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Este texto tem como objetivo descrever alguns fatores importantes no desenvolvimento humano e, demonstrar de que forma estes exercem sua influência. Os fatores são divididos em internos – a hereditariedade e a maturação – e externos – meio ambiente. O desenvolvimento humano aqui referido vem dizer da “estrutura física, o comportamento e funcionamento mental” (DAVIDOFF, 2001 p. 419), estudado pela psicologia do desenvolvimento.

Com o argumento de que não devemos confundir a criança com um adulto em miniatura, a autora Ana Bock (1999) demonstra em seu texto a importância do estudo do desenvolvimento humano. É necessário conhecer as características comuns de cada faixa etária e reconhecer a individualidade do sujeito para adquirir aptidão na observação e interpretação do comportamento.

Na observação do processo de desenvolvimento humano, era costume dos psicólogos do desenvolvimento observar apenas crianças em fase de crescimento, porém, atualmente estes reconhecem que o desenvolvimento estende-se por toda a vida e por esse motivo passaram a investigar todas as fases da vida humana. Observando também alguns fatores que mais influenciam esse desenvolvimento.

Os fatores influentes, tanto internos quanto externos, estão em constante relação. Internamente estão a hereditariedade, que se caracteriza pelo conjunto de características genéticas transmitidas de pai para filhos e a maturação, que se refere aos padrões comportamentais decorrentes e dependentes do desenvolvimento físico e genético do sujeito. Externamente está o meio ambiente, referente a tudo aquilo que é assimilado pelo sujeito por meio dos órgãos sensoriais, como alimentos, as relações sociais e algumas substâncias químicas que podem alterar o curso de sua vida.

A hereditariedade tem uma influência relevante no processo de desenvolvimento do ser humano, nos últimos anos, o estudo desse fator tem se tornado uma área de grande interesse para os pesquisadores, a chamada “genética do comportamento”. As potencialidades humanas são programadas pela herança genética. Atualmente existem algumas pesquisas comprovando traços genéticos da inteligência. Os traços genéticos são definidos dentro de uma célula no momento da concepção, o feto se desenvolve dentro do útero e, as condições da célula e do útero podem ocasionar algumas mudanças no desenvolvimento do bebê em gestação.

A relação existente entre a hereditariedade e o ambiente é contínua, pois, no caso da inteligência, mesmo que sejam definidos aspectos genéticos da mesma, ela só se desenvolverá se houver algum estímulo externo – vindo do meio. Algumas heranças de padrões temporais podem ser mudadas em decorrência do estilo de vida e relações socias do sujeito. Estudos realizados por geneticistas do comportamento com gêmeos idênticos, fraternos e crianças adotadas, procuram descobrir algumas influências genéticas equivalentes em um grupo familiar. Gêmeos idênticos são aqueles que descendem de um mesmo óvulo em quais ocorrem um padrão de cargas genéticas; os gêmeos fraternos também são originários de uma mesma gestação, porém em óvulos separados, que faz com que não sejam idênticos.

A forma de execução da pesquisa baseava-se, primeiramente, em quais traços os gêmeos idênticos são mais parecidos que os fraternos, o que provaria uma influência da herança genética. Para comprovar que tais traços eram realmente heranças genéticas, procuraram observar os gêmeos criados separadamente. Se os gêmeos tiverem comportamentos parecidos apesar de serem criados separados, fica uma prova circunstancial de que estes sejam traços genéticos. No caso das crianças adotadas fazia-se uma comparação com os pais biológicos, onde tentavam perceber a influência genética sofrida por eles, e com os pais adotivos, para perceber quais traços eram definidos pelo meio, e assim observar se predominava a hereditariedade ou o meio.

Um exemplo usado no texto da Helen Bee (1996, p. 19) foi o da pesquisa realizada por Bouchard e McGue (1981), onde eles “combinaram os resultados de vários estudos de gêmeos sobre o caráter hereditário dos escores de QI”. Os resultados foram correlações que variavam de “0 a + 1.00 ou -1.00”, “quanto mais próximos de 1.00, maior é a relação que ela descreve”:

Gêmeos idênticos criados juntos - 0,85

Gêmeos idênticos criados separados - 0,67

Gêmeos fraternos criados juntos - 0,58

Irmãos (incluindo os gêmeos fraternos) criados separados - 0,24

Observando tais dados, foi possível concluir que os gêmeos idênticos criados separados apresentam menores semelhanças de QI do que os gêmeos idênticos criados juntos e, ainda sim há uma semelhança maior que o QI dos gêmeos fraternos que foram criados juntos. Com esses resultados, também pode se observar que a variação existente entre, os gêmeos idênticos criados juntos e os criados separados venha ser resultado do meio em que vivem.

Outros dados utilizados por Bee (1996) pertencentes às pesquisas dos geneticistas do comportamento Scarr e Weinberg (1983), da relação da adoção com o caráter hereditário, realizados com cerca de 100 crianças adotadas, também expressando a correlação do QI dos pais com os das crianças:

QI da mãe biológica - 0,33

QI do pai biológico - 0,43

QI da mãe adotiva - 0,21

QI do pai adotivo - 0,27

Os resultados demonstram que há um fator genético substancial dominante, decorrente dos tipos de testes realizados. Isto é, os dados coletados mostram mais a proximidade genética que a influência do meio.

Os testes apresentados acima ajudaram aos geneticistas do comportamento demonstrar que a hereditariedade afeta uma escala “notavelmente mais ampla do comportamento”, não somente questões físicas, mas também cognitivas. Dentre as questões cognitivas estão, a capacidade de inteligência geral e as “habilidades cognitivas mais especificas como a capacidade de visualização espacial”. Outras pesquisas mais recentes também ajudaram a descobrir que patologias podem ser herdadas e passadas as gerações futuras (BEE, 1996, p.20).

Como já foi dito no início deste texto, a maturação é o aparecimento de comportamentos que são influenciados pelo desenvolvimento físico do indivíduo. A maturação depende da genética para ocorrer, porém, isso não quer dizer que o ambiente não exerça alguma influência sobre ela. O apoio ambiental requerido pela maturação é mínimo, mas não inexistente. Com o corpo e o sistema nervoso todo pronto para se desenvolver, qualquer forma de estimulo – positivo ou negativo – exercido pelo ambiente ajuda a desencadear ou retardar o desenvolvimento. Visto que a maturação é influenciada pelo desenvolvimento genético individual do sujeito, é normal que cada indivíduo atinja um determinado nível de maturação e em diferentes idades.

A autora Ana Bock (1999), faz menção do psicólogo e biólogo Jean Piaget que dividiu em períodos o desenvolvimento humano nomeando e datando segundo suas observações, no entanto a idade não necessariamente determinará o período em que o indivíduo se encontra, esse será determinado também pelas habilidades físicas e mentais que o sujeito contém.

  • 1° período: Sensório-motor (0 a 2 anos)
  • 2° período: Pré-operatório (2 a 7 anos)
  • 3° período: Operações concretas (7 a 11 ou 12 anos)
  • 4° período: Operações formais (11ou 12 anos em diante)

Esses períodos são também influenciados pelo meio, de forma particular, pela cultura em que o sujeito vive. Um exemplo é dado pela autora Helen Bee (1996) em seu texto, quando fala das primeiras semanas de vida de um recém-nascido. No início de sua vida o bebê não tem noção de dia/noite, acorda a cada duas horas para se alimentar, porém por volta das seis semanas de idade o bebê já consegue prolongar o tempo entre esses intervalos durante a noite, isso em circunstâncias independentes de interferências ambientais. Contudo, na demonstração de uma pesquisa, realizada por Super e Harkness (1982), com bebês do Quênia, “que são carregados pelas mães em uma tipoia o dia todo e alimentados à vontade durante a noite”, prova que esta interferência cultural ocasionou o retardamento desse ciclo, ao invés de seis semanas eles demoravam oito meses para juntar os intervalos.

Por mais que tentem definir quais fatores são dominantes na influência do desenvolvimento, ainda assim não foi possível obter uma comprovação de que há uma dominância de apenas um fator – interno ou externo.

Referências:

BEE, Helen. Perguntas básicas. In: BEE, Helen. A criança em desenvolvimento. 7 ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. Cap. 1, p. 15-27.

BOCK, Ana Mercês Bahia. A psicologia do desenvolvimento. In: BOCK, Ana Mercês Bahia. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 13 ed. ref., ampl. São Paulo: Saraiva, 1999. Cap. 7, 97-100.

DAVIDOFF, Linda L. O início: da concepção à infância. In: DAVIDOFF, Linda L. Introdução à psicologia. 3 ed. São Paulo: Makron Books, 2001. Cap. 10, p. 417-423.