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Resumo: A psicologia do desenvolvimento se caracteriza como um ramo que tem a finalidade de estudar a interação dos processos físicos e psicológicos e às etapas de crescimento, a partir da concepção até ao final da vida de um sujeito. Nesse sentido, baseando-se nas considerações tecidas sobre essa área, esse artigo visa fazer uma revisão bibliográfica tendo como base um recorte e explanação da teoria proposta por Jean Piaget, bem como propor o entendimento sobre o que fazem os psicólogos do desenvolvimento e possibilitar discussões acerca da delimitação desse conceito. A partir desse contexto, conhecer princípios e métodos que fomentam as teorias do desenvolvimento humano. Assim, faz-se necessário que os estudiosos dessa área reconheçam variáveis de crescimento da área a fim de que possam contribuir para a solidificação do saber sobre o desenvolvimento humano e propor estratégias de atualização teórica para a promoção e ascensão dos modelos psicológicos.

Palavras-chave: Psicologia do desenvolvimento, Jean Piaget, psicólogos do desenvolvimento

Considerações Iniciais

O desenvolvimento é um processo contínuo que tem início desde a concepção, e tem continuidade após a fecundação do óvulo, percorrendo a partir da subdivisão celular até que milhões de células sejam formadas. À medida que as células assumem funções especializadas, dá-se início a formação dos sistemas que dão base para a parte física do desenvolvimento. Porém, o desenvolvimento físico, cognitivo, social, afetivo tem continuidade durante todas as fases da vida de um sujeito e termina com a morte.

Assim, o fenômeno do desenvolvimento, faz articulações e interfaces com várias áreas do conhecimento como: a educação, biologia, sociologia, antropologia, medicina, entre outros, interagindo com diversos saberes a fim de fomentar suas explicações.

A psicologia do desenvolvimento traz uma compreensão sobre as transformações psicológicas que ocorrem no decorrer do tempo, com auxílio de algumas teorias e teóricos, bem como Jean Piaget, esses modelos se propõem em explicar como as mudanças ocorrem na vida do sujeito e de que modo podem ser compreendidas e descritas.

Tradicionalmente, os primeiros estudos referentes à psicologia do desenvolvimento faziam menção somente ao desenvolvimento da criança e do adolescente. Entretanto, esse foco vem mudando ao longo dos anos, e hoje, tem-se uma idéia que o estudo sobre o desenvolvimento humano deve abranger todo processo de ciclo vital.

As Descobertas de Piaget sobre Desenvolvimento Mental

Jean Piaget foi o responsável pela introdução das fases sobre o desenvolvimento mental do indivíduo. Ele acreditava que o desenvolvimento cognitivo do indivíduo poderia ser subdividido em uma série de quatros estágios ordenados e descontínuos. Esse teórico supõe que as crianças progridam através dessas fases.

O primeiro período, sensório-motor (0 a 24 meses), baseia-se em uma inteligência que trabalha as percepções e as ações através dos deslocamentos do próprio corpo. Neste período a criança não possui representação mental, ou seja, para eles os objetos só existem se estiverem em seu campo visual. A conduta social, neste período, é de isolamento e indiferenciação, onde o mundo se volta inteiramente a própria criança (o mundo é ela) (FERREIRA, 2009).

O estágio pré-operatório vai mais ou menos dos dois anos aos sete anos de idade. O grande avanço cognitivo nesta fase do desenvolvimento é uma melhor capacidade de representar, mentalmente, objetos que não estejam fisicamente presentes. Com exceção desta evolução, Piaget caracteriza o estágio pré-operatório de acordo com aquilo que a criança não consegue fazer. Por exemplo, ele acreditava que o pensamento pré-operatório das crianças pequenas fosse marcado pelo egocentrismo, isto é a incapacidade de ver as coisas pela perspectiva de outra pessoa (GERRIG, 2005).

O terceiro período (7 aos 11/12anos), é o das operações concretas, a criança conhece e organiza o mundo de forma lógica ou operatória. A conversação torna-se possível (já é uma linguagem socializada), pois a fala egocêntrica desaparece devido o desejo de trabalhar com os outros (idade escolar), sem que no entanto possam discutir diferentes pontos de vista para que cheguem a uma conclusão comum (FERREIRA, 2009).

O estágio operatório formal cobre o período que começa em torno dos 11 anos. Neste estágio final do desenvolvimento cognitivo, o pensamento se torna abstrato. Os adolescentes conseguem entender que sua realidade específica é apenas uma entre várias imagináveis, e começam a questionar temas profundos relacionados a verdade, justiça e existência (GERRIG, 2005).

O que Fazem os Psicólogos do Desenvolvimento?

De acordo com GERRIG (2005) os psicólogos do desenvolvimento propõem teorias para explicar como e por que as pessoas mudam durante a vida. Eles utilizam investigações normativas para descrever as características de determinadas idades ou estágios do desenvolvimento. Os estudos longitudinais acompanham os mesmos indivíduos com o passar do tempo; os modelos transversais estudam simultaneamente diferentes grupos etários.

As investigações normativas se caracterizam como um conjunto de procedimentos que avaliam como seria uma pessoa, em termo de aparência física, habilidades cognitivas, com a finalidade de descrever aquilo que caracteriza uma determinada idade ou estágio do desenvolvimento.

O modelo longitudinal é uma técnica para entender os possíveis mecanismos de transformação. Nesse aspecto, denomina-se uma forma de observar os indivíduos repetidamente durante vários anos.

Conforme MOTA (2005) psicólogos do desenvolvimento enfrentam novos desafios no século XXI. As novas concepções de atuação profissional que enfatizam a prevenção e a promoção de saúde fazem com que profissionais de várias áreas busquem na psicologia desenvolvimento subsídios teóricos e metodológicos para sua prática profissional.

Um dos fatos discutidos em questão é o desenvolvimento harmônico do sujeito, que integra vários aspectos da vida, bem como as características biológicas, sociais, cognitivas, afetivas que compõem toda a estrutura de um indivíduo.

Uma Delimitação do Conceito de Psicologia do Desenvolvimento

Ainda existe uma dificuldade em conceituar o processo de desenvolvimento humano tendo em vista o vasto campo de estudo que envolve essa disciplina. Nesse aspecto, alguns teóricos vêm fazendo algumas especulações a fim de propor novas formas de estudar o desenvolvimento, a partir de todo o ciclo vital do indivíduo.

Papalia e Olds (2000), por exemplo, definem desenvolvimento como “o estudo científico de como as pessoas mudam ou como elas ficam iguais, desde a concepção até a morte” .

 Biaggio (1978) argumenta que a especificidade da psicologia do desenvolvimento humano está em estudar as variáveis externas e internas aos indivíduos que levam as mudanças no comportamento em períodos de transição rápida (infância, adolescência e envelhecimento).

Algumas teorias contemporâneas do desenvolvimento aceitam que as transformações no processo de desenvolvimento acontecem em todas as fases da vida, mas que são mais marcantes em períodos rápidos de transição. Desse modo, é necessário ampliar o escopo em que se configura o desenvolvimento humano.

A visão ampliada acerca da concepção da psicologia do desenvolvimento faz desse conhecimento bastante importante para elaboração de programas de intervenção de cunho preventivo e, sobretudo, na promoção da saúde, tendo em vista que possibilita uma maior compreensão dos processos de desenvolvimento humano.

Considerações Finais

Com base nos estudos revisados, conclui-se que a psicologia do desenvolvimento é uma área de estudo que se articula com diversos saberes a fim de explicar por que as pessoas mudam durante suas vidas, a partir das mudanças físicas e psicológicas do sujeito, desde a concepção até a morte. Na contemporaneidade, novas teorias defendem a idéia de estudar o processo de desenvolvimento de todo o ciclo vital tendo em vista que esse conhecimento possibilita maiores benefícios para os estudos do desenvolvimento científico, uma vez que amplia a discussão e fomenta a metodologia de estudo. Nessa perspectiva, no que concerne à produção nacional acerca da temática, ainda encontra-se um pouco tímida. Ainda há um interesse em concentrar os estudos somente no desenvolvimento da criança e do adolescente, sendo necessário que novas pesquisas sejam realizadas a fim de produzir um impacto na produção desse conhecimento e auxiliar na compreensão da complexidade do desenvolvimento humano.

Sobre o Autor:

Alex Barbosa Sobreira de Miranda - Departamento de Psicologia. Faculdade de Ciências Médicas. Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Teresina, PI, Brasil, e-mail

Referências:

BIAGGIO, A. (1978). Psicologia do Desenvolvimento. Petrópolis:Vozes.

GERRIG, Richard. J. A psicologia e a vida. Richard J.Gerrig e Philip G.Zimbardo; trad. Roberto Cataldo Costa. – 16. Ed. – Porto Alegre: Artmed, 2005.

FERREIRA, L.C.Q. Psicologia do Desenvolvimento Psíquico em Jean Piaget. Lins-SP, 2009.

MOTA, M.E. Psicologia do Desenvolvimento: uma perspectiva histórica. Temas em Psicologia — 2005, Vol. 13, no 2, 105 – 111.  Juiz de Fora-MG, 2005.

PAPALIA, D. & OLDS, S. (2000). Desenvolvimento Humano. (D. Bueno, trad.) Porto Alegre: Artmed (trabalho original publicado em 1998).