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Resumo: O presente artigo trata da atuação de psicólogo em instituições hospitalares, abordando as intervenções junto á família, o paciente e equipe profissional do hospital. A atuação do psicólogo hospitalar promove mudanças, atividades curativas e de prevenção, diminui o sofrimento que a hospitalização e a doença causam ao sujeito.
Palavras - chave: Psicologia hospitalar. Hospital geral. Brasil.

A atuação do psicólogo no contexto hospitalar não se refere apenas à atenção direta ao paciente, refere-se também atenção que é dispensada à família e a equipe de saúde, dentro de sua atuação profissional. A atuação do psicólogo hospitalar promove mudanças, atividades curativas e de prevenção, diminui o sofrimento que a hospitalização e a doença causam ao sujeito.

Os diagnósticos de cada caso são feitos a partir da representação que o paciente tem da doença e em particular da sua doença, e que envolve os aspectos de sua formação cultural, social e individual. O psicólogo hospitalar, deve-se estar alerta, principalmente, para a maneira como o paciente reage frente ao diagnóstico de sua doença, como a sua vida psíquica e sua vida social interfere na dinâmica subjetiva, e também como se estabelecem as relações psicológicas entre o paciente, a família e a equipe de saúde.

O Que se Entende por Psicologia Hospitalar?

De acordo com Cabral citando Rodríguez e Marín (2003) a Psicologia Hospitalar é um conjunto de contribuições científicas, educativas e profissionais que as várias correntes da psicologia oferecem para prestar uma assistência de maior qualidade aos pacientes hospitalizados. O psicólogo hospitalar é o profissional que detém esses saberes e técnicas para aplicá-los de forma sistemática e coordenada, sempre com o intuito de melhorar a assistência integral do sujeito hospitalizado. O trabalho do psicólogo hospitalar é especificamente direcionado ao restabelecimento do estado de saúde do doente ou, ao controle dos sintomas que comprometem bem-estar do paciente. Ainda segundo esse mesmo autor existem seis tarefas básicas do psicólogo hospitalar:

  • A função de coordenação, relacionadas às atividades com os funcionários da instituição.
  • A função de auxilio à adaptação, intervindo na qualidade do processo de adaptação e recuperação do paciente internado.
  • A função de inter-consulta: auxiliando outros profissionais a lidarem com o paciente.
  • A função de enlace, de intervenção, por meio de delineamento e execução de programas com os demais profissionais, para modificar ou instalar comportamentos adequados dos pacientes.
  • Assistência direta: atua diretamente com o paciente.
  • A função de gestão de recursos humanos: aprimora os serviços dos profissionais da instituição, o que contribui de forma significativa para a promoção de saúde.

No contexto hospitalar, o psicólogo deve buscar estabelecer um contato mais próximo com outras profissões. A saúde não é de competência de um único profissional, ela é uma prática interdisciplinar e os profissionais das muitas e diferentes áreas de atuação, devem agregar-se em equipes de saúde. De acordo com Chiattone (2003) tendo como objetivos comuns estudar as interações somatopsicossociais e encontrar métodos adequados que propiciem uma prática integradora, tendo como enfoque a totalidade dos aspectos inter-relacionados à saúde e à doença.

Conjuntamente com o enfoque da humanização do atendimento em saúde, a interdisciplinaridade é uma das bases da tarefa do psicólogo que adentra ao hospital, pois partindo do pressuposto de que o ser doente deve ser considerado biopsicossocial. “Essas três esferas interdepende e inter-relacionam-se à outra, mantendo o ser doente, intercâmbios contínuos com o meio em que vive, num constante esforço de adaptação à sua nova condição de doente [...].” (CHIATTONE, 2003, p. 32).

Está abrangência multidisciplinar e estratégica da atuação do psicólogo hospitalar, pelo reconhecimento do campo de saúde como uma realidade complexa, e que necessita de conhecimentos distintos integrados é que define a necessidade de intervenção de forma imediata. Portanto, estas ações deveriam envolver profissionais de diferentes áreas em uma rede de complementaridade onde são mantidas as exigências organizacionais unitárias.

O Psicólogo Hospitalar e a Família do Paciente

O acompanhamento psicológico junto á família do paciente é muito importante pois, o familiar vivencia um momento de crise acometido pelo sentimento de impotência frente a moléstia de seu ente querido, e também seu temor pelo falecimento; pela dificuldade em compreender o que se passa com o paciente; pela distância imposto pelo ambiente hospitalar ( o que impossibilita o familiar de cuidar, ele mesmo do paciente); a dor da impotência diante o sofrimento do outro.

Em relação á importância de se prestar uma assistência psicológica á família do doente, Chiattone ressalta o seguinte:

No hospital, o psicólogo hospitalar também estará realizando avaliação e atendimento psicológico aos familiares, apoiando-os e orientando-os em suas dúvidas, angústias, fantasias e temores. Junto à família, o psicólogo deverá atuar apoiando e orientando, possibilitando que se reorganize de forma a poder ajudar o paciente em seu processo de doença e hospitalização. Não se pode perder de vista a importância da força afetiva da família. Ela representa os vínculos que o paciente mantém com a vida e, é, quase sempre, uma importante força de motivação para o paciente na situação de crise. (CHIATTONE, 2006, p. 32)

Nesse sentido, pode-se acrescentar que o psicólogo avalia o estado emocional do paciente e da família e o impacto do adoecimento e da internação para ambos. Avalia também as possíveis crenças ou idéias distorcidas que os familiares têm em relação ao quadro clinico do paciente, e a relação do paciente e da família com a equipe profissional, uma vez que todos esses fatores podem influenciar no tratamento. A partir destas considerações o profissional da psicologia fará suas intervenções.

O Psicólogo Hospitalar e a Equipe Multidisciplinar

Nas instituições de saúde são indispensáveis que os papéis, e as tarefas profissionais de cada membro da equipe sejam claramente delimitados. Principalmente porque a indefinição ou a ambigüidade relativa ao papel profissional podem gerar conflitos na equipe, ao se acumularem expectativas inadequadas ou mal delimitadas entre seus membros. A respeito disso Chiattone ressalta:

[...] a delimitação do papel profissional acompanha as expectativas dos outros membros da equipe quanto ao papel que o profissional em questão deve exercer, acrescidas das próprias expectativas do profissional sobre sua capacidade de realização e de interpretação das expectativas dos outros. Em geral, no hospital geral, é muito comum ocorrerem conflitos em equipes compostas por profissionais com distintos graus de instrução e conhecimentos sobre as outras especialidades, sendo que o potencial conflitivo torna-se aumentado se não houver compreensão das capacidades dos membros, se o profissional visualizar a tarefa como invasão de terreno dos outros profissionais, se assumir um comportamento defensivo em prol das prerrogativas profissionais e se acreditar na falha de utilização plena das qualificações dos outros membros. (CHIATTONE, 2006, p. 33)

A postura diante ao trabalho, devem ser delineadas pela disposição de compartilhar os diversos saberes, ter flexibilidade, vontade de aprender e disposição decisões conjuntas. O respeito e a confiança também são essenciais, assim como os atributos pessoais de cada membro da equipe (autoconfiança, boa capacidade de comunicação, e profissionalismo).

O trabalho em equipe deve ser compreendido pela maneira como a equipe exerce suas tarefas, acrescentado da análise de cada funções, regras e valores, aspectos que dizem respeito à liderança e decisões, definição de objetivos, interação e exercício de poder.

A Atuação do Psicólogo no Hospital Geral

O hospital desde sua criação foi considerado o símbolo máximo de atendimento em saúde, idéia que, de certa forma, ainda persiste. Muito provavelmente, esse é o motivo pelo qual, no Brasil, o trabalho da Psicologia no campo da saúde é chamado Psicologia Hospitalar, e, não, Psicologia da Saúde, o que enfatizaria mais a promoção de saúde.

No Brasil, os primeiros psicólogos começaram a atuar em hospitais, por volta de1960, quando ainda não existia um determinado padrão a ser seguido. Estes profissionais passaram, então, a realizar nos hospitais as mesmas práticas que realizadas em seus consultórios. Também atuavam como assessores dos Psiquiatras, ou como psicometristas; sem participar do atendimento direto ao paciente.

“A reprodução das práticas de consultório, [...], não floresceu e não poderia mesmo florescer, por não trazer respostas às necessidades do paciente e da própria equipe.” (GORAYDE, 2001, p. 263). É necessário quando se trabalha com Psicologia dentro do hospital compreender que é preciso se fazer não apenas Psicologia, mas uma Psicologia Médica.:

[...] por psicologia médica se entende o estudo das situações psicológicas envolvidas na questão mais ampla de saúde do paciente, com destaque para o aspecto da saúde orgânica. Os aspectos psicológicos são vistos e tratados como associados à questão de saúde física, não devendo desta ser dissociados. Não se trata de diminuir a importância da psicologia, mas sim de adequá-la, para uma maior eficiência. (GORAYDE, 2001, p. 263).

É importante enfatizar que o individuo hospitalizado é diferente daquele que procura o consultório, pois este traz uma demanda espontânea. Ele não possui quadros clássicos de psicopatologia, doença de ordem orgânica, agravada ou modera, ele traz uma demanda psicológica específica. “Necessita comunicar-se bem com seu médico, ou colocado de uma forma correra, necessita que seu médico se comunique adequadamente consigo, necessita informações e apoio.” (GORAYDE, 2001, p. 264).

Se devido às características psicológicas anteriores ou um quadro de stress causado pela internação pela internação, o paciente passar a apresentar algum distúrbio psicológico transitório é extremamente importante que os membros da equipe de atendimento do hospital compreendam que este distúrbio é temporário, específico, e provavelmente está relacionado com a hospitalização do sujeito. Em decorrência de uma situação semelhante a essa, “[...] o papel do psicólogo hospitalar é essencial para apoiá-lo, esclarecê-lo, informá-lo, levar a equipe a se relacionar efetivamente com ele, dar-lhe todas as informações de aspectos específicos de sua patologia e do prognóstico.” (GORAYDE, 2001, p. 264). Com isso, o profissional da psicologia ganha um papel de destaque para consolidar a harmonia da equipe e auxiliar no restabelecimento da saúde do paciente.

Considerações Finais

Os psicólogos hospitalares atuam como intérpretes das demandas do paciente, da família e da equipe profissional. Ele atua como facilitador do diálogo entre essa tríade, e dispensa apoio psicológico a família, assim como esclarecimento de suas duvidas.

A inserção do psicólogo no hospital gera qualidade, e amplia a promoção da saúde e a melhor qualidade nos atendimentos hospitalares.

A psicologia no contexto hospitalar atua para a melhor integração, e compreensão das diferentes práticas teóricas, minimiza os espaços entre as diversidades dos saberes, e lapida o cuidado à saúde e a prevenção de doenças. Assim é possível estabelecer as condições adequadas de atendimento aos pacientes, familiares e melhor desempenho das equipes de saúde no hospital.

Sobre o autor

Lamarquiliania Neiler Lacerda Vieira - Graduando em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Referências

CHIATTONE. H. B. de C. Prática Hospitalar. In: Encontro Nacional de Psicólogos da Área Hospitalar, 08, 2003, São Paulo. Anais... São Paulo: Associação Brasileira de Psicologia da Saúde e Hospitalar, 2003, p. 20 – 32. Disponível em . Acesso em 02 nov. 2010.

FOSSI. L. B; GUARESHI. N. M. de F. A psicologia hospitalar e as equipes multidisciplinares. Revista da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar, Rio de Janeiro, v.7, n.1, jun. 2007.

GORAYED. R. A prática da psicologia hospitalar. In: MARINHO. M. L; CABALLO. V. (Org.) Psicologia Clínica e da Saúde. Granada: Editora UEL, 2001. P. 263-278.

VIANA. Y. Psicologia Hospitalar. Psicologado Artigos, 07, 2008. Disponível em . Acesso em 02 nov. 2010.

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS. Padrão PUC Minas para normalização: normas da ABNT para apresentação de artigos em periódicos científicos. Belo Horizonte. 2010. Disponível em . Acesso em 29 ago. 2010.