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Há um grande questionamento sobre a percepção que temos do mundo: O mundo existe por que percebemos ou percebemos o mundo que existe? Os neurocientistas acreditam que percebemos apenas uma parte do mundo ao nosso redor e que seria impossível captarmos todos os eventos existentes e que acontecem ao mesmo tempo.

Cada pessoa percebe o mundo ao seu redor de maneira diferente. Isso se dá porque além dos neurônios serem ligeiramente diferentes, nosso genoma é distinto e nós somos submetidos a diferentes experiências. A experiência prévia é importante para a acuidade de nossos sentidos. A mesma pessoa pode ter diferentes percepções de uma mesma coisa, dependendo de seu estado fisiológico (pessoas que fazem uso de álcool ou drogas) e psicológico (pessoas que estão em estado depressivo, maníaco, psicose entre outros).

Precisamos fazer um diferencial entre percepção e sensação. A sensação é a capacidade de codificar certos aspectos da energia física e química que nos circunda, representando-os como impulsos nervosos capazes de serem compreendidos pelos neurônios, ou seja, é a recepção de estímulos do meio externo captado por algum dos nossos cinco sentidos: visual, auditiva, tátil, olfativa e gustativa. A sensação permite a existência desses sentidos.

Já a percepção é a capacidade de interpretar essa sensação, associando informações sensoriais a nossa memória e cognição, de modo a formar conceitos sobre o mundo e sobre nós mesmos e orientar nosso comportamento. Por exemplo, um som é captado pela nossa sensação auditiva, mas identificar se esse som é uma voz humana, uma buzina ou um barulho de algo quebrando, fica a cargo da nossa percepção auditiva. Da mesma forma, quando eu vejo um objeto captado pela minha sensação visual, a percepção visual vai interpretar e associar aquela imagem a um conceito, onde eu posso estar vendo um sofá, um rádio ou mesmo um animal de estimação.

Então, a percepção é diferente da sensação. A percepção possui ainda uma característica chamada constância perceptual. Para os nossos sentidos, cada posição do objeto (perto, longe, claro, escuro) produz uma imagem visual diferente, mas para a percepção trata-se do mesmo objeto. A percepção é apenas uma consequência da nossa sensação e nem sempre está inteiramente disponível a nossa consciência, pois é filtrada pelo mecanismo da atenção, sono e emoção.

A percepção está ligada aos nossos cinco sentidos e ainda temos a percepção temporal, espacial e propriocepção.

Percepção visual: uma das percepções mais desenvolvidas nos seres humanos e é caracterizada pela recepção de raios luminosos pelo sistema visual. O princípio do fechamento (Gestalt) é melhor compreendido em relação a imagens do que a outras formas de percepção. A percepção visual compreende a percepção de formas, relações espaciais (profundidade), cores, movimentos, intensidade luminosa.

Percepção auditiva: também considerada uma das percepções mais desenvolvida nos seres humanos. É a percepção de sons pelos ouvidos e uma aplicação particularmente importante da percepção auditiva é a música. A percepção auditiva compreende: percepção de timbres, alturas ou freqüências, intensidade sonora ou volume, ritmo e localização auditiva, sendo um aspecto associado a percepção espacial que permite distinguir o local de origem do som.

Percepção gustativa: importante para nossa sobrevivência, evitado que ingerimos alimentos estragados. O paladar é o sentido dos sabores pela língua, sendo o principal fator dessa modalidade de percepção a discriminação dos sabores doce, amargo, azedo e salgado.

Percepção olfativa: importante na afetividade (memória olfativa) e também na nossa alimentação. O olfato é a percepção de odores pelo nosso nariz. A percepção olfativa engloba a discriminação de odores, o que diferencia um odor do outros e o efeito de sua combinação. O alcance olfativo nos seres humanos é limitado.

Percepção tátil: também importante na afetividade e é sentido pela pele do corpo todo, embora sua distribuição não seja uniforme. Os dedos da mão possuem uma discriminação muito maior do que as demais partes, assim como algumas áreas são mais sensíveis ao calor que outras. A percepção tátil permite reconhecer a presença, a forma e o tamanho dos objetos em contato com o corpo, bem como sua temperatura. Importante também na percepção da dor.

Percepção temporal: Não existem órgãos específicos para a percepção de tempo e esbarra no próprio conceito da natureza do tempo. Essa percepção é desenvolvida com as próprias experiências e é adquirida com o passar das idades. Por este motivo, crianças pequenas não dominam esta percepção e por vezes, ficam confusas com questões do tempo (ontem, amanhã, daqui a dois dias, no próximo final de semana). Isso explica o porquê das crianças terem a sensação de que o tempo demora muito a passar.

Percepção espacial: Também não possuímos órgãos específicos para esta percepção. Envolve a percepção de distância e do tamanho relativo dos objetos. Utiliza-se de outras percepções como a auditiva, a visual e a temporal. Esta percepção nos permite distinguir se um som procede especificamente de um objeto visto e se esse objeto (ou som) está se aproximando ou se afastando. Por exemplo, sabemos exatamente se um carro de som está passando pela nossa casa e seguindo a rua, ou se está subindo a rua e ainda passará pela nossa casa.

Percepção Propriocepção: Esta é uma percepção específica dos seres humanos, onde nos permite reconhecer a localização espacial do nosso corpo, sua posição e a orientação, sem utilizar a visão. Está ligada ao sistema vestibular do nosso ouvido interno, permitindo a manutenção do equilíbrio e a realização de diversas atividades práticas. Podemos correr e nos desviar de objetos pelo caminho sem perder o equilíbrio. Podemos saber se uma roupa vai nos vestir, só em olhar suas medidas. Sabemos que podemos passar por um lugar apertado ou baixo sem ao menos estarmos perto, isso nos permite desviar, abaixar ou procurar outro caminho.

As Desordens Da Percepção

As desordens da percepção são chamadas agnosias, termo derivado do grego gnosis, que significa conhecimento. Este termo foi cunhado pela Psicanálise por Sigmund Freud. As agnosias, geralmente, são causadas por lesões no córtex cerebral e dependem da região lesionada. São exemplos de Agnosias:

  1. Prosopagnosia – agnosia visual, incapacidade de reconhecer faces.
  2. Amusia – agnosia auditiva, incapacidade de reconhecer sons musicais.
  3. Afasia receptiva – ou agnosia verbal, cujo portador deixa de compreender a fala emitida por seus interlocutores.
  4. Assomatognosia ou Síndrome da indiferença – agnosia somestésica, incapacidade de reconhecer partes do seu corpo ou mesmo regiões inteiras do espaço extracorporal.
  5. Acinetópsia – perda da percepção de movimento. O movimento das coisas e pessoas parece fragmentado, como num filme com defeito.
  6. Acromatópsia – incapacidade de perceber cores.

Sobre o Autor:

Autora: Michelle de Sousa Fontes Martins
Formação acadêmica: Psicóloga com especialização em Neuropsicologia
Mestranda do Programa de Pos Graduação em Saúde Materno-Infantil
Professora da Faculdade Pitágoras São Luís
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