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Resumo: Este trabalho tem como objetivo realizar uma revisão da literatura sobre comportamento agressivo da criança na escola e sua relação com a violência doméstica. Através da revisão de onze artigos, sendo dois internacionais e obras busco fazer o entendimento desta relação retomando estudos já realizados de diferentes autores. Inicialmente buscou-se a conceitualização de agressividade e de violência doméstica. Foi feito um relato sobre as origens da agressividade na infância, os efeitos das interações familiares agressivas, da punição física e de um padrão parental negligente sobre o desenvolvimento e posteriormente passamos a revisão dos estudos. Identificou-se que o comportamento agressivo da criança é na sua maioria resultado da violência doméstica, tanto na escola como em qualquer outro lugar. O artigo aponta para a necessidade de pesquisas que procurem desenvolver programas de preparação para educadores no manejo com crianças que apresentam comportamento agressivo na escola, uma vez que esta seria o local que a criança teria como amparo.

Palavras-Chave: Comportamento Agressivo de Crianças, Violência Doméstica, Educadores.

Introdução

Segundo Train (1997) e Gaiarsa (1993), a agressividade é parte integrante do desenvolvimento infantil de qualquer criança, sendo necessário para a sobrevivência desde o nascimento. À medida que a criança cresce a agressividade se modifica qualitativamente, deixando de manifestar-se para suprir as necessidades físicas da criança, para surgir como defesa quando esta se sente ameaçada.

A criança torna-se um agente participante nas transações familiares, um ser ativo e reativo pelas influências da família (Graham-Bermann, 1998). A existência de várias experiências da violência interparental evidencia-nos as percepções e interpretações que cada criança elabora, com grandes implicações ao nível do impacto. (Sani & Gonçalves, 2000; Sani 2003).

Os riscos inerentes a exposição podem aumentar ou diminuir, de acordo com as diferenças individuais de cada criança, podendo criar fatores de vulnerabilidade ou de proteção. Os significados elaborados pela criança em torno da violência e as crenças acerca dos relacionamentos com outras pessoas, acerca da família e acerca do seu desenvolvimento do sentido do self somam-se a estas características de nível pessoal (Graham-Bermann, 1998).

Destaque será dado no presente estudo, aos comportamentos agressivos que são indiretamente mais valorizados pelas famílias e escola, constituindo-se muitas vezes, como base dos relacionamentos.

Através dos estudos realizados por diferentes autores buscarei fazer um entendimento sobre o comportamento agressivo da criança na escola e sua relação com a violência doméstica, buscando uma população-alvo na faixa etária que vai dos seis aos doze anos de idade, de forma a promover uma maior compreensão do desenvolvimento infantil e que os profissionais que atuam na área da infância tenham conhecimento dos direitos de proteção da criança e do adolescente, estabelecidos no Brasil, através do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), devendo comunicar a autoridade competente os casos de seu conhecimento envolvendo maus-tratos.

Agressividade

A agressividade é uma defesa    que o sujeito utiliza para resolução de conflitos interpessoais, e é uma questão que tem demandado muitos estudos, provavelmente por expor maior risco para os envolvidos nos possíveis confrontos que enseja. A agressão é uma conduta, que além de episódica, não é facilmente definível, assumindo diferentes formas de manifestação, cuja evolução é também variável, e também, porque está sujeita à influência de variáveis, tanto biológicas como sociais (Leme, 2004).

A agressão pode ser definida como qualquer forma de expressão física ou verbal que acarreta danos físicos ou psicológicos a outros indivíduos (Kaplan, Sadock & Grebb, 1997). Fundamentadas nos estudos de modelo animal sobre agressividade e na Teoria da Aprendizagem Social, a agressão pode ser caracterizada como base na topografia do comportamento manifesto, independente da intenção do agressor ou de uma avaliação moral de seus atos (Tremblay, 2000).

Com ênfase nessa perspectiva, Loeber e Hay (1997) diferenciam agressividade de violência a partir do impacto negativo das condutas violentas sobre as vítimas, porém sem considerar os atributos morais ou a função social dessas ações, principalmente em razão da falta de recursos metodológicos para essas avaliações.

Segundo Bee (1997), Gomide (2000), Chaves, Kelder e Orpinas (2002), dentre outros pesquisadores, deve ser dada atenção à influência de determinadas condições ambientais que propiciam ou não o desenvolvimento de comportamento agressivo. Privação de alimento ou espaço físico, a retirada do afeto, dos cuidados parentais, a dor física ou psicológica, exposição frequente e/ou por longos períodos à agressividade, por meio de filmes jogos interativos (videogame e de computador), são alguns exemplos que podem ser determinantes potenciais de altos índices de agressividade.

Compreensão da Agressividade Através da Psicanálise

Freud (1905) sempre considerou a agressão como uma fonte instintiva e pulsional. A teoria inicial freudiana das pulsões se desenvolveu a partir da descoberta dos impulsos sexuais da infância, caracterizados por um antagonismo entre a pulsão sexual e a pulsão de autoconservação. Mais tarde, Freud (1914/1976) postulou que alguns fatos clínicos não eram passíveis de explicação através desta dualidade, substituindo-a pela dualidade libido de objeto xlibido do ego. O apego libidinal a um objeto e o amor por este eram devolvidos ao ego, tornando-se o objeto amado. O conceito de narcisismo faz com que Freud (1914/1976) repensasse sua Primeira Teoria das Pulsões, uma vez que, ao tomar a si mesmo como objeto de amor, o ego não está em oposição à libido.

 O reconhecimento da existência da agressão e da destrutividade nos seres humanos ocorreu depois da Primeira Guerra Mundial, quando Freud (1920/1976) introduziu, em sua teoria, uma nova dicotomia pulsional: pulsão de vida x pulsão de morte. A partir da repetição compulsiva de vivências desagradáveis, Freud compreendeu que o princípio do prazer não poderia explicar a busca por estas repetidas situações, e com isso, conceituou a existência de uma pulsão de morte. Assim, passou a definir essa pulsão como “um impulso inerente à vida orgânica, que visa restaurar um estado anterior de coisas” (p. 54), considerando, ainda, que o “objetivo de toda a vida é a morte” (p. 56). Ao utilizar a metáfora de território invadido, Freud passa a descrever uma situação psíquica na qual o aparelho psíquico se vê à mercê de forças pulsionais que colocam o sujeito numa situação de repetição do desprazer (Freud, 1920/1976). O conceito de compulsão à repetição é apresentado como uma força própria de um princípio que estaria além do princípio de prazer ao ter como objetivo reproduzir incessantemente situações de desprazer.

A constatação da existência de forças pulsionais que visam à repetição de situações desprazerosas coloca Freud (1920/1976) frente àquilo que será nomeado como estando “Além do princípio do prazer”. A tendência a repetição faz parte de uma propriedade geral das pulsões cuja consequência é transportar o organismo, na sua idêntica reprodução, a um estado anterior. Assim, a origem mitológica das pulsões, a partir de 1920, está no id, e o princípio de prazer perde sua posição hierárquica e os problemas relativos à agressão ficam em primeiro plano. Dessa maneira, o organismo vivente é sustentado por um conjunto pulsional, dividido entre um pólo, que induz a crescer, somar e reproduzir, e outro, que leva a restabelecer um estado anterior (Tomasi, Werlang & Flach, 2012).

As pulsões de morte aparecem segundo Laplanche e Pontalis (1983), na conceitualização freudiana, como um tipo completamente novo de pulsões, que não tinha lugar nas classificações precedentes, sendo elas as “pulsões por excelência, na medida em que nelas se realiza de forma eminente o caráter repetitivo da pulsão” (p. 530). Laplanche (1988) ainda lembra que a pulsão de morte está estreitamente ligada, em Freud, não só à compulsão à repetição, mas também à noção do princípio do zero ou de Nirvana, ou seja, refere-se à ausência de excitação. Destaca, ainda, o autor, que a existência de uma pulsão de morte no nível mais profundo do inconsciente nunca foi, para Freud, incompatível com outras teses que ele sustentava como a ausência de negação, de contradição e de idéia de morte no inconsciente.

Futterman (1969), cuja base teórica em seus escritos consiste precisamente em tomar como fundamento a noção freudiana de pulsão de morte, explica que os componentes da pulsão agressiva mostram a mesma capacidade de fixação e regressão que os da pulsão de vida, sendo claro, para ele, que ambas as pulsões se manifestam durante o período do desenvolvimento por fixação nas zonas oral, anal e fálica, surgindo a fusão destas pulsões na resolução do complexo de Édipo e na formação do superego. Na fusão ideal de ambas as pulsões, os impulsos agressivos são liberados de sua qualidade destrutiva, possibilitando a sublimação das manifestações hostis, de maneira que o indivíduo é capaz de fazer uma contribuição produtiva e positiva no seu processo de vida.

Em seu texto “Mal-Estar na Civilização”, Freud (1930[1929]/1974), ao abordar o processo civilizatório, pontua a inata inclinação humana para a agressividade. Para ele, o impulso agressivo é o derivado e o principal representante da pulsão de morte, e a civilização necessita utilizar reforços, a fim de estabelecer limites para os instintos agressivos do homem, mantendo assim suas manifestações sob controle por formações psíquicas reativas. Neste mesmo texto, Freud ainda afirma que “no sadismo e no masoquismo sempre vimos diante de nós manifestações do instinto destrutivo (dirigidas para fora e para dentro) fortemente mescladas ao erotismo” (p. 142).

A teoria de Melanie Klein está embasada no conceito das relações objetais internalizadas que constitui, na psicanálise, o primeiro desenvolvimento da teoria das relações objetais após Freud (Kernberg, 1989; Hinshelwood, 1992). Em concordância com sua teoria da dualidade das pulsões (1920) – vida e morte -, a suposição teórica de Klein propõe que tanto a pulsão de vida quanto a de morte operam desde o nascimento, e, neste sentido, salienta-se a importância da agressividade inata como uma manifestação da pulsão de morte. Para Klein (1975), então, os impulsos agressivos constituem um elemento radical e básico na psicologia humana e, em certos aspectos desempenham um papel fundamental na luta pela existência.

O sadismo oral é considerado a primeira manifestação da pulsão de morte; isto porque “os desejos canibalísticos são projetados para fora desde o nascimento sob a forma de temores persecutórios vinculados aos primeiros objetos, e são vivenciados como o temor de objetos devoradores, gerando fantasias de um seio mau, devorador, destrutivo” (Kernberg, 1989).

Para Tomasi, Werlang e Flach (2012):

A agressão é um fenômeno que faz parte do cotidiano das pessoas, sendo suas manifestações muitas vezes visíveis e outras vezes não; está associada a aspectos intrínsecos da constituição da personalidade. Tais manifestações podem ser observadas no desenvolvimento saudável de um indivíduo, quando associadas a atividades produtivas que visam ao desenvolvimento; entretanto, esse mesmo potencial pode ter como finalidade um comportamento mal-adaptativo; daí a relação feita com à violência e a capacidade destrutiva das pessoas, às quais a agressão está comumente associada. Nesse sentido, pela inegável relevância e importância desse fenômeno psíquico, pensadores da psicanálise procuraram compreender a origem e o dinamismo da agressão.

Origens da Agressividade na infância

Os psicanalistas Klein(1970) e Winnicott (1939/1987) esclarecem que a existência de impulsos agressivos é inerente à constituição do ser humano. Segundo esses autores, o modo e as razões de a agressividade se destacar no funcionamento psíquico gerando a delinqüência e o comportamento anti-social na vida adulta constitui um processo que se inicia precocemente e está estreitamente ligado ao desenvolvimento infantil.

Para Klein (1970) a criança começa bem cedo a vivenciar os conflitos com suas pulsões destrutivas, já no final do primeiro ano de vida e início do segundo. Trata-se de uma experiência dolorosa, marcada por tensão, angústia, culpa e medo. Quanto menor a capacidade da criança de tolerar estes sentimentos, maior a necessidade de baní-los de seu mundo interno, projetando-os para fora. Com isso, o ambiente passa a representar um perigo em potencial, já que se torna o depositário de sentimentos fortes e destrutivos da criança, despertando-lhe mais angústia. A autora explica que o comportamento anti-social viria aplacar esta angústia, pois as represálias sofridas em função da agressividade confirmariam a fantasia de um mundo perigosamente mau, e as punições também minimizariam a ansiedade e a culpa sentida inconscientemente pelo fato de provocarem sentimentos ruins no mundo externo. Klein (1970) afirma que a capacidade de suportar ansiedade e tolerar sentimentos de culpa, a etapa de desenvolvimento em que fatos traumáticos ocorreram e as histórias de vida constituem os fatores que diferenciam a criança “normal” daquela mais predisposta à personalidade anti-social.

Winnicott (1939/1987) por sua vez, aprofunda as observações kleinianas, salientando a importância do ambiente para permitir a expressão e transformação da agressividade infantil. Partindo do princípio de que a agressividade, no início da vida, não traz consigo a intenção de destruir, o autor enfatiza a função da mãe na criação de condições para que a criança possa tolerar a ansiedade e a culpa proveniente das pulsões destrutivas. Tais condições são possíveis na medida em que a mãe se mostre uma presença confiável, disponível, tolerante e constante, ou seja, como alguém que cuida da criança suprindo-a não apenas de alimentação e conforto, mas também de segurança emocional. Quando, ao contrário, não há condições para a formação de um vínculo seguro e estável com a figura materna, a criança não consegue alcançar uma organização interna madura o suficiente para integrar a própria destrutividade, necessitando cada vez mais da continência ambiental a fim de controlar seus impulsos. 

O efeito das interações familiares agressivas, da punição física e de um padrão parental negligente sobre o desenvolvimento

No campo da Psicologia do Desenvolvimento, o principal foco de investigação dos estudos sobre violência doméstica são as conseqüências negativas da negligência e dos maus- tratos sobre a saúde psicológica de crianças e adolescentes. Desde a década de 1960 os estudos médicos têm contribuído para identificar os casos de violência contra crianças e definir os prejuízos psicológicos associados à conduta agressiva dos pais. Em geral, os modelos teóricos elaborados ressaltam três eixos explicativos: a reprodução de experiências de violência, o desajustamento familiar e psíquico dos pais e a organização macroestrutural da família (Hutz, 2005).

A agressividade não deve ser respondida com agressividade, mas com outro tipo de resposta mais adaptativa, que reflita o entendimento. A empatia e a argumentação lógica e passível de ser compreendida cognitivamente pela criança. É necessário que profissionais estejam cientes desses dados no momento de planificar programas de prevenção e intervenção e, também, sejam tolerantes com essas crianças, considerando características dos contextos nos quais estas se desenvolvem (Koller, 2004).  No caso do contexto escolar faz-se necessário estimular a presença do elemento afetivo e da comunicação mais igualitária, nas relações interpessoais (Lisboa e Koller, 2001).

Crianças que presenciam situações de violência no ambiente doméstico, seja como testemunhas ou vítimas diretas, tendem a desenvolver um repertório de estratégias pequeno e qualitativamente diferente das demais crianças (Hutz, 2005 – p.161).

Azevedo e Guerra (1995) definem a violência doméstica contra a criança como:

Todo ato ou omissão praticado por pais, parentes ou responsáveis contra crianças e/ou adolescentes que sendo capaz de causar dano físico, sexual e/ou psicológico à vítima implica de um lado numa transgressão do poder/dever de proteção de adulto e, de outro, numa coisificação da infância, isto é, numa negação do direito que crianças e adolescentes têm de ser tratados como sujeitos de direitos e pessoas em condição de desenvolvimento. (p. 36).

Souza, Soldatelli e Lopes (1997), investigando o psicodinamismo familiar de crianças agressivas, comprovam os efeitos de privação emocional em meninos com queixa de agressividade no ambiente escolar. As autoras demonstram que estas crianças apresentam-se de forma agressiva na escola com o fim de vivenciar aquilo que seus lares não puderam oferecer: a possibilidade de uma expressão afetiva mais espontânea e o estabelecimento de limites.

Kupfer (1998) analisa aspectos da cultura para afirmar que o professor brasileiro não encontra mais uma rede de sustentação simbólica que lhe assegure o suporte da autoridade no exercício da profissão. Sugere, assim, que a agressividade na escola seja uma reação à falta de limites simbólicos essenciais para o aprendizado e crescimento humano, podendo apresentar-se sob três diferentes naturezas: 1) imaginária dirigida ao professor, na forma de pequenos ataques que o desqualificam, numa agressividade miúda e cotidiana; 2) real, portanto próxima da ação psicótica, em que não há sentido para os atos, a exemplo da depredação pura e simples; e 3) simbólica, no sentido de restaurar a figura da autoridade perdida, como acontece em contextos escolares dirigidos pela lei de traficantes.

O modelo de comportamento que os pais apresentam tem grande influência sobre o desenvolvimento da agressão na criança. A brutalidade na relação entre os pais e seus filhos, ensina às crianças, por meio da observação, o que fazer, assim concluem que bater é apropriado e poderoso. A rejeição parental, a negligência, a disciplina rígida e a crueldade contra outros da família também estão ligadas à agressividade dos filhos (Bazi, 2003).

Revisão de Literatura Quanto aos Estudos Já Realizados

A revisão de literatura foi realizada primeiro com a busca de artigos que tratassem de comportamento agressivo em crianças na escola e depois foi feita uma busca com violência doméstica, que é a temática aqui investigada. Foram utilizados 11 artigos científicos aqui revisados e obras.

Em estudo publicado sobre Crianças Expostas à Violência Conjugal: Avaliação do Desempenho Acadêmico, de Brancalhone, Fogo e Williams (2004) temos que o comportamento agressivo está presente na criança que presencia episódios agressivos dos pais, mas não impede que tenha um bom desempenho acadêmico, se tiver no professor expectativas positivas em relação à ela. O trabalho avaliou o desempenho acadêmico de 30 crianças, com idade entre 7 a 11 anos de idade, de ambos os sexos, sendo 15 crianças expostas à violência conjugal e 15 crianças não expostas à violência.

A tese de doutorado apresentada por Carolina Saraiva de Macedo Lisboa, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2005, que leva o título Comportamento Agressivo, Vitimização e Relações de Amizade de Crianças em Idade Escolar: Fatores de Risco e Proteção temos que as escolas exercem um papel fundamental de acolhimento e proteção para um desenvolvimento saudável em crianças com comportamento agressivo. Estudos existentes confirmam que relações de amizade servem de proteção ao desenvolvimento. A agressividade, neste estudo foi identificada como comportamento de risco e como anúncio da vitimização relacionada à baixa qualidade da amizade recebida, ausência de compartilhamento na amizade e não associado a comportamentos pró-sociais. Ficou aqui entendido que não existe diferença entre gêneros, como alguns professores apontam que meninos são mais agressivos que meninas, o que ficou evidenciado neste estudo é que os meninos externalizam mais os comportamentos que as meninas e estas pelo processo relacional, possuem mais amizades recíprocas e estão satisfeitas, o que muitas vezes mascara o comportamento.

Foi realizado em 2004 um estudo sobre O Comportamento Agressivo de Crianças do Sexo Masculino na Escola e Sua Relação Com a Violência Doméstica, por Maldonado e Williams, onde 28 crianças do sexo masculino, de 7 a 11 anos de idade e suas mães participaram. Foram estabelecidos os seguintes critérios nesta pesquisa; crianças do sexo masculino, família composta por figura materna e paterna no lar e que o casal deveria ter pelo menos um ano de união. Foram divididas em dois grupos, 14 crianças que apresentavam comportamento agressivo e 14 que não apresentavam este comportamento. Após o levantamento dos dados constataram que a violência familiar aparecia em ambos os grupos, bem como a de punição corporal foram iguais. O que foi levantado é que as crianças que não apresentavam comportamento agressivo foram expostas a níveis menores de violência e tinham, fatores de proteção, como a capacidade de resiliência, como mediador da violência a que a criança estava sujeita.

No artigo Violência familiar e comportamento agressivo e transgressor na infância: uma revisão da literatura , de Renata Pesce (2008) foi levantado que a violência conjugal é um fator de maus tratos familiar que podem gerar na criança comportamento agressivo e transgressão. Os comportamentos agressivos em crianças tendem a manter-se ao longo do tempo e de forma cada vez mais acentuada. A família é essencial na construção do sujeito, sendo os problemas de comportamento externalizantes um dos prováveis agravos para crianças e jovens expostos a conflitos familiares inadequados.

Para corroborar os estudos brasileiros levantados temos o artigo publicado na Revista Portuguesa de Educação, 2005, da Universidade de Minho, Portugal, onde estudos realizados por Martins (2005), confirmam a idéia de que violência gera violência, na medida em que conviver com a violência aumenta o risco de o sujeito vir a exercer o mesmo padrão de comportamento, principalmente na infância e adolescência, onde a exposição à vulnerabilidade é maior.

No estudo de Sani (2007), publicado pela Revista da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, de Porto, que tem como tema “As crenças das crianças sobre a violência e as percepções sobre os conflitos interparentais”, constatou-se que os fatores de natureza sociocultural eram os mais facilmente assumidos pelas crianças com experiência de exposição à violência como fundamentando a violência interpessoal. Entendo que neste estudo ficou evidenciado que àquelas crianças que são expostas a situações de violência tem uma percepção diferente de violência, podendo na maioria dos casos ser distorcida, diferente daquela criança que não foi exposta a esta situação de risco.  O resultado sugere que as crianças expostas à violência têm em geral percepções mais negativas sobre os conflitos interparentais, apresentam também uma maior percepção de ameaça face a tais situações.

Em estudos realizados por Dessen e Szelbracikowski (2004) onde o objetivo era descrever tipos de famílias de crianças com comportamento exteriorizados, destacando o perfil cognitivo das crianças, o estresse parental e a qualidade das relações familiares temos que as crianças em idade pré-escolar tendem a repetir comportamentos de irmãos mais velhos e estas crianças não são percebidas por seus pais com comportamento agressivo, que a criança também pode aprender comportamentos agressivos na escola e no convívio com pares agressivos, e que genitores/padrastos de famílias de classe social baixa tendem a empregar práticas punitivas físicas e verbais que podem estimular a manifestação de comportamentos agressivos pela criança.

O objetivo do estudo de Rios e Williams (2007) foi investigar sobre trabalho com famílias visando à prevenção de problemas de comportamento infantil. No seu levantamento temos que sem um programa de intervenção precoce, os problemas de comportamento em crianças podem se cristalizar a partir dos 8 anos de idade, iniciando uma trajetória de problemas acadêmicos, evasão escolar, abuso de substâncias, transtornos de conduta e violência. E que o índice, de problemas de comportamento em crianças de famílias de baixa renda, chega a 35%.  Williams (2006) desenvolveu um programa que surge como um trabalho de prevenção primária promissor na área e tem o nome de Projeto Parceria. Foi desenvolvido com o apoio do CNPq e seu objetivo é desenvolver e avaliar um programa de intervenção voltado às mães vítimas de violência pelo parceiro, de forma a prevenir problemas de comportamento em seus filhos.

Os estudos realizados por Joly, Dias e Marini (2008) objetivou identificar a percepção de crianças do ensino fundamental acerca da agressividade na família e na escola. Neste estudo foi apontado que os meninos apresentam mais comportamentos agressivos que meninas, que a agressividade familiar apresentou-se maior que a escolar. Identificou-se neste estudo que a criança que tem situações de agressividade na família tende a desenvolvê-la em outros ambientes.

No artigo de Maia e Williams(2005), que trata dos fatores de risco e fatores de proteção ao desenvolvimento infantil, temos que existe pouca literatura acerca dos fatores proteção no desenvolvimento infantil e da necessidade de evoluirmos neste item, visando promover a resiliência. A violência doméstica é o fator que mais estimula crianças e adolescentes a viverem nas ruas.

Em tempos difíceis, a compreensão e a construção de forças e virtudes, como: valores, perspectivas, integridade torna-se mais urgente. Neste sentido, as forças e virtudes funcionam como pára-choque contra o infortúnio e desordens psicológicas, e podem ser a chave para a construção da resiliência (Seligman, 2002).

Em estudo realizado por Picado e Rose (2009), no artigo que leva o título “Acompanhamento de pré-escolares agressivos: adaptação na escola e relação professor-aluno”, fica evidenciado a importância do desenvolvimento de estudos de acompanhamento da adaptação de alunos de risco ao contexto pré-escolar bem como de ampliar esse acompanhamento para os níveis de ensino posteriores. A maioria das crianças estudadas está exposta a fatores de risco e parece não apresentar rede protetora suficiente para minimizar esses efeitos. A verificação de que uma parcela dos alunos já entra no ensino fundamental apresentando acentuadas dificuldades comportamentais e insuficiente domínio dos pré-requisitos acadêmicos está de acordo com os resultados da literatura a respeito do desenvolvimento e do difícil manejo desses comportamentos (Gomide, 2001, 2003; Marinho, 2003; paterson ET AL., 2002; paterson ET AL., 1989). Este estudo procurou destacar a importância do professor como agente participante na prevenção e na diminuição desses problemas e descrever características favoráveis da relação que podem beneficiar o aluno.

No livro Violência e risco na infância e adolescência: pesquisa e intervenção, de Claudio Simon Hutz, (Org) (2005),  no título que trata de Crianças na Idade Escolar, o autor relata que a criança nesta idade tem maior capacidade de autonomia, porque fica fora do campo doméstico e tem relação com outros adultos e crianças e está exposta a duas forças socializantes, a escola e as relações sociais com outros adultos e crianças. Em termos de maturação, a criança entre seis e doze anos tem uma maior capacidade de explorar o mundo devido a expansão da sua autonomia, baseada na condição de uma habilidade de reconhecer suas necessidades internas – pensamentos e compreender o estado interno dos outros.

Segundo Osofsky (1999), crianças que foram expostas à violência familiar apresentam sintomas internalizantes – agressividade, delinqüência. As crianças deste grupo também manifestam dificuldades no sono, agitação, jogo prejudicado e muitas queixas somáticas. A adaptação à escola, o baixo desempenho escolar e relacionamentos com colegas também são situações de dificuldades para a criança provenientes de um ambiente violento, Stiles(2002). Crianças expostas a violência doméstica tem dificuldades comportamentais em ambientes sociais, sentimentos ambivalentes em relação aos pais, que levam a dificuldades na vida posterior em estabelecer relacionamentos em função de questões relativas ao estabelecimento  de intimidade, controle da agressão e expressão de afetos amorosos, Osofsky(2003). Observou-se, também, que crianças, especialmente meninas, expostas à violência doméstica adotavam comportamentos de enfrentamento agressivo dos colegas na escola - “bullying” , com muito maior freqüência, Baldry(2003).

Na obra espanhola de Sylvie Bourcier, La Agresividad en niños de 0 a 6 años: Energía vital o desórdenes de comportamiento? (2012), quando a autora escreve sobre controlar a agressividade das crianças, o faz não no sentido de transformá-los em conformistas, mas sim de canalizar as suas energias brutas transformando-as em criatividade. Seu relato sobre família traz que esta é o motor do processo de socialização. É ela que é responsável pela representação dos valores como responsabilidade, respeito, generosidade, dentro dos seus lares.  As crianças que não tem dentro de sua família essas representações, que são sozinhos, não tem referências e nem afeto tendem a procurar outros iguais pela necessidade de formar grupos, pois tem dentro de si sentimentos de abandono, raiva e tristeza. Para que construa uma personalidade flexível faz-se necessário uma presença ativa e afetuosa da família, da escola, ter disciplina e diálogo que exige tempo e paciência. A criança que tem um olhar positivo sobre si mesma tende a ter maior aceitação pelos demais. A autora relata estar convencida da importância das relações positivas entre as pessoas e do total investimento na prevenção precoce de comportamentos agressivos. Ensinando as crianças a viverem juntas com a família, na escola e em outros ambientes as ajudaremos a ser cidadãos responsáveis.

Considerações Finais

Está evidente em todos os estudos que a violência doméstica é um dos fatores mais relevantes no comportamento agressivo da criança, não só na escola como em qualquer lugar, porém em alguns estudos foi evidenciado também o comportamento agressivo em crianças na escola devido à reprodução de comportamento de seus pares, mesmo não tendo sofrido violência doméstica. Teve-se em menor número estudos apontando que em gênero existe a igualdade de comportamento agressivo, mas que as meninas tendem a ter mais resiliência que os meninos devido a sua relação de amizade com pares do mesmo sexo. Em maior quantidade, nos demais estudos listados constatou-se que os meninos tendem a ter o comportamento mais agressivo que as meninas.

Registro que a violência doméstica que foi tratada nos diferentes estudos não se limita a punição física, mas àquela em que a criança presencia a mãe sendo agredida por seu parceiro, a violência que é psicológica e também verbal, a violência entre irmãos e o abuso sexual.

Sugiro que os educadores devam ser mais bem preparados para trabalhar com crianças que sofrem a violência doméstica, pois poderiam ser um porto seguro, mesmo que transitoriamente a solução para o desamparo de muitas crianças, principalmente àquelas em situação de vulnerabilidade social, que são as mais atingidas pela violência, o abandono e a negligência.

É importante analisar o lugar da educação formal, isto é, aquela exercida pelos equipamentos educacionais institucionalizados na formação dos sujeitos e, portanto, no manejo da violência. A dinâmica das relações interpessoais, que são vivências coletivas dentro da escola é que vão propiciar ao sujeito desenvolver a percepção de si mesmo, dos seus parceiros, suas afinidades, ter disciplina, horários, limites, realizar tarefas e ter hábitos de estudo propiciando a construção de sua auto-imagem e identidade de sujeito social.

 Creio na importância de serem desenvolvidas pesquisas sobre o desenvolvimento de crianças com comportamento agressivo na escola, dando continuidade neste estudo, pois precisamos identificar de que forma esse comportamento se cristaliza, para podermos então orientar os educadores no manejo com esse aluno.

Sobre o Artigo:

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Psicologia da ULBRA Gravataí.

Sobre o Autor:

Eliane Barbara Krticka - Acadêmica de Psicologia da ULBRA Gravataí.

Referências

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