, mas não aceita provocação. Ele participou da entrevista atenciosamente sempre com uma voz serena. Rinoceronte foi à escolha do terceiro entrevistado, por ser um animal forte, musculoso e, como disse o adolescente, “bruto sentimentalmente”. Ele é um jovem de dezesseis anos, encantador, com um sorriso tímido, mas, ao mesmo tempo, com ar de travesso. Estava aparentemente nervoso o início da conversa, mas, aos poucos, ficou à vontade. O último entrevistado, de quinze anos, escolheu a alcunha de Leão, por ser um nome bonito. Conforme ele, a afinidade com o animal relaciona-se ao fato de que ambos são bravos. Leão, ao sentar-se para a entrevista, estava com um ar desconfiado, suas respostas eram objetivas e quase não dava abertura para questionamentos.

Ao conversar com Tigre, foi indagado se estava namorando; ele relatou que terminou o seu último relacionamento, de pouco mais de um mês, há três semanas.

[... ]eu acho que foi lá pra (pensa um pouco e responde) sexta, namorada, fora as que eu ficava (Tigre).

Tigre namorou algumas meninas, sendo que a primeira relação sexual aconteceu com uma que lhe apresentaram. Essa iniciação aconteceu na mesma tarde da apresentação em que ficou com ela, perdendo sua virgindade. A moça já não era mais virgem e, segundo o adolescente, era mais “safadinha”. As seis namoradas com quem teve breves relacionamentos duraram, em média, de um a três meses, mas não manteve relação sexual com nenhuma delas.

Segundo o autor Knobel (1992, p. 71), “ao aceitar sua genitália, o adolescente começa a buscar um parceiro para, então, dar início aos contatos superficiais, os carinhos que caracterizam a vida sexual dos adolescentes.” Tigre procurou ter sua primeira relação com uma “desconhecida”. Poderia ter sido por sua falta de experiência ou por medo do desconhecido? Ele sempre conversou com a mãe sobre sexo, parecia ter um bom esclarecimento sobre o assunto; talvez o medo de fracassar em sua primeira vez levou a escolher uma mulher mais experiente. Tiba (1994), afirma que a primeira vez masculina ocorre nesta fase; por isso dificilmente pode ser considerada como um relacionamento sexual, já que ele pouco se interessa pelo que sua parceira sentiu ou deixou de sentir, ocorrendo apenas uma relação com as genitais da mulher.

Já Escorpião, em sua primeira relação sexual, teve uma escolha diferente. Sendo ele um adolescente que foi abandonado pelos pais ainda muito jovem, ficou um período morando em casas de abrigo e, mais tarde, foi morar com seu tio. Quando tinha apenas quinze anos, conheceu e começou a namorar uma vizinha também de quinze anos. Somente depois de a moça ter acompanhamento ginecológico, os dois adolescentes tiveram sua primeira relação, como relata a seguir:

Eu já namorava sim, eu namorava ela e depois de uns 2 ou 3 meses eu tive relação (Escorpião).

Nesse sentido, Tiba (1994) afirma que, na fase da adolescência masculina, o ato sexual acontece dissociado de relacionamento sexual. Diferentemente, Winnicott (1980, p. 98) defende que cada pessoa tem seu tempo:

O rapaz ou moça nesta faixa etária lida com suas mudanças púberes de forma única. Ambos chegam ao desenvolvimento total de sua capacidade sexual e a manifestação secundária ligada a uma história pessoal passada, e isso inclui um padrão pessoal de organização de defesas contra a ansiedade de vários tipos.

Assim, Escorpião não quis um início de relacionamento aventureiro, mas pensou em sua parceira e nele próprio. Sua história de vida pode ter contribuído para essa decisão, pois um menino que tem experiências fora do comum, ou mesmo sentimento de rejeição, quis se proteger de uma possível exposição. Quando Escorpião falava de sua primeira relação, ficava pensativo com um ar de satisfação.

O terceiro entrevistado, Rinoceronte, ao começar a entrevista estava aparentemente nervoso dando respostas objetivas. Muitas vezes, faltavam-lhe palavras para se expressar. Relatou que não quer se “amarrar” em nenhuma menina e não liga para os sentimentos das mesmas. Ele gosta da liberdade e de mulher; entretanto, quer “aproveitar” a vida e somente ficar. Começou a vida sexual aos quinze anos como comprova sua fala:

Conhecia por que ela ia na mesma escola que eu, ela era meio chilanga assim, meio puta, aí eu fiquei três vezes com ela, aí na quarta vez num baile nós fomos lá, atrás da churrasqueira assim, e aconteceu (Rinoceronte).

Rinoceronte preferiu perder a virgindade com alguém mais experiente do que ele, mesmo ela sendo meio “puta”; essa foi sua escolhida para iniciar a vida sexual. Segundo (FERRAZ, 2008, p. 1):

[...] esse tipo de relacionamento tem características que coincidem com o comportamento desses jovens Por ser algo que não implica em compromissos sérios significa que o adolescente não está pronto para assumir responsabilidades e eles encaram o “ficar” com muita naturalidade exatamente por esse motivo.

O quarto entrevistado, Leão, mostrou-se um adolescente com um sorriso tímido. Em sua expressão, notava-se o desconforto por estar diante de um gravador, focava sua atenção no aparelho que estava praticamente escondido atrás de um livro sobre a mesa. Respondia rapidamente os questionamentos que eram feitos, limitando-se a “não” e “sim”. Ele é um jovem que vem do interior; talvez por isso, tenha uma cultura mais restrita. Assim, escolheu ter sua primeira relação sexual em uma casa de prostituição. Segundo ele, estava com vontade de “fazer sexo” e, talvez, por falta de coragem ou falta de oportunidades de ficar com meninas, solicitou a companhia do seu irmão mais velho para que ir a um prostíbulo:

Perdi a virgindade indo na zona. [...] meu irmão me levou, porque eu pedi. (Leão).

Tiba (1994, p. 86), afirma que a “[...] primeira relação sexual masculina ocorre na fase do estirão, que corresponde àquele período em que os adolescentes se masturbam constantemente, mas não se expressam com medo de serem rejeitados.” É nessa fase que eles adquirem mais autonomia, veem mais filmes pornôs e se frustram por não realizarem suas fantasias. Então, buscam a primeira relação sexual com prostitutas ou com qualquer mulher que possa facilitar a sua vida sexual, sem que seja necessária uma relação afetiva, pois, para eles, isso é só uma experiência na qual irá testar-se com uma mulher.

Assim, Leão não precisava ter medo de errar ou de fracassar, da mesma forma que aconteceu com Tigre e Rinoceronte. Os três procuraram mulheres mais experientes para não se envolverem emocionalmente com elas na primeira relação sexual. Foi somente a liberação de hormônios, a satisfação própria de cada um. Isso também é perceptível pelo lugar escolhido pelos adolescentes para a primeira vez. Rinoceronte teve a primeira relação atrás de uma churrasqueira. Tigre escolheu a casa da amiga que lhe apresentou a moça com a qual teve sua primeira relação sexual, sendo que a amiga ficou na sala esperando a consumação do ato. Já Leão escolheu o prostíbulo. Possivelmente, a escolha do local poderia mesclar o medo do fracasso, fantasiar a situação, deixar a realidade mais distante, pois a menina e a situação representavam menor importância para eles naquele momento.

Apesar de a sexualidade ser definida como um conjunto de fenômenos que permeia todos os aspectos da existência humana, ela é vista inicialmente como um fenômeno biológico. Porém, sabe-se que é também social e psicológica e só pode ser compreendida quando situada no âmbito e nas regras da cultura em que se vive. Nesse contexto, a família é a base fundamental para os adolescentes. Mas pela cultura, a cobrança por parte da família ou dos amigos nem sempre é explicita, sendo que está presente em todos os momentos.

As pessoas que estão acompanhando o desenvolvimento dos adolescentes, em muitas ocasiões deforma inconsciente, cobram para que os mesmos mostrem sua virilidade, sendo que essa cobrança nem sempre vem com explicações e esclarecimentos sobre a vida sexual a dois. Na adolescência, os grupos de amigos têm uma influência muito grande, pois os jovens vão ser entusiasmando por eles. Muitas vezes, os adolescentes afirmam que são diferentes, mas de uma forma ou outra acabam reproduzindo as atitudes das pessoas que estão ao seu redor. Tiba (1986, p. 92), “[...] ressalta que a adesão a grupos, [...] facilita o distanciamento dos pais e permitem novas "identificações‟ levando a novas configurações e reestruturações da personalidade.” Isso é notado nas falas:

Meus amigos não falam nada, só perguntam se eu sou ou não, aí eu falava que era, aí eles falavam que tava na hora de perder, [... ] meus pais a primeira coisa que eles perguntaram foi se eu usei preservativo, eu disse que sim, aí eles perguntaram como foi, queriam saber os detalhes, aí eu falei que os detalhes eu não ia conta (risos) (Tigre).
Contei pro meu pai só, ele não morava com nós naquela época já, meu pai e minha mãe se divorciaram quando eu tinha onze anos, aí um dia quando eu fui passear lá na casa dele eu falei, porque ele ficava tirando saro de mim porque nunca me viu com uma namorada, aí eu disse: “Veio do diabo, eu já peguei”. Ele falou: “Ah mentiroso, pegou nada”. E ficava pegando no meu pé cada pouco. [... ] Pros amigo me aparecia um eito né,(risos) [... ] quando começa falar de gurias eu falava, sabe aquela menina lá, já peguei ela, conversa de tongo mesmo, (risos) (Rinoceronte).
Eu falei só pro meu tio! [... ] Mas daí no começo eu não contei para os amigos, depois de um bom tempo estava numa rodinha e batendo papo, papo vem papo vai, e começamos falar sobre meninas e tal, e daí cada um começou a falar da primeira vez, alguns disseram que nunca teve e tal, e eu falei que tinha minha primeira vez com ela e aí os piás começaram a pegar no meu pé e tal, normal (Escorpião).

Leão foi o único que, depois de ter passado um ano de sua primeira relação sexual, ainda não contou nada para os seus amigos para evitar fofocas dentro da própria família. Seus pais não sabem que ele foi à casa de prostituição com o seu irmão. Esse fato chama a atenção já no momento em que foi convidado para a entrevista: Leão deixou bem claro que não era mais virgem, afirmando que isso custou caro para ele; mesmo assim, estava satisfeito com o investimento.

Além disso, o nome fictício que o jovem escolheu revela algo importante: o animal leão é o rei da selva e, quando pequeno, leva uma vida bastante protegida em comparação aos outros animais, só briga por alimento com seus irmãos, é indefeso e dependente, sendo protegido pela mãe até passar para a fase adulta. Nesse contexto, se o adolescente contasse para sua família da sua aventura sexual, perderia a confiança que é depositada nele. Em contrapartida, seu irmão, que é mais velho, pode ter influenciado na escolha do mais jovem. Talvez, a timidez não deixasse escolha para Leão, o que o levou a mesma opção do animal: pegar sua parceira para uma relação rápida; além disso, da mesma forma que o leão macho pode escolher a sua fêmea, o adolescente escolheu uma mulher na casa de prostituição para satisfazer seu prazer momentâneo, mas pós-prazer.

Da mesma forma, a mãe do Rinoceronte também não tem conhecimento que o filho perdeu a virgindade e seu pai, mesmo sabendo, faz brincadeiras insinuando que seja mentira do filho. Durante sua entrevista, o adolescente comentou que seu pai o levou para uma casa de prostituição, mas como a cerveja era muito cara e as meninas não eram as de preferência do garoto, o progenitor relevou a decisão do filho de ir embora sem a consumação sexual. Além disso, quando o entrevistado visita o pai, este o leva a festas para testar o desempenho do filho com as meninas. Rinoceronte relata que seu pai é um “pegador” e ainda é bem visto entre as mulheres nas festas. Diante desse comentário, percebe-se a cobrança para que o desempenho do sucessor seja igual ou melhor do que a do progenitor.

Quando criança na fase do complexo de Édipo, em que o menino vê sua mãe como propriedade exclusiva e seu pai como uma ameaça constante, Rinoceronte pode ter tido algum tipo de trauma, o que pode ter dificultado a passagem por essa fase. Como o menino cresceu e se tornou um adolescente muito semelhante ao seu pai, aparentemente não tendo opinião própria e sendo influenciado a todo o momento a se tornar um adulto “pegador”, no complexo de castração seu pai é visto como lei; se manda, mesmo inconscientemente, o filho obedece. Essa rivalidade pode se transformar, como no caso de Rinoceronte, em uma busca desenfreada pelo sexo oposto, sem envolvimento sentimental com as mulheres.

Ainda em relação a esse caso, é importante ressaltar que na selva, os rinocerontes machos dominantes urinam para marcar fronteiras territoriais, enquanto os machos inferiores e outros animais do grupo não expelem urina do mesmo modo. Assim como na escolha do nome fictício Rinoceronte, pode ser que o adolescente esteja querendo marcar seu território e mostrar desempenho, mas ainda não está conseguindo ser o macho dominante e, mesmo inconscientemente, tenta seguir ou ser melhor do que o seu conselheiro; no caso, seu pai. Suplicy (1991, p. 104) fala que, “[...] para lidar com a sexualidade dos filhos, os pais necessitam se defrontar com a própria sexualidade e esta situação pode gerar, muitas vezes, angústia. A sexualidade dos filhos traz à tona para muitos pais aspectos reprimidos da própria sexualidade.”

No caso de Tigre, sua família foi a primeira a ter conhecimento da aventura do filho. Mesmo sua mãe tendo-o aconselhado a esperar mais tempo para iniciar sua vida sexual, ela aceitou passivamente e ainda quis saber os detalhes da primeira vez do adolescente, possivelmente com orgulho pelo seu menino ter se tornado “homem”. Mesmo sendo esse, muitas vezes, o papel do pai, a mãe de Tigre assumiu para si a responsabilidade ou a alegria do filho estar passando por mais uma fase de sua vida. Como relatou o adolescente, sua mãe o criou sozinha e, mais tarde, veio o padrasto. Em função disso, o menino teve uma ligação muito forte com sua mãe na fase do complexo de Édipo. Nesse período, ele quer seu pai longe e Tigre teve essa vitória, pois sua mãe era somente dele. Possivelmente, tornou-se um adolescente acreditando que consegue o que quer com certa facilidade. Tigre também relata, no decorrer da entrevista, que sua mãe falava para todos os familiares que ele teria perdido a virgindade. Além disso, seus amigos podem ter influenciado na decisão, pois em “brincadeiras” falavam que ele teria que perder a virgindade, como se fosse algo que não poderia esperar.

Milman (1998, p. 76) lembra que “[...] os pais devem conversar com o adolescente não apenas sobre a possibilidade de engravidar e de contrair doenças sexualmente transmissíveis, mas também, devem dar apoio à afetividade envolvida na vida sexual.” Dos adolescentes entrevistados, Tigre relatou ter liberdade para conversar sobre sexo com sua família; Escorpião sente-se à vontade para conversar com o tio sobre o assunto; e os outros entrevistados foram alertados sobre o uso de preservativo e cuidados com as doenças sexualmente transmissíveis, mas não tiveram conversas mais explicativas ou esclarecimentos de dúvidas. Já Escorpião, que morava com seus tios na época, contou para seu tio, o qual sempre o apoiou e o orientou em sua decisão para que ele tivesse uma vida sexual segura e responsável. Escorpião mostrou que realmente estava preparado fisicamente e, possivelmente, psicologicamente sobre sua decisão. Mesmo conhecendo a parceira, esperou o tempo dela para ter a primeira relação. Quem orientou o adolescente foi seu tio, possivelmente por perceber que os pais não teriam essa possibilidade ou porque, para um tio falar de sexo, seja mais fácil do que um pai falar do mesmo assunto. Como Escorpião teve uma história de abandono pelos pais, seu tio pode ter tentado protegê-lo para que a história não se repetisse. O mesmo fato pode ser o que aconteceu também com Tigre: sua mãe é separada e orientar seu filho é uma forma de cuidar dele. Já a mãe de Rinoceronte separou-se do pai dele quando o adolescente tinha onze anos; em função disso, talvez, não tenha conseguido dar uma orientação adequada para seu filho, ou pode ainda estar bloqueada, não conseguindo conversar abertamente sobre o assunto. Por último, os pais de Leão, possivelmente pela cultura diferente ou por pensar que seu filho ainda seja uma criança, não conversam abertamente ele sobre o assunto em questão.

Quanto Escorpião foi questionado se tinha cobrança por parte dos amigos para perder a virgindade, ficou pensativo, baixou o olhar e relatou que só depois de um tempo contou para os amigos, conforme relato transcrito anteriormente. Nessa hora, ficou perceptível a expressão de uma possível aflição: ele baixou seu olhar e, para responder, a voz ficou rouca como se ele estivesse com a garganta seca. Talvez ele quisesse falar mais alguma coisa que tinha em seu íntimo, mas não conseguiu expressar verbalmente.

Para um adolescente que foi jogado para um lado e outro, falar de amigos não deve ser muito fácil. Na entrevista, ele respondeu que os amigos não cobravam nada, mas, ao mesmo tempo, a tristeza pareceu ser de alguém que não tinha amigos, não tinha pessoas em quem realmente pudesse confiar, a não ser seu tio. Muitas vezes, poderia querer envolver-se com outras pessoas, mas o medo de não ser aceito pode ter prevalecido.

Assim como esperou para ter seu primeiro relacionamento afetivo, pode ter sido o medo de se apegar a alguém e novamente perder, como foi o caso dos seus pais, que o fez esperar pela primeira relação sexual. Isso também pode justificar a escolha do seu nome fictício: o escorpião, aparentemente, não é agressivo, mas, em contrapartida, quando se sente ameaçado, usa o ferrão para picar a vítima e introduzir seu veneno. Além disso, após o acasalamento, a fêmea costuma comer o macho que a fecundou. Então, o adolescente foi mais cauteloso ao escolher sua parceira e o grupo de amigos.

Quando os adolescentes foram questionados sobre o conhecimento dos métodos contraceptivos e esclarecimentos sobre a vida sexual com suas famílias, eles relataram:

Sim sim, minha mãe já me ensinou, desde pequeno, que a primeira vez que eu fosse ter uma relação sexual era pra mim usar camisinha, daí não ficar sem porque poderia pegar uma doença, poderia engravidar e tal. [... ] Usei, minha amiga tinha na casa dela, (risos) (Tigre).
Não converso sobre sexo com minha mãe, mas ela sempre fala pra eu levar camisinha e me cuidar, daí eu levo. [... ] não usei, tanto que eu nem tinha camisinha aquela noite, e eu e ela tava no baile assim. (Rinoceronte).
Sim, quando eu comecei a namorar ela, meu tio explicou isso, por que eu não tenho pai né, daí ele me explicou tudo e até me deu 3 preservativos pra carregar na sacola, tudo (risos). [... ] quando nós começamos namorar a mãe dela levou ela no médico e ela começou a tomar remédio com 1 mês de namoro, mas eu usei camisinha também. (Escorpião).
Sim, usei camisinha (Leão).

Em relação aos pais, Leão falou que não se sente à vontade para dialogar com eles, mas se a mãe chegasse até ele, conversaria sem resistência. Na fala de Rinoceronte, sua mãe explica para ele ter sempre junto camisinha, mesmo nunca tendo conversado sobre sexo. Já seu pai, como transcrito anteriormente, cobra desempenho, mas não senta para ter uma conversa ampla e explicativa com seu filho. Os casos de Tigre e Escorpião foram diferentes: suas famílias lhes explicaram a respeito do assunto. Com Escorpião, foi seu tio o responsável pela orientação, o qual lhe deu até camisinha. Assim também o fez a mãe de Tigre.

Dos entrevistados, Rinoceronte foi o único que não usou camisinha, mesmo conhecendo e sabendo a necessidade do uso. Ele afirmou que estava com vontade de praticar o ato sexual e não quis deixar para outro dia; então, teve relação sem camisinha mesmo. Contudo, garante que foi a única vez que transou sem preservativo; em suas experiências posteriores, preveniu-se com o preservativo. Esse sentimento de invulnerabilidade incentiva-os à aventura expondo-os a riscos que muitas vezes têm consequências dramáticas e irreversíveis. Tiba (1986, p. 85), afirma que os jovens:

Conhecem os perigos do álcool, consumo de drogas, doenças sexualmente trasmissíveis, paternidade na adolescência, mas a crença na sua imunidade faz com que se deixem seduzir pelo „inédito‟, pelo novo, na convicção de que as coisas más acontecem só aos outros.

Conforme Tiba (1994, p. 121), “A adolescência é um período de vida em que acontecem várias mudanças físicas, psicológicas e comportamentais. É neste período que eles procuram conquistar o seu espaço, construir um mundo melhor e deixar a sua marca.” Assim, as mudanças aconteceram para os adolescentes que foram entrevistados. Os quatro afirmaram que sentiram mudanças no seu físico e psicológico, amadureceram em suas atitudes, mesmo tendo entre catorze e quinze anos. Depois da primeira experiência sexual, também relataram que ficaram mais vaidosos e começaram a pensar no sexo oposto com mais frequência. Além disso, conseguem se expressar melhor diante das meninas e sentem-se mais confiantes em relação a seus corpos, conforme expõem:

Eu não olhava tanto pras meninas como agora. (Escorpião).

Porque eu não tenho mais aquela vergonha de conversar, antes eu ficava amarelo de vergonha. (Rinoceronte.)

Em relação às mudanças ocorridas na vida e no comportamento dos entrevistados após a iniciação sexual, eles relataram ter amadurecido e estar mais autoconfiantes. Rinoceronte, com seu jeito travesso, falava das meninas com um sorrisinho maroto no rosto. Desse modo, seu jeito bruto – como ele mesmo afirmou – ficava imperceptível, mas sua expressão corporal mostrava uma possível insegurança, sua perna balançando em muitos momentos e seu olhar baixando quando algumas perguntas eram feitas. Percebia-se que poderia ter algo por trás da sua masculinidade, um rapaz meigo e carinhoso talvez. Mas por que não demonstrar seus reais sentimentos? Já Tigre deixou claro que tinha a necessidade de ficar, pelo menos, uns quatro meses com a mesma menina antes de ter relação sexual com ela. Além disso, afirmou que se sente preparado para ter um relacionamento sexual. Entretanto, como exposto, não foi isso que aconteceu. Por que a necessidade de trocar de namorada a cada mês? Da mesma forma, Leão também expôs que se sentia preparado. Mesmo assim, três dos entrevistados (Rinoceronte, Tigre e Leão), em momento algum, procuraram ajuda de um profissional para conversar sobre as mudanças que poderiam ocorrer. Em alguns momentos, percebia em suas falas o medo, talvez do desconhecido, a incerteza do que estava acontecendo em suas vidas. Por ser homem, a sociedade impõe regras e, desde adolescentes, os jovens sentem-se impelidos a seguir estas regras: homens não choram, homens não demonstram os sentimentos.

5. Considerações Finais

A adolescência, por sua própria estrutura, é uma vivência da insuficiência, onde o vazio, a castração e o não sentido tornam-se ameaçadores frente às incertezas, rupturas e lutos que o indivíduo necessita viver. Na busca de um novo saber, deverá abandonar sua posição infantil em direção à posição subjetiva de adulto. Nesse espaço entre dois mundos, o adolescente caminha, fatalmente com tropeços, saindo em busca de uma nova verdade. (LOURENÇO, 2005).

Assim, este estudo mostrou como os adolescentes do gênero masculino estão preparados para a iniciação da vida sexual. Percebeu-se a cobrança que ainda existe por parte da família e da sociedade para que os adolescentes sejam ativos sexualmente desde muito novos. O corpo pode ficar maduro com quinze anos, mas a grande maioria ainda não amadureceu psicologicamente. As mudanças físicas correlacionadas com as mudanças psicológicas levam o adolescente a uma nova relação com os pais e com o mundo. Segundo Knobel (1992, p. 104):

[...] a partir do nascimento de uma criança em nossa sociedade, a família já começa a diferenciá-la sexualmente através de roupas, cores, brinquedos e objetos. Os pais sutilmente se encarregam de ir impondo, durante a infância, as diferenças entre meninos e meninas e a sociedade trata de acentuá-las mediante elementos meramente externos.

Como percebe-se no decorrer do texto, os adolescentes entrevistados começaram a vida sexual na faixa etária, em média, de quinze anos. Todos falaram que estavam preparados para esse passo em suas vidas, mas como foram analisadas, muitas eram as incertezas dos adolescentes.

Tigre começou a vida sexual depois de namorar seis meninas por, mais ou menos, um mês e meio para cada relacionamento. Ele afirmou que, para ter a primeira relação sexual com elas, precisaria namorar em média quatro a cinco meses. Mesmo assim, não quis esperar esse tempo, motivo pelo qual não se apegou às meninas. O nome fictício do adolescente, semelhantemente ao animal que vive na selva, refere-se à solidão, exceto na época do acasalamento, quando a fêmea e o macho compartilham o mesmo território. Talvez o nome que ele escolheu não tenha sido um mero acaso. A imagem de menino alegre e extrovertido que passou durante a entrevista pode ser uma máscara para esconder o seu real sentimento. Como o animal tigre, ele vive solitário num mundo de expectativas. O mesmo adolescente, que é filho de pais separados, cresceu sem a figura da lei perto dele. Isso foi perceptível no olhar dele: parecia haver um vazio; atrás de um sorriso alegre, um rosto chorando. Como comprovado pelas transcrições das falas de Leão, a mãe sempre procurou orientá-lo e mostrar as armadilhas que a vida poderia estar preparando para ele, mas percebe-se que ainda falta alguma coisa para a sua vida ser, talvez, um pouco mais clara e sem nuvens negras ao seu redor.

Já o adolescente Rinoceronte revelou ser bruto sentimentalmente, talvez por seu tamanho mais ou menos de 1,90m e 95 kg. Assim como o animal rinoceronte que vive na selva e é guiado por um passarinho, o qual é seu melhor amigo e mostra os esconderijos onde há mel – comida muito apreciada pelo rinoceronte –, o adolescente que foi entrevistado não pareceu ser insensível. Ainda é um menino tentando competir, seguir os passos ou até ser melhor que seu pai. Parece ser um adolescente carente de atenção verdadeira, pois cresceu um pouco e já estava sendo pressionado para ser homem, mas o psicológico não acompanhou o seu corpo no crescimento, até porque ele ainda tem dezesseis anos. Quando teve sua primeira relação sexual, tinha quinze anos. Por isso, ainda não tinha muito preparo nem muita explicação; somente sabia que tinha que usar camisinha – a qual acabou não usando. Isso ocorreu pois só saiu de casa para ir a um baile e acabou tendo sua primeira relação atrás de uma churrasqueira. Seu sorriso maroto, sua expressão de adolescente travesso revela um pedido de atenção, de ajuda ou uma simples demonstração de afeto sem ter a cobrança de mostrar algo em troca.

Outro entrevistado, Leão, o jovem tímido do interior, parece, visivelmente, um menino mais simples em suas atitudes, em seu falar. É importante ressaltar que, ao ser convidado para a entrevista que deu sequência a esse estudo, relatou a perda da virgindade lhe custou bem caro, mas que conseguiu perdê-la. Talvez a cobrança inconsciente da família ou os apelos sexuais que são evidenciados na televisão o deixaram com muita curiosidade e vontade para iniciar a vida sexual. Contudo, a falta de contato com as meninas e sua timidez aparente tornaram-se uma barreira para levá-lo para os caminhos mais “fáceis” que foi comprar prazer de uma pessoa/mulher mais experiente. Ao mesmo tempo, não dividiu sua experiência com seus amigos como fizeram os outros entrevistados, nem mesmo sua família ficou sabendo. Por isso, é possível concluir-se que a confiança nas pessoas que o cercam não deve ser muito grande, o medo de ser julgado o deixa em silêncio, ou mesmo o despreparo psicológico para acompanhar a evolução da idade o deixe limitado em seu mundo particular.

Para encerrar, Escorpião. Dos três entrevistados, ele foi o único diferente. A história de vida dele é diferente da dos outros. Talvez, por isso, ele mostrou maturidade quando escolheu o momento e a pessoa considerados adequados para iniciação de sua vida sexual. Isso pode ser explicado por um possível medo, decorrência de sua história de vida, do abandono vivenciado. Nesse sentido, ele comentou que ainda está na 7ª série, mas tem o desejo de, um dia, cursar uma faculdade. Além disso, para ele, hoje, estar em um curso onde está aprendendo uma futura profissão já é considerada uma vitória. Assim, percebe-se que ele é um adolescente que está com sede do futuro, como se estivesse em um deserto sem água; quando a encontrar, irá bebê-la bem devagar para saborear cada gota. Assim é possível perceber o mundo de Escorpião.

Assim, os adolescentes pesquisados nesse trabalho mostram como eles precisam de atenção, eles têm necessidade de conversar com algum profissional. A mulher vai ao ginecologista, ao psicólogo e não é motivo de chacota. O homem não vai ao médico para tirar suas dúvidas, é vergonha; ele ainda tem a visão que tem que ser forte em todos os sentidos. Isso acontece porque aprende-se, desde criança, a cultura em que se está inserido. Portanto, os adolescentes do sexo masculino também aprendem desde crianças que tem que ser os exemplos, tem que ser como a sociedade os molda. Ainda existe muita cobrança por parte da família para que os rapazes sejam bons sexualmente desde novos. Acontece a cobrança para começarem a vida sexual desde jovens, mas não há o auxílio adequando para eles, não têm acompanhamento psicológico para poderem trilhar, talvez, um caminho menos obscuro. O sexo ainda é visto como um tabu e há muitas barreiras a serem derrubadas não só por parte das famílias, mas também da sociedade em geral.

É importante acrescentar que uma dificuldade para a efetivação desta pesquisa foi a falta de material específico em relação ao assunto. A sociedade, em geral, aborda o universo feminino, fala-se da primeira relação sexual das meninas, mas em relação ao mundo masculino, pouco é explorado.

Assim, esta pesquisa foi muito válida e proveitosa, pois possibilitou o conhecimento de um pouco do universo dos adolescentes. Para profissionais de Psicologia, ler as histórias deles e a respectiva análise poderá ajudar na área, conhecendo um pouco do que se passa no universo masculino adolescente. Seria muito importante a continuação desse estudo para que, cada vez mais, possa-se conhecer o universo masculino e, consequentemente, entendê-lo ajudando o indivíduo do sexo masculino a superar seus possíveis medos e anseios.

Sobre os Autores:

Leila Vaz Pinheiro - Acadêmica do oitavo período do Curso de Psicologia da Universidade do Oeste de Santa Catarina – Campus São Miguel do Oeste. e-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .

Juliano Corrêa da Silva - Mestre em Psicologia, Psicanalista, Professor do Curso de Psicologia da Universidade do Oeste de Santa Catarina – Campus São Miguel do Oeste. e-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Referências:

ABERASTURY, Arminda; KNOBEL, Maurício. Adolescência normal: um enfoque psicanalítico. Porto Alegre: Artes Médicas, 1981.

ADLER, Alfred. Sigmund Freud: teorias da personalidade. 2005. Disponível em: <http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=190>. Acesso em: 9 jul. 2012.

BAPTISTA NETO, Francisco; OSÓRIO, Luiz Carlos. Aprendendo a conviver com adolescentes. Florianópolis: Insular, 2000.

BIRMAN, Joel. A clínica na pesquisa psicanalítica. In: ENCONTRO DE PESQUISA ACADÊMICA EM PSICANÁLISE, 2., 1992, São Paulo. Atas do 2º encontro de pesquisa acadêmica de pesquisa acadêmica em psicanálise. São Paulo: PUC, 1992, p. 7-37.

CANO, Maria Aparecida Tedeschi; FERRIANI, Maria das Graças Carvalho; GOMES, Romeu. Sexualidade na adolescência: um estudo bibliográfico. Revista Latino-Americana

de Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 8, n. 2, p. 18-24, 2000. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692000000200004>. Acesso em: 21 out. 2012.

CORRÊA, Juliano; HAUSEN, Denise Costa. O método de pesquisa que Freud criou – sobre a pesquisa psicanalítica na Universidade. Revista Perspectiva, Erechim, v. 31, n. 116, p. 17-27, dez. 2007.

FERRAZ, Ana Luiza. O “ficar” dos adolescentes. 2008. Disponível em: <http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=1019>. Acesso em: 23 set. 2012.

FREUD, Sigmund. Pulsões e destinos da pulsão (1915). In: HANNS, Luiz Alberto (Coord.). Obras psicológicas de Sigmund Freud – Escritos sobre a psicologia do inconsciente (1915-1920). Rio de Janeiro: Imago, 2004, p. 133-173.

GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Pesquisa de tipo teórico. In: ENCONTRO DE PESQUISA ACADÊMICA EM PSICANÁLISE, 1., 1991, São Paulo. Atas do 1º encontro de pesquisa acadêmica de pesquisa acadêmica em psicanálise. São Paulo: PUC, 1991.

IRIBARRY, Isac. Nikos. O que é a pesquisa psicanalítica? Revista Ágora – estudos em teoria psicanalista, Rio de Janeiro, v. 6, n. 1, jan./jun., p. 115-138, 2003.

KNOBEL, Maurício. Orientação familiar. Campinas: Papirus, 1992.

LOURENÇO, Lara Cristina d‟Avila. Transferência e complexo de Édipo, na obra de Freud: notas sobre os destinos da transferência. Revista Psicologia Reflexão e Crítica, Porto Alegre, v. 18, n. 1, p.143-149, 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/prc/v18n1/24828.pdf>. Acesso em: 18 out. 2012.

MILMAN, Lulli. Cresceram: um guia para pais de adolescentes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998.

NASIO, J. D. Introdução às obras de Freud, Ferenczi, Groddeck, Klein, Winnicott, Dolto, Lacan. Rio de Janeiro: Zahar, 1995.

NASIO, J. D. O prazer de ler Freud. Rio de Janeiro: Zahar, 1999.

OSÓRIO, L.C. Adolescente hoje. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.

OUTEIRAL, J. O. Infância e Adolescência. Porto Alegre: Artes Médicas, 1982. 24

PALOMBINI, Analice de Lima. Fundamentos para uma crítica da epistemologia da psicanálise. Revista Ágora – estudos em teoria psicanalista, Rio de Janeiro, v.2, n. 2, jul./dez., p. 53-70, 1999.

PAPALIA, Diane E.; OLDS, Sally Wendkos. Desenvolvimento humano. 7. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.

PEREIRA, Paulo Cunha. Sexologia aplicada à psicanálise. 3. ed. Rio de Janeiro: SPOB, 2001.

SUPLICY, M. Conversando sobre sexo. 17. ed. Petrópolis: da Autora, 1991.

TAQUETE, Stells R. Sexualidade na adolescência. [200-]. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/multimedia/adolescente/textos_comp/tc_14.html>. Acesso em: 19 out. 2012.

TIBA, Içami Adolescência: o despertar do sexo – um guia para entender o desenvolvimento sexual e afetivo das novas gerações. São Paulo: Gerações, 1994.

TIBA, Içami. Puberdade e adolescência: desenvolvimento biopsicossocial e esquema corporal. 3 ed. São Paulo: Ágora.1986.

WILHELM, Reich. Teorias da personalidade. 2008. Disponível em: <http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=191>. Acesso em: 5 maio 2012.

WINNICOTT, D. W. A família e o desenvolvimento do indivíduo. Belo Horizonte: Interlivros, 1980.