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Resumo: Ultimamente o clima das organizações, empresas, instituições, entre outros, remete o trabalhador a pressões, exigências e grande competitividade, fazendo com que se tornem vulneráveis a fatores estressantes, gerando o estresse e proporcionando perda no desempenho e na qualidade de vida dos trabalhadores. Sendo assim, neste estudo buscou-se identificar e avaliar através da Escala de Vulnerabilidade ao Estresse no Trabalho (EVENT), a vulnerabilidade ao estresse em técnicos de enfermagem e enfermeiros de um posto de saúde do interior de Rondônia. O estudo teve também como objetivo identificar quais os fatores que mais contribuem para essa vulnerabilidade. Fizeram parte desta pesquisa 22 técnicos de enfermagem e 4 enfermeiros, totalizando 26 sujeitos. Os dados coletados foram analisados mediante a pesquisa descritiva com abordagem quantitativa. Verificou-se através dos resultados um nível alto de estresse entre os técnicos de enfermagem e enfermeiros, tendo como principais fatores primeiramente a infraestrutura e rotina, seguidos pelo clima e funcionamento organizacional e pressão no trabalho. Conclui-se através deste resultado que se faz necessário uma atenção preventiva a saúde destes sujeitos, pois o alto nível de estresse pode afetar o seu desempenho e o bom atendimento à sociedade.

Palavras-chave: Estresse, Vulnerabilidade, Fatores, Estresse Organizacional.

1. Introdução

O estresse tem sido estudado em várias áreas do trabalho, como no trabalho de técnicos de enfermagem e enfermeiros, pois vem gerando grande sofrimento tanto psicológico como físico, causando prejuízos para a empresa e funcionários, sendo que o estresse tem influenciado em seu desempenho e consequentemente em sua produtividade. Perante isto, o estudo realizado contribui para que os sujeitos da pesquisa possam conhecer melhor quais os fatores de estresse que os deixam vulneráveis e quais estão mais presentes no dia a dia do trabalho que exercem, e através disto buscarem diminuir os mesmos, trazendo assim, benefícios para o seu trabalho. Conforme Petro e Pedrão (2009) sabendo o profissional identificar quais os fatores que o estressa, pode de alguma forma lidar com o que lhe incomoda, e assim melhorar sua qualidade de trabalho e de vida.

Stratton e Hayes (2009), definem o estresse sobre uma pessoa com efeito de ficar submetida à estimulação maléfica ou ameaça dessa estimulação, quando impossibilitado de evitar ou der fim a esta condição. Os fatores que contribuem para gerar e proporcionar a vulnerabilidade ao estresse está ligado tanto aos acontecimentos internos como externos do sujeito, sendo que alguns dos acontecimentos serão considerados estressores somente se o sujeito não possuir um limiar de tolerância a eles. O estresse dentro da organização possui muitos fatores sendo estes relacionados por Fiorelli (2003) como: fatores relacionados às tarefas; fatores relacionados ao trabalho; fatores relacionados às relações interpessoais e os fatores relacionados aos processos. Já Robbins (2005), relaciona-os como: fatores ambientais; fatores organizacionais e por último os fatores individuais. No ambiente hospitalar, os estressores estão relacionados segundo Martins (2003), ao trabalho por turnos, a sobrecarga de trabalho, o desempenho do papel, as relações interpessoais e grupais, entre outros; situações estas que induzem ao estresse e deixam os trabalhadores vulneráveis ao mesmo.

Sendo assim, a presente pesquisa teve como tema um estudo sobre a vulnerabilidade ao estresse no trabalho de técnicos de enfermagem e enfermeiros em um posto de saúde no interior de Rondônia, tendo como objetivo identificar e avaliar através da Escala de Vulnerabilidade ao Estresse no Trabalho (EVENT) a vulnerabilidade ao estresse entre os sujeitos, ou seja, os técnicos de enfermagem e enfermeiros, e identificar também quais os fatores que mais influenciam para gerar este estresse.

A pesquisa visou primeiramente conceituar o termo estresse, averiguar o nível de vulnerabilidade ao estresse ao ser constatado, identificar possíveis fatores que são geradores de estresse entre os sujeitos da pesquisa em seu ambiente de trabalho. Foi utilizado neste projeto, a fim de alcançar os objetivos propostos e coletar os dados necessários, uma pesquisa de campo, sendo que a análise dos dados foi realizada mediante uma pesquisa descritiva com a abordagem quantitativa, a fim de expor a proposta do projeto de pesquisa e sua importância.

A fim de apresentar o tema e a pesquisa realizada, segue-se na próxima sessão um texto elaborado com uma apresentação minuciosa e fundamentada de alguns conceitos básicos sobre o tema, sendo que na sessão 3 será exposto em detalhes o modelo proposto. Já na sessão 4, será apresentado os resultados e discussão destes, através de gráficos e comparações de outras pesquisas realizadas semelhantes a esta. Na ultima sessão conclui-se a pesquisa relacionando com clareza e objetividade as deduções extraídas dos resultados obtidos e apontadas ao longo da discussão do assunto.

2. Estresse

Ultimamente o estresse vem sendo um mal preocupante dentro da sociedade por estar se manifestando cada vez mais entre as pessoas e principalmente entre os trabalhadores, mas para entendermos melhor o estresse necessitamos defini-lo.

Sua definição tem sido empregada para descrever uma gama variada de situações e sensações, sendo o termo utilizado em várias áreas do conhecimento. Na física da qual o conceito se originou, sua definição neste contesto é exposta por Zanelli, Borges-Andrade e Bastos (2004), que se referem ao stress como sendo uma força de resistência interna oferecida pelos materiais sólidos perante as forças externas, ou seja, cargas. Mas esta definição não se mantém nas outras áreas que adotaram o conceito.

Conforme Lipp e Novaes (1996), existem estressores internos e externos, citando-se como exemplo, diversas situações enfrentadas no dia-a-dia e as pessoas com as quais se convive podem se configurar em agentes estressores externos. Já os valores, crenças e formas de interpretar as situações configuram agentes estressores internos.

De acordo com Greenberg (2002), na primeira metade do século XX, Walter Cannon, um fisiologista que trabalhava na Harvard Medical School, foi a primeira pessoa a descrever a reação do corpo ao estresse como resposta de luta-ou-fuga, ou seja, o corpo organiza-se ao ser afrontado com uma ameaça para ficar e lutar ou para fugir.

O primeiro cientista a estudar o estresse, de acordo com Lipp e Novaes (1996), foi um médico austríaco chamado Hans Selye na década de 20, através de suas observações em pacientes com sintomas comuns sofrendo de doenças diferentes, onde estes haviam procurado tratamento para várias doenças, e assim, notou que alguns dos sintomas detectados nada tinham haver com a doença específica para quais os pacientes procuravam tratamento. Hans Selye chamou este fenômeno de síndrome de estar apenas doente ou síndrome de adaptação geral, onde mais tarde, o próprio Selye simplificou-o para o termo stress.

Segundo Myers (2002), Hans Selye em suas pesquisas sobre o estresse, estudou as reações de animais e o estímulos estressores, como choque elétrico, trauma cirúrgico e restrição de movimentos e descobriu através destas pesquisas que a resposta adaptativa do corpo ao estresse é tão geral como um alarme que dispara contra o ladrão, e assim, a denominou síndrome geral de adaptação, que é composta por três fases: fase 1 - Reação de alarme: é acionada devida à súbita ativação do sistema nervoso simpático, e assim o ritmo cardíaco se acelera rapidamente e o sangue é desviado para os músculos esqueléticos. Na fase 2 – Resistência: a temperatura, a pressão arterial e a respiração continuam altas, e há um repentino derrame de hormônios. Se persistirem, o estresse pode consumir as reservas do corpo até o final. Fase 3 – Exaustão: o sujeito fica mais vulnerável à doenças e em casos extremos ao colapso e até a morte.

Conforme Murofuse, Abranches e Napoleão (2005), o estresse está sendo empregado como causa ou explicação para numerosos episódios que afligem a vida moderna do homem. Sua utilização é generalizada sem maiores reflexões, simplificando-se o problema e camuflando o seu real significado de suas implicações para a vida humana como um todo.

Visto como o estresse e seus estressores estão presentes no dia a dia, se faz necessário entender como ele e seus fatores agem no mundo do trabalho. No próximo tópico perceberá como o estresse pode influenciar e ser prejudicial no trabalho.

2.1 Estresse Organizacional

Paschoal e Tamayo (2004), relatam que o estresse ocupacional pode ser definido como um processo onde o sujeito compreende as demandas do trabalho como sendo estressores, sendo que ao exceder sua habilidade de enfrentamento, provocam nestas reações negativas. Estes autores creem que para algo se tornar um estressor dentro da organização, o mesmo precisa ser percebido como tal pelo empregado.

O estresse organizacional, ocupacional ou no trabalho pode estar relacionado a várias causas que precisam ser identificadas para que haja melhora na qualidade de vida e no desempenho do trabalhador. Robbins (2005), enfatiza três categorias potenciais de estresse, sendo a primeira os fatores ambientais: causados pelas incertezas, sejam elas econômicas, (quando há mudanças nos ciclos dos negócios) políticas e tecnológicas. As inovações tecnológicas podem tornar antiquadas as habilidades dos trabalhadores, sendo uma ameaça e causando estresse. A segunda categoria está relacionada a fatores organizacionais: existem inúmeros fatores que podem ser causadores de estresse dentro da organização, como as demandas de tarefas, demandas de papéis, demandas interpessoais, a estrutura organizacional, a liderança organizacional e o estágio de vida de uma organização. E por último, os fatores individuais: que se referem a fatores da vida pessoal dos funcionários, que incluem questões familiares, problemas econômicos e características de personalidade.

De acordo com Atkinson et al. (2002), pessoas que ocupam cargos estressantes estão mais propensas a desenvolverem uma doença cardíaca coronária, principalmente em se tratando de cargos onde as funções têm grandes demandas, em termos de carga de trabalho, responsabilidades e conflitos de função, mas proporcionam pouco controle, ou seja, a pessoa tem pouco controle sobre a natureza, velocidade e condições de trabalho.

Como pode-se perceber neste tópico, há fatores que tornam o ambiente de trabalho propício para o estresse e estes fatores podem também estar relacionados ao cotidiano de trabalho dos técnicos de enfermagem e enfermeiros, sujeitos da pesquisa realizada. Alguns fatores mais presentes no ambiente de trabalho destes serão mencionados no próximo tópico.

3.3 Estresse no Ambiente Hospitalar

Segundo Belancieri e Bianco (2004) foi na década de 60 que começou a surgir certa preocupação com a saúde do trabalhador, em especial na área de Enfermagem. Já no Brasil começaram a se desenvolver significativas investigações na década de 90.

De acordo com Stacciarini e Tróccoli (2001), desde quando surgiu a profissão de enfermagem até os dias de hoje, o enfermeiro tem procurado uma auto definição, tentando construir sua identidade profissional e obter reconhecimento, sendo que tem enfrentado dificuldades que comprometem o seu desempenho no trabalho, refletindo também em seu lado pessoal. Esta profissão possui uma característica intrínseca, a qual se pode designar de indefinição do papel profissional, que se enquadra em mais um de seus elementos estressores.

Martins (2003), relata que os hospitais são organizações de sistemas complexos, compostos por vários departamentos e profissões e que sobretudo, é uma organização de sujeitos afrontados com situações emocionalmente intensas, como vida, doença e morte, que fazem com que os profissionais ali inseridos apresentem ansiedade, tensão física e mental.

Segundo Hanzelmann e Passos (2010), alguns riscos e condições que estão presentes no dia-a-dia dos profissionais de enfermagem, quando não bem empregados e adaptados por estes, podem influenciar diretamente na saúde física e mental deste trabalhador, contribuindo para desencadear o estresse, interferindo negativamente na atividade laboral realizada, trazendo absenteísmo, diminuição na sua produtividade, desgastes físicos, mentais, sentimento de incapacidade e insatisfação.

As condições de trabalho dos enfermeiros segundo Belancieri e Bianco (2004), envolvem aspectos físicos, químicos e biológicos, podendo desencadear certo prejuízo da relação consigo e com outros, uma tensão física e psicológica, queda da capacidade intelectual, perturbações do sono, até chegar à fadiga e assim consequentemente ao estresse.

O ambiente hospitalar possui situações que podem desencadear o estresse nos trabalhadores ali inseridos, de acordo com Martins (2003), as situações indutoras de estresse seriam: o trabalho por turnos, a sobrecarga de trabalho, o desempenho de papel, as relações interpessoais e grupais, entre outros.

3. Metodologia

3.1 Sujeitos

A pesquisa seria realizada com 30 técnicos de enfermagem e enfermeiros de um posto de saúde no interior de Rondônia, tendo esta amostra por ser uma quantidade significativa devido o quadro de técnicos de enfermagem que são no total 29 e dos enfermeiros que são 08 totalizando 37 trabalhadores. Da amostra dos 30 sujeitos apenas 26 aceitaram participar da pesquisa, sendo 22 técnicos de enfermagem e 04 enfermeiros, pois 04 sujeitos não aceitaram participar da pesquisa. Os mesmos são do sexo masculino e feminino, entre 17 à 54 anos, idades que foram destinadas para a aplicação do instrumento de avaliação a ser utilizada, sendo esta a Escala de Vulnerabilidade ao Estresse. Os sujeitos participaram da pesquisa após preencherem o Termo de Consentimento Pós-Informado (TCPI), e ao estarem de acordo com os procedimentos adotados.

3.2 Instrumentos

Foi utilizado como instrumento a Escala de Vulnerabilidade ao Estresse no Trabalho (EVENT) de Sisto et al. (2007). A escala tem por finalidade avaliar o quanto as circunstâncias do cotidiano do trabalho influenciam a conduta da pessoa, a ponto de caracterizar certa fragilidade, e vulnerabilidade ao estresse. Sendo constituída por 40 itens que avaliam três fatores: o clima e funcionamento organizacional; a pressão no Trabalho; a infraestrutura e rotina pela qual o profissional enfrenta na organização, representando situações de trabalho que são avaliadas por meio de uma escala de três pontos: “Nunca”, “Às vezes” e “Frequentemente”. Essas se referem à frequência com que cada situação incomoda o trabalhador. O instrumento é destinado a pessoas na faixa etária de 17 a 54 anos. A aplicação poderá ser individual ou coletiva, tendo como limite máximo grupo de 60 pessoas. Acima de 20 participantes recomenda-se a presença de um auxiliar de pesquisa e os participantes deverão estar suficientemente separados a fim de evitar qualquer comunicação.

O tempo limite máximo para a aplicação é de 20 minutos, sendo aconselhável a aplicação em uma única sessão. É imprescindível que a aplicação do instrumento ocorra em situações em que as pessoas não estejam excessivamente cansadas ou tenham saído de situações altamente estressoras, como reuniões longas ou avaliações institucionais; e em ambientes físicos em condições ergonômicas adequados com iluminação e acomodação suficientes. O instrumento de acordo com o § 1º do Artigo 13 da Lei no 4.119/62 é material para uso exclusivo do Psicólogo inscrito no Conselho Regional de Psicologia.

3.3 Método

A fim de alcançar os objetivos propostos e coletar os dados necessários, foi utilizada uma pesquisa de campo, sendo que de acordo com Marconi e Lakatos (2010), esta pesquisa utiliza como objetivo conseguir informações ou conhecimentos acerca de um problema, ao qual se busca uma reposta, ou hipótese, que queira se comprovar. A abordagem utilizada na análise dos dados foi à quantitativa, que conforme Prestes (2011), é aquela onde os dados são reunidos e tabulados, originando medidas precisas que nos permitam chegar a cálculos estatísticos, e assim podendo ser apresentados em percentuais. Foi realizada também uma pesquisa descritiva que segundo Campos (2004), esta procura conhecer e interpretar a realidade descrevendo o que nela ocorre, sem interferir ou modificá-la.

3.4 Procedimentos

A presente pesquisa teve como início a elaboração do projeto, onde após esta elaboração e aprovação do mesmo deu-se início a pesquisa de campo, onde primeiramente foi pedida a permissão da diretora e dos sujeitos que fizeram parte da pesquisa. A estes sujeitos foi apresentado o Termo de Consentimento de Pós-Informado em duas vias de igual teor, sendo uma para a posse do sujeito e outra para a do pesquisador. Sendo assim, a aplicação foi realizada no próprio posto de saúde de forma individual através da Escala de Vulnerabilidade ao Estresse no Trabalho (EVENT), possibilitando detectar as circunstâncias do cotidiano do trabalho que podem influenciar a conduta da pessoa, a ponto de caracterizar os sintomas do estresse. Após a conclusão da coleta de dados, foi realizada a apuração dos resultados juntamente com sua interpretação seguindo as normas do manual, sendo realizada sobre supervisão da orientadora responsável pelo projeto. Depois de tratado os dados, os resultados foram apresentados em forma de gráficos, através dos resultados obtidos pela Escala EVENT.

4. Apresentação e Discussão dos Dados

A tabela 1 apresenta o resultado da pesquisa de campo, através da vulnerabilidade ao estresse nos participantes, do sexo feminino e masculino. Nos gráficos 1, 2 e 3 apresentam-se os fatores 1 – Clima e funcionamento organizacional, 2 – Pressão no Trabalho e 3 – Infraestrutura e rotina. Já no gráfico 4 apresenta-se a vulnerabilidade ao estresse de forma geral com a predominância em porcentagem.

Tabela 1 – Vulnerabilidade ao Estresse segundo o gênero, interior de Rondônia, 2012.

Sexo

Inferior

Médio Inferior

Médio

Médio Superior

Superior

Feminino

6

1

2

2

8

Masculino

0

0

0

1

6

Total

6

1

2

3

14

Fonte: A autora (2012)

Gráfico 1 – Vulnerabilidade ao Estresse conforme o fator 1: Clima e Funcionamento Organizacional, interior de Rondônia, 2012.

Gráfico  1  –  Vulnerabilidade  ao  Estresse  conforme  o  fator  1:  Clima  e  Funcionamento Organizacional, interior de Rondônia, 2012.

Fonte: A autora (2012)

O gráfico 1 demonstra que o fator 1 – Clima e Funcionamento organizacional apresentou 88,46% dos sujeitos com estresse, devido a seguinte resposta que se obteve a partir dos dados coletados em relação a percepção do ambiente institucional, as relações com as chefias, as relações interpessoais, a liderança, as regras e normas do sistema tornam as pessoas vulneráveis ao estresse, fornecendo-se, assim indícios de insatisfação com o ambiente em que se trabalha.

De acordo com Silva e Melo (2006), muitos profissionais referiram as relações interpessoais na equipe de saúde como fator que contribui para gerar o estresse oriundo do ambiente onde se desenvolvem as atividades laborais, bem como o ritmo e as exigências de serviços.

Batista e Bianchi (2006), descrevem a falta de experiência por parte dos supervisores, falta de comunicação e compreensão por parte da supervisão de serviço e o ambiente físico da unidade entre os principais estressores presentes entre os profissionais de enfermagem.

Camelo e Angerami (2008), relatam que a qualidade das relações interpessoais é fator essencial na hora de determinar o possível estressor. Estes autores também ressaltam que o ambiente de trabalho pode refletir diretamente na qualidade da assistência prestada, levando à insatisfação do trabalhador, que por sua vez, é causa de tensão e irritabilidade, tendo como implicação o estresse.

Gráfico 2 – Vulnerabilidade ao Estresse conforme o fator 2: Pressão no Trabalho, interior de Rondônia, 2012.

Gráfico 2 – Vulnerabilidade ao Estresse conforme o fator 2: Pressão no Trabalho, interior de Rondônia, 2012.

Fonte: A autora (2012)

Quanto ao gráfico 2 que representa o fator 2, ou seja, a pressão no trabalho, pode se perceber que mesmo sendo menor a incidência de estresse, comparado aos outros fatores, é uma quantidade bastante significativa, sendo que 80,76% dos sujeitos apresentaram estresse e 11,53% baixa vulnerabilidade ao estresse, considerando-se que o fator pressão no trabalho também tem relevância quanto a vulnerabilidade ao estresse entre os sujeitos da pesquisa.

Segundo Robbins (2005), as pressões para evitar erros ou cumprir prazos, excessiva carga de tarefas, um chefe exigente e insensível e colegas desagradáveis, são fontes do estresse dentro do ambiente organizacional a serem levados em conta. Dentre os resultados obtidos, essa pressão no trabalho se deve a algumas situações como realizar trabalhos que não fazem parte de sua função, fazer o trabalho do outro, muita responsabilidade no trabalho diário e responsabilidade excessiva, sendo as situações que foram mais pontuadas entre as demais. De acordo com Meirelles e Zeitoune (2003), as atividades desenvolvidas pela equipe de enfermagem exigem alto grau de responsabilidade e de qualificação, proporcionando desgaste emocional intenso, sendo estes exercidos durante anos e com carga horária excessiva. Através de um estudo realizado com profissionais de enfermagem, Salomé, Martins e Espósito (2009), constataram em seus resultados que os profissionais de enfermagem vivenciam momentos de estresse, cansaço, esgotamento e frustração em seu dia a dia de trabalho e que os fatores que provocam tais anseios são os acúmulos de funções, atividades burocráticas e assistenciais e limitação do tempo para executarem tais tarefas.

Gráfico 3 – Vulnerabilidade ao Estresse conforme o fator 3: Infraestrutura e rotina, interior de Rondônia, 2012.

Gráfico 3 – Vulnerabilidade ao Estresse conforme o fator 3: Infraestrutura e rotina, interior de Rondônia, 2012.

Fonte: A autora (2012)

Através do resultado do gráfico 3 referente ao fator 3, infraestrutura e rotina, um dos fatores que mais causam alta vulnerabilidade e consequentemente estresse entre os sujeitos da pesquisa, onde 92,30% dos sujeitos da pesquisa apresentam estresse devido ao fator infraestrutura e rotina, sendo este devido a dobrar jornadas, equipamento precário, doença ou acidente pessoal, mudanças de chefias, mudança nas horas de trabalho, perspectivas de ascensão vinculadas á ideia de transferência, pouca colaboração da equipe para trabalhos que deveriam ser feitos em conjunto e salários atrasados.

Para que haja bons resultados o trabalhador deve ter a sua disposição materiais e equipamentos que o ajude a exercer o seu trabalho e um ambiente que favoreça o seu desempenho. De acordo com Souza, et al. (2010), os enfermeiros necessitam desenvolver um processo mental e físico para poder adaptar-se e improvisar materiais e equipamentos, precisam planejar e reunir materiais e todo este procedimento ocasiona perda de tempo, que poderia ser aproveitado no cuidado direto ao cliente, sendo que esta perca de tempo resulta também em estresse profissional, ansiedade e irritabilidade.

Um dos fatores desencadeadores do estresse de acordo com Meirelles e Zeitoune (2003), seriam as jornadas de trabalho prolongadas, os ritmos acelerados de trabalho, a fragmentação das tarefas, os riscos ocupacionais, e consequentemente de quem o realiza.

Gráfico 4 – Vulnerabilidade ao Estresse de forma Geral, interior de Rondônia, 2012.

Gráfico 4 – Vulnerabilidade ao Estresse de forma Geral, interior de Rondônia, 2012.

Fonte: A autora (2012)

Pelo resultado geral exposto no gráfico 4, nota-se a alta vulnerabilidade apresentada pelos sujeitos da pesquisa, ou seja, os técnicos de enfermagem e enfermeiros, tendo em vista que 53,84% do sujeitos apresentam estresse, 11, 53% alta vulnerabilidade a este, e 23, 07% com nenhuma vulnerabilidade ao estresse. O resultado mostra-se preocupante quanto a saúde destes indivíduos e o desempenho dos mesmos em seu serviço prestado a população. Visto que para Lipp (1984 apud PAFARO; MARTINO, 2004, p. 153), “A vulnerabilidade dos indivíduos ao estresse depende da sua habilidade para lidar com os eventos estressores. Não só estes, mas a maneira como o indivíduo lida com eles é fundamental para que se desenvolva um quadro de estresse”.

Através dos resultados apresentados concorda-se então com Elias e Navarro (2006), que o hospital, de certa forma é reconhecido como um ambiente penoso, insalubre e perigoso para os que ali trabalham. Ainda evidenciando estes autores, eles relatam nos resultados de seus estudos com profissionais de enfermagem, que as características do cotidiano dos trabalhadores da área de enfermagem, são causadoras de sofrimento físico e psíquico.

5. Considerações Finais

O estresse tem sido preocupação entre os trabalhadores e seus superiores, pois tem trazido problemas de saúde prejudicando tanto o seu desempenho quanto o da empresa em que trabalha, sendo assim, o presente estudo buscou esclarecer melhor os fatores que causam este estresse entre os técnicos de enfermagem e enfermeiros, e assim possibilitar uma reflexão do quanto é essencial à saúde deste, para que a nossa saúde possa ser zelada por este trabalhador. Tendo em vista os objetivos da pesquisa que é identificar e avaliar através da Escala de vulnerabilidade ao Estresse no Trabalho (EVENT) a vulnerabilidade ao estresse em técnicos de enfermagem e enfermeiros de um posto de saúde do interior de Rondônia e também identificar quais os fatores que mais contribuem para essa vulnerabilidade. Verificou- se através dos resultados que os principais fatores responsáveis pela vulnerabilidade e o estresse, foram os fatores 3 e 1, ou seja, os de Infraestrutura e Rotina, isto deve-se ao fato deste fator ter apresentado alto nível de estresse, mediante relatos dos sujeitos, que estes trabalham em vários outros lugares, e assim a rotina se torna um fator que colabora para a vulnerabilidade e consequentemente ao alto nível de estresse; segue-se o de Clima e Funcionamento Organizacional, sendo que fator 2 a Pressão no Trabalho também possuem grande relevância quanto aos resultados, mas obteve menor grau de vulnerabilidade e estresse que os outros fatores, constatando-se também o resultado geral, onde pode-se perceber o alto nível de vulnerabilidade ao estresse e o estresse que estão submetidos os sujeitos desta pesquisa. Diante desses resultados percebe-se que de acordo com Ferreira e Martino (2006, p. 241) “Fazem-se necessárias à investigação dos agentes causadores de estresse no ambiente de trabalho e medidas para o enfrentamento de tais situações, promovendo benefícios não só para os enfermeiros, mas para todos os indivíduos por eles assistidos”.

Conclui-se então que a presente pesquisa se faz importante para que a sociedade adquira conhecimento sobre um dos males do século que é o estresse e que compreendam como o trabalho deste profissional merece crédito e uma devida atenção preventiva a saúde do mesmo, pois o alto nível de estresse pode afetar o seu desempenho e o atendimento a sociedade.

Sobre o Artigo:

Trabalho apresentado à Faculdade de Rolim de Moura – FAROL, como requisito final de avaliação para conclusão do curso de Graduação em Psicologia, 2012, sob orientação da Professora Esp. Maria Izabel Pereira Carneiro.

Sobre o Autor:

Bárbara Estela Negri - Acadêmica do décimo período do curso de Psicologia da Faculdade de Rolim de Moura – FAROL. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..

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