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Resumo: A teoria psicossocial de Erikson Erikson reside no amplo quadro das teorias psicodinâmicas da personalidade. O presente trabalho tem a finalidade de revisar a teoria contemporânea postulada por Erikson, fazer uma breve abordagem biográfica, realizar um estudo sobre os estágios psicossociais do desenvolvimento humano, que é baseado na premissa de que o desenvolvimento decorre desde o nascimento até a morte, e, portanto, fazer uma diferenciação entre a teoria psicanalítica de Erikson e a teoria de Freud. Assim, é possível entender o conceito do ego em uma visão ampliada e compreender o panorama que a contribuição eriksoniana acrescentou para a ciência psicológica e o conhecimento humano.

Palavras-chave: Erick Erikson, estágios psicossociais, desenvolvimento humano

Considerações Iniciais

De acordo com Gerrig (2005) A psicologia do desenvolvimento trata das mudanças no funcionamento físico e psicológico que ocorrem desde a concepção até o final da vida das pessoas. A tarefa dos psicólogos do desenvolvimento é descobrir como e por que os organismos mudam como o passar do tempo, documentando e explicando o desenvolvimento.

A propósito, existe uma premissa fundamental de que o funcionamento mental, os relacionamentos sociais e outros aspectos vitais correspondentes à natureza do homem são desenvolvidos e transformados durante todo o ciclo vital.

Erick Erikson postulou uma teoria acerca do desenvolvimento humano em oito estágios psicossociais. Os primeiros quatros estágios são decorrentes do período de bebê ao decorrer da infância, e os últimos estágios são referentes à idade adulta e a velhice. No entanto, Erikson enfatiza a importância da adolescência, visto que a transição entre o período de adolescência e idade adulta é um fator de grande relevância para a formação da personalidade do sujeito.

Erikson apresentou os estágios em termos de qualidade básica do ego que surge em cada estágio, discutiu as forças do ego que surgem nos estágios sucessivos e descreveu e ritualização peculiar de cada um. Este era por ele referido como uma maneira lúdica e culturalmente padronizada de experienciar uma vivencia na interação quotidiana de uma comunidade. (HALL et al 2000).

Biografia

Erik Erikson nasceu em Frankfurt, na Alemanha, em 15 de Julho de 1902. Inicialmente optou pela carreira artística. Em uma época da sua vida, foi convidado a trabalhar em uma escola com pacientes que estavam submetidos ao procedimento da psicanálise. Erikson passou a conviver com a família de Freud, de modo especial com Ana Freud, com quem despertou o desejo pela psicanálise e recebeu formação na área. No ano de 1930, publicou o seu primeiro artigo e em seguida, após completar a formação em psicanálise, foi eleito para o instituto de Psicanálise em Viena.

Em 1933, casou-se com uma canadense, mudou-se para os Estados Unidos e continuou seus estudos sobre a psicanálise, desenvolvendo uma teoria acerca do desenvolvimento humano. Erick Erikson postulou que cada indivíduo deve passar por cerca de oito estágios psicossociais, cada um apresentando um conflito ou uma crise específica, essa teoria se fundamenta na perspectiva dos conflitos do ego. Erikson veio a falecer no ano de 1994.

Estágios Psicossociais de Erikson

A teoria psicossocial de Erikson Erikson reside no amplo quadro das teorias psicodinâmicas da personalidade. Esses estágios se concentram na orientação de um indivíduo em relação a si mesmo e aos outros; são incorporados aspectos de ordem social e sexual do desenvolvimento da pessoa e de seus conflitos pessoais.

As teorias da personalidade são tentativas de formular ou representar aspectos significativos do comportamento dos indivíduos e que a produtividade dessas tentativas deve ser julgada principalmente em termos de quão efetivamente elas servem como um estímulo para a pesquisa. (HALL et al 2000).

Confiança x Desconfiança

No primeiro estágio a criança deve adquirir a habilidade básica de confiança no ambiente a partir da interação com as pessoas significativas que cuidam dela. Assim, se estabelece a primeira relação social do bebê. Desse modo, quando a criança não tem suas necessidades básicas atendidas, poderá desenvolver um comportamento de insegurança, desconfiança e ansiedade, o que indica a formação de alguns traços de personalidade.

Autonomia x Vergonha e Dúvida

Durante o próximo estágio a criança vai aprender habilidades de linguagens, aprender a manipular objetos, ou seja, surge um senso confortável de autonomia. Algumas críticas em excesso direcionadas à criança nessa época podem gerar sentimentos de dúvidas ou vergonha a respeito de si mesmo. Em uma explanação mais completa sobre a vergonha, Erikson ressalta que trata-se, na verdade, de raiva dirigida a si mesmo, já que pretendia fazer algo sem estar exposto aos outros, o que não aconteceu. A vergonha precederia a culpa, sendo esta última derivada da vergonha avaliada pelo superego (Erikson apud RABELLO, 2006).

Iniciativa x Culpa

O terceiro estágio é responsável pelo desenvolvimento do estágio psicossexual genital-locomotor ou a capacidade da iniciativa. Nesse momento, a criança está mais avançada tanto física quanto mentalmente, consegue planejar suas tarefas e pode associar a autonomia e à confiança, a iniciativa, pela expansão intelectual. A relação entre confiança e autonomia, possibilita à criança um sentimento de determinação para a iniciativa. Com a alfabetização e a ampliação de seu círculo de contatos, a criança adquire o crescimento intelectual necessário para apurar sua capacidade de planejamento e realização (Erikson, 1987, p.116)

Diligência x Inferioridade

Nesse estágio, a criança tem a necessidade de controlar a sua fértil imaginação e direcionar sua atenção ao processo da educação formal. Nesse momento, a criança aprende as recompensas da diligência e da perseverança. O interesse pelos seus brinquedos abrem espaço as novas atividades mais produtivas com outros instrumentos. Nessa fase o ego está sensível, dessa forma, se existir um nível de exigência muito alto ou se existirem algumas falhas, a criança poderá desenvolver um nível de inferioridade considerável.

Identidade x Confusão de Identidade

A quinta fase foi reconhecida como a que mais Erikson realizou produções científicas, tendo dedicado um livro completo a questão da crise de identidade. Esse estágio é vivido pelo adolescente como uma busca pela sua identidade, que foi construída pelo seu ego nas fases anteriores.

Esse sentimento de identidade se expressa nas seguintes questões, presentes para o adolescente: sou diferente dos meus pais? O que sou? O que quero ser?. Respondendo a essas questões, o adolescente pretende se encaixar em algum papel na sociedade. Daí vem à questão da escolha vocacional, dos grupos que freqüenta, de suas metas para o futuro, da escolha do par, etc. (RABELLO, et al 2006).

A preocupação do adolescente em encontrar o seu papel na sociedade provoca uma confusão de identidade, afinal, a preocupação com a opinião do outro faz com que o adolescente modifique as sua forma de ser no mundo, remodelando sua personalidade muitas vezes em um período muito curto, seguindo o mesmo ritmo das transformações físicas que acontecem com ele.

Intimidade x Isolamento

No estabelecimento de uma identidade definida, o sujeito estará pronto para unir-se à identidade de outrem. Essa fase é caracterizada por esse momento da união, o que sugere à associação de um ego ao outro. Para que haja uma associação positiva é necessário que o indivíduo tenha construído um ego forte e autônomo, para assim, aceitar o convívio com o outro ego, numa perspectiva mais íntima. Quando isso não acontece, isto é, o sujeito não construiu um ego seguro, a pessoa irá preferir o isolamento, numa tentativa de preservar esse ego.

Generatividade x Estagnação

Essa fase consiste no momento em que o indivíduo se preocupa com o que gerou o que foi gerado. Preocupa-se com a transmissão de valores de pai para filho e sente que sua personalidade foi enriquecida, somada, Dessa forma, acredita-se que seu conhecimento foi repassado e que deixou um pouco de si nos outros. Caso isso não aconteça, o sujeito acredita que toda a sua construção não foi produtiva, uma vez que não terá como dar prosseguimento aos seus projetos.

Integridade x Desespero

Nesse estágio é feita uma reflexão sobre sua vida, sua história, o que fez e o que deixou de fazer. Entretanto, esse movimento retrospectivo pode ser vivenciado de diferentes formas. O indivíduo pode entrar em um período de desespero por acreditar que sua vida chega ao fim e não há mais tempo para realizações e desejos, ou ainda, pode sentir a sensação de dever cumprido e de integridade, repassando com sabedoria o conhecimento adquirido ao longo da vida.

Erikson (1987), faz uma ressalva acerca das crises e de suas conseqüências na construção da personalidade. Em suas palavras,

“uma personalidade saudável domina ativamente seu meio, demonstra possuir uma certa  unidade de personalidade (...). De fato, podemos dizer que a infância se define pela ausência inicial desses critérios e de seu desenvolvimento gradual em passos complexos de crescente diferenciação. Como é, pois, que uma personalidade vital cresce ou, por assim dizer, advém das fases sucessivas da crescente capacidade de adaptação às necessidades da vida – com alguma sobras de entusiasmo vital?” (Erikson, 1987, p. 91)

Erick Versus Freud

Erikson identificou o tributo de Freud para o entendimento do desenvolvimento, mas demarcou-se deste perspectivando o desenvolvimento de uma óptica não patológica. Apercerbendo-se de que persistiu excessivamente no domínio da sexualidade e da sexualidade e das relações familiares. (Luís Rodrigues, 2001: p.273).

A diferença básica entre a teoria psicanalítica de Erick Erikson da Teoria Psicanalítica Clássica de Sigmund Freud reside no fato de que esse teórico adotou uma concepção global do desenvolvimento humano, visto que, para Erikson o desenvolvimento do indivíduo abarca todo o ciclo vital e não é assente em termos psicossexuais, o meio sócio-cultural influencia nesse processo.

Uma das grandes disparidades entre tais teóricos se implica no fato de Erikson ter como base da sua teoria, uma psicologia do Ego e não exatamente uma psicologia do Id ou das pulsões inconscientes. Ao contrário da teoria freudiana, ressaltou que o ego não é um mero gestor, e ego, se configura como uma energia positiva, e está envolvimento num melhor enquadramento da pessoa no mundo.

Considerações Finais

A partir desse trabalho é possível concluir que a perspectiva do desenvolvimento humano eriksoniano situa-se em uma vertente sócio-cultural, baseando nos conflitos do ego e contrapondo-se ao movimento do Id e pulsões inconscientes. Nesse aspecto, entende-se que os estágios psicossociais do desenvolvimento se apresentam como um arcabouço teórico que a psicologia dispõe para explicar os processos do ciclo da vida.

A partir de Erikson o conceito do ego emerge em uma posição ampliada, em que assume novas dimensões, sendo considerado um modelo criativo devido a sua versatilidade para explicar e resolver as diferenças surgidas em cada fase.

Sobre o Autor:

Alex Barbosa Sobreira de Miranda - Departamento de Psicologia. Faculdade de Ciências Médicas. Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Teresina, PI, Brasil, O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Referências:

GERRIG, Richard J.; PHILIP G. Zimbardo;  A psicologia e a vida. Trad. Roberto Cataldo Costa. – 16.ed. – Porto Alegre: Artmed, 2005.

HALL, Calvin.; LINDZEY, Gardner; CAMPBELL, John B. (2000) – Teorias da personalidade. Trad. Maria Adriana Veríssimo Veronese. 4ª Ed. Porto Alegre: Artmed Editora; IBSN 85-7307-655-0.

RABELLO, E.T. e PASSOS, J. S. Erikson e a teoria psicossocial do desenvolvimento.

Disponível em http://www.josesilveira.com

ERIKSON, E. H. Infância e Sociedade. 2ª ed. Rio de Janeiro: Zahar editores, 1987.

RODRIGUES, Luis (2001) – Psicologia. 1º Volume. 2ª Ed. Lisboa: Plátano Editora. ISBN 972-770-109-4.