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Ao folhear as primeiras páginas de A Loucura do Trabalho: Estudo de Psicopatologia do Trabalho, percebemos que se trata de uma obra importantíssima para o estudo da psicologia do trabalho. Dejours critica a O.C.T de Taylor, apontando-a como uma das principais responsáveis pelo sofrimento psíquico do trabalhador. A O.C.T. visava a produtividade, e Taylor sabia muito bem disso. Entendia que o tempo deveria ser otimizado de maneira a extrair o máximo de força de produção do operário. Ainda que o discurso de Dejours possa parecer de cunho comunista/socialista, por falar em defesa dos direitos do proletariado, sua análise das condições as quais os trabalhadores se submetem não pode ser ignorada. Segundo ele:

Do ponto de vista psicopatológico, a O.C.T. (Organização Científica do Trabalho) traduz-e por uma tripla divisão: divisão do modo operatório, divisão do organismo entre órgãos de execução e órgãos de concepção intelectual, enfim, divisão dos homens, compartimentados pela nova hierarquia consideravelmente inchada de contra-mestres, chefes de equipe, reguladores, cronometristas etc. O homem no trabalho, artesão, desapareceu para dar a luz a um aborto: um corpo instrumentalizado-operário de massa, despossuído de seu equipamento intelectual e de seu trabalho mental. (DEJOURS, 1992, p.39)

O modelo taylorista não é coisa apenas do século XIX. Ele ainda existe de maneira velada, assim como outros problemas sociais (racismo, homofobia, etc.). Não são todas as empresas que seguem este modelo, verdade seja dita. Porém, nas grandes companhias e indústrias, é fácil observar o taylorismo travestido de outras formas supostamente mais “aceitáveis” aos olhos dos acionistas. Ainda que tenham muitas vezes interesses menos nobres do que apenas reivindicar os direitos dos trabalhadores, as centrais sindicais apontam a todo o momento situações de abusos por parte dos patrões, especialmente com o empregado que exerce seu ofício no assim chamado “chão de fábrica”.

Não devemos apontar o dedo na cara do capitalismo e dizer que ele é o responsável pelo sofrimento psíquico no trabalho. O socialismo/populismo também não apresenta modelos que podemos considerar como exemplares (vide Cuba, Venezuela, Coréia do Norte, etc.) Todos nós gostamos de desfrutar de nosso suado dinheiro da maneira que for mais conveniente, seja com uma viagem, um carro caro, roupas da moda, festas, etc. Para Dejours, que fala que o sofrimento varia de acordo com a política administrativa da cada empresa/firma/industria, este mesmo sofrimento vai começar quando ocorrer o “choque entre uma história individual (do trabalhador), portadora de projetos, de esperanças e desejos, e uma organização do trabalho que os ignora” (DEJOURS, 1992, p133).

Quando o trabalhador é privado da possibilidade de adaptar o seu trabalho às suas necessidades físicas e psicológicas, abre-se a guarda para que a patologia se instaure.

Referência:

DEJOURS, Christophe. A loucura do trabalho: Estudo de psicopatologia do trabalho.Tradução: Ana Isabel Paraguay e Lúcia Leal Ferreira. 5ºed. São Paulo: Cortez-Oboré. 1992. 168p.