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O adolescente contemporâneo encontra-se atrelado ao movimento consumista muito grande tanto manipulado pela mídia e ele busca nos idolos “teens” midiáticos o conteúdo referencial para seus comportamentos, conteúdo este que lhes dá credibilidade no olhar contra o mundo adulto, “contra o adulto do qual não se sente mais descendente, nem solidária” (BAUDRILLARD apud VITELLI, 2005, p 114).

Sobre isto Vitelli (2005) nos afirma que

“O que o adolescente tem nos mostrado através de sua aparência, gestos, falas, dependendo do grupo a qual ele pertence, pode ser um desafio aos cânones estéticos construídos e apreciados pelo mundo adulto. Muitas vezes esses jovens se enfeiam, contradizendo desta forma o conceito estético tão arraigado no mundo adulto.” (p. 130)

O grupo adolescente então, na busca de uma figura referencial que esteja na posição de ídolo, adere ao movimento estético e “ideológico” trazido por ele. Os grupos se formam a partir dos diversos referenciais “ideológicos” que permeiam as figuras-idolos, mas apesar das diferentes “tribos” todos trazem em seu conteúdo características que os afastam da norma-padrão adulta e se insere naquilo em que os adolescentes desejam o diferente.

De acordo com Lesord apud Gislene (2005) o ídolo pode ser identificado como uma mistura. Um modelo referencial identificador que diferencia os adolescentes dos adultos, tendo como função a construção de um laço com os de sua idade, os pares contra os adultos, mas em contrapartida, também possui uma ligação com a sociedade em seu conjunto, através das mensagens de valores transmitidos pelo mesmo.

Logo, não é certo afirmar que é somente a mídia que coloca os ídolos na posição de objetos de consumo, e não é um movimento apenas dela que os fazem manter-se na posição de referencial. Mesmo diante da extrema ligação entre surgimento de ídolos e consumismo midiático pode-se perceber que ainda assim, para que esse ídolo seja aceito é importante que ele alcance a atenção de seu publico-alvo através de suas caracteristicas. Sobre isso Tudor apud Ana Ribeiro comenta que

“O maior determinante para a aceitação e ascensão de determinado individuo enquanto celebridade é o próprio publico. É dessa forma que esta se constitui um fenômeno de consumo. Cabe à audiência determinar se o candidato à fama deve ou não alcança-la. Para que esta condição seja admitida, o publico deve desenvolver em relação à determinada figura algum dos seguintes níveis de relacionamento: afinidade emocional, auto identificação, imitação ou projeção.” (grifo nosso) (TUDOR apud RIBEIRO,A. 2007. p.2).

Com o surgimento do neoliberalismo como fortalecedor do capitalismo “institui-se a ditadura do consumo, disseminada pelo marketing, travestida de culto à imagem como forma de construir identidades”.(RIBEIRO, A. 2007. p.5).

Logo, toda produção humana contemporânea e que envolva mercado de artístico ou construção de “ideologias” comportamentais e sociais encontra-se amplamente atrelada ao modo de produção vigente. Com isto “o publico juvenil apresenta-se extremamente vulnerável ás sugestões consumistas (...) ‘desesperados por agradar e serem aceitos’ (...) se inspiram em modelos comportamentais disponibilizados e viabilizados, principalmente no ambiente midiático, como objetos de consumo e ferramentas para a construção de uma identidade.”. (RIBEIRO, A. 2007. p.5).

O fenômeno “moda” então vem com uma conseqüência do referencial trazido pelo ídolo teen como objeto de exibição e inclusão no mundo dos pares adolescentes, de acordo com Lesourd apud Gislene (2005) o look “participa da construção do objeto eu, na diferenciação que ele proporciona, diante do mundo dos adultos, especialmente parentais, e também na identificação com os semelhantes, com os pares”. Gislene prossegue afirmando que “os objetos da exibição na adolescência revelam e indicam algo para o outro da subjetividade do adolescente”.

“Diferentes dos objetos de consumo, os objetos criados pelo adolescente são também uma tentativa de reprodução do objeto perdido na infância. As criações artísticas de adolescentes sejam elas musicais, literárias ou gráficas marcam um lugar no discurso social na medida em que fazem laço social, seja de um adolescente com um semelhante ou de um adolescente com um adulto” (GISLENE, 2005)

Percebe-se aqui então que toda produção adolescente ou que se volta para este público-alvo traz em seu arcabouço “ideológico” aquilo que é inerente a esta fase. Características estas utilizadas pela mídia para criar ídolos e mantidas por eles para continuar como figura referencial. Tais ídolos criam tendências, instituem artigos da moda e  participam ativamente na construção da identidade em grupos adolescentes. Traz-se aqui então a hipótese de que o ídolo funciona assim como um espelho social do momento em que surgem.

Sobre o Autor:

Dhiogo Felipe Santos Gomes - Acadêmico do curso de Psicologia da Faculdade Pio Décimo (FPD). E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Referências:

GISLENE, Jardim. Adolescence: from the collective myth to the individual myth. Imaginario,  São Paulo,  v. 11,  n. 11, dez.  2005 .   Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-666X2005000200003&lng=pt&nrm=iso>. acesso em  11  maio  2011.

RIBEIRO, Ana ; BAKKER, Bruna ; FAVORETTO, Julia. Pitty: Imagem midiática e celebridade da indústria fonográfica no mercado juvenil. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Santos, 2007. Disponivel em: <http://www.adtevento.com.br/INTERCOM/2007/resumos/R2150-1.pdf>  Acesso em: 11 Mai 2011.

VITELLI, Celso. Adolescencia e arte: estética e praticas culturais. In:Aprender: caderno de filosofia e psicologia da educação. Ano 3, Nº 4, Jan/Jun. 2005. Vitória da conquista: Edições Uesb, 2005.