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Para tentarmos compreender a atuação do psicólogo escolar/educacional na inclusão de pessoas com deficiências e/ou necessidades educacionais especiais nas salas regulares de ensino, vou falar primeiramente sobre a educação inclusiva, como surgiu e como se dar seu processo, depois vou contextualizar a atuação do profissional de psicologia na concretização dessa inclusão.

A inclusão é um movimento recente, antes falávamos de integração, inserir pessoas com deficiência na educação regular foi uma estratégia que não deu certo, pois o aluno ficava dentro da escola, mas não participava desta, estava dentro da instituição em uma sala especifica para alunos que também tinham deficiência, as salas especiais, que geralmente se localizavam em um local a parte da escola. Nesse movimento o aluno precisava se adequar a escola e a sociedade, tanto que o papel da escola era tornar o aluno apto a viver em uma sociedade homogênea.

A educação inclusiva, que chegou ao Brasil com a publicação da Declaração de Salamanca em 1994, tem uma proposta diferente. O aluno precisa não somente estar na escola, em uma sala especifica para os “especiais” onde ali ele vai cortar, colar e brincar, como se pensava na época da integração, a socialização era a principal atividade realizada para eles naquela época, mas o movimento da inclusão propõe alem da socialização trabalhar também a parte cognitiva. Ele precisa participar da dinâmica da escola, da dinâmica da sala de aula de uma forma que as atividades estejam ao alcance das suas necessidades com um currículo flexível, não que diferencie os alunos, mas que esteja satisfazendo as suas singularidades.

Para essa proposta a escola tem que se adaptar ao aluno e não o aluno se adaptar a escola. A instituição escolar tem que se reformular a começa pelo seu Projeto Político Pedagógico, que diz como a escola deve ser, o que deve ensinar e como, pois tanto nela como na nossa sociedade existem barreiras que impedem a inclusão dessas pessoas e não são só as barreiras arquitetônicas, são também as pedagógicas e atitudinais. A principal destas é a barreira atitudinal, porque é preciso se dispor ao trabalho de se reformular conceitualmente e nas atitudes para trabalhar com a inclusão. É bem mais fácil para um professor dar sua aula tradicional, pois esta tudo no livro didático de como fazer naquele dia especifico, o que o aluno vai aprender, qual atividade vai realizar. Ao invés de planejar uma aula para trabalhar diferentes habilidades como uma atividade que contemple os diversos alunos desde os que conseguem ouvir aos que não conseguem. É trabalhoso, é necessário sair da posição de conforto, se mobilizar, se mover, fazer diferente. Claro não podemos culpabilizar somente o professor existe toda uma serie de situações que os coloca nessa posição, uma das principais é a falta de formação para a educação inclusiva.

“Fui educada para aprender conforme ensinavam, e assim aprendi a me desenvolvi. Queria que meus alunos fizessem o mesmo, percebessem e aceitassem que aquilo que proponho é para o bem deles.“ (ADRIANA MARCONDES, 2005)

Na graduação o professor é ensinado a trabalhar com uma sala homogênea e quando ele chega à escola e percebe que sua turma não tem nada de homogêneo ele se assusta, e só tem duas saídas ou ele finge que não esta vendo as diferenças e faz seu trabalho como aprendeu na faculdade ou ele começa a se angustiar e buscar fazer diferente, buscando fora um conhecimento que não lhe foi dado.

É angustiante ouvir o desabafo da diretora de uma escola municipal do estado de Alagoas, sobre o processo de inclusão em sua escola que simplesmente não acontece, os alunos estão matriculados na escola, estão na sala de aula, mas não assistem aula, não participam da dinâmica da sala, porque o numero de aluno é grande e não existe professor auxiliar (facilitador da inclusão) para ajudar o professor efetivo e este simplesmente não da conta. Então o aluno esta sofrendo uma inclusão perversa, é a inclusão e dentro dela a exclusão, o individuo está inserido dentro da instituição, mas não participa da mesma.

E Qual é o Papel do Psicólogo Diante Dessa Realidade?

Como a inclusão ainda não aconteceu, porque é um processo lento que se arrasta por mais de 30 anos, o profissional de psicologia ainda estar construindo sua pratica, assim como também o professor estar construindo a sua mediante suas experiências.

A atuação do psicólogo escolar no inicio era marcada pelos testes de QI, classificando e categorizando os alunos. Agora esta postura não cabe mais dentro da nossa realidade, porque esta assim ele ao invés de promover a inclusão promove exclusão, e para mudar essa pratica que já foi interiorizada até na instituição escolar o profissional de psicologia precisa como Marisa afirma:

“(...) o psicólogo escolar pode desenvolver práticas que traduzam suas concepções inclusivas, ter uma prática que não seja uma prática de exclusão, que possa romper com as práticas que muito serviram para validar concepções ideológicas, baseadas, sobretudo, na psicometria e na aferição do QI dos alunos.”

O caso não é colocar o aluno na escola, se pensarmos assim já estamos vivendo a inclusão, pois o numero de crianças com deficiências que estão matriculadas nas escolas regulares é enorme, o caso é mantermos esses alunos na escola aprendendo. Quando o professor recebe um aluno de inclusão, como se chama atualmente, em sua sala é como se uma bomba estoura-se em suas mãos, o papel do psicólogo é amenizar, equilibrar os estragos que essa explosão ira causar, mediando essa transformação, pois ela não pode ocorrer de forma aleatória é preciso um direcionamento.

Temos algumas experiências de professores e de psicólogos que fizeram alguns projetos que deram certo. Como é o caso de Marisa Brito da Justa Neves que conta sua experiência no Distrito Federal, quando ainda psicóloga do atendimento psicopedagógico, que tinha a função de avaliar os alunos que eram encaminhados para sua sala com queixas escolares.

Diante dessa situação ela juntamente com uma equipe de trinta profissionais formulara um projeto de “Procedimentos de Avaliação e Intervenção das Queixas Escolares” (PAIQUE), que se resume na intervenção inicialmente com o professor, para entender a sua queixa e se essa corresponde à realidade, e em um segundo momento, se necessário, eles frisam, entrar em contato com o histórico escolar do aluno e juntamente com o professor e a escola entender o comportamento dele para poder intervir, caso não haja solução eles propõe um terceiro nível que é o encontro com a família, não resolvendo, um encontro com o aluno, em um atendimento individual, e o quinto nível que é o encontro do aluno com sua equipe de apoio. Segundo a experiência vivenciada pela equipe do PAIQUE a maioria das solicitações dos professores era resolvida no primeiro nível, a orientação ao professor geralmente fazia com que a situação tomasse rumos diferentes, porque o professor iria olhar com mais atenção e com uma nova visão o comportamento do aluno e refazer sua queixa.

Outra experiência é a do projeto “Trilhando caminhos da inclusão escolar em Palmeira dos Índios /AL”, formulado pela professora Mestra em psicologia da educação Danielle da Nóbrega e a técnica em assuntos educacionais Lidiane Ramos ambas da Universidade Federal de Alagoas. O objetivo do projeto é investigar como esta acontecendo à inclusão no município e contribuir com esta, no segundo objetivo observamos a atuação do profissional de psicologia na intervenção com o professor através de grupos itinerantes de discussão, o projeto proporcionou um espaço de construção de conhecimento para esses professores, como já mencionados não receberam orientação para trabalhar com alunos com deficiência e/ou necessidades educacionais especiais.

Nessas duas intervenções percebemos que o caminho que tem dado certo é a intervenção junto ao professor sendo este a pedra angular do processo, se ele estiver com a barreira atitudinal nenhuma outra que venha a existir será derrubada, mas se essa barreira for destruída a barreira arquitetônica, pedagógica e de pessoal será mais facilmente derrubada.

Considerações Finais

Como já foi mencionado a atuação do psicólogo escolar/educacional ainda esta se construindo, existem sim experiências que deram certo e que se propõe uma pratica digamos “correta”, mas cabe lembrar que essas experiências foram vivenciadas em diferentes lugares desde países de primeiro mundo até os de terceiro mundo como é o caso do Brasil, do projeto realizado pela professora Marisa Brito. Quando observamos a realidade de onde estamos percebemos que algumas posturas adotadas em países de terceiro mundo e até mesmo nos mesmos pais mais em cidades diferentes percebemos que algumas coisas não cabem.

Assim como todos os países são diferentes, cada cidade, cada escola, cada aluno é também singular e exige uma pratica também diferenciada. Logo não podemos fechar uma atuação “correta”, com receitas que devem ser seguidas desse jeito ou daquele outro. Cada caso é um caso e é preciso atuar mediante a realidade que se encontra, não negando algumas posturas que são universais, mas sem fechar algo pronto, a prática não deixa de se construir a cada novo aluno uma nova atuação.

Sobre o Trabalho:

Trabalho solicitado pela professora Mestra Danielle de Oliveira da Nóbrega, como forma de avaliação parcial da segunda nota do primeiro semestre de 2010, do curso de psicologia da Universidade Federal de Alagoas - UFAL.

Referências:

MACHADO, Adriana Marcondes, Psicologia e Direitos Humanos, Articulação da saúde com a educação nos desafios da educação inclusiva. Casa do Psicólogo, 2005;

NEVES, Marisa Maria Brito da Justa, Psicologia e Direitos Humanos, Por uma Psicologia escolar inclusiva. Casa do Psicólogo, 2005;

RANÑA, Wagner, Psicologia e Direitos Humanos, Direitos humanos, educação inclusiva e reforma psiquiátrica para a criança e o adolescente. Casa do Psicólogo, 2005.