Avalie este Artigo:

Resumo: Este artigo sugere uma reflexão teórica acerca da interação social como mudança de cenário na sociedade de risco. Conforme os teóricos Jodelet (1986) e Moscovici (1978), Vala (1993), Durkheim (1986), Bhaskar (1996), Rouanet (1996), Perrusi (1995), Alexander (1987), Motta P.R. (2001), Maffesoli (1985), Marx (1963), Beck (1999, 2000), Giddens (1994, 1997) e Barbero (2006) as representações do saber cotidiano são particularizações sobre comportamentos, formando a consciência social. Os fatos sociais envolvem o poder no comportamento dos membros da sociedade, pela socialização e internalização de valores, na formação social, numa constituição e elaboração psicológica e social da realidade nos processos de interação e mudança social, em intervenção social como projeção concreta cultural. Segundo os autores, o prazer, a consciência e o medo, estão relacionados a mudanças de valores, tomadas de decisão pessoais ou coletivas, que carecem de “filtragem” na imagem, idéia, discurso, prática criativa e no trabalho, como possível realização pessoal. Fisk J. (1990), Mattelart, A. & Mattelart, M. (1999), Beltran (1981), Simon (1979) e Robbins (2000), Goffman (apud Wolf, 2002), Santaella (1983), Penteado (1993), Berger e Luckmann (1985), Charlot (2000), Sarti (1996, 1999), Chaves, Cabral, Ramos, Lordelo & Mascarenhas (2002), Oliveira & Bastos (2000), Cole M. e Cole S. (2004) e Devries et al. (2004), Ferreira & Marturano (2002) e Lipovetsky (1989) buscam compreender a produção e elaboração de significados, multiplicidades de sentidos, num processo de interação e entendimento entre sociedade e indivíduos aonde a linguagem, significações simbólicas, processos de significação, ocorrem numa construção de significados no processo de interação social e de desenvolvimento das potencialidades, marcando a vida de cada indivíduo, aonde traduzem o mundo social, como novas formas de coexistência; a socialização envolve diversidade de interações pessoais, permite a construção de repertórios para lidar com adversidades e problemas surgidos, possibilitando direitos a serem socialmente reconhecidos, mediante superação de dificuldades. Wagner, Halpern & Bornholdt (1999), Piaget (1987), Szymanski (2001), Kreppner (2000), Médici (1961), Petzold (1996), Kancyper (1999), Campos (2000), Weiner (2000), Exner (2003), Vygotsky (2001, 2003), Bom Sucesso (2000) afirmam que as mudanças envolvem assimilação de esquemas de nuances distintos, interações e contextos diversificados, aonde a família é o sistema social responsável pela transmissão de valores, crenças, idéias e significados presentes nas sociedades, possuindo um impacto significativo e uma forte influência no comportamento dos indivíduos que aprendem as diferentes formas de existir, de ver o mundo e construir suas relações sociais pela construção dos laços afetivos; segundo os autores, as reações emocionais exercem uma influência essencial e absoluta em todas as formas de comportamento, onde o afeto é um ingrediente necessário para se sentir seguro e protegido, necessitando-se de estabelecer relações positivas no sistema familiar, sendo necessário preservar a individualidade dos membros e concomitantemente, o sentimento coletivo; os estados afetivos interferem na cognição, mutuamente, embora sejam de natureza distinta e indissociáveis; dessa forma o aprendizado gerado em qualquer situação por vivências, embora não se possa prever externamente situações de risco, confronta em relação aos riscos  sociais, como  os fatos sociais são passíveis de coerção social e assim, a interação social pelo aprendizado afetivo gera mudanças de cenário a nível individual e coletivo na sociedade aonde haja risco de haver inconsciência social e medo  individual.

Palavras-chave: interação, comunicação, afeto.

1. Introdução

Desde há muito tempo, com o uso de símbolos, sinais, fala, linguagem e escrita, a humanidade teve uma necessidade crescente de comunicar, compreender, controlar, propagar crenças e vínculos, procurando significar mudanças sociais, num processo de modelagem que reflete as expectativas ou mudanças sociais.

As mudanças ocorrem em meio a representações sociais, que segundo Jodelet (1986) e Moscovici (1978), são formas de conhecer o mundo, agrupando conjuntos de significados que dão novos sentidos, a um saber compartilhado, generalizado e funcional para as pessoas, chamado de senso comum ou explicações do cotidiano.

As representações são modalidades particularizadas sobre comportamentos e a comunicação entre indivíduos; essas representações, segundo Vala (1993), alimentam teorias científicas, eixos culturais, ideologias formalizadas, experiências e comunicações cotidianas, como que formando uma consciência social, na qual Beck (1999, 2000) afirma que apesar da sociedade denotar riscos ou carências, impossíveis de prever externamente as situações de perigo, ela confronta consigo mesma em relação aos riscos sociais, como fatos sociais passíveis de coerção social. Barbero (2006) afirma que a revolução tecnológica introduz em nossa sociedade um novo modo de relação entre os processos simbólicos – que constituem o cultural – e as formas de produção e distribuição dos bens e serviços: um novo modo de produzir, confusamente associado a um novo modo de comunicar.

2. A Realidade e a Representação do Risco Social

Durkheim (1986), afirma que os “fatos sociais exteriores e anteriores aos indivíduos” exercem poder coercitivo na existência concreta da materialidade manifesta no comportamento dos membros da sociedade, por meio da socialização e internalização de valores, na formação social, originando mecanismos de controle social.

Bhaskar (1996) vai além da realidade, estendendo a produção, exteriorização e constituição dessa consciência individual ou coletiva, envolvendo idéias, paixões e interesses sobre coisas existentes no espaço/tempo, tratando de investigar a atividade humana, do ponto científico e social, denominado de realidade, que Rouanet (1996) trata como uma falsa consciência porque na representação social, se materializa acima dos ideais; os cientistas de diversas áreas afins, tentam entender o fenômeno psíquico, social, individual e coletivo.

Perrusi (1995), fala sobre o desenvolvimento do pensamento social, as divergências teóricas geradas que acabam constituindo as ciências sociais, conforme cita Alexander (1987). Comparando as teorias de Moscovici e Durkheim, afirma Perrusi (1995) que Moscovici apropriou-se do conceito de Durkheim: O significado de senso comum evoluiu para um conceito mais abrangente envolvendo aspectos sociais e psicológicos, fazendo surgir a necessidade de uma consistente e acentuada cognição sobre a necessidade de delimitar o campo de ação do cotidiano.

Para Moscovici, (1978), o senso comum é formado por imagens e símbolos, cuja realidade é dominada pelo “porquê” (em vez do “como”), gerando uma pluralidade de pensamentos naturais espontâneos, contextuais e sociais que dispersam a informação, que induzem a personificação e figuração de imagens. O conceito social de Moscovici é, portanto, diferente do conceito coletivo de Durkheim, ao designar uma dinâmica bilateral no processo de constituição, elaboração e partilha da forma de conhecimento social, inserida numa realidade psicológica, afetiva e semelhante ao comportamento individual. Isso denota que o senso comum passa a interagir com a socialização. Jodelet (1986) defende que as representações são medidas sociais da realidade, produto e processo de uma atividade de elaboração psicológica e social dessa realidade nos processos de interação e mudança social, envolvendo ideologias, simbolismos, atitudes e condutas comportamentais que influem nessas questões.

Motta (2001) afirma que as mudanças fazem parte da própria humanidade: o homem vive em constantes mutações e em cada mudança ele passa por transformações que lhe conferem nova valorização, novo sentido, novas maneiras de pensar e de agir / interagir com o mundo e com os outros. Os fatos, as idéias, os fenômenos podem se alterar tanto de forma gradual e imperceptível quanto global e estrondosa, fazendo com que a grande preocupação atual seja a possibilidade do ser humano gerenciar o processo de mudança através da intervenção social. Concorda Michel Maffesoli (1985),afirmando que o cotidiano é um estilo mais abrangente das relações sociais em seu conjunto como projeção concreta de todas as atitudes emocionais, maneiras de pensar e agir, de todas as relações com o outro, pelas quais se define uma cultura.

Marx (1963) defende a idéia de que o produto de alguém está relacionado com a individualidade, envolvendo na vida, o prazer individual de sua capacidade e de estar satisfeito de usufruir com consciência de ter mediante o trabalho, atendido as necessidades de outrem. Contudo, Beck (1999, 2000) afirma que existe uma mudança nos cenários sociais que favorece à “desregulamentação” do social em detrimento de um novo modelo de sociedade: a sociedade do medo, como grande mercadoria para ser exibida no cotidiano. Giddens (1994, 1997) afirma que a crise da modernidade está relacionada, sobretudo, a uma mudança de valores no momento de tomadas de decisão, pessoais ou coletivas, aonde os fundamentalismos constituem uma ameaça ao diálogo, como potencial ou cultura de violência. Giddens acredita que o indivíduo deve selecionar e agir na vida cotidiana num processo de “filtragem”, cuja essência contrasta com o conceito de Durkheim sobre a possibilidade do conhecimento se dar sobre uma realidade social independente, já que, nessa prática, o indivíduo influencia a própria realidade, defendendo uma reflexão social associada a uma autonomia individual pela comunicação, como um processo que viabiliza a troca de mensagens entre pessoas, sendo cada vez mais utilizada nas relações sociais humanas modernas.

Dessa forma, podemos supor que as diversas relações têm várias formas de interação com os diversos grupos sociais, onde, entre relação e interação existe o envolvimento, que gera uma imagem como idéia do discurso e prática, cuja criatividade se insere na realização do interesse do trabalho, como uma forma de buscar a realização.

3. O Papel da Comunicação Mudança de Cenário Social

Fisk J. (1990) analisa a tentativa de aproximação das ciências sociais, da psicologia e da sociologia com o objetivo de compreender os atos da comunicação e a semiótica para compreender a produção e elaboração e produção de significados, pois defende que a mensagem é uma construção de signos que, pela interação com os receptores, produzem significados. Segundo Mattelart, A. & Mattelart, M. (1999), a noção de comunicação recobre uma multiplicidade de sentidos com a proliferação das tecnologias. Beltran (1981) propõe um modelo de comunicação comunitária, num processo de interação social deomcrático baseado no intercâmbio de símbolos livres. Conforme Simon (1979) e Robbins (2000), o objetivo da comunicação é promover o entendimento entre os componentes de um grupo, permitindo que um determinado pensamento consiga, por meio de estímulo adequado ao ser compartilhado, produzir a ação desejada no receptor, alcançando os resultados desejados. Envolvendo a questão mental com ação, Goffman (apud Wolf, 2002), sociedade, indivíduo e mente são três entidades indissociáveis, que compõem o ato social, caracterizado como interacionismo simbólico. Santaella (1983), opina sobre o fato de que toda forma de linguagem, traz a identificação do ato comunicativo enquanto processo de significação, e não apenas como um fenômeno transmissivo.

Penteado (1993), concordando com Fisk, na questão da simbologia, analisando que comunicação é o intercâmbio compreensivo de significações através de símbolos, considera uma exigência de significação, de que toda comunicação humana torna-se um ato inteligente, que depende da acuidade com que a mensagem é interpretada, com igual significado, pelo emissor e pelo receptor. Berger e Luckmann (1985) concordando com Penteado e com Fisk, na questão da simbolização, defendem que é possível afirmar que os processos simbólicos são processos de significação, numa construção de significados como decorrência do processo de interação social.

Analisando esse processo de construção de relação social, Charlot (2000) adverte que o ser que é igual a todos como espécie, igual a alguns como parte de um determinado grupo social e diferente de todos como um ser singular, não sendo um mero dado, mas uma construção, um processo de desenvolvimento das potencialidades que o caracterizam como espécie, cuja essência originária do indivíduo humano não está dentro dele, mas sim fora, nas relações sociais, sua natureza social. Sarti (1996, 1999) afirma que as relações que estabelecem, a qualidade das trocas, os conflitos, os arranjos existentes para garantir a sobrevivência e os valores predominantes são dimensões que marcam a vida de cada um, constituindo um filtro por meio do qual traduzem o mundo social, concordando com Giddens sobre o processo de “filtragem”. Sobre esta busca de satisfação plena de realização de seus objetivos, Chaves, Cabral, Ramos, Lordelo & Mascarenhas (2002) falam que os membros de famílias contemporâneas têm se deparado e adaptado às novas formas de coexistência oriundas das mudanças nas sociedades, isto é, do conflito entre os valores antigos e o estabelecimento de novas relações, aonde Oliveira & Bastos (2000) complementam essa idéia, afirmando que os laços afetivos asseguram o apoio psicológico e social entre os membros familiares, ajudando no enfrentamento do estresse provocado por dificuldades do cotidiano. Cole M. e Cole S. (2004) e Devries et al. (2004) defendem que o fenômeno da “socialização”, tradicionalmente definido como “aprender a conviver com as pessoas”, envolvem processos na dinâmica da “socialização” consistem em processos básicos que abrangem o desenvolvimento integral da pessoa no contexto das práticas diárias de interação social.

Ferreira & Marturano (2002) consideram que as redes de apoio, constituídas pela diversidade de interações entre as pessoas, permitem a construção de repertórios para lidar com as adversidades e problemas surgidos, possibilitando sua superação com sucesso.

Concordando com Giddens, na questão da valorização do indivíduo, Lipovetsky (1989) afirma que o que importa é que o indivíduo seja ele próprio, e tudo e todos tenham direito a serem socialmente reconhecidos.

Dessa forma, no relacionamento entre indivíduos, influenciar a vida de outro, envolve a busca de informações pelo processo de comunicação, na transmissão do saber, envolvendo superação de dificuldades, aonde a experiência social constrói um exemplo, que pode demonstrar o crescimento, como por exemplo, o familiar, na relação social.

4. O Aprendizado e a Interação Social

Wagner, Halpern & Bornholdt (1999) afirmam que os padrões familiares vão se transformando e reabsorvendo as mudanças psicológicas, sociais, políticas, econômicas e culturais, o que requer adaptações e acomodações às realidades enfrentadas para se aprender desde cedo a administrar e resolver os conflitos, a controlar as emoções, a expressar os diferentes sentimentos que constituem as relações interpessoais, a lidar com as diversidades e adversidades da vida. Para Piaget (1987) esta adaptação é feita por assimilação de esquemas e por acomodação desses esquemas em novas estruturas mentais no processo de aprendizagem, aonde se assimila o que possui uma base de conhecimentos suficientes anteriores.

Tomando por exemplo a escola e a família, Szymanski (2001) afirma que a ação apresenta nuances distintos quanto aos objetivos, conteúdos, métodos e questões interligadas à afetividade, bem como quanto às interações e contextos diversificados. De acordo com Kreppner (2000), concordando com Berger e Luckmann na questão das redes de interações, as famílias asseguram a continuidade biológica, as tradições, os modelos de vida, além dos significados culturais que são atualizados e resgatados, cronologicamente; a família é como um sistema social responsável pela transmissão de valores, crenças, idéias e significados presentes nas sociedades, possuindo um impacto significativo e uma forte influência no comportamento dos indivíduos que aprendem as diferentes formas de existir, de ver o mundo e construir as suas relações sociais.

Médici (1961) que disse que todo o progresso psicológico se realiza através das relações com outrem, principalmente os pais. De acordo com a concepção proposta por Petzold (1996), a combinação derivada do microssistema tem como base as relações diádicas, isto é, como os genitores interagem, com destaque para o grau de intimidade. Concordando em parte com Durkheim, Kancyper (1999) afirma que existe uma ordem simbólica, lógica que precede o nascimento cronológico. Esta ordem é o lugar individual que estará determinado em relação com o sistema da situação do meio familiar. Segundo Campos (2000), quando a pessoa não se satisfaz com a forma como é e procura projetar seus desejos no outro, ela precisa do outro para ser feliz porque não consegue ser feliz consigo mesma; para o sucesso e realização de qualquer pessoa, a família é indispensável à garantia da sobrevivência, independentemente da sua estrutura, ou da forma como vêm se estruturando.

É a família que propicia a construção dos laços afetivos e a satisfação das necessidades no desenvolvimento da pessoa. Ela desempenha um papel decisivo na socialização e na educação. É na família que são absorvidos os primeiros saberes, e onde se aprofundam os vínculos humanos. De acordo com Weiner (2000), os relacionamentos interpessoais interagem com a percepção dos estímulos vivenciados, elaboração e interpretação sobre os mesmos e de conceitualização dos fatos. Por outro lado, o desajuste social inclui "desinteresse e desvínculo emocional, desconforto no contato com o outro e com situações interpessoais, e, tendência ao distanciamento e sentimento persecutório e/ou de ameaça pessoal frente à interação com o outro, o que denota a questão da importância da afetividade.

Exner (2003) ressalta que o afeto abrange uma complexidade de emoções e sentimentos relacionados às atividades interpessoais e sociais como percepção de si e do outro, capacidade de julgamento e pensamento, decisão e de reação aos fatos vivenciados. Conforme Vygotsky (2003), também conforme Wallon, seus seguidores e outros autores, a afetividade é vital em todos os seres humanos, de todas as idades; está sempre presente nas experiências vividas no relacionamento com o “outro social”, por toda a sua vida, desde seu nascimento. Quando se entra na escola, as reações emocionais exercem uma influência essencial e absoluta em todas as formas de nosso comportamento e em todos os momentos do processo educativo, pois atividades emocionalmente estimuladas, impregnadas de emoção serão recordadas de forma mais sólida, firme e prolongada que algo indiferente.

Segundo Bom Sucesso (2000), o afeto é um ingrediente necessário para se sentir seguro e protegido, necessitando-se de estabelecer relações positivas. Sisto (2002), afirma que é no sistema familiar que são expressas as inquietações, as conquistas, os medos e as metas pessoais. Para tanto, é necessário preservar a individualidade dos seus membros e, ao mesmo tempo, o sentimento coletivo. Isso representa uma forma de apoio mútuo em família."[...] embora não exista uma concordância quanto ao papel desempenhado pelos afetos no processo de conhecer, é consenso o fato de que os estados afetivos interferem no cognitivo, aonde as funções afetivas e cognitivas são de natureza distinta, embora indissociáveis. Vygotsky (2001) afirma que o processo de formalização do conhecimento não é a única fonte que o sujeito possui para aprender, isso está inato às capacidades humanas, conseguindo assim, aprender com qualquer situação vivida.

5. Considerações Finais

A consciência social envolve os fatos sociais, o uso do poder no comportamento dos membros da sociedade, a socialização e internalização de valores, na formação social, numa constituição e elaboração psicológica e social da realidade nos processos de interação e mudança social, através da intervenção social como projeção cultural.

Para que haja mudanças de valores, tomadas de decisão, pessoais ou coletivas, existe a necessidade de um processo de interação, numa construção de significados como decorrência do processo de construção, desenvolvimento de repertórios para lidar com as adversidades e problemas surgidos, possibilitando direitos a serem socialmente reconhecidos, mediante superação de dificuldades.

A família é o sistema social responsável pela forte influência no comportamento dos indivíduos que aprendem as diferentes formas de existir, de ver o mundo e construir as suas relações sociais pela construção dos laços afetivos, como algo vital em todos os seres humanos, de todas as idades; sempre presente nas experiências vividas no relacionamento com o “outro social”, por toda a sua vida, porque as reações emocionais exercem uma influência essencial e absoluta em todas as formas de comportamento que impregnados de emoção serão recordados de forma mais sólida, firme e prolongada que algo indiferente.

Dessa forma, o afeto é um ingrediente necessário para se sentir seguro e protegido, necessitando-se de estabelecer relações positivas no sistema familiar, aonde são expressas as inquietações, as conquistas, os medos e as metas pessoais, sendo necessário preservar a individualidade dos seus membros e, ao mesmo tempo, o sentimento coletivo, na forma de apoio mútuo em família, pois os estados afetivos interferem no cognitivo, aonde as funções afetivas e cognitivas são de natureza distinta, embora indissociáveis, gerando aprendizado em qualquer situação vivida.

Sabemos que o presente artigo não esgota o assunto sobre as relações humanas, entendemos que existem perspectivas, boas ou ruins, aonde o indivíduo não se sacia totalmente, numa idéia de busca de realização e de falta, por causa das experiências com o diferente, sendo instrumento de constante mudança, quebrando paradigmas, constituindo conceitos e mudando e criando cenários.

Além disso, diante do medo do novo, da renovação, procura o conhecimento para a mudança cultural, em sintonia com elo familiar para troca de experiências em motivação no processo de desenvolvimento, elo de convivência e proximidade na relação entre o indivíduo e a sociedade. Na idéia de defesa pessoal e de convívio social, surge o contraste entre o isolamento e o desejo de se completar em obediência social, como a necessidade de conviver em comunidade e o trabalho de equipe gera uma vivência amparada de apoio, disponibilidade.

Assim, o aprendizado gerado em qualquer situação por vivências, embora não se possa prever externamente situações de risco, confronta em relação aos riscos sociais, como os fatos sociais são passíveis de coerção social e assim, a interação social pelo aprendizado afetivo gera mudanças de cenário a nível individual e coletivo na sociedade aonde haja risco de haver inconsciência social e medo  individual.

Referências:

BARBERO, J.M. Sociedade Midiatizada. In: MORAES, Dênis de (Org.). Tecnicidade, Identidades, alteridades: mudanças e opacidades da comunicação no novo século. Rio de Janeiro: Mauad X, 2006. p. 51-79.

BECK, U. R. World risk society. Cambridge: Polity Press, 1999.

__________. The brave new world of work. Cambridge: Polity Press, 2000

BELTRÁN, L.R. Adeus a Aristóteles: comunicação horizontal. In: Comunicação e Sociedade. Revista semestral de estudo de comunicação. São Paulo, n.º 6, setembro de 1981. P. 5-35

BHASKAR, R. “Realismo”. In: OUTHWAITE, W. e BOTTOMORE, T. (1996). Dicionário do Pensamento Social do Século XX. Rio de Janeiro: Zahar, 1996.

BERGER, P. L. e LUCKMANN, T. A Construção Social da Realidade: Tratado de

Sociologia do Conhecimento. Petrópolis: Vozes, 1985.

BERMAN, M. Tudo o que é sólido desmancha no ar. (C.F. Moisés; A.M.L. Ioriatti, Trad.s) São Paulo: Companhia das Letras. (1988). (Original publicado em 1982).

BOM SUCESSO, E.de P. Afeto e limite. Rio de Janeiro: Dunya, 2000.

CAMPOS, R. A nova fórmula do casamento. Viver Psicologia. São Paulo: Segmento. Ano VII, n° 87, out./2000, p. 20-25.

CHARLOT, B. Da relação com o saber: elementos para uma teoria. Porto Alegre: 2000, Artemed.

CHAVES, A. M., CABRAL, A., RAMOS, A. E., LORDELO, L., & MASCARENHAS, R. Representação social de mães acerca da família. Revista Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento Humano, 2002, 12(1), 1-8.

CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de janeiro: Campus, 1999.

COLE, M.; COLE, S. O desenvolvimento da criança e do adolescente. Porto Alegre: ArtMed Editora, 2004.

CHUERI. V. K. de. Filosofia do direito e modernidade: Dworkin e a possibilidade de um discurso instituinte de direitos. Curitiba: J.M., 1995.

DEVRIES, R.; Z., B.; HILDEBRANDT, C.; EDMIASTON, R.; SALES, C. O currículo construtivista na educação infantil: práticas e atividades. Porto Alegre; ArtMed, 2004.

DURKHEIM, E. Sociologia e Filosofia. Rio de Janeiro/São Paulo: Forense, 1986. 

EXNER, J. E., Jr. The Rorschach: A comprehensive system: Vol. 1. Basic foundations and principles of interpretation (4nd ed.). (2003), Hoboken, NJ: John Wiley and Sons.  

FERREIRA, M. C. T., & MARTURANO, E. M. (2002). Ambiente familiar e os problemas de comportamento apresentados por crianças com baixo desempenho escolar. Psicologia: Reflexão e Crítica, 15, 35-44.

FISKE, J. Introdução ao estudo da comunicação. Lisboa, Portugal: Edições ASA, 1990, p.14

GIDDENS, A. Admirável Mundo Novo: o novo contexto da política. Caderno CRH, Salvador , UFB/CRH, n. 21, p. 9-28,  jul./dez. 1994.

__________.  A vida em uma sociedade pós-tradicional. In: BECK, U.; GIDDENS,A.; LASH, S. Modernização reflexiva: política, tradição e estética na ordem social moderna. São Paulo: UNESP , 1997.

__________. Modernidade e identidade. Rio de Janeiro: Zahar, 2002.

HERMANS, H.J. The dialogical self: Towards a theory of personal and cultural positioning. Culture & Psychology, 7 (3), 243-282, 2001.

JODELET, D. (1986). La representación social: fenómenos, concepto y teoria. In S. Moscovici (Ed.), Pensamiento y vida social: Vol. 2. Psicologia Social (pp. 469-494). Barcelona, España: Paidós

KANCYPER, L. (1999). Confrontação de gerações - Estudo psicanalítico. São Paulo: Casa do Psicólogo.

KREPPNER, K. (2000). The child and the family: Interdependence in developmental pathways. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 16(1), 11-22.

LIPOVETSKY, G. (1989a). A era do vazio: ensaio sobre o individualismo contemporâneo. (M.S. Pereira e A.L. Faria, Trad.s). Lisboa: Ed. Relógio D’Água. (Original publicado em 1983).

MADUREIRA, A.F.A.; BRANCO, A.U. Construindo com o outro: uma perspectiva sociocultural construtivista do desenvolvimento humano. In: DESSEN, M.A.; COSTA JR, A.L. (orgs.). A ciência do desenvolvimento humano: tendências atuais e  perspectivas futuras. Porto Alegre: ArtMed, 2005, p. 90-112.

MAFFESOLI, M. A contemplação do mundo. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 1985. p. 64.

MANZINI, E. J. A entrevista na pesquisa social. Didática, São Paulo, v. 26/27, p. 149-158, 1990/1991.

MARX, Theories of Surplus-ValueLawrence e Wishart, Londres, 1963, 1, p. 401. 

MATTELART, A. & MATTELART, M. História das teorias da comunicação. São Paulo: Edições Loyola, 1999 p. 9

MEDICI, A. (1961): A escola e a criança. Trad. Carlos Leite de Vasconcellos. 2.ed. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura S.A.

MELO, J. M. Teoria da comunicação: paradigmas latino-americanos. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.  p., 189-190.

MOSCOVICI, S. (1978).  A representação social da psicanálise (A.Cabral,Trad.). Rio de Janeiro, RJ: Zahar.

MOTTA P. R. Transformação organizacional: teoria e prática de inovar. Rio de Janeiro: Qualitymark; 2001.

OLIVEIRA, M. L.S., & BASTOS, A. C. S. (2000). Práticas de atenção à saúde no contexto familiar: Um estudo comparativo de casos. Psicologia: Reflexão e Crítica, 13(1), 97-107.

PENTEADO, J. R.W. , A Técnica da Comunicação Humana, São Paulo: Pioneira, 1993.

PERRUSI, A. Imagens da Loucura: Representação Social da Doença Mental na Psiquiatria. São Paulo: Cortez/ Recife: Editora da UFPE, 1995.

PETZOLD, M. (1996). The psychological definition of “the family”. In M. Cusinato (Org.), Research on family: Resources and needs across the world (pp. 25-44). Milão: LED-Edicioni Universitarie.

PIAGET, J. (1987): O nascimento da inteligência. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara.

REY, F.G. Sujeito e subjetividade:uma aproximação histórico cultural. São Paulo: Thompson, 2003.

ROBBINS, S. P. Administração – Mudanças e Perspectivas. São Paulo:Saraiva, 2000

ROUANET, S. P. A Razão Cativa: As Ilusões da Consciência de Platão a Freud. São Paulo: Brasiliense, 1996.

SALGADO, J.; HERMANS, H. The return of subjectivity: From a multiplicity of  selves to the dialogical self. E-Journal of Applied Psychology: Clinical Session, 1 (1), 3-13, 2005.

SANTAELLA, L. O que é Semiótica. São Paulo, Brasiliense, 1983.

SARTI, C. (1996). A família como espelho: um estudo sobre a moral dos pobres. Campinas: Autores Associados. , (1999).in. Família e jovens no horizonte das ações. Revista Brasileira de Educação, São Paulo, no  11, maio-ago.

SCHEIN, E. Organizational culture and leadership. San Francisco: J. Bess, 1985.

SISTO, FF.  Dificuldades de aprendizagem no contexto psicopedagógico. Rio de Janeiro: Vozes;2002.

SZYMANSKI, H. (2001). A relação família-escola: Desafios e perspectivas. Brasília: Plano.

SIMON, H. A. Comportamento administrativo. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1979.

VYGOTSKY, L. S. Aprendizagem e desenvolvimento intelectual na idade escolar. In: VYGOTSKY, L. S.; LURIA, A. R.; LEONTIEV, A. N.; Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Ícone, 2001.

______________. A formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 1994..

______________. Psicologia Pedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2003.

WAGNER, A., H., S.C., & BORNHOLDT, E.A. (1999). Configuração e estrutura familiar: Um estudo comparativo entre famílias originais e reconstituídas. PSICO, 30, 63-74.

WAGNER, A., RIBEIRO, L. S., ARTECHE, A. X., & BORNHOLDT, E. A. (1999). Configuração familiar e o bem-estar psicológico dos adolescentes. Psicologia: Reflexão e Crítica, 12(1), 147-156.

WEINER, I. B. (2000). Princípios da interpretação do Rorschach. São Paulo, SP: Casa do Psicólogo.

WOLF, M. Teorias da Comunicação. Lisboa: Presença, 2002.